ELMAR BONES
Erico Valduga foi um dos expoentes de uma geração que libertou o jornalismo gaúcho do jargão burocrático imposto pelo Correio do Povo.
Estou falando de 1967, quando um grupo de jovens recém saídos da universidade formou a base de uma equipe liderada por Valter Galvani, na Folha da Tarde, vespertino de maior circulação em Porto Alegre, do mesmo grupo Caldas Junior.
Danilo Ucha, Divino Fonseca, José Antonio Pinheiro Machado, Roberto Appel, Kenny Braga, Iara Maria Rech, Jussara Campos, Nubia Silveira, são os nomes que me ocorrem assim de improviso.
O vetusto Correio do Povo era um dos mais influentes jornais brasileiros. É célebre a história do arcebispo que só acreditou que era verdadeira a notícia da morte do papa quando o Correio do Povo publicou, 24 horas depois dos concorrentes.
Mas a credibilidade e o prestígio que itinha vinham embalados num estilo oficioso, formalíssimo, algo que parecia arcaico para aquele grupo de jovens que acompanhavam as mudanças de gosto e comportamento que ocorriam mundo afora.
A FT, como chamavam, foi a trincheira desse grupo, naquele momento. Valduga era diferenciado. Discreto, grande senso de responsabilidade, rigoroso com as informações, era quem muitas vezes continha os excessos dos mais afoitos ou criativos. Fez uma carreira fulminante – estagiário, repórter, redator editor de Política por muitos anos num dos melhores momentos do jornalismo político no Rio Grande do Sul.
No´inicio dos anos 1980, dirigiu a redação da Gazeta Mercantil em Porto Alegre, depois perdi-o de vista. Tenho dele a imagem de um colega exemplar, um amigo querido e valoroso.
Érico Valduga morreu nesta segunda-feira, 29 de setembro, aos 80 anos. (Publicado originalmente no Coletiva)
