Lel Aldir Blanc triplica investimento em cultura no RS

A primeira quinzena de outubro será de grande agitação entre artistas e produtores culturais gaúchos.

Em números redondos, o Rio Grande do Sul está recebendo 155 milhões de reais via lei Aldir Blanc. É o triplo do que o Estado costuma investir em Cultura em um ano.

A parte que coube ao governo estadual, de 69,7 milhões de reais, já está na conta desde o dia 21 (são 30 milhões para auxílio emergencial a trabalhadores previamente cadastrados, mais 39,7 milhões distribuídos entre cinco editais).

Outros 85 milhões de reais são destinados aos municípios. E a regulamentação da lei diz que tem que gastar tudo até o fim deste ano. Ou o dinheiro volta para Brasília.

Do dia primeiro a 16 de outubro, estarão abertos dois dos cinco editais previstos pela Secretaria Estadual da Cultura, e as inscrições para três chamadas públicas.

Também em outubro serão pagos os auxílios emergenciais de 600 reais por mês a 2.219 trabalhadores que se cadastraram. O valor é retroativo a junho, portanto a primeira parcela será de três mil reais. Quem perdeu o prazo para se cadastrar pode recorrer às chamadas públicas, também até 16 de outubro.

Dez milhões de reais estão destinados ao edital para produções culturais, com valores de 100 mil a 350 mil reais por projeto. Um critério importante para aprovação na Sedac é a capacidade da produção de gerar trabalho e renda.

O outro edital que abre dia primeiro reserva quatro milhões de reais para aquisição de bens e materiais, como livros e equipamentos úteis ao trabalho (50 mil a 100 mil reais por proposta). Para este edital, o passado do solicitante pesa: é preciso comprovar que é do ramo, que está na área há algum tempo.

Ambos abrangem os produtores formalizados. Segundo o diretor de Fomento da Sedac, Rafael Balle, há cerca de 30 mil microempreendedores cadastrados, que poderão disputar uma fatia da verba. Para os informais, os “sem CNPJ”, sejam pessoas físicas ou coletivos informais, foram concebidos os editais a partir de chamadas públicas. São três.

O Prêmio Trajetórias contempla os veteranos (que podem ser indicados por outra pessoa). “Um reconhecimento a quem tem contribuído para o desenvolvimento da cultura”, resume Balle.

O objetivo do edital Criação e Formação é fomentar a pesquisa, montagens, grupos coletivos e até empresas. Investimento para o futuro.

O quinto edital será o mais complexo. Tem foco territorial e foi criado para financiar projetos com potencial de transformação social em locais de baixa escolaridade, baixa renda e altos índices de violência, mapeados pelo programa RS Seguro. Abrange 23 municípios onde vive mais da metade da população. Os “invisíveis”, lembra Balle, mostram que as políticas públicas são insuficientes.

Para a secretária da Cultura, Beatriz Araujo, a aplicação da lei Aldir Blanc provocou o mais amplo debate sobre políticas públicas de todos os tempos no Rio Grande do Sul. Ela ressalta que a Sedac instituiu cotas raciais, de gênero, e atenção para contemplar todas as regiões do Estado.

Situação no Interior do RS

Foram feitas 17 reuniões por videoconferência, envolvendo 38 integrantes do Conselho Estadual de Cultura e dirigentes do setor nos municípios, para debater o tema e divulgar que este dinheiro existe e está disponível. “Não é favor, nem benesse, é um direito, e depois tem que prestar contas”, disse o presidente do Conselho, escritor Airton Ortiz.

Dos 85 milhões de reais para os municípios, 35 milhões de reais já foram depositados, segundo Evandro Soares, presidente do Conselho de Dirigentes Municipais de Cultura da Famurs e secretário de Cultura de Bento Gonçalves. Até esta segunda-feira, 45% dos 497 municípios gaúchos já tiveram seus projetos aprovados e 20% aguardam aprovação, porém 35% sequer iniciaram seus planos para aplicação desses recursos.

 

 

Lancheria do Parque voltará com a Primavera

Na Lancheria do Parque, ponto tradicional na avenida Osvaldo Aranha, ninguém arrisca uma data para a reabertura. Só se sabe que será depois do inverno, provavelmente não antes de setembro.

Após três meses fechada, meia porta aberta

A popular Lanchera, que completou 38 anos dia 9 de maio, baixou a cortina metálica dia 20 de março devido às exigências sanitárias em razão da pandemia.

Para continuar funcionando dentro das novas regras de distanciamento, o extenso balcão teria que ser removido mais para o centro do salão, para aumentar o corredor atrás dele, por onde circulam vários funcionários, do caixa ao chapeiro, onde também são feitos os famosos sucos de frutas frescas.

Seria uma obra e tanto, para uso temporário, e deixaria o salão comprido mais estreito, caberiam muito menos mesas para respeitar a distância entre elas agora exigida. E sem o bufê de almoço disponível das 10 às 18 horas. Não há Lanchera sem aglomeração.

O balcão característico, de onde saem os pedidos de lanches e sucos, tornou-se um problema na pandemia 

“Se anunciarem uma vacina hoje, abrimos amanhã”, brinca Neomar José Turatti, um dos oito sócios no negócio. No início de abril, quando perceberam que seria longo e incerto o período de portas fechadas, demitiram os 20 outros funcionários. “Assim puderam receber o Fundo de Garantia e seguro-desemprego”, justifica.

Os boatos de que a Lanchera não abriria mais são desmentidos pelos preparativos para a retomada pós-pandemia

Enquanto isso, ele supervisiona a reforma do balcão, que continuará onde sempre esteve, limpeza geral e manutenção de equipamentos, preparando o retorno às atividades. Não se anunciam grandes mudanças. A Lancheria do Parque é um retalho dos anos 80 no Bom Fim – sem wi-fi, sem comida gourmet e sem embalagens personalizadas, é um clássico popular.

 

Instituições culturais públicas do Estado fecham para conter o virus

A Secretaria de Estado da Cultura informa que a partir desta quarta-feira (18/03/2020) estarão suspensas todas as atividades nas 22 instituições culturais da rede estadual, pelo período de duas semanas, que poderá ser prorrogado em caso de necessidade.

A medida foi tomada para minimizar a aglomeração de pessoas em locais públicos e contribuir para reduzir a disseminação do vírus Covid-19.

Ficam, portanto, suspensos espetáculos, visitação, pesquisas, ensaios e demais atividades e atendimentos ao público em todas as instituições abaixo:

  • Arquivo Histórico do RS

  • Biblioteca Leopoldo Boeck

  • Biblioteca Lígia Meurer

  • Biblioteca Pública do Rio Grande do Sul

  • Biblioteca Romano Reif

  • Cinemateca Paulo Amorim

  • Casa da Música da OSPA

  • Casa de Cultura Mario Quintana

  • Hub Criativa Birô

  • Instituto Estadual do Livro

  • Museu Antropológico do RS

  • Museu Arqueológico do RS (em Taquara)

  • Museu de Arte Contemporânea – MAC

  • Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS

  • Memorial do Rio Grande do Sul

  • Museu do Carvão (em Arroio dos Ratos)

  • Museu de Comunicação Hipólito José da Costa

  • Museu Histórico Farroupilha (em Piratini)

  • Museu Julio de Castilhos

  • Parque Histórico Bento Gonçalves (em Cristal)

  • Teatro de Arena

  • Theatro São Pedro