Faleceu na manhã deste sábado (07), o ambientalista Flávio Lewgoy.
Prestes a completar 90 anos – que seriam comemorados em janeiro – o professor aposentado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) estava internado no Hospital Moinhos de Vento, onde tratava um câncer reincidente.
Químico e geneticista, Lewgoy foi duas vezes presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) nos anos 80 e manteve-se atuante até o final da vida.
No primeiro semestre de 2015, por exemplo, elaborou um estudo sobre o impacto da quadruplicação da planta da Celulose Riograndense, em Guaíba na emissão de poluentes. Seu relatório fortaleceu a ação dos ambientalistas no momento em que a comunidade denunciava os efeitos da ampliação da fábrica na saúde da população.
A postura crítica de Lewgoy à produção de celulose em Guaíba era histórica. Nos anos 90, o professor foi o principal responsável pela rejeição do projeto de duplicação da então fábrica da Riocell na Assembleia Legislativa, mesmo com o Governo do Estado já tendo dado seu aval para a obra.
Sua formação científica foi decisiva para o movimento ambientalista porque contribuiu para tornar a atividade da Agapan mais técnica e dar aos protestos e manifestações públicas uma base científica.
Conforme contou em seu depoimento publicado no livro Pioneiros da Ecologia, da JÁ Editores, tornou-se ambientalista (após conhecer José Lutzenberger em 1971, por quem se fascinou) porque, ex-aluno da universidade pública, queria retribuir com algo para a sociedade que pagou sua formação.
O enterro de Flávio Lewgoy ocorre neste domingo, às 11 horas, na União Israelita Porto Alegrense (Prof. Oscar Pereira, 1125).

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