ELMAR BONES
Pela primeira vez, desde Getúlio Vargas, o Brasil tem um grande líder popular com Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula.
Vargas também estava no auge de sua popularidade em 1954. Tornara-se líder de um “partido de massas” e estava à frente de um movimento trabalhista/reformista, que mobilizava intensamente o nascente operariado brasileiro. Era o “pai dos pobres”.
Não era candidato, o mandato presidencial era de cinco anos, sem reeleição. Mas, como diziam, “elegeria até um poste”. Em oito meses armou-se uma tempestade que começou com um manifesto de coronéis e culminou com o “atentado da rua Tonelero” – uma crise que encurralou o presidente e o levou ao suicídio, em agosto daquele mesmo ano.
Saído da elite rural do Rio Grande do Sul, Vargas era um “melancólico”, daqueles tipos do pampa, descritos por Dyonélio Machado.
Em seu livro sobre Vargas, o psiquiatra João Mariante conta que ele tinha sempre um revólver à mão. Em 1930, quando Flores da Cunha e Oswaldo Aranha saíram do palácio Piratini para liderar a tomada dos quartéis em Porto Alegre, Vargas tirou a arma da gaveta, colocou-a sobre a mesa e só voltou a guardá-la quando soube que a situação estava dominada.
Naquele 24 de agosto de 1954, ele saiu da reunião com os seus ministros certo de que havia perdido. Para não ser preso e humilhado, usou o seu revólver contra o próprio peito.
Lula é cria do povo, saiu de sua terra num pau de arara e, se cogitasse o suicídio diante de perigos ou fracassos, já estaria morto há tempo. A sanha antipovo já se abateu sobre ele, foi preso e humilhado, mas não se deixou abalar. Ao contrário, afiou as suas capacidades, que já eram excepcionais, e tornou-se um líder reconhecido no mundo, como nem Getúlio Vargas foi.
Em 2026, ele está no seu terceiro mandato presidencial, líder de um partido de massas e à frente de um movimento trabalhista/reformista. É candidato a reeleição, favorito, mas há uma crise se armando em volta dele. As “forças ocultas” se articulam mais uma vez.
Qual vai ser o desfecho?
