Autor: da Redação

  • Introdução a Metodologia de Dança Afro-Gaúcha, com Iara Deodoro

    Introdução a Metodologia de Dança Afro-Gaúcha, com Iara Deodoro

    Iara Deodoro é uma referência no Sul do Brasil quando se fala em dança afro-gaúcha. Fundadora do Grupo Afro-Sul de Música e Dança, criado em 1974, é a mulher à frente do Afro-Sul Odomode, um renomado espaço que acolhe e difunde a arte dos tambores, o maracatu, as manifestações populares e boa parte da cultura Porto-alegrense, que converge para lá em rodas de samba, shows musicais, apresentações e oficinas de música e dança. Ela é a responsável pelo Curso de introdução a Metodologia da Dança Afro-Gaúcha

     

    Segundo o material de divulgação, o curso pretende difundir o trabalho que essa grande artista presta a sociedade com muita dedicação, inclusive com importantes premiações. O conteúdo integra conhecimentos sobre fatos e personalidades históricas da cultura afro-brasileira e vai além da metodologia de dança desenvolvida por Mestra Iara Deodoro há cerca de 50 anos. As aulas teóricas e práticas serão ministradas de forma remota, por meio das plataformas digitais, e o objetivo é instrumentalizar praticantes, bailarinos e professores negros e não negros sobre saberes e traços culturais do povo afro-gaúcho, conforme proposta de ensino de história e cultura prevista na Lei 10.639 de 2003, fortalecendo a identidade negra através da ampliação do conhecimento e da técnica, valorizando, assim, a pluralidade histórica e cultural do Estado do Rio Grande do Sul.

    Irene Santos, importante fotógrafa gaúcha autora de ‘Quilombos e quilombolas’, um livro dedicado à memória fotográfica das colônias africanas de Porto Alegre afirma que ‘engana-se quem pensa que o sul [do Brasil] é branco, que nós negros teríamos sido assimilados a ponto de esquecermos nossas valorosas civilizações, dos sons dos atabaques do Batuque, da Umbanda, não perceptíveis a qualquer ouvido que guardam as raízes africanas e fazem desabrochar, a cada toque, nossa alma afro-gaúcha e afro-brasileira’. Essa tentativa sistêmica de apagamento do conhecimento do povo negro tem o intuito de torná-lo invisível, de tirar dele a perspectiva de ser intelectual e construtor de conhecimentos.

    O projeto de Iara vem ao encontro dessa valorização da cultura herdada desse povo e se propõe a buscar nas memórias toda a riqueza transmitida de pai para filho. Reconhecer a intelectualidade do povo negro gaúcho a partir de um embasamento teórico sobre temas, fatos e personalidades históricas, mas também pela emoção, pelo corpo, pelo gesto. Assim, utilizando a metodologia de dança de Iara, instigar os participantes a uma reflexão sobre ancestralidade, história e cultura negra gaúcha e movimentos populares que envolvem não apenas a trajetória da Mestra, mas a própria caminhada do povo negro do Rio Grande do Sul.

     

    Introdução a Metodologia da Dança Afro-Gaúcha será composto por aulas gratuitas, além de disponibilizar material didático complementar de forma virtual. As cidades escolhidas para as atividades têm uma marca histórica forte de comunidades negras, onde será possível movimentar e fomentar a cultura local. Serão ministradas por bailarinas negras que acompanham e estudam a técnica Deodoro há cerca de 20 anos, além da própria Mestra Iara. São educadoras com formação acadêmica em educação física, fisioterapia, dança, assistência social e publicidade. O curso está organizado em módulos teóricos e práticos, com carga-horária total de 14 horas.

    Este projeto está sendo realizado com o financiamento da Lei Aldir Blanc, Secretaria de Estado da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal.

    Sobre o curso/inscrições

    Serão realizadas cinco edições transmitidas a diferentes cidades do RS: Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria e Nova Prata. As aulas utilizarão a plataforma Zoom e as inscrições estão abertas até dia 11 de março. As primeiras aulas se iniciam dia 13 e 14 de março e serão transmitidas a dez cidades gaúchas simultaneamente: Viamão, São Leopoldo, Caxias do Sul, Osório, Cachoeira do Sul, Erechim, Bagé, Venâncio Aires, Santana do Livramento e Uruguaiana. Dias 20 e 21 de março estarão em Pelotas, 27 e 28 de março em Santa Maria, 10 e 11 de abril em Nova Prata e, para encerrar, o curso será transmitido aos moradores da capital nos dias 17 e 18 de abril.

     

    Os dois primeiros módulos são teóricos e abordam a Construção Social e Teoria da Dança e a História da Dança e à Metodologia da dança Iara Deodoro. O módulo prático também contará com acompanhamento de música ao vivo, o que auxilia o entendimento rítmico musical e proporciona aos participantes conectarem-se com a ancestralidade. Didaticamente as aulas práticas serão divididas a partir das principais bases técnicas do método Iara Deodoro, sendo três ritmos diferentes para percepção da diferença de movimentação em acelerações rítmicas. São elas: Contração; Dança de memória ancestral – Suave e Forte; Dança Afro Gaúcha – Contratempo; Yabás – Conexão de energias; Relação da música com o corpo.

    Responsável pelas diretrizes do projeto, Iara Deodoro fará o momento griot, auxiliando na reprodução da linha do tempo que deu origem a metodologia. Camila Camargo será responsável pelo conteúdo teórico do curso, apresentando fatos históricos e conceitos que gerem reflexões sobre a intelectualidade do povo negro gaúcho. Natália Dornelles traçará um panorama sobre as danças negras no Brasil, trazendo personalidades que marcaram a história da dança afro-brasileira e que formaram uma identidade sobre os estudos das corporalidades negras. Taila Santos e Edjana Deodoro são responsáveis pela parte prática das oficinas, demonstrando e auxiliando os alunos na execução dos passos e aplicação da parte teórica do curso, respeitando as valências físicas dos praticantes de forma a proporcionar um exercício eficiente, agradável e muito divertido. Leciane Ferreira discorrerá sobre temas referentes a tradição, cultura, popular, ancestralidade e diversificação de saberes. Paulo Romeu acompanhará as aulas de dança práticas, dando ritmo para a execução dos movimentos que serão ministrados pelas professoras.

    Todo o material didático utilizado no curso será disponibilizado aos alunos, através da ferramenta Google Drive e/ou e-mail, conforme necessidades e conveniência. Para obter o certificado, o aluno deverá ter no mínimo 75% de participação nas aulas. A divulgação do curso será feita através das redes sociais do Grupo Afro-sul Odomodê (Instagram, Facebook e Whatsapp).

    Sobre os professores

    Iara Deodoro, fundadora do Grupo Afro-Sul de Música e Dança (1974), formou-se na Escola de Danças Folclóricas da Professora Nilva Pinto, em Porto Alegre, no período de 1968 à 1978. Graduada em Serviço Social, focada em famílias negras monoparentais, Iara tem pós-graduação em Educação Popular e Gestão em Movimentos Sociais. É Coordenadora pedagógica do grupo de Escolas Preparatórias de Dança (EPD’s) e está à frente do ponto de cultura Afro-Sul Odomode.

    Camila Camargo é bailarina com formação em balé clássico pela escola Elisabeth Santos e em dança afro pelo Grupo Afro-Sul. Integra diferentes grupos de dança como Ògúndábède Dança Yorubá e Mate Masie, e é parte do Grupo Afro-Sul de Música e Dança há 15 anos, com o qual participou de inúmeros espetáculos, entre eles, Reminiscências, Memórias do Nosso Carnaval (2019), Feminino Sagrado: um Olhar Descendente da Mitologia Africana (2014/2016), Três Marias: Mari Mariô (2016), em que atuou como bailarina e também produtora. Publicitária pela ESPM-Sul, especialista em Design Estratégico, foi colunista de dança no portal Todos Negros do Mundo, produtora de eventos na Revista Donna do Grupo RBS e hoje atua como consultora e palestrante de diversidade na Think Eva e Think Olga.

    Natália Dornelles é graduada do curso de licenciatura em dança da Universidade Federal do Rio Grande Sul. Atua como Educadora Social na Fundação de Educação e Cultura do S.C / FECI e no Centro de Referência e Assistência Social (CRAS/Glória). Integra os projetos de extensão Coletivo Corpo Negra e Brincantes do Paralelo 30, ambos desenvolvidos na UFRGS, é bailarina do grupo de Música e Dança Afro-Sul e professora do projeto Nossa Identidade. Natália é ainda pesquisadora das corporalidades negras na área da dança e das práticas e ações educacionais pautada nas questões étnico-raciais.

    Taila Santos de Souza é bailarina e coreógrafa do Grupo Afro-Sul de Música e Dança desde 1994 até os dias atuais. É graduada em Educação Física pelo Centro Universitário Metodista IPA (2011) e pós-graduada em Ética e Educação em Direitos Humanos Universidade Federal do Rio Grande do Sul- UFRGS (2013).

    Edjana Deodoro é bailarina do Grupo Afro-Sul de Música e Dança desde 1990 e desde 2001, é também coreógrafa. Atua como professora de dança-afro com técnicas voltadas para os públicos adulto e infantil. Formada em Fisioterapia pelo Centro Universitário Metodista IPA (2011). É instrutora de Pilates habilitada pelo Instituto Voll Pilates (2012).

    Leciane Rodrigues é bailarina do Grupo Afro-Sul de Música e Dança desde 2007 até os dias atuais. Facilitadora de Círculos de Construção de Paz e Justiça. Graduada Bacharel em Serviço Social pela Universidade Luterana do Brasil- ULBRA (2012). É Pós-Graduada em Ética e Educação em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul- UFRGS (2014).

    SERVIÇO:

    Curso de Introdução a Metodologia de Dança Afro Gaúcha : Iara Deodoro

    Inscrições entre 15 de fevereiro e 11 de março/ nos formulários abaixo conforme sua região:

    10 cidades – http://tiny.cc/cidades

    Pelotas – http://tiny.cc/pelotas

    Santa Maria – http://tiny.cc/stamaria

    Nova Prata – http://tiny.cc/prata

    Porto Alegre – http://tiny.cc/midpoa

    Edições do curso:

    13 e 14 de março em 10 cidades simultaneamente: Viamão, São Leopoldo, Caxias do Sul, Osório, Cachoeira do Sul, Erechim, Bagé, Venâncio Aires, Santana do Livramento e Uruguaiana

    20 e 21 de março em Pelotas

    27 e 28 de março em Santa Maria

    10 e 11 de abril em Nova Prata

    17 e 18 de abril em Porto Alegre

    Financiamento:

    Secretaria de Estado da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal # LEI ALDIR BLANC – edital 09/2020 da SEDAC RS para ser realizado com recursos da Lei n. 14.017/2020

    Redes sociais:

    Facebook:  @afrosul.odomode

    Instagram: @afrosul.odomodeoficial

  • Alfredo Aquino e sua narrativa pungente de sobrevivente da Covid 19

    Alfredo Aquino e sua narrativa pungente de sobrevivente da Covid 19

    Geraldo Hasse

    “O livro NÃO ABRIR OS OLHOS (Edições ARdoTEmpo, 2020) é um relato sofrido do artista plástico Alfredo Aquino sobre sua experiência como vítima do coronavirus, supostamente contraído durante um evento social a que compareceram diversas pessoas numa noite de agosto passado em Porto Alegre.

    Mesmo tendo se resguardado perto da lareira, o pintor demorou a ir embora e ficou exposto a contatos fortuitos. Deu mole, enfim… Os sintomas apareceram depois de alguns dias. Feitos os testes, ele precisou ser internado num hospital de Porto Alegre, do qual saiu, dias depois, grato à equipe médica e revoltado com o desmazelo das autoridades em geral diante da doença mais mortal desde o surgimento da Aids.

    Com 90 páginas, o livro tem passagens impactantes, a começar pelo  acompanhamento da evolução do estado do seu companheiro de quarto no hospital. No primeiro dia, os dois possuíam idênticos sinais vitais, mas logo o outro mergulhou num estado de inconsciência do qual não saiu mais. Nos dias seguintes, sua piora exigiu novos cuidados e avaliações frequentes da equipe médica. A seguir, foi levado para a UTI e, por fim, lá pelo quarto ou quinto dia, veio a informação de que ele havia morrido, mesmo tendo sido socorrido pelo respirador mecânico.

    Após ver seu espelho partir, o artista ficou solito em seu quarto, sem receber visitas senão de integrantes da equipe do hospital. Decidiu manter-se quieto o máximo do tempo para não perder energia com distrações deletérias. Vem daí o título do livro: trata-se de uma referência a seu próprio estado físico – de olhos fechados – mas serve também como metáfora sobre o comportamento das autoridades políticas diante da gravidade da situação.

    Tremendo risco

    Sem abrir os olhos mas com a sensibilidade exacerbada pela luta para sobreviver, Aquino entra no melhor do seu relato. Aprofunda-se em algumas reflexões sobre o tremendo risco de morrer sozinho num quarto de hospital. Conclui que a Morte joga cara x coroa com a vida das pessoas, levando uns embora imediatamente e deixando outros para mais tarde. O momento é oportuno para um balanço de vida: segundo Aquino, cada um vai fazendo escolhas que representam “bifurcações”, algumas benfazejas, outras nefastas. Numa divagação próxima do delírio, recorda amigos escritores que a seu ver mereceriam ter ganho o Nobel de Literatura, entre eles o gaúcho Aldyr Garcia Schlee, o poeta maranhense Ferreira Gullar e o paulista Ignacio de Loyola Brandão, seu amigo dos tempos de São Paulo.

    O registro é impactante pelo ineditismo e, também, pela descoberta de que, mesmo isolado, um doente pode ser alcançado pela solidariedade de um amigo médico distante que lhe pede informações e dá orientações por vias digitais. Quem o conhece sabe que a mão amistosa é de um psiquiatra de Pelotas.

    Narrativa tão pungente pode ser útil às pessoas em geral e, particularmente, para jovens estudantes que desdenham da virulência do coronavirus. É notório que Aquino fez um esforço insano para vencer o vírus na solidão do isolamento e ao mesmo tempo sair do hospital com o rascunho de uma memória sobre a própria internação. Depois, enquanto se recuperava das sequelas da doença – exaustão e vertigens, entre outros sintomas –, ele praticou por semanas um dos atos mais solitários da vida humana: escrever. Coisa que conhecia indiretamente por força de seu ofício como editor.

    Quem é

    Nascido em 1953 em Porto Alegre, Aquino é formado em arquitetura mas passou boa parte da vida profissional em São Paulo, onde sobreviveu como publicitário e capista de livros da Editora Brasiliense e do Circulo do Livro. Explorando sua habilidade para pintar, em 1978 fez uma pioneira exposição crítica à ditadura militar no Museu de Arte de São Paulo. A partir daí, passou a vender quadros no eixo Rio-São Paulo e abriu um surpreendente nicho de mercado na França, onde expõe com frequência.

    De volta ao Rio Grande do Sul no início do século XX, estreou como editor independente ao criar a ArdoTempo com o objetivo de lançar em 2010 Os Limites do Impossível – Contos Gardelianos de Aldyr Garcia Schlee, livro que vendeu 400 exemplares na noite de lançamento em Pelotas e abriu caminho para a luxuosa edição em capa dura de Don Frutos (550 páginas, 2011), romance biográfico sobre Fructuoso Rivera, o caudilho colorado do Uruguai.

    Animado com o sucesso de crítica e público, Aquino relançou uma dezena de livros de contos de Schlee, que faleceu em 15/11/2018 aos 84 anos. Depois, a Ardotempo publicou livros de outros autores como a poeta Maria Carpi, a escritora Mariana Ianelli, o poeta Pedro Gonzaga, o médico-cronista Paulo Rosa e o jornalista/cronjista/romancista Ignacio de Loyola Brandão.

    Marcas profundas

    Mesmo sem estourar nas bancas com seus lançamentos, Aquino vinha otimista quando a pandemia lhe roubou a esperança em dias melhores, deixando marcas profundas no corpo e na alma.

    Mais enquadrável como novela do que como romance, seu livro é uma narrativa instrutiva sobre os efeitos do vírus mais devastador do século XXI.

    Se a ciência, a educação e o ensino não estivessem passando por um momento tão constrangedor no Brasil, “Não Abrir os Olhos” seria candidato certo à leitura em escolas para uma tomada de consciência sobre os estragos provocados pelo vírus e o estigma deixado por moléstia tão maligna quanto a tuberculose, o câncer e a Aids.

    Dadas as restrições às atividades comerciais, o livro está sendo vendido pelo site da Ardotempo. A R$ 40 por exemplar, a receita obtida será doada a um hospital de atendimento ao Covid. Aquino não apostou numa grande tiragem, até porque é mais artista do que empresário. Como costuma fazer ao editar livros de autores de sua estima pessoal, ele custeia as despesas gráficas com o que consegue amealhar vendendo quadros – bem cotados no Brasil, melhor avaliados na França. Não acredita que o livro seja um sucesso de vendas a ponto de merecer uma segunda edição, mas arremata: “Se este livro evitar algumas contaminações e uma morte por Covid, terá valido a pena tê-lo escrito, editado, publicado e distribuído”.

  • Livro desvenda inserção dos evangélicos na política brasileira

    Livro desvenda inserção dos evangélicos na política brasileira

    José Antônio Severo

    “Povo de Deus”, mantra católico usado, no passado, pelo bispo Dom Hélder Câmara para denominar os pobres e oprimidos, foi o título escolhido pelo antropólogo Juliano Spyer para seu livro sobre a massa de desvalidos que atualmente se reúnem em torno de pastores evangélicos.

    É uma obra de referência que chega ao mercado com o carimbo de tese de doutorado aprovada pela University College London (UCL). Quem são e onde estão os crentes, essa massa que hoje constitui uma das mais disciplinadas e consistentes forças eleitorais do País?

    Este é um estudo sobre o tema.

    É importante anotar que “Povo de Deus” deriva do projeto acadêmico que rendeu, ao autor, dois livros: um deles de grande aceitação nos meios profissionais da comunicação, intitulado “Mídias Sociais no Brasil Emergente”, sobre as consequências do uso da internet pelas camadas populares.

    O segundo é esta obra sobre os evangélicos, que está chamando atenção entre cientistas políticos, militantes partidários e profissionais do ramo, tanto que já, mesmo recém lançado, é referência bibliográfica em discursos, conferências e artigos.

    A população evangélica é um tema quentíssimo na área, pois traz à tona a conformação de uma parcela significativa da nova direita, no aspecto eleitoral.

    A presença de religiões protestantes no Brasil é tão antiga quando o próprio descobrimento do país pelos europeus.

    A primeira guerra de fato, envolvendo os recém-chegados europeus, deu-se entre católicos e calvinistas franceses, no atual Rio de Janeiro, em 1555. Outro embate com forte motivação religiosa que a historiografia narra como conflito internacional foi a chamada invasão holandesa, entre 1624, na região leste, a travada na Bahia, depois nos estados nordestinos, em 1630, com epicentro em Pernambuco.

    Sem falar da chamada revolta dos malês, na Bahia, em 1835, entre muçulmanos e católicos.

    Ou seja: o atual estranhamento da intelectualidade brasileira com a participação de pastores e crentes na disputa pelo poder político não é nada de novo, vem dos momentos fundadores e continua assim.

    A diferença é que os padres, desta vez, aparecem perdendo a guerra para os pastores, que estão ganhando almas como nunca antes da História deste País. E não há como botá-los de volta na obscuridade.

    É uma obra indispensável, tamanha a riqueza de informações e detalhes sobre esse público submerso, que só aparece nas mídias como se fosse uma aberração sociológica.

    É assim que as chamadas elites os veem, embora já estejam se tornando maioria física no País, devendo em uma década ultrapassar em números os papistas brasileiros, que se orgulhavam de ostentar o título de maior população católica do mundo.

    O leitor não espere encontrar a aridez da literatura acadêmica. Embora mantenha o rigor científico, o autor não tem como evitar o depoimento pessoal, na primeira pessoa, para respaldar suas observações e conclusões.

    Para fazer esse trabalho ele teve de ir viver um ano e meio na periferia da periferia de Salvador, na Bahia. Seu testemunho é um conteúdo essencial.

    Spyer chegou à comunidade (que ele não revela qual seja) para estudar os efeitos das mídias sociais, especialmente da internet, naquele mundo de excluídos. Não precisou muito para sentir-se ameaçado.

    Aquela figura branca e urbana, fazendo perguntas, não convencia a ninguém do crime: era evidente que se tratava de um espião. O tratamento para policiais disfarçados é a pena de morte.

    Ele encontrou acolhida entre os protestantes pentecostais, que validaram sua presença e assim ganhou livre trânsito e pode ficar naquela favela por mais de um ano.

    Ao final, percebeu que sua cobertura era mais do que uma garantia, mas, na verdade, um projeto maravilhoso que poderia levar em paralelo. Foi o que fez gerando este “Povo de Deus”.

    Essa aventura do autor, arriscando-se num ambiente de alta periculosidade, por si só já é um feito espetacular. Penetrar nas profundezas da periferia é algo raro, poucas vezes encontrado em nossa literatura jornalística (poucas exceções, Carlos Amorim e Caco Barcelos), muito mais surpreendente encontrar num trabalho de rigor científico.

    Este é “O Povo de Deus”, que tem um subtítulo ambicioso: “Quem são os evangélicos e por que eles importam”, referindo-se à sua presença no cenário político e eleitoral do País.

    O livro começa com uma avaliação estatística, como sói acontecer nos trabalhos sociológicos, com dados quantitativos para oferecer ao leitor um a panorama demográfico do cristianismo evangélico.

    Interessante observar que as seitas pentecostais, ramo do protestantismo, se expande não só no Brasil e na América do Sul, mas também na África e na Ásia pobre. É um fenômeno do que hoje se chama de “Sul do Mundo” (que nem sempre corresponde ao sul geográfico dividido pela linha do equador).

    Outro capítulo importante para a avaliação política é “Cristianismo e preconceito de classe”, seguido por “Evangélicos na mídia e mídia evangélica”, completando com “Consequências positivas do cristianismo evangélico”, uma incursão lúcida nas entranhas de uma prática religiosa desqualificada pela intelectualidade brasileira.

    Mais surpreendente é o capítulo “A religião mais negra do Brasil”, que desmente o estereotipo de que os pretos são praticantes de seitas de matrizes africanas, acrescentando, algo ainda mais revelador, de que essas tendências protestantes, originadas nos Estados Unidos, surgiram em comunidade negras e muito pobres daquele País.

    Outras abordagens polêmicas de interesse para a classe política: “Reciclagem de almas – traficantes e cristianismo”, falando sobre as relações dos pastores e fiéis com o crime, que constitui a instituição mais poderosa nessas periferias, e, também, “A esquerda e os evangélicos”, tema explosivo nos arraiais acadêmicos, onde essas comunidades são desconsideradas e suas lideranças execradas como se fossem impostores.

    Formado em História pela Universidade de São Paulo, pós graduado, mestre e doutor pela UCL inglesa, Spyer alinha alguns comentários de grande relevância na apresentação de seu livro, chamando atenção um texto introdutório de autoria de Caetano Veloso, músico e compositor,  e prefácio de Gabriel Feltran, professor da Faculdade de Sociologia da Universidade Federal de Santa Catarina.

    Destaca-se, também, o deputado federal Patrus Ananias (PT/MG), ex-ministro dos governos Lula e Dilma (criador e gestor do Bolsa Família, programa de profunda penetração nas periferias urbanas), conhecido líder católico e professor da Faculdade de Direito da PUC-MG, que diz ser “o cristianismo evangélico uma forte e crescente realidade entre nós.

    “Este livro nos ajuda a entender esse desafio instigante”, escreve Patrus

    Na área acadêmica, alinha nomes de grande relevância, professores de universidades de referência mundial, como Amy Erica Smith, professora de ciências políticas da Iowa State University, David Nemer, professor de Estudos de Mídias da Universidade de Virginia (EEUU) e Malu Gatto, cientista política e professora da University College London, completando com a indicação do professor Ricardo Abramovay, titular da FEA/USP e do IEE/USP. Que diz: O autor apresenta as razões pelas quais esta religião tem sido capaz de fortalecer a coesão social de comunidades desamparadas pelo Poder Público, tornando-se, assim, um movimento cultural decisivo”.

    “O Povo de Deus – Quem são os evangélicos”, da Geração Editorial, de São Paulo, editado por Luís Fernando Emediato, capa de Alex Maia, produzido em todas as mídias, disponibilizando cópias impressas em papel, também numa versão digital, disponíveis nas livrarias virtuais e nos sites de vendas da editora.

  • MPB, Jazz, Blues e tributo aos Beatles  no feriado de carnaval do Butiá

    MPB, Jazz, Blues e tributo aos Beatles  no feriado de carnaval do Butiá

    Para quem estiver em Porto Alegre no feriado de carnaval e quiser fugir da cidade por um dia, a fazenda O Butiá, localizada em Itapuã, preparou uma agenda de shows com estilos musicais para todos os públicos: MPB, Jazz, Blues e Rock.

    As apresentações iniciam às 18h, atravessam o pôr do sol e se estendem até o início da noite. Os ingressos custam R$ 30 e as reservas devem ser feitas pelo site www.obutia.com, em atenção aos protocolos sanitários. A localização e como chegar são informadas por e-mail após a reserva. Em caso de chuva, os shows serão cancelados.

    Programação
    13 de fevereiro | Sábado
    Girando a Renda – 
    Entrelaçando a música instrumental ao samba e à MPB, o repertório conta com clássicos de nomes como: Pixinguinha, Noel Rosa, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Dorival Caymmi, Ivone Lara, João Nogueira, João Bosco, Chico Buarque e Ivan Lins. O quarteto é formado por Cris Bizarro (voz), James Liberato (violão), Jua Ferreira (bateria) e Luis Henrique “New” (piano).

    14 de fevereiro | Domingo
    Ale Ravanello Blues Combo – 
    Com a mesma formação há doze anos, Ale Ravanello (harmônica e vocais), Sergio Selbach (contrabaixo), Nicola Spolidoro (guitarra) e Clark Carballo (bateria)interpretam um repertório que mistura clássicos dos grandes mestres da harmônica com temas recheados da animação e do swing dos anos 50 e 60. O quarteto tem três CDs e um DVD gravados. O mais recente álbum, Alley Cat, lançado pelo selo Mississippi Delta Blues Records, recebeu duas indicações ao Prêmio Açorianos de Música.

     

    TRI BEATLES. Foto; Divulgação

    15 de fevereiro | Segunda-feira
    Tri Beatles – 
    O repertório deste tributo aos Beatles foi preparando para o público cantar junto: Please Please me, Twist and shout, Love me do, All my loving, I want to hold your hand, She Loves you, A hard day`s night, Can`t buy me love, Yesterday, Ticket to ride, Day Tripper, Help, Nowhere man, In my life, Lady Madonna, Magical Mystery tour, Hey Jude, Come together, Something, Here comes the Sun, Let it be e Get Back. A banda é formada por Luciano Machado (baixo/voz), Gabriel Machado (guitarra/voz), Rodrigo Machado (bateria) e Homero Luz (voz e guitarra).

    Nico Bueno. Foto: Kristina Rosa/Divulgação

    16 de fevereiro | Terça-feira
    Nico Bueno convida Paulinho Fagundes – 
    Acompanhado de Luiz Mauro Filho (piano), Lucas Fê (bateria) e de Paulinho Fagundes (guitarra), Nico Bueno (contrabaixo) apresenta um instrumental de clássicos do jazz com roupagem moderna. No repertório, A Rã (João Donato), Blue In Green (Miles Davis), Night in Tunisia (Dizzy Gillespie), Footprint (Wayne Shorter), Goodbye Pork Pie Hat (Charles Mingus), entre outros.

    Guitarrista, violonista e compositor, Paulinho Fagundes é filho de Bagre Fagundes e irmão de Neto e Ernesto, e com eles integra a banda Os Fagundes. Nico Bueno é integrante do grupo Delicatessen e tem três discos gravados. Recebeu por duas vezes o Prêmio da Música Brasileira e, também, o Prêmio Açorianos. Tocou com várias bandas e artistas, como: Nenhum de Nós, Nei Lisboa, Renato Borghetti, Solon Fishbone, o guitarrista americano Matt Hopper, o pianista francês Aymeric Frerejean e a cantora inglesa Rowena Jameson.

     

  • Eva Schul e Eduardo Severino reúnem mais de 20 bailarinos para uma residência artística

    Eva Schul e Eduardo Severino reúnem mais de 20 bailarinos para uma residência artística

    “Levanta,sacode a poeira, dá a volta por cima”. É o que acontece quando a parceria de longa data entre Eva Schul e Eduardo Severino, ao contrário do que se previa no isolamento social, se agiganta. Mesmo com o distanciamento, a mente criativa dos dois diretores e coreógrafos se uniu no sentido de realizar um antigo sonho: juntar o maior número possível de artistas para criar uma proposta única. 
    A conjuntura de pandemia do coronavírus e o advento do uso frequente da tecnologia para os processos criativos criou distâncias aproximadas e levou à montagem coreográfica além das fronteiras, o que conduziu a dupla a avançar pelo campo da formação e da pesquisa, buscando, além de criar, registrar e documentar os processos criativos – por demais traumáticos, em função de tantas perdas e danos sociais, mas também prolíficos para vazão do sentimento, a reflexão sobre o fazer artístico e os limites inexistentes da arte.
     
    Realizado com recursos da Lei nº 14.017/2020, Edital Sedac nº 09/2020 Produções Culturais e Artísticas, “Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima” reúne três companhias de dança e artistas independentes num elenco com mais de 20 bailarinos, que, a partir de uma provocação, de um jogo de palavras, são desafiados à criação. São elas: Ânima Cia de Dança, Cubo1 Cia de Arte, Eduardo Severino Cia de Arte, Fernanda Carvalho Leite, Letícia Paranhos,Lucca Adams Pilla, Pamela Ferreira e Thais Petzhold. A trilha sonora é do pianista João Maldonado, e a voz e performance que une os fios da diversidade, de Adriana Deffenti.
     
    Resiliência artística – O projeto começou a tomar forma em janeiro, com uma residência artística com os bailarinos. Diante das provocações semanais, um jogo de palavras que tem como tema a “resiliência”, eles devem criar, gravar um vídeo e enviar aos diretores. Toda a semana, os grupos e bailarinos independentes se reúnem, virtualmente, para debater as performances. Em março será realizado um grande encontro presencial para apresentação coletiva e gravação do espetáculo. 
     
    “Este projeto é único e vem num momento frágil da nossa história para realizar um desejo antigo de juntar tantos artistas maravilhosos que, até então, se encontravam esporadicamente, para uma residência artística, tendo no final um resultado presencial que reúne ainda a música, as artes visuais e o cinema. A resiliência em forma de arte”, diz Eva Schul. 
     
    “Como criar em meio a uma pandemia? Como fazer arte em meio a tantos desalentos? Sozinhos em nossos cantinhos e juntos no remoto. Distantes, porém, juntos e querendo estar juntos, pensando o momento juntos, dançando juntos. Trabalhar novamente com a Eva é uma delícia, sobretudo, criar/pesquisar com provocações e reuniões semanais com o núcleo de artistas. Oxigena as memórias corporais e a esperança utópica que todo artista carrega pela vida, ‘fazer do mundo um lugar melhor para viver’. A sensação de pele com pele, de olho no olho. No momento é só sensação mesmo, pois é tudo remoto. É um luxo poder pesquisar/criar e documentar o processo com tantos artistas, ressalta Eduardo Severino. 
     
    FICHA TÉCNICA

    Levanta, sacode a poeira, dá volta por cima
    Diretora e coreógrafa: Eva Schul
    Assistente de direção e intérprete criador: Eduardo Severino
    Produção: Luka Ibarra
    Companhias de dança: Ânima Cia de Dança, Cubo1 Cia de Arte, Eduardo Severino Cia de Arte, Fernanda Carvalho Leite, Letícia Paranhos,Lucca Adams Pilla, Pamela Fantinel Ferreira e Thais Ptzhold
    Bailarinos: Adriano Oliveira Soares, Daniel Aires, Everton Nunes, Fellipe Resende, Fernanda Carvalho Leite, Gabriel Martins, Georgia Macedo, Jackson Conceição, Junior Alceu Grandi, Letícia Paranhos, Lucca Pilla, Luciano Correa Tavares,Pamela Ferreira, Richard Salles, Tatiana da Rosa, Thais Petzhold, Veronika Prokopp, Viviane Gawazee e Viviane Lencina
    Trilha sonora: João Maldonado
    Intérprete: Adriana Deffenti
    Design: Lucas Magnus
    Videomaker: Alex Sernambi

     

  • Fábio André Rheinheimer une arte e tecnologia na mostra “Naves poéticas”

    Fábio André Rheinheimer une arte e tecnologia na mostra “Naves poéticas”

    O arquiteto, curador e artista visual Fábio André Rheinheimer inaugura exposição individual em Porto Alegre, depois de sua estreia em dezembro, em São Paulo. É o “Projeto Naves Poéticas”, nessa quarta-feira, 10 de fevereiro, no Espaço Cultural Correios, localizado no térreo da Av. Sete de Setembro, 1020, no Centro Histórico, em Porto Alegre. A mostra segue até 27 de março, com entrada franca.

    Fábio André Rheinheimer, apresenta projeto “no Espaço Cultural dos Correios”. Divulgação

    A exposição é formada por 20 obras em formato de escultura tridimensionais. Com materiais como lâminas de acrílico rígido e LED, Rheinheimer compõe sua obra de formas e luzes, produzindo um grande efeito cenográfico. Pelas características de transparência e luminosidade, as obras podem ser expostas como elementos de decoração ou paisagismo. O projeto, que começou em 2015, está sendo ampliado para esta mostra. “O resultado formal da pesquisa, que relaciona arte e tecnologia, são as NAVES POÉTICAS, as quais se apresentam enquanto objeto tridimensional híbrido que, assim sendo, dialoga harmonicamente com ambas as áreas em que atuo: as artes visuais e o design”, detalha.

    No ano passado, Rheinheimer completou 33 anos de carreira artística com a exposição “A Tempestade”, em cartaz em Porto Alegre e em São Paulo. Também foi o curador da exposição “Múltiplos Olhares”, que apresentou diferentes visões de 28 fotógrafos. Também desenvolveu sua primeira galeria virtual, utilizando seus conhecimentos como arquiteto.

    Exposição:

    Projeto Naves Poéticas (2014|2020), objetos de Fábio André Rheinheimer

    Abertura:10 de fevereiro, das 10h às 17h

    Visitação: de 10 de fevereiro a 27 de março de 2021

    Horários: de segunda a sexta das 10 às 17h.

    Local: Espaço Cultural Correios, Av. Sete de Setembro, Nº 1020, Praça da Alfândega – Centro Histórico, Porto Alegre

  • Philipe Philippsen canta pop e rock, ao som do seu acordeon, no Mistura Fina

    Philipe Philippsen canta pop e rock, ao som do seu acordeon, no Mistura Fina

    Philipe Philippsen convida o público do Mistura Fina para esta versão pandêmica do já tradicional show do gaiteiro do Brique da Redenção. Na sala de sua casa, com muito fôlego e bom humor, o artista canta os grandes sucessos da música pop e rock nacional e internacional em suas próprias versões para voz e acordeom (outras, ao piano), além de algumas surpresas que só o aconchego da sala de casa pode permitir. O show ocorre no dia 11 de fevereiro, quinta-feira, a partir das 18h30min, com transmissão pelo link: www.facebook.com/misturafinamusica/

    No show “Música para Três Pulmões”, em casa, o ator e gaiteiro traz histórias, memórias das ruas onde já passou o seu chapéu e covers de Freddy Mercury a Lady Gaga, de Culture Club à Fafá de Belém, além de música autoral. Como sempre, o gaiteiro dá ênfase aos hits dos anos 80, preferidos dele e do público do Brique, “porque afinal, como todo mundo sabe, as melhores coisas foram feitas nos anos 80” afirma Philipe, nascido em 88.

    Sobre o Mistura Fina

    Com realização do Theatro São Pedro, correalização e produção da Primeira Fila Produções, assessoria de imprensa de Silvia Abreu, apoio da OVNI Acessibilidade Universal, financiamento do Pró-Cultura RS e patrocínio da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), o Mistura Fina chega a sua terceira edição, exibindo a pluralidade da produção musical que se destaca no cenário nacional. Iniciado em 2018, o projeto abrigou grandes expressões da música, em shows temperados com arte e alta performance artística que se exibiram no Foyer Nobre do Theatro São Pedro.

    Desde abril de 2020, a iniciativa se reinventa e segue em formato virtual pelas redes sociais do projeto. O Mistura Fina conta, desde a primeira edição, com serviço de mediação audiodescrita, realizada pela Ovni Acessibilidade Universal. 

    O artista convidado:

    Philipe Philippsen é ator, músico, artista de rua e colabora com diversos grupos e companhias de teatro do Rio Grande do Sul em espetáculos de teatro. Desde 2012 desenvolve o show “Música para Três Pulmões”, no qual apresenta grandes sucessos da música pop em versão para voz e acordeom. Com forte influência do legado de Nico Nicolaiewsky e sua parceria com Hique Gomez em “Tangos e Tragédias’, Philipe mistura canções com comédia nas interações com o público da rua no tradicional Brique da Redenção em Porto Alegre.

    O show inclui sucessos nacionais e internacionais em novas roupagens cheias de energia. Tendo começado nas ruas de Nova York, o gaiteiro do Brique já levou sua gaita para cidades como Lisboa, Berlim, Paris e Munique, além de diversas cidades do Brasil.

    SERVIÇO:

    Philipe Philippsen no MISTURA FINA com o show “Música para Três Pulmões”

    Dia 11 de fevereiro de 2021, QUINTA FEIRA, a partir das 18h30min

    Facebook: https://www.facebook.com/misturafinamusica

    Gênero: Livre | Classificação etária: Livre

     

  • Uma semana de arte visual no litoral, com o acervo da galeria Bublitz

    Uma semana de arte visual no litoral, com o acervo da galeria Bublitz

    A Bublitz Galeria de Arte tem uma tradição no Litoral Norte. Há mais de 25 anos, o espaço localizado em Porto Alegre promove leilões e eventos itinerantes em cidades como Capão da Canoa, Xangri-lá e Torres e no interior do estado. Este ano, não haverá leilão, mas a exposição de arte está garantida. É a Semana Bublitz de Arte no Litoral, que ocorre de 5 a 12 de fevereiro, na Sociedade dos Amigos do Balneário Atlântida (SABA).

    Obra de Inos Corradin/Divulgação

    “Pensamos em uma forma de continuar levando arte para o Litoral, com toda a segurança e sem aglomeração. Nasceu daí a ideia desta exposição que poderá ser visitada ao longo de toda semana pelos moradores e turistas da região”, destaca Nicholas Bublitz, marchand da Galeria.

    Marchand Nicholas Bublitz. Foto Paulo Garavelo/ Divulgação

    200 itens

    No acervo em exibição estão mais de 200 itens, com destaque para obras de importantes artistas como Carlos Scliar, Glenio Bianchetti, Ângelo Guido, Aldemir Martins, Vitor Hugo Porto, Érico Santos, Kenji Fukuda, Vitorio Gheno, Vasco Prado, Armando Gonzales, Inos Corradin, Carybé e Marcelo Hübner.

    Obra de Ângelo Guido. /Divulgação

    Objetos de decoração, como itens em cristal checo e polones e faianças vindas de Toscana, na Itália, também integram a mostra. Outra marca registrada da Bublitz, os tapetes orientais em fibra natural feitos à mão, nó por nó, podem ser conferidos pelos visitantes. São tapetes tradicionais exclusivos e importados da Índia e do Irã dos tipos: Kashan, Tabriz, Hamadan, Shiraz, Ziegler, Na’in e Mood.

    Escultura de Vasco Prado/ Divulgação

    A exposição funcionará ainda como Outlet. E todos os itens poderão ser adquiridos com descontos que variam de 25% a 50% e podem ser parcelados em até 12 vezes sem juros.

    Obra de Carybé/ Divulgação

    Arte ao Vivo

    Outra novidade da Bublitz Galeria de Arte nesta temporada na SABA é a participação de Marcelo Hübner ao longo da exposição. Durante todas as tardes, de 5 a 12 de fevereiro, o artista gaúcho vai pintar ao vivo no local, das 17h às 19h. Além disso, o evento contará com 10 obras de Hübner, que é reconhecido por séries como “Floristas”, “Urbanos” e “Banhistas”, que inclui uma criação inédita preparada este ano no litoral. Em 2020, foi lançada a Bublitz Galeria Virtual de Arte e as obras do artista marcaram a estreia do espaço virtual.

    Artista visual Marcelo Hubner estará presente na galeria. Foto: Nilton Santolin/ Divulgação

     

    Bublitz na SABA
    Endereço: 
    Av. Central, 5 – Atlântida
    Período: 
    5 a 12 de fevereiro
    Horário: 
    das 10h às 19h

  • Batucas promovem projeto de música, educação e fortalecimento do grupo

    Batucas promovem projeto de música, educação e fortalecimento do grupo

    A trajetória d’As Batucas – Orquestra Feminina de Bateria e Percussão, sua atuação e relevância em Porto Alegre desde a criação há seis anos, é o fio condutor do projeto As Batucas – música, educação e fortalecimento, financiado pela Secretaria de Estado da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal, por meio da Lei Aldir Blanc. A ideia é apresentar ao público a importância desse grupo que em poucos anos conseguiu reunir centenas de mulheres em sete turmas de percussão e dois grupos vocais e que atua em muitas frentes, promovendo políticas afirmativas, formando a Rede Batucas Solidárias na pandemia, propondo debates e levando música, reflexão e alegria ao espaço público. O projeto consiste na produção de um documentário que será disponibilizado na Internet, oficinas gratuitas para mulheres de todas as idades e ainda o ciclo de palestras Batuca nas Ideias.

    “As Batucas – oficina de percussão e vocal” terá sua primeira turma no dia 08 de fevereiro. Essa atividade oferece experiência percussiva e vocal em um encontro para descobrir sons, batucadas e cantorias.  Com atividades e exercícios rítmicos e vocais, as participantes serão convidadas a conhecer ritmos brasileiros, sua história e sua execução. Uma aula dinâmica e leve, com participação ativa das alunas durante todo o processo. Serão 80 alunas ao todo em aulas diárias para 20 alunas cada, ou seja, dia 08, 09, 10 e 11 de fevereiro, sempre das 18h às 20h. O time dos professores é formado por musicistas e cantores da cena artística de Porto Alegre: Biba Meira, Julia Pianta, Madalena Rasslan, Raquel Pianta e Vini Silva. As aulas serão gratuitas e destinadas para mulheres de todas as idades, com 30% das vagas reservadas exclusivamente para mulheres negras. As inscrições estão abertas pelo Sympla(veja abaixo como se inscrever).

    Batucas. Foto:Bruno Todeschini/Divulgação

    Já o “Batuca nas Ideias “irá reunir mulheres potentes com histórias e origens diversas em uma tarde de palestras sobre temas como gênero, raça, saúde e feminismo. Entre as convidadas estão Andressa Ferreira, percussionista, integrante do grupo Três Marias e idealizadora do núcleo de vivência em percussão Ngoma e do Coletivo Pretambor; Cecília Reingantz, coordenadora e regente da Orquestra Villa-Lobos; e a psicóloga Cristina Maranzana da Silva. E para encerrar esse grande evento, será exibido o documentário dirigido por Lisi Kieling, com roteiro de Juliana Balhego, contando a trajetória das Batucas. O filme traz imagens de Alexandre Birck, registradas em um show no Vila Flores e também entrevistas, imagens do acervo das Batucas, de aulas e outras apresentações.

    Sobre o grupo

    Em apenas seis anos As Batucas fizeram um barulho e tanto! E não por ser um grupo de percussão com mais de uma centena de integrantes, idealizado por uma grande baterista brasileira, mas pela relevância do seu trabalho em muitos segmentos, tanto como grupo musical, quanto pelos desdobramentos nas batalhas diárias das mulheres, que ganharam visibilidade, redes de apoio e mais mãos para se juntar a tantas causas pertinentes ao fortalecimento da mulher na sociedade.

    As Batucas sempre foram mais que um espaço de aprendizado percussivo. Aqui a premissa é contribuir, somar, participar, transformar, aprender, crescer, empreender, brincar. Todos esses verbos são conjugados pelas integrantes desse coletivo feminino desde 2015, ano de sua criação, por um viés inclusivo e sem preconceito etário.

    Vila Flores 2020. Foto: Malu Baumgarten /Divulgação

    Os ritmos brasileiros dão a tônica da orquestra, que também se aventura em outros ritmos do mundo. Samba, baião, bossa nova, samba-reggae, maculelê, maracatu e coco são alguns dos ritmos presentes no repertório do grupo e dividem espaço democraticamente com o rock, funk, jazz, blues, hip hop e o que mais vier. E essa imensa orquestra executa todos esses ritmos em instrumentos convencionais, como surdos, caixas, agogôs, tamborins, repiques e chocalhos, e também toca em sucatas criadas pelo coletivo, como tonéis, tampas de panela, latas das mais diversas e outras traquitanas garimpadas no mobiliário urbano. Também um grupo vocal surgiu dentro desse coletivo e desponta com afeto e inclusão, agora já com duas turmas, coordenadas por Raquel Pianta.

    Entre as apresentações do grupo ao longo dos anos, estão memoráveis shows no Vila Flores, já com a participação do Grupo Vocal As Batucas; as incursões ao Noite dos Museus e a Bienal do Mercosul, como grupo convidado; a participação no Carnaval de Porto Alegre e apresentações beneficentes que envolvem causas sociais nas quais esse grupo de mulheres faz questão de se engajar, como Mulheres Mirabal, Comunidade Lomba do Pinheiro,  CASEF, escolas municipais e Imama entre outras.

    Em função da COVID 19 as Batucas botaram a mão na massa e criaram a Rede Batucas Solidárias que vem reunindo doações e fundos para a população que está em situação de vulnerabilidade social. O projeto está beneficiando e alcançando muita gente em comunidades como a Lomba do Pinheiro, Região das Ilhas, comunidades indígenas e Centro Vida Projeto Imigrantes.

    AS BATUCAS – MÚSICA, EDUCAÇÃO E FORTALECIMENTO

    * Oficina de Percussão e Vocal – INSCRIÇÕES ABERTAS

    Dias 08, 09, 10 e 11 de fevereiro , das 18h às 20h

    20 integrantes por turma

    Com atividades e exercícios rítmicos e vocais, as participantes serão convidadas a conhecer ritmos brasileiros, sua história e sua execução.

    Inscrições abertas e gratuitas no Sympla

    https://www.sympla.com.br/experiencia-percussiva-e-vocal-com-as-batucas__1114231

  • O lançamento de La Loba, revista focada na autoria feminina, com textos e obras de artes visuais

    O lançamento de La Loba, revista focada na autoria feminina, com textos e obras de artes visuais

    Na busca pela visibilidade da arte produzida por mulheres, a La Loba Magazine é a mais nova revista literária nascida em Porto Alegre. A revista é uma iniciativa da escritora Carolina Panta e será lançada no dia 31 de janeiro, com distribuição online e gratuita na página do instagram @lalobamagazine.

    “A revista, uma publicação digital, será de diálogo aberto a quem estiver interessada em mostrar-se como produtora e não produto. Esse tipo de iniciativa ainda é necessária, pois os ambientes de discussão no campo da cultura são, infelizmente, lugares de privilégio”, diz Carolina. Com inspiração na ânsia por libertar os corpos e o pensar das mulheres de qualquer domesticação imposta pela sociedade, a primeira edição inclui textos de autoras como Priscila Pasko e Clara Corleone, além de artistas estreantes.

    A iniciativa surgiu a partir de um evento voltado ao fazer artístico das mulheres que Carolina idealizou em 2020 na livraria Padula. “Percebi que um espaço dedicado à publicação de mulheres gritava por um lugar cá entre nós. E é no cerne da mulher selvagem que vem La Loba”, conta a escritora, autora do romance “Dois Nós” (editora Metamorfose).

    A publicação terá periodicidade mensal, com espaço para textos de ficção, poemas, resenhas e artes visuais. As obras deverão ser enviadas até o dia 20 de cada mês para o email magazinelaloba@gmail.com. Serão aceitos textos inéditos ou mesmo já lançados.

    Sobre a editora

    Carolina Panta nasceu em Porto Alegre no final da década de 80. Pós-graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tem como principal ocupação profissional a sala de aula. Seu apreço pelo ficcional inicia-se no encantamento provocado pelas narrativas orais na voz do avô. Com o tempo, passa a navegar pela imensa estante de livros da mãe. Ancora-se, então, na faculdade escolhida – Letras. Autora do romance “Dois Nós”, lança em março de 2021 seu segundo livro, pela editora Zouk.