Balanço da Maiojama mostra que seu passivo mais do que dobrou em 2019

O balanço de 2019 da Maiojama Participações S/A – que atua nas atividades de construção civil, incorporações imobiliárias e loteamentos de imóveis, compra e venda, administração e locação de imóveis e a exploração de shopping center -, revela um aumento no passivo circulante – obrigações com vencimento no curto prazo – de R$ 16,2 milhões, em 2018, para R$ 38,7 milhões, em 2019, um crescimento do endividamento de 138,8%. Entre as razões, estão principalmente altas significativas nos débitos com fornecedores e obrigações sociais e tributárias.

Já o passivo não-circulante – vencimento superior a 12 meses – pulou de R$ 71,8 milhões, em 2018, para R$ 249,8 milhões, em 2019, crescimento de 247.9%. O principal motivo é a emissão de debêntures em 2019, no valor de R$ 178,5 milhões. Sobre o saldo nominal do papel incide a variação acumulada da taxa CDI, taxa de juros que acompanha de perto a taxa básica de juros (Selic), hoje em 3%, acrescidos exponencialmente de uma sobretaxa de 3,10% que serão pagas semestralmente, sendo o vencimento final em dezembro de 2034.

O ativo circulante (dinheiro em caixa, aplicações financeiras, contas a receber, estoques, depósito bancário, mercadorias, etc.) caiu de R$ 295,8 milhões (2018) para R$ 39,7 milhões (2019). Em 2018, havia na rubrica “imóveis a comercializar” R$ 286,2 milhões, enquanto em 2019 nada consta. Já o ativo não-circulante (realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível) foi de R$ 326,8 milhões (2019), contra R$ 54,9 milhões (2018). O principal motivo está na rubrica “propriedade para investimento” – representa os imóveis para renda e a participação em shopping center – que aumentou de R$ 39,4 milhões (2018) para R$ 285,1 milhões (2019).

No relatório da administração consta que a empresa atingiu receita bruta em 2019 de R$ 27,8 milhões, obtendo um crescimento de 1,59%, em relação ao ano anterior (R$ 27,4 milhões). Seu patrimônio líquido teve uma redução de R$ 262,6 milhões, em 2018, para R$ 77,8 milhões, em 2019. A razão é que a “reserva de lucros” (contas formadas pela destinação de lucros apurados e contabilmente realizados que não foram distribuídos aos sócios e acionistas como dividendos) enxugou de R$ 196,1 milhões,  em 2018, para R$ 11,3 milhões, em 2019. O balanço foi divulgado em 29 de maio passado.

O comando da companhia é da família Sirotsky, proprietária do Grupo RBS.  Até 18 de outubro de 2019, era Maiojama Participações Ltda, quando se transformou numa S/A. Em janeiro de 2020, a empresa de shoppings Iguatemi adquiriu 47% do capital da Maiojama Participações, que é dona de 14% no Shopping Iguatemi Porto Alegre, na torre Iguatemi Business anexa ao shopping e na Administradora Gaúcha, empresa responsável pela administração do complexo. O valor da aquisição foi de R$ 123 milhões, pagos à vista. Como resultado da operação, a Iguatemi passou a deter direta e indiretamente 42,58% dos ativos acima.

Na visão da XP Investimentos, apesar de se tratar de uma transação relativamente pequena em relação ao valor de mercado da Iguatemi, além de uma adição de menos de 5% da área bruta locável própria da empresa, está alinhada com o discurso da empresa de aumentar sua relevância nos ativos atuais e foi feita em um múltiplo atrativo.

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