As obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), foram retomadas nesta semana pela Petrobras. O empreendimento é considerado estratégico para ampliar a produção nacional de fertilizantes, fortalecer a segurança alimentar e reduzir a dependência externa do país, que importa aproximadamente 90% do que se utiliza. Em volume, essas compras ultrapassam a marca de 40 milhões de toneladas ao ano, vindas principalmente da Rússia, 25%, e China, 14%. As obras receberão investimento de mais de R$ 5 bilhões do Novo PAC.
Paralisada desde 2015, a UFN-III teve sua retomada confirmada pela Petrobras após nova reavaliação técnica e econômica que atestou a viabilidade do projeto e sua aderência ao Plano de Negócios 2026-2030 da companhia. “Pode ficar certo: esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizantes de outro país. É apenas esperar que a gente vai ver o que vai acontecer”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o anúncio da retomada.
Os causadores dessa dependência de importações de fertilizantes foram os governos Temer (2016/18) e Bolsonaro (2019/22), que desativaram, arrendaram ou venderam ativos inacabados, o que na prática significou a saída quase total da Petrobras do setor. Com o fechamento e arrendamento das unidades, o Brasil perdeu mais de 2 milhões de toneladas/ano de ureia e 1,4 milhão de toneladas/ano de amônia. Isso equivale a quase toda a produção nacional. Um impacto no agronegócio brasileiro.
Mais empregos
As obras devem gerar aproximadamente oito mil postos de trabalho diretos e indiretos, além de impulsionar a economia regional por meio da contratação de fornecedores e da movimentação dos setores de serviços, transporte, hospedagem, alimentação e comércio.
Em seu discurso, o presidente Lula afirmou que a produção nacional de fertilizantes é estratégica para fortalecer a soberania do país. “Estou orgulhoso porque ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz. Um país que é o segundo maior produtor de alimento do mundo, que tem tudo para ser o celeiro do mundo de verdade, porque pouco lugar do mundo tem condições de competitividade e de produtividade que nós temos, por que tanta irresponsabilidade de deixar uma fábrica dessa parada?”, questionou Lula.
A cerimônia marcou a mobilização do empreendimento e a assinatura dos principais contratos para a conclusão da planta, consolidando a retomada de um projeto 100% Petrobras. O presidente Lula defendeu a atuação da instituição em áreas que vão além da exploração de petróleo, como fertilizantes, indústria naval e transição energética. “A Petrobras é uma empresa que tem um papel fundamental na famosa transição energética que esse país está passando. É muito importante para o Brasil e para o mundo”, destacou.
Engenharia brasileira
A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a retomada da UFN III simboliza a reconstrução da capacidade produtiva e da engenharia brasileira. “Quando a gente fala em retomada da UFN III, o que estamos falando, dentre outras coisas, é que a gente acredita no Brasil, a gente acredita na Petrobras e a gente acredita na tecnologia e na engenharia brasileira”, disse.
Prevista para 2029, quando entrar em operação comercial, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de uréia granulada e 2.200 toneladas diárias de amônia, totalizando cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano — volume equivalente a aproximadamente 16% da demanda nacional pelo insumo.
A retomada da UFN-III integra uma estratégia mais ampla do Governo do Brasil e da Petrobras para reconstruir a capacidade nacional de produção de fertilizantes nitrogenados. A carteira de fertilizantes da Petrobras no Novo PAC reúne quatro unidades: Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) na Bahia e Sergipe, Araucária Nitrogenados (ANSA), localizada em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba e a UFN-III. Com a entrada em operação dessas plantas, a estatal projeta atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029.


