Enio Squeff : a saga paulista num mural de 120 metros quadrados

“De Saulo de Tarso a São Paulo”, alegoria sobre a formação da cidade de São Paulo, é um mural de 120 metros quadrados pintado pelo artista plásico Enio Squeff.

A obra,  criada em 2004 para os 450 anos da cidade, foi reconstituída agora na entrada da Escola de Artes e Ciências Humanas, da USP-Leste. A restauraçao foi concluída nesta sexta-feira, 4/9.

Aos 83 anos, o autor encarou os andaimes para reparar partes da obra que se haviam deteriorado e acrescentou novos elementos à pintura, feita em tinta acrílica sobre compensado marítimo.

Na versão original, numa inserção simbólica dos moradores à história da cidade, mais de 100 corpos nus foram “impressos” na base do mural, que tem seis metros de altura. Mais 30 voluntários foram acrescentados agora. Os corpos nus, cobertos de tinta e impressos na tela, de costas, dão a impressão de que as pessoas estão entrando na cena.

A composição faz um amplo percurso visual por diferentes culturas, tradições e períodos históricos, tendo como fio condutor a figura de Saulo de Tarso e a ideia de universalidade associada à missão do apóstolo Paulo.

De templos e arquiteturas de diferentes épocas — do Egito e da Grécia – às tradições cristã ortodoxa e muçulmana, passando pelo gótico e pelo neoclássico até chegar à capela jesuítica de 1554 — o conjunto compõe um inventário simbólico da diversidade de culturas e civilizações que atravessam o tempo e chegam à São Paulo de hoje.

Saulo de Tarso, que ficou como Paulo e chamado de “Apóstolo dos Gentios”, tornou-se uma figura fundamental para a expansão do cristianismo para além de suas origens judaicas. É essa dimensão de abertura a diferentes povos, associada à ideia de universalidade, que constitui uma das chaves para a leitura do painel e estabelece uma relação simbólica entre Paulo e a cidade que leva seu nome.

Parte do projeto original, um grande vitral com a figura de São Paulo está instalado desde 2019 no saguão dos Auditórios da EACH. Com a chegada do painel, as duas partes voltam a compor um único conjunto.

Embora dialogue com referências da tradição cristã e de outras culturas, a obra não possui caráter religioso. Segundo Enio Squeff, o mural foi conceibo como “uma obra aberta, que reune diferentes referências históricas, culturais e humanas”.

Ênio Arizio Squeff é gaúcho, nascido em Nova Prata, se criou em Porto Alegre, onde estudou jornalismo e música. No final dos anos 1960, mudou-se para São Paulo, onde integrou a equipe que criou a revista Veja, em 1968. Trabalhou em O Estado de São Paulo, onde foi editor e crítico de música e na Folha de São Paulo, como crítico e chargista. Há 30 anos, decidiu dedicar-se às artes plásticas e, desde então, trabalha em tempo integral como pintor e escultor em seu atelier na Vila Madalena.

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