O homem que ensinou Caetano a ouvir música

Zuza Homem de Mello. Foto Carol Guedes/ Divulgação

Morreu enquanto dormia o jornalista e pesquisador musical  Zuza Homem de Mello, aos 87 anos. Foi na manhã deste domingo, 4, no apartamento em que morava no Bairro Pinheiros em São Paulo. Infarto agudo do miocárdio foi a causa registrada no atestado de óbito.

Está de luto a comunidade musical brasileira, a quem ele dedicou uma obra imensa e variada que produziu como  jornalista, escritor, produtor de discos, professor, palestrante, apresentador de shows e curador de festivais.

Zuza tinha muitos amigos gaúchos e alguns deles, como o músico e produtor cultural Carlos Badia, os jornalista Juarez Fonseca e Márcio Pinheiro e o músico Arthur de Farias fizeram registros emocionados, jornalísticos e de tributo a Homem de Mello.

“Suinge é aquele balanço que não está na pauta”, aprendeu ele nos primeiros estudos que fez com a intenção de ser contrabaixista.

“Essa, acredito que seja a grande meta da minha vida: fazer as pessoas saberem ouvir música”, disse ele no doc “Zuza Homem de Jazz” (2019), de Janaina Dalri.

Começou como baixista  tocando em boates em São Paulo. Em 1957,  foi para a School of Jazz, em Massachusetts (onde teve aulas com Ray Brown, lenda do contrabaixo) e logo depois para a prestigiada Juilliard School of Music, em Nova York, onde aprendeu, em suas palavras, “a ouvir música”.

Tinha  23 anos e  mergulhou de cabeça no mundo do jazz, em clubes como o Five Spot Jazz Café (onde o pianista Thelonious Monk mudou sua visão de música, com uma banda que tinha o saxofonista John Coltrane) e o Village Vanguard.  Foi testemunha privilegiada de uma época de rara criatividade na música mundial e registrou suas impressões como colunista da “Folha da Noite” e “Folha da Manhã”.

Voltou ao Brasil dois anos depois e foi trabalhar como técnico de som na incipiente  TV Record onde ficou mais de dez anos.

Lá acompanhou os bastidores dos festivais da canção que revelaram nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil, o “Fino da Bossa” (de Elis Regina e Jair Rodrigues) e o “Jovem Guarda”, de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. É dessa época seu empenho em trazer grandes nomes do jazz ao Brasil.

Quando soube de sua morte, Caetano Veloso lembrou das “conversas íntimas e audição de clássicos da canção popular do mundo”. “Eu fui presenteado com essa convivência educadora e quero saudar a existência de Zuza”, escreveu Caetano no Facebook.

 

Shakespeare e a resposta ambígua de um enigma, em”Péricles”

 

A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o quarto volume.

A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 4

PÉRICLES

p/William Shakespeare

Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

Porto Alegre, Editora Movimento, 2019, 176p.

Em coedição com EDUNISC, Santa Cruz do Sul, RS.

“Desejoso de casar com a linda filha do Rei Antíoco, o Príncipe Péricles aceita tentar resolver o complicado enigma com o qual Antíoco põe à prova os pretendentes de sua filha. Não obstante a mórbida visão de inúmeras cabeças decepadas, fincadas em estacas, de apaixonados que falharam em achar a resposta do enigma, Péricles lê o enigma, acha a resposta, que envolve o tabu do incesto, e logo se dá conta que enfrenta um drama kafkiano, pois morrerá, quer dê a Antíoco a resposta certa, quer não a dê. Salva-o, em parte, o poder da palavra, que torna sua resposta tão ambígua como o próprio enigma.”

Ato III – Coro [após a cena do casamento]:

 Agora o sono acalmou o alvoroço;

nenhum ruído pela casa senão roncos,

cada vez mais altos por causa da comilança,

nesta solene festa de casamento.

O gato, com olhos que brilham como brasa,

se ajeita junto à toca do ratinho;

os grilos cantam junto à boca do forno,

faceiros por acharem um lugar quentinho.

Himeneu levou a noiva ao leito onde,

perdida sua virgindade,

formou-se um bebê. Atenção, agora

o tempo, que passa tão ligeiro,

preenchei inteligentemente com a imaginação;

o que for mudo no palco, esclareço com minha fala.

Lei Aldir Blanc: Prefeitura publica regras para distribuição de R$ 9 milhões ao setor cultural

 

A Secretaria Municipal da Cultura (SMC) publicou em edição extra do Diário Oficial (Dopa) desta quarta-feira, 30, a portaria com os procedimentos necessários à aplicação dos recursos recebidos pela Lei Federal nº 14.017 (Lei Aldir Blanc). O texto apresenta as ações emergenciais destinadas ao setor cultural, destinadas à manutenção de espaços artísticos e culturais, microempresas e pequenas empresas culturais, cooperativas, instituições e organizações culturais comunitárias que tiveram as suas atividades interrompidas com as medidas de isolamento social.

O Município recebeu aproximadamente R$ 9,2 milhões que serão divididos entre a manutenção de espaços culturais (inciso II) e recursos para os editais, chamadas públicas, prêmios, aquisição de bens e serviços vinculados ao setor cultural (inciso III).

As entidades artístico-culturais habilitadas irão receber o pagamento de duas parcelas, a primeira no valor de R$ 3.000. Poderá ser acrescido ao primeiro pagamento valores referentes aos critérios afirmativos indicados no ato do cadastro, tais como gênero, raça, deficiência, orientação sexual e idade. O valor total pago na primeira parcela poderá chegar a R$ 6.000 dependendo dos critérios afirmativos informados. Já a segunda parcela dependerá da avaliação e pontuação de critérios descritos no edital, variando entre R$ 3.000 para os colocados entre as 376º e 450ª posições até R$ 8.000 para os colocados entre a 1ª e 75ª posições.

A lista final de habilitados será publicada no Dopa. Após o recebimento e análise da documentação entregue, será concedida a pontuação de acordo com os critérios.

ÍNTEGRA DA PORTARIA – PÁGINAS 1 A 13.
http://dopaonlineupload.procempa.com.br/dopaonlineupload/3638_ce_20200930_executivo.pdf

Morreu Quino, que desenhou o inconformismo. E criou Mafalda

Vitor Nuzzi, da RBA

 

O desenhista argentino morreu hoje, aos 88 anos, um dia depois do “aniversário” de 56 anos sua icônica personagem.

 

Em novembro de 1954, a revista semanal argentina Esto Es publicou a tira de um estreante de “linha lacônica”. Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, tinha 22 anos. Esse traço se tornou marca registrada do artista, possivelmente o desenhista de língua espanhola mais conhecido no mundo. Em boa parte, isso se deve à personagem Mafalda, a nacionalista rebelde nascida em 1964 e que ontem havia completado 56 anos. Quino morreu nesta quarta-feira (30), aos 88 anos, depois de sofrer um AVC na semana passada.

Nascido em Mendoza em 17 de julho de 1932, aos 13 anos, já decidido a ser desenhista, matriculou-se na Escola de Belas Artes. Cansou de pintar no gesso, e aos 18 foi para Buenos Aires procurar um editor. Levou mais de três anos até conseguir. “No dia em que publiquei minha primeira página, tive o momento mais feliz da minha vida”, recordou.

Nasce uma personagem

Casado com Alicia Colombo desde 1960, três anos depois ele publicou seu primeiro livro, Mundo Quino. Nessa época, foi apresentado a uma agência de publicidade que procurava alguém para lançar uma linha de produtos eletrodomésticos. A campanha não foi para a frente, mas ali começou a nascer a mais famosa de suas personagens. “Mafalda, la chica de pelo negro que odia la sopa y está en contradicción con los adultos”, como definiu.

A primeira tira com Mafalda foi publicada pela primeira vez em 29 de setembro de 1964, no semanário Primera Plana. Não demorou muito para que ela se tornasse um fenômeno inclusive internacional. Era a garotinha inconformada com as mazelas do mundo, sempre questionando seus pais. E também fanática pelos Beatles, que surgiram na mesma época.

Mafalda chegou à Itália, por exemplo, em 1969, apresentada por ninguém menos que Umberto Eco. No Brasil, álbuns publicados nos anos 1980 (com tiras de 1965 dos jornais El Mundo e Córdoba) tiveram tradução de Mouzar Benedito e edição de Henfil.

Criador e criatura

Quino parou de desenhar Mafalda e sua turma em junho de 1973. Queria dedicar-se a outros projetos. Tempos depois, descobriu-se que o fim das tiras estava também relacionado à situação política da Argentina. Mas ela já ganhara vida própria. Tornou-se uma das personagens mais icônicas de todos os tempos. Quem vai a Buenos Aires, por exemplo, dificilmente deixa de ir ao bairro de San Telmo, local de uma feira famosa e onde está Mafalda, sentada em um banco.

Em 2018, foram inauguradas estátuas de Mafalda, Manolito e Susanita em Mendoza, terra natal do escritor. Mas, assim como a personagem transcendeu o criador, a obra de Quino vai muito além da criatura. Quino é “um dos maiores autores de humor gráfico que já houve”, disse tempos atrás a cartunista Laerte.

Em entrevista ao jornal Página/12, em 2004, Quino contou do que tratava em suas tiras: “Da relação entre os fracos e os poderosos”.

Uma rebelde de 6 anos chega aos 50

Reprodução
Tira clássica de Quino: a faxineira arruma tudo, inclusive o quadro ‘Guernica’, de Pablo Picasso, em alusão à guerra civil espanhola. Até a patroa estranhou…

 

“Recital de piano em casa”, com João Maldonado, na reabertura parcial do Espaço 373

No dia 7 de outubro (quarta-feira), às 20h, João Maldonado celebra 56 anos de vida e 37 de carreira com o show “Recital de Piano em Casa”. O projeto foi contemplado no FAC Digital RS, edital da Secretaria de Estado da Cultura promovido, em parceria com a Universidade Feevale, de Novo Hamburgo. A live acontece, simultaneamente, pelo canal do Youtube do músico e do Espaço 373, que vem apoiando artistas neste período isolamento social. A data marca, ainda, a reabertura gradual do 373 para até 30 pessoas (a capacidade total é de 130 pessoas) com agendamento prévio pelo Eventbrite, em cumprimento a todos os protocolos de segurança sanitária. A apresentação tem entrada gratuita.

No repertório, composições feitas para a família, além das músicas do disco “Beauty”, lançado em novembro do ano passado pela Loop Discos. “É um aniversário bem diferente. Já não tenho mais minha vó nem meus pais. Minhas irmãs, que moram fora de Porto Alegre, não vejo desde o início dessa loucura que estamos passando. Então este show é uma forma de estar perto deles e, também, de agradecer por estarmos sobrevivendo à pandemia do coronavírus”, diz Maldonado.

Foto Nabor Goulart/ Divulgação

Do jazz a bossa nova
Desde o início da pandemia, João Maldonado tem aproveitado o tempo para estudar Harmonia com o pianista Fabio Torres, do Trio Corrente, Grammy 2014 como Melhor Álbum de Jazz Latino, e compor. Ele está preparando um trabalho de bossa nova que será lançado em breve, com várias participações especiais, pela Loop Discos.

“Apesar de tudo, estou vivendo um momento muito feliz. Passei pelo rock, fui o primeiro pianista a gravar um álbum de blues no Rio Grande do Sul, em 2019 lancei meu primeiro disco de jazz e só faltava a bossa nova. Fui desafiado pelo Edu Santos (Loop Discos), precisei estudar muito e o trabalho está ficando maravilhoso. Vamos tocar a alma das pessoas”, destaca Maldonado.

SERVIÇO
Recital de Piano em Casa
Quando:
 7 de outubro | Quarta-feira | 20h
Transmissão ao vivo pelo Youtube
João Maldonado:
 https://www.youtube.com/user/joaomaldonado1
Espaço 373: https://www.youtube.com/channel/UCsRPM0jg5nTo89lkXoP4GUA
Reserva para o show: https://www.eventbrite.com.br/e/recital-de-piano-em-casa-com-joao-maldonado-tickets-123219355409
Endereço: Rua Comendador Coruja, 373 – Quarto Distrito
Informações: (51) 98142 3137 | (51) 99508 2772

Em ” Coriolano”, um drama da república romana contado por Shakespeare

 

A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o terceiro volume.

A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 3

CORIOLANO

p/William Shakespeare

Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

Porto Alegre, Editora Movimento, 2017, 264p.

Editado com o apoio de Wizard

“Militar romano que ajudou a expulsar o último rei de Roma, Coriolano foi um dos instauradores da república romana, em torno de 500 a.C. Seu exacerbado amor à justiça, que o levou, entre outras atitudes radicais, a exercer forte oposição à decisão do Senado que, temeroso de perder votos, permitiu a distribuição gratuita de trigo à plebe, foi seu defeito trágico (húbris) que, somado a seu apego edipiano por sua mãe e sua intransigência em ceder, lhe trouxe consequências fatais.”

Ato I, Cena 1 – Caio Márcio (depois chamado Coriolano – dirigindo-se aos cidadãos de Roma):

                                               […] Que quereis, cães furiosos,

                                               que não gostais nem da paz nem da guerra? A guerra vos assusta

                                               e a paz vos torna arrogantes. Quem em vós confiar

                                               vai descobrir lebres lá onde pensava achar leões

                                               e gansos onde buscava raposas; confiar em vós é o mesmo

                                               que confiar numa brasa que fica no gelo

                                               ou no granizo que se derrete ao sol. Para vós é virtude

                                               valorizar aquele cujo crime o levou a ser punido

                                               e vituperar a justiça que o puniu. Os que merecem as glórias

                                               incorrem em vosso ódio; aquilo que procurais é como

                                               o apetite de um homem adoentado, que mais deseja aquela comida

                                               que vai agravar seu mal. Aquele que confia

em vosso apoio, nada com nadadeiras de chumbo

e tenta derrubar carvalhos com caniços.

Coletivo Nimba debate a condição da mulher negra  em lives no mês de outubro

O Coletivo Nimba, grupo de profissionais negras da cultura, convidou quatro mulheres de destacada atuação na cultura gaúcha para comentar sobre a condição da mulher negra na sociedade em uma série de encontros virtuais no mês de outubro. Quem abre o projeto “Bate-Papo Nimba” é a jornalista Carol Anchieta, que conversará sobre o tema “Afrofuturismo”, no dia 6 de outubro, terça-feira, às 21h. O público pode acompanhar pelo Instagram do coletivo (@coletivonimba).

Carol Anchieta é jornalista, com passagens por veículos como TV Unisinos, Canal Futura, Rede Globo e RBS TV. E mestranda em Design Estratégico para Inovação Social, com foco em moda sustentável e Afrofuturismo, integra o grupo de estudos “Atinuké – Pensamento de Mulheres Negras” e, atualmente, trabalha como assessora de Diversidade da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

A programação do “Bate-Papo Nimba” prossegue no dia 13 com a presença da bióloga e ativista Maria Cristina Santos Ferreira, que abordará o empreendedorismo de mulheres negras, a partir do caso da Rede de Afro-Empreendedoras (Reafro). No dia 20, a conversa é com a poetisa Delma Gonçalves, com o tema “Histórias de uma Compositora Negra”. Finalizando o ciclo, no dia 27 de outubro, a contadora e empreendedora Carol Moreira, mentora de negócios de mulheres negras, fala sobre a startup Negras Plurais e sobre o protagonismo negro.

A série “Bate-Papo Nimba” iniciou-se em abril deste ano, com encontros semanais que visavam mitigar os efeitos da pandemia e proporcionar momentos de diálogo e troca de saberes. Já foram entrevistas pelas integrantes do coletivo: Vera Lopes, Iya Sandrali, Iara Deodoro, Anaadi, Andrea Cavalheiro, entre outras. As entrevistas podem ser acessadas no IGTV do @coletivonimba.

Mesmo em um contexto de pandemia, o Coletivo Nimba mantém a proposta de reunir um conjunto de artistas descendentes da diáspora africana em conversas que discutem a presença minoritária da mulher negra em espaços de produção intelectual, de consumo e de poder. Outra iniciativa do coletivo é o Sarau A Única Negra, tradicional encontro poético-musical, que também vem sendo realizado em formato virtual, promovendo e divulgando o trabalho de artistas negras.

SERVIÇO:

O Quê: Bate-papo Nimba. Série de encontros virtuais que discutem a participação da mulher negra na sociedade contemporânea. Abertura com a jornalista Carol Anchieta.   

Quando: Dia 06 de outubro de 2020, terça-feira, 21h

Onde: Pelo Instagram do Coletivo Nimba – @coletivonimba

Jeferson Tenório é o patrono da 66ª Feira do Livro de Porto Alegre

A Câmara Riograndense do Livro anunciou hoje, dia 29, o nome do patrono da 66ª Feira do Livro de Porto Alegre. Será o escritor Jeferson Tenório. A 66a Feira do Livro de Porto Alegre acontecerá, seguindo a tradição, nos primeiros dias de novembro – a programação oficial vai de 30 de outubro a 15 de novembro. Porém, como ela será inteiramente virtual, sem eventos na Praça da Alfândega, dará a largada em 13 de outubro, com um “aquece” do que virá pela frente.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Jeferson Tenório mudou-se para Porto Alegre ainda criança, com 13 anos de idade. Foi na capital gaúcha que se formou como pessoa e como profissional. Graduou-se em Letras pela UFRGS, onde ingressou através da primeira turma do programa de cotas raciais, e onde obteve seu título de mestre em literaturas luso-africanas, com uma dissertação sobre o moçambicano Mia Couto.

Atualmente, é doutorando em teoria literária pela Escola de Humanidades da PUCRS, e professor de português e literatura na rede pública de ensino de Porto Alegre. Os 30 anos de morada no Rio Grande do Sul já lhe conferem, se não oficialmente pelo menos honorariamente, o título de gaúcho.

Sua obra mais recente, O Avesso da Pele, foi publicada em agosto deste ano, pela Companhia das Letras, e chegou fazendo barulho. Ou, talvez seja mais correto dizer, chegou em meio ao barulho provocado pelos protestos desencadeados após a morte de George Floyd, em Minnesota, nos Estados Unidos, e, no cenário nacional, da morte do adolescente João Pedro Mattos, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Vidas negras importam, diz o movimento antirracista e a obra de Tenório. Em seu livro, o personagem principal também é brutalmente assassinado, por policiais, por causa da sua cor.

Tenório estreou sua carreira como romancista com a obra O beijo na parede, publicada em 2013, pela Sulina. O livro lhe rendeu o prêmio de Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores. Em 2018, o livro entrou para o PNLD (Plano Nacional do Livro e do Material Didático), do Ministério da Educação, e passou a ser distribuído para as escolas públicas, para alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental e alunos do Ensino Médio. A obra já teve mais de 60 mil exemplares distribuídos pelo programa. Seu segundo romance, Estela sem Deus, foi publicado em 2018, pela editora Zouk.

PROGRAMAÇÃO DA FEIRA

A programação deste ano está organizada a partir dos temas valorização da cultura, diversidade, ciência e sustentabilidade

Neste ano, tudo fugiu da normalidade. Os setores da vida precisaram se reorganizar. Com a Feira do Livro, não foi diferente. Considerando sempre a segurança do público e dos participantes em primeiro lugar, bem como a sua importância na formação de leitores, a Câmara Rio-Grandense do Livro entendeu que as mudanças trazidas pela pandemia da Covid-19 exigiriam adaptações ao tradicional evento de Porto Alegre. A querida Praça da Alfândega não poderia ser ocupada por milhares de pessoas que costumam frequentar a Feira, não poderia receber a efervescência de todos os anos. Foi preciso transformar o cenário de dificuldades, de saudades e de pesar em algo positivo, produtivo e novo. O que poderia ser uma crise acabou trazendo uma oportunidade de inovação. A partir de agora, a Feira do Livro se insere em um novo patamar, alinhando-se também com as tendências do mercado e da integração ao mundo digital.

Toda a programação de 2020 acontece inteiramente on-line. Encontros com autores, lançamentos, balaios de descontos, contações de histórias, atividades paralelas, entre outros, estão concentrados aqui na plataforma e são acessíveis não apenas para o público cativo, que vive em Porto Alegre ou que costumava visitar a cidade por ocasião da Feira, mas para todos. Para quem quiser ver, ouvir, participar e compartilhar, de qualquer canto do mundo.

Para garantir a relevância e a representatividade de uma programação intensa e em um novo formato, a 66ª Feira do Livro de Porto Alegre conta, este ano, com uma curadoria acompanhada de um manifesto (leia aqui – link). Lu Thomé, jornalista, escritora e editora, assumiu a tarefa de pensar a relação e a conexão entre cada uma das atividades da programação geral a fim de montar uma grade de atividades que fosse atual e que prezasse, acima de qualquer outra coisa, pela importância dos debates. A programação Infantil e Juvenil segue a cargo de Sônia Zanchetta, que também se adaptou ao on-line (saiba mais aqui – inserir link para outra matéria).

Se, por um lado, o ambiente digital proporciona um alcance ainda maior, por outro, justamente pela quantidade de eventos que acontecem simultaneamente nas redes, ele exige mais qualidade. Pensar uma linha condutora entre as lives que integram a Feira foi o ponto central do trabalho da curadora. Lu Thomé conta que o primeiro passo foi pensar na programação como um todo. “A programação precisava dialogar com a maneira como estamos vivendo este ano e também com as pautas que nos rondam nos últimos meses. E, é claro, ter o livro como centro de tudo”, aponta. Assim, como não poderia deixar de ser, é do livro e da literatura que irradiam os temas que compõem o grande guarda-chuva temático da 66ª edição.

Em um ano de muitas inovações na Feira do Livro, a indicação de Jeferson Tenório como patrono da 66ª Feira do Livro marca também um novo posicionamento da Câmara Rio-grandense do Livro. Um posicionamento que sinaliza o quanto a Literatura e seus autores podem contribuir para um mundo melhor.

 

Prefeitura retoma atendimentos em parte de seus espaços culturais

Pinacoteca Rubem Berta. Foto Cristine Rochol/ Divulgação

A Secretaria Municipal da Cultura (SMC) irá retomar gradualmente o atendimento presencial em parte de seus equipamentos culturais. O retorno das atividades ocorre após a publicação do decreto n° 20.742, que regulamenta o funcionamento do comércio e prestação de serviços. O novo decreto autoriza a reabertura controlada de museus, centros culturais e bibliotecas. Serão respeitados todos os protocolos de saúde e o atendimento será realizado por equipes reduzidas e restrição ao número de visitantes.

 Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho. Foto; PM/ Divulgação

Arquivo Histórico Moysés Vellinho

Atendimento presencial mediante agendamento, sendo um visitante no turno da manhã e um no turno da tarde.
Atendimentos terças e quintas-feiras, das 9h às 11h e das 13h às 15h.
A higienização da sala de pesquisa ocorre das 11h às 13h
O pesquisador visitante deverá trazer e usar luvas e máscara.

Informações e solicitações:
(51) 3289.8282 ou 3289.8278
arquivohistorico@smc.prefpoa.com.br

Porto Alegre, RS – 30/05/2018
Arquivo Histórico Moysés Velinho .
Foto: Joel Vargas / PMPA/Divulgação

Centro de Documentação e Memória – Cinemateca Capitólio

Atendimento presencial mediante agendamento, limitação de uma pessoa por hora.
Atendimentos  segundas, quartas e sextas-feiras, das  9h às 15h.
Respeitando a agenda, intervalos mínimos de 15 minutos entre pesquisadores e usuários para higienização da sala de pesquisa.
O pesquisador visitante deverá trazer usar luvas e máscara.

Informações e agendamentos pelo e-mail pesquisacapitolio@gmail.com.

Centro Municipal de Cultura

Atendimento presencial mediante agendamento.
De segunda a sexta-feira,  das 9h às 15h.
O visitante agendado deverá usar máscara.

“Muito barulho por nada” revela um Shakespeare “profundo conhecedor da pulsão sexual”

 

A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o segundo volume.

“MUITO BARULHO POR NADA”

p/William Shakespeare

Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

Porto Alegre, Editora Movimento, 2018, 192p.

“Escrita há mais de quatrocentos anos, Muito barulho por nada revela um Shakespeare profundo conhecedor da pulsão sexual, sem o refino e as sofisticações acadêmicas que caracterizam os modernos discípulos de Freud. Como um Freud da ribalta da Era Elisabetana, Shakespeare disseca a personalidade de seus personagens e nos faz ver, por baixo das roupas coloridas da civilização, o animal humano impulsionado por forças internas que, há séculos, nos dominam e causam muito barulho e transgressões de toda espécie em nossa civilização, supostamente dita racional.” – E não está demais lembrar que, na gíria elisabetana, o nothing do título, esse nada, é o oposto de thing, o pênis.

Ato II, Cena 1 – Beatriz:        Gênio muito mau é mais do que mau gênio, mas abranda o castigo de Deus, pois está escrito: Deus dá chifres curto a uma vaca de mau gênio, mas não a uma de muito mau gênio.