PIB cai 11,4% e País entra em recessão

O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 11,4% no segundo trimestre de 2020, em relação a igual período de 2019. Comparado ao primeiro trimestre de 2020 a queda foi de 9,7%. Ambas as taxas foram as quedas mais intensas da série, iniciada em 1996 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o País entrou oficialmente em recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de recuo do nível de atividade. No 1º trimestre, o PIB já havia encolhido 2,5%, segundo números revisados pelo Instituto.

A Despesa de Consumo das Famílias teve contração de 13,5%, índice que representa a maior queda registrada na série histórica. Este foi o segundo resultado negativo desta comparação após 11 trimestres de avanço. O índice pode ser explicado pelo isolamento social no país, proibição de funcionamento de algumas atividades especialmente de serviços prestados às famílias, além queda da massa de salarial no país no segundo trimestre de 2020. “O consumo das famílias não caiu mais porque tivemos programas de apoio financeiro do governo. Isso injetou liquidez na economia”, destacou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Roque Palis.

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais
Principais resultados do PIB a preços de mercado do 2º Trimestre de 2019 ao 2º Trimestre de 2020 (%)
Taxas (%)2019.II2019.III2019.IV2020.I2020.II
Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior0,81,01,1-0,3-5,9
Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores1,11,01,10,9-2,2
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior1,11,21,7-0,3-11,4
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal)0,50,10,5-2,5-9,7

 Sem emprego disponível fica muito difícil evitar a queda no consumo das famílias. A taxa de desocupação do País no 2º trimestre de 2020 foi de 13,3%, aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao 1º trimestre de 2020 (12,2%). As maiores taxas ocorreram na Bahia (19,9%), Sergipe (19,8%) e Alagoas (17,8%) e as menores em Santa Catarina (6,9%), Pará (9,1%) e Rio Grande do Sul (9,4%).

Outro resultado ruim foi o da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – medida das contas nacionais do que se investe em máquinas, construção civil e pesquisa -, que recuou 15,2% no segundo trimestre de 2020, em relação ao mesmo período de 2019. A queda é justificada pelos resultados negativos registrados tanto na produção interna de bens de capital quanto na construção. A Despesa de Consumo do Governo teve queda de 8,6% em relação ao segundo trimestre de 2019.

O governador Flávio Dino (MA-PCdoB) lembrou em seu Twitter que o país tem R$ 1 trilhão de déficit, PIB desabando e desemprego gigantesco. E pergunta: Qual a política econômica? “Ninguém sabe. Nem Bolsonaro. E não adianta perguntar no posto Ipiranga.”

O ministro da Economia, Paulo Guedes, sempre otimista, afirmou que a queda do PIB no segundo trimestre já era esperada pelo mercado e pelo governo. Segundo ele, o resultado é “um som distante”, reflexo da pandemia do coronavírus e que a economia brasileira já está em recuperação em V.

A Indústria teve queda de 12,7%, a mais intensa da série histórica, nesta de comparação. A atividade Indústrias de Transformação teve o pior resultado (-20,0%), outro recorde negativo da série histórica, influenciado, principalmente, pelo recuo na fabricação de veículos; de outros produtos de transporte; de máquinas e equipamentos; e na indústria têxtil e de artigos de vestuário. O segundo recuo mais intenso veio da Construção (-11,1%), corroborada pela redução da ocupação e da produção de seus insumos.

Já Serviços caiu 11,2% em relação ao mesmo período de 2019, também a maior queda já registrada na série histórica. Os piores resultados foram em Outras atividades de serviços (-23,6%) e Transporte, armazenagem e correio (-20,8%) e Comércio (-14,1%). O agronegócio passou sem maiores problemas pela pandemia e teve alta de 0,4%, contribuindo para amenizar o tombo no 2º trimestre.

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