Felipe Uhr
Há 15 dias alagadas, as ruas Ismael Chaves Barcelos, General Sérgio de Oliveira e Barão do Gravataí receberam só hoje a tarde uma equipe do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) da cidade. Ao todo, cinco caminhões de hidrojato faziam o trabalho de sucção e bombeamento da água acumulada para outras bocas de esgoto.
Segundo o Diretor Geral do DEP, Tarso Boelter, o acúmulo aconteceu pois a rede de esgoto da região liga-se diretamente ao Arroio Dilúvio, diferente do novo sistema, que vai para a casa de bombas. “Falta uma obra estruturante que resolva essa situação” avaliou.
Boelter conta que durante o trabalho de desentupimento dos esgotos foram encontrados muito lixo, areia e ratos mortos. Apesar do serviço, não é garantido que as águas baixem mesmo com o cessamento da chuva.

“Os níveis de água dos rios que desembocam no Guaíba (Jacuí, Caí, Taquari, Sinos e Gravataí) continuam altos, logo a tendência é que o Guaíba também suba e as ruas alaguem novamente” alerta o diretor.
O vice-prefeito, Sebastião Mello, compareceu ao local para acompanhar o serviço realizado em conjunto pelo DEP, Smov (Secretaria Municipal de Obras e Viação) e Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgotos). Mello diz que a Prefeitura está avaliando a situação, mas ficou evidente que não há definição sobre o que fazer: “Num primeiro momento é resolver a situação dos alagamentos até que esteja sem água, depois estudar quem sabe uma inversão do fluxo de esgoto (assim a água iria para onde existem casas de bombas) e depois, a médio prazo, uma grande obra que resolva de vez esse quadro”.
Churrascaria local perdeu 60% do movimento
As chuvas que alagaram o local prejudicam carros, pessoas e moradores da região. Mas a Churrascaria Garcia, localizada na esquina da avenida Praia de Belas com a rua Barão do Gravataí, foi muito prejudicada. Conhecida por ficar aberta 24 horas, o difícil acesso dos clientes e o alagamento de parte de umas entradas foi o fator para a queda do movimento no estabelecimento.
Segundo o proprietário Deuclécio Rissi, que mantém o restaurante ali há 30 anos a situação calamitosa é inédita. “Em outras chuvas, alagava, mas no outro dia já normalizava. Dessa vez está assim há 2 semanas” reclama o comerciante que contou que pela primeira vez, durante a madrugada, o restaurante não recebeu nenhum cliente.
Rissi diz que desde o dia 10 vem ligando para a Prefeitura e o DEP, mas que só agora estão recebendo atendimento. Ele calcula um prejuízo em volta dos 60% em lucro e movimento.
Moradores estão em estado de caos e passando constrangimento
A água que alagou as ruas do bairro, também invadiu os prédios situados nas avenidas Praia de Belas e transversais. É o caso do edifício onde mora o músico Rogério Pereira. “Nunca tinha visto isso. Sempre chove e alaga o corredor do prédio, mas desse jeito não”, reclama o morador.

Moradora do bairro há 50 anos, a dona de casa Hilda Mendes aponta para os sacos de areia colocados na entrada do prédio, como medida de impedir a entrada da água, enquanto reclama e fala da situação delicada em que todos estão passando: “Há 15 dias não conseguimos sair direito de casa, nem os táxis gostam de nos deixar aqui pois não querem entrar com o carro na água!”
Primeiro prédio do bairro em situação crítica
Em situação ainda pior estão os moradores do prédio Pioneiro que leva este nome justamente por ter sido o primeiro edifício do bairro. Situado na rua General Sérgio de Oliveira, o prédio encontrava-se literalmente inundado. Pedaços grandes de madeiras apoiados por pedras serviam para a travessia para os moradores que não têm botas, pois o chão do prédio está alagado. O cheiro do corredor é desagradável e é possível ver fezes e dejetos boiando. A garagem do prédio encontra-se deserta. Apenas um vizinho, que viajou antes da chuva, deixou o carro lá.

Dois garçons da churrascaria à frente, que alugavam um apartamento no térreo, tiveram que deixar o imóvel. Além da situação irritante e conflituosa, os moradores têm de conviver com os riscos que a chuva pode causar. O quadro de luz do prédio também é localizado no primeiro piso, logo, quando chove muito e a água avança, eles chamam a CEEE para desligar a luz do condomínio. Caso contrário, haveria risco de acidente fatal.
“É uma situação muito ruim e desagradável”, critica o síndico do prédio, Adriano Bilibio.
A moradora Morizete Batista também reclamou do descaso da Prefeitura: “Eles nunca vieram aqui. Isso sempre acontece e é muito triste”.
Coincidência, ou não, após a chegada de repórteres, um caminhão do DEP entrou na rua e começou a retirar a água acumulada no prédio.

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