Marcha colore o centro e abre o Fórum Social Mundial de 15 anos

matheus chaparini
Cerca de dez mil pessoas, com muitos balões, bandeiras, faixas e tambores, abriram na tarde desta terça-feira a edição que marca os quinze anos do Fórum Social Mundial e faz um balanço das conquistas, perspectivas e novos desafios na luta por um outro mundo possível.
A caminhada não contou com os grandes nomes esperados pela organização como Lula, Dilma, Mujica e Chico Buarque, mas teve grande mobilização, principalmente por parte das centrais sindicais.
Uma hora antes do previsto para a saída da marcha de abertura, às cinco da tarde, era difícil de acreditar que a caminhada fosse reunir uma quantidade tão grande de pessoas. Um carro de som no Largo Glênio Peres alternava falas de representantes de entidades e alguns sambas. O cenário era o seguinte: cerca de mil pessoas espalhadas pelo largo, um repórter de um grande canal de televisão pinsando pautas leves, um vendedor de balas improvisando rimas para tentar fazer negócio, sem o mesmo sucesso dos ambulantes que vendem bebidas, e muito, muito calor.
Do outro lado da Borges, em frente à prefeitura, algumas pessoas descansavam na sobra e um grupo do Juntos, ligado à juventude do Psol, tímido, se reunia em um canto, todos de amarelo com uma faixa contra o aumento da passagem de ônibus na capital.
No horário previsto para o começo do percurso, às 18h, começa a organização e o público já é bem mais numeroso. O grupo de uma das centrais sindicais se posiciona próximo à esquina democrática para garantir a frente, mas logo é chamado por uma voz vinda do auto-falante do carro para se juntarem aos demais.
Às 18h20 parte do prédio da prefeitura um grupo encabeçado, ao centro, pelo vice-prefeito e candidato à prefeitura, Sebastião Melo. Ao lado dele, o prefeito José Fortunati, Raul Pont, Adão Villaverde, Jairo Jorge e outros. “A cidade está abandonada, como tu tem cara de sair na rua?”, gritou um pequeno grupo de jovens ciclistas quando passou o prefeito. Atrás desta comitiva, alguns repórteres se espremiam, esticando celulares e gravadores em busca de alguma declaração.

Movimento Negro Unificado trazia mensagem sobre a democratização da comunicação
Movimento Negro Unificado trazia mensagem sobre a democratização da comunicação

Colorido da caminhada tomou o centro de Porto Alegre
A caminhada partiu às 18h30, com milhares de pessoas, bandeiras, faixas e mensagens por um outro mundo possível.
Na linha de frente, um grupo diverso, formado por representantes da UGT (União Geral dos Trabalhadores), CUT (Central Única dos Trabalhadores), NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), UBM (União Brasileira de Mulheres), Unegro (União de Negros pela igualdade) e PC do B, carregando uma faixa com o tema desta edição: “paz, democracia, direitos dos povos e do planeta”.
Em meio às bandeiras destas organizações, algumas faixas grades e coloridas com dizeres religiosos, de um grupo de norteamericanos que buscava fiéis na esquina democrática.
Um grupo de kaingangs trazia uma faixa lembrando recente o assassinato do menino Vitor, morto ao lado da mãe na rodoviária de Imbituba, em santa Catarina.
Outro grupo carregava uma enorme bandeira da Palestina, representando um grupo de palestinos que não pode vir a Porto Alegre devido ao cerco das forças israelenses à cidade de Hebron.
Um militante solitário trazia uma estandarte verde, com uma folha estampada, pedindo a legalização da maconha.
A juventude do PT trazia sua banda e cantava o clássico: “te cuida imperialista, a américa latina vai ser toda socialista”
O colorido da marcha e o som dos cantos e discursos se espalharam pela avenida Borges de Medeiros. Diversas entidades trouxeram grupos de percussão, cada vez mais comuns em manifestações políticas. Haviam pelo menos sete ao longo da caminhada.
A Marcha Nacional das Mulheres trazia uma bateria composta por instrumentos de lata e entoava: “ô abre alas que as mulheres vão passar”.
Os militantes da luta antimanicomial parodiavam uma marchinha e afirmavam “Doutor, eu não me engano, o manicômio é desumano.”
A maior bateria, e também o grupo mais numeroso, sem dúvida era o da CTB (Confederação dos Trabalhadores Brasileiros). Todos vestidos de branco, carregavam uma enorme faixa com o texto : “não vai ter golpe”.
2016-01-19 18.54.36Na retaguarda, vinha o grupo da UGT. Mais atrás, fechando a marcha, cerca de 20 brigadianos.
A caminhada encerrou no Largo Zumbi dos Palmares, onde aconteceu a primeira noite de apresentações artísticas, com os shows de Moysés, Nei Lisboa e Rock de Galpão. A programação do Fórum Social segue até sábado, dia 23.
 

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