Geraldo Hasse
Esteve em Porto Alegre o deputado federal alemão Klaus Mindrup, biólogo socialdemocrata que atua em Berlim. Ele foi ciceroneado pelo economista Raul Pont, prefeito da capital gaúcha na época do primeiro Fórum Social Mundial, o megaevento que há 15 anos espalhou que seria possível criar um mundo melhor.
Em Berlim a vida melhorou para a maioria, mostrou Mindrup. Em Porto Alegre também, mas não para todos. Quando Mindrup perguntou a Pont quanto subsídio a prefeitura local dá ao transporte público, o ex-prefeito gaúcho respondeu constrangido: “NIX!”
Em Berlim, livre do Muro há 25 anos, a maior parte da poupança está nas mãos de caixas populares, que financiam a democratização de todas as instâncias da vida da população – educação, saúde, transporte, arte, cultura, lazer.
Mindrup é sócio de uma cooperativa habitacional que comprou 20 prédios prédios antigos, restaurados para habitação, escritórios e pequenos negócios. Em pleno capitalismo, Berlim conseguiu criar um mundo melhor para a maioria com subsídios do governo da cidade. Porto Alegre, ao contrário, parece ter perdido terreno(s).
“Desde 2010 foram aprovados oito projetos de shoppings centers em Porto Alegre”, disse Rodrigo Oliveira, presidente do PT da capital, na abertura do evento POA Mais!, que tenta resgatar o espírito original do Fórum Social Mundial, cujas boas intenções foram devastadas por eventos internacionais sinistros como a destruição das torres gêmeas de Nova York em 2001, a crise financeira global de 2008 e o surto de guerras e terror dos últimos anos. “É a economia, idiotas!”, dizem os pragmáticos submissos à lógica capitalista.
Embora não possam ser encarados como um mal em si, oito novos shoppings se ajustam mais à ideia do Fórum de Davos, cujo enfoque é predominantemente econômico. Enquanto isso, uma parcela da população da capital tenta conter a ocupação do centenário Cais Mauá por um projeto mais comercial do que social. Submisso às propostas dos empreendedores dos setores imobiliário e da construção civil, o poder formal não ousa tomar nenhuma iniciativa em favor das necessidades da população carente que ronda os inúmeros prédios vazios de áreas decadentes do centro da capital. Segundo o vereador Carlos Comasseto, em Porto Alegre há 750 vilas fora da lei e 50 comunidades em situação precária.
Ainda que Porto Alegre não seja páreo para Berlim, ou talvez por isso mesmo, a retomada do Fórum Social Mundial foi tema capaz de lotar o auditório do Hotel Everest. Na noite de segunda-feira (7/12), cerca de 200 pessoas foram lá ouvir três personalidades: além do visitante alemão Klaus Mindrup, deram seu recado o polonês naturalizado brasileiro Ladislau Dowbor, um dos principais economistas (de esquerda) em atividade no país; e o economista Marcio Pochmann, ex-presidente do IPEA e atual comandante da Fundação Perseu Abramo, do PT.
Ladislau Dowbor, coordenador dos cursos de pós-graduação da PUC-SP, “baixou” para o auditório uma série de dados sobre a destruição do planeta. “Desde 1970 liquidamos com a existência de 52% dos vertebrados”, disse, dando a impressão de que gastaria seus 20 minutos com a apresentação de um quadro de horrores. Não, ele foi equânime. O Brasil deu uma boa melhorada em seus indicadores sociais. Por exemplo, de 1991 para 2010, o índice de mortalidade infantil caiu de 30/1000 para 15/1000; a expectativa de vida subiu de 65 anos para 75 anos; e a maioria absoluta dos municípios se livrou do conceito de “baixo” no Índice de Desenvolvimento Humano. Em compensação, “é mais fácil tirar o essencial dos pobres do que o supérfluo dos ricos”, disse ele, citando um político francês. De fato, os dados mostram que o Brasil se tornou prisioneiro do sistema financeiro. “Este ano, o governo vai pagar R$ 400 bilhões para o custeio da dívida pública”, disse Dowbor, salientando que, nesse estado de coisas, não sobra dinheiro para custear obras. Hoje no Brasil tanto os investimentos públicos quanto os investimentos privados estão travados pelo nó do endividamento.
Temos assim uma situação inversa à da Alemanha: lá, 60% dos recursos financeiros disponíveis são administrados por caixas populares de poupança que visam o bem-estar social; aqui, onde o Produto Interno Bruto soma R$ 5,5 trilhões, um total de R$ 3,1 trilhões está girando em crediários, títulos e aplicações financeiras cujo foco é sustentar os bancos e os rentistas. “O problema do Brasil não é falta de recursos, mas falta de organização política”, resumiu o economista, que sugeriu ao público captar no Google o estudo “Resgatando o Potencial Financeiro”, de sua autoria.
Em sua palestra, Márcio Pochmann condenou o curtoprazismo, “que não dá espaço para as utopias”. Para ele, a globalização do capitalismo não apenas colocou a economia em primeiro lugar, mas tornou a política irrelevante. Dessa situação advêm o descrédito dos partidos e a desimportância dos sindicatos. O mundo está imerso num surto de conservadorismo alimentado por corporações gigantescas que dominam 80% do comércio mundial e controlam 2/3 dos investimentos em criação de tecnologia. Segundo Pochmann, 147 grupos econômicos controlam 60% do PIB mundial e apenas seis países têm orçamentos maiores do que as receitas das quatro maiores corporações globais, que interferem a seu feitio sobre os poderes locais, regionais e nacionais. No Brasil, um dos sintomas da distorção do processo político está na eleição de 272 deputados ‘ruralistas’ por uma população 86% urbana. Na esteira dessa dessintonia vão se criando inovações transitórias que correpondem menos ao interesse público e mais aos interesses privados. “Alguns estados estão terceirizando o ensino”, lembrou Pochmann, que está preocupado com o crescimento da população de idosos. Atualmente, o Brasil possui 3,2 milhões de pessoas com mais de 80 anos; dentro de 20 anos, eles serão 20 milhões. Outro dado preocupante é que um terço dos aposentados brasileiros continua trabalhando, o que significa que logo ali adiante vão faltar recursos já que, dos 23% do PIB que o Estado brasileiro dedica aos gastos sociais, 11,5% vão para aposentadorias e pensões.
No final, o auditório se deu conta de que Pochmann, o mais jovem dos palestrantes, foi o mais pessimista.
SERVIÇO
As inscrições para o FSM 2016 Porto Alegre 15 Anos estão disponíveis no site www.fsm.org.br
O evento, que acontecerá de 19 a 23 de janeiro de 2016, em Porto Alegre, terá atividades concentradas no Parque Farroupilha, Auditório Araújo Vianna, Largo Zumbi dos Palmares, Assembleia Legislativa, Câmara Municipal e diversos outros locais. Outras informações em escritorio.iafsm@gmail.com ou pelo telefone (51) 3289.3845
Autor: Geraldo Hasse
Porto Alegre tenta captar as lições de Berlim
O empresariado faz, mas rouba
Geraldo Hasse
No Brasil estão acontecendo coisas até há pouco impensáveis. Parecia totalmente improvável a condenação à prisão de executivos de empreiteiras como a Camargo Correa Construções, desde os anos 1950 presente em grandes obras públicas como a construção de Brasilia, a ponte Rio-Niterói, a usina de Itaipu ou o Metrô de São Paulo.
No duro, no duro, faz tempo que a Camargo Corrêa não é uma simples empreiteira e, sim, um grupo econômico de grande porte e altos interesses nas áreas de cimento e energia. Algo como um Grupo Votorantim ligeiramente menor, pois de origem mais recente.
Mas o que dizer da Odebrecht, que domina o setor petroquímico? A construtora é grande, mas o grupo Odebrecht é gigantesco. E temos na “lista do mal” outras empreiteiras de extração mais recente, como a baiana OAS, que se criou à sombra do governador e senador Antonio Carlos Magalhães, o falecido vice-rei do Norte.
Por uma ironia da História, ficou fora do rolo o megaempreiteiro Olacyr de Moraes, recentemente falecido. Fundador da Constran, que chegou a ser uma das dez maiores empreiteiras de obras públicas do Brasil, ele fez sucesso como plantador de soja e chegou a ter um banco de médio porte (Itamarati), mas quebrou sufocado pelas dívidas da construção da Ferronorte, vítima da perseguição de políticos paulistas que não lhe deram licença para chegar ao porto de Santos.
Visionário sem força política no regime democrático, acabou tendo de repassar sua construtora para seus executivos. Se algum dia comprou alguém, não se divulgou; o que ficou patente é que aos setenta e tantos anos gostava de aparecer em restaurantes paulistanos com lindas moças contratadas by leasing.
Também não aparece nas listas o nome do também falecido Cecilio do Rego Almeida, o maior empreiteiro do Paraná e considerado o pivô da demissão — por “corrupção”, segundo os órgãos de segurança da ditadura militar — do governador Haroldo Leon Peres em 1971.
Se levantarmos os nomes dos envolvidos nos escândalos Lava-Jato (propinas para assegurar obras públicas) e Zelotes (propinas para obter o perdão por dívidas com a Secretaria da Receita Federal), estará formada a lista preliminar da fatia mais balofamente corrupta da grande plutocracia brasileira.
Dos maiores frequentadores dos rankings das grandes empresas nacionais não escapa quase ninguém: lá estão Bradesco, Construtora Camargo Corrêa, Gerdau, Itaú, OAS, Odebrecht e a até a gaúcha RBS. Isso tudo sem falar do flamante emergente Eike Batista, que saiu de campo içado pelos guindastes de sua própria megalomania.
Quando se fala dessa turma de alto coturno e colarinho alvo, é praticamente impossível não recordar Antonio Ermírio de Moraes, que morreu há alguns meses.
Ele saiu de cena absolutamente isento da pecha que atinge seus antigos pares do empresariado nacional. Antonio Ermírio era um sujeito meio tímido mas dado a arroubos de exibicionismo, como quando, em palestras ou entrevistas à imprensa, se punha na lousa a debulhar equações matemáticas sobre fatos triviais da vida econômica.
Desde que se formou engenheiro metalúrgico na Colorado University, nos States, ganhou fama de gênio. Depois de trabalhar 12 horas por dia nas suas empresas (aço, cimento, mineração, banco, celulose), dava expediente na Beneficência Portuguesa, da qual foi provedor por vários anos. Chegou a ter veleidades políticas – foi candidato a governador de São Paulo no fim da ditadura militar, mas não conseguiu os votos que esperava e voltou à vida empresarial. Não há menção a seu nome em qualquer falcatrua ou irregularidade.
Impõe-se a pergunta: se tivesse uma empreiteira de obras públicas, o grupo Votorantim estaria enredado em alguma das investigações em curso?
Não se pode responder a uma hipótese, mas precisamente aí parece estar o X da questão: tanto no caso da Lava-Jato como da Zelotes, a imoralidade reside no vínculo das empresas com os agentes da administração pública.
Incluamos o Mensalão em nosso raciocínio e o que vemos? Figuras de proa do mundo político, desde ex-ministros até deputadinhos de legendas de aluguel.
É de supor, portanto, que os conluios entre empreendedores e representantes do poder instituído existem desde os tempos das ferrovias do Barão de Mauá, da construção de quartéis por Roberto Simonsen nos anos 1920, das obras de Brasília nos anos 1950 ou da Paulipetro nos anos 1970 – até que chegamos à construção de plataformas de exploração do petróleo do pré-salve-se quem puder.
O que podemos concluir por enquanto é que finalmente o sistema policial-judiciário brasileiro chegou às fontes da corrupção, como cobrava o senador Pedro Simon na época da CPI da Corrupção, 20 anos atrás. “Cadê os corruptores?!”, bradava o político gaúcho, hoje aposentado.
Mais do que nunca, está ficando claro que o empresariado brasileiro faz muita coisa mas também rouba, no que conta com a ajuda jeitosa de funcionários públicos e a conivência esperta de políticos.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“O respeito irrefletido pela autoridade é o maior inimigo da verdade”.
Albert Einstein (1879-1955)O sistema financeiro global está maduro para levar um tranco dos grandes devedores
Por Geraldo Hasse
Alguns economistas começam a colocar em dúvida a eficácia da ortodoxia monetária e fiscal no combate à inflação na economia brasileira.
É uma conversa de iniciados que pouco interessa ao público em geral, mais “focado”, como se diz, no dia-a-dia, o “day by day”, mas cabe lembrar que o assunto não se esgota na dualidade câmbio-juros. Focar só isso é “laborar no erro”, como se dizia antigamente.
Quando falam em ortodoxia fiscal e monetária, os economistas se referem à atual contenção de gastos públicos, à elevação da taxa de juros Selic praticada pelo Banco Central (para o pagamento da dívida do Tesouro Nacional) e, finalmente, ao câmbio.
Antes de mais nada, é preciso lembrar que esses três itens – gastos públicos, taxa de juros e cotação do câmbio – são de difícil controle porque dependem de variáveis situadas mais ou menos fora do alcance do governo. Vejamos:
I – Os gastos públicos podem ser protelados (“contingenciados”, no jargão do serviço público), mas entre eles há itens inescapáveis como o custeio da máquina, o pagamento do pessoal ativo, as aposentadorias e pensões dos inativos, as verbas obrigatórias para manutenção de setores básicos (educação, saúde, segurança), as obras inadiáveis, os investimentos em novos projetos de infraestrutura e, especialmente, o serviço da dívida, que come um bocado da grana nacional. Isso, no Executivo; não falamos do Legislativo e do Judiciário, que administram as próprias despesas como se não houvessem limites orçamentários.
II – A taxa de juros manipulada pelo Banco Central obedece mais aos fluxos financeiros internacionais do que aos interesses nacionais, se é que esses ainda estão vivos em nosso contexto político, mais orientado para a “inserção na economia global”, na qual prevalecem os interesses dos países mais fortes.
III – Quanto à taxa de câmbio, idem: o que mais pesa são os fluxos de comércio, turismo e investimentos externos. É preciso entender que o câmbio e os juros são tipo irmãos/amigos inseparáveis que “atam e desatam em Manhattan”, como disse um empresário paulista no apagar das luzes do enganoso “milagre econômico brasileiro” da ditadura militar (1964-1985).
Trocando em miúdos, é muito reduzida a autonomia dos administradores públicos de países da periferia do sistema econômico dominante.
Por mais que tente falar grosso no concerto global, o Brasil ainda não tem peso para se confrontar com os EUA, Europa, Japão e China. É até bom que assim seja. Melhor a conciliação do que a confrontação. Ser potência econômica exige poderio bélico e outras sandices.
Na realidade, o Brasil só vai conseguir ser independente e autônomo quando se livrar do endividamento que mantém o governo amarrado a uma política de juros que só atende aos credores e seus intermediários financeiros.
Assim, a discussão sobre as alternativas à ortodoxia monetária não pode ficar restrita aos itens câmbio e juros. O buraco é nitidamente mais embaixo.
Dificilmente o Brasil sairá desse dilema crucial sem denunciar a dívida. O clima para isso nunca foi tão favorável.
O sistema financeiro internacional ancorado no dólar está maduro para um realinhamento via “default”, o popular calote.
LEMBRETES DE OCASIÃO
“Para mim, os maiores pecados são aqueles que vão na estrada da mentira, e são três: a desinformação, a calúnia e a difamação”.Papa Francisco em março de 2014
“A concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico”.Papa Francisco em julho de 2015Hidrovias seguem em banho-maria
Geraldo Hasse
Na semana que passou, o secretário estadual dos Transportes e Mobilidade, Pedro Westphalen, foi elogiado publicamente pelo presidente do Terminal de Conteineres do Porto de Rio Grande, Paulo Bertinelli. “É a primeira vez que vejo um secretário com conhecimento de causa sobre a infraestrutura de logística e, particularmente, sobre as hidrovias gaúchas”, disse Bertinetti, que está há 18 anos no comando do Tecon riograndino e foi um dos dez palestrantes do 3º Fórum de Infraestrutura e Logística promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha em Porto Alegre na quinta-feira (25/6).
Em sua palestra de 25 minutos, o médico Pedro Westphalen, deputado estadual (PP) por Cruz Alta, declarou-se a favor de parcerias público-privadas para recuperar e potencializar a infraestrutura viária do Rio Grande do Sul, pois o governo estadual não tem condições financeiras de bancar obras novas ou reformas de estradas e pontes construídas na época em que o limite das cargas de caminhão era de 10 toneladas. “Agora são comuns os bitrens para 60, 70 toneladas”, disse ele para uma platéia de uma centena de especialistas em logística.
Westphalen revelou, por exemplo, que o DAER está tão mal de equipamentos que, para fazer rodar um caminhão – os últimos foram comprados em 1984 –, é preciso tirar peças de outro. Já a EGR, criada recentemente, também não tem condições de “atender adequadamente os usuários das rodovias que explora”, admitiu o secretário, sem porém sugerir qualquer iniciativa privatizante ou anunciar algum projeto do setor privado no sentido de compensar a ineficiência estatal.
Para ilustrar o retrocesso dos serviços de transporte de passageiros e cargas, Westphalen lembrou que na infância ia para o Rio em aviões DC-3 da Varig que partiam de Cruz Alta e de outras cidades do interior, como Santa Maria e Passo Fundo. Reconheceu que o governo está se esforçando para reativar aeroportos municipais, mas faltam recursos. Além disso, o transporte rodoviário de cargas e passageiros é muito forte.
Para Westphalen, que se declarou apaixonado pelas hidrovias gaúchas, o Rio Grande do Sul está perdendo capacidade competitiva ao negligenciar a recuperação do sistema hidroviário estadual. “Nossas hidrovias não são confiáveis, falta uma dragagem permanente, e existem dificuldades para licenças ambientais, isso acaba afastando o investidor e as pessoas”, disse.
Paulo Bertinetti, que falou logo após o secretário, afirmou que a intensificação do transporte hidroviário entre Rio Grande, Porto Alegre, Estrela e Triunfo – os quatro pólos com maior potencial de cargas – depende de poucos investimentos em sinalização e dragagem que se pagariam em pouco tempo. “Mas cabe ao Estado fazer a sua parte”, enfatizou, lembrando que assim seria possível navegar à noite transportando maiores volumes. “A hidrovia não tem pedágio nem balança”, arrematou, deixando claro aos presentes que o transporte por água no Rio Grande do Sul continua em banho-maria, alimentando um autêntico diálogo de surdos.Lava-Jato provoca vampirismo em Nova Iorque
Geraldo HasseEstá marcada para a próxima quinta-feira (25) a primeira audiência da ação coletiva aberta na Justiça de Nova Iorque contra a Petrobras por investidores norte-americanos que alegam ter sofrido “prejuízos substanciais”com a operação Lava-Jato.Eles argumentam que as ações compradas a partir de 2010 foram desvalorizadas em 2014, após a investigação da Polícia Federal descobrir pesadas falcatruas em contratos de serviços prestados por grandes empreiteiras à maior estatal brasileira.Os especuladores, digo investidores, querem indenização, pois se sentem lesados por promessas de grandes lucros com a exploração do petróleo descoberto nas profundezas da plataforma continental brasileira.O fabuloso tesouro do pré-sal, que gerou polêmica no Congresso sobre o que fazer com seus royalties (prevaleceu 75% para a Educação e 25% para a Saúde), está fazendo água por todos os lados.Os advogados dos conspiradores, digo investidores, se movem celeremente na expectativa de ganhar milhões de dólares. Com certeza o cinema americano vai lavar a égua com esse imbróglio internacional.Se o problema da corrupção (estimado em R$ 6 bilhões pela diretoria da Petrobras) está aparentemente sanado, o caso da Bolsa de NY configura uma ameaça muito maior, algo como uma sangria a longo prazo, uma vampiragem institucionalizada no âmbito sagrado da Justiça.Não nos enganemos: é o supremo capitalismo americano processando o reles capitalismo brasileiro.Os EUA contra o Brasil. Um jogo cujas regras garantem o cumprimento dos contratos de remuneração dos investidores, em primeiro lugar. Em segundo lugar, tudo o mais rola no âmbito moral: esta é uma oportunidade de ouro para os norte-americanos darem aos brasileiros a lição que merecem por se arvorar a ser potência petroleira.A Petrobras que se prepare para fazer “a lição de casa”.A justiça do Tio Sam vai dar nos dedos dos desaforentos da América do Sul.Não vai sair barato.Dilma neoliberal
Artigo Geraldo Hasse
O pacote de investimentos de R$ 198 bilhões em infraestrutura anunciado pela presidenta Dilma em cerimônia no Palácio do Planalto na terça-feira 9 de junho precisa ser lido não apenas como um voto de confiança na iniciativa privada, mas um pedido de apoio ao empresariado e uma confissão de culpa junto aos cidadãos em geral.Como não tem dinheiro para executar todos os projetos listados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pois gasta tudo o que arrecada com a manutenção da máquina e o custeio da dívida pública (e ainda falta dinheiro, daí o ajuste fiscal em andamento), o governo federal decidiu passar a bola para a iniciativa privada, que assumirá provavelmente o encargo de custear grandes obras em troca da concessão por 20 anos de alguns filés da logística – aeroportos, estradas e portos; embora sejam vistas como ossos duros de roer, as ferrovias também foram incluídas no pacote.Mais do que uma terceirização de responsabilidades, trata-se de uma privatização envergonhada pela qual o governo admite que a iniciativa estatal carece de eficiência, tropeça na burocracia e sofre de uma falta crônica de planejamento.Podemos dizer, pois, que estamos diante da (pen)última aposta na melhoria do desempenho em setores básicos da infraestrutura viária. Lamentável, mas é a realidade dos fatos. Há três anos, um programa semelhante foi lançado e, por deficiência de projeto, desinteresse da iniciativa privada ou falta de recursos do governo, poucos projetos foram à frente. O mais vistoso deles, o Trem Bala, orçado em R$ 33 bilhões, virou motivo de chacota.Agora parece que houve uma escolha racional de projetos de concessão de aeroportos (apenas quatro), terminais portuários e rodovias, mas só depois do detalhamento de cada obra e de cada edital será possível saber qual será a resposta dos investidores num momento em que a economia está travada pelo ajuste fiscal e pelas investigações sobre corrupção em obras públicas.Tudo indica que o ajuste fiscal vai ser afrouxado antes do julgamento dos processos decorrentes da Operação Lava Jato, que fechou o cerco sobre a Petrobras e tende a cercar outras empresas estatais, também atendidas pelas mesmas empreiteiras.LEMBRETE DE OCASIÃOO pacote de concessões de infraestrutura passa ao largo do pré-sal, sinal de que o governo deseja preservar o futuro da Petrobras
Rebobinando a fita
Artigo Geraldo Hasse
Passados cinco meses do segundo governo de Dilma Rousseff, vem a impressão de que estamos assistindo à rebobinagem de uma fita cujo conteúdo, até outro dia, foi gratificante para a maioria dos brasileiros. Tanto que a presidenta foi reeleita, na suposição (e na promessa) de que a bonança continuaria por mais um longo período.Foi então que a minoria abonada começou a chiar, ameaçou entrar com um processo de impedimento e impôs um Bradesco boy no comando da economia. E tudo começou a mudar.Os brasileiros passaram os meses de novembro e dezembro de 2014 sob uma chuva de ameaças veladas. Nessa primeira etapa da mudança em curso, o economista Guido Mantega, o ministro mais longevo na Fazenda, passou a ser pintado como um paspalho, um Zé Ninguém, um pau mandado da Dilma.Era uma campanha de terra arrasada para aplainar o terreno para a aterrissagem do salvador da pátria enviado por São Bradesco em nome do Deus Mercado.No afã de promover o ajuste fiscal e conter a inflação, o duo Joaquim Levy (Fazenda) e Alex Tombini (Banco Central) apertou o torniquete sobre os gastos governamentais e elevou os juros (esta semana) para 13,75%, taxa que não é apenas imoral, mas inconstitucional. A economia se ressente do aperto, o emprego cai e os prognósticos vão se tornando cada vez mais negativos.Depois de dar ao mundo uma série de lições sobre como aquecer a economia e distribuir renda aos setores tradicionalmente marginalizados da sociedade, o governo brasileiro põe o pé no freio, num estranho surto de ortodoxia monetarista. Nada a ver!Todo mundo sabe que essa receita concentradora foi usada sem sucesso pelo FMI em todo o mundo, inclusive na Argentina, cuja economia até hoje não se recuperou do “choque de gestão” aplicado no tempo do presidente Menem.Sendo claro que o monetarismo não dá certo, como se pode explicar a adoção desse receituário por um governo legitimamente eleito pela maioria do eleitorado?Parece ser a marcha de uma governante que se sente inexplicavelmente fraca, embora tenha ganho a eleição, sete meses atrás – algo que parece ter acontecido há uma década. Daí a sensação de que estamos caminhando para trás ou rebobinando a fita dos anos de recente prosperidade.É como se estivéssemos dentro de um trem que perdeu força na subida e ameaça retroceder. A despeito da campanha pela volta dos militares, a composição ferroviária se mantém nos trilhos da normalidade democrática e ruma para a estação 2018, mas nos vagões atulhados de aliados, amigos e adversários ninguém se entende, é um deus nos acuda, o maquinista só pensa no freio fiscal, o foguista não põe lenha suficiente na fornalha e, na janela dos notáveis, a presidenta olha a paisagem e informa aos repórteres:– Fechei a boca e emagreci 12 quilos.Parece um recado sinistramente esquizofrênico. A bela promoveu em si mesma um ajuste físico que corresponde a 15% do seu peso anterior. Se a economia brasileira emagrecer na mesma proporção, estaremos roubados.Durante a viagem desse maluco trem brasil, os passageiros não falam de outra coisa: é a Operação Lava Jato, que mirou na Petrobras e acertou nas empreiteiras, ou vice-versa, o que dá quase no mesmo. Da Operação Zelotes pouco se fala depois da prisão do ex-presidente da CBF como parte do escândalo da FIFA.Sem dúvida, agora ficou mais claro do que nunca, a corrupção tem dimensões globais. Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que o combate aos mal feitos da minoria do andar de cima tem que castigar a maioria situada na base da pirâmide social?A alguns parece que o trem vai descarrilar. A outros, que a presidenta premedita apenas corrigir os desvios para chegar inteira em 2018, a ponto de indicar um sucessor viável.No PT o único sobrevivente parece ser Lula – e olhe lá.No PMDB pululam os candidatos avulsos, a começar pelo deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros, mas no Partidão Central do Brasil o único com a ficha limpa é o vice-presidente Michel Temer, a quem não falta, aliás, uma bela primeira-dama.No campo do conservadorismo moralista, pode vingar a candidatura do jovem Aécio Neves, que precisa apenas se controlar um pouco, como fazia – e como fazia bem! – seu tio Tancredo.LEMBRETE DE OCASIÃO“Não nos dispersemos!”Apelo feito em 1985 por Tancredo Neves, temeroso de uma recidiva dos militares golpistas
Caso Ford: PGE tem até dia 5 para recorrer
Geraldo Hasse
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) tem até o dia 5 de junho para recorrer da sentença em segundo grau da 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, que mandou a Ford Brasil devolver ao governo estadual R$ 22,7 milhões (a corrigir monetariamente desde março de 1999). O valor é a indenização da empresa aos cofres públicos por não ter construído em Guaíba uma fábrica de automóveis para a qual recebera adiantamentos e obras de infraestrutura.
Baseados no relatório de 123 páginas do desembargador Marcelo Bandeira Pereira, os desembargadores Arminio José Abreu Lima da Rosa e Almir Porto da Rocha Filho concluíram, na segunda quinzena de março passado, que a montadora não comprovou ter utilizado parte da primeira parcela de R$ 42 milhões do financiamento recebido do Banrisul a mando do ex-governador Antonio Britto (1995-1998).
A empresa cancelou o projeto gaúcho depois de receber vantagens muito maiores do governo da Bahia. A fábrica foi construída em Camaçari.
Autora da ação apresentada em fevereiro de 2000, a PGE é obrigada funcionalmente a esgotar todos os recursos em benefício do Estado. Tende, portanto, a recorrer, o que pode prolongar por mais alguns anos o processo iniciado em fevereiro de 2000 no governo de Olívio Dutra (1999-2002).
Numa sentença em primeiro grau ditada em maio de 2013, a juíza federal Lilian Cristiane Siman, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, havia condenado a montadora a ressarcir o Estado em R$ 167 milhões (corrigíveis). A Ford recorreu, e consta que ficou satisfeita com a reforma da sentença.
A despeito da obrigação da PGE de recorrer, paira no ar a hipótese de um armistício geral desde que o governador José Ivo Sartori recebeu o diretor da Ford, Roberto Goufarb, que foi ao Palácio Piratini anunciar a instalação “sem incentivos fiscais” de um centro de distribuição de peças da empresa em Gravataí.
Todo informatizado, o centro sulino de distribuição emprega 30 técnicos e deve movimentar R$ 48 milhões por ano, gerando para o Estado cerca de R$ 8 milhões anuais em ICMS.Lula na Lava-Jato: afaga com uma mão e belisca com a outra
Geraldo Hasse
Afagando com a mão esquerda e beliscando com a direita, o ex-presidente Lula saiu do casulo em que se manteve desde a reeleição de Dilma Rousseff para a presidência da República e começou a dar palpites públicos sobre a administração do país. Até onde se sabe, ele vinha dando apenas conselhos particulares, entre eles indicações de pessoas, como o ministro Joaquim Levy, da Fazenda.
Agora, já pensando em 2018, Lula abriu o jogo. “Eu não vim ao mundo para fracassar. O PT não nasceu para fracassar”, disse ele num evento recente no Sindicato dos Bancários de São Paulo.
“Eu sou um dos pais do PT e um dos filhos desse partido. E eu não pretendo deixar ele acabar. Nós vamos ressurgir ainda mais fortes”, acrescentou.
Há riscos nessa postura agressiva, mas muito pior seria encolher-se. Então, bola pra frente.
A um bom pai e a um filho fiel às suas origens, cabe fazer a defesa da Mãe do PAC, apelido colado a Dilma na época em que ela era ministra-chefe da Casa Civil (de Lula) e presidente do Conselho de Administração da Petrobras – locomotiva do desenvolvimento brasileiro nos últimos 60 anos e, especialmente, nos últimos oito, a partir da descoberta do petróleo da camada pré-sal. Aí está um dos nódulos do problema.
Segundo Lula, muitos petistas reclamam de não ter ferramentas para defender Dilma no momento atual, quando tudo converge para a Operação Lava Jato, que investiga malfeitos entre diretores da Petrobras, empreiteiras de obras, fabricantes de encomendas de plataformas navais e dirigentes de partidos políticos. Há um vago temor de que a sujeira alcance Dilma. Se a mãe cair, desmorona a família petista e estremece a República.
Das investigações, até agora, resultou a prisão provisória do tesoureiro petista João Vaccari Neto, acusado de ter participado de esquemas de desvio de recursos da Petrobras, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. A investigação tenta descobrir se o dinheiro arrecadado por Vaccari para as campanhas eleitorais de 2014 tem origem ilícita.
Em defesa do PT, Lula argumenta que os recursos usados pelo partido têm origem semelhante à de outros partidos também ajudados por empresários e empreiteiras, “mas só o dinheiro do PT é amaldiçoado”. De fato, até o dinheiro do PP é menos maldito, porque esse partido é linha auxiliar. Mas ninguém esquece, nem perdoa, o Mensalão, cujo processo colocou na cadeia alguns cabeças do PT.
Por tudo que fez de bom ou ruim, e especialmente por ter ganho as últimas eleições, o PT se tornou o alvo central do conservadorismo inconformado com medidas voltadas para as camadas mais baixas da população.
Embora o aumento do consumo tenha beneficiado os empresários, que turbinaram seus negócios nos últimos anos, a maré moralista colocou o PT na parede e levou todos os outros partidos a um silêncio defensivo, à espera dos desdobramentos da Operação Lava Roupa Suja, que está travando as engrenagens da economia.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“A gente não é pelego!”
Maria do Rosário, deputada federal (PT-RS), sobre o desgaste da bancada petista ao votar a favor do ajuste fiscal promovido pelo governo Dilma.Kleiton e Kledir cantam Caio Fernando Abreu e Verissimo
Geraldo Hasse
Os irmãos Kleiton & Kledir Ramil estão, desde a noite de domingo (10), no Hotel Everest, nos altos do Viaduto Otávio Rocha, em Porto Alegre.
Voltaram à Capital (e estarão em Pelotas na quinta-feira) para o lançamento do seu último trabalho: um CD com 10 músicas cujas letras foram escritas por dez escritores gaúchos, de Caio Fernando Abreu a Luis Fernando Verissimo.
Além das apresentações, os ex-Almôndegas pretendem explicar em bate-papos com o público – que terão entrada gratuita – como esse trabalho começou: Caio Fernando Abreu ainda estava vivo, eram os anos 1990, e todos – Caio, Kleiton e Kledir moravam no Rio. O contista escreveu uma letra (Canção e Purpurina) e deu para os irmãos musicarem. Rolou mas não muito.
O trabalho foi interrompido com a morte de Abreu em 1996 e só retomado meses atrás, quando Kleiton e Kledir, nas suas vindas ao Sul para shows, passaram a visitar escritores e pedir que participassem da parceria.
Além de Caio Fernando Abreu, cuja canção contou com a voz de Adriana Calcanhotto, os parceiros são Luis Fernando Verissimo, Martha Medeiros, Fabrício Carpinejar, Leticia Wierzchowski, Daniel Galera, Paulo Scott, Claudia Tajes, Alcy Cheuiche e Lourenço Cazarré – este, o único que não mora no Sul, mas em Brasilia. São todos ficcionistas que nunca haviam escrito letra para música. Alguns saíram do casulo em que vivem.
O reservadíssimo Verissimo topou tocar sax na gravação de sua canção, na qual se pode notar seu profundo vínculo com o jazz. Com os outros autores, os músicos também fizeram questão de respeitar o gosto musical de cada um. Enquanto Daniel Galera tocou violão e guitarra, Paulo Scott soltou a voz num texto falado. É justamente essa miscelânea autoral e de estilos que confere originalidade ao trabalho da dupla surgida em Pelotas nos anos 1970.
Financiado pelo Grupo Josapar via Lei de Incentivo à Cultura, o CD Com Todas as Letras exigiu criatividade, paciência e muito tempo. Produzido por Christiaan Oyens e editado pela Biscoito Fino, o disco é acompanhado por um DVD dirigido por Gustavo Fogaça mostrando cenas das gravações, depoimentos e os encontros com os escritores durante o processo de criação. O projeto contou com a curadoria de Luís Augusto Fischer, escritor, ensaísta e professor do Instituto de Letras da UFRGS.
O CD e o DVD estão à venda e os shows serão realizados em Pelotas, Porto Alegre, São Leopoldo e Novo Hamburgo, conforme a agenda abaixo. Kleiton & Kledir estarão acompanhados pelos músicos Adal Fonseca (bateria), André Gomes (baixo e sitar), Dudu Trentin (teclados) e Marco Vasconcellos (guitarra e violão). O espetáculo terá iluminação e projeções de Marcelo Linhares.
Agenda
PELOTAS
13 de maio (quarta-feira) – bate-papo com K&K
Local: Casarão 6 da Praça Cel Pedro Osório
Horário: 18h
Entrada franca mediante lotação
14 de maio (quinta-feira) – SHOW
Local: Theatro Guarany (Rua Lobo da Costa, 849)
Horário: 21h
Ingressos: R$ 40,00 inteira e R$ 20,00 meia
Ingressos à venda na Livraria Vanguarda Matriz (Gonçalves Chaves, 374)
PORTO ALEGRE
15 de maio (sexta-feira) – bate-papo com K&K
Local: Foyer do Theatro São Pedro
Horário: 18h
Entrada franca mediante lotação
16 e 17 de maio (sábado e domingo) – SHOWS
Local: Theatro São Pedro
Horário: Sábado às 20h e domingo às 18h
Ingressos: entre R$ 40,00 e R$ 60,00 (meias R$ 20 e R$ 30)
Ingressos à venda na bilheteria do Theatro
SÃO LEOPOLDO
18 de maio (segunda-feira) – bate-papo com K&K
Local: Teatro Municipal de São Leopoldo
Horário: 20h
Entrada franca mediante lotação
19 de maio (terça-feira) – SHOW
Local: Teatro Municipal de São Leopoldo
Horário: 20h30
Ingressos: R$ 40,00 inteira e R$ 20,00 meia
Ingressos à venda na Karisma Papelaria Matriz (Rua Independência, 900 ou 346 – Centro)
NOVO HAMBURGO
20 de maio (quarta-feira) – bate-papo com K&K
Local: Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno
Horário: 20h
Entrada franca mediante lotação
21 de maio (quinta-feira) – SHOW
Local: Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno
Horário: 20h30
Ingressos: R$ 40,00 inteira e R$ 20,00 meia
