A lamentável sessão do Superior Tribunal Federal às vésperas da eleição que, segundo consenso entre as vozes politizadas, vai decidir os rumos do Brasil nas próximas décadas, tornou ainda mais incerto o caminho até as urnas no dia 4 de outubro.
Favorecido pela guerra de versões e o bate boca entre os ministros, o candidato Flávio Bolsonaro encontra neste momento o ambiente altamente propício para sua estratégia, que se baseia no despiste, na falácia e, até mesmo, na mentira escancarada.
A atuação de uma imprensa conivente, para dizer o mínimo, completa o cenário que catapulta o bolsonarismo, depois de tudo o que ele foi capaz.
O resultado é esse: um candidato improvável, despreparado, envolvido em negócios escusos, sem projeto, com um discurso ginasiano e enganoso, pode pode ser eleito presidente da República do Brasil. Pelo menos, é o que indicam as pesquisas.
Na guerra de versões a que se reduziu a campanha, a primeira vítima pode ser o voto, como instrumento democrático, capaz de traduzir os reais anseios da população.
Pior, no ambiente que se está criando, mesmo uma derrota de Flávio Bolsonaro pode dar ensejo a mais uma aventura, reavivando as brasas do golpismo, que estão sob as cinzas mas não apagadas.
