A Bublitz Galeria de Arte vai levar a maior exposição de sua história para um dos locais históricos mais belos de Novo Hamburgo, a Casa Presser. A mostra vai apresentar 400 itens, entre eles 100 pinturas, 50 objetos de arte e 250 tapetes orientais. Em destaque, estarão obras de cinco artistas: Ariadne Decker, Armando Gonzalez, Flávio Scholles, Marcelo Hübner e Marcelo Zeni. A organização do evento é do Bernardo Guedes. A Semana de Arte da Bublitz ocorre de 16 a 20 de maio na Casa Presser, localizada na Rua Marquês de Souza, 50, em Hamburgo Velho, Novo Hamburgo. A abertura oficial será na segunda, 16 de maio, às 18h, com coquetel para a imprensa e convidados.
Tradicionalmente, em seus mais de 30 anos de história, a Bublitz Galeria de Arte percorre o Estado com exposições, palestras culturais e leilões. Só neste ano, já foram realizados eventos em Atlântida, Vacaria e Bagé. “Estar em Novo Hamburgo, na Casa Presser, com a maior exposição de nossa história, é uma honra para nós. Por isso, preparamos uma semana especial, com obras de importantes artistas da região e uma programação cultural que integra o evento”, destaca o marchand Nicholas Bublitz.
O galerista Nicholas Bublitz. Foto: Paulo Garavelo/ Divulgação
Na programação, além da exposição, será realizado um encontro e bate-papo com os artistas, na terça, 17 de maio, às 18h. Na quarta, 18 de maio, também às 18h, será a vez de live com a artista Ariadne Decker, também exibida no Instagram @bublitzgaleria. Na quinta, dia 19, às 18h, será realizada a palestra “Tapetes Orientais História e Curiosidades”, com Nicholas Bublitz. A Semana de Arte Bublitz na Casa Presser se encerra na sexta, 20 de maio, às 18h, com pintura ao vivo com Marcelo Hübner.
ARIADNE DECKER – LEMBRANÇAS DE UM TEMPO NÃO TÃO DISTANTE
Os artistas
Os representantes da arte produzida na região são Ariadne Decker e Marcelo Zeni. Ariadne nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, mas desde pequena vive em Novo Hamburgo, onde desenvolve seu trabalho artístico. Com exposições no Brasil e no exterior, ela é reconhecida também por ministrar cursos de desenho e pintura. O artista e designer Marcelo Zeni atualmente vive em Lomba Grande, Novo Hamburgo. Com influência do Renascimento italiano e de outros movimentos, o artista assumiu uma linguagem figurativa em suas produções, que se destacam pela autenticidade e originalidade de expressão.
Flávio Scholles é outro destaque da exposição. Um dos maiores nomes da arte gaúcha da atualidade, Scholles conquistou o Brasil e o mundo com várias de suas criações. Suas obras retratam a colonização alemã, o êxodo, a cidade e as origens. E ele continua produzindo em seu atelier localizado em Morro Reuter.
Marcelo Hübner integra a mostra com seu trabalho figurativo e contemporâneo, que destaca pinturas das séries “Banhistas”, “Floristas”, “Urbanos” e a nova “Paisagens Gaúchas”, que retrata os campos do interior. Em sua trajetória como artista, já esteve em mais de 40 exposições individuais e coletivas.
O artista uruguaio Armando Gonzalez completa a exposição. Com 62 anos de atuação na arte, Gonzalez se destaca pelas obras com elementos da natureza e dos pampas, que revelam suas raízes no Uruguai e no sul do Brasil. Recentemente, produziu uma série com imagens pictóricas, desenvolvidas durante a pandemia, que também expôs na Bublitz Galeria de Arte.
MARCELO HÜBNER – Mercado de Flores .
Programação:
Semana de Arte Bublitz na Casa Presser
Período: 16 a 20 de maio
Endereço: Rua Marquês de Souza, 50, em Hamburgo Velho, Novo Hamburgo Horário de Funcionamento: 10h às 19h
16 de maio – 18h – Coquetel de abertura 17 de maio – 18h – Encontro e bate-papo com os artistas participantes da exposição 18 de maio – 18h – Live com a artista Ariadne Decker ao vivo da Casa Presser e transmitida no Instagram @bublitzgaleria
19 de maio – 18h – Palestra Tapetes Orientais História e Curiosidades, com o marchand Nicholas Bublitz 20 de maio – 18h – Encerramento da exposição com pintura ao vivo do artista Marcelo Hübner.
Nesse sábado, dia 7 de maio, o guitarrista norte-americano Phill Fest sobe ao palco do Espaço 373 para o lançamento do disco “Seresta”, o sexto de sua carreira e o primeiro gravado no Brasil, com coprodução de Léo Bracht (Grammy Latino 2019) e que contou com as participações de Edu Neves, Edu Saffi, Everson Moraes, Kiko Freitas, Luizinho Santos, Nico Bueno, Paulo Dorfman, Ronie Martinez, Rui Alvim e Tutti Rodrigues.
Para este show, Phil convidou Dorfman (piano), Nico (contrabaixo), Ronie (bateria) e Tuti Rodrigues (percussão) para apresentar, também, músicas de suas diversas fases, em uma noite brazilian jazz.
Quem é
Nascido em Minneapolis, Phil Fest vem de uma família de pianistas. O avô Adolfo Gustav Fest foi professor de música na Ufrgs e os pais Manfredo e Lili construíram uma sólida trajetória nos Estados Unidos, a partir de 1967. Manfredo foi um dos precursores da bossa nova naquele país como pianista e diretor musical da banda Bossa Rio, do músico Sérgio Mendes. Com o pai, gravou quatro discos pela Concord Jazz: “Oferenda” (1994), “Começar de Novo” (1995), “Fascinating Rhythm” (1996) e “Amazonas” (1997).
Como guitarrista, Phil tocou com nomes, como Bo Didley, Spencer Davis, Mary Wilson (Supremes), Lou Graham (Foreigner), Maria Creuza, Boca Livre e fez a abertura do show de Don Henley (The Eagles) e de mais de 40 musicais, entre eles: Mama Mia, Hairspray, Saturday Night Fever e Cats.
Desde sua abertura, em dezembro de 2021, o Cine Grand Café tem proporcionado um diálogo com outras artes. Com as Artes Visuais, tem sido uma constante. Abrimos com Zoravia Bettiol, seguimos com Vera Behs e em março, mês internacional da mulher, fizemos a Gravura, Gênero
Feminino, onde gravuristas como Anico Herskovits, Elida Tessler, Maria Tomaselli, Marilice Corona e Regina Silveira, entre outras, emprestaram suas artes para uma exposição marcante.
Agora em cartaz, Leonardo Loureiro aguarda a entrada da novíssima exposição, preparada especialmente para o Cine Grand Café.
O multipremiadíssimo Leandro Selister – artista visual, designer, fotógrafo de premiações internacionais na Mobgrafia – ou fotografia através de imagens captadas com seu celular – deslizou seu lugar de escuta e visão para as poltronas das salas de cinema da vida de sua memória, para nos oferecer um pouco dessa trajetória de cinéfilo, de janela que se abre e diz:
venha filme, eu estou aqui!
O resultado é uma exposição de desenhos digitais que nos remetem às próprias lembranças, aonde cada imagem vai resgatar as nossas singulares experiências em saborear a arte do cinema. Uma coleção de figuras que compõe o nosso maravilhoso e único álbum de
lembranças. Cada um dos 24 quadros -processo pelo qual o cinema de película foi sendo reinventado – nos leva a uma poltrona de sala de cinema diferente, mesmo sendo a mesma sala, já seria em outro período de nossa vida, onde já éramos outros, e sairíamos outros ainda graças ao filme que alteraria para sempre nossas sensibilidades.
SERVIÇO
O Cinema homenageia o cinema.
A Hora da Estrela – 24 quadros de Leando Selister.
Onde – Cine Grand Café.
Abertura – dia 10 de maio de 2022, 19 horas, com a presença do autor e do Curador em visita acompanhada pela exposição.
Encerramento- 19 de junho de 2022.
Horário de visitação: de terças a domingos, das 13:30 às 21 horas.
Contato: Cine Grand Café: 51 9968 51240
Curadoria e venda das obras: Ben Berardi – 51n99123-2832
Texto do curador Ben Berardi sobre a mostra
“Se tivesse a tolice de se perguntar “quem sou eu” cairia estatelada e em cheio no chão. É que quem sou eu?” provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.”(Clarice Lispector)
Quando pedi para o Leandro fazer uma homenagem ao cinema para a exposição do Cine Grand Café, não imaginava nada além de saber que o artista construiria algo sensível com suas técnicas refinadas. Desenhos, sim. Imagens, sim. A história afetiva de sua trajetória de artista escolhendo uma poltrona para ser espectador de filmes que marcariam sua sensibilidade para sempre, SIM!!!
O artista visual e designer, fotógrafo de premiações nacionais e internacionais na Mobgrafia -ou fotografia através de imagens captadas com um celular – deslizou seu lugar de escuta e visão para as poltronas das salas de cinema da vida de sua memória, para nos oferecer um pouco dessa trajetória de cinéfilo, da janela que se abre e diz: venha filme, eu estou aqui!
O resultado é uma exposição de desenhos digitais que nos remetem às próprias lembranças, onde cada imagem vai resgatar as nossas singulares experiências em saborear a arte do cinema. Uma coleção de figuras que compõem o nosso maravilhoso e único álbum de lembranças.
Cada um dos 24 quadros – processo pelo qual o cinema de película foi sendo reinventado – nos leva a uma poltrona de sala de cinema diferente, mesmo sendo a mesma sala, já seria em outro período de nossa vida, onde já éramos outros, e sairíamos outros ainda graças ao filme que alteraria para sempre nossa sensibilidade.
Grato Leandro Selister, por essa beleza reinventada. Não falaremos de nenhum filme que está retratado aqui. Reconheça você. Se reconheça.
É assim que o CINE GRAN CAFÉ faz uma homenagem a arte que os Lumiére iniciaram e que está sempre em cartaz, aqui. Sempre renovada, sem ser nunca esquecida.
Vamos deixar as imagens falarem por si, como fazemos nas poltronas das salas desse cinema, deixando com que elas nos tragam sensações e lembranças que permanecerão conosco por nossas vidas.
Nesta sexta, dia seis de maio, o compositor Claudio Levitan apresenta, no Espaço 373, o álbum “Só a canção”, que tem a participação de Fernando Corona no piano e Fernando Pezão na bateria. Lançado em junho do ano passado, o trabalho traz nove canções compostas durante uma viagem de cinco meses pela Europa, em 2015. Parte delas foi criada em inglês e uma em alemão.
Na volta ao Brasil, Levitan chamou seu amigo e parceiro musical Fernando Pezão para fazer a produção e a escolha do repertório final. A referência foi o conjunto de canções chamado “Viagem de Inverno”, do compositor clássico/romântico Franz Schubert, que levou a ideia de algo com voz e piano.
Desde o começo, o nome do pianista Fernando Corona estava nos planos de Levitan e Pezão, e sua adesão ao projeto deu início a um longo processo de busca de caminhos e conceitos para obterem um resultado entre o simples e o perene, como cabe às eternas canções de amor. Arranjos para o piano que criassem uma unidade no conjunto das canções e na conversa entre o canto e o instrumento.
Musical destinado ao público infanto-juvenil, o espetáculo As Princesas e o Príncipe Encantado estreia no próximo dia 5 de maio (quinta-feira), no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro).
Segundo o material de divulgação “a peça dirigida por Manuela Falcão busca desconstruir estereótipos marcados por sociedades patriarcais, através de uma releitura contemporânea de personagens dos clássicos infantis e apresenta as princesas descobrindo que casar não é a principal meta de suas vidas.
A Bela Adormecida é acometida pela hiperatividade depois de anos num sono profundo. A Cinderela fica muito ansiosa durante a pandemia. Preta da Terra, nova versão da clássica personagem Branca de Neve, supera a desconfiança gerada pela bruxa.
Objetiva mostrar também a diversidade das famílias e da sociedade ao representar o rei como um homem negro e o príncipe como um rapaz branco. “Acreditamos que a peça contribui para a reflexão sobre questões raciais e promove o respeito, o amor e a amizade entre as pessoas”, afirma a diretora.”
Inspirada no filme Encantado, de William Steig, a dramaturgia também é de Manuela Falcão em parceria com o escritor Duda Falcão.
A temporada do espetáculo é curta: ocorre nos dias 5, 6, 7 e 8 de maio (quinta e sexta, às 16h e sábado e domingo, às 17h). A classificação etária é livre e a peça tem 60 minutos de duração. Os ingressos estão sendo vendidos a R$ 50,00 e R$ 25,00 (meia-entrada, conforme legislação) no site Entretatos (https://www.entreatosdivulga.com.br/asprincesaseoprincipeencantado)
“As princesas e o príncipe encantado. Foto: Marco Pachini/ Divulgação
EQUIPE TÉCNICA
Direção: Manuela Falcão
Adaptação de Texto: Manuela Falcão e Duda Falcão
Elenco: Adriana Lampert (Feiticeira), Guilherme Scalcon (Príncipe), Juliana Katz (Cindi), Juliana
Strehlau (Aventureira), Pâmela Machado (Preta), Tamires Mora (Bela), Thiago de Souza (Rei e
O Café Fon Fon chega aos 10 anos de existência como reconhecido reduto de boa música em Porto Alegre, seja jazz, MPB, música latina e bossa nova. Para comemorar a data especial, o casal que comanda a casa, Luizinho Santos e Bethy Krieger, convidou a artista visual Graça Craidy para expor uma coleção de retratos de nomes célebres da música nacional e internacional.
Gal Costa/ DivulgaçãoBelchior/ Divulgação
A exposição Musas & Musos, a ser aberta nesta quarta-feira (4), às 19h30, é composta de 16 pinturas de grandes ídolos da música nacional e internacional, de Gilberto Gil, Lupicínio Rodrigues e Dorival Caymmi a Ray Charles, Nina Simone e Duke Ellington, com uma parada em Cuba para enaltecer integrantes do Buena Vista Social Club, como Omara Portuondo e Ibrahim Ferrer, entre outros.
Nascida em Ijuí, RS (1951), Graça Craidy é artista visual e artivista pelo fim da violência contra a mulher, apaixonada por retratos em suas mais variadas formas, de óleo e acrílica a aquarela, pastel, nanquim, grafite, carvão e digital: “É uma grande alegria fazer parte das comemorações dos 10 anos do Café Fon Fon, que nos acolhe tão amorosamente em seu abrigo antiaéreo contra o mau tempo, o mau gosto e o desgosto. Longa vida ao Fon Fon!”
“Bem que eu não ia achar tão ruim se (o mundo) acabasse mesmo. Estou cansada demais pra continuar remando nesta nave de contradições”, disse Maria Lídia Magliani na última mensagem, por e-mail, no final da tarde de 20 de dezembro de 2012.
Referia-se ao dia seguinte, 21 de dezembro, quando o calendário maia previa o fim do mundo, que ela ironizou: “Desde ontem, canto a música de Assis Valente (“anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar. Eu saí pra rua para me despedir e comemorar”).
Poucas horas depois, ela morreria de parada cardíaca, aos 66 anos, no Rio de Janeiro.
Acostumado ao anonimado do exílio, é muito difícil para mim falar em público sobre amigos com quem vivi, convivi e produzi na vida. Não poucos supostos biógrafos profissionais me acusaram de egoísmo por não dividir as cartas, sobretudo, do Caio Fernando Abreu e agora as da Magliani. Este artigo é uma exceção ao silêncio intencional. Revela a ponta do iceberg da correspondência e convivência mais virtual que presencial de várias décadas com a Maria Lídia.
Desta forma, também embarco na “nave das contradições” da Magli que, numa passagem, ressaltou “diga o que quiser. Fica tudo entre nós”, mas me contradigo e torno públicas as mensagens.
Acima de tudo isto, trata-se de um breve ou mini testamento intelectual, confirmando a lucidez e coerência existencial e profissional mantidas do início ao fim de vida e obra limpas. A força destas últimas palavras da Magliani – parafraseando o ex-diretor do MARGS Luiz Inácio Medeiros – vem dela se mostrar exatamente como sempre foi em tudo que fez: sem meias verdades. Os textos não escondem o custo e desgaste deste radicalismo no exercício da criatividade sem concessões comerciais. Ela se sentia inadequada e maltratada no Brasil do ano 2000.
Seguem citações de 10 cartas/mensagens trocadas com a Maria Lídia do dia 15 de novembro de 2012 até a despedida em 20 de dezembro. No dia 15, eu estava em San Francisco, na Califórnia, convalescendo de uma cirurgia. Ela ficou sabendo e me procurou, retomando nossa correspondência. Não nos comunicávamos há um bom tempo, mas continuávamos os mesmos.
Ultimas Impressões de Maria Lídia Magliani
SEM OUSADIA PARA MUDAR
Estou no Rio. Não gosto. Quero voltar pra Sampa, que também não está lá estas coisas, mas não tenho condições.
Estou sentindo falta daquela ousadia que me permitia me mudar pra qualquer lugar com 20 reais no bolso.
SEM FÔLEGO E SEM PALAVRAS
Agora sou uma pré velhinha cardíaca que cansa fácil. Fiquei sem fôlego e sem palavras.
Começo a achar que estou sobrando, durando demais.
EXACERBADA SOLIDÃO
Estou internacional nas minhas preocupações com os amigos. Um em Nova York, outra em Tel Aviv, um terceiro em Friburgo. Todos em áreas de desastres. Dá fadiga e exacerba solidões.
(Até o fim, não perdeu a capacidade de alienar admiradores, como nesta referência a um amigo e colecionador…)
Ele não me escreve mais desde que eu, num momento de mau humor, disse que não me interessava uma notícia sobre um colega medíocre e bem-sucedido que ele me enviou. Magoou-se.
(O afastamento da família, porém, era intencional…)
Não falo com a minha irmã (ou meus parentes) há anos. Nem quero.
PIGNATARI E O CANCELAM ENTO
(Ao saber que Décio Pignatari – um dos grandes da poesia concreta e autor que líamos juntos na juventude – vivia esquecido no Paraná, sem encontrar editor ou produtor para seu teatro…)
Eu nem sabia das incursões do Pignatari no teatro e acho normal que não tenham dado atenção… No teatro, haveria um embate com o ego do (Décio) Antunes, que seria muito exaustivo. Idem, com a infantilidade manheira do Zé Celso (Martinez Corrêa)… Quem mais dirigiria?
(Pouco depois, o nosso antigo poeta predileto voltou a se fazer presente na conversa)
Conheci o Pignatari em São Paulo, na época da Tropicália, junto com os irmãos Campos e o Mário Chamie. Outro dia, recortei palavras de revistas e jornais e comecei a colar numas caixinhas de papelão. Saíram umas frases loucas e outras com algum sentido – poemas aleatórios – mais pra dadaísta que concretista…Lembrei do Pignatari…quando liguei o rádio na CBN, ouvi que ele tinha morrido.
FEITA PARA FAZER SENTIDO
Estou voltando de duas exposições. Uma do acervo da Anna Maria Niemeyer que morreu um ou dois meses antes do pai. Tem muita coisa boa. Outra de xilogravuras do Newton Cavalcanti, um pernambucano, que cheguei a conhecer. Belo trabalho, mas ninguém quer mais ver coisas de câmera. Só grandes e vazias instalações… e a ingênua aqui continua achando que nasceu pra produzir sentido…
CONTROLE ESTATAL
A cultura foi para o brejo e nós deixamos. O país que pariu Tom Jobim agora reverencia Michel Teló. Não se consegue fazer arte sem vencer edital do governo e, consequentemente, sofrer controle estatal disfarçado. Estamos caminhando pra trás, em busca de uma revolução cultural maoísta.
IDENTITARISMO E APARTHEID CULTURAL
E agora teremos também o apartheid cultural institucionalizado. Inventaram uma lei de incentivo específica para a cultura negra; uma boa maneira de chutar os crioulos pra fora da competição. Cria-se uma black box, chama-se de inclusão e a negralhada fica quieta, sambando, bebendo e se sentindo sujeito da História. E os negros tão adorando e cobrando quem não pinta retrato de orixá “meu iáiá, meu ioiô”.
TUDO DE RUIM SE ESPALHOU
É, a tal da globalização (digital) não deu certo. O “tudo de ruim” se espalhou e eu não sei onde se concentrou o pouco de bom que sobrou. Ao contrário de alguns, não acho o Facebook fundamental e não consigo me convencer que é ótimo profissionalmente. Até já vendi por lá, mas só vejo bobagens. A Internet brinca de esconder o que é relevante. Este é o bug do fim do mundo.
INFANTILIZAÇÃO INTELECTUAL
Pra mim, o pior do retrocesso são pessoas que conheço há mais de 40 anos e que agora estão num processo de infantilização via o Facebook. É a volta ao grunhido. Temos o Web Proust, que vai à padaria e descreve minuciosamente o evento, jurando que está fazendo literatura. E fica indignado se não dás opinião sobre “meu modesto textinho”.
GUERREIROS SENTADOS E MEMORIALISTAS
Temos os piadistas, os religiosos que te mandam correntes e ameaças se não repassares pra 3.876 amigos. E ainda os Guerreiros Sentados, que escrevem “contra tudo isso que aí está” em letras vermelhas, corpo 72, reclamando que a imprensa vendida não publica… quase sempre alguma coisa que se leu há dois meses numa coluna assinada de um jornalão.
Mas os que mais me irritam são os memorialistas. Quando menos se espera recebe-se um email que começa: …” Era 1976…”. Deleto na hora. Estes ficam furibundos quando eu pergunto ‘e que cazzo estás fazendo agora’?
PICASSO, DESTRUIDOR DE MULHERES
(Comentei uma mostra de retratos de Dora Maar, a trágica musa do modernismo francês, grande amor e modelo de Pablo Picasso…)
Vi vários estudos para o retrato de Dora Maar no Museu Picasso. A Dora Maar é uma figura trágica como todas as mulheres do Picasso. De alguma forma, casar com Picasso é escolher uma vida trágica. Acho que ele fazia parte de uma certa fraternidade que odeia as mulheres e só se aproxima delas para melhor destruí-las. E tem umas vice-versa também.
BÉLGICA E SEPARATISMO
Estive um mês e meio na Bélgica. Adorei o clima, a limpeza, as criancinhas bem educadas e toda a arte flamenga que jamais esperei ver ao vivo. Me defendi bem com meu francês jabaculê e até aprendi algumas coisas em flammand. O suficiente para me manifestar contra aquele separatismo idiota (de Flandres) num país tão pequeno.
MORRER EM PARIS
(Numa das últimas mensagens, convidei a Magliani para passar uma temporada em Nova York…)
Acho que não vou mais a qualquer lugar que não fale francês, italiano ou espanhol. Agradeço tua oferta. Mas se fosse o caso de ficar em algum lugar, continuo preferindo Paris, minha paixão, onde estive duas vezes. De qualquer modo, já decidi que vou morrer em Paris.
IR EMBORA
Eu quero viajar. De preferência ir embora deste Brasil que me trata tão mal… e o calor não melhora as coisas nem um pouco…
———
* Eduardo San Martin é jornalista. Mora em Nova York. Foi editor da BBC de Londres e Rádio das Nações Unidas, correspondente de OGlobo na Europa e agência RBS nos Estados Unidos. Recebeu dois prêmios Açorianos. É autor, entre outros, de O Círculo do Suicida, com capa e ilustrações de Magliani.
Retrospectiva Magliani segue até fim de julho no Museu Iberê Camargo
Prossegue até o final de julho, no Instituto Iberê de Porto Alegre, a maior retrospectiva já realizada sobre a obra de Maria Lídia Magliani.
São mais de 200 obras de 70 coleções / EB/JÁ
O evento, no décimo aniversário da morte da artista gaúcha, reúne cerca de 200 trabalhos vindos de 70 coleções. A mostra exemplifica as diversas fases e faces da sua produção (pintura, gravura, desenho, escultura), assim como suas atividades extra artes plásticas, como o teatro e o jornalismo gráfico.
Maria Lídia Magliani (1946- 2012), nascida em Pelotas, foi uma das principais artistas plásticas do Rio Grande do Sul e do Brasil na segunda metade do século XX, tendo vivido e atuado em Porto Alegre, São Paulo, Ouro Preto e Rio de Janeiro. É reconhecida como uma das grandes expressões femininas da arte culta nacional, com obras no acervo dos principais museus brasileiros.
A arte de Liana Timm vai marcar a inauguração da “Sala da Frente” da GalArt. A artista apresenta a exposição “Dispersos Reunidos” na galeria localizada na Av. Lucas de Oliveira, 132. A mostra traz 30 obras de Liana, que integram importantes séries produzidas ao longo de sua trajetória de mais de 50 anos de arte. O vernissage será no sábado, 30 de abril, das 11h às 16h. A exposição fica em cartaz no espaço até o dia 31 de maio, com entrada franca.
O galerista e artista Heitor Bergamini, que tem um acervo que se destaca pela representatividade da arte produzida no Rio Grande do Sul e no Brasil, já possuía em sua coleção uma obra histórica de Liana: “Semi público, Semi Privado”, de 1980, que pode ser conferida no segundo andar da galeria. Agora, pela primeira vez, vai apresentar uma exposição completa da artista. “Para nós, da Galart, é uma honra receber a multi-artista Liana Timm e sua linda exposição ‘Dispersos Reunidos’”, destaca Bergamini.
Liana Timm. Foto: Sammy Timm/Divulgação
Além de artista, Liana também é arquiteta, escritora, intérprete e designer. Natural de Serafina Corrêa, recebeu o título de cidadã honorária de Porto Alegre, em 2008, município onde vive desde 1950. Atualmente, transita pelas artes visuais, literatura e música, com mais de mil trabalhos produzidos nas mais diferentes áreas. Para a exposição “Dispersos Reunidos”, Liana selecionou 30 obras que representam suas mais emblemáticas séries: Outro(s) de Mim, O Traço Sensível e Passados Presentes.
Dispersos Reunidos
‘Outro(s) de mim’ foiiniciada em 2009 e está sempre in progress. São obras, em arte digital, de retratos de grandes personalidades da cultura universal e giram em torno das identidades múltiplas que nos habitam. Na mostra, a série é composta por 21 obras de 30 cm x 30, com retratos de nomes como Freud, Anne Frank e Andy Warhol. “Nossa diversidade, poço sem fundo de uma intimidade suspensa, nos escapa e indaga quem somos ou quantos somos. Mas a importância da resposta se apaga na busca. Uma riqueza de interesses toma lugar e emerge outra interrogação: quem mais podemos libertar em nós?”, provoca Liana. A série lembra Mário de Andrade, também representado na exposição, que dizia ser apenas trezentos e cinquenta. O mais ele desprezava.
Em ‘O Traço Sensível’, Liana traz quatro obras em técnica mista (medindo 80 cm x 120 cm), unindo a manualidade do desenho e da pintura à tecnologia. Explora, desta maneira, as nuances que cada técnica lhe oferece criando produções de extremo efeito estético e significações abrangentes. A série une história e contemporaneidade, um tema que vem explorando de diversas maneiras em sua trajetória de 53 anos de arte.
‘Passados Presentes’ completa a mostra, trazendo um outro viés da produção da artista. São cinco obras de 80 cm x 80 cm. Nesta série, Liana promove a desconstrução do conhecido e as referências imediatas não estão presentes. Manchas e massas de cores tomam a primazia para constituir o todo dos trabalhos. A técnica empregada é a mesma das obras da série ‘O Traço Sensível’, com uma expressão menos figurativa do que a presente em seus trabalhos anteriores.
Serviço
Exposição “Dispersos Reunidos” por Liana Timm
Local: “Sala da Frente” da GalArt – Galeria de Arte
Endereço: Av. Lucas de Oliveira, 132
Vernissage: 30 de abril, das 11h às 16h
Visitação: 30 de abril a 31 de maio
Horário: segunda à sexta, das 9h às 18h, sábados, das 10h às 14h
O corredor cultural que se estende do Memorial do Rio Grande do Sul
até a Usina do Gasômetro, no centro da capital gaúcha, ganha um novo
espaço.
A biblioteca comunitária do Cirandar foi reinaugurada em novo
endereço no sábado, dia 23 de abril. A nova sede fica localizada na Rua dos
Andradas, no 851, no térreo. Uma programação de poesia e música marcou
a data.
A ONG Cirandar atua desde 2008 na promoção da leitura, literatura,
educação, arte e cultura junto a crianças, adolescentes, jovens e suas
famílias. Além da biblioteca central, a instituição é responsável também pela Biblioteca Comunitária Chocolatão e atua em outras comunidades com projetos de leitura.
Na nova casa, funcionará uma biblioteca com um acervo de
aproximadamente 2,5 mil livros e atenderá moradores e frequentadores da
região central de Porto Alegre.
As obras disponíveis tem temática variada:
literatura brasileira, estrangeira, infantil e juvenil, além de arte, comunicação e leituras obrigatórias do vestibular da UFRGS.
Para realizar empréstimos, será necessário o preenchimento de um
cadastro, além da apresentação de documento de identidade e comprovante de residência. A biblioteca funcionará de segunda a quinta-feira e sábados, das 14 e 18 horas; e sextas-feiras, das 9 às 18 horas.
Para o segundo semestre, o Cirandar projeta a realização de cursos
voltados para leitura, educação e infância. A programação poderá ser
acompanhada no site: cirandar.org.br.
Cirandas de Histórias
A partir deste 23 de abril, Dia Mundial do Livro, também serão
realizadas Cirandas de Histórias. As rodas, voltadas ao público infantil,
acontecerão aos sábados, às 16 horas, com acesso gratuito.
Histórico da ONG
O Cirandar foi fundado no ano de 2008 e funcionava desde então no 3o
andar da Cia de Arte, na rua dos Andradas, no 1780. A organização, que é
certificada pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e pela
Secretaria Estadual do Trabalho de Assistência Social, foi criada com a
proposta de desafiar, fortalecer e mobilizar as redes comunitárias em prol do saber e da cultura. Para isto, realiza programas e projetos de intervenção pautados na educação como ferramenta de transformação social. A equipe do Cirandar é composta por educadores sociais, bibliotecária, artistas e integrantes da equipe administrativa.
O Espaço Cultural Correios, de Porto Alegre vai receber a exposição interativa Arte Alerta IV, de 23 de abril a 4 junho, com visitação de terças a sábados. A mostra foi criada pela artista gaúcha Lesiane Lazzarotti Ogg, atualmente radicada no Rio de Janeiro, e tem curadoria de Luiz Badia. Entre os diferenciais está a possibilidade de criação e intervenção artística pelos próprios visitantes, o que tem levado milhares de pessoas a conhecer o projeto por onde ele passa, especialmente crianças e adolescentes. A abertura será no dia 23 de abril, das 14h às 17h, no Espaço Cultural Correios, que fica localizado no térreo da Av. Sete de Setembro, 1020, no Centro Histórico de Porto Alegre. Entrada franca.
Evanescimento – Obra de Lesiane Lazzatotti Ogg
“O projeto Arte Alerta foicriado com o intuito de juntar vários artistas em uma nobre causa de alertar as pessoas sobre a degradação provocada pelo ser humano ao meio ambiente. Em um sentido mais amplo, envolvendo também outros aspectos do mundo contemporâneo que afetam a todos, como tecnologia e mudanças de comportamento”, explica Lesiane. “O Arte Alerta tem como foco plantar uma semente nas novas gerações, conscientizando sobre a necessidade de preservar o planeta de nossas próprias ações predatórias”, complementa a artista.
Incluídos – Obra de Marilena Mota
Nesta quarta edição do Arte Alerta, primeira no Rio Grande do Sul, 16 artistas que integram o Atelier Baluarte, do Rio de Janeiro, entre eles a também gaúcha Riele, exibirão suas pinturas com diferentes mensagens sobre a sensível questão de preservação do entorno, questionando a postura da humanidade em relação à natureza e à vida.
A artista Riele e sua obra. Foto: Divulgação
Além das pinturas, serão oferecidas ações de arte-educação, procurando inserir o público na mostra, convidando-os a produzir arte e a interagir a partir de trabalhos manuais orientados pela monitoria. Também será exibido um videoarte sobre a natureza chamado “Alma da Mata”, assinado pelo curador Luiz Badia. O projeto se diferencia nesse aspecto da comunicação e interação com o público, principalmente com as crianças, já que é delas que deve surgir um novo pensamento sobre a convivência entre o ser humano e a natureza.
Preconceito – Obra de Riele
Cidadã do mundo
Natural de Canoas, Lesiane Lazzarotti Ogg, é cidadã do mundo. Atualmente, radicada no Rio de Janeiro, a artista gaúcha começou sua carreira na arte com uma exposição em Cuba e já expôs no Carroussel do Louvre em Paris e na sede da ONU, em Nova York. Com uma forte atuação social, em comunidades da África e do Brasil, Lesiane é membro da Academia Brasileira de Belas Artes, desde 2019.
Planeta Covid – Obra de Márcia Crijó
Serviço:
Exposição interativa “Arte Alerta IV”
Abertura: 23 de abril (sábado), das 14h às 17h.
Visitação: 23 de abril a 4 de junho – terça a sábado, das 10h às 17h.
Local: Espaço Cultural Correios
Endereço: Av. Sete de Setembro, 1020, Centro Histórico, Porto Alegre
Entrada Franca