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  • Fogaça diz que 300 urnas seriam suficientes para referendo sobre Pontal

    Por Elmar Bones
    Se depender do prefeito José Fogaça o referendo sobre o Pontal do Estaleiro será restrito, como as eleições para os Conselhos Tutelares.
    “Pelo custo e pela amplitude, não vejo como fazer o referendo nos moldes previstos na Constituição. O mais adequado é o sistema adotado para a eleição dos Conselhos Tutelares, com uma comissão eleitoral e a delimitação de uma região na qual seriam distribuidas as urnas”, disse o prefeito.
    Ele estima que seriam suficientes “umas 300 urnas” para que a população diretamente interessada no assunto possa se manifestar.  
    Fogaça ressalva, porém, que esta é apenas uma sugestão baseada no bom senso e evita até mencionar uma data para a realização do referendo. “Não posso dizer à Câmara o que ela tem que fazer”, explicou.
    O referendo popular é uma proposta que o prefeito incluiu no projeto de mudança da Lei Complementar 470, para permitir a construção de prédios residenciais no terreno que pertenceu ao extinto Estaleiro Só.
    A mudança da Lei foi aprovada por 20 votos a 14 no final do ano passado e, em seguida, vetada pelo prefeito que devolveu à Câmara o mesmo texto, com o adendo do referendo popular para que a população se manifeste sobre o polêmico projeto.
    O presidente da Câmara, Sebastião Melo, que acompanhava Fogaça na abertura da Feira do Consumidor, sábado na Redenção, evitou tratar do assunto, dizendo apenas que “tudo será decidido na segunda-feira.
    Na agenda da Câmara desta segunda-feira não está previsto este assunto. Depois que o tema voltou ao plenário do legislativo, já houve uma audiência pública para discutir o projeto e já foi aprovado o parecer conjunto das Comissões Técnicas, mas a questão do referendo foi tangenciada.
    O relator do projeto, vereador João Dib, o mais experiente da Casa diz que o prefeito devolveu uma “batata quente” para os vereadores ao propor um referendo, sem indicar nem como nem quando ele deverá ser feito.
    Pela lei, o referendo popular tem as mesmas características de uma eleição municipal, com abrangência de toda a cidade e envolvimento do Tribunal Regional Eleitoral.

  • Portal do Estaleiro: por que a pressa?

    Uma pergunta ficou no ar ao final da Audiência Pública, que terminou já na madrugada de sexta-feira, depois de mais de seis horas de debates: por que tanta pressa em aprovar uma nova mudança na lei? Para viabilizar um projeto privado?
    Esta foi a questão levantada pela maioria dos que se manifestaram no plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre.
    Nem os mais ardorosos defensores do projeto do Pontal do Estaleiro conseguiram dar uma resposta convincente.
    Também não encontrou explicação plausível a proposta de um referendo que o prefeito José Fogaça embutiu no projeto ao devolvê-lo aos vereadores.
    Os defensores do projeto são contra o referendo e suas intervenções na audiência pública foram todas no sentido de que a legitimidade para decidir a questão é dos vereadores.
    Os que questionam o projeto, em maioria na audiência, embora não sejam contra o referendo, consideram absurdo chamar um referendo, com alto custo para o município,  para que a população se manifeste sobre uma questão pontual, um terreno de 60 mil metros quadrados, no contexto de uma orla de 72 quilômetros, num momento em que todo o Plano Diretor da cidade está na Câmara exatamente para definir estas questões.
    O projeto, de um grupo privado, prevê um conjunto de prédios comerciais e residenciais, articulados com áreas públicas, no terreno que pertenceu ao antigo Estaleiro Só, conhecido como Ponta do Melo.
    A mudança na lei, para permitir prédios residenciais na área, foi aprovado pelo legislativo municipal no ano passado, mas recebeu veto do prefeito José Fogaça.
    A proposta da audiência pública, pela Diretoria Legislativa, não entusiasmou as lideranças comunitárias e ambientalistas que são contrárias a que se mude a lei para permitir a construção de espigões na orla.

    Terreno do Estaleiro Só

  • Câmara tem 11 novatos para os desafios de 2009

    Por Marcelo Gigante Ortiz
    A população porto-alegrense trocou quase metade dos seus representantes na Câmara Municipal. Dezessete dos 36 vereadores que deverão exercer mandato até o final de 2012, não estavam na legislatura anterior.
    Entre as novidades estão Juliana Brizola (PDT), ex-secretária municipal da Juventude, eleita com expressivos 9247 votos e Waldir Canal, o primeiro a representar o Partido Republicano Brasileiro (PRB) no legislativo da capital.
    Os estreantes, no entanto, são apenas 11, pois os demais já exerceram mandato interinamente ou em legislaturas anteriores. Pedro Ruas (Psol), por exemplo, já havia sido vereador, assim como Airto Ferronato (PSB) e Reginaldo Pujol (DEM). Paulinho Ruben Berta (PPS), DJ Cassiá (PTB) e Mauro Pinheiro (PT) já ocuparam cadeiras como suplentes. Pinheiro, inclusive, participou da polêmica votação sobre o projeto do Pontal do Estaleiro no final de 2008.
    Apesar do novo cenário, a relação com o executivo não deve mudar muito. A base do governo que tinha 26 cadeiras ficou com 25. Os partidos que não fazem parte da administração de José Fogaça ganharam uma vaga, indo de 10 para 11.
    As bancadas que não estão no governo sofreram alterações.
    O PC do B, que antes contava com Maristela Maffei, não elegeu ninguém. Apesar de o partido conseguir uma boa votação com a sua coligação, e abrir três vagas na câmara, nenhum candidato comunista conseguiu superar os três vereadores eleitos pelo PPS, Elias Vidal, Paulinho Ruben Berta e Toni Proença. Em contrapartida, o PRB, com um vereador, e o Psol, com dois, estreiam na Câmara. O PSB, que no ano passado não tinha nenhum representante, elegeu Airto Ferronato.
    Outro aspecto importante é a influência do executivo na disposição dos atuais membros do legislativo. Foram sete mudanças, decorrentes das chamadas de vereadores para as secretarias de José Fogaça, e mais uma, a saída de Elói Guimarães (PTB) para a Secretaria de Administração do governo Yeda Crusius.
    Maurício Dziedricki (PTB), o vereador mais votado, voltou para a Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV). Além de Dziedricki e Guimarães, mais um vereador eleito do PTB, dois do PDT, dois do PMDB e um do PP também foram para o executivo, abrindo espaço para os seus suplentes.
    A intervenção da prefeitura também fez nascer uma bancada não criada pelo voto popular, a do Democratas. A coligação PP-DEM conseguiu quatro cadeiras no legislativo. Entretanto, os quatro mais votados eram candidatos do PP, fazendo com que o Democratas, em um primeiro momento, ficasse sem espaço. Fogaça, porém, chamou para a sua secretaria Kevin Krieger (PP), o quarto mais votado da coligação. Dessa forma, o primeiro suplente, Reginaldo Pujol, do DEM, garantiu sua vaga na Câmara.
    O democrata, e todos os outros novos vereadores, já iniciaram seus mandatos com uma prova de fogo: a votação do veto do prefeito Fogaça ao projeto do Pontal do Estaleiro. Entretanto, o veto foi aprovado com facilidade pela casa. Pujol, do grupo de não reeleitos, foi o único que votou contra a proposta do executivo, mesmo fazendo parte da base aliada.
    Outra questão polêmica que a nova Câmara terá que resolver é a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA) de Porto Alegre. Os novos vereadores terão bastante influência nessa tarefa.
    Onze novatos fazem parte da comissão especial que revisará o PDDUA. Fernanda Melchionna (Psol) é a vice-presidente. Waldir Canal (PRB) é revisor da Comissão Temática de Desenvolvimento Urbano, Estratégias e Modelo Espacial. Nelcir Tessaro (PTB), Paulinho Ruben Berta (PPS), Mario Manfro (PSDB) integram a Comissão do Sistema de Planejamento e Adequação ao Estatuto da Cidade.
    Na temática sobre Projetos Especiais do Centro da Cidade e do Cais do Porto, estão Airto Ferronato (PSB) e Valter Nagelstein (PMDB).
    Da Comissão do Plano Regulador, fazem parte Reginaldo Pujol (DEM) e Mauro Pinheiro (PT) e na de Proteção e Preservação do Patrimônio Cultural e Natural da Cidade estão João Pancinha (PMDB) e Dr. Thiago Duarte (PDT).

  • Um gaúcho gozador

    Por João Arthur Moraes
    Vindo do Stand-up comedy (espetáculo de humor de apenas um comediante no palco), o porto-alegrense de 32 anos Rafinha Bastos hoje faz sucesso nacional ao apresentar o programa CQC (Band, segunda-feira, 22h15) que mistura jornalismo e humor.

    Na bancada, ao lado de Marco Luque e Marcelo Tas (imortal repórter indiscreto, Ernesto Varela), Rafinha tira sarro de tudo e de todos, tudo vira piada. No quadro apresentado por ele, o Proteste JÁ, as reclamações do povo viram, nas mãos do jornalista formado pela PUC-RS, protestos bem-humorados, e na maioria das vezes, os problemas são solucionados.
    JÁ – Rafinha, você vem de um estilo de show que não era tão conhecido, o Stand-Up Comedy. O que agora é uma espécie de mania. Como você se sente sendo um dos que tornaram os humoristas desse gênero conhecidos e reconhecidos?
    RAFINHA – Ser um dos primeiros a fazer este tipo de comédia é ótimo. Isso me possibilita comer bem mais gente que o pessoal mais novo.
    JÁ – Qual a diferença entre o CQC, com o programa Pânico da TV, da RedeTV!?
    RAFINHA – Absolutamente nenhuma.
    JÁ – O que você acha dos outros programas humorísticos existentes na TV brasileira?
    RAFINHA – Excelentes! No quesito, a TV Senado é imbatível.
    JÁ – Os políticos que você entrevistou até hoje têm o senso de humor elevado? Qual o mais engraçado, e mais carrancudo?
    RAFINHA – Acho que o Maluf vence em todas as categorias.
    JÁ – Se tu pudesses fazer uma pergunta indiscreta ao Presidente Lula, qual seria?
    RAFINHA – Presidente… o senhor disse que não seríamos afetados pela crise mundial, lembra?

    JÁ – Tu és gaúcho, você acredita que existam piadas prontas na política do Rio Grande do Sul? Se sim, quais seriam?
    RAFINHA – O Rio Grande do Sul é um Estado rico em piadas em absolutamente todas as áreas. Este ano, o CQC deve vir mais pra cá. Tomara!
    JÁ – E quantos aos políticos daqui, do RS, qual você ainda quer entrevistar, e por quê?
    RAFINHA – Adoraria entrevistar a Yeda. Ela ainda tem muito o que se explicar.
    JÁ – No CQC, tu fazes um quadro que se chama “Proteste Já”. Qual seria o protesto do Rafinha Bastos, na cidade de Porto Alegre?
    RAFINHA – Adoraria dizer, mas não posso. Já temos algumas idéias em mente e, se tudo der certo, realizaremos ainda no primeiro semestre.
    JÁ – Você acha que a participação do jovem no meio político não é maior por que motivos?
    RAFINHA – Falta interesse e motivação. Sobra descrença e inércia.
    JÁ – Quando vens a Porto Alegre, o que curtes fazer? Aonde gosta de ir?
    RAFINHA – Geralmente venho em visitas relâmpago. Visito sempre a minha mãe, meus amigos e minha tia Carmem.
    JÁ – E o Tio Nelson (tio gay muito citado pelo apresentador) vai bem?
    RAFINHA – Vai. Mandou um beijo na sua nádega esquerda.

  • Inscrições para a Oficina de Formação de Atores da Terreira encerram sexta


    Paulo Flores no Território Cultural da Terreira da Tribo. 
    A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz está com inscrições abertas para a Oficina de Formação de Atores até sexta-feira. Com aulas diárias, das 14h às 18h30, a oficina tem 18 meses de duração. Começa dia 20 de abril, após as apresentações pelo interior e principais capitais do país do espetáculo de teatro de rua O Amargo Santo da Purificação. O encerramento será em outubro de 2010.
    As aulas são realizadas na sede da Terreira da Tribo, na Rua Santos Dumont 1186. As inscrições estão sendo feitas no Território Cultural do grupo, que se instalou no terreno cedido pela prefeitura em 2008, no bairro Cidade Baixa. A sede definitiva será lá, na esquina da João Alfredo com a Aureliano de Figueiredo Pinto. Mas o local, por enquanto, não tem instalações viáveis para atividades em dias de frio ou chuva.
    Na oficina há disciplinas de interpretação, improvisação, expressão corporal e vocal, história do teatro brasileiro, teoria e história do teatro ocidental e história do pensamento político. São disponibilizadas 25 vagas. Até à tarde de quarta-feira, havia 45 inscritos.
    A seleção é feita levando em consideração capacidade de articular o pensamento, disponibilidade para o trabalho em grupo e condições físicas necessárias para o desenvolvimento do trabalho de ator. Os inscritos devem apresentar um monólogo para a banca examinadora na data combinada e passar por uma entrevista.
    É preciso talento? Paulo Flores, fundador do Ói Nóis Aqui Traveiz, responde: “A gente não trabalha com talento, mas com a vontade e a pré-disposição para o trabalho em grupo, o que não é muito comum hoje em dia”. A maior parte dos inscritos tem de 18 a 25 anos, mas há interessados com mais de 50. A idade mínima é 16.

  • Novos vereadores da capital: Tarciso – com o aval de Brizola e do torcedor gremista


    Tarciso Flecha Negra
    Por Marcelo Gigante Ortiz
    Não são muitos os privilegiados que entram na política por sugestão de nada mais, nada menos que Leonel de Moura Brizola. Da mesma forma, poucas pessoas tiveram a satisfação de ganhar um título mundial de clubes e jogar na seleção brasileira de futebol. Sendo assim, pode-se dizer que José Tarciso de Sousa, mais conhecido como Tarciso Flecha Negra, é um sujeito de sorte. Afirmação que pode ser sublinhada por mais uma das conquistas do ex-jogador do Grêmio: uma vaga na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, eleito com 6232 votos, pelo PDT.
    Mas o virginiano de 57 anos não aceita a sorte como justificativa para o seu sucesso. Nascido na cidade mineira de São Geraldo, próxima ao Estado do Rio de Janeiro, ele enfatiza a educação que ele e seus irmãos receberam dos pais como determinante para chegar aonde chegou. “Nós éramos nove. Nossos pais eram muito humildes, mas eles nos ensinaram muito sobre o respeito, a educação, o companheirismo e o coleguismo. Acho que a maior herança que eu e meus irmãos ganhamos”, conta o ex-jogador.
    Tarciso, hoje com 1,77m e 79kg, reconhece a infância humilde, mas não faz melodrama por conta da falta de dinheiro. Pelo contrário, prefere comemorar o equilíbrio emocional que adquiriu para enfrentar a vida “com dignidade”. Talvez por valorizar muito os ensinamentos dos pais ele tenha decidido que não iria repassá-los apenas aos três filhos, Gabriela (34), Marcelo (31) e Roberta (28). Em 1991, após abandonar a carreira de jogador, o Flecha Negra abriu uma escolhinha de futebol para crianças de 7 a 14 anos, com o intuito de formar cidadãos.
    Ao falar de seus alunos, e das crianças como um todo, o vereador de primeira viagem se empolga e vai longe. Por suas mãos já passaram Cláudio Pitbull, Michel Bastos (que hoje joga na França) e até Ronaldinho Gaúcho, quando era bem pequeno. Mas isso não o deixa vaidoso. Tarciso fica feliz em ver seus alunos trabalhando em escritórios, em grandes empresas, ou em qualquer outro lugar que se sintam bem e tenham sucesso. Suas escolas não dão base para que os jovens necessariamente virem jogadores, mas para que aprendam a enfrentar a vida.
    O vereador afirma que não faz diferenciação entre os pequenos, independente da cor ou da classe social. “Não importa se tem uma família rica ou uma família que não tem muitas condições. Criança é criança”, comenta. Inclusive, fica contrariado quando se diz que ele trabalha só com jovens desassistidos, embora o próprio deixe escapar o termo algumas vezes.
    Foi dessa experiência com as crianças que Tarciso conseguiu o seu know-how para entrar na política. Não espere dele discursos teóricos sofisticados. Marx, revolução liberal francesa, princípios democráticos norte-americanos dificilmente serão citados. O ex-jogador gosta é de falar do que experimentou em sua vida prática, da sua convivência com as comunidades e com os pequenos indivíduos. É o que faz os seus olhos brilharem.
    Mas o ídolo gremista tem uma referência política de peso: o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola. O líder trabalhista, além de ser ídolo de Tarciso, foi um dos entusiastas para que ele se candidatasse a vereador em 2004, quando o Flecha Negra não conseguiu se eleger.
    Outro nome que o ex-jogador gosta de citar é o do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Tarciso, inclusive, diz ter planos de ler a sua biografia. Sobre outros livros, ele afirma gostar do autor norte-americano Sidney Sheldon. Em relação à música, ouve Cidade Negra e, para namorar, Roberto Carlos. Ele também lê Veja, gosta de filmes policias e sempre que pode assiste ao canal Record News – que tem programação noticiosa 24 horas. “Eu gosto de saber tudo que está acontecendo em São Paulo, no Rio, no Brasil”, afirma.
    Ainda sobre Obama, o vereador concorda com a afirmação do democrata de que “o mundo está mudando”. Aliás, Tarciso também está mudando. Hoje em dia é pescador – termo que no futebol caracteriza o jogador que fica parado no ataque esperando a bola chegar –, coisa que no campo ele nunca foi. Mas falando sério, o hobby de Tarciso é pescar mesmo. “É uma terapia espetacular. Tu não pensas em nada. Mesmo que tu devas um milhão tu não pensas”, diz.
    O que não deve sair da cabeça do vereador são as conquistas que teve na carreira de jogador. Em seu gabinete estão colados dois pôsteres do tempo em que atuava nos gramados. Um, do Grêmio campeão do mundo em 1983. O outro, da seleção brasileira de 1978, da qual Tarciso fazia parte.
    Quando não está na Câmara, trabalhando na escolhinha, ou pescando, Tarciso divide um apartamento no centro de Porto Alegre com a segunda esposa, “a Jô”, que trabalha como ouvidora na RBS. Outra curiosidade sobre o Flecha Negra? Ele nasceu no dia 15 de setembro, mesmo dia em que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, clube em que jogou 13 anos, faz aniversário. Com certeza, um predestinado.

  • PSOL investiga morte de assessor de Yeda

    As lideranças do PSOL no Rio Grande do Sul convocaram uma entrevista coletiva na quinta-feira para “partilhar informações” sobre a morte de Marcelo Cavalcante, supostamente por suicidio.
    Segundo a deputada federal Luciana Genro, a morte misteriosa do ex-representante do Governo Yeda em Brasília obrigou o PSOL a compartilhar com o público as informações que vinha levantando sobre casos de corrupção do governo gaúcho, dos quais o assessor tinha conhecimento. “São informações graves e importantes. Marcelo estava prestes a ser ouvido sobre o caso do Detran e negociando sua delação premiada, pois quando abrisse seu arquivo ao Ministério Público Federal também se tornaria réu”, explicou a parlamentar.
    Na coletiva, foram apresentados nove dados baseados em provas testemunhais e gravações em vídeo. Luciana, o presidente estadual do PSOL, Roberto Robaina, e o vereador Pedro Ruas contaram aos jornalistas que ouviram dezenas de fontes sobre os esquemas relatados, inclusive Marcelo e o lobista Lair Ferst, mas os três preferiram não revelar quem deu cada informação para preservar as fontes.
    Segundo apuraram os membros do PSOL, os seguintes fatos teriam ocorrido no escritório de Ferst:
    Para a campanha pelo governo do Estado, em 2006, foram entregues R$ 500 mil pela Mac Engenharia. Na reunião, estariam presentes Marcelo, Ferst, Chico Alencar, Aod Cunha, Delson Martini e Carlos Crusius.
    Fumegeiras de Santa Cruz e Venâncio Aires teriam entregue duas parcelas de R$ 200 mil à campanha, na presença de Ferst e Aod, que enfatizaram o fato de que não dariam recibo por ordem da então candidata Yeda Crusius.
    O deputado José Otávio Germano teria doado R$ 400 mil para a campanha a título de “crédito político”, na presença de Marcelo, Ferst e da própria candidata.
    Outro vídeo mostraria toda a formatação da compra da casa da governadora eleita, com a entrega de R$ 400 mil em dinheiro. Estavam presentes Ferst e o corretor Alberti.
    Já empossada, a governadora não teria aceito a distribuição do lucro do esquema no Detran, pois consideraria R$ 100 mil mensais muito pouco. A reunião – única citada sem registro em vídeo – teria tido a presença de Yeda, Ferst, Vaz Neto e Dorneu Maciel.
    A secretária de Yeda, Walna, e Martini teriam feito a distribuição de “mensalinhos”, na presença de Marcelo e Ferst.
    Humberto Busnello entrega R$ 100 mil para Aod, na presença de Ferst.
    Conversa revela que contas particulares de pessoas ligadas ao governo, inclusive Yeda, seriam pagas por agências de publicidade, principalmente a DCS. Ferst e Marcelo aparecem no vídeo.
    Ferst negocia reforma da casa da governadora com a Magna Engenharia.
    Investigações
    A investigação no MPF está sendo coordenada pelo procurador federal Enrico Rodrigues de Freitas. Também participam os procuradores Adriano Haudi, Alexandre Schneider e Ivan Mrx. A juíza é Simone Barbisan.
    A deputada Luciana Genro disse que pedirá ao presidente da Câmara Federal, Michel Temer, que os deputados possam ter acesso aos laudos sobre a morte de Marcelo, para assegurar que o caso seja devidamente investigado. “Independentemente de ter sido assassinato ou suicídio, foi uma morte, e só por isso já merece apuração”.

  • Trinta dias decisivos para a economia gaúcha em 2009

    Por Elmar Bones
    O clima será decisivo nos próximos 30 dias para a colheita de soja de 2009. As lavouras estão na fase da florada, momento em que não pode faltar chuva. A soja é o motor da economia agroindustrial do Rio Grande do Sul, respondendo por quase a metade da produção de grãos no Estado.
    A previsão inicial da safra de soja deste ano era de 11 milhões de toneladas. Por conta da estiagem esta previsão já foi revista para 9 milhões de toneladas, ainda assim uma safra maior do que no ano passado (8 milhões de toneladas) e beneficiada por uma conjuntura internacional.
    A seca já causou quebra de safra na Argentina, no Canadá e na China. Com isso, a tendência é de preços altos, suficiente para compensar as perdas na produção. A renda dos produtores segundo previsão dos especialistas não deverá ser prejudicada, o que vai amenizar o impacto da crise internacional na economia gaúcha.
    A safra de grãos do Estado (soja, arroz, milho e trigo) deverá chegar aos 22,5 milhões de toneladas, um pouco menor do que a do ano passado, mas em função da situação internacional, com preços melhores.
    A produção da agricultura responde por mais de 40% do PIB estadual e gera recursos que irrigam toda a economia – das pequenas oficinas no interior às butiques e confecções do Moinhos de Vento, onde os lojistas das cidades menores se abastecem.
    Se houver uma quebra da sofra de soja, a queda na arrecadação de impostos pode comprometer até o ajuste fiscal da governadora Yeda Crusius

  • 7ª bienal do Mercosul quebra o paradigma de unidade temática

    Por Shana Torres
    A bienal do Mercosul, que acontecerá de 26 de setembro a 22 de novembro, propõe inovação em sua sétima edição. Com o conceito “Grito e Escuta-ação e reflexão” a exposição pretende incitar o visitante à critica não só no campo artístico, como social, questionando o papel do artista contemporâneo e propondo uma reflexão sobre a crise mundial.
    Grito e Ação são dois elementos nos extremos de uma ligação comunicacional: o grito do artista, que quer causar impacto e reflexão no visitante através do resgate do diálogo como modelo de construção, da ação social no simples ato de ouvir e enxergar a proposta desmistificadora apresentada pela Bienal. Para tanto, acredita-se na multiplicidade de vozes e na arte dirigida a diferentes públicos.
    Serão sete exposições divididas em diversas vertentes, apresentadas em espaços do Armazém do Cais do Porto, da Fundação Iberê Camargo, do Santander Cultural e do Margs:
    1) O desenho como primeiro espaço de tradução do pensamento do artista. Esta mostra vai explorar o desenho estabelecendo afinidades inesperadas como, por exemplo, a exibição de obras de grandes mestres ou de artistas solidamente históricos que colocam em destaque a densidade dos processos contemporâneos.
    2) Os processos de criação que interpelam as condições culturais e políticas de contextos específicos. Nesta mostra estarão projetos de artistas que usam a imagem como ferramenta questionadora do nosso contexto social e que focam seu trabalho na ação, no fazer e no pensar como sistema dinâmico e mutável na construção da obra.
    3) O artista que retira os elementos de linguagem da arte e expõe suas condições de produção. Obras que se questionam sobre os processos de surgimento das próprias obras e que expandem a noção de invenção. Os artistas desta mostra vão articular narrativas pessoais cheias de ironia que questionam premissas básicas do sistema da arte – a obra como objeto visível, a obra como mercadoria. Exploram lógicas alternativas – a invisibilidade, a cotidianidade – para questionar o limite da obra de arte na atualidade.
    4) O humor e o absurdo como instrumentos de resistência e liberdade. Nesta mostra pretende-se expor uma estratégia para o comentário e a crítica social sobre a vida contemporânea.
    5) A transformação como ferramenta capaz de deslocar a percepção da obra e sugerir uma suspensão do tempo. Artistas serão convidados a realizar projetos que, durante o tempo de exibição da 7ª Bienal, apresentarão um ritmo de transformações constantes.
    6) O diálogo com a cidade, cuja trama os artistas modificam e resignificam. Analisando as diversas manifestações artísticas e culturais próprias do ambiente urbano, pretende-se extrair os pontos fundamentais responsáveis por gerar e alimentar essas manifestações, assim como criar estruturas que as recebam e potencializem.
    7) A arte como espaço de projeção de ideias, de comunicação, da imaginação. Este é um projeto vinculado aos processos visuais e comunicativos atuais. Há uma convocatória aberta a artistas de todo o mundo para apresentarem projetos “projetáveis” em seus vários sentidos: o projetável como o imaginado, aquilo que cria novos públicos ou aquilo que representa um território, como na cartografia. As inscrições estarão abertas no final de fevereiro, através do site da Bienal.
    Além disso, será criado o projeto Rádio Visual, que funcionará como o centro de veiculação dos seminários e debates que ocorrerão durante o período da exposição. Com uma programação a ser produzida por artistas curadores, críticos, público escolar e geral de Porto Alegre, desde os meses que antecedem as exposições, a rádio vai transmitir obras de arte sonoras, entrevistas, e informações sobre a construção da 7ª Bienal e sobre o andamento das ações do projeto pedagógico.
    O projeto pedagógico é outra inovação oferecida pela Bienal. Ele funcionará com a colaboração de doze artistas que realizarão projetos de residência em comunidades de diferentes regiões do estado, em um período anterior ao das exposições. Esse trabalho levará a confecção de um material pedagógico que será distribuído nas escolas da rede pública do estado e de outras regiões do Brasil.
    A 7ª Bienal do Mercosul contará com uma equipe curatorial de artistas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México. Segundo os curadores-gerais, Victoria Noorthoorn e Camilo Yáñez, o projeto pretende “explorar a riqueza e a complexidade do olhar artístico e criar elos de ligação para um diálogo crítico dentro e fora dos espaços expositivos”. A intenção é quebrar o paradigma do espaço-tempo inerente às exposições e transpor a avaliação crítica para o cotidiano social.

  • Metade das consultas do Clínicas são de pacientes do interior

    Por Demétrio Rocha Pereira
    No ano passado, mais da metade dos pacientes que passaram pelo ambulatório do Hospital de Clínicas de Porto Alegre vieram do interior e do anel metropolitano. Foram 248.220 consultas – um número que excede em quase dois mil a quantia referente aos atendimentos a porto-alegrenses. Esses índices vêm aumentando a cada ano pela prática da ambulancioterapia – termo criado para designar o transporte de pacientes do interior para os grandes centros.
    O fenômeno não é exclusividade de um ou outro hospital. Em 2006, a Capital recebia, apenas do Vale do Taquari, cerca de 250 pacientes por dia, que eram distribuídos pelos diversos estabelecimentos hospitalares da cidade. Na época, críticas já apareciam, denunciando os gastos com ambulâncias, o transtorno para os pacientes e o abarrotamento dos hospitais. Sem frear ante as repreensões, a política das ambulâncias chega a 2009 fazendo parte da rotina de ainda mais pessoas.

    Uma das tantas ambulâncias de outras cidades que chega aos hospitais de Porto Alegre | Foto: Guilherme Herz

    Reclamações e dribles
    Manhã no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Ambulâncias, vans, Kombis e microônibus se revezam na entrada principal, povoando os corredores externos do prédio com pessoas das mais diversas procedências. Esteio, Capivari do Sul, São Pedro da Serra, Camaquã. Dez minutos de observação é o bastante para que sejam catalogados os brasões de municípios gaúchos de todos os cantos, gravados na lataria dos automóveis. É a ambulancioterapia acontecendo.
    Mara Regina, 41 anos, e o filho, Henrique dos Santos Machado, 20 anos, contemplam o pátio ensolarado à frente da entrada do ambulatório. Uma vez por mês, eles saem cedo de Capão da Canoa, rumo à Capital. Chegaram às 6h30min, serão atendidos às 13h e voltarão às 21h, com uma consulta devidamente marcada para o próximo mês.
    Toda essa espera é o tempo necessário para que todos os passageiros da van da Prefeitura de Capão da Canoa sejam atendidos nos seus respectivos hospitais e horários. O veículo chega antes do primeiro compromisso médico e só regressa ao município de origem após o último paciente ter sido liberado. “Não pode ir embora enquanto tiver alguém faltando”, explica Mara.
    É diferente com quem vem na van de Parobé. De acordo com três parobenses que aguardavam a hora de entrar no ambulatório, o carro segue seu rumo se o passageiro não estiver esperando para ir embora na entrada do hospital. Os veículos saem do município três vezes por semana e voltam menos cheios se alguma visita ao médico se estender mais do que devia.
    Não é a única reclamação. Acompanhando a esposa, um morador da cidade afirma que Parobé tem carência de médicos qualificados: “A nossa sorte é conhecermos pessoas na Secretaria de Saúde”. O contato garante que a esposa seja favorecida na marcação de consultas e atendida mais rapidamente, um raro drible na costumeira demora que o processo costuma impor aos pacientes do SUS.
    Pacientes de Parobé aguardam atendimento em frente ao Hospital de Clínicas | Foto: Guilherme Herz

    Cotas divididas entre os municípios estabelecem um limite mensal de marcações. Para se esquivar do processo, uma das estratégias é ir diretamente a um posto de saúde da capital e apresentar um endereço de Porto Alegre – geralmente o de parentes ou demais conhecidos. Evidentemente, essa prática contempla tanto a quem necessita de tratamento especializado quanto a quem, simplesmente, prefere consultar com os médicos da capital.
    Diante disso, não é de se admirar que o número consultas de pessoas vindas de outras cidades do estado ultrapasse o previsto pela Central de Marcações da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Em 2008, a Central disponibilizou três milhões de consultas, dentre as quais 15% (450 mil) foram destinados a vagas do interior – o ambulatório do Clínicas, sozinho, absorveu quase a metade desse número.
    “Aqui é bom”
    Na mesma proporção que surgem as críticas aos sistemas de saúde de suas respectivas cidades, na fala dos entrevistados aparecem os elogios ao atendimento dos hospitais porto-alegrenses. Perguntada sobre a situação da saúde em Capão da Canoa, Mara Regina ri: “Lá, só se for pra tratar dor de barriga. Aqui é bom”.
    Quem tem ainda menos a reclamar são os enfermos de Erechim, único município gaúcho que conta com um albergue particular dentro de Porto Alegre. Estabelecimentos como esse abrigam doentes, idosos, marginalizados e viajantes em busca de estadia barata na capital gaúcha. Mas, diferente dos demais albergues da cidade – muitos patrocinados por deputados –, o de Erechim hospeda apenas moradores da “Capital da Amizade”, que chegam semanalmente a Porto Alegre.
    A vantagem também vem a calhar para motoristas como Rogério Moresco, de 32 anos: “Para nós é bom. O trajeto se resume ao transporte entre o albergue e os hospitais”. O motorista se prepara para sair. O paciente já voltou, ocupou o primeiro assento atrás de Moresco e agora espera a arrancada do automóvel. Certamente, o passeio será mais curto do que os 362 km que teve de vencer de Erechim até aqui.
    Tânia Gross, de 36 anos, viajou menos. Foram pouco mais de 100 km de Marques de Souza – da microrregião de Lajeado e Estrela – até Porto Alegre. A van, cheia, trouxe o filho de Tânia, que dorme no colo da mãe, em um dos bancos do pátio do HCPA. O menino estava em um ônibus que bateu. Veio conferir se está tudo em ordem. Percebendo uma presença estranha, ele levanta e olha para os lados, curioso, só para se certificar de que já pode deitar de novo. Parece bem.
    Perto dali, encostado em um pilar, está Sadi Santos Souza, completando os seus 53 anos de vida. Morador de Glorinha, Sadi tem vindo há “uns três ou quatro anos” ao HCPA para tratar de um câncer na garganta. A luta contra a doença é algo que o desgaste da aparência não deixa duvidar. Dessa vez, ele não veio com a ambulância municipal: “Hoje vim de ônibus. A consulta é só às 12h30min, e a ambulância sai de lá às seis e meia, sete horas da manhã”, justifica. E acrescenta: “O carro sai todo dia de lá, quase sempre cheio”.
    Antes de precisar cuidar da garganta, Sadi passou por uma cirurgia no fígado, também no Hospital de Clínicas. A cicatriz herdada da operação é uma marca que ele não faz cerimônia para mostrar ali mesmo, no lugar de onde observa ir passando aos poucos o aniversário que não pretende comemorar: “Não tem como. O dinheiro vai todo para os remédios”.
    Ambulâncias enfileiradas fazem parte do cotidiano da Sarmento Leite. No trecho em que a rua passa ao lado da Santa Casa e se encontra com a Avenida Independência, veículos estacionam diariamente. Caminhando pela calçada, é possível perceber motoristas que dormem à espera dos passageiros e passageiros que se esticam sobre leitos de ambulância à espera do atendimento.
    Entre os condutores que ali se encontram, estão Ricardo Barbosa, 36 anos, e William Renato, 35 anos. Ambos vieram de Santa Catarina, e conversam à frente da Sprinter da Prefeitura de Balneário Camboriu, dirigida por Ricardo. Ele trouxe um menino que realizou um transplante de fígado na Santa Casa, e agora precisa de acompanhamento médico. Segundo o motorista, as secretarias de saúde de seu estado costumam enviar para Porto Alegre apenas os casos mais graves. “São situações em que ficamos mais tensos. Além da distância, tem a urgência para o atendimento”, observa.
    Mas há casos que escapam à regra. William comenta que é comum a vinda de pessoas que se mudaram para Santa Catarina, mas que desejam continuar consultando com os mesmos médicos que visitavam quando moravam no Rio Grande do Sul. A conversa é interrompida pelo forte ruído do motor de um ônibus da Prefeitura de Camaquã. Perto, na entrada do Hospital Santa Clara, uma família de Novo Hamburgo, que veio de carro, se impressiona com a quantidade de camionetes e minivans que vão deixando à porta do prédio os seus passageiros.
    Emergências
    O Hospital de Pronto-Socorro de Porto Alegre não está na rota da balbúrdia das ambulâncias. A atuação do HPS está focada nos casos emergenciais. Em 2008, dos mais de 190 mil atendimentos do HPS, pouco mais de 22 mil foi a porção correspondente aos pacientes de fora da cidade. No mesmo ano, a Emergência do HCPA registrou mais de 55 mil atendimentos, dentre os quais cerca de um terço é a fração referente a pacientes do interior e da região metropolitana – uma parcela consideravelmente menor do que a observada nas estatísticas ambulatoriais.
    Mas a maior emergência parece ser outra. Segundo uma pesquisa realizada em 2006, a ambulancioterapia sugaria aproximadamente R$ 130 mil mensais dos cofres públicos dos municípios do Vale do Taquari. Algumas secretarias de saúde da região têm estudado medidas para evitar a ambulancioterapia, como a consolidação de convênios com hospitais e clínicas da região. Até mesmo o pagamento de atendimentos particulares para os pacientes parece ser preferível ao transtorno das ambulâncias. Tudo para que essas populações possam também dizer: “aqui é bom”.