Durou 94 dias a promessa do presidente Jair Bolsonaro de governar sem a “velha politica”, o toma lá da cá que troca cargos e verbas por votos nos parlamentos. Em dificuldades para aprovar a reforma da Previdência, de que depende seu governo, o presidente fez o que os partidos tradicionais, os ninhos do toma lá da cá, queriam: sentou para conversar com os caciques.
O registro mais preciso da mudança foi feito por Bernardo Melo Franco no Globo:
“No dia em que lançou oficialmente a sua candidatura ao Planalto, Jair Bolsonaro atacou a aliança do PSDB com os partidos do centrão. “Quero agradecer ao Geraldo Alckmin por reunir a nata do que há de pior do Brasil ao seu lado”, disse.
Eleito presidente, ele continuou a desprezar as legendas que sempre estiveram no poder. Prometeu acabar com o “toma lá dá cá” e não trocar cargos e ministérios por apoio. Este discurso começou a ser abandonado ontem, no 94º dia do governo.
Numa maratona de quase 11 horas, Bolsonaro se reuniu com seis presidentes de partidos. Além de Alckmin, recebeu antigos desafetos como Ciro Nogueira e Gilberto Kassab, a quem já se referiu como “porcaria”. Foi uma rendição à “velha política” que ele prometia varrer de Brasília”.

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