Autor: Elmar Bones

  • Brizola abre o coração e solta o verbo em livro raro

    Brizola abre o coração e solta o verbo em livro raro

    Há 30 anos, o ex-governador Leonel de Moura Brizola deu um raro depoimento de mais de quatro horas a um pequeno grupo de amigos -nativos, como ele, de Carazinho, ex-distrito de Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul. A gravação feita num auditório da Câmara de Vereadores, na noite de 6 de abril de 1996, rendeu um rolo de fita BASF e quatro fitas Phillips K7, transcritas nos dias seguintes pela historiadora Silvana Moura, que integrou, com o também historiador Nei d’Avila, a bancada de profissionais de História Oral escalada para a missão.

    Um mês depois, Silvana entregou o material impresso – um catatau de 67 páginas – ao carazinhense Romeu Barleze, ex-deputado estadual trabalhista que convencera o amigo Brizola a contar em detalhes a história de sua vida. Mesmo alegando que sempre esteve mais voltado para o futuro, o ex-prefeito de Porto Alegre concordou em falar sobre o seu passado. E abriu seu coração, falou sem parar diante da plateia mínima, formada por cinco amigos, a dupla de historiadores e o técnico Daniel de Paula Manhães, encarregado de operar os dois gravadores.

    Reprodução da foto da entrevista de Brizola em 1996. Arquivo pessoal da professora Silvana Moura

    E o que aconteceu? Nada! Seguiu-se um silêncio de três décadas, só rompido agora pela Editora Insular, de Florianópolis, que acaba de lançar “Leonel Brizola por ele mesmo”, livro de 208 páginas contendo o depoimento histórico, uma sucessão de fotos e o QR Code que facilita a escuta da maior fala do comandante da Campanha da Legalidade de 1961. Ele vai lembrando e, de repente, está falando da paisagem, dos pinheirais, dos trens carregados de madeira, dos trabalhadores, dos irmãos, da mãe, do negro Otávio, seu “tutor”, um peão-tropeiro que lhe deu um petiço… É comovedor ler e/ou ouvir Brizola dizendo que tudo aquilo de sua infância lembra “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, e merecia ser alvo da escrita de um João Guimarães Rosa.

    Com lançamento em Porto Alegre, Carazinho e no Rio, esse livro parece predestinado a virar um divisor de águas na história do Rio Grande do Sul, governado nos últimos 12 anos por políticos de centro-direita, entre os quais se alinhou o que restou do partido fundado por Brizola.

    Por ora, vale a pena esclarecer o que rolou nesses 30 anos em que a voz do trabalhismo foi perdendo ressonância.

    Na esperança de transformar o material em livro, já no século XXI, Silvana Moura entregou as quatro fitas K7 ao professor Nildo Ouriques, da UFSC, para que as repassasse a Nelson Rolim de Moura, dono da Editora Insular, de Floripa, que constatou que as fitas estavam perdendo qualidade – atucanado por outras demandas editoriais, ele demorou até ser aconselhado a restaurar o material magnético. Enquanto isso, em 2015, o depoimento impresso foi entregue por Romeu Barleze a Juliana Brizola, neta do ex-governador. Ocupada com seu mandato de deputado estadual, ela passou o calhamaço para Rejane Guerra, jornalista mineira residente no Rio a quem conheceu no diretório do PDT-RJ. Começou então um esforço para juntar o impresso às fitas que lhe deram origem. Assim, a bola voltou às mãos de Silvana Moura.

    Inicialmente projetado para sair em 2022, o livro somente se materializou agora, às vésperas da campanha para as eleições gerais de outubro. Supõe-se que o depoimento do líder trabalhista possa ser um trunfo a favor de Juliana Brizola em sua candidatura ao cargo de governadora.

    O único senão é que a historiadora Silvana Moura, que tanto se empenhou para publicar seu trabalho, estrilou publicamente diante da omissão de seu nome na capa, onde aparecem como organizadoras Juliana Brizola e Rejane Guerra.

    Surpreendido pela polêmica, o editor Nelson Rolim, que também é de Moura, acha que fez o certo, tanto que contemplou a historiadora com a primeira orelha do livro, um dos espaços mais nobres na indústria editorial. Afinal, o que fica é a voz e memória de Brizola, por ele mesmo.

  • Exposição de livros abre calendário sobre 400 anos das Missões

    Exposição de livros abre calendário sobre 400 anos das Missões

    Mais de 50 obras sobre história, cultura e imaginário dos Sete Povos das Missões estão expostas ao público até o final de março na sede do Instituto Estadual do Livro (Rua André Puente, 318 – Bairro Independência, Porto Alegre).

    É o primeiro de uma série de eventos programados para marcar os 400 anos das reduções organizadas pelos padres jesuítas e que chegaram a reunir 30 mil guaranis, numa experiência única de catequeses dos povos originários da América.

    Também estão expostos excertos de frases selecionadas das obras e fotografias da série “O Renascer das Missões – 400 anos”, do fotógrafo Clio Luconi.

    O publico encontrará obras que transitam entre história, romance, poesia, literatura infantil, HQs, ensaios e artigos, compondo um panorama amplo da produção literária sobre as Missões Jesuíticas Guaranis. Entre as publicações estão títulos considerados fundamentais para a compreensão da temática missioneira, como o clássico “Lendas do Sul”, de Simões Lopes Neto e “Sepé Tiaraju, história das ruínas de São Miguel”, de Alcy Cheuiche.

    “Essa mostra é resultado de um trabalho minucioso de pesquisa, montagem e composição dos excertos das obras em exposição. As imagens complementam o nosso olhar sobre as Missões”, explicou o Diretor do IEL, Sílvio Bento.

    Para marcar o quadricentenário, o governo do Rio Grande do Sul promove uma ampla programação, que inclui festivais de música, mostras de cinema, concursos fotográficos, debates e atividades educativas, muitas delas realizadas nas próprias ruínas missioneiras.

    O site oficial reúne informações, memórias e iniciativas que integram as comemorações, reforçando o papel das Missões como patrimônio histórico e cultural de relevância mundial.

     

    Serviço

    “Missões Jesuíticas Guaranis – Acervo Literário IEL”

    -De 11 de fevereiro a 31 de março

    -Rua André Puente, 318 – Bairro Independência, Porto Alegre.

    -Horário: 8h30 às 17h30

    -Entrada gratuita

  • Cazarré transplanta personagem em brincadeira (séria) com os mestres

    Cazarré transplanta personagem em brincadeira (séria) com os mestres

    Num feito sem precedentes na história da literatura mundial, a novela brasileira “Breve Memória de Simeão Boa Morte”, do escritor gaúcho-brasiliense Lourenço Cazarré, foi publicada no Brasil em fins de 2025 somente depois de aparecer em Lisboa, onde ganhou 5 mil euros em concurso literário patrocinado pelo governo português.

    O mais surpreendente é que se trata de uma corrosiva paródia do festejado conto “O Alienista” (Rio, 1881), que explora com ironia a reviravolta na carreira do médico Simão Bacamarte, um dos mais famosos personagens de Joaquim Maria Machado de Assis, o jornalista-escritor que viveu no Rio de 1839 a 1908.

    Mais de um século depois da consagração de Machado como o maior escritor brasileiro, eis que um escritor contemporâneo tem a ousadia de inventar que o “médico psiquiátrico” Simão Bacamarte foi plágio de um personagem cuja criação atribui a João Simões Lopes Neto, jornalista-escritor pelotense que viveu a maior parte da vida em Pelotas entre 1865 e 1916.

    Pode? Pode. Na ficção vale tudo, desde que a coisa seja bem feita.

    Como fazem muitos escritores que não desistem de suas intuições, Cazarré começou devagar, como numa brincadeira; com o tempo, muito tempo, a história foi tomando corpo até que se abriu a brecha para fazer o que se pode tomar como um desagravo histórico ao pelotense João Simões Lopes Neto, cuja qualidade literária só foi reconhecida pelo filólogo Aurélio Buarque de Hollanda, que avisou o paulista Mário de Andrade, que conversou com o gaúcho Augusto Meyer, amigo do ditador Getúlio Vargas – mais de trinta anos após sua morte, ao contrário de Machado, que se tornou celebridade em vida.

    Para alcançar o desfecho de sua história, Cazarré explorou coincidências e contradições entre os dois autores e seus personagens, de modo que pode criar um Simeão Boa Morte espelhado em Simão Bacamarte, com direito a pegadinhas que hão de ser gratas aos fãs do autor de “Contos e Lendas do Sul”, brochura parcamente lançada (200 exemplares) em 1912 em Pelotas.

    Sem dúvida, aqui se pode falar de um protesto do Interior contra a Capital, onde mediocridades e/ou nulidades alcançam uma suposta imortalidade acadêmica enquanto gênios da província são descartados, quando não proscritos do cenário artístico. O fato é que o criador de Simeão Boa Morte caprichou na brincadeira, aprofundando a inversão dos papéis entre o Simão original e o Simeão nele inspirado, tendo o desplante de inventar para seu personagem (Simeão) uma morte parecida com a de Brás Cubas, outro célebre personagem de Machado de Assis.

    Nascido em Pelotas em 1953, Lourenço Cazarré passou a vida labutando como jornalista e usando as horas vagas para, igual a Machado, escrever ficções de reconhecida qualidade literária, tanto que ganhou vários prêmios, a começar pela I Bienal Nestlé de Literatura, em 1982. Seu romance “O Calidoscópio e a Ampulheta” ganhou de 445 candidatos. Já nesse livro premiado pela banca de cinco jurados da Nestlé – Adonias Filho, Dirce Riedel, Flavio Loureiro Chaves, Letícia Malard e Marisa Lajolo –, ele usa como referência textos de João Simões Lopes Neto, que lhe forneceu as epígrafes para cada uma das cinco partes do livro.

    Tem mais: como o Bacamarte machadiano, o Boa Morte cazarresco é apresentado como um médico que largou o ofício para abraçar outras atividades. No caso de Simeão Boa Morte, a escolha teria sido o jornalismo, o teatro e pequenos negócios, o que corresponde efetivamente à trajetória pessoal de João Simões Lopes Neto, que na juventude passada no Rio teria estudado medicina, mas sem chegar sequer à metade do curso – história nunca comprovada, como esclarece Carlos Francisco Sica Diniz, autor da mais completa biografia do maior escritor pelotense, publicada em 2023 pela Editora Coragem, de Porto Alegre.

    Em anos recentes, Cazarré esmerou-se em escrever ficções inspiradas em grandes autores nacionais, como Euclides da Cunha (“Os Sertões”) e Graciliano Ramos (“Vidas Secas”). No caso de Machado, a bronca começou durante um curso de mestrado em literatura brasileira na UnB no final dos anos 80, quando lhe tocou analisar a obra de Machado de Assis.

    Para fundamentar sua crítica, Cazarré dissecou, por anos, os 30 melhores contos de Machado (título de um livro do século XX), além de passar os olhos por seus romances, poemas, crônicas e sueltos de imprensa. Tanto fez que se cansou do estilo do escritor carioca. No trabalho universitário escrito em 1987, se destacam alguns trechos de gritante sinceridade:

    “O que me afastou de Machado foi a falta de ação nos seus romances. É tudo arrastado como a vida no Império. Burocratas sem sal satisfeitos com suas vidinhas medíocres. Trambiqueiros ociosos, parasitas empenhados em dar o golpe do baú”.

    Ele prossegue, impiedoso: “No romance ‘Dom Casmurro’ (que plantou no imaginário brasileiro a dúvida sobre a fidelidade da jovem esposa Capitu ao marido Bentinho), “os ricos são apresentados em linguagem sóbria”, enquanto “a galhofa sobra para os trabalhadores como João Pádua ou parasitas pobres que almejam ficar ricos para viver como os ricos”.

    Aprofundando sua crítica, o pós-graduando da UnB observou ainda que os personagens machadianos “carecem de transcendência para o bem ou para o mal”, ficando longe, por exemplo, de escritores da mesma época, como os russos Dostoievski ou Tchekov ou franceses que se dividiam entre a imprensa e a literatura, caso de Balzac. Já as mulheres machadianas sonham com casamento, conforto, jantares, posição social e casa própria bem decorada. Nesse aspecto, ao refletir o clima e o conteúdo de romances ambientados em Paris, Machado teria sido um fiel retratista da futilidade da vida na corte de D. Pedro II, cuja influência alcança hoje os dramalhões apresentados toda noite desde 1950 nas telenovelas brasileiras. Em sua monografia engavetada, Cazarré lembra que o elogiado escritor carioca, além de escrever para jornais, era colaborador assíduo de revistas femininas que lhe pagavam “por linhas publicadas”. Além de ter um emprego público, o sujeito era frila…

    Naturalmente, Cazarré reconhece os méritos jornalísticos e literários do Bruxo de Cosme Velho, autor de 200 contos, uma dezena de romances, 800 crônicas, além de poemas e artigos na imprensa carioca. Mas, depois de muitos anos, não resistiu à tentação de criar um personagem inspirado em Simão Bacamarte.

    Manipulando um vocabulário rebuscado que lembra escritores como José Candido de Carvalho, Dias Gomes e Ariano Suassuna, Cazarré elabora em sua “Breve Memória de Simeão Boa Morte” um folhetim galhofeiro de 82 capítulos curtos em que — em nome de Simeão, claro — vergasta Machado de Assis como criador de personagens repetitivos: rapazes à caça de sinecuras estatais e dotes de jovens casadoiras ou viúvas abonadas. Assim, em cada página de seu memorando, Simeão trata o autor de “Dom Casmurro” como “mercenário”, “casamenteiro literário”, “pérfido, matreiro e pernicioso”, “amanuense do Império”, “pintor de fuxicos”, “alfaiate de lengas lengas matrimoniais” e assim por diante, num rol depreciativo nunca visto no jornalismo ou na literatura nacionais.

    Ao apontar Machado como “malévolo e caçoísta”, Cazarré se revela um baita iconoclasta. Sua ousadia foi abonada por um crítico que, à boca pequena, o considerou “muito corajoso” por criticar o maior ícone da literatura nacional, fundador da Academia Brasileira de Letras. É uma irreverência que confirma a habilidade do jornalista-escritor contemporâneo no manejo das palavras: desde seus primeiros escritos, ele carregou na ironia ao construir tramas compactas com personagens autênticos movendo-se em ambientes quase sem enfeites.

    Embora tenha escrito alguns romances para os públicos adulto e juvenil, sua especialidade são contos inspirados em acontecimentos de sua terra natal, que chegou a ter codinome (Tapera) e, no caso da sua última novela, é São Francisco do Laranjal, um belo nome que evoca o padroeiro da cidade e seu balneário na Lagoa dos Patos.

    Várias de suas histórias são inspiradas em episódios da infância num arrabalde denominado Vila do Sapo, assim chamado por ocupar uma várzea úmida cortada pelo Arroio Pepino, que passa(va) atrás do campo de futebol do GE Brasil, o bravo Xavante. Por aí fica claro que o escritor pelotense acolheu com gosto o conselho do russo Leon Tolstói: “Se queres ser universal, pinta tua aldeia”. A aldeia natal do jovem pelotense era tipo uma favela de banhado.

    Transbordando ironia, a história de Simeão Boa Morte combina avaliação literária e crítica social, a qual se estende sem perdão da corte imperial carioca à atual ciranda de Brasília, onde o novelista vive há quase 50 anos.

    No Brasil, o livro passou até agora em branco, ressalvada a apreciação positiva de Adelton Gonçalves, ensaísta renomado, com vários livros publicados. Para ele, a novela é tão boa que pode ser considerada uma grande homenagem ao autor de “O Alienista”.

    Na orelha da edição brasileira, o crítico André Seffrin afirma que Simeão é uma obra-prima e, como tal, poderia ser, “gaiatamente”, assinada pelo próprio Machado de Assis.

    È claro que as tiradas carrazeanas não desfazem a aura que envolve o autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, mas na literatura ninguém está imune à crítica, embora seja muito mais fácil tecer elogios às novidades bem escritas. Outros escritores brasileiros laureados como José de Alencar, Lima Barreto, Jorge Amado, Erico Verissimo, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Oswald de Andrade e Dalton Trevisan foram criticados por seus estilos narrativos, suas posições políticas e até por suas manias pessoais.

    No auge da forma técnica, Cazarré não se cansa de trabalhar em projetos novos ou na revisão de livros que relança com inovações formais, distribui aos amigos e põe à venda onde acredita que possam conquistar leitores. Em 2025, inaugurou uma parceria com Fernando Duval, consagrado artista plástico pelotense que mora há décadas no Rio e lhe forneceu ilustrações para a capa de seus dois últimos livros, “Contos Pelotenses” e “Breve Memória de Simeão Boa Morte”.

    Com mais de meio século de militância no jornalismo e na literatura, Cazarré tem cacife para ser convidado a tomar chá na ABL. É duvidoso que se interesse por envergar o ridículo fardão dos acadêmicos. De louros literários, a esta altura do campeonato, talvez aprecie ser indicado ao Nobel de Literatura.

    Sim, teria café no bule, mas para chegar à Academia Sueca precisaria enfrentar outros bons usuários da língua portuguesa no Brasil, na África e em Portugal. De Milton Hatoun a Mia Couto, é cada vez maior a lista de candidatos potenciais a prêmios literários internacionais, com o agravante de que o idioma português somente é falado, lido e escrito por não mais do que 4% da população do planeta. Cazarré leva alguma vantagem por ser dos mais jovens. Em julho completará 73 anos.

    SERVIÇO FINAL

    Lançada no Brasil pela Faria e Silva, editora do Rio ligada ao grupo Alta Books, a novela sobre Simeão Boa Morte ocupa pouco mais da metade de um livro de 180 de páginas enriquecido com cinco outros contos típicos da verve cazarreana, difundida em dezenas de livros próprios, coletâneas e textos avulsos publicados em sites brasileiros e de Portugal. Está à venda na Amazon por R$ 44.

  • Festival celebra 130 anos do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão

    Festival celebra 130 anos do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão

    Evento gratuito no parque Assis Brasil, em Esteio, reúne dezenas de operações gastronômicas, apresentações culturais e o Anime Buzz

    A riqueza da cultura japonesa estará em destaque no 12o Festival do Japão do Rio Grande do Sul, que acontece de 14 a 16 de novembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

    O evento promete encantar o público com o melhor da culinária tradicional japonesa, além de uma programação
    cultural diversificada para todas as idades.

    Entre as opções gastronômicas, o público poderá saborear sushis variados, temakis fresquinhos, lámen artesanal, takoyakis (bolinhos de polvo), guiozas, wagashis (doces típicos), nikumans, tonkatsu, bentôs completos e muito mais.

    Serão dezenas de operações gastronômicas participando do festival, incluindo também restaurantes de fast food.
    Além da culinária, o Festival contará com apresentações de danças e músicas típicas, oficinas de artesanato, demonstrações culturais e o já tradicional Anime Buzz, espaço dedicado à cultura pop japonesa, com
    atrações para os fãs de animes, mangás e games.

    Com o tema “Amizade”, a edição de 2025 celebra dois marcos importantes: os 45 anos de irmandade entre o Rio Grande do Sul e a província de Shiga e os 130 anos do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão.

    Serviço
    12o Festival do Japão do Rio Grande do Sul
    📍 Parque de Exposições Assis Brasil, Esteio
    📅 De 14 a 16 de novembro
    Entrada gratuita
    🤝 Colabore com 1 kg de alimento não perecível
    🌐 www.festivaldojapaors.com.br

     

  • Novembro, o filme, em pré-estréia na cinemateca Capitólio

    Novembro, o filme, em pré-estréia na cinemateca Capitólio

    Com roteiro e direção de Tomás Corredor, o longa NOVEMBRO foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, após ter estreado mundialmente na Discovery Section do prestigiado Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF).

    O longa ganha também data de estreia nos cinemas brasileiros: 30 de outubro e uma pré especial na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, no dia 21/10, às 19h.

    Produzido pela colombiana Burning, em coprodução com a brasileira Vulcana Cinema, a mexicana Piano e a norueguesa Tordenfilm, o filme revisita um dos episódios mais trágicos e complexos da história recente da Colômbia: a tomada do Palácio da Justiça pelo grupo guerrilheiro M-19, em 6 de novembro de 1985.

    O filme combina ficção envolvente e imagens de arquivo impressionantes para apresentar uma reflexão tensa e assombrosa sobre convicção, caos e as feridas profundas de um dos dias mais sombrios da Colômbia.

    “NOVEMBRO é um filme nascido da necessidade de revisitar um momento-chave da nossa história recente, mas a partir de outra perspectiva. A obra não busca reconstruir os fatos, mas sim explorar o que não foi visto: o íntimo, o vulnerável, o humano”, explicou Thomás Corredor.

    Segundo o diretor, o filme é um exercício de olhar novamente para a memória coletiva e suas lacunas, de olhar para a perda – de vidas, de certezas, de sentido: “O cinema nem sempre traz respostas, mas carrega algo ainda mais poderoso: a possibilidade de olhar de novo. Novembro é exatamente isso: uma reflexão sobre o que acontece conosco quando tudo se rompe. Não há heróis ou vilões, apenas pessoas diante de uma realidade que as esmaga. E essa realidade não faz parte apenas do passado. Pode acontecer de novo. Em qualquer país. A qualquer momento”.

    NOVEMBRO marca mais uma participação da gaúcha VULCANA CINEMA, de Paola Wink e Jessica Luz, em um prestigiado festival, após o longa “THE BLACK SNAKE” (La Couleuvre Noire), do francês Aurélien Vernhes-Lermusiaux, estrear mundialmente em maio deste ano na mostra paralela ACID, dedicada a longas independentes do Festival de Cannes. Além disso, “ATO NOTURNO”, novo filme da dupla Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, teve sua première em fevereiro, na seção Panorama da última edição da Berlinale e “FUTURO FUTURO” que foi exibido no Festival Internacional de Karlovy Vary, na República Tcheca, e ganhou o prêmio de Melhor Filme do Júri Oficial no Festival de Brasília.

    Sinopse:
    Presos em um banheiro por mais de 27 horas durante a tomada do Palácio da Justiça, guerrilheiros, juízes e cidadãos civis encaram algo mais violento do que balas: suas próprias convicções — ou o colapso delas. Fora, o caos. Dentro, uma nação à beira do precipício.

  • Daniel de Andrade (1948 – 2025) 

    Daniel de Andrade (1948 – 2025) 

    CARLOS CARAMEZ

    O meu amigo Dani Boy ou Daniel de Andrade Simões, que faleceu hoje, era um baiano gaúcho muito retado, talentoso fotógrafo e jornalista, que vai deixar muitas saudades e um acervo fotográfico importantíssimo.

    Nascido em Rio Real(BA), adotou o Rio Grande do Sul como sua morada definitiva. Casou com a socióloga Carmem Crayd com quem teve os filhos José Daniel e Ana Creyde Simões e depois viveu com a historiadora Stela Petrasi, até os dias atuais.

    Mudou para Salvador, ainda guri, onde começou a estudar como seminarista, mas devido a sua falta de vocação sacerdotal, foi mandado embora do colégio.

    Continuou em Salvador e mais tarde foi trabalhar na Petrobrás, de onde foi expulso por imprimir panfletos do Partido Comunista. Caiu na clandestinidade e se tornou subversivo e militante aguerrido contra   a ditadura militar. Acabou preso com armas, dinheiro de um assalto e livros sobre a luta armada, em Alagoinhas(BA), quando iria treinar camponeses para a guerrilha e encontrar o cap. Carlos Lamarca.

    Não delatou ninguém,  foi muito torturado e ficou preso cumprindo pena no quartel do Barbalho, no quartel de Amaralina e na penitenciária Lemos de Brito, em Salvador. Quando deixou a prisão adotou o nome fictício de “Reginaldo Farias”, para despistar a repressão e saiu clandestino do Brasil. Esteve exilado no Chile, Itália, Dinamarca, Alemanha e França onde estudou fotografia e cinema, em Vicennes, e conheceu Daniel Cohn Bendito, ” o vermelho”, líder das manifestações de maio de 68, na Europa. Depois foi para Moçambique, colaborar com a FRELIMO e trabalhar na AIM- Agência de Informações Moçambicana, sob a direção do escritor e poeta  Mia Couto, que se tornou seu amigo para a vida toda. Na sua volta ao Brasil, depois da anistia, trabalhou no Amapá com a família Capibaribe e o jornalista Élcio Martins. Aqui no RS fundou a agência “Em Foco”, com os fotógrafos Eduardo Tavares e Pablo Fabian e depois a Gaya Produções Fotográficas com Stela Petrasi.

    Trabalhou no Coojornal, Zero Hora e fundou o Jornal Denúncia com Carlos Alberto Kolecza. Também colaborou com os mais importantes veículos da imprensa brasileira.

    Fizemos juntos um documentário sobre o sen.  Teotônio Vilela, entre outras coisas. Éramos amigos e cúmplices. Daniel usava a máquina fotográfica como uma arma.

    Seus clics certeiros e personagens únicos fazem parte da história da luta contra a ditadura brasileira e também retratam o Brasil de hoje, novamente ameaçado pela truculência militar golpista. Como ele gostava de falar, “Yankees Go Home, para sempre”.

    A praia de Itapeva, onde ele morava e pescava, entre uma foto e outra, não será mais a mesma, nem continuará preservada e bonita, sem ele por lá. Chefia nós seguiremos juntos. Até…
    Foto Mirian Fichtner.

     

  • Enem 2025: Inscrições crescem 11% e chegam a 4,8 milhões no pais

    Enem 2025: Inscrições crescem 11% e chegam a 4,8 milhões no pais

    O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) registrou 4,8 milhões de inscritos no país, em 2025, um aumento de mais de 38% em relação a 2022 e de 11,2% em relação ao ano passado.
    Os números correspondem ao balanço, divulgado nesta quarta-feira, 23 de julho, pelo Ministério da Educação (MEC).

    Entre os estados que registraram o maior número de inscritos no Enem 2025 estão: São Paulo (751.648), Minas Gerais (464.994) e Bahia (428.019).

    Confira o número de inscritos por UF:

    UF

    Inscritos

    Acre

    28.962

    Alagoas

    96.488

    Amapá

    33.193

    Amazonas

    110.842

    Bahia

    428.019

    Ceará

    275.937

    Distrito Federal

    82.975

    Espírito Santo

    85.920

    Goiás

    166.761

    Maranhão

    211.383

    Mato Grosso

    80.429

    Mato Grosso do Sul

    57.941

    Minas Gerais

    464.994

    Pará

    289.392

    Paraíba

    142.050

    Paraná

    195.870

    Pernambuco

    272.299

    Piauí

    120.040

    Rio de Janeiro

    329.001

    Rio Grande do Norte

    113.229

    Rio Grande do Sul

    186.541

    Rondônia

    46.801

    Roraima

    14.162

    Santa Catarina

    110.465

    São Paulo

    751.648

    Sergipe

    78.344

    Tocantins

    37.652

    Provas – O MEC, por meio do Inep, aplicará as provas em 9 e 16 de novembro, nas 27 unidades da Federação.

    Pará – De forma excepcional, o Enem será aplicado em 30 de novembro e 7 de dezembro, nas seguintes cidades do Pará: Belém, Ananindeua e Marituba.

    A medida visa atender aos públicos desses municípios, em virtude da realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá na capital paraense no período da aplicação regular do exame.

    Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do Inep

  • Ruy Ostermann, o professor de todos nós

    Ruy Ostermann, o professor de todos nós

    Como sempre acontece com as personalidades realmente grandes, será necessário transcorrer um tempo para que se tenha a verdadeira dimensão de Ruy Carlos Ostermann – para além da popularidade que em pouco se apaga.

    No jornalismo posso testemunhar que pelo menos duas gerações de profissionais foram visivelmente marcadas ele – por sua inteligência límpida, pelo seu estilo elegante e preciso, seu entusiasmo, seu comportamento ético.

    Quando entrei como “foca” na Folha da Tarde, em 1968, Ostermann já era um nome.  Internamente, mobilizava ciúmes e preconceitos – um cara com nome alemão  que dava aulas de filosofia e…cagando regras no futebol!

    Mas logo todos perceberam – mesmo seus detratores e principalmente o público – que estavam diante de algo novo. O professor sabia o que estava falando.

    Esporte, então, era uma editoria secundária nas redações, ganhava espaço porque vendia jornal, mas o que dava prestígio era a política, a economia e a novidade que surgia, meio ambiente.  . A cobertura esportiva nos jornais impressos, então, era uma ladainha de mesmice e lugares comuns.

    Ruy enxergava uma partida de futebol por outras lentes, via o jogo em todos os seus níveis e tinha um vocabulário e uma linguagem para descrever o que via. Ele deu régua e compasso ao jornalismo esportivo.

    Fui reencontrá-lo, com José Antonio Severo,  naquele projeto insano da Folha da Manhã, em 1972.  Um diário independente num regime de ditadura militar!  O esporte era o melhor caminho para ter leitores sem ter atritos com as autoridades.

    Ruy montou a editoria de esportes, que era quase metade do jornal: Roberto Appel, Pinheiro Machado, Cláudio Dienstmann, Mário Marcos de Souza, Gilberto Pauletti, Paulo Antunes de Oliveira, jovens impulsivos…que temperou com alguns veteranos- Ivo Correa Pires, Aparício Viana e Silva.

    Por sua indicação entraram na equipe José Onofre, Jefferson Barros, Luiz Fernando Veríssimo.

    O jornal foi um sucesso. Saltou de 7 mil para 35 mil exemplares de venda. Mas o  projeto que apostava na abertura política, bateu no muro do regime, quando ele endureceu em 1975.

    A semente do jornalismo independente, porém, sobreviveu em muitas iniciativas e, em todas elas, do Pato Macho ao Coojornal e ao JÁ, enquanto pode, Ruy Carlos Ostermann esteve presente.

     

     

     

  • Sebastião Salgado deixou pronta exposição sobre a Amazônia para a COP 30 em novembro

    Sebastião Salgado deixou pronta exposição sobre a Amazônia para a COP 30 em novembro

    Ele não fotografava mais, mas seguia trabalhando em seus projetos. O útimo foi a seleção das fotos para  exposição sobre a Amazônia, que será montada em Belém para a Conferência do Clima (COP30), em novembro deste ano.

    Sebastião Salgado morreu na sexta-feira, 23, aos 81 anos, devido a complicações da malária que contraiu na Indonésia em 2010.

    Nascido em Aymorés, no interior Minas Gerais, formou-se em economia em São Paulo e nos anos de 1970, com a repressão da ditadura brasileira, mudou-se para Paris, onde começou sua carreira.

    Sua fama iniciou com as fotos do garimpo de Serra Pelada nos anos 80. Fotos em preto e branco, com um tratamento diferenciado que dava um clima dramático aos seus registros.

    A partir dali ele ampliou seus projetos com financiamentos internacionais, contando com a sagacidade comercial de sua mulher, Lélia Wanick Salgado, considerada a responsável pela transformação do nome de Salgado numa grife global não vinculada diretamente a um veículo de imprensa em particular ou ao jornalismo em geral. Viajou por mais de 130 países.

    Trinta anos depois, voltou à terra natal na divisa de Minas Gerais com o Espirito Santo, e encontrou a fazenda onde morou na infância totalmente devastada. Os belos morros estavam pelados, a floresta havia sido derrubada para extração de madeira para a construção civil do Rio, de Belo Horizonte e Brasília; e também para a exportação.

    Criou o Instituto Terra e iniciou um projeto de reflorestamento sob a direção do engenheiro florestal Renato Moraes de Jesus. Sete milhões de mudas foram plantadas para recuperar uma área de dois mil hectares.

    Seguiu vivendo em Paris, sua base operacional para os últimos trabalhos fotográficos principalmente na Africa, onde documentou o estágio de pobreza de populações nativas.

    A Academia Francesa, da qual era membro, definiu-o como “grande testemunha da condição humana e do estado do planeta”.

    De vez em quando ele voltava para ver a incrível recuperação florestal da fazenda da família. Ao lado de seu excepcional acervo fotográfico, o que ele deixa em Aymores é um exemplo de que é possível recuperar os estragos no meio ambiente.

    Via a floresta como um organismo vivo, no que ecoava o saber de Carl Sagan, o astrônomo da série Cosmos: “As árvores são nossas tias biológicas”.

    Num longo e detalhado necrológico, o jornal britânico The Guardian disse que “suas dramáticas fotografias em preto e branco destacaram a injustiça e apresentaram a floresta amazônica ao mundo”.

     

  • Projeto para criar o Museu Ivo Caggiani andou até pelo MEC em 2005

    Projeto para criar o Museu Ivo Caggiani andou até pelo MEC em 2005

    Um museu para reunir o acervo do historiador Ivo Caggiani, em Santana do Livramento, chegou a ter o início de sua construção anunciado, em 2005.

    Quase vinte anos depois, abandonado e sem interesse do poder público, há duas semanas foi doado para o Museu Departamental de Rivera, no Uruguai.

    “Obras do Museu Ivo Cggiani  iniciam na semana que vem”, foi a manchete do jornal A Platéia, de 13 de fevereiro de 2005.

    A Associação Comercial de Livramento havia cedido um terreno junto a sua sede no centro da cidade para  construir o museu.

    O jornalista Danilo Ucha, santanense de grande prestígio na capital, se engajou na campanha pelo museu, a ponto de apelar ao então ministro da Educação, Tarso Genro, pedindo apoio. (Tarso Genro, quando perseguido político, depois do golpe de 1964, se refugiara em Rivera).

    Havia expectativa de enquadrar o projeto na lei de incentivo e ter apoio das empresas.

    Por diversas razões, inclusive a morte do líder do movimento, Vitor Hugo Fialho, o projeto não andou. O assunto voltou ao domínio da familia que acabou por encontrar acolhida “do outro lado da linha”.