Mídias municipais serão relevantes nas eleições de 2020

Seminário do MDB | Reprodução

A   cientista social e política, fundadora do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, Elis Radmann, percebeu um fenômeno que começou em maio passado, com 90% dos gaúchos conectados nas redes sociais devido a pandemia do novo Coronavírus: o crescimento das mídias tradicionais dentro da plataforma digital. Entre os motivos, a quantidade de informação e as fake news.

Para Elis, especialista em pesquisar o comportamento da população, as pessoas elegeram os profissionais de jornais e rádios dos municípios. Passaram a acompanhar esses veículos para obter uma informação organizada e correta. “O tradicional se mescla dentro do digital e ganha nova vida.”

“Essa constatação é muito importante para os candidatos às eleições municipais de 2020”, observa Elis. Ela entende que não está correto ignorar os veículos tradicionais e focar no digital. “A rede social vai ter um grande papel, mas os candidatos devem manter um relacionamento com os jornalistas do município.”

Na primeira etapa do seminário online do MDB-RS Caminhos para seguir em frente, realizado na noite de quinta-feira, 13 de agosto, os cientistas políticos Elis Radmann e Fernando Schüler abordaram as mudanças sociais e econômicas causadas pela pandemia de Covid-19 e como elas impactarão as eleições municipais. Com a mediação do ex-senador José Fogaça, os especialistas reforçaram que os pré-candidatos devem estar atentos ao momento, especialmente no pós-pandemia, e saber se comunicar neste novo contexto.

Atualmente como coordenadora da pesquisa sobre a Covid-19 junto a Universidade Federal de Pelotas, Elis Radmann, afirma que o gaúcho não concorda com a dicotomia entre isolamento social e abertura da economia. Por isso, ela salienta que o candidato a prefeito ou vereador deve ter muita sensibilidade. Uma calibragem e não isolamento versus economia.

Prioridades do eleitor

As pesquisas mostram que o eleitor quer separar os problemas da cidade de um lado e os da pandemia de outro. Entre os problemas tradicionais estão a saúde, infraestrutura das cidades, segurança pública. Os planos de governo têm que dar conta deles.

As novas prioridades com a pandemia são dividida em dois momentos: primeiro como serão as ações dos eleitos até o final da pandemia. O eleitor quer que o candidato mostre o que vai fazer, se a prefeitura terá verba para comprar a vacina, quando ela estiver disponível.

Já no pós-Covid19 o problema é bem grande. O eleitor não quer ouvir o prefeito falando em atrair empresas, o politiquês da economia. Quer um olhar atento em segmento e subsegmento. Cidades turísticas, por exemplo, precisarão de soluções para a hotelaria, eventos. Cada nicho está sendo afetado muito severamente pela pandemia e quer soluções.  “Nunca tivemos tanto necessidade de mostrar caminhos para o eleitor. Seguir em frente é o grande anseio da população”, salienta Elis.

Descrédito na política

Segundo a falar no seminário online, o cientista político Fernando Schüler acredita que os partidos políticos precisam se preparar de forma diferente para esta eleição. Para ele, o descrédito da política é o grande tema da ciência política contemporânea. “Às vezes, cito o livro do Moisés Naím –  Fim do Poder. Basicamente a mensagem dele é que os indivíduos ganharam poder, enquanto na política se tornou mais fragmentado.”

Schüler citou também o cientista político alemão Yascha Mounk, formado em Harvard, que escreveu “O povo contra a democracia”, onde observa que as pessoas ganharam literalmente poder. “Há 30 anos, eram as instituições que detinham o poder. Nas campanhas das Diretas Já foram protagonistas junto com os partidos políticos. Hoje, quem lidera? As instituições perderam o protagonismo para milhares de redes digitais.”

Ele entende que houve uma disrupção com a democracia. Não sabemos bem que bicho vai dar. Qual o futuro da democracia? Democracia Liberal está em risco? Novas instituições devem ser pensadas, novas formas de participação?

Schüller lembra que hoje temos o iliberalismos, tentações autoritárias. Um conceito relativamente novo que apareceu como crítica a partidos e movimentos, com combate a democracia representativa por dentro. Disputam eleições segundo as regras do jogo e, no poder, atuam de modo a dinamitar as instituições.

Como montar um programa de governo numa situação como esta? A liderança tem que ser muito mais eficiente do que foi”, conforme ele. “O primeiro compromisso do partido político é oferecer políticos preparados, bons programas de governo, o que não é uma trivialidade.”

Segundo Shüller, vivemos uma era de novos populismos, muita instabilidade política e crescimento da polarização. O que isso reflete para os candidatos à prefeito e vereadores? “Eles irão lidar com um ambiente muito mais instável. Ser prefeito hoje é muito mais difícil do que em outros tempos. As pessoas têm muito mais acesso a informação, capacidade de atuar no meio político. O custo de produzir mudanças é maior e muita dificuldade para construir consensos.  Os impactos urbanos irão gerar muito mais discussão. Isso é bom, mas implica um novo tipo de desafio.”

Schüller entende que os candidatos do MDB que irão entrar numa campanha eleitoral devem pensar numa migração do welfare state para o estado agência. “Essa lógica não é nova. David Osborne e Ted Glaeber já escreviam sobre isso nos anos 1990, no livro ‘Reinventando o governo’. O Brasil tem legislação que permite essa lógica do governo navegar em vez de remar. O estado deve ser o centro de inteligência e trabalhar com processo de contratualização.”

A série de encontros segue nos dias 27 de agosto e 3 de setembro, às 19h, com outros especialistas para auxiliar dirigentes, militantes e pré-candidatos a pensar sobre a reconstrução dos municípios. Ao final do seminário, o objetivo é oferecer aos emedebistas base e argumentos para que seja possível “construir um discurso real, com lógica e conectado ao sentimento da sociedade”, como defende o presidente estadual do MDB, deputado Alceu Moreira.

A produção do evento híbrido foi da Storia. Para a diretora da Storia Eventos e Projetos, Beatriz Moraes, o MDB inovou fazendo um evento híbrido para se conectar e discutir novos caminhos com os candidatos que estão na linha de frente do partido. No estúdio atuou a jornalista Carla Garcia, assessora do MDB. A comunicação foi da Agência Moove.

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