A Galeria Zoravia Bettiol apresentará uma instalação de grande porte que denuncia incêndios em florestas no país e no exterior, durante o Portas para a Arte, projeto paralelo à 14ª Bienal do Mercosul. A concepção da obra “Florestas em Chamas” é da própria Zoravia, mas sua execução contou com a participação de um grupo de artistas.

A inauguração da obra acontecerá em 22 de março, cinco dias antes do início da Bienal. A antecipação é motivada por razão especial e justificada: a data marca o Dia Mundial das Águas, tema muito presente no ativismo de Zoravia como artista. Já no início deste século, ela defendia a criação de um Museu das Águas de Porto Alegre, próximo ao Guaíba.

“Queremos denunciar a destruição ambiental, conscientizar por meio da educação que precisamos reflorestar as áreas destruídas para que voltemos a ter um equilíbrio climático. Os problemas ambientais adquiriram uma proporção descomunal e as soluções exigem medidas governamentais e globais”, afirma Zoravia, aludindo à mensagem a ser passada ao público pela instalação.

“Esperamos que a COP 30 seja benéfica em suas resoluções”, acrescenta ela, do alto de seus 89 anos. A 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA), na Amazônia, em novembro. Um dos temas da conferência é a preservação de florestas e biodiversidade. Para a artista, se não surgirem medidas positivas no encontro, “o nosso planeta estará se aproximando de uma crise climática sem volta”, alerta.

Artistas coautoras
As seguintes artistas atuaram junto com Zoravia e assinam a obra “Florestas em Chamas” como coautoras: Clara Koury, Elaine Veit, Inez Pagnoncelli, Marcia Balreira Souza, Rosane Moraes, Tereza Albano, Vera Matos e Verônica Daudt. O fotógrafo Gilberto Perin acompanhou o processo de produção do grupo para fazer um painel fotográfico com o making off do trabalho.

“Florestas em chamas” é uma instalação têxtil, tridimensional, cuja estrutura metálica alcança 3,40m de altura e o diâmetro, no solo, mede 3,50m. Pendurada no teto da galeria, conta com organza nas cores vermelho, laranja, amarelo e cinza, papelão e acetato pintados de preto e cordão de algodão trançado. O músico da OSPA Cosmos Grineisen responderá pela trilha sonora criada para a instalação, que também contará com iluminação especial.
“Amazônia, caixa d’água que rega o continente”
O texto de apresentação da obra coletiva será do geólogo Rualdo Menegat, professor da UFRGS, doutor em Ecologia da Paisagem, um dos mais respeitados especialistas ambientais. Para ele, o trabalho concebido por Zoravia “trata-se de uma obra de grande impacto estético e poético para refletir algo pesaroso, que é a perda dos verdadeiros paraísos da Terra: nossas florestas. A beleza estética da arte se coloca como um contrapeso à triste realidade e, por isso, permite à mente pensar e refletir profundamente essa perda. Essa função só as grandes obras de arte, como a de Zoravia, conseguem produzir”, analisa Menegat.
O professor ressalta que a Amazônia não é apenas o “pulmão do mundo”, como se costuma dizer. “Ela é simultaneamente a caixa de água que rega o continente e é um estoque de carbono retirado da atmosfera e, portanto, fundamental para regular o clima. Além disso, a Amazônia é berço de civilizações ancestrais que desenvolveram uma cognição humana singular: a de habitar florestas sem destruí-las”.
Declarando ter recebido com grande prazer o convite para escrever o texto da obra, Menegat pontua que Zoravia, “com todo seu talento artístico, nos faz pensar que a Amazônia é um verdadeiro santuário da Terra e que não pode ser uma paisagem em extinção”.
Gravuras

Além da instalação, a Galeria Zoravia Bettiol – na Rua Paradiso Biacchi, 109, em Ipanema – exibirá a mostra “Múltipla e Poética, Zoravia Bettiol – Gravuras”, com 30 obras da reconhecida artista, de nove diferentes séries em xilogravura, linóleogravura, serigrafia, gravura digital e litografia.

O Portas para a Arte envolve 45 espaços e 64 exposições na capital, nesta edição, com visitação gratuita. O projeto incentiva que galerias da cidade façam mostras durante a Bienal do Mercosul (de 27 de março a 1º de junho), para que artistas locais possam mostrar e vender obras ao público interessado em arte.

SERVIÇO:
Galeria Zoravia Bettiol no projeto Portas para a Arte
Exposição da instalação “Florestas em Chamas”
Mostra “Múltipla e Poética, Zoravia Bettiol – Gravuras”
Inauguração dia 22/03, das 15h às 18h30
Visitação gratuita: de 23/03 a 23/06
Horário: de segunda a sexta das 10h às 18h; às sábados, das 10h às 13h.
Endereço: Rua Paradiso Biacchi, 109, bairro Ipanema, Porto Alegre


















Os arranjos levemente mais pesados, alinhados ao timbre de Jorge Du Peixe, atenderam fielmente ao que se esperava do show, que não contava com nenhuma tentativa de cópia dos shows dos anos 90. Muito melhor que isso, a referência de que Chico Science permanece vivo se mostrou em algumas poucas frases e no chapéu de palha do cantor, morto num acidente de carro em 1997.












