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  • “Gaúchos e símbolos”, em 48 obras de Armando Gonzalez, na Galeria Bublitz
    Galeria Bublitz/ Divulgação

    “Gaúchos e símbolos”, em 48 obras de Armando Gonzalez, na Galeria Bublitz

     

    A Bublitz Galeria de Arte ganhou nova forma este ano e se transformou na primeira galeria virtual de arte do País. Também o arquiteto, pintor e desenhista Armando Gonzalez, 79 anos, sendo 62 dedicados à arte, descobriu uma nova expressão em sua obra no período. No dia 17 de outubro, essas duas reinvenções se encontram na exposição “Gaúchos e Símbolos”, que poderá ser conferida até 17 de novembro no link virtual.galeriabublitz.com.br e, presencialmente, no espaço localizado na Av. Neusa Goulart Brizola, 143, no Bairro Rio Branco, em Porto Alegre.

     

    Galeria Bublitz/ Divulgação

    A mostra apresenta 48 obras, a maioria produzida durante pandemia, além de criações clássicas do artista que expressam o homem do campo, o cavalo, as paisagens do Pampa. Em seus novos trabalhos, Gonzalez debruçou-se sobre os signos e signos com valores pictográficos, surgidos na Mesopotâmia em 3.200 a.C. “Essa escritura pictográfica baseada em desenhos de diferentes objetos e figuras, foi criando um sistema de signos estilizados denominados cuneiformes”, explica o artista. “Não obstante, minha pintura caminha agora por dois caminhos de forma simultânea, aquele que percorre uma jornada às nossas raízes mais profundas, e aquele de uma construção rigorosa, que incorpora um universo de símbolos e signos, antigos e contemporâneos, em permanente diálogo”, revela. A exposição também apresenta quatro obras digitais criadas a partir dos trabalhos do pintor.

     

    O artista visual Armando Gonzalez.
    Foto Crédito: Karine Viana/ Divulgação

    Armando Gonzalez nasceu em Montevideo, no Uruguai. Estudou desenho e pintura na Escuela Nacional de Bellas Artes e graduou-se em Arquitetura na Facultad de Arquitectura de La República Oriental de Uruguay. Emigrou para o Brasil em 1972, radicando-se em Porto Alegre, onde reside desde então. Já expôs em diversos museus e galerias de arte do Brasil, da Argentina e do Uruguai. Seu trabalho é conhecido por pinturas e desenhos que trazem fortes elementos da natureza, garimpados no campo, que revelam suas raízes no Uruguai e no Sul do Brasil. O Pampa, as marcas da fronteira e o gaúcho são retratados em suas criações, que agora ganham a companhia das imagens pictóricas desenvolvidas ao longo de 2020 e lançadas nesta mostra. Em 2018, Gonzalez celebrou 60 anos de pintura com exposição individual na Bublitz Galeria de Arte, com a apresentação 20 obras do artista em acrílica sobre tela.

    A exposição “Gaúchos e Símbolos” é a terceira da Bublitz Galeria Virtual de Arte, inaugurada em julho, com obras do artista gaúcho Marcelo Hübner, que também já recebeu as obras do mestre do abstracionismo oriental Kenji Fukuda. A galeria á a primeira do País a permitir uma experiência on-line imersiva, em que é possível passear pelos ambientes da exposição e ver detalhes e as informações de cada obra. Entre as próximas exposições confirmadas para o espaço virtual e presencial estão as com os artistas consagrados Vitorio Gheno e Inos Corradin.

    Exposição “Gaúchos e Símbolos”

    Período: 17 de outubro a 17 de novembro

    Bublitz Galeria Virtual de Arte: virtual.galeriabublitz.com.br

    Endereço: Av. Neusa Goulart Brizola, 143 – Porto Alegre – RS
    De segunda a sexta, das 10h às 18h

    Aos sábados, das 10h às 13h

  • Cimbelino: forças opostas, do bem e do mal, em drama de Shakespeare

    Cimbelino: forças opostas, do bem e do mal, em drama de Shakespeare

     

     

     

    A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o sexto volume.

    A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 6

    CIMBELINO

    p/William Shakespeare

    Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

    Porto Alegre, Editora Movimento, 2020, 224p.

    Editado com o apoio da Família Paulus Funck

    “Embora o Rei Cimbelino dê o título a esta peça de Shakespeare, nela predominam as forças opostas representadas por Imógine e Póstumo, o Bem, e pela rainha e seu filho, Cloteu, o Mal. Como nas peças medievais, chamadas Moralities, nas quais o Bem sempre derrota o Mal, Imógine e Póstumo são também vencedores, mas não sem antes sentirem o doloroso aguilhão das forças do Mal. Atormentado pelo pensamento que a todos nós perturba, ou seja, por que os deuses onipotentes, bondosos e misericordiosos permitem que o Mal atue com tanta força no mundo, Póstumo exige que o deus Júpiter lhe dê uma resposta satisfatória. A resposta do deus pagão tem ressaibos de cristianismo e, embora pouco satisfatória, Póstumo – e nós – a ela nos conformamos. O próprio Shakespeare, no Soneto 66, revela a angústia de Póstumo, a ponto de, decepcionado com a corrupção que o rodeia, desejar a morte.”

     

    Ato V, Cena 5 – Cimbelino:        […] Nunca realmente guerra nenhuma acabou, se as mãos ensanguentadas a água da paz não lavou.

     

  • “Múltiplos olhares” em exposição virtual de 11 fotógrafos
    Foto de Helena Stainer/ Divulgação

    “Múltiplos olhares” em exposição virtual de 11 fotógrafos

    Com à proposta de celebrar a diversidade da fotografia em tempos de Covid 19, a 4ª edição do Projeto Múltiplos Olhares transborda para além dos limites usuais de uma mostra meramente virtual e se transforma em Galeria Múltiplos Olhares, com obras em grandes dimensões de 11 fotógrafos gaúchos. O projeto de arquitetura é do curador da mostra, Fábio André Rheinheimer, que também assina o mobiliário – o tapete e o banco foram especialmente concebidos para esta mostra virtual. O lançamento simultâneo ocorrerá no evento do facebook: Galeria Múltiplos Olhares, e em fabriloffice.wordpress.com, dia 12 de outubro às 11h.

    Foto: Douglas Fischer/ Divulgação
    Foto: Andréa Barros/ Divulgação
    Foto; Aníbal Elias Carneiro/ Divulgação

    O Projeto Múltiplos Olhares se consolida fiel ao objetivo de estabelecer o diálogo entre visões distintas na área da fotografia, e se transforma em GaleriaMúltiplos Olhares, com lançamento dia 12 de outubro, às 11h. Para esta mostra foram selecionadas as visões destes tempos de Pandemia, formas distintas de expressão de 11 fotógrafos especialmente convidados.

    Porém, diante da amplitude deste tema na contemporaneidade, esta mostra se desenvolve sem jamais se pretender absoluta [tampouco definitiva] ao que se propõe. Para esta exposição virtual, que será disponibilizada simultaneamente no evento homônimo no facebook: Galeria Múltiplos Olhares e fabriloffice.wordpress.com,foram selecionadas obras dos seguintes fotógrafos: Helena Stainer; Flávia Ferme; Fábio Petry, Leandro Facchini; Fernanda Carvalho Garcia, Andréa Barros; Aníbal Elias Carneiro; Victor Ghiorzi; Douglas Fischer; Laércio de Menezes; Sílvia Dornelles.

    Foto: Fernanda Garcia, como uma onda no mar/ Divulgação
    Foto: Flávia Ferme/ Divulgação
    Foto: Laércio de Menezes/ Divulgação
    Foto: Fábio Petry/ Divulgação

    “Na concepção deste projeto de arquitetura foi considerado a facilidade de acesso às obras, as quais solicitei aos fotógrafos em grandes dimensões, 1,33×2,00m. A minha proposta foi interferir o menos possível na visualização das fotografias. Já o projeto do banco se desenvolve enquanto sólido de revolução, a partir da figura geométrica trapézio e tem o tapete como complemento acentuando a proposta formal. A concepção e disposição do mobiliário visa estabelecer um diálogo elegante com as obras da exposição.” – observa Fábio André Rheinheimer.

    Foto; Victor Ghiorzi/ Divulgação

     “Sob orientação de um mesmo conceito: o exercício da fotografia enquanto instrumento a serviço de [possíveis] narrativas, as fotografias selecionadas para esta mostra formam um conjunto multifacetado [a revelar pontualmente o universo particular de cada um dos 11 fotógrafos convidados]; as quais, segundo novas vinculações neste contexto, propõem outras apropriações simbólicas, portanto viabilizam novas releituras de domínio exclusivo do espectador”, escreve Fábio André Rheinheimer.

    Foto: Leandro Facchini/ Divulgação
    Foto; Sílvia Dornelles/ Divulgação
    Serviço: 
    GaleriaMúltiplos Olhares – exposição virtual com obras de 11 fotógrafos gaúchos, e projeto arquitetônico e de mobiliário do curador da mostra.
    Fotógrafos participantes: Helena Stainer;Flávia Ferme;Fábio Petry, Leandro Facchini; Fernanda Carvalho Garcia, Andréa Barros; Aníbal Elias Carneiro; Victor Ghiorzi; Douglas Fischer; Laércio de Menezes; Sílvia Dornelles.
    Lançamento: 12 de outubro às 11h
    Onde: lançamento simultâneo no evento do facebook: Galeria Múltiplos Olhares, e fabriloffice.wordpress.com
    Período do evento: de 12 a 26 de outubro de 2020.

  • Wander Wildner Power Trio no ShowLivrePlay, lançando o disco gravado ao vivo no Opinião
    Wander Wildner – foto © Fernanda Chemale

    Wander Wildner Power Trio no ShowLivrePlay, lançando o disco gravado ao vivo no Opinião

    A carreira de Wander Wildner tem dessas coisas. Pouco antes do início da pandemia, sem saber de nada sobre COVID ainda, Wander chamou Georgia Branco e Pitchu Ferraz, duas parceiraças de carteirinha, pra gravar um show ao vivo e, quem sabe, no futuro próximo virar disco. No dia 12 de março esse encontro aconteceu e foi memorável.

    Wander Wildner. Foto Fernanda Chemale/ Divulgação

    A ideia era pegar a estrada logo a seguir, mas poucos dias depois se iniciava esta que é a maior crise sanitária em séculos, obrigando populações inteiras a se adaptarem e deixando os artistas à mercê do mundo digital e sem previsão de retorno. Mas nem essa dificuldade toda tirou Wander da parada. Pelo contrário. Acostumado a fazer limonada de limão, o artista vai mostrar com as gurias este show, que marca o lançamento do disco, dia 15 de outubro, às 20h e todos poderão assistir onde quer que estejam. Pra isso é só se conectar na rede e acessar o canal ShowLivrePlay.

    Pitchu Ferraz (bateria e backing vocal). Foto: Fernanda Chemale/ Divulgação
    Georgia Branco (baixo e backing vocal). Foto Fernanda Chemale/ Divulgação

    Wander Wildner Power Trio Ao Vivo

    Dia 15 de outubro, às 20h no canal ShowLivrePlay

    Os ingressos já estão a venda no site www.showlivreplay.com ou direto no link https://bit.ly/2Gqt1DX

    Valores:

    R$ 10,00 – PROMOCIONAL (50 unidades) Ingresso show online

    R$ 20,00 – Ingresso show online + 15% Desconto dos produtos Wander Wildner no site www.produtooficial.com.br

    R$ 30,00 – Ingresso show online + 15% Desconto dos produtos Wander Wildner no site www.produtooficial.com.br + Download de 2 EP’s (Qu4tro Qu4rtos de Qu4rentena Qu4ntica e 3XWW)

     

  • “Os dois nobres parentes” um conto de Chaucer, teatralizado por Shakespeare

    “Os dois nobres parentes” um conto de Chaucer, teatralizado por Shakespeare

     

    A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 5

    OS DOIS NOBRES PARENTES

    p/William Shakespeare

    & John Fletcher

    Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

    Porto Alegre, Editora Movimento, 2016, 248p.

    Em coedição com EDUNISC, Santa Cruz do Sul, RS.

    “Palamon e Arcite, personagens centrais desta obra, querem sair da Tebas corrupta, onde o vício é virtude e a virtude, vício. Como eles dizem, o leite da vaca tem o gosto do pasto que a alimenta, ou seja, como não ficar corrupto em meio a tanta corrupção?”

    Tendo o argumento dessa peça sido retirado de um conto de Chaucer (de certo modo o codificador da língua inglesa), no Prólogo, o Coro diz assim:

    É Chaucer, por todos admirado, o pai desta história;

    nela, por toda a eternidade ele vive.

    Se não fizermos jus à nobreza da obra de Chaucer

    e o primeiro som que esta criança ouvir for um apupo,

    como haverão de se agitar os ossos daquele bom poeta

    e como ele haverá de chorar debaixo da terra: Ó, longe

    de mim esta palha sem gosto de um escritor tão ruim,

    que destrói minha reputação de poeta e faz menos caso de minhas

    obras do que das histórias de Robin Hood. Este é nosso medo.

  • O homem que ensinou Caetano a ouvir música
    Zuza Homem de Mello. Foto Carol Guedes/ Divulgação

    O homem que ensinou Caetano a ouvir música

    Zuza Homem de Mello. Foto Carol Guedes/ Divulgação

    Morreu enquanto dormia o jornalista e pesquisador musical  Zuza Homem de Mello, aos 87 anos. Foi na manhã deste domingo, 4, no apartamento em que morava no Bairro Pinheiros em São Paulo. Infarto agudo do miocárdio foi a causa registrada no atestado de óbito.

    Está de luto a comunidade musical brasileira, a quem ele dedicou uma obra imensa e variada que produziu como  jornalista, escritor, produtor de discos, professor, palestrante, apresentador de shows e curador de festivais.

    Zuza tinha muitos amigos gaúchos e alguns deles, como o músico e produtor cultural Carlos Badia, os jornalista Juarez Fonseca e Márcio Pinheiro e o músico Arthur de Farias fizeram registros emocionados, jornalísticos e de tributo a Homem de Mello.

    “Suinge é aquele balanço que não está na pauta”, aprendeu ele nos primeiros estudos que fez com a intenção de ser contrabaixista.

    “Essa, acredito que seja a grande meta da minha vida: fazer as pessoas saberem ouvir música”, disse ele no doc “Zuza Homem de Jazz” (2019), de Janaina Dalri.

    Começou como baixista  tocando em boates em São Paulo. Em 1957,  foi para a School of Jazz, em Massachusetts (onde teve aulas com Ray Brown, lenda do contrabaixo) e logo depois para a prestigiada Juilliard School of Music, em Nova York, onde aprendeu, em suas palavras, “a ouvir música”.

    Tinha  23 anos e  mergulhou de cabeça no mundo do jazz, em clubes como o Five Spot Jazz Café (onde o pianista Thelonious Monk mudou sua visão de música, com uma banda que tinha o saxofonista John Coltrane) e o Village Vanguard.  Foi testemunha privilegiada de uma época de rara criatividade na música mundial e registrou suas impressões como colunista da “Folha da Noite” e “Folha da Manhã”.

    Voltou ao Brasil dois anos depois e foi trabalhar como técnico de som na incipiente  TV Record onde ficou mais de dez anos.

    Lá acompanhou os bastidores dos festivais da canção que revelaram nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil, o “Fino da Bossa” (de Elis Regina e Jair Rodrigues) e o “Jovem Guarda”, de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. É dessa época seu empenho em trazer grandes nomes do jazz ao Brasil.

    Quando soube de sua morte, Caetano Veloso lembrou das “conversas íntimas e audição de clássicos da canção popular do mundo”. “Eu fui presenteado com essa convivência educadora e quero saudar a existência de Zuza”, escreveu Caetano no Facebook.

     

  • Shakespeare e a resposta ambígua de um enigma, em”Péricles”

    Shakespeare e a resposta ambígua de um enigma, em”Péricles”

     

    A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o quarto volume.

    A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 4

    PÉRICLES

    p/William Shakespeare

    Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

    Porto Alegre, Editora Movimento, 2019, 176p.

    Em coedição com EDUNISC, Santa Cruz do Sul, RS.

    “Desejoso de casar com a linda filha do Rei Antíoco, o Príncipe Péricles aceita tentar resolver o complicado enigma com o qual Antíoco põe à prova os pretendentes de sua filha. Não obstante a mórbida visão de inúmeras cabeças decepadas, fincadas em estacas, de apaixonados que falharam em achar a resposta do enigma, Péricles lê o enigma, acha a resposta, que envolve o tabu do incesto, e logo se dá conta que enfrenta um drama kafkiano, pois morrerá, quer dê a Antíoco a resposta certa, quer não a dê. Salva-o, em parte, o poder da palavra, que torna sua resposta tão ambígua como o próprio enigma.”

    Ato III – Coro [após a cena do casamento]:

     Agora o sono acalmou o alvoroço;

    nenhum ruído pela casa senão roncos,

    cada vez mais altos por causa da comilança,

    nesta solene festa de casamento.

    O gato, com olhos que brilham como brasa,

    se ajeita junto à toca do ratinho;

    os grilos cantam junto à boca do forno,

    faceiros por acharem um lugar quentinho.

    Himeneu levou a noiva ao leito onde,

    perdida sua virgindade,

    formou-se um bebê. Atenção, agora

    o tempo, que passa tão ligeiro,

    preenchei inteligentemente com a imaginação;

    o que for mudo no palco, esclareço com minha fala.

  • Grupo de empresários de entretenimento projeta retomada gradual
    Grupo TE2 realizou evento online e arrecadou mais de 23 toneladas de alimentos que foram doados à instituições sociais. Foto; Divulgação

    Grupo de empresários de entretenimento projeta retomada gradual

    Grupo de empresários do ramo do entretenimento se une a fim de apresentar plano de retomada gradual do setor. Iniciativa conta com a participação de Grupo TE2 (Business For Fun e Provocateur), Grupo Austral, Opinião, Combo Agência, representantes de casas como Coolture, Complex, Club 688, NY72, Bar1Bar2 e URB Stage e visa trazer alternativas à área que movimentou em 2019 mais de R$ 1 bilhão em eventos realizados no Rio Grande do Sul.

    O contexto criado pelas medidas de distanciamento social tiveram impacto em todas as camadas econômicas. Entre elas, uma das que mais sentiu foi o setor de entretenimento. Responsável por movimentar mais de R$ 1 bilhão no ano de 2019 com eventos realizados no Rio Grande do Sul, um grupo de empresários gaúchos se reuniu para pensar os caminhos que podem ser trilhados para a retomada da área. A ideia é levar à Prefeitura de Porto Alegre e ao Governo do Estado na próxima semana um estudo com possibilidades e sugestões de reabertura gradual dos locais de entretenimento, tanto na capital gaúcha, quanto na Serra e no Litoral Norte, já de olho no verão.

    Fizeram parte do encontro nomes ligados ao Grupo TE2 (Business For Fun e Provocateur), Grupo Austral, Opinião, Combo Agência, Coolture, Complex, Club 688, NY72, Bar1Bar2 e URB Stage. Segundo Tiago Escher, um dos nomes à frente do Grupo TE2, a importância da área para a economia gaúcha é um dos pilares dessa movimentação. “Geramos mais de 50 mil empregos diretos e indiretos anualmente e o faturamento do setor no estado chega à casa dos R$ 20 bilhões, cerca de 5% do PIB do Rio Grande do Sul. Compreendemos o cenário, mas ressaltamos que precisamos caminhar para uma volta ao normal”, avalia.

    Eduardo Corte, responsável pelo Grupo Austral, destaca a necessidade de protocolos e um honesto diálogo com o setor. Afinal, o público já parece estar no limite do comportamento e começa a dar sinais mais claros de desobediência civil. “No feriado de 7 de setembro observamos o alto número de eventos clandestinos aqui no Sul. Estimamos que mais de 35 mil pessoas foram às ruas nestes ambientes de lazer noturno e as forças de segurança não conseguiram impedir as aglomerações. Por que, então, não iniciar a retomada gradual do setor? Num ambiente controlado, com credibilidade e responsabilidade, seria muito mais fácil adotar medidas de segurança”, explica.

    O grupo de empresários que desenvolve esse projeto — que, por sinal, está aberto e disposto a receber novos participantes — tem o auxílio de médicos infectologistas que tem atuado diretamente no contexto de crise vivido neste período. Todos compreendem que a reabertura é algo possível de ser feito, desde que respeitadas as medidas de segurança previamente apontadas por um corpo técnico do poder público. Por isso, proposições que buscam indicar um modelo interessante de reabertura gradual e quais medidas as casas precisam estar atentas são centrais neste plano que será apresentado.

    Já Roberto Huwwari, do Club 688, ressalta que neste contexto de eventos ilegais e saturação das medidas de restrição, é fundamental o envolvimento e engajamento da iniciativa privada para encontrar soluções que atendam todas as necessidades dos diversos personagens da sociedade. “No último final de semana presenciamos novamente cenas de aglomeração na Rua Padre Chagas. Estamos no limite quanto sociedade. É inegável a atmosfera de transgressão civil que parece ganhar força entre parte significativa da população. Por isso, temos que abraçar esse compromisso e encontrar soluções”, pondera o empresário, que vai além:

    “A manutenção da paralisação do setor significa desemprego e famílias com menos recursos, impostos que deixam de ser arrecadados e alternativas mais seguras para a saúde emocional e psicológica das pessoas. Afinal, caminhamos para um limite quanto dinâmica de distanciamento. Com tantos anos de atuação na área, confiamos que a participação da iniciativa privada ao lado do poder público pode, sim, promover essa reabertura gradual de forma segura”, conclui Huwwari.

  • Lei Aldir Blanc: Prefeitura publica regras para distribuição de R$ 9 milhões ao setor cultural
    Prédio da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Foto: Esteban Duarte/CMPA / Divulgação

    Lei Aldir Blanc: Prefeitura publica regras para distribuição de R$ 9 milhões ao setor cultural

     

    A Secretaria Municipal da Cultura (SMC) publicou em edição extra do Diário Oficial (Dopa) desta quarta-feira, 30, a portaria com os procedimentos necessários à aplicação dos recursos recebidos pela Lei Federal nº 14.017 (Lei Aldir Blanc). O texto apresenta as ações emergenciais destinadas ao setor cultural, destinadas à manutenção de espaços artísticos e culturais, microempresas e pequenas empresas culturais, cooperativas, instituições e organizações culturais comunitárias que tiveram as suas atividades interrompidas com as medidas de isolamento social.

    O Município recebeu aproximadamente R$ 9,2 milhões que serão divididos entre a manutenção de espaços culturais (inciso II) e recursos para os editais, chamadas públicas, prêmios, aquisição de bens e serviços vinculados ao setor cultural (inciso III).

    As entidades artístico-culturais habilitadas irão receber o pagamento de duas parcelas, a primeira no valor de R$ 3.000. Poderá ser acrescido ao primeiro pagamento valores referentes aos critérios afirmativos indicados no ato do cadastro, tais como gênero, raça, deficiência, orientação sexual e idade. O valor total pago na primeira parcela poderá chegar a R$ 6.000 dependendo dos critérios afirmativos informados. Já a segunda parcela dependerá da avaliação e pontuação de critérios descritos no edital, variando entre R$ 3.000 para os colocados entre as 376º e 450ª posições até R$ 8.000 para os colocados entre a 1ª e 75ª posições.

    A lista final de habilitados será publicada no Dopa. Após o recebimento e análise da documentação entregue, será concedida a pontuação de acordo com os critérios.

    ÍNTEGRA DA PORTARIA – PÁGINAS 1 A 13.
    http://dopaonlineupload.procempa.com.br/dopaonlineupload/3638_ce_20200930_executivo.pdf

  • Morreu Quino, que desenhou o inconformismo. E criou Mafalda
    De Laerte, quando Mafalada ficou cinquentona, em 2014

    Morreu Quino, que desenhou o inconformismo. E criou Mafalda

    Vitor Nuzzi, da RBA

     

    O desenhista argentino morreu hoje, aos 88 anos, um dia depois do “aniversário” de 56 anos sua icônica personagem.

     

    Em novembro de 1954, a revista semanal argentina Esto Es publicou a tira de um estreante de “linha lacônica”. Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, tinha 22 anos. Esse traço se tornou marca registrada do artista, possivelmente o desenhista de língua espanhola mais conhecido no mundo. Em boa parte, isso se deve à personagem Mafalda, a nacionalista rebelde nascida em 1964 e que ontem havia completado 56 anos. Quino morreu nesta quarta-feira (30), aos 88 anos, depois de sofrer um AVC na semana passada.

    Nascido em Mendoza em 17 de julho de 1932, aos 13 anos, já decidido a ser desenhista, matriculou-se na Escola de Belas Artes. Cansou de pintar no gesso, e aos 18 foi para Buenos Aires procurar um editor. Levou mais de três anos até conseguir. “No dia em que publiquei minha primeira página, tive o momento mais feliz da minha vida”, recordou.

    Nasce uma personagem

    Casado com Alicia Colombo desde 1960, três anos depois ele publicou seu primeiro livro, Mundo Quino. Nessa época, foi apresentado a uma agência de publicidade que procurava alguém para lançar uma linha de produtos eletrodomésticos. A campanha não foi para a frente, mas ali começou a nascer a mais famosa de suas personagens. “Mafalda, la chica de pelo negro que odia la sopa y está en contradicción con los adultos”, como definiu.

    A primeira tira com Mafalda foi publicada pela primeira vez em 29 de setembro de 1964, no semanário Primera Plana. Não demorou muito para que ela se tornasse um fenômeno inclusive internacional. Era a garotinha inconformada com as mazelas do mundo, sempre questionando seus pais. E também fanática pelos Beatles, que surgiram na mesma época.

    Mafalda chegou à Itália, por exemplo, em 1969, apresentada por ninguém menos que Umberto Eco. No Brasil, álbuns publicados nos anos 1980 (com tiras de 1965 dos jornais El Mundo e Córdoba) tiveram tradução de Mouzar Benedito e edição de Henfil.

    Criador e criatura

    Quino parou de desenhar Mafalda e sua turma em junho de 1973. Queria dedicar-se a outros projetos. Tempos depois, descobriu-se que o fim das tiras estava também relacionado à situação política da Argentina. Mas ela já ganhara vida própria. Tornou-se uma das personagens mais icônicas de todos os tempos. Quem vai a Buenos Aires, por exemplo, dificilmente deixa de ir ao bairro de San Telmo, local de uma feira famosa e onde está Mafalda, sentada em um banco.

    Em 2018, foram inauguradas estátuas de Mafalda, Manolito e Susanita em Mendoza, terra natal do escritor. Mas, assim como a personagem transcendeu o criador, a obra de Quino vai muito além da criatura. Quino é “um dos maiores autores de humor gráfico que já houve”, disse tempos atrás a cartunista Laerte.

    Em entrevista ao jornal Página/12, em 2004, Quino contou do que tratava em suas tiras: “Da relação entre os fracos e os poderosos”.

    Uma rebelde de 6 anos chega aos 50

    Reprodução
    Tira clássica de Quino: a faxineira arruma tudo, inclusive o quadro ‘Guernica’, de Pablo Picasso, em alusão à guerra civil espanhola. Até a patroa estranhou…