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  • Professores da Ulbra mantêm greve e pedem intervenção do Ministério Público

    Uma semana depois de terem entrado em greve, os professores da Ulbra decidiram não só continuar com a paralisação como formalizar junto ao Ministério Público Federal um pedido de intervenção na universidade. Um documento exigindo a regularização dos salários e a remoção da atual reitoria foi entregue hoje ao MEC e aos deputados da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa.
    “Chegamos a um limite. A dívida da Ulbra somente com a União é de R$ 2,3 bilhões em cerca de 40 ações de execução que tramitam na Justiça Federal de Canoas”, afirmou o diretor do Sinpro/RS, Marcos Fuhr. Ele lembrou que os atrasos salariais começaram ainda em março de 2008. “A folha de pagamento da instituição nos seis estados onde está instalada é de R$ 24 milhões e a arrecadação atinge R$ 60 milhões mensais provenientes dos pagamentos de um universo de 150 mil alunos, incluindo o ensino à distância”, destacou.
    Quinta-feira os professores voltam a se reunir em assembléia. A saída do reitor da Ulbra, Ruben Eugen Becker, é apontada como única forma de contornar a crise. A deposição de Becker é apoiada pelos funcionários administrativos, também em greve há uma semana, pelos trabalhadores da área da saúde e pelos alunos da universidade.
    Uma audiência pública conjunta das comissões de Educação e de Saúde e Meio Ambiente deverá ser agendada para o dia 5 de maio, conforme proposta do deputado Alberto Oliveira (PMDB).

  • 80 mil gaúchos vão à Justiça contra calote das ações da antiga CRT

    Por Paula Bianca Bianchi
    A
    lô? Seu número de telefone é ainda do tempo da antiga CRT? Então você pode, sem saber, ter R$ 30 mil para receber de indenização de sua companhia telefônica. Isto acontece porque até 1996 o consumidor era obrigado a comprar ações da CRT para ter acesso a uma linha telefônica, o que o transformava num acionista minoritário. Mas, quando a empresa foi vendida pelo governo, os novos compradores “esqueceram” de recomprar as ações dos minoritários, hoje avaliadas em R$ 2.4 bi.
    Estima-se que mais de 80 mil pessoas estão na Justiça lutando para resgatar os valores pagos à época – eles podem ser cobrados da empresa sucessora, a Brasil Telecom. Como cada lote de ações da CRT/Brasil Telecom (BT) vale 14 reais – e eram necessários 2 mil lotes para a compra de uma linha – o consumidor pode ter hoje ações avaliadas em até 30 mil reais por telefone antigo.
    É óbvio que a BT não faz propaganda da recompra. E para complicar mais o caso, a própria BT já revendeu a companhia para a OI. Como há milhares de ações na Justiça, a BT conseguiu do Judiciário o privilégio de ter uma sala no 3ºandar do Forum Central de Porto Alegre, onde tenta fazer acordo com os interessados.
    Por que não há uma ampla divulgação pelos jornais e TVs desta situação? Porque as grandes empresas de telefonia são fortes anunciantes – e nenhuma delas tem interesse em anunciar que está devendo dinheiro atrasado aos consumidores (a recompra das ações é um direito quando a companhia é negociada).
    “A maior parte das pessoas nem sabe que tem ações”, diz o advogado Gabriel Garcia, especializado no assunto. “Todas as pessoas que compraram um telefone até o fim dos anos 90 por mais de R$ 50,00 tem direito a esses papéis”.
    Como é que as coisas aconteceram?
    A história começa em 1962, quando o então governador Leonel Brizola encampou a norte-americana ITTC e criou a Companhia Riograndense de Telecomunicações, a CRT. Como não havia capital para expandir a empresa, o governo criou uma sociedade mista em que toda pessoa que quisesse adquirir uma linha telefônica era obrigada a adquirir também um conjunto de ações. Assim, todo proprietário de linha telefônica era também acionista da empresa.
    Tudo funcionou bem até meados dos anos 1980, apesar dos preços exorbitantes e da espera de até cinco anos por uma linha.
    Um telefone custava quase o equivalente a um automóvel. Financiamentos para conseguir uma linha eram comuns. Muitas pessoas viviam desse comércio. Havia até empresas especializadas na compra e venda de telefones, como carros.
    Desde que começou o sistema de subscrição, a CRT fechava o contrato com o usuário do telefone em uma data, mas só entregava as ações meses depois. Nesse meio tempo, os papéis valorizavam e a inflação dava saltos. Resultado. O dinheiro de quem comprava, por exemplo, 100 ações em março, podia ser suficiente para apenas 25 em dezembro, data real da subscrição.
    No entanto, foi a partir de 88 que essa prática se agravou. “Hoje, devido à prescrição, só podem pleitear essa diferença aqueles que adquiriam o telefone após 03/01/1986”, explica o advogado Garcia.
    Ainda assim, mais de 80 mil clientes estão na Justiça contra a CRT/Brasil Telecom com processos de ordem societária. O número só não é maior porque as pessoas desconhecem o assunto.
    Na Justiça, começaram a sair sentenças reconhecendo que os usuários da antiga CRT tinham direito a um número maior de ações do que receberam até que 2003 houve uma trégua. As pessoas entravam contra a CRT para receber essa diferença e eram indenizadas.
    O parâmetro era o preço das ações que constava no Balanço Patrimonial do ano anterior à última assembléia geral de acionistas na época da compra, conforme define a Lei das Sociedades Anônimas.
    Entretanto, após cinco anos de decisões favoráveis aos clientes, em outubro de 2007 um caso menor, que não tratava especificamente da retratação do número de ações da CRT, mas de uma multa, chegou ao STF. Ele deu origem a um parecer do falecido ministro Hélio Quaglia Barbosa e mudou a forma como o valor dos papéis era calculado.
    Ao invés de usar o Balanço Anual (conforme a lei), passou-se a usar o balancete mensal da empresa como referência. O argumento principal de ministro Barbosa foi o “fardo negativo do tempo”, o que tornaria mais razoável a definição do valor das ações através dos balancetes.
    E lá se foram os clientes da CRT/Brasil Telecom à Justiça mais uma vez, agora para definir a forma correta de calcular o valor das ações.
    Esse entendimento foi se consolidando e ganhou força com a súmula 371, editada no dia 12 de março pelo STF. Ela determina que “nos contratos de participação financeira para aquisição de linha telefônica, o valor patrimonial da ação (VPA) é apurado com base no balancete do mês da integralização” – acatando e tornando definitiva a sentença do ministro Barbosa.
    O problema do uso do balancete mensal é que ele “não existe no mundo jurídico”, como define o professor de Direito da USP Modesto Carvalhosa. O balancete é um documento interno da empresa, basicamente a soma do ativo e do passivo. Além de não ser auditado, ele não segue nenhuma regra, é unilateral e de uso exclusivo da companhia. “Uma aberração”, nas palavras do professor.
    “Ninguém nunca viu esses balancetes”, argumenta o advogado Mário Madureira, presidente da Associação Justiça e Legalidade (Juslegal), criada em agosto do ano passado por um grupo de cidadãos descontentes com os rumos da Justiça no país – e em especial com o caso CRT: “Até papel de pão vai valer daqui a pouco”, alfineta.
    Madureira diz que “esse caso é uma afronta contra normalidade democrática”. A Juslegal considera a sentença de Barbosa e a súmula 371 um favorecimento claro à Brasil Telecom.
    Para Madureira muitos magistrados julgam de forma preconceituosa causas referentes a CRT. “Eles argumentam que as pessoas queriam um telefone, não ações”, afirma.
    O fato é que não é uma questão de calcular nada, apenas de verificar o valor da ação na época conforme o balanço patrimonial, não conforme o balancete. “Fazer diferente seria como querer mudar a data de nascimento de alguém”, exemplifica o presidente da Juslegal. Ele vai além e afirma que qualquer estudante de Direito que respondesse dessa forma a uma prova de concurso seria reprovado na hora.
    Que fim levaram as ações
    Você teve a sua linha de telefone instalada antes de 1986 e quer saber de suas ações? Ligar pra Brasil Telecom não funciona. É provável que você acabe sendo passado de atendente para atendente, fique um bom tempo na espera, receba ao menos umas quatro informações diferentes e neca. Também não tente ir a uma sede da empresa. Lá eles sabem tanto ou menos que os atendentes.
    Para quem tem linhas de 1986 até 1997: ligar pra a Brasil Telecom também não funciona. Vai percorrer a mesma via crucis dos clientes de antes de 86.
    Como na época da privatização as ações foram desassociadas das contas de telefone, a empresa alega não ter mais acesso a elas. “Por muitos anos foi preciso entrar com medidas cautelares para conseguir as informações”, diz o advogado Júlio Sá. Segundo ele, depois de tantas ações na Justiça, a Brasil Telecom resolveu terceirizar o serviço e permitir o acesso às informações.
    Tudo se faz através do escritório Eduardo Fernandes Advogados. O cliente deve preencher um protocolo de “pedido de informações cadastrais de acionistas da CRT – incorporada a Brasil Telecom S/A” – 30 dias é o prazo prometido para uma resposta.
    Claro que até chegar nesse ponto você já vai ter levado uma canseira.
    Segundo Paulo Salami, um dos advogados da Brasil Telecom, em 2006 a empresa tinha em torno de 113 mil demandas no Estado, sendo 80 mil apenas sobre a questão societária. E a tendência é que esse número cresça cada vez mais.
    As ações contra empresas telefônicas ocupam um espaço tão grande do Judiciário que no Fórum central de Porto Alegre foi criada uma área especial para Brasil Telecom. Antes de registrar queixa contra a empresa no Procon ou no Juizado Especial Cível, as pessoas são encaminhadas para a sala 321, carinhosamente chamada de “Solução Imediata”.
    Sem identificação na porta além do apelido, a SI é um posto da empresa. Lá atendentes simpáticos tentam evitar que mais um processo contra a Brasil Telecom vá para os tribunais.
    Ações hoje estão com a OI
    1 – Com a privatização da CRT, quem tinha ações da companhia passou a ter ações da empresa compradora, um consórcio da Telefônica e a RBS.
    2 – Pouco depois, a Telefônica vendeu tudo para a Brasil Telecom comprada em janeiro pela multinacional OI.

  • PERFIL – Marcello Chiodo: do salão de beleza à Câmara

    Por Marcelo Gigante Ortiz

    Ele foi o último a chegar ao legislativo da capital. Após ficar com a terceira suplência do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o cabeleireiro Marcello Chiodo assumiu uma vaga na Câmara de Vereadores de Porto Alegre graças à saída de Elói Guimarães (PTB) para o executivo estadual. Admirador de Zambiasi e criador do projeto “Beleza ao Alcance de Todos”, Chiodo conseguiu se eleger em sua terceira candidatura.
    O trabalhista de 40 anos fez 3401 votos na eleição de 5 de outubro e ficou em oitavo lugar entre os candidatos do PTB, partido que elegeu cinco vereadores. No dia em que os eleitos foram empossados, Maurício Dziedricki (PTB) e Dr. Goulart (PTB) pediram licença para assumir secretarias municipais, abrindo duas vagas. Chiodo era o terceiro suplente, portanto, ainda não era a vez dele.
    Porém, a governadora Yeda Crusius chamou Elói Guimarães para a Secretaria Estadual da Administração e dos Recursos Humanos, abrindo mais uma vaga para os petebistas no legislativo municipal. Dessa forma, no dia 3 de fevereiro, Chiodo assumiu a sua cadeira, com promessas de ajudar os mais pobres, os idosos, os animais e a sua classe, os cabeleireiros.
    O novo vereador é cabeleireiro há 20 anos. Após tentar, sem sucesso, ingressar nas faculdades de Administração de Empresas e Fisioterapia, ele começou a trabalhar com a mãe no salão dela. “Eu me apaixonei, nunca mais fiz faculdade nem nada e estou até hoje trabalhando de cabeleireiro”, conta o petebista, que disse sempre ter gostado de trabalhar com as mãos.
    Foi atuando no ramo que o ariano de 1,77 e 80Kg conheceu sua esposa, com quem tem dois filhos, Marcelle, 15 anos, e João Gabriel, 8. “Conheci a minha mulher quando eu abri o meu salão de beleza. Ela era a minha secretária. Aí a gente casou”, comenta.
    A preocupação com a aparência alheia se manifestou desde a infância no vereador. Ele diz que quando era pequeno implicava com o visual de um amigo seu. “Era Fernando o nome dele. Usava aquele cabelinho de príncipe que era todo redondinho, todo certinho. Eu achava aquilo horrível”, admite. De acordo com Chiodo, cortar o cabelo do amigo foi a sua primeira tarefa após se tornar cabeleireiro.
    Bate-papo
    Mas a clientela cresceu e através dela o cabeleireiro começou a conhecer alguns problemas da cidade. Como o salão de beleza é um bom lugar para o bate-papo, os clientes aproveitavam para comentar sobre problemas de calçamento, árvores que tinham que ser cortadas e tudo o mais. O vereador, inclusive, conta que foi após uma reclamação sua que a prefeitura resolveu abrir uma rua que atravessa a Borges de Medeiros pela Demétrio Ribeiro. A partir dos debates no salão, nasceu o interesse dele pela política.
    Então, o petebista resolveu se candidatar a vereador em 2004 e, depois, a deputado federal em 2006. Mas antes de conquistar a vaga na Câmara em 2009, Chiodo iniciou o projeto social “Beleza ao Alcance de Todos”, um curso de estética realizado em vilas de Porto Alegre e um antigo desejo seu.
    A intenção do projeto é proporcionar capacitação para o trabalho em salões de beleza a pessoas em situação de risco social. Para facilitar o ingresso dos alunos, ficou decidido que as aulas seriam dadas nas próprias comunidades. “As pessoas ficam conhecidas como cabeleireiras dentro da vila, vão criar uma clientela no próprio curso, vão abrir um salão perto de onde elas fizeram o curso, que é onde elas moram”, destaca Chiodo. Ele também cita a dificuldade em pagar o transporte como um impeditivo para que as pessoas se deslocassem.
    Além de oito bairros, entre eles Belém Novo, Cohab Cavalhada, Glória e Lomba do Pinheiro, o projeto também foi realizado com meninas na exploração sexual e no presídio feminino Madre Pelletier. Dessa forma, as mulheres em tais condições tinham a possibilidade de ter uma fonte de renda e fortalecer a sua auto-estima. Com certeza, esse público ajudou o vereador-cabeleireiro a conquistar os seus mais de 3 mil votos.
    Quem também ajudou Marcello Chiodo a se tornar vereador foi seu irmão Agnello. Por causa de um simples detalhe: os dois são gêmeos. Durante a campanha, Agnello ajudou a visitar as comunidades e a entregar santinhos. Mesmo que Chiodo sempre tenha deixado claro quem era quem, a figura pública do candidato duplicada pode ter ajudado na eleição.
    E agora eleito, o vereador, que continua trabalhando em seu salão de beleza, quer estender o seu projeto social e dar dança nas praças para pessoas da terceira idade. Além disso, pretende ajudar a ONGs de animais e incentivar a castração dos mesmos. Ele também admite ter o objetivo de conseguir a regulamentação da profissão de cabeleireiros. “Se eu não conseguir agora, talvez a gente consiga como deputado futuramente”, declara, o que indica que o vereador do PTB tem a ambição de crescer dentro da política.
    E porque o PTB? O vereador se diz uma pessoa equilibrada, nem muito de direita, nem muito de esquerda, que procura ouvir todos os lados para formar uma opinião e isso teria feito com que ele se identificasse com o partido. Além de usar as características pessoais como justificativa, Chiodo se declara admirador do senador Sérgio Zambiasi (PTB). “Pelo trabalho dele. É a mesma coisa que eu faço: atender aos pobres e aquelas pessoas que não tem condições”, afirma o cabeleireiro, que não cita outras referências e diz ainda estar conhecendo os políticos.

  • Trabalhadores da Ulbra entram em greve

    Os funcionários administrativos da Ulbra decretaram greve geral. Dezenas de pessoas estão em frente à reitoria e prometem paralisar todos os serviços da universidade. A decisão foi tomada hoje após assembléia convocada pelo SAAESL, o Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar de São Leopoldo e Região.
    Sexta-feira a Ulbra deveria ter pagado o salário de março. A paralisação é resultado do atraso, somado ao não-pagamento do 13º de 2008, das férias e do mês de janeiro. Essa é a primeira greve dos trabalhadores da área desde que a crise na Universidade começou.

  • Ônibus espírita visita Alvorada

    Texto e fotos por Carlos Matsubara

    Durante 10 dias o mundo do Espiritismo estacionou em Alvorada. Na praça central defronte a prefeitura, um ônibus – livraria recebeu a visita de centenas de adeptos e curiosos em busca de paz de espírito, ou apenas algumas palavras de conforto de seu Adjair Fernandes de Faria.
    Ele é o motorista, mas também uma espécie de messias do Espiritismo, sempre pronto a divulgar o evangelho por onde passa. E não foram poucos os lugares por onde perambulou. Alvorada é o 110º município só no Rio Grande.
    Já esteve em 801 cidades de 17 estados desde que saiu de sua Uberlândia, nas Minas Gerais em 12 de março de 1994, quando largou família, amigos e uma pequena imobiliária de sua propriedade. Em todos lugares por onde passa a rotina é a mesma. Das 8h da manhã às 8h da noite, recebe sorridente todos com um caloroso aperto de mão e o indefectível convite: “Entre e fique a vontade, amigo”.
    O sustento pra rodar o país é tirado, em menor parte, da venda de livros e CDs. O grosso é lapidado do patrimônio juntado ao longo da vida de 30 anos como bancário e proprietário de uma pequena imobiliária. Todos os filhos estão formados, casados e bem de vida. “A mais nova se formou ano passado em medicina”, conta orgulhoso.
    Deus escreve certo por linhas certas

    A peregrinação de Adjair começou a partir de uma pequena tragédia urbana. Um de seus filhos comprara um Escort do ano (quando este era o carro da moda). No primeiro passeio com a esposa, foi rendido por uma dupla de assaltantes que os levaram como reféns.
    Foi então que um exemplar do evangelho espírita que estava no carro chamou a atenção da dupla. Adjair relata o milagre: “Um dos assaltantes se sensibilizou porque a mãe era espírita e pediu para minha nora ler um capítulo. Aleatoriamente ela abriu a página Caridade com os Criminosos”.
    Ele acredita que a leitura fora responsável pela soltura do casal. Dias depois, já em casa, prometeu que venderia o carro para comprar um ônibus que serviria como uma biblioteca ambulante para divulgar a doutrina espírita na cidade. “Dez minutos depois, recebemos uma ligação do delegado Leão avisando que o carro havia sido recuperado em Araguaina, no Tocantins.
    “Hoje considero que foi o assalto mais benéfico na história dos assaltos”, brinca. Com o dinheiro da venda comprou o primeiro ônibus em 29 de agosto de 1991. Com este primeiro, ficava apenas rodando pela cidade. Alguns anos depois partiu para o segundo bus e caiu na estrada. Deus escreve certo por linhas certas. É o lema de Adjair.

    Os ladrões foram presos tempos depois do assalto. O filho, a pedido de Adjair, não os reconheceu como tal. Um deles, menor de idade, foi contratado pela imobiliária da família e está lá até hoje com esposa e três lindos filhos. O outro teria sido assassinado durante uma transferência de presídios. “Mas já havia se convertido”, diz Adjair.
    A experiência serviu para que sua família passasse a “atender”nos presídios mineiros. Servindo sopas e, de quebra, “a palavra de Deus”para os detentos.
    Em fevereiro de 2001 sua esposa morre de câncer no pâncreas. Para Adjair, a doença foi uma dádiva divina. “Sabemos que o câncer é uma forma de limpar erros de vidas passadas, purifica o espírito. Mas isso somente para os cancerosos que não lamentam e que não choram pela doença”, completa.
    Sua crença prega que a doença, talvez a que mais assuste o resto da humanidade, é uma oportunidade que Deus oferece para salvação eterna. Diz pra quem quiser ouvir que se morrer de câncer, vai ‘chegar lá’ e agradecer de joelhos.
    “Minha mulher morreu feliz sem nunca ter derramado uma lágrima sequer”.

  • Clínicas chama para um abraço

    O pessoal do Hospital de Clínicas está convidando a população para vestir uma roupa branca para um ato público a favor do hospital. Pretende juntar duas mil pessoas num “abraço ao HCPA” a partir das 11horas de terça-feira, 7 de abril.
    A intenção é demonstrar o apoio de usuários, funcionários, estudantes, professores, pesquisadores e da comunidade à manutenção do modelo do Clínicas, recentemente contestado pelo Ministério Público.
    O MP requer que o HCPA atenda exclusivamente a pacientes pelo Sistema Único de Saúde.
    O Clínicas argumenta que o atendimento a convênios (11,6% das 29 mil internações anuais) gera recursos para atender mais e melhor ao SUS, inclusive em especialidades não cobertas em contrato. Segundo o presidente do HCPA, Amarílio Vieira de Macedo Neto, esta receita representa uma contribuição decisiva para que o hospital “cumpra sua missão de hospital público e universitário”.
    O nome do evento marcado para terça-feira é “100% Clínicas – Abraço em Defesa de um Modelo de Sucesso”. A iniciativa tem o apoio de diversas entidades: Fundação Médica do RS e associações de médicos contratados, residentes, funcionários, enfermeiros, nutricionistas e administradores; e de organizações de apoio a pacientes.

  • Vegetariano ganha processo contra o McDonald´s

    Um hambúrguer “vegetariano” com cheiro de frango foi o responsável por uma disputa judicial que terminou no pagamento de R$ 2 mil reais por parte da rede de fast-food McDonald´s ao advogado gaúcho Tiago Orengo. A sentença saiu esta semana.
    Após descobrir através de um site que o hambúrguer “Veggie Crispy” tinha aroma natural de frango Orengo, que provou o lanche, decidiu entrar na Justiça contra a rede. Na primeira decisão, o juiz deu ganho de causa ao McDonald’s alegando que não havia nenhuma indicação de que o lanche era vegetariano. O magistrado acrescentou que não era possível que “o autor tivesse consumido o sanduíche sem sentir o aroma de frango que o mesmo continha.”
    Para o advogado a sentença de primeiro grau foi desrespeitosa e abria um precedente perigoso. “A partir daquela decisão não bastaria mais lermos os conteúdos, rótulos e composições dos produtos. Teríamos, segundo aquele brilhante juiz leigo, que identificar a primeira mordida todos os ingredientes daquilo que consumirmos ou a culpa seria nossa”, defende.
    Lançado em 2007, o sanduíche composto por um empanado de legumes, alface americana, tomate e molho blanc era anunciado como “uma ótima opção para vegetarianos”.

  • Discussão sobre o diploma é adiada

    No fim da tarde de quarta-feira, após quatro horas de discussão, o Supremo Tribunal Federal decidiu adiar a discussão sobre a obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de jornalista. A votação deve ocorrer em 15 dias, após a apreciação da Lei de Imprensa pela casa.
    O ministro Carlos Ayres Britto, relator da matéria, votou pela procedência total da ação e foi acompanhado pelo ministro Eros Grau, que adiantou seu voto. Os dois acreditam que toda a Lei de Imprensa não é compatível com a atual Constituição Federal. Para o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo, “Os sindicatos e o movimento estudantil devem manter ativa a campanha em favor da manutenção da regulamentação profissional”.

  • Ambientalistas rejeitam novo Código Florestal de SC

    Faixas de vegetação de cinco metros nas margens devem ser preservadas

    Por Carlos Matsubara
    O governador de Santa Catarina deve sancionar o novo Código Florestal do Estado. Luiz Henrique da Silveira afirmou na quarta-feira que o código é “moderno e desenvolvimentista”, e que poderá sancioná-lo no próximo dia 13.
    Neste meio tempo, ongs ambientalistas, Ministério Público e Procuradoria da República ameaçam barrar o projeto na Justiça. A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) alega que o governo do Estado encaminhou um texto recheado de inconstitucionalidades para a Assembléia Legislativa, sem ter sido previamente submetido ao Conselho Estadual do Meio Ambiente, instância máxima deliberativa conforme o Sistema Estadual de Meio Ambiente.
    Para a ong catarinense, não há necessidade de se estabelecer um Código Ambiental em Santa Catarina, pois já há legislações federais e estaduais eficientes nessa área. O que estaria faltando é a aplicação efetiva dessa legislação. Além disso, o teor do projeto seria inconstitucional, além de retratar a realidade da política ambiental praticada por um governo que tem travado uma verdadeira batalha contra o meio ambiente.
    Pelo novo código, que recebeu amplo apoio de produtores rurais, com direito a carreatas, e muito lobby na AL, devem ser preservadas faixas de vegetação de cinco metros nas margens de córregos com cinco metros de largura. O Código Florestal Brasileiro, no entanto, determina um parâmetro maior -30 metros de preservação.
    Segundo ambientalistas, essa proposta atende exclusivamente aos interesses do governador e de alguns parlamentares catarinenses que estão a serviço do lobby da especulação imobiliária e de ruralistas (médios e grandes produtores rurais), principalmente aqueles que tem passivos ambientais, e querem desmantelar a legislação que protege as APPs e as Reservas Legais, visando justamente a ampliação de ocupações em áreas de risco, sob discursos sem nenhuma consistência científica.
    Leia mais no site da Ong Apremavi

  • Jornalistas e aspirantes marcham em defesa do diploma

    Foto: Roberto Santos

    Na véspera da votação do Recurso Extraordinário 511961, que definirá a obrigatoriedade ou não do diploma para o exercício de jornalismo, dezenas de profissionais e estudantes gaúchos caminharam da Praça da Matriz até a sede do Tribunal Regional Federal da 4ª Região como forma de protesto. Eles distribuíram panfletos com a edição extra do jornal Versão dos Jornalistas, produzido especialmente para a ocasião, e informaram a população sobre o caso.
    Amanhã, a partir das 14h, será realizada uma vigília na Esquina Democrática. No local, será instalado um telão para que os jornalistas presentes e a população acompanhem a votação no STF. Se a desregulamentação for aprovada, qualquer pessoa poderá exercer a profissão de jornalista.