Em edição especialmente concebida para as redes sociais, o projeto Múltiplos Olhares se consolida fiel ao objetivo de estabelecer o diálogo entre visões distintas na área da fotografia, e se apresenta como Outros Múltiplos Olhares, sua primeira edição virtual.
Para esta mostra foram selecionadas as visões destes tempos de Pandemia, formas distintas de expressão de 36 fotógrafos especialmente convidados. Porém, diante da amplitude deste tema na contemporaneidade, esta mostra se desenvolve sem jamais se pretender absoluta [tampouco definitiva] ao que se propõe.
Foto: Leandro Facchini / Divulgação
Nesta 3ª edição, a primeira ocorreu em 2017, a segunda em 2020, esta mostra se apresenta como Outros Múltiplos Olhares, por seu inédito caráter virtual, assim proposto em decorrência da pandemia de COVID 19.
Para esta exposição, que será disponibilizada no evento homônimo no facebook, foram selecionadas obras dos seguintes fotógrafos: Flávio Wild; Leandro Facchini; Guto Monteiro; Gutemberg Ostemberg; Andréa de Barros; Aníbal Elias Carneiro; Betho Giordani; Marcelo Leal; Alexandre Eckert; Leonardo Kerkhoven; Victor Ghiorzi; Ricardo Willrich; Douglas Fischer; Marcelo Filimberti; Eduardo Grazia; Laércio de Menezes; Ivana Werner; Paulo Mello; Sílvia Dornelles; Andréa Seligman; Clara Koury; Tiago Jaques; Flávia Ferme; Fabrício Simões; Genaro Joner; Helena Stainer; Ana Fernanda Tarrago; Iara Tonidandel; Rafael Karam; Rogério Soares; Bia Donelli; Rogerio Franco; Fábio Petry; Pedro Antônio Heinrich; Zulaine Santos; Carlos Haron.
Foto: Gustavo Monteiro/Divulgação
Foto: Ana Fernanda Tarrago/ Divulgação
Segundo o curador Fábio André Rheinheimer “sob orientação de um mesmo conceito: o exercício da fotografia enquanto instrumento a serviço de [possíveis] narrativas, as fotografias selecionadas para esta mostra formam um conjunto multifacetado, a revelar pontualmente o universo particular de cada um dos 36 fotógrafos convidados; as quais, segundo novas vinculações neste contexto, propõem outras apropriações simbólicas, portanto viabilizam novas releituras de domínio exclusivo do espectador “.
Foto: Clara Koury/ DivulgaçãoLeonardo Kerkhoven/ DivulgaçãoFoto: Marcelo Filimberti/ Divulgação
A gravura aquarelada Luz das Bromélias foi doada pela artista visual Roseli Jahn para sorteio em benefício da comunidade carente do bairro Bom Jesus, na zona leste de Porto Alegre.
Sob a coordenação da líder comunitária Marcia Curcio, foram arrecadados R$ 3.000,00, o que possibilitou a compra de 60 cestas básicas entregues a famílias do local.
Artista visual Roseli Jahn. Foto: Divulgação
“É uma alegria poder ajudar pessoas que necessitam neste momento de pandemia”, diz Roseli, professora aposentada do Instituto de Artes da UFRGS e detentora de mestrado na França. A gravura, de 40 cm por 35, em papel algodão, e foi ganha por uma enfermeira com o número 84.
Com o objetivo de premiar propostas de pessoas físicas e jurídicas, com ou sem fins lucrativos, como de artistas, técnicos, produtores, grupos artísticos e espaços da cadeia produtiva cultural estabelecidos em Porto Alegre, foram lançados, nesta terça-feira, 14, dois editais emergenciais de auxílio à cultura.
O anúncio foi feito pelo prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, em transmissão pelas redes sociais. Serão contempladas linguagens culturais como cinema e audiovisual, teatro, artes plásticas, dança, música, literatura, circo e artes populares. O investimento total é de R$ 575 mil.
O edital destinado a pessoas físicas (PF) irá contemplar 252 profissionais, com R$1,5 mil a cada premiado, totalizando a destinação de R$ 378 mil. Já o edital para pessoas jurídicas (PJ) vai beneficiar 58 propostas, sendo até 48 premiações para artistas e grupos artísticos, no valor de R$ 3 mil a cada um, e dez premiações para espaços culturais, no valor de R$ 5,3 mil cada, somando investimento total de R$ 197 mil.
“Os editais são passos importantes neste novo cenário desafiador. Estamos buscando e descobrindo alternativas para ajudar os profissionais do setor artístico que estão em dificuldade a superar este momento”, disse Nelson Marchezan Júnior.
Pandemia – O secretário municipal da Cultura, Luciano Alabarse, explica que os editais surgem como mecanismos de auxílio ao setor criativo e cultural, que desde março teve suas atividades interrompidas devido à pandemia do novo coronavírus. “Este é o momento mais crítico da cadeia econômica da cultura na história recente. Os editais irão ajudar os profissionais e as empresas do setor, que passam por extrema dificuldade”, diz.
Edital Pessoa Física – O chamamento é exclusivo a pessoas físicas, que sejam artistas ou profissionais da cultura. Elas não devem possuir vínculos empregatícios, não devem ser funcionários públicos, aposentados ou pensionistas. Os proponentes deverão comprovar renda bruta mensal nos últimos seis meses de até três salários mínimos, residência em Porto Alegre e atuação profissional no setor cultural nos últimos dois anos.
Os proponentes que se inscreverem para esta premiação deverão apresentar, em caráter de contrapartida, uma atividade cultural, virtual ou presencial, nas seguintes áreas: teatro, dança, circo, artes plásticas, cinema e audiovisual, música, literatura e artes populares.
Serão premiadas 32 propostas de circo, 32 de teatro, 32 de dança, 32 de música, 32 de cinema e audiovisual, 32 de artes plásticas, 32 de literatura e 28 de artes populares. O total é de R$ 378.00,00
Para as contrapartidas virtuais, serão aceitos videoaulas, depoimentos de trajetória de vida e apresentações artísticas individuais, como lives de shows, leituras dramáticas, performances, esquetes e números artísticos, entre outras opções. Já como contrapartidas presenciais estão previstas apresentações em locais como os próprios espaços municipais da SMC, palco do POA Drive-in Show, Linha Turismo e em projetos sociais da prefeitura.
Edital PJ – Nesta categoria, podem participar proponentes com registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), com ou sem fim lucrativos e que exerçam atividades na área cultural há pelo menos dois anos, com classificação nacional de atividades econômicas (CNAE) de finalidade artístico-cultural. Os concorrentes devem comprovar sede em Porto Alegre e faturamento de até R$ 200 mil mensais.
Podem ser apresentadas propostas nas linguagens de teatro, dança, circo, música, artes plásticas, cinema e audiovisual e artes populares. Os conteúdos premiados serão disponibilizados pela SMC em um amplo programa cultural virtual ou em suas modalidades presenciais, que preveem apresentações em locais como os próprios espaços municipais da SMC, palco do POA Drive-in Show, Linha Turismo e em projetos sociais da prefeitura.
Para as contrapartidas virtuais, serão aceitos ações educativas, cursos e oficinas, obras de curta-metragem, depoimentos de trajetória de vida profissional e apresentações artísticas individuais, como lives de shows, leituras dramáticas, performances, esquetes e números artísticos.
Cronograma
– Inscrições: de 16 a 26 de julho de 2020.
– Divulgação das inscrições homologadas: 30 de julho, no Diário Oficial de Porto Alegre (Dopa) e no site http://prefeitura.poa.br/smc.
– Prazo para recursos: 31 de julho a 4 de agosto.
– Divulgação dos deferimentos de recursos: 5 de agosto, no Diário Oficial de Porto Alegre (Dopa).
– Período de seleção de projetos: 6 a 12 de agosto.
– Divulgação dos projetos premiados e suplentes: 13 de agosto, no Diário Oficial de Porto Alegre (Dopa) e no site http://prefeitura.poa.br/smc.
– Entrega da documentação complementar para recebimento do prêmio: 14 a 24 de agosto.
No ano em que comemora 32 anos de existência, um dos lugares mais conhecidos da arte contemporânea gaúcha e brasileira ganha sua versão virtual. É a Bublitz Galeria Virtual de Arte, um ambiente interativo e pioneiro, que será inaugurado no dia 18 de julho com a exposição do artista gaúcho Marcelo Hübner.
As obras poderão ser conferidas e adquiridas a partir do link: virtual.galeriabublitz.com.br. A exposição fica em cartaz até o dia 18 de agosto.
O marchand Nicholas Bublitz destaca a novidade como mais do que uma alternativa de continuar expondo nesse período: “Ao lançar a Bublitz Galeria Virtual de Arte – a primeira galeria virtual com realidade aumentada em 3D do Rio Grande do Sul, e talvez até do Brasil – queremos proporcionar uma experiência imersiva, em que o visitante poderá passear pela galeria, selecionar as obras de interesse, conferir detalhes e ter uma visão panorâmica da exposição. É uma novidade possível graças à tecnologia e para que as pessoas possam observar as obras em casa e em segurança”, ressalta. É ainda uma alternativa para a divulgação da arte e dos artistas.
A estreia é com um nome que faz parte da história da galeria. Natural de Porto Alegre, Marcelo Hübner já fez 15 exposições na Bublitz, sendo 11 individuais, em seus quase 40 anos de trajetória artística. Seus quadros já foram exibidos em espaços culturais de diversas partes do Brasil e do exterior. Dono de um trabalho figurativo e contemporâneo, que mescla técnicas da escola impressionista e da arte abstrata, o artista traz 23 obras para sua primeira exposição virtual. Com tamanhos e formatos variados, Marcelo traz seus temas mais recorrentes: “Floristas”, “Urbanos” e “Banhistas”. Na fase atual, ele pinta suas cidades com um colorido quase floral, enquanto suas flores parecem ter os tons que lembram o concreto.
Floristas 1. Marcelo Hübner/ Divulgação
Além da exposição de Marcelo Hübner, a Bublitz Galeria Virtual de Arte já tem programadas mostras com os artistas Kenji Fukuda, Inos Corradin, Armando Gonzalez, Jane de Bhoni e Paulo D’Avila.
Casario 1. Marcelo Hübner/ Divulgação
Quando houver liberação do governo municipal para visitação de galerias também será possível conhecer as obras presencialmente.
A Bublitz Galeria de Arte está localizada na Av. Neusa Goulart Brizola, 143, no Bairro Rio Branco, em Porto Alegre.
A prefeitura realizará a 27ª edição do Festival Internacional de Artes Cênicas de Porto Alegre em um formato inédito, em razão da pandemia de coronavírus.
Os primeiros eventos do Poa Em Cena, que serão exclusivamente on-line, terão início a partir do mês de setembro e avançarão até o começo efetivo do festival, de 21 a 30 de outubro.
As atividades antecipadas contemplam videoconferências virtuais de discussão sobre diversos assuntos como sustentabilidade no setor da cultura, as relações dos povos afrodescendentes e indígenas com as outras espécies da natureza e suas comunidades, além de temas como os desafios da criação e exibição artística em tempos de pandemia e pós-pandemia.
A 27ª edição do evento contará também com o Canal Em Cena, um canal de televisão que estará ativo durante os dias do festival com uma programação voltada à cultura.
Neste ano, a programação de espetáculos será basicamente com artistas de Porto Alegre, divulgando as apresentações em plataformas que todos poderão assistir. O Em Cena ganhará também as ruas da Capital, em atividades ao ar livre, respeitando todos os protocolos de segurança e saúde sugeridos pelos órgãos municipais e estaduais. “Ainda que tenhamos limitações, vamos fazer das possibilidades digitais uma forma de ampliar tanto o público quanto os debatedores, que por questões de tempo, logística e custos, talvez não conseguiríamos ter na programação”, destaca Fernando Zugno, diretor-geral do Em Cena. A programação será lançada em breve.
Entre os participantes desta largada digital estão a escritora Eliane Brum, o ator Gregório Duvivier, a artista portuguesa Grada Kilomba e o diretor e dramaturgo britânico Tim Etchells. O tema desta edição será o corpo do futuro: humanidade e natureza, em um cenário de pós-pandemia, pós-gêneros, de transhumanos (um conceito além dos cyborgs) e em um novo cenário climático. A visão indígena do mundo futuro, da humanidade e do clima, amplamente abordada na edição passada, também dará a tônica da realização nesse ano e será um dos destaques na programação.
“Uma das atividades confirmadas é de Altamira 2042, que mostra o testemunho de rios brasileiros e das pessoas que vivem em suas margens – e à margem de processos históricos, políticos e econômicos. Altamira 2042 é uma instalação sonora composta por caixas de som que amplificam testemunhos diversos sobre a catástrofe causada pela hidrelétrica de Belo Monte”, antecipa Zugno.
Push Festival – O Em Cena, que firmou uma parceria com o Push Festival, de Vancouver, no Canadá, contará com a presença virtual do organizador, Franco Boni, e da artista indígena canadense Cease Wyss unindo a visão dos povos originários do pacífico norte ao olhar dos trópicos para as relações humanas com a natureza e consequências como o aquecimento global. A ideia, explica Zugno, é um caminho natural no avanço de alguns temas que vêm sendo construídos ao longo das quatro últimas edições. “Em 2017 trabalhamos, por meio da mulher, a gestação, o nascimento e a geração. Em 2018, foram as questões diaspóricas africanas e europeias e a formação dessa Terra Brasilis junto com os povos originários deste território. Em 2019, foco no corpo e na humanidade. Em 2020, a ideia é abordarmos esses corpos no futuro e as muitas transformações que a humanidade vai vivenciar”, pontua o diretor do Em Cena.
Libras – Entre as propostas que também marcarão a 27ª edição do festival estará a inclusão de libras em quase todas as apresentações e debates. A ideia é interagir mais com o público que não ouve, mas que se comunica e tem sede de informação. “Estamos nos estruturando desde já para fazermos essa inclusão da forma mais abrangente possível, não apenas no festival, mas desde antes, na comunicação sobre o Em Cena também. Queremos que o público que tem deficiência auditiva faça parte desta edição desde as primeiras ações”, explica Zugno.
Projeto Em Quadros – Como aquecimento para a 27ª edição do Poa Em Cena, a Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) irá selecionar propostas de performances artísticas, que serão projetadas de janelas de residências, para participarem do projeto Em Quadros.
Para celebrar o centenário do pintor modernista Carlos Scliar, nascido em Santa Maria-RS em 1920, a Associação dos Artistas Plásticos de Santa Maria e artistas convidados apresentam a Mostra Carlos Scliar. Ela acontece em formato virtual desde o dia 6, indo até dia 30 de julho.
Para a criação das obras, os artistas experimentaram diversos meios de expressão: a poesia, o cartum, origami, pintura, desenho, fotografia, vídeo arte, arte têxtil, arte objeto, escultura, cerâmica, e foi se construindo um espaço de múltiplas ideias, inspirações e coexistência.
Susane Kochhann, curadora e expositora.
Segundo a curadora da mostra, Susane Kochann, “o espaço do Museu de Arte de Santa Maria foi ocupado por criações artísticas singulares, releituras de diversas obras de Carlos Scliar. As releituras ressignificaram o espaço expositivo num ambiente de presentificação da memória e pesquisa da vida e obra de Scliar.”
Artistas participantes são:
Bibiana Silveira, Byrata Lopes, Camila Dos Santos, Carlos Rangel, Carmem Denardin, Carmen Portugal, Dulce Centena, Elena Dalla Favera, Fernanda Beck Moro, Helena Macedo, Hélvia Schneider, Israel Caetano, Ive Flores, Jane Zofoli, Kalu Da Cunha Flores, Liane Marques, Lisianne Gonçalves, Luciano Santos, Luiz Tadeu Fleck, Marcia Binato, M. Flowers, Marilene Nunes, Maristel Nascimento, Melina Guterres, Polin Moreira, Rafael Itaqui, Rebeca Stumm, Susane Kochhann, Vani Foletto.
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O ano de 2020 vai entrar para a história da humanidade como inesquecível. Será conhecido, entre outras coisas, como o ano da peste. Assim o chama a multi artista Dora Lampert. A autora da definição, com sua irmã Lise Lampert, faz um dos trabalhos visuais mais instigantes visto atualmente nas redes sociais, postados no Instagram e no Facebook. A reprodução de quadros de artistas plásticos consagrados.
Uma iniciativa praticada ao redor do mundo, desde que a pandemia do Covid 19 obrigou ao isolamento social. Mas com uma apropriação original, caseira e cosmopolita que faz o trabalho das irmãs Lampert ser reconhecido e apreciado por quem bate o olho nele.
Lise Lampert. Arquivo pessoal/ Divulgação
Pinturas de Leonardo Da Vinci, Picasso, Vincent Van Gogh, Nicolas Régnier, Edgar Degas, Ticiano, Lucien Freud, Elin Danielsen-Gambogi, Marciano Schmitz, Ernesto Frederico Scheffel, Diego Velásques, Albert Edelfelt, Johannes Vermeer, Caravaggio, Ricardo Garopaba Blauth, entre outros fazem parte da apropriação artística das irmãs, residentes em Novo Hamburgo.
“Uma de minhas interpretações prediletas. Egon Schiele cujos desenhos e pinturas ainda são símbolos poderosos de luta psicológica, honestidade emocional e liberdade sexual”
Nessa entrevista Dora Lampert fala sobre como foi o processo artístico de cada obra reproduzida aqui.
JÁ – Como surgiu a ideia desse trabalho?
Dora Lampert – A ideia surgiu quando vi um pequeno vídeo de pessoas retratando obras de artistas famosos. Estávamos tomando café, minha irmã e eu, no início da sétima semana de isolamento e a opressão era visível, pesando sobre os dias. Então perguntei para a Lise se ela topava fazer umas fotos para mim. Ela no princípio ficou resistente, mas depois das primeiras publicações, ao perceber o entusiasmo das manifestações de nossos amigos, tornou-se a mais entusiasta do projeto, chamando-me já cedo pela manhã com a cabeça repleta de ideias e boas soluções para nossas interpretações e desde aquele dia, até agora, nossas manhãs ganharam outra vida. Sim, a arte salva.
“A interpretação que mais nos deu trabalho de cenário. Elin Danielson-Gambogi, artista finlandesa. Conhecida por suas obras e retratos realistas, fez parte da primeira geração de artistas finlandesas que receberam educação profissional em arte, a chamada “geração das irmãs pintoras”.
Assim, no ano da peste surgiu Leonardo Da Vinci, Picasso, Vincent Van Gogh, Nicolas Régnier, Edgar Degas, Ticiano, Lucien Freud, Elin Danielsen-Gambogi, Marciano Schmitz, Ernesto Frederico Scheffel, Diego Velásques, Albert Edelfelt, Johannes Vermeer, Caravaggio, Berthe Morisot, Angelina Agostini, Andy Warhol, Eva Gonzáles, Tarsila do Amaral, Mary Cassat, Marie Bracquemond, Anita Malfatti, Henry Asencio, Zina Aita, Giovanni Bellini, René Magritte, Gabriel Rossetti , Bispo do Rosário, Paul Gauguin, Sérgio Lopes, Magna K. Sperb, Rita Gil, Maria Paula Figueiroa Rego, Robertson Frizero, Raduan Nassar entre outros.
“A interpretação mais ambiciosa. Da série Prendas do artista gaúcho Ricardo Garopaba Blauth que é nosso amigo e um grande entusiasta das artes”
Anita O’day, John Waterhouse. As porcelanas ,Djanira da Motta e Silva, Das cartas, Amadeo Modigliani, Walter Pach, Egon Schiele, Gustav Klimt, Paula Moderson-Becker, Henri Toulouse-Lautrec, Érico Veríssimo , José Ferraz de Almeida Junior, Manuel de Barros, Gabriele Münter ,David Teniers, o jovem, Jan Van Beers, o mais novo, Robert Buyle, Guy Cambier, Claude Monet e Malcolm Liepcke
Foram os artistas – ou ideias – que abordamos, alguns dos quais trabalhamos mais de uma vez, tanto que já perdemos a conta de quantas publicações foram feitas.
“As interpretações de resultado inesperado. Não conhecíamos a história de Modigliani e nem de seu trágico desfecho. Foi impossível condensar a biografia desse artista e de sua musa e amante Jeanne em apenas uma interpretação. Duas vidas de paixão e arrebatadas pelo destino.”
Ideia inicial
O nosso intuito inicial era fazer uma releitura das obras, mas à medida que o trabalho foi evoluindo passamos a fazer uma interpretação, onde a obra do artista nos traz a imaginação e o clima para o exercício livre de nossa criatividade.
Minha atuação por longos anos na área da propaganda deixou meu olhar afinado para a estética. Meu amor pelas artes em geral, música, literatura, teatro, sempre nortearam minha vida, apesar de hoje ser proprietária de uma pequena empresa de prestação de serviços com as atividades interrompidas temporariamente em função do quadro atual.
“A interpretação que mais nos rendeu risadas. Apesar da beleza e seriedade da obra de Angelina Agostini que em 1914 viaja para a Europa, com o quadro que lhe rendeu o prêmio. Vaidade, à tiracolo”
JÁ – E a questão da fotografia. Como foi resolvida?
Dora Lampert – Como fotógrafa amadora, a Lise nunca havia se envolvido com um projeto dessa grandeza. Suas fotos sempre foram fruto de suas viagens em férias ou recantos domésticos, usando apenas seu telefone móvel. Mas ela recorda que há alguns anos, ao receber um convite para um concerto na Fundação Scheffel, retratando uma obra do artista que dá nome a casa, onde o detalhe era uma natureza morta de um vaso repleto de rosas, percebeu que o vaso que estava na mesa de nossa cozinha era idêntico ao do convite e não se conteve em retratá-lo.
“A interpretação de melhor resultado:” O homem amarelo”, de Anita Malfatti. Foi um desafio e uma de nossas prediletas.”
As pesquisas das obras iniciam em nossos cafés da manhã. De forma muitas vezes aleatória ou induzidas por alguma sugestão, os artistas vão surgindo como num desfile. As biografias de cada artista estudado geralmente nos trazem nomes pouco conhecidos, mas que tem obras impressionantes. Nossa preferência sempre pontuou obras de pouco reconhecimento, mesmo dos artistas mais renomados. As Monalisas e as Fridas já foram amplamente exploradas nesse tipo de interpretação. Vamos lhes dar uma trégua.
“Sair um pouco das obras de arte e entrar em personas foi igualmente interessante. Anita O’Day, também conhecida como The Jezebel of jazz foi uma indicação do músico e curador do PoaJazz Festival Carlos Badia.”
Nosso objetivo primordial foi desde o início manter o isolamento social. Para tanto, nada foi adquirido. Todos os objetos, figurinos, adereços e cenários, estavam ao alcance de nossos domínios domésticos. A cozinha foi nosso estúdio, o jardim, os campos. A iluminação, um abre e fecha da cortina, as vezes a luz de emergência ou o abajur da mesa de cabeceira. O paninho impregnado de álcool 70 virou babados barrocos; os lençóis, vestidos épicos; as saias se transformaram em blusas bufantes e vice – versa.
O equipamento fotográfico? Um aparelho celular Samsung 5J Prime com edições em dois aplicativos no próprio telefone -Pixlr e Snapseed.
O isolamento antes de tolher nossos intentos, animou nossa criatividade, trazendo momentos de muita diversão também.
“Mulher lavando os pés…foi nossa criação.”
JÁ – Como se dá a escolha dos artistas e dos temas?
Dora Lampert: Todo trabalho foi estudado sempre em conjunto. Desde a escolha do artista e da obra até a finalização. E todos superaram as nossas expectativas. A repercussão de nossos amigos foram um dos grandes impulsionadores para que o projeto – No ano da peste – tomasse esse vulto.
“Uma das prediletas. Proserpine – 1874. Obra de Gabriel Charles Dante Rossetti. O rapto de Proserpina por Plutão é uma das lendas mais conhecidas da mitologia romana.”
Lise atua como técnica de enfermagem desde 1998. Trabalha num grande hospital público da região metropolitana e está afastada temporariamente do cargo por seu médico traumatologista.
Os artistas que estiveram conosco, nos ensinaram, nos fizeram rir, sonhar e chorar. Com eles nós sobrevivemos a nós mesmas no ano da peste.
“Interpretar Ana Terra de Erico Veríssimo com a dramaticidade que o personagem pede foi um grande momento.”
“Manuel de Barros? Sim, pensamos que ele daria mais importância as folhas decaídas do que aos próprios anjos. Então, as folhas secas de nosso jardim com texto meu, inspirada nesse grande poeta: Folhas secas não são como pontos finais/são vírgulas entre as estações frias/elas não pontuam/mas tropeçam sobre o tempo/ abrindo sonhos/ para que se veja o céu/ virando exclamação”
“No dia de São João só poderíamos trabalhar uma obra de Ricardo Garopaba Blauth, Pau de Fitas. Foi a interpretação que mais deu trabalho de edição, mas foi a que nos deu muita satisfação em realizar.”
Eliane Tonello é psicóloga clínica, escritora, artesã e compositora. Descendente de italianos do norte da Itália (Cidade Del Vêneto – Província de Belluno) é autora de ensaios, poesias, romances e está lançando agora uma obra em quatro idiomas, “Layla e a uva”. Ela concedeu essa entrevista sobre sua empreitada literária, via email:
JÁ – Qual a história desse livro?
RESPOSTA: O livro infantil é a realização de um sonho gestado há dois anos. Foi escrito em meados do ano novo após as festividades de natal em família, quando passeava no parreiral e colhera cachos de uva, além de receber a notícia de que seria vovó.
Inicialmente o sonho era apenas uma história em língua portuguesa ilustrada, depois a escolhida foi a língua Talian (dialeto vêneto do norte da Itália) reconhecida em 2014 pelo IPHAN, falada nos municípios do RS, especificamente em Serafina Correia e Caxias do Sul e no currículo escolar em Nova Brescia e São Marcos. Na sequência foram eleitos o espanhol e o inglês. Por isso, uma obra inédita, quatro idiomas em um só livro.
Dentro de mim havia pressa, mas jamais pensei que em março estaríamos em meio a uma pandemia. No início hesitei continuar o projeto, mas a personagem Layla insistia em materializar-se em uma obra que pudesse ser conhecida do mundo. E resolvi acolher o seu pedido.
JÁ – Qual foi a inspiração, a quem se destina, é a primeira experiência com literatura infantil?
– Esta é a minha primeira experiência com a literatura infanto-juvenil e a inspiração nasceu por acreditar que o sonhar é o que move o ser humano. A ideia do Talian, especificamente, surgiu a partir de uma linda lembrança da infância, nos dias de inverno, quando divertia-me com os irmãos ao ler Storie e Frotole no Jornal Riograndense escrita por Frei Rovílio Costa. Por isso convido todos os leitores a mergulharem na linda e magnífica história de família, amor, animaizinhos e muita uva.
JÁ – Como será o lançamento do livro?
– O livro, em formatos e-book e impresso, será lançado oficialmente na minha página do facebook, Psicóloga Eliane Tonello, no dia 10 de julho às 19 horas, com a presença das tradutoras – Paola Santagada (Talian), Andrea Barrios (Espanhol), Cassiane Ogliari (Inglês) e do ilustrador, Emerson Falkenberg.
JÁ – Como é fazer literatura em tempo de pandemia. O que muda?
– Em tempo de isolamento social, a possibilidade de criar o livro em formato eBook, além do físico, foi uma iniciativa maravilhosa. O trabalho de Guilherme Moraes, diretor e designer gráfico, foi essencial, o que possibilitou que a obra, “Layla e a Uva”, pudesse chegar até os leitores através das lojas on-line da Amazon espalhadas pelo mundo.
Para os leitores que preferirem o livro físico, as entregas acontecem via correio e telentrega em bairros mais próximos. Por acreditar que a arte pode nos salvar por ser um dispositivo de saúde mental, a literatura ganha um espaço especial. Boa leitura a todos!
As pessoas precisam de alimentos para o corpo e para a alma. Na pandemia, a multiartista gaúcha Liana Timm, que também é proprietária da editora TERRITÓRIO DAS ARTES, aderiu às mobilizações e está doando mais de mil livros para comunidades carentes de Porto Alegre e Região Metropolitana.
A Campanha #alimentocorpoealma começou com a doação do livro O traço Afetuoso, escrito pela própria Liana Timm, sobra a obra da artista Clara Pechansky, em uma ação conjunta com o Coletivo Morro da Cruz, Matinal Jornalismo e Moeda do Bem. A iniciativa cresceu e se expandiu para novas entidades.
Foto Michele Czordas/ Divulgação
“Podemos contribuir para que a leitura seja incentivada nos lugares mais esquecidos de nossa tão desigual sociedade. Precisamos mudar esta realidade e se cada um fizer um pouquinho teremos esperança em dias melhores”, destaca Liana, que convidou escritores e artistas a também se engajar na iniciativa.
Entre as obras, estão livros de poesias, contos, crônicas, coletâneas e títulos que parecem inspirados no cenário atual, como As Dimensões da Casa, com a reunião de textos de diversos autores que refletem sobre o habitat mais íntimo: o lar. Além de publicações da própria Liana Timm, as doações trazem contribuições de autores como Caio Ritter, Cintia Moscovich, Jane Tutikian, Lenira Fleck, Luis Paulo Faccioli e José Eduardo Degrazia. Em um primeiro momento, foram selecionadas três iniciativas para receber as obras:
Foto de Doação. Foto: Cozinheiros do Bem/ Divulgação
·Cozinheiros do Bem:idealizado pelo chef Júlio Ritta em 2015, une restaurantes e voluntários para doar refeições e cestas básicas para comunidades e moradores em situação de rua de Porto Alegre. O projeto chamou atenção até da modelo Gisele Bündchen que vai doar máscaras, alimentos e produtos de higiene. Agora, com as contribuições de Liana Timm, eles também vão receber 500 livros. (51) 99853-2190 (whats).
CAPs II:OCentro de Atenção Psicossocial (CAPS II), do Hospital de Clínicas de Porto Alegre que promove serviços em saúde mental, teve seus atendimentos presenciais diminuidos em função do Novo Coronavírus. Com isso, cerca de 160 pacientes deixam de ter as atividades e as refeições que eram fornecidas ao longo do dia. Para ajudá-los, voluntários estão doando cestas básicas, que agora também serão agregadas de livros nesse momento difícil para todos. (51) 9689-4979 (whatsapp).
·Sônia Zanchetta, em Cachoerinha:Desde março, Sônia está engajada na campanha da Biblioteca Comunitária Sol e Lua para arrecadar alimentos, máscaras e produtos de higiene para 150 famílias. Recebeu também do Itaú Social, kits com livros de literatura Infantil e agora, da TERRITÓRIO DAS ARTES editora livros para adultos. Sônia também está envolvida com a campanha do Instituto Cultural e Social Ágora que terá biblioteca, salas para atividades gratuitas de oficinas e cozinha experimental. (51) 99116-9040.
PARA RECEBER DOAÇÕES DE LIVROS: Entidades interessadas em receber livros da TERRITÓRIO DAS ARTES editora, entrar em contato pelo email: liana.timm@gmail.com