
“Não abandonaremos o Rio Grande do Sul”, garante o executivo da da Stora Enso (Foto: Carlos Carvalho/Arquivo JÁ Editores)
Carlos Matsubara
A multinacional sueco-finlandesa Stora Enso desmente que estaria pensando em abandonar suas operações no Rio Grande do Sul. Os rumores sobre uma possível transferência para o Uruguai, onde a empresa também mantém investimentos, ganharam corpo com as dificuldades que estaria tendo em regularizar suas terras na Região Oeste do Estado.
O diretor florestal da empresa para a América Latina, João Borges, explica que, ao contrário do divulgado pela imprensa gaúcha, a Constituição de 1988 não proíbe empresas de capital estrangeiro de adquirir terras em faixa de fronteira e sim, “restringe algumas atividades que poderiam causar ameaça à segurança nacional, como fabricação de armas ou artefatos nucleares, por exemplo”.
A espera da gigante, no entanto, promete ser longa. A previsão (otimista) é de pelo menos 90 dias até o Conselho de Defesa Nacional, em Brasília se pronunciar. Antes disso deve passar pelo Ibama e Funai. Hoje, os executivos aguardam liberação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para dar início aos plantios florestais.
Isso sem contar com a novela do zoneamento ambiental do Estado, que regulamentará a silvicultura no Rio Grande, especialmente na região do pampa. A primeira fase do zoneamento foi concluída pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) em novembro do ano passado e mapeou as unidades paisagísticas do Rio Grande. Em janeiro deste ano, passou a detalhar as características sócio-ambientais de cada um deles.
Borges explica que a regularização das terras será feita passo-a-passo. “Primeiro encaminhamos o pedido [de liberação] do primeiro lote. Só depois de liberado, encaminharemos o segundo e possivelmente, um terceiro lote”, explica.
O primeiro lote, ao qual se refere, ocupa 34 propriedades nos municípios de Cacequi, Rosário do Sul e Alegrete, entre outras localidades próximas, totalizando cerca de 20 mil hectares. “Portanto, a notícia que estaríamos pensando em abandonar as operações no Rio Grande do Sul não procede, de maneira alguma”, afirma Borges.

Deixe um comentário