Categoria: Cultura-MATÉRIA

  • Morreu Quino, que desenhou o inconformismo. E criou Mafalda

    Morreu Quino, que desenhou o inconformismo. E criou Mafalda

    Vitor Nuzzi, da RBA

     

    O desenhista argentino morreu hoje, aos 88 anos, um dia depois do “aniversário” de 56 anos sua icônica personagem.

     

    Em novembro de 1954, a revista semanal argentina Esto Es publicou a tira de um estreante de “linha lacônica”. Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, tinha 22 anos. Esse traço se tornou marca registrada do artista, possivelmente o desenhista de língua espanhola mais conhecido no mundo. Em boa parte, isso se deve à personagem Mafalda, a nacionalista rebelde nascida em 1964 e que ontem havia completado 56 anos. Quino morreu nesta quarta-feira (30), aos 88 anos, depois de sofrer um AVC na semana passada.

    Nascido em Mendoza em 17 de julho de 1932, aos 13 anos, já decidido a ser desenhista, matriculou-se na Escola de Belas Artes. Cansou de pintar no gesso, e aos 18 foi para Buenos Aires procurar um editor. Levou mais de três anos até conseguir. “No dia em que publiquei minha primeira página, tive o momento mais feliz da minha vida”, recordou.

    Nasce uma personagem

    Casado com Alicia Colombo desde 1960, três anos depois ele publicou seu primeiro livro, Mundo Quino. Nessa época, foi apresentado a uma agência de publicidade que procurava alguém para lançar uma linha de produtos eletrodomésticos. A campanha não foi para a frente, mas ali começou a nascer a mais famosa de suas personagens. “Mafalda, la chica de pelo negro que odia la sopa y está en contradicción con los adultos”, como definiu.

    A primeira tira com Mafalda foi publicada pela primeira vez em 29 de setembro de 1964, no semanário Primera Plana. Não demorou muito para que ela se tornasse um fenômeno inclusive internacional. Era a garotinha inconformada com as mazelas do mundo, sempre questionando seus pais. E também fanática pelos Beatles, que surgiram na mesma época.

    Mafalda chegou à Itália, por exemplo, em 1969, apresentada por ninguém menos que Umberto Eco. No Brasil, álbuns publicados nos anos 1980 (com tiras de 1965 dos jornais El Mundo e Córdoba) tiveram tradução de Mouzar Benedito e edição de Henfil.

    Criador e criatura

    Quino parou de desenhar Mafalda e sua turma em junho de 1973. Queria dedicar-se a outros projetos. Tempos depois, descobriu-se que o fim das tiras estava também relacionado à situação política da Argentina. Mas ela já ganhara vida própria. Tornou-se uma das personagens mais icônicas de todos os tempos. Quem vai a Buenos Aires, por exemplo, dificilmente deixa de ir ao bairro de San Telmo, local de uma feira famosa e onde está Mafalda, sentada em um banco.

    Em 2018, foram inauguradas estátuas de Mafalda, Manolito e Susanita em Mendoza, terra natal do escritor. Mas, assim como a personagem transcendeu o criador, a obra de Quino vai muito além da criatura. Quino é “um dos maiores autores de humor gráfico que já houve”, disse tempos atrás a cartunista Laerte.

    Em entrevista ao jornal Página/12, em 2004, Quino contou do que tratava em suas tiras: “Da relação entre os fracos e os poderosos”.

    Uma rebelde de 6 anos chega aos 50

    Reprodução
    Tira clássica de Quino: a faxineira arruma tudo, inclusive o quadro ‘Guernica’, de Pablo Picasso, em alusão à guerra civil espanhola. Até a patroa estranhou…

     

  • “Recital de piano em casa”, com João Maldonado, na reabertura parcial do Espaço 373

    “Recital de piano em casa”, com João Maldonado, na reabertura parcial do Espaço 373

    No dia 7 de outubro (quarta-feira), às 20h, João Maldonado celebra 56 anos de vida e 37 de carreira com o show “Recital de Piano em Casa”. O projeto foi contemplado no FAC Digital RS, edital da Secretaria de Estado da Cultura promovido, em parceria com a Universidade Feevale, de Novo Hamburgo. A live acontece, simultaneamente, pelo canal do Youtube do músico e do Espaço 373, que vem apoiando artistas neste período isolamento social. A data marca, ainda, a reabertura gradual do 373 para até 30 pessoas (a capacidade total é de 130 pessoas) com agendamento prévio pelo Eventbrite, em cumprimento a todos os protocolos de segurança sanitária. A apresentação tem entrada gratuita.

    No repertório, composições feitas para a família, além das músicas do disco “Beauty”, lançado em novembro do ano passado pela Loop Discos. “É um aniversário bem diferente. Já não tenho mais minha vó nem meus pais. Minhas irmãs, que moram fora de Porto Alegre, não vejo desde o início dessa loucura que estamos passando. Então este show é uma forma de estar perto deles e, também, de agradecer por estarmos sobrevivendo à pandemia do coronavírus”, diz Maldonado.

    Foto Nabor Goulart/ Divulgação

    Do jazz a bossa nova
    Desde o início da pandemia, João Maldonado tem aproveitado o tempo para estudar Harmonia com o pianista Fabio Torres, do Trio Corrente, Grammy 2014 como Melhor Álbum de Jazz Latino, e compor. Ele está preparando um trabalho de bossa nova que será lançado em breve, com várias participações especiais, pela Loop Discos.

    “Apesar de tudo, estou vivendo um momento muito feliz. Passei pelo rock, fui o primeiro pianista a gravar um álbum de blues no Rio Grande do Sul, em 2019 lancei meu primeiro disco de jazz e só faltava a bossa nova. Fui desafiado pelo Edu Santos (Loop Discos), precisei estudar muito e o trabalho está ficando maravilhoso. Vamos tocar a alma das pessoas”, destaca Maldonado.

    SERVIÇO
    Recital de Piano em Casa
    Quando:
     7 de outubro | Quarta-feira | 20h
    Transmissão ao vivo pelo Youtube
    João Maldonado:
     https://www.youtube.com/user/joaomaldonado1
    Espaço 373: https://www.youtube.com/channel/UCsRPM0jg5nTo89lkXoP4GUA
    Reserva para o show: https://www.eventbrite.com.br/e/recital-de-piano-em-casa-com-joao-maldonado-tickets-123219355409
    Endereço: Rua Comendador Coruja, 373 – Quarto Distrito
    Informações: (51) 98142 3137 | (51) 99508 2772

  • Em ” Coriolano”, um drama da república romana contado por Shakespeare

    Em ” Coriolano”, um drama da república romana contado por Shakespeare

     

    A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o terceiro volume.

    A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 3

    CORIOLANO

    p/William Shakespeare

    Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

    Porto Alegre, Editora Movimento, 2017, 264p.

    Editado com o apoio de Wizard

    “Militar romano que ajudou a expulsar o último rei de Roma, Coriolano foi um dos instauradores da república romana, em torno de 500 a.C. Seu exacerbado amor à justiça, que o levou, entre outras atitudes radicais, a exercer forte oposição à decisão do Senado que, temeroso de perder votos, permitiu a distribuição gratuita de trigo à plebe, foi seu defeito trágico (húbris) que, somado a seu apego edipiano por sua mãe e sua intransigência em ceder, lhe trouxe consequências fatais.”

    Ato I, Cena 1 – Caio Márcio (depois chamado Coriolano – dirigindo-se aos cidadãos de Roma):

                                                   […] Que quereis, cães furiosos,

                                                   que não gostais nem da paz nem da guerra? A guerra vos assusta

                                                   e a paz vos torna arrogantes. Quem em vós confiar

                                                   vai descobrir lebres lá onde pensava achar leões

                                                   e gansos onde buscava raposas; confiar em vós é o mesmo

                                                   que confiar numa brasa que fica no gelo

                                                   ou no granizo que se derrete ao sol. Para vós é virtude

                                                   valorizar aquele cujo crime o levou a ser punido

                                                   e vituperar a justiça que o puniu. Os que merecem as glórias

                                                   incorrem em vosso ódio; aquilo que procurais é como

                                                   o apetite de um homem adoentado, que mais deseja aquela comida

                                                   que vai agravar seu mal. Aquele que confia

    em vosso apoio, nada com nadadeiras de chumbo

    e tenta derrubar carvalhos com caniços.

  • Coletivo Nimba debate a condição da mulher negra  em lives no mês de outubro

    Coletivo Nimba debate a condição da mulher negra  em lives no mês de outubro

    O Coletivo Nimba, grupo de profissionais negras da cultura, convidou quatro mulheres de destacada atuação na cultura gaúcha para comentar sobre a condição da mulher negra na sociedade em uma série de encontros virtuais no mês de outubro. Quem abre o projeto “Bate-Papo Nimba” é a jornalista Carol Anchieta, que conversará sobre o tema “Afrofuturismo”, no dia 6 de outubro, terça-feira, às 21h. O público pode acompanhar pelo Instagram do coletivo (@coletivonimba).

    Carol Anchieta é jornalista, com passagens por veículos como TV Unisinos, Canal Futura, Rede Globo e RBS TV. E mestranda em Design Estratégico para Inovação Social, com foco em moda sustentável e Afrofuturismo, integra o grupo de estudos “Atinuké – Pensamento de Mulheres Negras” e, atualmente, trabalha como assessora de Diversidade da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

    A programação do “Bate-Papo Nimba” prossegue no dia 13 com a presença da bióloga e ativista Maria Cristina Santos Ferreira, que abordará o empreendedorismo de mulheres negras, a partir do caso da Rede de Afro-Empreendedoras (Reafro). No dia 20, a conversa é com a poetisa Delma Gonçalves, com o tema “Histórias de uma Compositora Negra”. Finalizando o ciclo, no dia 27 de outubro, a contadora e empreendedora Carol Moreira, mentora de negócios de mulheres negras, fala sobre a startup Negras Plurais e sobre o protagonismo negro.

    A série “Bate-Papo Nimba” iniciou-se em abril deste ano, com encontros semanais que visavam mitigar os efeitos da pandemia e proporcionar momentos de diálogo e troca de saberes. Já foram entrevistas pelas integrantes do coletivo: Vera Lopes, Iya Sandrali, Iara Deodoro, Anaadi, Andrea Cavalheiro, entre outras. As entrevistas podem ser acessadas no IGTV do @coletivonimba.

    Mesmo em um contexto de pandemia, o Coletivo Nimba mantém a proposta de reunir um conjunto de artistas descendentes da diáspora africana em conversas que discutem a presença minoritária da mulher negra em espaços de produção intelectual, de consumo e de poder. Outra iniciativa do coletivo é o Sarau A Única Negra, tradicional encontro poético-musical, que também vem sendo realizado em formato virtual, promovendo e divulgando o trabalho de artistas negras.

    SERVIÇO:

    O Quê: Bate-papo Nimba. Série de encontros virtuais que discutem a participação da mulher negra na sociedade contemporânea. Abertura com a jornalista Carol Anchieta.   

    Quando: Dia 06 de outubro de 2020, terça-feira, 21h

    Onde: Pelo Instagram do Coletivo Nimba – @coletivonimba

  • Jeferson Tenório é o patrono da 66ª Feira do Livro de Porto Alegre

    Jeferson Tenório é o patrono da 66ª Feira do Livro de Porto Alegre

    A Câmara Riograndense do Livro anunciou hoje, dia 29, o nome do patrono da 66ª Feira do Livro de Porto Alegre. Será o escritor Jeferson Tenório. A 66a Feira do Livro de Porto Alegre acontecerá, seguindo a tradição, nos primeiros dias de novembro – a programação oficial vai de 30 de outubro a 15 de novembro. Porém, como ela será inteiramente virtual, sem eventos na Praça da Alfândega, dará a largada em 13 de outubro, com um “aquece” do que virá pela frente.

    Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Jeferson Tenório mudou-se para Porto Alegre ainda criança, com 13 anos de idade. Foi na capital gaúcha que se formou como pessoa e como profissional. Graduou-se em Letras pela UFRGS, onde ingressou através da primeira turma do programa de cotas raciais, e onde obteve seu título de mestre em literaturas luso-africanas, com uma dissertação sobre o moçambicano Mia Couto.

    Atualmente, é doutorando em teoria literária pela Escola de Humanidades da PUCRS, e professor de português e literatura na rede pública de ensino de Porto Alegre. Os 30 anos de morada no Rio Grande do Sul já lhe conferem, se não oficialmente pelo menos honorariamente, o título de gaúcho.

    Sua obra mais recente, O Avesso da Pele, foi publicada em agosto deste ano, pela Companhia das Letras, e chegou fazendo barulho. Ou, talvez seja mais correto dizer, chegou em meio ao barulho provocado pelos protestos desencadeados após a morte de George Floyd, em Minnesota, nos Estados Unidos, e, no cenário nacional, da morte do adolescente João Pedro Mattos, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Vidas negras importam, diz o movimento antirracista e a obra de Tenório. Em seu livro, o personagem principal também é brutalmente assassinado, por policiais, por causa da sua cor.

    Tenório estreou sua carreira como romancista com a obra O beijo na parede, publicada em 2013, pela Sulina. O livro lhe rendeu o prêmio de Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores. Em 2018, o livro entrou para o PNLD (Plano Nacional do Livro e do Material Didático), do Ministério da Educação, e passou a ser distribuído para as escolas públicas, para alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental e alunos do Ensino Médio. A obra já teve mais de 60 mil exemplares distribuídos pelo programa. Seu segundo romance, Estela sem Deus, foi publicado em 2018, pela editora Zouk.

    PROGRAMAÇÃO DA FEIRA

    A programação deste ano está organizada a partir dos temas valorização da cultura, diversidade, ciência e sustentabilidade

    Neste ano, tudo fugiu da normalidade. Os setores da vida precisaram se reorganizar. Com a Feira do Livro, não foi diferente. Considerando sempre a segurança do público e dos participantes em primeiro lugar, bem como a sua importância na formação de leitores, a Câmara Rio-Grandense do Livro entendeu que as mudanças trazidas pela pandemia da Covid-19 exigiriam adaptações ao tradicional evento de Porto Alegre. A querida Praça da Alfândega não poderia ser ocupada por milhares de pessoas que costumam frequentar a Feira, não poderia receber a efervescência de todos os anos. Foi preciso transformar o cenário de dificuldades, de saudades e de pesar em algo positivo, produtivo e novo. O que poderia ser uma crise acabou trazendo uma oportunidade de inovação. A partir de agora, a Feira do Livro se insere em um novo patamar, alinhando-se também com as tendências do mercado e da integração ao mundo digital.

    Toda a programação de 2020 acontece inteiramente on-line. Encontros com autores, lançamentos, balaios de descontos, contações de histórias, atividades paralelas, entre outros, estão concentrados aqui na plataforma e são acessíveis não apenas para o público cativo, que vive em Porto Alegre ou que costumava visitar a cidade por ocasião da Feira, mas para todos. Para quem quiser ver, ouvir, participar e compartilhar, de qualquer canto do mundo.

    Para garantir a relevância e a representatividade de uma programação intensa e em um novo formato, a 66ª Feira do Livro de Porto Alegre conta, este ano, com uma curadoria acompanhada de um manifesto (leia aqui – link). Lu Thomé, jornalista, escritora e editora, assumiu a tarefa de pensar a relação e a conexão entre cada uma das atividades da programação geral a fim de montar uma grade de atividades que fosse atual e que prezasse, acima de qualquer outra coisa, pela importância dos debates. A programação Infantil e Juvenil segue a cargo de Sônia Zanchetta, que também se adaptou ao on-line (saiba mais aqui – inserir link para outra matéria).

    Se, por um lado, o ambiente digital proporciona um alcance ainda maior, por outro, justamente pela quantidade de eventos que acontecem simultaneamente nas redes, ele exige mais qualidade. Pensar uma linha condutora entre as lives que integram a Feira foi o ponto central do trabalho da curadora. Lu Thomé conta que o primeiro passo foi pensar na programação como um todo. “A programação precisava dialogar com a maneira como estamos vivendo este ano e também com as pautas que nos rondam nos últimos meses. E, é claro, ter o livro como centro de tudo”, aponta. Assim, como não poderia deixar de ser, é do livro e da literatura que irradiam os temas que compõem o grande guarda-chuva temático da 66ª edição.

    Em um ano de muitas inovações na Feira do Livro, a indicação de Jeferson Tenório como patrono da 66ª Feira do Livro marca também um novo posicionamento da Câmara Rio-grandense do Livro. Um posicionamento que sinaliza o quanto a Literatura e seus autores podem contribuir para um mundo melhor.

     

  • Prefeitura retoma atendimentos em parte de seus espaços culturais

    Prefeitura retoma atendimentos em parte de seus espaços culturais

    Pinacoteca Rubem Berta. Foto Cristine Rochol/ Divulgação

    A Secretaria Municipal da Cultura (SMC) irá retomar gradualmente o atendimento presencial em parte de seus equipamentos culturais. O retorno das atividades ocorre após a publicação do decreto n° 20.742, que regulamenta o funcionamento do comércio e prestação de serviços. O novo decreto autoriza a reabertura controlada de museus, centros culturais e bibliotecas. Serão respeitados todos os protocolos de saúde e o atendimento será realizado por equipes reduzidas e restrição ao número de visitantes.

     Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho. Foto; PM/ Divulgação

    Arquivo Histórico Moysés Vellinho

    Atendimento presencial mediante agendamento, sendo um visitante no turno da manhã e um no turno da tarde.
    Atendimentos terças e quintas-feiras, das 9h às 11h e das 13h às 15h.
    A higienização da sala de pesquisa ocorre das 11h às 13h
    O pesquisador visitante deverá trazer e usar luvas e máscara.

    Informações e solicitações:
    (51) 3289.8282 ou 3289.8278
    arquivohistorico@smc.prefpoa.com.br

    Porto Alegre, RS – 30/05/2018
    Arquivo Histórico Moysés Velinho .
    Foto: Joel Vargas / PMPA/Divulgação

    Centro de Documentação e Memória – Cinemateca Capitólio

    Atendimento presencial mediante agendamento, limitação de uma pessoa por hora.
    Atendimentos  segundas, quartas e sextas-feiras, das  9h às 15h.
    Respeitando a agenda, intervalos mínimos de 15 minutos entre pesquisadores e usuários para higienização da sala de pesquisa.
    O pesquisador visitante deverá trazer usar luvas e máscara.

    Informações e agendamentos pelo e-mail pesquisacapitolio@gmail.com.

    Centro Municipal de Cultura

    Atendimento presencial mediante agendamento.
    De segunda a sexta-feira,  das 9h às 15h.
    O visitante agendado deverá usar máscara.

  • Lel Aldir Blanc triplica investimento em cultura no RS

    Lel Aldir Blanc triplica investimento em cultura no RS

    A primeira quinzena de outubro será de grande agitação entre artistas e produtores culturais gaúchos.

    Em números redondos, o Rio Grande do Sul está recebendo 155 milhões de reais via lei Aldir Blanc. É o triplo do que o Estado costuma investir em Cultura em um ano.

    A parte que coube ao governo estadual, de 69,7 milhões de reais, já está na conta desde o dia 21 (são 30 milhões para auxílio emergencial a trabalhadores previamente cadastrados, mais 39,7 milhões distribuídos entre cinco editais).

    Outros 85 milhões de reais são destinados aos municípios. E a regulamentação da lei diz que tem que gastar tudo até o fim deste ano. Ou o dinheiro volta para Brasília.

    Do dia primeiro a 16 de outubro, estarão abertos dois dos cinco editais previstos pela Secretaria Estadual da Cultura, e as inscrições para três chamadas públicas.

    Também em outubro serão pagos os auxílios emergenciais de 600 reais por mês a 2.219 trabalhadores que se cadastraram. O valor é retroativo a junho, portanto a primeira parcela será de três mil reais. Quem perdeu o prazo para se cadastrar pode recorrer às chamadas públicas, também até 16 de outubro.

    Dez milhões de reais estão destinados ao edital para produções culturais, com valores de 100 mil a 350 mil reais por projeto. Um critério importante para aprovação na Sedac é a capacidade da produção de gerar trabalho e renda.

    O outro edital que abre dia primeiro reserva quatro milhões de reais para aquisição de bens e materiais, como livros e equipamentos úteis ao trabalho (50 mil a 100 mil reais por proposta). Para este edital, o passado do solicitante pesa: é preciso comprovar que é do ramo, que está na área há algum tempo.

    Ambos abrangem os produtores formalizados. Segundo o diretor de Fomento da Sedac, Rafael Balle, há cerca de 30 mil microempreendedores cadastrados, que poderão disputar uma fatia da verba. Para os informais, os “sem CNPJ”, sejam pessoas físicas ou coletivos informais, foram concebidos os editais a partir de chamadas públicas. São três.

    O Prêmio Trajetórias contempla os veteranos (que podem ser indicados por outra pessoa). “Um reconhecimento a quem tem contribuído para o desenvolvimento da cultura”, resume Balle.

    O objetivo do edital Criação e Formação é fomentar a pesquisa, montagens, grupos coletivos e até empresas. Investimento para o futuro.

    O quinto edital será o mais complexo. Tem foco territorial e foi criado para financiar projetos com potencial de transformação social em locais de baixa escolaridade, baixa renda e altos índices de violência, mapeados pelo programa RS Seguro. Abrange 23 municípios onde vive mais da metade da população. Os “invisíveis”, lembra Balle, mostram que as políticas públicas são insuficientes.

    Para a secretária da Cultura, Beatriz Araujo, a aplicação da lei Aldir Blanc provocou o mais amplo debate sobre políticas públicas de todos os tempos no Rio Grande do Sul. Ela ressalta que a Sedac instituiu cotas raciais, de gênero, e atenção para contemplar todas as regiões do Estado.

    Situação no Interior do RS

    Foram feitas 17 reuniões por videoconferência, envolvendo 38 integrantes do Conselho Estadual de Cultura e dirigentes do setor nos municípios, para debater o tema e divulgar que este dinheiro existe e está disponível. “Não é favor, nem benesse, é um direito, e depois tem que prestar contas”, disse o presidente do Conselho, escritor Airton Ortiz.

    Dos 85 milhões de reais para os municípios, 35 milhões de reais já foram depositados, segundo Evandro Soares, presidente do Conselho de Dirigentes Municipais de Cultura da Famurs e secretário de Cultura de Bento Gonçalves. Até esta segunda-feira, 45% dos 497 municípios gaúchos já tiveram seus projetos aprovados e 20% aguardam aprovação, porém 35% sequer iniciaram seus planos para aplicação desses recursos.

     

     

  • Eliane Tonello lança  “Layla e a uva”, em formato impresso e virtual, e quatro idiomas.

    Eliane Tonello lança “Layla e a uva”, em formato impresso e virtual, e quatro idiomas.

     

    A escritora Eliane Tonello lançou no início de setembro o livro “Layla e a uva”, dirigida ao público infanto juvenil. Aqui ela responde sobre a obra e como tem sido fazer literatura em tempos de pandemia.

    Higino Barros

    Pergunta: Pelos anos 1980 decretaram a morte do livro impresso. Em 2020, você faz parte da geração que ainda acredita no livro impresso. Livro tem textura, cheiro e outros atrativos que o virtual não tem. Fale dessa opção pelo livro impresso, que já foi visto como um anacronismo.

    Resposta: Sobre a ideia da morte anunciada do livro impresso em 1980, acredito que se perdeu no caminho. Percebo uma grande mudança no cenário atual, visto que há um respeito pela particularidade de cada leitor. Em 2020, a pandemia chegou e nos desafiou. Foi então que passei a fazer parte da geração que acredita no livro impresso e no livro virtual e publiquei nos dois formatos, a obra quadrilingue em um só livro
    “Layla e a Uva”. O livro em formato e-book possibilitou um alcance maior, o leitor poderá acessar a loja da Amazon em diferentes partes do mundo, enquanto o impresso pode ser adquirido com a autora que o envia através da tele-entrega e pelo correio para todo o Brasil. Também aceita pedidos de empresas e instituições.

    Pergunta: Voltada para o público infantil/juvenil, a obra pega todas as idades. Intenção era essa?

    Resposta: A publicação da obra quadrilíngue em um só livro “Layla e a Uva” está encantando leitores do Brasil e exterior de todas as idades. Como a publicação ocorreu durante a pandemia, a intenção foi aproximar e reaproximar os membros da família de uma forma amorosa. Sem o contato com o mundo externo a personagem Layla nos encanta, utiliza a sua criatividade e apresenta o seu sonho em quatro idiomas. E você
    leitor, tens algum sonho? Qual é? A personagem vive em diferentes cenários e cria uma espécie de ponte que possibilita aguçar memórias olfativas, sensoriais, auditivas e gustativas no leitor. Um resgate cultural e afetivo com experiências e percepções significativas que envolvem vínculos afetivos. Mais uma vez, a arte e a criatividade se apresentam como grandes aliados frente à saúde mental. A literatura nos prepara para
    a vida e nos salva.

    Pergunta:  A opção pelos quatros idiomas e o italiano empregado, da serra gaúcha. Como chegou a esse solução?

    Resposta: Sou filha da cidade de Rondinha, norte da Serra Gaúcha. Tataraneta de descendentes Italianos vindos da Região de Vêneto – Província de Belluno e Trentino Alto Ágide- Província de Trento. Cresci no campo embaixo dos parreirais escutando o dialeto regional. E publicar a obra “Layla e a Uva” foi uma forma de dar continuidade às
    gerações futuras e de mostrar ao mundo a cultura da Serra Gaúcha regada de afeto, sonhos e esperanças. Sem deixar de mencionar o bom suco e o excelente vinho.

     

    Pergunta:  O papel da ilustração na concepção da obra. Como foi a escolha do artista e por quê ele?

    Resposta: O encantamento com o trabalho do artista Emerson Falkenberg, após conhecer as ilustrações da obra de uma amiga, foi imprescindível para contatá-lo para este projeto. Emerson decifrou meus rabiscos e conseguiu condensar de forma precisa através das ilustrações o cenário que a personagem vivencia com tanta alegria junto com
    familiares. A obra é um convite ao leitor para experienciar momentos repletos de afetos, sensações e cheiros. A impressão é que Emerson, ao mesmo tempo em que criava, vivia intensamente cada cena da obra.

    Pergunta: Literatura em tempo de pandemia. Como tem sido a experiência para a obra chegar ao leitor.

    Resposta: A literatura em tempos de pandemia conquistou um espaço significativo em minha vida. Houve uma aproximação calorosa e significativa com o leitor. Essa vivência eu não tive como leitora infanto-juvenil, quando a figura do escritor era de alguém distante.
    A experiência de fazer a obra chegar ao leitor teve algumas particularidades, visto que o contato ocorre exclusivamente através das redes sociais. Isso permite um alcance maior e um contato mais íntimo. Houve reaproximações de amigos da infância e da juventude que permitiram relembrar de forma carinhosa e engraçada de situações
    vividas, além de possibilitar novas amizades, sempre com uma boa conversa e infinitas trocas. Enfim, uma experiência afetuosa indescritível com o leitor que jamais teríamos se os livros fossem vendidos nas livrarias, salvo, o momento mágico que ocorre nas sessões de autógrafos. Essa experiencia virtual é nova na minha vida e acho interessante, pois tem
    possibilidade de atingir um público maior. Seguimos nessa aposta!

  • “Muito barulho por nada” revela um Shakespeare “profundo conhecedor da pulsão sexual”

    “Muito barulho por nada” revela um Shakespeare “profundo conhecedor da pulsão sexual”

     

    A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o segundo volume.

    “MUITO BARULHO POR NADA”

    p/William Shakespeare

    Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

    Porto Alegre, Editora Movimento, 2018, 192p.

    “Escrita há mais de quatrocentos anos, Muito barulho por nada revela um Shakespeare profundo conhecedor da pulsão sexual, sem o refino e as sofisticações acadêmicas que caracterizam os modernos discípulos de Freud. Como um Freud da ribalta da Era Elisabetana, Shakespeare disseca a personalidade de seus personagens e nos faz ver, por baixo das roupas coloridas da civilização, o animal humano impulsionado por forças internas que, há séculos, nos dominam e causam muito barulho e transgressões de toda espécie em nossa civilização, supostamente dita racional.” – E não está demais lembrar que, na gíria elisabetana, o nothing do título, esse nada, é o oposto de thing, o pênis.

    Ato II, Cena 1 – Beatriz:        Gênio muito mau é mais do que mau gênio, mas abranda o castigo de Deus, pois está escrito: Deus dá chifres curto a uma vaca de mau gênio, mas não a uma de muito mau gênio.

  • 20 vezes Shakespeare, em resenhas, apresentadas por Luiz-Olyntho Telles da Silva

    20 vezes Shakespeare, em resenhas, apresentadas por Luiz-Olyntho Telles da Silva

    A apresentação é do psicanalista, escritor e intelectual gaúcho Luiz-Olyntho Telles da Silva, colaborador do JÁ Porto Alegre.

    “A Editora Movimento, de Porto Alegre, está oferecendo a Coleção das obras completas de William Shakespeare, em edição bilíngue, traduzida pelo Prof. Elvio Funk, doutorado em literatura inglesa pela Universidade do Texas. Um luxo que deixa de parabéns não só o tradutor e o editor, Carlos Jorge Appel, mas também toda a comunidade intelectual gaúcha e brasileira. Dividida em dois pacotes de vinte volumes, o primeiro deles já está inteiramente disponível.

    A seguir, a resenha de uma obra da juventude do bardo (nos próximos dias irei publicando as resenhas de todos os primeiros vinte volumes):

    BEM ESTÁ O QUE BEM ACABA

    p/William Shakespeare

    Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

    Porto Alegre, Movimento, 2019, 184p. –

    Editado com o apoio da Família Hartmann

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    “Em seus encontros e desencontros, Bem está o que bem acaba não deixa de ser um retrato da sociedade moderna, sempre esperançosa de que no fim tudo vai dar certo, mas também sempre manipuladora e maquiavélica e raramente aprendendo dos erros passados. O título da peça não deixa de ser uma nem tão sutil paráfrase de o fim justifica os meios. Aliás, a arma mais forte que usamos para conseguir nossos fins, nem sempre nobres, é a palavra, o signo, em qualquer de suas manifestações. Não por acaso o personagem central da peça, essencialmente bravateiro e mentiroso chama-se Paroles, ou seja, Palavras. Não por nada Shakespeare inventa palavras sem significado, são apenas ruídos (oscorbidulchos volivorcomanka revania dulche) mas, paradoxalmente, no contesto, são ruídos muito significativos.”

    Ato I, Cena I – Paroles:

    Depois que a virgindade implodir,

    o homem bem ligeiro vai dar sua descarga e cair desanimado.

    Mas, depois que o deixais bem caído, a brecha que foi feita

    na vossa muralha porá a cidade a perder.

    A preservação da virgindade não é estratégia comum

    no reino da natureza. A perda da virgindade traz consigo

    um incremento de pessoas no mundo e nunca houve virgem

    sem que, primeiro, se perdesse a virgindade.

    Sois feita de um metal muito próprio para gerar virgens.

    Depois que a virgindade é perdida, dez virgens podem ser achadas;

    se ela for preservada, as dez virgens deixarão de existir.

    A virgindade peca por excesso de pureza! Fora com ela!