Gunter Axt assume Secretaria da Cultura e anuncia “grupos de notáveis” para ajudar gestão

 

O prefeito Sebastião Melo anunciou nessa sexta-feira, dia 1º, hora antes de tomar posse no cargo, os nomes dos novos gestores da Cultura de Porto Alegre. O historiador Gunter Axt, é o titular da pasta e o produtor cultural Clóvis André, secretário adjunto.

Axt é formado em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atualmente pesquisador associado do Núcleo de Estudos Diversitas, da Universidade de São Paulo (USP). Nos últimos anos residia em Florianópolis, mas já está de volta à Porto Alegre. Seu anúncio se deu de forma virtual e na apresentação o prefeito Melo, explicou:

“Para nós, a cultura é a alma da cidade. É economia criativa, é inclusão social e cultural e precisa de muitas parcerias. Então, o senhor, que é um historiador reconhecido internacionalmente, penso que tem um largo caminho para fazer a nossa cidade voltar a sorrir”, disse Melo.

O prefeito deu a primeira tarefa a Axt: preparar a programação para os 250 anos de Porto Alegre, que serão celebrados em 2022. A ocasião é vista como uma chance de “levantar a alma da cidade”.

Sobre o cargo, o novo titular da Cultura, afirmou:

“Porto Alegre está vivendo uma oportunidade histórica de colocar a bola no centro, de investir em um projeto que seja liberal-social, que tenha essa cara, essa convicção, de uma radicalidade democrática, um compromisso humanista e iluminista. É uma oportunidade histórica de construir algo bacana para a cidade “.

Segundo ele será criado um “grupo de notáveis” para aconselhar a sua gestão. Os nomes de Antônio Hohlfeldt, José e Isabela Fogaça, Paulo Amaral, Roque Jacoby e Sergius Gonzaga estão entre eles. Axt destacou por fim a “importância do diálogo e a necessidade de buscar criatividade para ampliar a capacidade de investimento da pasta”.

Já Clóvis André Silva da Silva, secretário adjunto, é produtor cultural. Nasceu em Santana do Livramento em 1976, e reside em Porto Alegre. É reconhecido no setor por seu expressivo trabalho com as culturas populares na capital.

 

Lúcio Piantino grava vídeo para o projeto “Um novo olhar”, da Funarte

“Eu sou um artista, meus quadros são meus filhos e as minhas tintas são o alimento que eu dou para eles”, diz o brasiliense Lucio Piantino. “A pintura é a minha vida”, reforça ele, que, completa 12 anos de carreira como pintor.

O jovem, portador de síndrome de Down, revela que sofreu muito preconceito na escola, até que um dia reuniu a família e informou que queria sair de lá. Desde então, passou a dedicar-se à arte, de forma profissional.

Em um vídeo produzido para o projeto Um Novo Olhar, Lucio fala de sua trajetória e exibe alguns de seus trabalhos. O projeto é uma parceria da Fundação Nacional de Artes – Funarte com a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, com curadoria de sua Escola de Música.

Lucio Piantino nasceu em 1995, é filho e neto de artistas plásticos e conviveu com as tintas desde os primeiros anos de vida.

Aos seis anos teve desenhos e pinturas publicados no livro Cadê a síndrome de Down que estava aqui? O gato comeu…. de Elizabeth Tunes e L Danezy Piantino (Editora Autores Associados).

Em 2008, ele fez suas primeiras exposições individuais, Matando Aula e Matando Aula II – O retorno?

O nome das exposições foi uma provocação ao sistema educacional preconceituoso, que o discriminou a ponto de ter tido que passar o ano de 2008 fora da escola.

O artista participou de diversas exposições coletivas, realizou mostras individuais e recebeu prêmios por sua obra.

Em 2013, lançou seu livro e documentário De arteiro a artista: a saga de um menino com síndrome de Down, no Museu Nacional de Brasília. O documentário também foi selecionado e apresentado no Festival Internacional de Cinema Assim Vivemos, nas unidades do Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Entre 2016 e 2019, Lucio apresentou suas obras em três exposições na Itália: a coletiva Questa casa non è um Albergo em Reggio Calábria; a individual Danze de colore e matéria, na galeria Aet Forum Whirth Capena em Roma, e a exposição Io sono um artista, do projeto AHEAD, na Galeria Casa d’Aste, em Roma.

Em 2017, ele representou o Brasil na Campanha da ONU em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down e comemorou seus nove anos de carreira com a Exposição A prova dos 9 no Festival CoMA.

A família desde cedo reconheceu e apoiou o trabalho de Lucio. A irmã, Joana Piantino, acabou se dedicando à produção cultural e, assim como a mãe, cuida da produção da carreira do jovem. São dela também as imagens do vídeo disponível aqui no site do Um Novo Olhar, onde o artista mostra suas obras, toca, dança e conta sua história.

Sobre o projeto:

Desenvolvido conjuntamente pela Fundação Nacional de Artes – Funarte e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, por meio da Escola de Música da Universidade, o Um Novo Olhar tem como alvo promover a inclusão e o acesso de crianças, jovens e adultos com algum tipo de deficiência, por meio das artes e da capacitação de professores e de regentes para coro. Com a exibição online de performances de artistas e vídeo podcasts (vodcasts) sobre arte e acessibilidade; com lives e uma série de publicações, o projeto tem também o objetivo de ampliar a percepção de toda a sociedade sobre as deficiências.

Serviço:

Apresentação de Lucio Piantino no projeto Um Novo Olhar

Já disponível no site do projeto: www.umnovoolhar.art.br

Informações sobre editais e outros programas da Funarte
www.funarte.gov.br

Morre Ivo Nesralla, pioneiro em transplante de coração no RS e ex-presidente da FOSPA

Morreu na manhã dessa quarta-feira o cirurgião Ivo Nesralla, pioneiro em transplante cardíacos e cirurgias de ponte de safena no Estado, de 82 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. Segundo o noticiário da imprensa da capital, ele estava em casa e chegou a ser socorrido pela família e por equipe da Samu, mas não resistiu.

Nesralla também presidiu a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre  (Ospa) durante 23 anos, em dois períodos – de 1983 a 1991 e de 2003 a 2018.

—Ele tinha um imenso coração, para fazer uma ligação com a profissão dele.  E deixa como mensagem a importância da cultura para nossa sociedade, a importância de um Estado como Rio Grande do Sul ter uma orquestra sinfônica — disse em nota o maestro Evandro Matté.

A Direção da Fundação Universitária de Cardiologia – Instituto de Cardiologia  também divulgou nota destacando que “seu espírito pioneiro reacendeu a cirurgia de transplante de coração em nosso país e sua liderança foi fundamental para cumprirmos a nossa missão de assistência, ensino e pesquisa”.

O velório vai ocorrer nesta quinta-feira (17) no Cemitério da Santa Casa, capela 6, das 8h às 11h. Em razão da pandemia de coronavírus, haverá restrições de entrada: serão permitidas até 10 pessoas por vez. Ivo deixa a mulher, Paulita, os filhos Ivo, Carlos e Paula, também cirurgiã cardíaca, e netos.

“Gesto Flamenco”, uma visão teórica e poética sobre a dança espanhola

 

 

A artista, pesquisadora e docente gaúcha Daniele Zill lança, pela Edições FUNARTE (Fundação Nacional das Artes), Gesto Flamenco (144 páginas, 21 cm, ISBN 978-65-5845-000-9, ilustrado), livro inédito sobre o estudo do gesto na especificidade da linguagem flamenca. Mestra em Artes Cênicas pela UFRGS, desde 2013 se dedica à difusão e à pesquisa dessa linguagem artística.

Desenvolvido a partir da experiência e da pesquisa da autora, o livro cria um espaço de registro sobre a história dos 20 anos de atividades do coletivo Del Puerto (Porto Alegre/RS) e abre um novo território para a pesquisa sobre flamenco no Brasil – tanto no universo acadêmico, quanto literário. A publicação também propicia um lugar de reflexão crítica sobre a dança na contemporaneidade e sobre o campo das artes no Brasil.

Movida por compreender o flamenco como fenômeno cultural, situando esta linguagem artística na contemporaneidade, Daniele estabelece um recorte através da análise do espetáculo Las Cuatro Esquinas, um dos maiores projetos da história do coletivo Del Puerto desde sua fundação em 1999. Durante os três anos em que esteve em cartaz, a montagem foi premiada com oito troféus do Prêmio Açorianos de Dança 2012 e circulou nacionalmente através do edital Klauss Vianna em 2015.

Acervo Del Puerto. Foto: Clara Assenato /Divulgação

Além da análise descritiva das cenas, para investigar na especificidade o gesto e os discursos do corpo do grupo, foram utilizados outros registros do espetáculo (acervo de fotos, materiais de consagração, diários de ensaio e outras anotações), bem como depoimentos de integrantes da companhia.

Segundo a autora, “O gesto flamenco é um somatório, uma edificação, formada por modulações de tônus e ancestralidade (inventividade e tradição), treinamento corporal e atravessamentos afetivos (técnica e temperamento), especificidades artísticas e processos colaborativos (aparato técnico e processos criativos). São elementos ou estruturas que, apesar do aparente antagonismo, estão fortemente agregadas, formando o que nomeei de corporeidade flamenca, na qual o gesto flamenco está apoiado.”, analisa.

Acervo Del Puerto Foto: Cristina Rosa/ Divulgação

O lançamento acontece no dia 18 de dezembro, às 17 horas, em um bate-papo entre a autora, Fabiano Carneiro (Coordenador de Dança da Funarte) e João Maurício Moreira (Gerente da Edições Funarte) no canal da Funarte no Youtube (https://www.youtube.com/funarte).

Daniele Zill. Foto: Carlos Sillero./ Divulgação

Daniele Zillé é artista e pesquisadora, multi colaboradora do coletivo Del Puerto desde 1999, data de sua fundação pela bailarina Andrea Del Puerto. Desde 2013 a artista também se dedica à difusão e à pesquisa de linguagem flamenca no meio acadêmico. Soma-se ao flamenco  a sua formação em música e a graduação em fisioterapia, experiências que foram fundamentais para a realização da pesquisa intitulada ‘Corpo Del Puerto: investigação do gesto flamenco no espetáculo Las Cuatro Esquinas’. A pesquisa foi desenvolvida no Mestrado do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da UFRGS (IA/DAD), entre os anos de 2015 e 2017 e o manuscrito de caráter inédito, que recebeu a nota máxima e recomendações de publicação pela banca examinadora, agora publica o livro GESTO FLAMENCO.

Acervo Del Puerto. Foto: Cristina Rosa/ Divulgação

O Coletivo Del Puerto, fundado em 1999, desde então realiza um intenso e continuado trabalho de pesquisa técnica, expressiva e histórico-cultural que envolve a linguagem Flamenca. A companhia já circulou por todo o país com suas montagens, recebeu prêmios e indicações, entre eles troféus Açorianos de Dança em 2008, 2012, 2014 e 2016, o Prêmio Funarte Klauss Vianna 2013 (circulação de espetáculos), o Prêmio de Pesquisa em Artes Cênicas do Teatro de Arena em 2015 e o Prêmio FAC Pró-Cultura RS 2017 #juntospelacultura. Atualmente a Companhia está em circulação com o espetáculo para crianças, “Flamenco Imaginário”, ganhador em várias categorias dos prêmios Tibicuera de Teatro e Açorianos de Dançano ano de 2016.

Acervo Del Puerto Foto: Clara Assenato/ Divulgação

Lançamento:

Gesto Flamenco (Edições Funarte, 2020, 144 páginas, 21 cm, ISBN 978-65-5845-000-9, ilustrado)

Dia 18 de dezembro de 2020, às 17 horas

Canal da Funarte no Youtube

https://www.youtube.com/funarte

 

Encomendas para todo o Brasil Livraria Mário de Andrade (Funarte): livraria@funarte.gov.br

Preço: R$ 40,00

 

LINKS e REDES:

*Site www.gestoflamenco.com

*Instagram https://www.instagram.com/gestoflamenco/ 

*Facebook https://www.facebook.com/danielezillflamenco/

*Instagram @danielezill

*YouTube https://youtu.be/Ypv3LkfSYHQ

1935 – A volta do repórter policial Paulo Koetz

 

Geraldo Hasse*

A cada livro – a conta já passou de 15 –, o repórter-historiador Rafael
Guimaraens vai se aperfeiçoando como ficcionista escolado, mas sem se
afastar da trilha segura da pesquisa histórica em cima de episódios do
mundo policial. Em seu último livro, 1935 (Libretos, 336 páginas), lançado
na última feira do livro (virtual) de Porto Alegre, ele mescla reportagem
policial com invenção literária e, numa trama extremamente hábil, produz
uma estupenda novela de costumes em que se entrecruzam policiais,
jornalistas, políticos, prostitutas, gigolôs, advogados e contrabandistas.

A personagem central da história é Paulo Koetz, repórter policial-narrador
que se envolve em diversas ocorrências do ano em que o governo gaúcho
monta uma grande festa-exposição para comemorar o centenário da
revolução farroupilha (1835-1845). Enquanto cobre acontecimentos em
Porto Alegre, ele se envolve com uma bailarina “francesa” explorada por
uma organização mafiosa e frequenta escritórios de profissionais liberais
esquerdistas vigiados pelo governo de Flores da Cunha, o caudilho
provinciano que mira o lugar de Getúlio Vargas na Presidência da
República. É uma narrativa praticamente pronta para virar roteiro de
cinema.

Paulo Koetz é uma personagem ficcional baseada em fatos reais. Esse
nome consta dos bastidores da história d’A Dama da Lagoa, livro de
Rafael Guimaraens que explora o caso do assassinato de uma jovem de
Porto Alegre cujo corpo foi jogado na Lagoa dos Barros, em Santo Antonio
da Patrulha, no início da década de 1040. Em 1935, Koetz aparece como
ex-estudante de direito, tem 24 anos, trabalha como repórter do Correio
do Povo e sonha ser chamado pela Revista do Globo, onde seu primo, o
artista plástico Edgar Koetz (1914-1969), trabalha como ilustrador sob a
direção de Erico Verissimo nos primórdios da carreira literária.

Esses vínculos entre a realidade e a fantasia constituem um dos charmes
do livro, que explora com eficácia e lucidez fatos e vivências de uma
cidade em franca transformação. O repórter conhece o psiquiatra e
escritor Dyonelio Machado, preso como agitador comunista e visitado na cadeia por ninguém menos do que o cronista Rubem Braga, um dos
jornalistas brasileiros convidados para a inauguração da exposição no dia
20 de setembro de 1935. Koetz vai junto e contracena com os dois
escritores rebeldes.

A novela cresce à medida que o repórter-narrador mergulha nos
subterrâneos da vida político-policial portoalegrense. Vai de trem a
Taquara a fim de desvendar o crime do sapatinho vermelho – uma jovem
é degolada por um veterano da revolução de 1893. Embora seja um
aprendiz do ofício, troca informações com o patrão Breno Caldas, herdeiro
do Correio do Povo, sobre frequentadores do Jockey Clube suspeitos de
bandalheiras internacionais. Assiste ao Gre-Nal do Centenário, destacando
a figura de Lara, o goleiro que sai de campo para o hospital e, pouco
depois, morre tuberculoso.

Mais de uma vez tenta mas não consegue uma mesa no restaurante Gambrinus, sempre lotado, no Mercado Público. Esforça-se por ajudar o advogado Apparicio Cora de Almeida a desvendaro mistério do assassinato de Waldemar Ripoll, morto a machadadas em1934 por pregar um golpe contra o governador Flores da Cunha (Cora de
Almeida morre com um tiro atrás da orelha direita, tendo prevalecido a
versão policial de que ele cometeu suicídio involuntário).

A trama narrada na primeira pessoa tem o máximo rendimento quando o
repórter Koetz, operando como investigador autônomo, furta documentos
do escritório de um contrabandista judeu, abrindo caminho para que a
polícia capture uma quadrilha internacional especializada na extorsão de
“escravas brancas” européias, especialmente as “polaquinhas” obrigadas
a trabalhar como prostitutas.  Tudo isso é bastante verossimel numa cidade coalhada de alemães ou descendentes em que o maior empresário local, o industrial do vestuário A. J. Renner, usa um bigode semelhante ao de Adolf Hitler, líder do nazismo na Alemanha. Claro que o repórter só ganha tanta coragem para salvar a vida da sua querida namorada Juliette, aliás Agniezka, originária da Polônia. Com seu 1935, afinal de contas, Rafael Guimaraens avança como mestre num tipo de narrativa que mistura jornalismo, literatura e política, explorando habilmente fatos e costumes de uma época em que a provinciana Porto Alegre adquire ares de metrópole e entroniza Erico Verissimo como um dos maiores romancistas do Brasil.

Nascido em 1956 em Porto Alegre, filho do jornalista Carlos Guimaraens e
neto do poeta Eduardo idem, Rafael sempre trabalhou com a escrita.
Formado em jornalismo na PUCRS, começou como repórter e foi dirigente
da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (Coojornal), que existiu de
1974 a 1982. Desde a segunda metade dos anos 70, fez parte do núcleo de
jornalismo histórico da Coojornal, cujos integrantes selecionavam temas
passíveis de pesquisa para publicação em forma de reportagens mais
alentadas. De certa forma, Rafael se manteve nessa trilha histórica,
tornando-se um escritor especialista em reportagens aptas a virar livros
–essa mesma vertente tem sido explorada por outros ex-membros da
cooperativa atuantes em Porto Alegre: Elmar Bones (jornal Já), por
exemplo, explora histórias dos poderosos da política; já Jorge Polydoro
(revista Amanhã) focaliza os poderosos do mundo empresarial.

Em mais de uma dezena de livros, todos editados pela Libretos, fundada
em 1997 por Clo Barcellos, jornalista especializada em design editorial,
Rafael passou a limpo diversas histórias de Porto Alegre, entre elas a
famosa enchente de 1941. Um dos pontos altos de sua trajetória é O
Sargento, o Marechal e o Faquir (Libretos, 2016), que reconta a história da
prisão, tortura e morte do sargento Raimundo Soares, tristemente célebre
como protagonista-vítima do Caso das Mãos Amarradas, de 1966, nos
primeiros anos da ditadura militar.

Com experiência em assessoria de imprensa de políticos petistas – Olivio
Dutra e Flavio Koutzii –, Rafael nunca trabalhou fora de Porto Alegre,
embora tenha recebido propostas para trabalhar em grandes veículos no
Rio, em São Paulo e Brasília. Há dois anos aposentou-se, com o que passou
a dispor de mais tempo para pesquisar e escrever.
Embora tenha passado a fazer parte do primeiro time dos escritores
gaúchos, ele não tira o próprio sustento da venda dos seus livros —
importantes, porém, para a sustentabilidade da Editora Libretos, para a
qual trabalha exclusivamente desde 2006.

  • Jornalista, pesquisador e escritor.

Clube da MPB completa 10 anos com o show virtual ” O Samba e o Choro”

Um projeto cultural completar dez anos de existência em Porto Alegre é, sem dúvidas, motivo de comemoração. E se este projeto inclui valorização, memória, formação de plateia e inclusão de muitos artistas da nova e da velha cena musical da cidade, então é gol na certa! O Clube da MPB completa uma década no ano da pandemia, mas nem por isso os festejos serão menores. Contemplado na Lei Aldir Blanc por sua relevância, colocará no ar nas redes do projeto um show novinho em folha. ‘O Samba e o Choro’ estreia dia 15 de dezembro nas plataformas e traz muitas participações nesta 24ª edição do Clube.

O show presta homenagens ao samba e ao choro com a banda do Clube e convidados muito especiais. O repertório tem Dona Conceição, Chiquinha Gonzaga, Chico Buarque e Dominguinhos, Baden Powell, Vinícius de Moraes, Rodrigo Maranhão, Ernesto Nazareth, Francis e Olívia Hime, entre outros grandes nomes da MPB.

Clube da MPB. Foto Maíra Baumgarten/ Divulgação

Essa edição foi inteiramente gravada de forma virtual e é composta de vídeos com integrantes da Banda do Clube e as participações especiais de Alexandre dos Santos (violão de sete cordas), Gabriela Zanatta (cavaquinho), Maurício Oliveira (clarinete), Raíssa Anastásia (flauta), Guilherme Fejão (pandeiro) e Paulinho Cardoso (acordeon). Como convidados de Porto Alegre estão os compositores Dona Conceição (que cedeu a música Dabudé para o Clube gravar) e Thaís Nascimento. E o Clube traz a participação de um importante grupo da cidade, o Regional de Choro e Samba Cordas & Cordas, coordenado por Rosana Marques e Gabriela Zanatta, que apresentará um repertório de choros clássicos gravados de forma virtual. Participam nos vídeos do Regional Angela Galindo, Jô Remião, Maíra Baumgarten, Sabrina Fernandez, Marcio Garcia, Gustavo Burkhart, Gabriela Zanatta e Rosana Marques.

O vídeo completo será disponibilizado no canal do Youtube do Clube, assim como os vídeos de cada música gravados pela Banda do Clube (Alexandre Rodrigues, Maíra Baumgarten, Darllan Luz e Roberto Bisotto) e convidados.

Maíra Baumgarten. Foto: Biah Werther/ Divulgação

Um pouco de história

Criado em 2010, o Clube da MPB é um projeto de valorização, preservação da memória e popularização da música brasileira, apoiando a formação de público e de espaços de fruição da música feita no Brasil e no Rio Grande do Sul. A primeira edição foi lançada em janeiro de 2011, apresentando músicas de grandes nomes da MPB como Noel, Gilberto Gil, Tom Jobim, Maysa, Ataulfo Alves entre outros.  Ao longo desses dez anos foram produzidas 23 edições homenageando os grandes compositores brasileiros e uma edição especial, já neste ano e de forma virtual, em memória a Aldir Blanc.

A proposta do Clube é preservar a raiz de cada composição, mantendo a essência de suas concepções originais, mas emprestando a elas novos matizes sonoros. Com esse intuito em 2014, o Clube revisitou a obra do grande Dorival Caymmi em um primeiro ensaio de um novo projeto: Memória da MPB (2016). Nessa incursão à memória da música brasileira, trouxe shows abordando a obra de Noel Rosa e Cartola, aos 80 anos do samba canção (2018), ao jazz e a bossa (2018) no encontro do Clube da MPB e o tradicional Clube de Jazz (Take Five). Ainda em 2018 celebrou a Jovem Guarda. Em 2019 homenageou Gilberto Gil, Paulo Cesar Pinheiro e Elton Medeiros, exemplos de manutenção e preservação da memória de nossa música, trazendo marcantes e significativas composições dos autores que são parte do nosso patrimônio cultural.

Clube da MPB – O Samba e o Choro

Edição comemorativa dos 10 anos

Dia 15 de dezembro, às 18h em sala de vídeo na página do Clube da MPB no Facebook

E nas outras redes do Clube da MPB

Facebook – https://www.facebook.com/Clubedampbpoa

YouTube – https://www.youtube.com/channel/UCqU45gfPFNpyqG0Oypme9Lg

Sonetos completos de Shakespeare ou “como conhecermos a nós mesmos”

 

A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o 20º e último volume  volume.

A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 20

SONETOS COMPLETOS

p/William Shakespeare

Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

Porto Alegre, Editora Movimento, 2019, 328p.

Editado com o apoio de DUPONT SPILLER advogados.

Na segunda edição dos Sonetos, em 1640, vinte e quatro anos após a morte de Shakespeare, o editor publica um poema que assim termina: Tua fama viverá para sempre e o mundo todo haverá de confirmar que poeta como tu tempo futuro nenhum haverá de criar. Ler os sonetos de Shakespeare é chegar mais perto de conhecermos a nós mesmos, pois são cento e cinquenta e quatro radiografias de nossa alma, reveladas trezentos anos antes de Freud.

Soneto 71:

Quando eu morrer, só faças luto por mim,

enquanto ouvires o triste dobre fúnebre do sino,

avisando ao mundo que eu parti deste vil mundo,

para morar com os mais horrendos vermes.

Mais ainda: se leres estas linhas, não procures te lembrar da mão que as escreveu, pois eu te amo tanto,

que gostaria de ser esquecido em teus doces pensamentos,

se pensar em mim te causasse sofrimento.

Sim, repito, se passares os olhos nestes versos,

quando eu, talvez, já esteja misturado com a terra,

nem mesmo tentes pronunciar meu pobre nome,

mas que teu amor e minha vida se consumam juntos,

para que as pessoas curiosas, ao saber a causa de teus gemidos,

não zombem de ti, ao saber que um do outro éramos queridos.

Zoravia Bettiol celebra, em dezembro, 85 anos de idade e 65 anos dedicados à arte visual

 

A artista visual Zoravia Bettiol completa 85 anos em dezembro, dos quais  65 anos dedicados, initerruptamente, às artes visuais. Ela comemora essas datas realizando, de forma virtual, a mostra de pinturas “Ícones.”

São quinze obras nas quais homenageia personalidades relacionadas às artes, como Mercedes Sosa, Tamara Toumanova, Mario Quintana e às ciências, como a Condessa de Lovelace.

Também representa figuras míticas como Iemanjá, O Boto, Penélope, Ulysses, Medusa, Ícaro. “Quanto às figuras ficcionais, me inspirei em Alice de Lewis Carroll, A Bela Adormecida, Pinóquio e o personagem circense Mágico.  As personagens da comédia Del Arte, Colombina, Pierrô e Arlequim, também integram esse conjunto”, explica.

“Na concepção dessa série, realizei as pinturas em acrílico sobre madeira, sendo alguns suportes em formato retangular e outros trapezoidais. Na parte superior, represento o busto de cada personagem e, abaixo, em suspenção e dinâmica, alguns elementos relacionados à vida ou a obra de cada um deles”, afirma.

Além da exposição, a galeria também conta com obras da artista de diferentes técnicas e séries. A galeria também disponibiliza os catálogos virtualmente para os interessados em conhecer ou adquirir as obras.

SERVIÇO:

Título: Mostra Ícones

Artista: Zoravia Bettiol

Data: de 10 de dezembro de 2020 a janeiro de 2021.

Local: Galeria Zoravia Bettiol, Rua Paradiso Biacchi, 109 (Ipanema) – Porto Alegre, RS

Horário de visitação: das 10h às 18h (de segunda à sexta-feira).

Contato:

(51) 3354-2456

(51) 99351-8143

galeria@zoraviabettiol.com.br

 

Obras doadas por artistas gaúchos garantem alimentos e Natal a famílias carentes da Vila Jardim

Durante todo o segundo semestre do ano, sensibilizados com as dificuldades adicionais provocadas pela pandemia do novo coronavírus, artistas visuais de Porto Alegre doaram trabalhos de sua autoria para reverter em alimentos à comunidade carente da Vila Jardim (zona leste da capital). A líder comunitária Marcia Curcio encarregou-se de realizar sorteios das obras de arte, cuja arrecadação destinou-se à compra de cestas básicas para 450 famílias do local, além de, para o Natal, presentes para 850 crianças.

Sury Peralles foi sorteada com obra de Erico Santos. .

A cada sorteio realizado entre julho e dezembro, a rotina da vila, perto do Beco Pio XII, onde se situa a casa de Marcia, transformou-se com a chegada do caminhão carregado de cestas básicas. Organizados em fila na rua, respeitando o distanciamento físico e usando máscaras, os moradores, principalmente mães e filhos, receberam os mantimentos em um clima de alegria e confraternização.

Líder comunitária da Vila Jardim, Marcia Curcio. Foto: Graça Craidy/ Divulgação

Nos sorteios, transmitidos pela internet, em meio à distribuição das sacolas com produtos alimentícios – foram 1.552, no total -, Marcia quase sempre requisitou a ajuda de uma criança para remexer os papeizinhos com os números, atribuindo aos pequenos uma posição de responsabilidade e importância. Uma mão pequenina, sentindo-se incluída no contexto da ação social, mergulhava no saco plástico e trazia à tona a numeração do ganhador.

Com voz de líder, o nome do felizardo era anunciado por Marcia. Abertos ao público em geral, os sorteios atraíram em especial a atenção de apreciadores das artes plásticas e pessoas conectadas com as redes sociais dos artistas.

Nomes reconhecidos

A relação de artistas envolvidos na ação social tem nomes reconhecidos nas artes plásticas gaúchas: Clara Pechansky, Britto Velho, Beatriz Balen Susin, Erico Santos, Roseli Jahn, Velcy Soutier, Ana Lovatto, Arlete Santarosa, Kika Herrmann, Rosali Plentz, Graça Craidy, Angela Zaffari, Nara Fogaça, Celma Paese, Gilmar Fraga e Geraldo Markes. Esse último grafitou o muro do Beco Pio XII, incluindo o da casa de Marcia, com desenhos coloridos e o nome Vila Jardim. A obra já virou point dos moradores para selfies.

Muro grafitado pelo artista Geraldo Markes.

A ação social teve início numa conversa entre Roseli Jahn, a primeira artista a doar obra, e a líder comunitária, que é secretária em um consultório médico. Posteriormente, Roseli contatou a colega Graça Craidy, que aderiu à causa e não só doou um quadro de sua autoria como se incumbiu de convidar outros nove artistas a participar, e passou a ajudar Marcia a divulgar as rifas para atrair compradores, muitos deles cativos da promoção.

“A arte veio para matar a fome”

“A pandemia deixou várias comunidades carentes em estado de vulnerabilidade, pois muitos perderam seus empregos, bicos, faxinas. A fome chegou rapidamente, recebíamos muitos pedidos de alimentos. As doações foram diminuindo pelo fato de que muitos que nos ajudavam também tiveram que conter gastos. Nessa hora de preocupação apareceram os artistas, que se transformaram na nossa maior fonte de arrecadação. A arte veio para matar a fome da nossa comunidade”, relata a líder comunitária.

A moradora Ketlen de Oliveira Marques, 24 anos, mãe de três filhos, manifesta gratidão por ter recebido as cestas básicas, “quando os armários estavam vazios”. Ela conta que perdeu o emprego em meio à pandemia e o marido, Welinton, adoeceu. Andrea da Silva Oliveira, outra moradora, também diz que os alimentos recebidos foram muito importante para a subsistência de sua família. Conforme as duas, as crianças estão ansiosas esperando os presentes do Papai Noel.

Menina ajuda a líder comunitária a fazer sorteio.

A alegria não se restringe apenas aos moradores beneficiados com alimentos, mas se estende aos felizardos ganhadores das obras de arte, como, por exemplo, o arquiteto e urbanista Newton Burmeister, que, comprando mais de um número em diferentes sorteios, levou para casa uma xilogravura de Arlete Santarosa e uma pintura de Celma Paese, e a professora de pintura Sury Peralles, contemplada com uma serigrafia de Erico Santos.

Grande Rifa de Natal

No dia 19 de dezembro, para fechar as rifas do ano, serão sorteados quatro trabalhos, de Clara Pechansky, Ana Lovatto, Angela Zaffari e Nara Fogaça. Cada número, a R$ 20,00, pode concorrer até quatro vezes. Para participar, o depósito no valor do total de números adquiridos deve ser feito usando o pix com o CPF 388975980 72, em nome de Marcia Regina Garcia Curcio. Dados bancários: Banrisul (041), agência 0027, conta corrente 3901469105. Comprovante do pagamento e escolha dos números pelo whatsapp 9109 6918, com Cintia Almeida.

Outras ações em favor das famílias carentes da comunidade, como doações de brinquedos, são recebidas pela União Vila Jardim, movimento liderado por Marcia Curcio.

Artistas opinam sobre a ação:

 Beatriz Balen Susin: “A arte é um olhar sensível sobre a vida e acredito no gesto de doar uma obra como parte desta mesma vida.”

 Erico Santos: “Ajudar com meu trabalho a suprir as carências de tanta gente é sentir a verdadeira valorização da própria arte.”

 Clara Pechansky: “Como artista, eu me gratifico ao saber que minha obra pode transformar vidas. Mesmo que seja através de um pequeno gesto meu, uma ação solidária de empatia que custa pouco para quem compra uma rifa pode gerar importantes mudanças em quem tem muito pouco.”

 Roseli Jahn: “Me enche de alegria realizar que o meu desenho se converteu em muitas cestas básicas. Entendi a dimensão dessa linda troca.”

 Kika Herrmann: “A arte e o amor moram no outro. É uma honra poder participar e ajudar um pouquinho.”

 Rosali Plentz: “Com a arte sensibilizamos o outro a olhar. Ajudar este lindo projeto despertou nosso olhar e empatia para esta comunidade.”

 Geraldo Markes: “Quando as crianças passam pelo beco e contemplam as intervenções e revelam aquele brilho no olhar, não tem preço.”

 Graça Craidy: “A arte é tão grande, tão maravilhosa, que pode alimentar, além da alma, o corpo.”

 Arlete Santarosa: “A essência do homem se revela com a arte. O fato de doar uma obra que servirá para alimentar pessoas é infinitamente compensador.”

 Britto Velho: “Abstraindo a função social que a arte pode ter, uma forma objetiva é o artista doar para a vila algo de si. Contem comigo no ano que vem.”

Ana Lovatto: “Aquarelar, desenhar, pintar, não vivo sem. Minha alegria é também poder proporcionar aos alunos, através da arte, a descoberta pessoal de expressão e realização de vida. É uma honra, através da minha arte, doar felicidade à belíssima causa da vila.”

Gilmar Fraga: “Foi um prazer participar dessa corrente junto a tantos artistas amigos que admiro, e ainda propiciar um Natal melhor para os pequenos da Vila Jardim. Que beleza ver e ser agente na prática do binômio arte e solidariedade.”

 Celma Paese: “A arte une e alimenta o amor coletivo.”

 Velcy Soutier: “Contribuir para alimentar o corpo e o espírito das pessoas gratificou o meu trabalho.”

Nara Fogaça: “Feliz por estar junto nesse projeto que pode transformar vidas, levando alegria e autoestima a crianças excluídas.”.

Angela Zaffari: “Essa é uma bela iniciativa, pode contar comigo.”

 

Créditos das imagens:

Arte painel com artistas e obras: Graça Craidy/Divulgação

Fotos: Marcia Curcio/Divulgação

CONTATOS

Líder comunitária Marcia Curcio:  9 8127 0166

Artista Graça Craidy: 9 9996 3035

“Grão”, livro de Guto Alminhana Monteiro e Iara Tonidandel, junta literatura e fotografia

 

Guto Alminhana Monteiro e Iara Tonidandel são reconhecidos na arte da fotografia, mas também dão seus passos no universo das letras. Com coordenação do escritor, publicitário e músico Rubem Penz, resolveram unir as duas paixões. O resultado é o projeto “Grão – imagens, palavras, eternidade”, uma iniciativa que se transformará em livro a partir do financiamento coletivo disponível em: https://bit.ly/3lYhqv1.

Iara Tonidandel. Foto: Juliana Baratojo/ Divulgação

Estará presente no livro uma homenagem ao fotógrafo Beto Scliar, filho do escritor Moacyr Scliar, que faleceu em março de 2020.  Uma imagem que ele fez do pai em Cuba inspirou a produção de duas crônicas, uma escrita por Monteiro a e a outra por Iara. A imagem escolhida representa a fusão da fotografia e da literatura, que motivou os autores a produzirem a obra.

Guto Alminhana Monteiro. Arquivo pessoal/ Divulgação

Foram convidados ainda os fotógrafos Anibal Elias Carneiro e Carlos Eduardo Vaz e os poetas Clarissa Ferreira e André Bolivar. Todos foram instigados a escrever a partir da intensidade eloquente de instantâneos pré-selecionados e, assim, perseguir o olhar de cada um diante da lente dos autores e dos fotógrafos convidados.

Foto de Iara Tonidandel. /Divulgação

Quem tiver interesse, pode apoiar o projeto até o dia 4 de janeiro, com contribuições que vão de R$ 40 a R$ 145. Entre as recompensas, dependendo do valor, os participantes poderão escolher fotos exclusivas que farão parte da obra e o próprio livro, com lançamento previsto para março.

Bailarinas/ Foto Guto Monteiro/ Divulgação