Categoria: Cultura-MATÉRIA

  • Blues de Mari Kerber e Ale Ramalho abre as lives de julho do bar Parangolé

    Blues de Mari Kerber e Ale Ramalho abre as lives de julho do bar Parangolé

     

    O duo de blues formado por Mari Kerber e Ale Ravanello se apresenta ao vivo nas redes sociais do Parangolé nesta quinta-feira (2) às 20h. A apresentação faz parte da segunda edição de uma série de lives que o bar tem realizado com o objetivo de arrecadar recursos para os músicos que costumam se apresentar na casa. O bar segue fechado desde o início da pandemia da Covid-19.

    A agenda de lives do Parangolé segue todas as terças e quintas durante todo o mês de julho, com espaço para variados gêneros musicais, como MPB, bossa nova, samba e pop. Estão na lista músicos como Gabriela Lery, Pablo Grilo, Marcelo Lehmann e Chicão Dornelles. Confira a agenda completa na imagem abaixo:

    Neste link é possível conferir os shows, todas as terças e quintas, às 20h >> http://www.facebook.com/parangolebar/live_videos/

  • A Porto Alegre de 12 mil habitantes que Saint Hilaire viu há 200 anos

    A Porto Alegre de 12 mil habitantes que Saint Hilaire viu há 200 anos

    Francisco Ribeiro

    Na viagem que empreendeu pelo Rio Grande do Sul , há 200 anos, o naturalista francês, Auguste de Saint-Hilaire, ficou mais de um mês em Porto Alegre.

    Tempo suficiente para escrever um dos mais importantes relatos sobre como era a vida na, então, sede do governo da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul.

    Como nas demais partes do Brasil em que percorreu ao longo de seis anos (1816-1822), Saint-Hilaire, além da botânica, teve um olhar arguto sobre usos e costumes, pessoas, política e administração.

    Suas anotações, em forma de diário, mais tarde transformadas em livros, constituem um importante documento histórico.

    Porto Alegre, na época, segundo a estimativa apurada por  Saint-Hilaire, contava entre 10 e 12 mil habitantes. Entre esses, ainda viviam muitos dos primeiros porto-alegrenses natos e, até mesmo, gente nascida bem antes da fundação da cidade.

    Assim, durante as suas perambulações, Saint-Hilaire pode ter encontrado pessoas que ainda denominassem o local como Porto de Viamão ou Dorneles, ou, mais singelamente, Porto dos Casais.

    Mas, fora alguns pioneiros sobreviventes, e seus descendentes, a Porto Alegre de 1820 já era bem diferente daquela de sua fundação.

    Na Rua da Praia, que Saint-Hilaire descreve como sendo a única artéria comercial, nada restava para lembrar a antiga colônia de pescadores e suas choupanas, incluindo a primeira capela, ou seja, habitações parecidas como as encontradas por ele no litoral a partir de Torres.

    Saint-Hilaire descreve uma Porto Alegre cheia de construções novas e com uma certa pujança econômica, porto e comércio movimentados, fadada “a ficar rica”, como ele projetou.

    O francês também constatou que Porto Alegre era bonita: “[…] Aqui lembramos o sul da Europa e tudo quanto ele tem de mais encantador”, escreveu no seu diário.

    Por outro lado, achou que a cidade era mais suja que o Rio de Janeiro e lamentou que, apesar do frio intenso, as casas não tinham aquecimento.

    E no que diz respeito a arquitetura, observou que, de tão acanhados, os principais edifícios públicos – Palácio, Câmara, Matriz, Palácio da Justiça – não condiziam com a importância da capital, nem com a riqueza da capitania.

    Por que este desleixo, ou mesquinharia, com prédios que tem uma forte carga simbólica?

    Para responder esta e outras questões, o JÁ  entrevistou o  historiador Sérgio da Costa Franco. Autor de livros como “Porto Alegre Ano a Ano: uma cronologia histórica 1732-1950”, “Os viajantes olham Porto Alegre 1754-1890”, e “Porto Alegre Sitiada”  sente-se a vontade para falar daquele que foi um dos primeiros cronistas da cidade.

    JÁ – O que diferencia Saint-Hilaire dos demais viajantes que percorreram o Rio Grande do Sul, especialmente Porto Alegre, na primeira metade do século XIX? Arsène Isabelle (1806-1888) e Nicolau Dreys (1781-1843), por exemplo, só para citar dois, franceses como ele.

    SCF – O que diferencia Saint Hilaire dos demais viajantes contemporâneos é tanto a quantidade quanto a qualidade da informação.

    Embora fosse um autodidata, Saint-Hilaire exibe uma massa de informação respeitável em botânica, zoologia e outras ciências naturais. O Abeillard Barreto, nosso melhor bibliógrafo, escreveu (Bibliografia Sul-Riograndense) sobre sua enorme capacidade de trabalho na coleta zoológica, a precisão e minúcia do seu diário. Chama-o de “inigualável visitante”, que além de tudo, ainda achava tempo para redigir monografias e comunicações para várias publicações da França.

    Quanto a mais alentada de suas obras, a “Voyage à Rio Grande do Sul”, ele escreveu que ainda era o “manancial” mais sadio e mais profundo para o estudo dos homens e das coisas rio-grandenses”.

    JÁ – Nicolau Dreys, inclusive, morava na cidade quando Saint-Hilaire esteve em Porto Alegre. No entanto, o naturalista não o menciona. Por quê? Afinal, não havia tantos franceses na cidade. E Dreys era um comerciante e homem de iniciativa.

    SCF – Há em Nicholas Dreys uma referência a Saint Hilaire: encontraram-se num almoço em Rio Grande. Mas fora serem ambos franceses, talvez não houvesse muita sintonia entre os dois. Dreys era um bonapartista refugiado e, num tempo de “restauração” bourbônica, talvez não conviesse a Saint Hilaire a aproximação.

    No diário, em 12 de julho, ele alude a um negociante francês que o convidara para uma festa. Não seria o Dreys?

    JÁ – Trata-se, Saint-Hilaire, do primeiro cronista de Porto Alegre que, aquela altura, apesar de capital, ainda era uma vila?

    SCF – Parece-me que a primazia entre os cronistas cabe a dois portugueses: Domingos José Fernandes, autor da Descrição Cronológica, Política, Civil e Militar da Capitania do Rio Grande do Sul (Lisboa, 1804) e a Manoel Antônio de Magalhães, autor de Almanaque da Vila de Porto Alegre. O primeiro fez observações muito interessantes sobre as ruas da vila nascente, assim como o Magalhães, que era comerciante estabelecido na esquina da Rua do Cotovelo (hoje Riachuelo), com o Beco do Fanha (hoje Caldas Júnior). O Almanaque é de 1808.

    JÁ – Apesar de achar a cidade mais suja do que o Rio de Janeiro, ele faz observações bastante elogiosas.

    SCF – Deve-se considerar que o Rio de Janeiro já era mais urbanizada que Porto Alegre, aqui ainda circulavam muitos cavalos e cabeças de gado. Por isso seria mais suja, suponho.

    JÁ – Saint-Hilaire compara, por exemplo, o Caminho Novo (atual Voluntários da Pátria), ao que existe de mais agradável na Europa.

    SCF – Lembro que o Caminho Novo era recém aberto e local aprazível, à beira do Guaíba, ocupado por chácaras. Nicholas Dreys lhe fez uma descrição muito lisonjeira. “Depois de se ter passado o fundeadouro da cidade, segue-se a NO um bairro pitoresco, ao qual se deu o nome de Paraíso (atual Praça Quinze); depois deste, na mesma direção, principia uma bela alameda plantada, na beira do rio de árvores frondosas, chamada CAMINHO NOVO que prolonga-se quase sempre com os mesmos ornatos, até perto da embocadura do Rio Gravataí, é certamente dos mais excelentes passeios que se pode ver”. É claro que era o Caminho Novo antes da ferrovia, das indústrias e do comércio atacadista que viriam bem mais tarde. A descrição de Nicolau Dreys me parece mais expressiva que a de Saint Hilaire.

    JÁ – Uma das críticas que faz é que, embora o Guaíba seja uma das fontes de água potável da cidade, jogavam nele toda a sorte de imundícies. A população era tão inconsciente?

    SCF – Nessa época, antes das descobertas  da microbiologia, não havia muita preocupação com a sujeira dos rios. A primeira hidráulica – a Porto-Alegrense – captava água nas nascentes do Arroio Dilúvio e a distribuía sem tratamento. A segunda, que foi a Guaibense, captava direto no Guaíba e  a distribuía sem filtragem ou qualquer tratamento. O que importava era descartar o lixo grosso: animais mortos, fezes humanas.

    JÁ – Saint-Hilaire foi, realmente, o primeiro a constatar que o Guaíba era um lago? Controvérsia, rio ou lago, que dura até hoje.

    SCF – Se foi o primeiro não se pode afirmar com certeza. É possível que sim.

    JÁ – Uma das razões da sujeira era o fato da maioria das casas não terem jardins ou pátios e, por isso, o lixo ser arremessado diretamente na rua. Procede?

    SCF – Provavelmente sim. Ademais, é bom lembrar o gado e os cavalos que frequentavam as ruas com abundância. Se não havia pátios ou jardins, abundavam os terrenos baldios.

    JÁ – Ele elogia o local onde estava sendo construída a Santa Casa, nos limites da cidade, o que separaria os doentes dos sãos, evitando contágios. Sinal que, na administração, havia gente bem preparada. A cidade já contava com bons médicos? Era um tempo que, embora já existisse a vacina, grassava a varíola.

    SCF – Parece que essa ideia de contágio de doença já existia, mas sem noção exata de como ocorria. A microbiologia só nasceu com os trabalhos de Pasteur e Koch, quase no fim do século 19 (década de 1870).

    JÁ – Ele não fala bem das construções da cidade: concepção estética, materiais inadequados, espaços exíguos como o palácio do governador, ou a matriz.

    SCF – Envolvida em guerras e revoluções, a sociedade gaúcha não se preocupou muito com a estética arquitetônica. De resto o Rio Grande ainda era uma província pobre, que só prosperou depois da Revolução Farroupilha, o que explica a demolição de quase tudo o que era antigo: a velha Matriz, o palácio dos governadores, a igreja do Rosário, a Bailante da Praça da Matriz, o prédio antigo da Caixa Econômica, a “Casa de Correção”.  Por muito pouco escaparam a igreja da Conceição, o Mercado Central e outras raridades.

    JÁ – Em contrapartida, ele diz que se percebe que Porto Alegre era uma cidade nova, cheia de construções. Era um momento pujante na história da cidade?

    SCF – Ao tempo de Saint Hilaire, a cidade estava em crescimento. Mas ainda era muito pequena. Ele lhe atribuiu 10 a 12 mil habitantes, talvez com algum exagero, pois o Governador Paulo da Gama, em 1804, calculou em pouco menos de 4 mil os habitantes da freguesia.

    Não se pode falar em “pujante” uma cidade que ainda não tinha indústria. Mas impressionava bem os visitantes e tinha boas construções em andamento.

    JÁ – Também, como sugestão, fala em esplanadas. Porto Alegre já tinha recursos, do governo ou de particulares, para projetos arquitetônicos mais ousados?

    SCF – Não havia recursos para iniciativas grandiosas. Nem do governo, nem dos  particulares.

    JÁ – Apesar de todas as críticas, não há dúvida de que ele achou Porto Alegre muito bonita. Ela continua?

    SCF – Continua bonita, mas eu não a conheço mais.

     

     

     

     

     

     

  • Seleção de obras de arte da Pinacoteca Ruben Berta à disposição, nas redes sociais

    Seleção de obras de arte da Pinacoteca Ruben Berta à disposição, nas redes sociais

    A Secretaria Municipal da Cultura (SMC) irá disponibilizar, a partir desta terça-feira, 30, uma seleção de obras de arte da Pinacoteca Ruben Berta nas redes sociais.

    Pinturas, gravuras e desenhos produzidos por artistas brasileiros e estrangeiros entre 1943 e 1966 integram a ação denominada Acervo Dialogado, que pode ser conferida na página da Coordenação de Artes Plásticas no Facebook (@artesplasticaspoa), no perfil do Instagram @artesplasticaspoa) e pelo site www.pinacotecaspoa.com.

    CARYBÉ
    “Os caciques” – 1965
    óleo sobre tela – 73,0 x 100,0 cm
    acervo Pinacoteca Ruben Berta /  foto F.Zago-StudioZ

    Desafio artístico – Os trabalhos serão acompanhados por provocações poéticas e audiodescrições, visando a estimular releituras. A ideia de promover uma conversa criativa surgiu durante o fechamento temporário do museu em função do isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus.

    A partir deste projeto, os espectadores virtuais serão desafiados a criar novos trabalhos inspirados nas obras pertencentes ao acervo.

    DI CAVALCANTI
    “Mãe” – sem data
    guache sobre papel – 58,5 x 49,5 cm
    acervo Pinacoteca Ruben Berta /  foto F.Zago-StudioZ

    Todos os tipos de técnicas ou linguagens para criar novas obras são aceitas. Fotografia, colagem, gravura, pintura, poesia, vídeo, áudio, linguagem brasileira de sinais ou qualquer outro meio expressivo, por exemplo. A intenção é expandir as possibilidades de releituras do acervo e fomentar a manifestação das subjetividades no contexto da pandemia.

    As obras produzidas pelo público podem ser enviadas pelo e-mail acervodialogado@gmail.com ou postadas nas publicações nos perfis do Instagram e do Facebook da CAP.

    Todas estas criações serão imediatamente divulgadas nas redes sociais, com a finalidade de criar um meio comunicativo entre a comunidade e o acervo, aproximando a população com a equipe de ação educativa da Pinacoteca através de atividades lúdicas e artísticas.

    ANGELO GUIDO
    “Ribeirinha” – 1948
    óleo sobre tela – 40,0 x 50,0 cm
    acervo Pinacoteca Ruben Berta /  foto F.Zago-StudioZ

    Artistas Participantes

    Alice Soares (Uruguaiana, 1917 – Porto Alegre, 2005)

    Angelo Guido (Itália, 1893 – Pelotas, 1969)

    Carlos Bastos (Salvador, 1925 – 2004)

    Carybé (Argentina, 1911 – Salvador, 1997)

    RUBENS MARTINS ALBUQUERQUE
    “Floresta pré-histórica” – sem data
    óleo sobre papel – 98,5 x 198,0
    acervo Pinacoteca Ruben Berta / foto F.Zago-StudioZ

    Di Cavalcanti (Rio De Janeiro, 1897 – 1976)

    Lasar Segall (Lituânia, 1889 – São Paulo, 1957)

    Mário Gruber (São Paulo, 1927 – Cotia/Sp, 2011)

    Rubens Martins Albuquerque (Fortaleza, 1951)

    MÁRIO GRUBER
    “Ouro Preto” – 1966
    óleo sobre tela – 46,5 x 55,0 cm
    acervo Pinacoteca Ruben Berta / 
    foto F.Zago-StudioZ
  • Atelier Livre oferece novos cursos virtuais em julho

    Atelier Livre oferece novos cursos virtuais em julho

    O Atelier Livre Xico Stockinger, vinculado à Secretaria Municipal da Cultura (SMC), oferece quatro cursos novos, a partir de 6 de julho.

    As aulas serão virtuais e abordam arte moderna, arte contemporânea, construções de narrativas e encadernação.

    Os valores das capacitações variam entre R$ 150 e R$ 250. As inscrições podem ser realizadas através do blog do Atelier Livre. Servidores da prefeitura têm 50% de desconto, mediante apresentação de comprovação de vínculo. Bolsas poderão ser concedidas, após análise da solicitação e documentação.

    O Atelier Livre aceita alunos a partir dos 16 anos.

    Cursos

    Cadernos de Viagem: do projeto à encadernação
    Professor: Marcelo Armesto
    Encontros: oito virtuais
    Valor: R$ 150,00
    Data: terças-feiras, de 7 de julho a 11 de agosto
    Horário: terças-feiras, às 19 horas
    Pré-requisitos: nenhum

    Construção de um caderno de viagem desde a conceituação do projeto até a confecção do livro. Os encontros terão um livro de referência como fio condutor. Cada participante desenvolverá seu próprio caderno de viagem, utilizando referências teóricas e exemplos do campo da arte e da literatura apresentados, além de experiências práticas em encadernação e linguagens gráficas desenvolvidas em aula.

    Arte Moderna
    Professora: Anelise Valls
    Encontros: oito virtuais
    Valor: R$ 150,00
    Data: início 6 de julho
    Horário: segundas-feiras, às 19 horas
    Pré-requisito: nenhum

    Abordagem da produção artística da segunda metade do século 19 até os dias atuais. Afastando-se da história da arte linear e homogênea, propõe-se aqui tratar de movimentos, artistas e suas obras e demais aspectos constituintes à luz de determinado número de questões, de ordem formal, mas também filosófica e social. Neste sentido, a ideia é abrir sua história a outras perspectivas e narrativas possíveis. Pretende-se que cada uma das aulas possa funcionar como uma pequena introdução autônoma à história da arte moderna e contemporânea, orientada por uma questão específica.

    Neste momento, será oferecido o curso Arte Moderna. Ao concluir cada módulo, o aluno deverá ser capaz não apenas de identificar a produção artística nos períodos abordados, como de compreender sua motivação, seus mecanismos históricos, e também seus impasses diante de questões que seguem em aberto.

    Arte Contemporânea: Teorias e Práticas

    Professora: Anelise Valls
    Encontros: seis virtuais
    Valor: R$ 150,00
    Data: início 7 de julho
    Horário: terças-feiras, das 14h às 17h
    Pré-requisito: nenhum
    Este curso dedica-se ao estudos de artistas e trabalhos que foram marcos nas Arte Contemporânea no eixo internacional, bem como seus agentes e circuito.

    Imagem e Palavra Nas Construções Narrativas
    Professora: Mayra Redin
    Encontros: 16 virtuais
    Valor: R$ 250,00
    Data: de 6 de julho a 9 de novembro
    Horário: segundas-feiras, das 14h à 17h
    Pré-requisito: nenhum

    Um curso teórico-prático para exercitarmos construções de narrativas a partir da prática da escrita, da fotografia, do áudio e do desenho, com o objetivo de experimentar as relações entre imagem e palavra na construção das poéticas dos participantes.

     

  • Exposição internacional liderada por Clara Pechansky inaugura no dia 1º de julho

    Exposição internacional liderada por Clara Pechansky inaugura no dia 1º de julho

    Neste ano, o projeto criado em 2003 por Clara Pechansky terá lançamento no dia 1º de julho, com o catálogo MINIARTE VERDADE VIRTUAL, pelo site www.miniartex.org. A partir desta quarta-feira, 24 de junho, o público já pôde assistir um vídeo mostrando uma prévia do catálogo nas redes sociais da artista no Instagram e no Facebook.

    Cerca de 400 artistas de 12 países responderam à convocatória, formando um mosaico colorido e mostrando a diversidade da arte produzida na Argentina, Bélgica, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Itália, Espanha, Estados Unidos, México, Portugal e Taiwan.

    O catálogo completo da MINIARTE VERDADE VIRTUAL tem design e produção gráfica de Liana Timm, que também é a Artista do Ano da exposição. São 50 páginas mostrando obras de arte e textos produzidos por artistas visuais, escritores e poetas, entre os meses de março e junho de 2020.

    A apresentação do catálogo é assinada por Clara em português, espanhol e inglês, e traz notas biográficas de Liana Timm e dos homenageados de honra: Paula Goldstein, designer de iluminação da Disney, e Bruce Buckley, designer de animação em 3D, ambos norte-americanos.

    A MINIARTE INTERNACIONAL também representa no Brasil as entidades Arte Sin Fronteras (Colômbia), Mai-Colombia Internacional, OMAI México e Arte México Internacional.

    O Projeto MINIARTE INTERNACIONAL (www.miniartex.org) já produziu 37 edições que viajaram pelos 5 continentes. Sempre organizadas por artistas independentes e ocupando espaços públicos, essas edições compreendem 13 coleções que podem ser visitadas tanto no site da Miniarte quanto na Plataforma Flickr no link: http://bit.ly/3am3sgp.

    Mais de 1500 artistas já participaram de diferentes edições, cada uma com um tema específico, na Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Holanda, Inglaterra, Irlanda do Norte, México, Estados Unidos.

    A MINIARTE já foi exibida em vários estados brasileiros, a convite de universidades, museus e galerias oficiais.

    Sobre Clara Pechansky

    Nascida em Pelotas, RS, em 1936, vive e trabalha em Porto Alegre. Possui uma longa trajetória profissional, com mais de 60 exposições individuais e participações em Salões, Bienais, Trienais e coletivas que lhe valeram reconhecimento internacional.

    Atualmente coordena as mostras CLARA PECHANSKY Y SUS AMIGAS, expostas no México e no Brasil. Fundou o Projeto Miniarte Internacional em 2003, e após 37 edições mostradas em galerias e museus dos 5 continentes, está inaugurando em 2020 a MINIARTE VERDADE VIRTUAL.

    Sobre Liana Timm

    Artista multimídia, arquiteta, poeta e designer. Vive em Porto Alegre com atelier em permanente ebulição.

    Sua produção mescla manualidade e tecnologia, conceito e materialidade, história e contemporaneidade. Transita pelas artes visuais, pela literatura, pelas artes cênicas e pela música.

    Realizou 74 exposições individuais, 32 shows musicais, publicou 54 livros, sendo 16 individuais de poesia. Recebeu 15 prêmios e desenvolve produções culturais e projetos editorias através da TERRITÓRIO DAS ARTES.

    Sobre Paula Goldstein

    É artista visual multipremiada. Nascida na Filadélfia, é Bacharel em Artes e Mestre em Design Gráfico.

    Estudou Pintura em Roma, e iniciou sua carreira como Designer Gráfica de Animação e Diretora de Arte em Nova York, na NBC Universal, tendo recebido diversos Emmy Awards pelo seu trabalho na TV.

    Nos últimos 14 anos Paula vem sendo uma Disney Feature Animation, recebendo vários Oscars técnicos da Academy Awards. Vive em Los Angeles com seu marido Bruce.

    Sobre Bruce Buckley

    Nascido no Canadá, é desenhista de animação especializado em modelagem em 3D, tendo criado personagens famosos para diretores importantes, como Steven Spielberg.

    Artista Modelador Líder em 3D, criou para a Disney O Dinossauro. Nos últimos 20 anos vem trabalhando como modeling/texture artist, 3D designer, Concept Artist e Supervisor de Computação Gráfica para diversos filmes, tanto em animação 3D quanto em efeitos visuais. Também se dedica à escultura e à fotografia.

    Algumas obras:

    Obra de Clara Pechansky / Foto: Divulgação
    Obra de Alejandra Rivera- Colômbia / Divulgação
    Paula Goldstein Truth Def / Divulgação
    Obra de Lina Lopez / Divulgação- Colômbia
    Ana Isabel Lovatto / Brasil / Divulgação

     

  • MTG defende a realização de Acampamento Farroupilha virtual

    MTG defende a realização de Acampamento Farroupilha virtual

    O vice-presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho e presidente da Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, César Oliveira, defende que não deva ser realizado o Acampamento Farroupilha presencial este ano, em Porto Alegre.

    “A proposta é que o evento seja virtual projetando a nossa cultura de dentro pra fora, para o mundo todo”, afirma .

    Ele vê dificuldades, por exemplo, em fiscalizar as questões sanitárias, como instalação de banheiros químicos, aglomerações, consumo de bebidas e compartilhamento de chimarrão.

    Na semana passada, o MTG recebeu uma sugestão de um grupo de 45 piquetes, propondo a não realização da festa presencial. Oliveira, no entanto, disse que a decisão final caberá ao prefeito Nelson Marchezan Jr, gestor do município sede do evento.

  • Um documento sobre a formação do Rio Grande do Sul

    Um documento sobre a formação do Rio Grande do Sul

    Selo Diario de SaiEm centenas de páginas manuscritas o naturalista e botanista francês Auguste de Saint-Hilaire, registrou o dia a dia de sua viagem de um ano pelo Rio Grande do Sul a partir de junho de 1820.

    Seu diário tornou-se um documento único – o olhar de um europeu culto sobre as condições de vida no Rio Grande do Sul há 200 anos,  quando era ainda um território de campos abertos, escassamente povoados.

    Encerrava-se o ciclo das Guerras Cisplatinas, disseminavam-se as estâncias, estabilizavam-se as primeiras povoações nas regiões fronteiriças, uma economia começava a ganhar contornos, além da subsistência.

    Embora continue a provocar controvérsias por passagens preconceituosas e outras francamente racistas, inerentes à época, não há como desconhecer a importância da Viagem ao Rio Grande do Sul,  como fonte imprescindível para o conhecimento da sociedade gaúcha.

    As anotações de Saint Hilaire são decisivas para que se entenda essa realidade seminal. Nela estão as origens da sociedade riograndense.

    No dia 6 de junho, quando há exatos 200 anos Saint Hilaire iniciou seu diário em território do Rio Grande do Sul, o jornal JÁ começou a publicar uma série que vai até junho de 2021.

    Serão reportagens, entrevistas, artigos, debates em torno desse monumento histórico que é a Viagem ao Rio Grande do Sul, de August Saint Hilaire.

    “Gaúchos e gaudérios eram os  que não tinham trabalho fixo”

    Nessa entrevista a Francisco Ribeiro, o historiador Moacyr Flores (via email, em respeito ao isolamento imposto pela covid-19), aborda principalmente as afirmações de Saint Hilaire que hoje soam preconceituosas e abertamente racistas:

    JÁ – Qual a importância, para a história do Rio Grande do Sul, do testemunho, em forma de diário, de Saint-Hilaire?

    MF –  É um dos poucos documentos que permite a reconstituição social, política e econômica do Rio Grande do Sul, no início do século XIX.

    A primeira coisa que chama atenção é a indigência dos moradores do litoral. Qual a razão?

    MF – O litoral estava distante, sem portos para comunicação marítima. O único porto era o de Rio Grande, com uma barra perigosa, que permitia entrada de embarcações de novembro a março, por causa dos ventos, bancos de areia e corrente marítima vindas das ilhas Malvinas.

    JÁ – A contradição entre a indigência das habitações e o trajar das mulheres, melhor, segundo Saint-Hilaire, do que as camponesas francesas.

    MF – Não há contradição. Na França os nobres e sacerdotes eram os donos da terra, não trabalhavam nem pagavam impostos. Os comerciantes viviam bem numa sociedade mercantilista, embora pagassem impostos. Os camponeses não eram donos da terra, pagavam altos impostos. A miséria estava no campo. No Brasil formou-se uma economia de consumo, em troca da exploração da cana de açúcar, algodão, pedras preciosas. O morador da área rural era geralmente dono da terra.

    JÁ – Nota-se, nos relatos de Saint-Hilaire, um imenso desprezo pelos índios, sobretudo pelas índias. Fala que elas não têm pudor. Também acusa de causarem muitos males aos brancos que, ao que parece, segundo ele conta, ficavam enfeitiçados por elas.

    MF – A moral dos índios era diferente da moral dos europeus cristãos. O padre Ruiz de Montoya, no seu livro Conquista Espiritual, narra que, para atrair e fixar os guaranis numa missão, devia-se silenciar sobre os pecados provocados pela sexualidade, e não impor casamento monogâmico.

    JÁ – Contudo, ele não deixa de acentuar a decadência moral e material dos guaranis devido a destruição das missões jesuíticas.

    MF – Porque os índios ficaram sem o controle da moral pelos jesuítas, voltando aos valores ancestrais.

    JÁ – Ele sempre insiste na ideia de que um dos problemas dos índios é que eles não possuem a “noção de futuro”. No que ele se apoia?

    MF – No conhecimento geral. Na mentalidade indígena o passado deixou de existir, vivia-se o presente e o futuro ainda não existia.

    JÁ – Ele não é preconceituoso somente em relação aos índios. Faz críticas duras a todos os grupos étnicos e sociais que viviam no Rio Grande do Sul naquele período. Trata-se do olhar de um nobre europeu, civilizado, diante de um contexto primitivo, que alterna civilização e barbárie?

    MF – Até hoje o nacionalismo dos europeus é preconceituoso a quem não é de sua nacionalidade e cultura.

    JÁ – Para Saint-Hilaire, gaúcho e bandido são sinônimos. Preconceito que, na época, era comum a rio-grandenses e platinos, não é?

    MF – Saint-Hilaire apenas confirma a existência desses indivíduos marginais à sociedade da época. Os gaudérios ou gaúchos formavam um grupo social à parte, que não possuíam trabalho fixo.

    JÁ – Ele faz muitas considerações sobre Porto Alegre. Acha-a bonita, porém mais suja que o Rio de Janeiro. Também que não há aquecimento, lareiras, nas casas…

    MF – Todas as cidades eram sujas. Jogava-se todo o tipo de lixo no meio da rua, que só era limpa pelas chuvas fortes. Os camponeses na Europa tinham o estábulo numa divisão da casa, pois os excrementos e calor dos animais serviam para aquecer no inverno.

    JÁ-  O Rio Grande do Sul, na época em que Saint-Hilaire esteve por aqui, era uma imensa praça de guerra, um acampamento militar, principalmente depois da anexação da Banda Oriental, sob o nome de província Cisplatina.

    MF – O território do Rio Grande do Sul pertencia à Espanha pelo tratado de Tordesilhas. Os portugueses colonizaram o Brasil até Cananeia deixando o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul atuais para os espanhóis. Só a partir de 1680, com a fundação da Colônia do Sacramento, é que a política portuguesa conquistou este território.

    JÁ – Pelos relatos de Saint-Hilaire, chama a atenção o enorme contingente de soldados indígenas, havendo regimentos compostos só com esta etnia.

    MF – O índio era guerreiro. Ao ser absorvido pela civilização, sentou praça no exército espanhol e português. Também trabalhou como peão, tropeiro, capataz.

    JÁ – Ele fala muito sobre um general índio, Siti, e seu bando de gaúchos. Qual a relevância deste personagem?

    MF – Os gaúchos surgiram junto aos toldos dos índios charruas, adotando seus costumes. E cada bando obedecia a um chefe.

    JÁ – Nos meses que passou no Rio Grande do Sul, Saint-Hilaire constatou que a capitania era uma das mais ricas do Brasil. Também relatou uma série de descontentamentos, principalmente em relação aos impostos, que deflagrariam a Revolução Farroupilha.

    MF – O Rio Grande do Sul exportava seus produtos de navio pelo porto de Rio Grande para o Rio de Janeiro. Também por tropas de mulas seguindo para os Campos de Curitiba, Sorocaba, e daí para o Rio de Janeiro ou Juiz de Fora. Um terço do imposto era pago na origem, isto no Rio Grande do Sul, e um terço em Sorocaba, e o terço final no Rio de Janeiro ou Juiz de Fora. Os rio-grandenses do partido farroupilha queriam que todo o imposto fosse pago na origem do produto.

    JÁ – Fora o caráter científico, o que diferencia Saint-Hilaire dos demais viajantes como, por exemplo, Nicholas Dreys ou Arsene Isabelle, que percorreram o Rio Grande do Sul nas primeiras décadas do século XIX?

    MF – A maioria desses viajantes era financiada por grandes comerciantes europeus. Eram concorrentes. Atrás do caráter científico também tinha o objetivo de descobrir novos produtos que poderiam ser comercializados. Tinham o compromisso com seus financistas de apresentar resultados de como melhorar e ganhar mais com as descobertas que faziam. Enfim, de explorar nosso mercado de consumo.

    JÁ – Embora aristocrata, Saint-Hilaire foi contemporâneo das mudanças culturais e políticas que assolaram a França e se espelharam pelo mundo. Ele tem uma relação estranha com o índio, botocudo, Firmiano, ou com outros, que pretende levar para França. O romantismo de Rosseau, do “bom selvagem,” passou longe dele?

    MF – Os românticos como Gonçalves Dias e José de Alencar é que ressuscitaram o bom selvagem do Rousseau. Atualmente ainda existem os que exploram politicamente os índios como coitadinhos. Acham que devem receber toda a proteção e mordomias da sociedade dos que trabalham e produzem. Os portugueses e brasileiros que conquistaram o país sempre mantiveram a imagem do canibal, refratário ao trabalho.

    JÁ – O diário sobre a viagem ao Rio Grande do Sul foi publicado postumamente. em 1887. Ou seja, entre a viagem e a sua morte, ele teve mais de 30 anos para rever, acrescentar, cortar, ou alterar. Parece, não abdicou de nenhum dos seus preconceitos?

    MF – Não eram preconceitos na época em que ele escreveu seu diário de viagem. Era um olhar europeu a outra cultura.

    JÁ – Os poetas Manoel Bandeira e Carlos Drumond de Andrade enaltecem Saint-Hilaire, o chamam de amigo. Os rio-grandenses teriam motivos para fazer o mesmo?

    MF – Os dois poetas têm suas razões que a razão de um historiador desconhece.

    Saint-Hilaire, por sua arrogância francesa, não foi convidado para as casas dos porto- alegrenses, que viram com desconfiança apenas mais um forasteiro.

    JÁ – Ele descreve uma cena, numa estância, na qual um escravo, entre 10 e 12 anos, é muito maltratado. Afirma nunca ter visto criança mais triste. Trata-se de um dos relatos mais pungentes da história da escravidão no Rio Grande do Sul.

    MF – Todas as crianças eram maltratadas, mas creio que a história desse moleque seja um caso único.

    JÁ – Histórias de crianças judiadas pelos patrões, que remete a lenda do Negrinho do Pastoreio?

    MF – A lenda do Negrinho do Pastoreio é criada durante o romantismo, já no fim do século XIX, durante a Campanha Abolicionista. Apolinário Porto Alegre deixou escrita esta lenda com o nome de Crioulo do Pastoreio. José de Alencar escreve a peça Demônio familiar, na qual o moleque é considerado como um demônio, que não é responsável por seus atos por não ter liberdade. Apolinário Porto Alegre também escreveu uma comédia, onde o negrinho é o demônio familiar. Só havia uma solução para terminar com as diabruras: dar liberdade, pois, então seria responsável por seus atos.

    JÁ – Por outro lado, ele diz que os negros do Rio Grande do Sul eram os mais felizes das províncias brasileiras: comiam muita carne e não andavam a pé. Viviam a cavalgar, o que era mais um prazer do que uma fatiga. Procede?

    MF – Os escravos das grandes plantações de cana-de-açúcar e de café estavam divididos em lotes. Cada lote era cuidado e disciplinado por um feitor. Os escravos domésticos gozavam de melhor viver, pois não possuíam feitor, estavam sob as ordens da mãe preta, que criou os filhos dos donos.

    Os escravos das fazendas de criação no Rio Grande do Sul, que trabalhavam como peões, tinham cavalos e cuidavam de um pasto chamado de posto, morando no seu rancho, não tinham feitor. O Capataz de Domingos José de Almeida era escravo e conduzia a tropa de gado de Pelotas para a charqueada na Barra do Ribeiro, recebendo pagamento. Durante a fase do tropeirismo também havia capatazes escravos, que levavam mercadorias ou mulas para vender em Sorocaba: pagava imposto e comprava principalmente sal, ferramentas, e mantimentos retornando à fazenda de seu senhor.

    O pior trabalho era na charqueada, onde se trabalhava com determinada produção, vigiado por feitor negro. Como se trabalhava durante a safra, de novembro a março, a maior parte dos escravos era alugada, pois o charqueador não iria sustentar escravos no período de março a novembro, quando cessava ou diminuía o abate de gado. Os rio-grandenses compravam escravos no mercado de Escravos, de ciganos na rua do Valongo, Rio de Janeiro. Davam preferência as crianças, pois custavam mais barato.

     

     

  • Lancheria do Parque voltará com a Primavera

    Lancheria do Parque voltará com a Primavera

    Na Lancheria do Parque, ponto tradicional na avenida Osvaldo Aranha, ninguém arrisca uma data para a reabertura. Só se sabe que será depois do inverno, provavelmente não antes de setembro.

    Após três meses fechada, meia porta aberta

    A popular Lanchera, que completou 38 anos dia 9 de maio, baixou a cortina metálica dia 20 de março devido às exigências sanitárias em razão da pandemia.

    Para continuar funcionando dentro das novas regras de distanciamento, o extenso balcão teria que ser removido mais para o centro do salão, para aumentar o corredor atrás dele, por onde circulam vários funcionários, do caixa ao chapeiro, onde também são feitos os famosos sucos de frutas frescas.

    Seria uma obra e tanto, para uso temporário, e deixaria o salão comprido mais estreito, caberiam muito menos mesas para respeitar a distância entre elas agora exigida. E sem o bufê de almoço disponível das 10 às 18 horas. Não há Lanchera sem aglomeração.

    O balcão característico, de onde saem os pedidos de lanches e sucos, tornou-se um problema na pandemia 

    “Se anunciarem uma vacina hoje, abrimos amanhã”, brinca Neomar José Turatti, um dos oito sócios no negócio. No início de abril, quando perceberam que seria longo e incerto o período de portas fechadas, demitiram os 20 outros funcionários. “Assim puderam receber o Fundo de Garantia e seguro-desemprego”, justifica.

    Os boatos de que a Lanchera não abriria mais são desmentidos pelos preparativos para a retomada pós-pandemia

    Enquanto isso, ele supervisiona a reforma do balcão, que continuará onde sempre esteve, limpeza geral e manutenção de equipamentos, preparando o retorno às atividades. Não se anunciam grandes mudanças. A Lancheria do Parque é um retalho dos anos 80 no Bom Fim – sem wi-fi, sem comida gourmet e sem embalagens personalizadas, é um clássico popular.

     

  • Saiu a lista dos indicados ao XIII Prêmio Açorianos de Artes Plásticas

    Saiu a lista dos indicados ao XIII Prêmio Açorianos de Artes Plásticas

    A Secretaria Municipal da Cultura, através da Coordenação de Artes Plástica, divulgou em edição extra do Diário Oficial (DOPA) desta quarta-feira, 10, os indicados ao XIII Prêmio Açorianos de Artes Plásticas. O júri de indicação foi composto por Luísa Kiefer, Fernanda Albuquerque e Daniel Escobar.

    Uma das mais tradicionais premiações do setor, o Açorianos de Artes Plásticas tem como objetivo valorizar, homenagear e distinguir as importantes produções locais que se destacaram ao longo do ano. A iniciativa busca também ser uma forma de registrar, mapear e fomentar as diversas manifestações e suas contribuições com processos de criação e inovação para Porto Alegre.

    Prazos – Entre 12 e 18 de junho, ocorre o prazo para a solicitação de recurso administrativo. Dia 19, a comissão de premiação reúne-se para definir a data e o modelo a ser adotado na cerimônia, conforme as normas de distanciamento social.

    Parcerias – A Aliança Francesa, através do Institut de França, repete o prêmio Jovem Curador, com viagem à França para o primeiro colocado. Já a Fundação Iberê Camargo oferecerá uma residência. Além das parcerias, a Coordenação de Artes Plásticas irá disponibilizar a agenda das pinacotecas Ruben Berta e Aldo Locatelli para os vencedores das categorias Artista e Curador realizarem uma exposição

    Lista dos indicados 

    Destaque em artista início de trajetória

    Camila Proto

    Manoela Furtado

    Verônica Vaz

    Destaque em artista

    Amélia Brandelli

    Mariza Carpes

    Teresa Poester

    Destaque em curadoria

    Ana Albani de Carvalho

    Gabriel Cevallos

    Mulheres Nos Acervos – Pesquisa Colaborativa:  Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin

    Destaque em exposição individual

    Bruno borne – Ponto Vernal, Bruno Borne, Margs

    Como Faremos Para Desaparecer – Eduardo Montelli, Ecarta

    Nosso Lugar Ao Sol – Rochele Zandavalli, Centro Cultural da Ufrgs

    Destaque em exposição coletiva

    Acervo Em Movimento – Um Experimento de Curadoria Compartilhada Entre As Equipes do Margs, Margs

    As Coisas Que São Ditas Antes, Ocupação. Residência. Exposição, Casa Baka

    Faltava-Lhe Apenas Um Defeito Para Ser Perfeita, Ío, Museu do Trabalho

    Destaque em ações de difusão e inovação

    6º Festival Kino Beat

    Artikin

    Mulheres Nos Acervos

    Destaque em publicações

    Lenir de Miranda: Pintura Périplo, Icleia Borsa Cattani e Paula Ramos, Editora da Ufrgs

    Diário De Uma Boneca, Lia Menna Barreto, Fvcb

    O Percurso De Um Olhar, Luiz Carlos Felizardo, Departamento De Difusão Cultural, Biblioteca Central da Ufrgs

    Destaque em acervos

    Mulheres Nos Acervos – Pesquisa Colaborativa:  Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin

    Grupo De Bagé – Os Quatro, Caroline Hädrich e Carolina Bouvie Grippa, Fundação Iberê

    Ações De Difusão Do Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo,

    Parceria DDC – Acervo Pbsa, Ufrgs

    Destaque em ação de educação

    10×15: Momentos De Não Calar, CAP/Ufrgs

    Ação Educativa, Margs

    Claudia Hamerski, Projeto Curadoria Educativa, Galeria Ecarta

    Destaque em instituição

    Casa Baka

    Centro Cultural da Ufrgs

    Margs

  • Exposição “Clara Pechansky y Sus Amigas”, em grande estilo na Gravura Galeria de Arte

    Exposição “Clara Pechansky y Sus Amigas”, em grande estilo na Gravura Galeria de Arte

    Higino Barros

    Acontece em grande estilo, na próxima semana, a “Exposição Clara Pechansky y Sus Amigas”, que estreou em fevereiro no México. A inauguração será no dia 17 de junho, quarta-feira, com lançamento virtual também nas redes sociais da Gravura Galeria de Arte.  A visitação, com acesso limitado, vai até 17 de julho. Depois, a exposição segue para Gramado, onde estreia em setembro.

    Confira quem são as 34 artistas participantes:

    Anico Herskovits, Arlete Santarosa, Beatriz Balen Susin, Bebete Luz, Bernardete Conte (Estados Unidos), Claudia Sperb, Clara Pechansky, Cleusa Rossetto, Débora Lora, Eliane Santos Rocha, Ena Lautert, Ermínia Marasca Soccol, Esther Bianco, Fernanda Soares, Flávia de Albuquerque, Graça Craidy, Helena Schwalbe, Liana Timm, Lilia Manfroi, Linda de Sousa (Espanha), Mabel Fontana, Mara Galvani,Marise Zimmermann (Estados Unidos), Marta Loguercio, Miriam Tolpolar, Nara B. Sirotsky, Ondina Pozoco, Rita Gil, Silvia Marsson, Susane Kochhann, Suzel Neubarth, Thalma Rodrigues, Vera Reichert e Zoravia Bettiol.

     

    Clara Pechansky. Foto Lisa Roos/Divulgação

    Entrevista com Clara Pechansky, expositora e curadora da mostra 

    Pergunta: O que caracteriza essa exposição ?

    Resposta: É uma exposição a convite da Universidade Autónoma de Sinaloa (UAS), que fica em Culiacán, México. Em 2015 eu fiz uma individual na Galeria Frida Kahlo, da UAS, e em 2018 fui convidada pelo Coordenador de Artes Visuais, Prof. Jorge Luis Hurtado Reyes,  a voltar a expor individualmente. Em vez disso, decidi convidar mais pessoas a expor comigo. Passei o ano de 2019 organizando essa exposição, que se chama CLARA PECHANSKY Y SUS AMIGAS, e que inaugurei pessoalmente em 3 de fevereiro de 2020, antecedida de duas conferências, uma para alunos de Artes Visuais e outra para colegas artistas. Os eventos e nossa hospedagem, minha e de meu marido, foram patrocinados pela UAS, e presididos pelas autoridades universitárias.

    Obra de Clara Pechansky. Quixote com violino e três nus. Foto: Lisa Roos/ Divulgação

    Qual foi o critério de escolha das artistas ?

    – Decidi convidar somente artistas que trabalham sobre papel, por uma questão de praticidade na remessa das obras. Cada artista enviou 2 obras, uma foi para o México e outra ficou aqui no Brasil.

    Porque só mulher? E não incluir amigos.?

    – Eu decidi que seria assim. Quando se organiza uma coletiva é necessário ter critérios muito definidos. Foram somente mulheres, de várias gerações e com vários tipos de currículos, mas todas elas com obra de qualidade sobre o suporte papel. No final, a lista ficou com 33 nomes.

    Passada a pandemia, esse tipo de exposição, virtual, permanece ou perde importância diante da exposição presencial?

    – EM PRIMEIRO LUGAR: NÃO SE TRATA DE UMA EXPOSIÇÃO VIRTUAL. A exposição mexicana permanece aberta em Culiacán, desde 3 de fevereiro de 2020. São 33 obras sobre papel das convidadas, mais 11 obras minhas. Todas as 44 obras foram enviadas ao México e emolduradas pela equipe da Universidade. Quanto à exposição brasileira, será exposta de 17 de junho a 17 de julho na Gravura, com 7 obras minhas e 33 obras das convidadas, num total de 40, todas emolduradas.

    A INAUGURAÇÃO SERÁ VIRTUAL, mas a exposição ficará aberta ao público de segunda a sexta das 10 às 18h00. Esta mesma versão brasileira será exposta no Centro Municipal de Cultura de Gramado, entre 5 e 30 de setembro de 2020. A Secretaria da Cultura de Gramado patrocinou o catálogo, que mostra 80 obras, foi levado por mim e distribuído no México e produzido pela artista Liana Timm.

    Obra de Clara Pechansky. Mágico sentado.Foto: Lisa Roos/ Divulgação

    Quanto à sua pergunta sobre a exposição perder importância se fosse virtual, minha resposta é a seguinte: uma exposição com essas características torna-se histórica. Mesmo que fosse virtual, jamais perderia a importância.

    Primeiro, porque tem o respaldo de uma universidade que existe há 147 anos, dedicando-se primordialmente às Artes; segundo, porque foi escolhida para ser a principal atração do XXV Festival Internacional de Cultura de la UAS, entre 6 e 11 de maio (este, sim, foi um Festival Virtual); terceiro, porque infelizmente aqui no Brasil a Cultura está tão desvalorizada que não há qualquer compreensão em relação ao trabalho que dá para organizar, durante um ano, 3 exposições desse porte, que incluem artistas residentes no Brasil e no estrangeiro; e o fato de reunir em um único espaço 34 mulheres de diferentes formações, trajetórias e gerações; por fim , as obras expostas serem um panorama de técnicas sobre papel, desde fotografia, desenho, pintura, xilografia, gravura em metal, colagem e litografia;

    O registro destas 3 mostras será um testemunho de uma época, talvez a derradeira possibilidade de reunir num mesmo espaço tantos talentos juntos….

    Obra de Graça Craidy. África no Brasil.

     

    Obra de Ena Laudert. Aquarela.
    Obra de Anico Herskovits. E aprendeu a notar coisas a que não dava atenção.
    Obra de Zoravia Bettiol/ Lúcifer se diverte- o esforço dos anjos