Autor: da Redação

  • A pintura moderna de Wilson Tibério em mostra na Pinacoteca Aldo Locatelli

    A pintura moderna de Wilson Tibério em mostra na Pinacoteca Aldo Locatelli

    A mostra Arte + Biografia – Tibério no Plural segue em cartaz na Pinacoteca Aldo Locatelli (Praça Montevidéu,10 – Paço dos Açorianos,Centro Histórico. A visitação pode ser realizada de segundas a sextas-feiras, das 13h30 às 17h, até 26 de fevereiro. A mostra também poderá ser conferida virtualmente através do Facebook da CAP – www.facebook.com/artesplasticaspoa.

    Alguns nomes fundamentais para compreensão da história da arte moderna ainda permanecem completamente desconhecidos do grande público. É o caso de Wilson Tibério (1916-2005), pintor negro de origem humilde, que desenvolveu uma trajetória com marcantes passagens pelo Rio de Janeiro, Paris e por diversos países do continente africano. Na mostra Arte + Bipografia – Tibério no plural são trabalhados alguns aspectos da vida deste notável porto-alegrense, contextualizados com obras de outros artistas pertencentes aos acervos da Pinacoteca Aldo Locatelli e da Pinacoteca Ruben Berta. Esta escolha decorreu da pouca presença de trabalhos de Wilson Tibério em Porto Alegre. Até o momento foram localizados um autorretrato na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, uma cena de interior na Pinacoteca Aldo Locatelli e uma aquarela em coleção particular.

    Exposição em homenagem ao pintor Wilson Tibério. Foto: Anselmo Cunha/PMPA

    Participam ainda da mostra os artistas contemporâneos Leandro Machado e Gustavo Assarian, cujas recentes produções demonstram uma série de continuidades e aprofundamentos das temáticas abordadas de forma pioneira por Wilson Tibério desde a década de 1940.

    Simpatias revolucionárias

    Wilson Tibério nasceu em Porto Alegre em 1916. Filho de um ferreiro e uma costureira,  morreu em Paris em 2005. Com cerca de dezoito anos, havia partido para o Rio de janeiro onde frequentou a Escola Nacional de Belas Artes. Acabou saindo do Brasil em 1940, como bolsista do governo francês, logo ensejando uma carreira permeada por lances extraordinários como viagens à África que lhe valeram sucessivas expulsões por suas simpatias revolucionárias e pelo engajamento nos movimentos anticoloniais da década de 1960.

    Foto: Anselmo Cunha/PMPA

    Sempre preocupado com questões sociais e tomado pela ânsia em registrar a cultura e a identidade negra, viveu profissionalmente como pintor e escultor, expondo em mostras como a que ocorreu na Galerie Henri Tronchet em 1951 (juntamente com Picasso), ou ainda a que aconteceu na Galerie Cecile B. (entre 1998 e 1999). Na mostra realizada no Paço dos Açorianos serão apresentadas três pinturas do artista pertencentes a Pinacoteca Barão de Santo Ângelo da UFRGS, a Pinacoteca Aldo Locatelli e a uma coleção particular.

    Obra do escultor e o pintor Wilson Tibério. Foto: Anselmo Cunha/PMPA

    Artistas da Pinacoteca Aldo Locatelli

    ALISSON AFFONSO (Rio Grande, 1979)

    ANTONIETA FEIO (Belém/Pará, 1897 – São Paulo, 1980)

    GONZALO MEZZA (Chile, 1949)

    GUMA (Tapes, 1924 – Porto Alegre, 2008)

    GUTÊ (Porto Alegre, 1958)

    J.ALTAIR (Porto Alegre, 1934-2013)

    JOÃO FARIA VIANA (Porto Alegre, 1905 – 1975)

    JOSÉ DE FRANCESCO (Rio Grande, 1895 – Porto Alegre, 1967)

    LYDIA MOSCHETTI (Itália, 1888 – Porto Alegre, 1982)

    MAGLIANI (Pelotas, 1946 – Rio de Janeiro, 2012)

    NELSON JUNGBLUTH (Taquara, 1921 – Porto Alegre, 2008)

    OTTO DINGER (Dusseldorf, 1860 – Berlin, 1928)

    PAULO CHIMENDES (Rosário do Sul, 1954)

    TORQUATO BASSI (Itália, 1880 – São Paulo, 1967)

    Artistas da Pinacoteca Ruben Berta

    DI CAVALCANTI (Rio de Janeiro, 1897 – 1976)

    FLORIANO TEIXEIRA (Cajapió/Maranhão, 1923 – Salvador, 2000)

    JOÃO ALVES (Ipirá/Bahia, 1906 – Salvador, 1970)

    JOSÉ DE SOUZA ESTÊVÃO (Belo Horizonte, 1925 – Ouro Preto, 1977)

    MANEZINHO ARAÚJO (Pernambuco, 1910 – São Paulo, 1993)

    OTACÍLIO CAMILO (Porto Alegre, 1959 – 1989)

    Artistas convidados

    GUSTAVO ASSARIAN (Porto Alegre, 1993)

    LEANDRO MACHADO (Porto Alegre, 1970)

    Arte _ Biografia– Tibério no plural

    Pinacoteca Aldo Locatelli (Praça Montevidéu, 10 – Paço dos Açorianos – Centro Histórico)

    Visitação até 26 de fevereiro

    De segundas s sextas-feiras, das 13h30 às 17h

    Modalidades  de visitação

    – Por agendamento –  através do e-mail acervo@portoalegre.rs.gov.br ou pelo telefone (51) 3289-3735. Grupos com até cinco pessoas –  para a reserva ser confirmada será necessário o fornecimento dos nomes completos e respectivos contatos telefônicos.

    – Sem agendamento – deverá ser respeitada a capacidade máxima de cinco  pessoas por horário. Havendo reserva prévia por outro grupo, será necessária a espera.

    Protocolos Sanitários

    – O visitante deverá se apresentar na recepção do Paço dos Açorianos,  com documento de identidade onde também será verificada sua temperatura com termômetro eletrônico infravermelho;

    – Não será permitido o acesso de visitantes com temperatura acima de 37,5° ou sintomas de gripe/resfriado;

    – O uso correto de máscaras de proteção facial, cobrindo boca e nariz, para o ingresso e permanência no Paço será obrigatório (inclusive no momento das fotos e selfies);

    – O distanciamento mínimo recomendado entre as pessoas será de 2 metros;

    – O tempo máximo de visitação será de 1h30.

  • Escola da Ospa recebe doação de piano restaurado

    Escola da Ospa recebe doação de piano restaurado

    Apesar da pandemia, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) iniciou 2021 com um grande fomento à educação. Um piano da instituição foi restaurado e encaminhado para a Escola de Música da Ospa – Conservatório Pablo Komlós. O instrumento, que por anos integrou alguns dos maiores espetáculos da sinfônica, ganhará um fim instrutivo e cultural para jovens músicos, após remodelação feita pelo afinador Person Losekann.

    A entrega ocorreu nesta terça-feira , dia cinco, e contou com a presença do professor e pianista André Carrara. O instrumentista avalia que ‘‘o objeto é de extrema importância não apenas para a Escola como para a cidade, que ganha mais um espaço para a música, mesmo em meio a um cenário negativo do ponto de vista cultural’’.

    Carrara também destaca a qualidade do instrumento, que, devido às características da marca, permite uma experiência singular para o músico. ‘‘O Blüthner é o único piano que utiliza o sistema aliquot, que, com uma corda extra nas três oitavas do piano, faz com que as notas vibrem por simpatia, garantindo uma sonoridade única e especial.

    Além de ser um desejo que se cristaliza de forma colaborativa dentro da própria Fundação, a utilidade do piano no dia a dia da instituição conta com mais de uma finalidade. Para o diretor da Escola da Ospa e clarinetista, Diego Grendene de Souza, ‘‘hoje é um dia histórico para a Escola de Música da Ospa! Nossos alunos e professores terão, a partir de agora, um piano da mais alta qualidade para ensaios e apresentações. É um sonho antigo, que hoje se realiza.”

  • Galeria Ecarta mostra “Ambiente Moderno”, em diferentes mídias, de Gabriel Pessoto

    Galeria Ecarta mostra “Ambiente Moderno”, em diferentes mídias, de Gabriel Pessoto

    Abrindo as atividades em 2021, na quinta-feira, dia sete, a Galeria Ecarta apresenta a mostra “Ambiente Moderno”, do paulista Gabriel Pessoto com curadoria do escritor carioca Gabriel Bogossian.
    A exposição é composta por 13 trabalhos dispostos em diferentes mídias, reunindo fotografia, desenho, instalação e vídeo/GIF, produzidos entre 2019 e 2020. A pesquisa recente de Pessoto propõe um diálogo entre práticas e visualidades tradicionais com um repertório de vivências permeadas pelo consumo da imagem digital e pela discussão sobre sexualidade e papéis de gênero.
    De acordo com o curador, algumas das obras parecem criar um pequeno curto-circuito de técnicas, em que o artista usa manuais de bordado para realizar vídeos, ou papel e têxteis para produzir objetos que não são adequados para a produção dos mesmos. “Outro ponto da obra reflete sobre o poder pedagógico das imagens, como elas nos educam e nos ensinam certas habilidades e formas de comportamento. Nesse sentido, é uma prática artística que se debruça sobre o valor moral das imagens, que buscariam segundo essa perspectiva nos instruir, moldar o comportamento”, afirma.
    Por último, conforme Bogossian, vale destacar o quanto essa pedagogia das imagens tem ligação com os aprendizados de gênero, um assunto muito em voga nas discussões feministas e do ativismo LGBTQI+ e que aqui e ali vem aparecendo com mais força na produção artística contemporânea. “É uma reflexão, portanto, com uma carga política consistente e sutil, que se liga de uma maneira bastante original às discussões atuais no campo da arte e da cultura”, constata.
    A visitação é gratuita seguindo protocolos sanitários e pode ser realizada até 31 de janeiro na Ecarta (Av. João Pessoa, 943), de terça-feira a domingo, das 10 às 18h.

    Quem são:
    Gabriel Pessoto (1993, Jundiaí/SP) – em 2020 participou de exposições em São Paulo, incluindo “Ressetar” (Museu da Diversidade Sexual), “Cálamo” (Massapê Projetos) e “Quase Fim” (Lona Galeria). Integrou as exposições internacionais “I do not ask any more delight” (Estados Unidos) e “Corpo Brasileiro” (Alemanha e Portugal). Foi selecionado para a temporada de projetos do Marp (Museu de Arte de Ribeirão Preto) e premiado pela revista ArtConnect pelo projeto “Trocando figurinhas”, desenvolvido em parceria com Nicole Kouts. A partir de 2015 participou de exposições coletivas e em 2016 apresentou sua primeira mostra individual, além de desenvolver o projeto de residência artística “Variações sôbre contato: vistas” na Casa13 (Córdoba/ Argentina). Estudou Produção Audiovisual (Puc-RS) e Artes Visuais (Ufrgs).
    Gabriel Bogossian (1983, Rio de Janeiro/ RJ) – a prática de Bogossian aborda alguns dos ecos contemporâneos da colonização, com frequência articulando diferentes campos da cultura visual, como a arte, o jornalismo e os movimentos sociais. Foi curador convidado da 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil | Comunidades Imaginadas (São Paulo, 2019) e da Screen City Biennial 2019 – Ecologies: Lost, Found and Continued (Noruega, 2019), além de curador adjunto do Galpão VB (2016-2020). Destacam-se entre suas curadorias as exposições Minerva Cuevas – Dissidência (Galpão VB, São Paulo, 2018); Alma de Bronze (Ocupação 9 de Julho, São Paulo, 2018); Nada levarei quando morrer, aqueles que me devem cobrarei no inferno (Galpão VB, São Paulo, 2017); O museu inexistente n. 1 (Funarte, São Paulo, 2017), com Victor Leguy; Akram Zaatari – Amanhã vai ficar tudo bem (Galpão VB, São Paulo, 2016); e Cruzeiro do Sul (Paço das Artes, São Paulo, 2015).
    Galeria Ecarta – é um dos cinco projetos permanentes da Fundação Ecarta, que completou 15 anos, em Porto Alegre (RS). O espaço recebe, em média, seis exposições anuais e promove itinerâncias, laboratórios de curadoria, residência artística e montagem, entre outras atividades próprias e em parceria com instituições em âmbito local, regional e nacional. A coordenação é do artista, curador e gestor cultural, André Venzon.
  • Gunter Axt assume Secretaria da Cultura e anuncia “grupos de notáveis” para ajudar gestão

    Gunter Axt assume Secretaria da Cultura e anuncia “grupos de notáveis” para ajudar gestão

     

    O prefeito Sebastião Melo anunciou nessa sexta-feira, dia 1º, hora antes de tomar posse no cargo, os nomes dos novos gestores da Cultura de Porto Alegre. O historiador Gunter Axt, é o titular da pasta e o produtor cultural Clóvis André, secretário adjunto.

    Axt é formado em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atualmente pesquisador associado do Núcleo de Estudos Diversitas, da Universidade de São Paulo (USP). Nos últimos anos residia em Florianópolis, mas já está de volta à Porto Alegre. Seu anúncio se deu de forma virtual e na apresentação o prefeito Melo, explicou:

    “Para nós, a cultura é a alma da cidade. É economia criativa, é inclusão social e cultural e precisa de muitas parcerias. Então, o senhor, que é um historiador reconhecido internacionalmente, penso que tem um largo caminho para fazer a nossa cidade voltar a sorrir”, disse Melo.

    O prefeito deu a primeira tarefa a Axt: preparar a programação para os 250 anos de Porto Alegre, que serão celebrados em 2022. A ocasião é vista como uma chance de “levantar a alma da cidade”.

    Sobre o cargo, o novo titular da Cultura, afirmou:

    “Porto Alegre está vivendo uma oportunidade histórica de colocar a bola no centro, de investir em um projeto que seja liberal-social, que tenha essa cara, essa convicção, de uma radicalidade democrática, um compromisso humanista e iluminista. É uma oportunidade histórica de construir algo bacana para a cidade “.

    Segundo ele será criado um “grupo de notáveis” para aconselhar a sua gestão. Os nomes de Antônio Hohlfeldt, José e Isabela Fogaça, Paulo Amaral, Roque Jacoby e Sergius Gonzaga estão entre eles. Axt destacou por fim a “importância do diálogo e a necessidade de buscar criatividade para ampliar a capacidade de investimento da pasta”.

    Já Clóvis André Silva da Silva, secretário adjunto, é produtor cultural. Nasceu em Santana do Livramento em 1976, e reside em Porto Alegre. É reconhecido no setor por seu expressivo trabalho com as culturas populares na capital.

     

  • Lúcio Piantino grava vídeo para o projeto “Um novo olhar”, da Funarte

    Lúcio Piantino grava vídeo para o projeto “Um novo olhar”, da Funarte

    “Eu sou um artista, meus quadros são meus filhos e as minhas tintas são o alimento que eu dou para eles”, diz o brasiliense Lucio Piantino. “A pintura é a minha vida”, reforça ele, que, completa 12 anos de carreira como pintor.

    O jovem, portador de síndrome de Down, revela que sofreu muito preconceito na escola, até que um dia reuniu a família e informou que queria sair de lá. Desde então, passou a dedicar-se à arte, de forma profissional.

    Em um vídeo produzido para o projeto Um Novo Olhar, Lucio fala de sua trajetória e exibe alguns de seus trabalhos. O projeto é uma parceria da Fundação Nacional de Artes – Funarte com a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, com curadoria de sua Escola de Música.

    Lucio Piantino nasceu em 1995, é filho e neto de artistas plásticos e conviveu com as tintas desde os primeiros anos de vida.

    Aos seis anos teve desenhos e pinturas publicados no livro Cadê a síndrome de Down que estava aqui? O gato comeu…. de Elizabeth Tunes e L Danezy Piantino (Editora Autores Associados).

    Em 2008, ele fez suas primeiras exposições individuais, Matando Aula e Matando Aula II – O retorno?

    O nome das exposições foi uma provocação ao sistema educacional preconceituoso, que o discriminou a ponto de ter tido que passar o ano de 2008 fora da escola.

    O artista participou de diversas exposições coletivas, realizou mostras individuais e recebeu prêmios por sua obra.

    Em 2013, lançou seu livro e documentário De arteiro a artista: a saga de um menino com síndrome de Down, no Museu Nacional de Brasília. O documentário também foi selecionado e apresentado no Festival Internacional de Cinema Assim Vivemos, nas unidades do Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB do Rio de Janeiro e de São Paulo.

    Entre 2016 e 2019, Lucio apresentou suas obras em três exposições na Itália: a coletiva Questa casa non è um Albergo em Reggio Calábria; a individual Danze de colore e matéria, na galeria Aet Forum Whirth Capena em Roma, e a exposição Io sono um artista, do projeto AHEAD, na Galeria Casa d’Aste, em Roma.

    Em 2017, ele representou o Brasil na Campanha da ONU em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down e comemorou seus nove anos de carreira com a Exposição A prova dos 9 no Festival CoMA.

    A família desde cedo reconheceu e apoiou o trabalho de Lucio. A irmã, Joana Piantino, acabou se dedicando à produção cultural e, assim como a mãe, cuida da produção da carreira do jovem. São dela também as imagens do vídeo disponível aqui no site do Um Novo Olhar, onde o artista mostra suas obras, toca, dança e conta sua história.

    Sobre o projeto:

    Desenvolvido conjuntamente pela Fundação Nacional de Artes – Funarte e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, por meio da Escola de Música da Universidade, o Um Novo Olhar tem como alvo promover a inclusão e o acesso de crianças, jovens e adultos com algum tipo de deficiência, por meio das artes e da capacitação de professores e de regentes para coro. Com a exibição online de performances de artistas e vídeo podcasts (vodcasts) sobre arte e acessibilidade; com lives e uma série de publicações, o projeto tem também o objetivo de ampliar a percepção de toda a sociedade sobre as deficiências.

    Serviço:

    Apresentação de Lucio Piantino no projeto Um Novo Olhar

    Já disponível no site do projeto: www.umnovoolhar.art.br

    Informações sobre editais e outros programas da Funarte
    www.funarte.gov.br

  • Morre Ivo Nesralla, pioneiro em transplante de coração no RS e ex-presidente da FOSPA

    Morre Ivo Nesralla, pioneiro em transplante de coração no RS e ex-presidente da FOSPA

    Morreu na manhã dessa quarta-feira o cirurgião Ivo Nesralla, pioneiro em transplante cardíacos e cirurgias de ponte de safena no Estado, de 82 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. Segundo o noticiário da imprensa da capital, ele estava em casa e chegou a ser socorrido pela família e por equipe da Samu, mas não resistiu.

    Nesralla também presidiu a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre  (Ospa) durante 23 anos, em dois períodos – de 1983 a 1991 e de 2003 a 2018.

    —Ele tinha um imenso coração, para fazer uma ligação com a profissão dele.  E deixa como mensagem a importância da cultura para nossa sociedade, a importância de um Estado como Rio Grande do Sul ter uma orquestra sinfônica — disse em nota o maestro Evandro Matté.

    A Direção da Fundação Universitária de Cardiologia – Instituto de Cardiologia  também divulgou nota destacando que “seu espírito pioneiro reacendeu a cirurgia de transplante de coração em nosso país e sua liderança foi fundamental para cumprirmos a nossa missão de assistência, ensino e pesquisa”.

    O velório vai ocorrer nesta quinta-feira (17) no Cemitério da Santa Casa, capela 6, das 8h às 11h. Em razão da pandemia de coronavírus, haverá restrições de entrada: serão permitidas até 10 pessoas por vez. Ivo deixa a mulher, Paulita, os filhos Ivo, Carlos e Paula, também cirurgiã cardíaca, e netos.

  • “Gesto Flamenco”,  uma visão teórica e poética sobre a dança espanhola

    “Gesto Flamenco”, uma visão teórica e poética sobre a dança espanhola

     

     

    A artista, pesquisadora e docente gaúcha Daniele Zill lança, pela Edições FUNARTE (Fundação Nacional das Artes), Gesto Flamenco (144 páginas, 21 cm, ISBN 978-65-5845-000-9, ilustrado), livro inédito sobre o estudo do gesto na especificidade da linguagem flamenca. Mestra em Artes Cênicas pela UFRGS, desde 2013 se dedica à difusão e à pesquisa dessa linguagem artística.

    Desenvolvido a partir da experiência e da pesquisa da autora, o livro cria um espaço de registro sobre a história dos 20 anos de atividades do coletivo Del Puerto (Porto Alegre/RS) e abre um novo território para a pesquisa sobre flamenco no Brasil – tanto no universo acadêmico, quanto literário. A publicação também propicia um lugar de reflexão crítica sobre a dança na contemporaneidade e sobre o campo das artes no Brasil.

    Movida por compreender o flamenco como fenômeno cultural, situando esta linguagem artística na contemporaneidade, Daniele estabelece um recorte através da análise do espetáculo Las Cuatro Esquinas, um dos maiores projetos da história do coletivo Del Puerto desde sua fundação em 1999. Durante os três anos em que esteve em cartaz, a montagem foi premiada com oito troféus do Prêmio Açorianos de Dança 2012 e circulou nacionalmente através do edital Klauss Vianna em 2015.

    Acervo Del Puerto. Foto: Clara Assenato /Divulgação

    Além da análise descritiva das cenas, para investigar na especificidade o gesto e os discursos do corpo do grupo, foram utilizados outros registros do espetáculo (acervo de fotos, materiais de consagração, diários de ensaio e outras anotações), bem como depoimentos de integrantes da companhia.

    Segundo a autora, “O gesto flamenco é um somatório, uma edificação, formada por modulações de tônus e ancestralidade (inventividade e tradição), treinamento corporal e atravessamentos afetivos (técnica e temperamento), especificidades artísticas e processos colaborativos (aparato técnico e processos criativos). São elementos ou estruturas que, apesar do aparente antagonismo, estão fortemente agregadas, formando o que nomeei de corporeidade flamenca, na qual o gesto flamenco está apoiado.”, analisa.

    Acervo Del Puerto Foto: Cristina Rosa/ Divulgação

    O lançamento acontece no dia 18 de dezembro, às 17 horas, em um bate-papo entre a autora, Fabiano Carneiro (Coordenador de Dança da Funarte) e João Maurício Moreira (Gerente da Edições Funarte) no canal da Funarte no Youtube (https://www.youtube.com/funarte).

    Daniele Zill. Foto: Carlos Sillero./ Divulgação

    Daniele Zillé é artista e pesquisadora, multi colaboradora do coletivo Del Puerto desde 1999, data de sua fundação pela bailarina Andrea Del Puerto. Desde 2013 a artista também se dedica à difusão e à pesquisa de linguagem flamenca no meio acadêmico. Soma-se ao flamenco  a sua formação em música e a graduação em fisioterapia, experiências que foram fundamentais para a realização da pesquisa intitulada ‘Corpo Del Puerto: investigação do gesto flamenco no espetáculo Las Cuatro Esquinas’. A pesquisa foi desenvolvida no Mestrado do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da UFRGS (IA/DAD), entre os anos de 2015 e 2017 e o manuscrito de caráter inédito, que recebeu a nota máxima e recomendações de publicação pela banca examinadora, agora publica o livro GESTO FLAMENCO.

    Acervo Del Puerto. Foto: Cristina Rosa/ Divulgação

    O Coletivo Del Puerto, fundado em 1999, desde então realiza um intenso e continuado trabalho de pesquisa técnica, expressiva e histórico-cultural que envolve a linguagem Flamenca. A companhia já circulou por todo o país com suas montagens, recebeu prêmios e indicações, entre eles troféus Açorianos de Dança em 2008, 2012, 2014 e 2016, o Prêmio Funarte Klauss Vianna 2013 (circulação de espetáculos), o Prêmio de Pesquisa em Artes Cênicas do Teatro de Arena em 2015 e o Prêmio FAC Pró-Cultura RS 2017 #juntospelacultura. Atualmente a Companhia está em circulação com o espetáculo para crianças, “Flamenco Imaginário”, ganhador em várias categorias dos prêmios Tibicuera de Teatro e Açorianos de Dançano ano de 2016.

    Acervo Del Puerto Foto: Clara Assenato/ Divulgação

    Lançamento:

    Gesto Flamenco (Edições Funarte, 2020, 144 páginas, 21 cm, ISBN 978-65-5845-000-9, ilustrado)

    Dia 18 de dezembro de 2020, às 17 horas

    Canal da Funarte no Youtube

    https://www.youtube.com/funarte

     

    Encomendas para todo o Brasil Livraria Mário de Andrade (Funarte): livraria@funarte.gov.br

    Preço: R$ 40,00

     

    LINKS e REDES:

    *Site www.gestoflamenco.com

    *Instagram https://www.instagram.com/gestoflamenco/ 

    *Facebook https://www.facebook.com/danielezillflamenco/

    *Instagram @danielezill

    *YouTube https://youtu.be/Ypv3LkfSYHQ

  • 1935 – A volta do repórter policial Paulo Koetz

    1935 – A volta do repórter policial Paulo Koetz

     

    Geraldo Hasse*

    A cada livro – a conta já passou de 15 –, o repórter-historiador Rafael
    Guimaraens vai se aperfeiçoando como ficcionista escolado, mas sem se
    afastar da trilha segura da pesquisa histórica em cima de episódios do
    mundo policial. Em seu último livro, 1935 (Libretos, 336 páginas), lançado
    na última feira do livro (virtual) de Porto Alegre, ele mescla reportagem
    policial com invenção literária e, numa trama extremamente hábil, produz
    uma estupenda novela de costumes em que se entrecruzam policiais,
    jornalistas, políticos, prostitutas, gigolôs, advogados e contrabandistas.

    A personagem central da história é Paulo Koetz, repórter policial-narrador
    que se envolve em diversas ocorrências do ano em que o governo gaúcho
    monta uma grande festa-exposição para comemorar o centenário da
    revolução farroupilha (1835-1845). Enquanto cobre acontecimentos em
    Porto Alegre, ele se envolve com uma bailarina “francesa” explorada por
    uma organização mafiosa e frequenta escritórios de profissionais liberais
    esquerdistas vigiados pelo governo de Flores da Cunha, o caudilho
    provinciano que mira o lugar de Getúlio Vargas na Presidência da
    República. É uma narrativa praticamente pronta para virar roteiro de
    cinema.

    Paulo Koetz é uma personagem ficcional baseada em fatos reais. Esse
    nome consta dos bastidores da história d’A Dama da Lagoa, livro de
    Rafael Guimaraens que explora o caso do assassinato de uma jovem de
    Porto Alegre cujo corpo foi jogado na Lagoa dos Barros, em Santo Antonio
    da Patrulha, no início da década de 1040. Em 1935, Koetz aparece como
    ex-estudante de direito, tem 24 anos, trabalha como repórter do Correio
    do Povo e sonha ser chamado pela Revista do Globo, onde seu primo, o
    artista plástico Edgar Koetz (1914-1969), trabalha como ilustrador sob a
    direção de Erico Verissimo nos primórdios da carreira literária.

    Esses vínculos entre a realidade e a fantasia constituem um dos charmes
    do livro, que explora com eficácia e lucidez fatos e vivências de uma
    cidade em franca transformação. O repórter conhece o psiquiatra e
    escritor Dyonelio Machado, preso como agitador comunista e visitado na cadeia por ninguém menos do que o cronista Rubem Braga, um dos
    jornalistas brasileiros convidados para a inauguração da exposição no dia
    20 de setembro de 1935. Koetz vai junto e contracena com os dois
    escritores rebeldes.

    A novela cresce à medida que o repórter-narrador mergulha nos
    subterrâneos da vida político-policial portoalegrense. Vai de trem a
    Taquara a fim de desvendar o crime do sapatinho vermelho – uma jovem
    é degolada por um veterano da revolução de 1893. Embora seja um
    aprendiz do ofício, troca informações com o patrão Breno Caldas, herdeiro
    do Correio do Povo, sobre frequentadores do Jockey Clube suspeitos de
    bandalheiras internacionais. Assiste ao Gre-Nal do Centenário, destacando
    a figura de Lara, o goleiro que sai de campo para o hospital e, pouco
    depois, morre tuberculoso.

    Mais de uma vez tenta mas não consegue uma mesa no restaurante Gambrinus, sempre lotado, no Mercado Público. Esforça-se por ajudar o advogado Apparicio Cora de Almeida a desvendaro mistério do assassinato de Waldemar Ripoll, morto a machadadas em1934 por pregar um golpe contra o governador Flores da Cunha (Cora de
    Almeida morre com um tiro atrás da orelha direita, tendo prevalecido a
    versão policial de que ele cometeu suicídio involuntário).

    A trama narrada na primeira pessoa tem o máximo rendimento quando o
    repórter Koetz, operando como investigador autônomo, furta documentos
    do escritório de um contrabandista judeu, abrindo caminho para que a
    polícia capture uma quadrilha internacional especializada na extorsão de
    “escravas brancas” européias, especialmente as “polaquinhas” obrigadas
    a trabalhar como prostitutas.  Tudo isso é bastante verossimel numa cidade coalhada de alemães ou descendentes em que o maior empresário local, o industrial do vestuário A. J. Renner, usa um bigode semelhante ao de Adolf Hitler, líder do nazismo na Alemanha. Claro que o repórter só ganha tanta coragem para salvar a vida da sua querida namorada Juliette, aliás Agniezka, originária da Polônia. Com seu 1935, afinal de contas, Rafael Guimaraens avança como mestre num tipo de narrativa que mistura jornalismo, literatura e política, explorando habilmente fatos e costumes de uma época em que a provinciana Porto Alegre adquire ares de metrópole e entroniza Erico Verissimo como um dos maiores romancistas do Brasil.

    Nascido em 1956 em Porto Alegre, filho do jornalista Carlos Guimaraens e
    neto do poeta Eduardo idem, Rafael sempre trabalhou com a escrita.
    Formado em jornalismo na PUCRS, começou como repórter e foi dirigente
    da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (Coojornal), que existiu de
    1974 a 1982. Desde a segunda metade dos anos 70, fez parte do núcleo de
    jornalismo histórico da Coojornal, cujos integrantes selecionavam temas
    passíveis de pesquisa para publicação em forma de reportagens mais
    alentadas. De certa forma, Rafael se manteve nessa trilha histórica,
    tornando-se um escritor especialista em reportagens aptas a virar livros
    –essa mesma vertente tem sido explorada por outros ex-membros da
    cooperativa atuantes em Porto Alegre: Elmar Bones (jornal Já), por
    exemplo, explora histórias dos poderosos da política; já Jorge Polydoro
    (revista Amanhã) focaliza os poderosos do mundo empresarial.

    Em mais de uma dezena de livros, todos editados pela Libretos, fundada
    em 1997 por Clo Barcellos, jornalista especializada em design editorial,
    Rafael passou a limpo diversas histórias de Porto Alegre, entre elas a
    famosa enchente de 1941. Um dos pontos altos de sua trajetória é O
    Sargento, o Marechal e o Faquir (Libretos, 2016), que reconta a história da
    prisão, tortura e morte do sargento Raimundo Soares, tristemente célebre
    como protagonista-vítima do Caso das Mãos Amarradas, de 1966, nos
    primeiros anos da ditadura militar.

    Com experiência em assessoria de imprensa de políticos petistas – Olivio
    Dutra e Flavio Koutzii –, Rafael nunca trabalhou fora de Porto Alegre,
    embora tenha recebido propostas para trabalhar em grandes veículos no
    Rio, em São Paulo e Brasília. Há dois anos aposentou-se, com o que passou
    a dispor de mais tempo para pesquisar e escrever.
    Embora tenha passado a fazer parte do primeiro time dos escritores
    gaúchos, ele não tira o próprio sustento da venda dos seus livros —
    importantes, porém, para a sustentabilidade da Editora Libretos, para a
    qual trabalha exclusivamente desde 2006.

    • Jornalista, pesquisador e escritor.
  • Clube da MPB completa 10 anos com o show virtual ” O Samba e o Choro”

    Clube da MPB completa 10 anos com o show virtual ” O Samba e o Choro”

    Um projeto cultural completar dez anos de existência em Porto Alegre é, sem dúvidas, motivo de comemoração. E se este projeto inclui valorização, memória, formação de plateia e inclusão de muitos artistas da nova e da velha cena musical da cidade, então é gol na certa! O Clube da MPB completa uma década no ano da pandemia, mas nem por isso os festejos serão menores. Contemplado na Lei Aldir Blanc por sua relevância, colocará no ar nas redes do projeto um show novinho em folha. ‘O Samba e o Choro’ estreia dia 15 de dezembro nas plataformas e traz muitas participações nesta 24ª edição do Clube.

    O show presta homenagens ao samba e ao choro com a banda do Clube e convidados muito especiais. O repertório tem Dona Conceição, Chiquinha Gonzaga, Chico Buarque e Dominguinhos, Baden Powell, Vinícius de Moraes, Rodrigo Maranhão, Ernesto Nazareth, Francis e Olívia Hime, entre outros grandes nomes da MPB.

    Clube da MPB. Foto Maíra Baumgarten/ Divulgação

    Essa edição foi inteiramente gravada de forma virtual e é composta de vídeos com integrantes da Banda do Clube e as participações especiais de Alexandre dos Santos (violão de sete cordas), Gabriela Zanatta (cavaquinho), Maurício Oliveira (clarinete), Raíssa Anastásia (flauta), Guilherme Fejão (pandeiro) e Paulinho Cardoso (acordeon). Como convidados de Porto Alegre estão os compositores Dona Conceição (que cedeu a música Dabudé para o Clube gravar) e Thaís Nascimento. E o Clube traz a participação de um importante grupo da cidade, o Regional de Choro e Samba Cordas & Cordas, coordenado por Rosana Marques e Gabriela Zanatta, que apresentará um repertório de choros clássicos gravados de forma virtual. Participam nos vídeos do Regional Angela Galindo, Jô Remião, Maíra Baumgarten, Sabrina Fernandez, Marcio Garcia, Gustavo Burkhart, Gabriela Zanatta e Rosana Marques.

    O vídeo completo será disponibilizado no canal do Youtube do Clube, assim como os vídeos de cada música gravados pela Banda do Clube (Alexandre Rodrigues, Maíra Baumgarten, Darllan Luz e Roberto Bisotto) e convidados.

    Maíra Baumgarten. Foto: Biah Werther/ Divulgação

    Um pouco de história

    Criado em 2010, o Clube da MPB é um projeto de valorização, preservação da memória e popularização da música brasileira, apoiando a formação de público e de espaços de fruição da música feita no Brasil e no Rio Grande do Sul. A primeira edição foi lançada em janeiro de 2011, apresentando músicas de grandes nomes da MPB como Noel, Gilberto Gil, Tom Jobim, Maysa, Ataulfo Alves entre outros.  Ao longo desses dez anos foram produzidas 23 edições homenageando os grandes compositores brasileiros e uma edição especial, já neste ano e de forma virtual, em memória a Aldir Blanc.

    A proposta do Clube é preservar a raiz de cada composição, mantendo a essência de suas concepções originais, mas emprestando a elas novos matizes sonoros. Com esse intuito em 2014, o Clube revisitou a obra do grande Dorival Caymmi em um primeiro ensaio de um novo projeto: Memória da MPB (2016). Nessa incursão à memória da música brasileira, trouxe shows abordando a obra de Noel Rosa e Cartola, aos 80 anos do samba canção (2018), ao jazz e a bossa (2018) no encontro do Clube da MPB e o tradicional Clube de Jazz (Take Five). Ainda em 2018 celebrou a Jovem Guarda. Em 2019 homenageou Gilberto Gil, Paulo Cesar Pinheiro e Elton Medeiros, exemplos de manutenção e preservação da memória de nossa música, trazendo marcantes e significativas composições dos autores que são parte do nosso patrimônio cultural.

    Clube da MPB – O Samba e o Choro

    Edição comemorativa dos 10 anos

    Dia 15 de dezembro, às 18h em sala de vídeo na página do Clube da MPB no Facebook

    E nas outras redes do Clube da MPB

    Facebook – https://www.facebook.com/Clubedampbpoa

    YouTube – https://www.youtube.com/channel/UCqU45gfPFNpyqG0Oypme9Lg

  • Sonetos completos de Shakespeare ou “como conhecermos a nós mesmos”

    Sonetos completos de Shakespeare ou “como conhecermos a nós mesmos”

     

    A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o 20º e último volume  volume.

    A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 20

    SONETOS COMPLETOS

    p/William Shakespeare

    Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

    Porto Alegre, Editora Movimento, 2019, 328p.

    Editado com o apoio de DUPONT SPILLER advogados.

    Na segunda edição dos Sonetos, em 1640, vinte e quatro anos após a morte de Shakespeare, o editor publica um poema que assim termina: Tua fama viverá para sempre e o mundo todo haverá de confirmar que poeta como tu tempo futuro nenhum haverá de criar. Ler os sonetos de Shakespeare é chegar mais perto de conhecermos a nós mesmos, pois são cento e cinquenta e quatro radiografias de nossa alma, reveladas trezentos anos antes de Freud.

    Soneto 71:

    Quando eu morrer, só faças luto por mim,

    enquanto ouvires o triste dobre fúnebre do sino,

    avisando ao mundo que eu parti deste vil mundo,

    para morar com os mais horrendos vermes.

    Mais ainda: se leres estas linhas, não procures te lembrar da mão que as escreveu, pois eu te amo tanto,

    que gostaria de ser esquecido em teus doces pensamentos,

    se pensar em mim te causasse sofrimento.

    Sim, repito, se passares os olhos nestes versos,

    quando eu, talvez, já esteja misturado com a terra,

    nem mesmo tentes pronunciar meu pobre nome,

    mas que teu amor e minha vida se consumam juntos,

    para que as pessoas curiosas, ao saber a causa de teus gemidos,

    não zombem de ti, ao saber que um do outro éramos queridos.