Ninguém duvidou da revelação que o superministro da Economia, Paulo Guedes, tem R$ 51 milhões numa offshore (extra-território, fora do alcance das leis que regulam os ganhos de capital).
Todos consideraram um fato menor. Toda a dita grande imprensa (Globo e afiliarados, Folha de São Paulo, Estadão, Bandeirantes, etc), que não foi atrás dos fatos, mal tocou no assunto.
Não informou sequer qual o ramo de atividade da empresa, a “Dreadnoughts” ( tipo predominante de navio de guerra encouraçado no início do século XX, segundo a Wikipedia)
As declarações do ministro de que tudo está dentro da lei, bastaram. A questão politica e moral foi desconsiderada.
Uma política econômica, que sacrifica o trabalhador ao atrelar os preços internos ao dólar, beneficia o ministro que tem seu capital aplicado no exterior e, ainda por cima, livre de impostos.
Não é estranho que, pela lógica financeira, se justifique esse contra-senso. Está dentro das leis, o capital é como a água, escorre por onde há menos resistência.
Mas como explicar ao trabalhador que tem seu salário congelado (quando não reduzido) e enfrenta uma escalada dos preços que lhe ameaça a sobrevivência?.
Como levar a sério um ministro que prega o ajuste fiscal e, em nome dele, defende o corte de gastos sociais, ao mesmo tempo em que protege seus cabedais abrigando-os num “paraíso fiscal”, onde não paga impostos.
Um defensor do ministro disse que R$ 51 milhões são “uma merreca” comparados à fortuna de Paulo Guedes. Aí está uma boa pauta para os deputados que vão inquirí-lo: qual o tamanho da fortuna de Paulo Guedes e onde ela está?
A mínima obrigação de um ministro, que impõe sacrifícios ao povo, deveria ser explicar de onde vem o seu dinheiro.

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