Autor: da Redação

  • ALDO REBELO/A morte do mestiço brasileiro e a morte do negro norte-americano

    Aldo Rebelo

    Uma onda de indignação percorre os Estados Unidos e espalhou-se pelo Brasil em protesto pelo assassínio de um homem negro, George Floyd, em uma abordagem policial no estado de Minnesota.

    Floyd foi brutalmente morto por policiais diante de várias testemunhas, e é natural a indignação do mundo contra mais um crime no seio de uma sociedade marcada historicamente pelo racismo.

    Nos Estados Unidos o abismo que separa as raças não excluiu sequer o humanista Abraham Lincoln, presidente que conduziu o país na Guerra Civil que aboliu a escravidão, mas que achava que os negros não tinham lugar na América branca, e que teriam que aproveitar a liberdade e empreender a jornada de retorno à África.

    Aqui no Brasil a morte de Floyd alcançou ampla repercussão na mídia tradicional e entre os chamados movimentos sociais.

    O que espanta é que tal indignação não ocorra quando milhares de jovens mestiços brasileiros são vítimas da escalada da violência diante do silêncio constrangedor e cúmplice da mesma mídia e dos movimentos sociais tidos como progressistas.

    Uma ligeira busca na internet é suficiente para comprovar que antes de ser morto nas ruas do País, o mestiço brasileiro já está morto nas estatísticas, nas notícias da imprensa e nas manifestações das redes sociais das correntes identificadas com as lutas libertárias.

    O morticínio dos mestiços não desperta uma nota de pé de página da nossa mídia tradicional e nem uma singela manifestação de pesar ou um lamento dos grupos sociais progressistas. Aliás, a palavra mestiço foi banida da narrativa dos meios de comunicação e das organizações pretensamente avançadas da sociedade.

    Precocemente, o mestiço tornou-se arcaísmo banido do discurso contemporâneo e legado à literatura de um Guimarães Rosa com seus jagunços, de um Graciliano Ramos com seus sertanejos, ou à pintura de Portinari, com seus trabalhadores do café e Di Cavalcanti com suas mulatas.

    Esquecemos a mestiçagem de nossa psicologia herdada de nossas avós remotas, índias e negras, da nossa música, culinária, e do nosso português moldado no sotaque negro e no vocabulário pleno de expressões do Tupi para nossa fauna, flora e geografia.

    Abandonamos tudo isso para importar o modelo de sociedade biracial dos Estados Unidos. Não temos mais mestiços. Somos pretos ou brancos. Adotamos a regra de uma gota de sangue (One-drop-rule), base da classificação racial dos Estados Unidos, pela qual bastava um único ancestral de ascendência africana, ou uma gota de sangue para alguém ser considerado negro. Era o princípio que, segundo os supremacistas brancos, garantiria a “pureza” da raça branca.

    .A questão é que no Brasil a negação da mestiçagem fere mortalmente a identidade nacional brasileira e a imagem que projetamos das nossas origens, obrigando-nos a reinventar uma interpretação para nosso processo civilizatório que não existe fora do encontro do europeu, do índio e do negro desde o nascimento dos primeiros mamelucos.

    Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro e Euclides da Cunha viram no mestiço a essência da brasilidade, sem exclusão das minorias brancas e negras na formação da nacionalidade. Ao cunhar a expressão mestiço é que é bom, Darcy Ribeiro não menosprezava as qualidades de outros formadores étnicos da população nacional, mas, ao contrário, exaltava as virtudes de todos eles concentradas no mestiço.

    O genocídio sociológico, estatístico, jornalístico e político do mestiço brasileiro não pode ser o preço a ser pago para o justo e necessário protesto pela morte brutal de negros brasileiros ou norte-americanos.

    Aldo Rebelo

    Aldo Rebelo é jornalista, foi presidente da Câmara dos Deputados; ministro da Coordenação Política e Relações Institucionais; do Esporte; da Ciência e Tecnologia e Inovação e da Defesa nos governos Lula e Dilma.

     

  • Protestos chegam à Casa Branca: “Serão recebidos com cães cruéis”, ameaça Trump

    Protestos chegam à Casa Branca: “Serão recebidos com cães cruéis”, ameaça Trump

    Os Estados Unidos viveram na madrugada deste domingo a quinta noite de protestos que se ampliam pelo país, num movimento espontâneo que, os jornais já admitem, pode sair do controle.

    A questão racial, histórica, se mistura com a questão social presente: em dois meses a pandemia ceifou 20 milhões de empregos, elevando para 40 milhões o número de pessoas que dependem do seguro desemprego no país.

    “Manifestantes reúnem-se em todo o país em demonstração de raiva pela morte de um homem negro que morreu sob custódia policial”, foi uma das manchetes do conservador New York Times neste sábado.

    George Floyd foi preso por suspeita de tentar passar uma nota falsa de 20 dólares. Foi dominado, algemado, mas um dos policiais que o imobilizaram colocou o joelho em seu pescoço e apertou contra o chão até asfixiá-lo.

    As fotos e o vídeo feitos por pessoas que viram a cena chocou o país e levantou uma onda de protestos que começou na segunda-feira em Minneapolis, onde Floyd morreu, e se espalha por todo o país.

    Na sexta-feira, mais de mil pessoas marcharam até a Casa Branca.  Uma barreira de policiais com escudos e capacetes manteve os  manifestantes  à distância.

    Neste sábado, foram anunciados novos protestos tendo como alvo a sede do governo americano, em Whashington.

    Donald  Trump postou um aviso aos manifestantes: serão recebidos com “cães cruéis”  se tentarem escalar a cerca da Casa Branca.

    “O presidente dos EUA colocou o exército em alerta enquanto a raiva continuava a se espalhar pelo assassinato de George Floyd”, segundo  The Telegraph.

    Trump foi acusado de incitar a violência racial, quando em rede social insinuou que a polícia devia atirar nos manifestantes (“Quando começa o saque, começa o tiroteio”, postou ele no twitter).

    Os protestos neste sábado ocorreram em mais de 30 cidades dos EUA , “quando as pessoas saem às ruas com raiva devido às imagens de Floyd, um americano negro, sendo preso no chão pelo um pescoço por um policial branco”, como diz um despacho de The Telegraph.

  • Mourão: “Fake news é crime, não liberdade de expressão”

    Pela primeira vez desde a posse, o vice-presidente Hamilton Mourão deu declarações que contradizem o presidente Jair Bolsonaro.

    Na quinta de manhã, num discurso irado perante seus apoiadores na frente do Palácio do Planalto, Bolsonaro  fez críticas e ameaças ao Judiciário por causa da operação da Polícia Federal que, no dia anterior, fez buscas e apreensões na casa de diversos aliados seus, acusados de disseminarem notícias falsas pelas redes sociais.

    A operação faz parte de um inquérito em andamento no STF e segundo Bolsonaro foi um “atentado à liberdade de expressão, com a invasão das residências de pessoas honestas”.

    À tarde, repórteres questionaram Mourão sobre o episódio. Sem se referir diretamente às declarações do presidente, ele disse que “fake news é crime, não liberdade de expressão”.

     

     

     

  • Com 40 milhões de desempregados, EUA enfrentam agora onda de violência

    Com 40 milhões de desempregados, EUA enfrentam agora onda de violência

    Com mais de 100 mil mortes e 1,7 milhão de casos confirmados, a pandemia do coronavírus atinge em cheio também a economia norte-americana.

    Segundo o Departamento de Emprego, mais de 20 milhões de trabalhadores foram demitidos nos últimos dois meses, dobrando o número dos que buscam o seguro desemprego, o nível mais elevado no país em 70 anos.

    Nesse ambiente tenso, uma onda de violência explodiu e desafia as autoridades. E a reação do presidente Donald Trump pode agravar ainda mais a situação.

    “Quando o saque começa, o tiroteio começa.” A frase postada no twitter pelo presidente americano foi considerada uma incitação à violência policial e pode funcionar como um rastilho de pólvora na situação explosiva  que já atinge diversas cidades dos Estados Unidos, inclusive Nova York.

    Começou com a morte de um homem negro, George Floyd,  por um policial branco na segunda-feira em Minneapolis, cidade de 425 mil habitantes no estado de Minnesota, onde já foi decretado Estado de Emergência.

    http://www.youtube.com/watch?v=-g7IFyC17oM

    Em Minneapolis, uma cidade grande no Minnesota, já são três noites de violência, com protestos, saques e incêndios.

    Na noite desta quinta-feira, o prédio da polícia da cidade foi atacado e o governador do Estado, Tim Walz, pediu o auxílio da Guarda Nacional depois que as ruas de Minneapolis amanheceram com as chamas ainda vivas dos incêndios causados por manifestantes.

    A polícia usou balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar aqueles que saqueavam negócios e queimavam pontos na cidade.

    Walz disse em seu comunicado que apoia protestos pacíficos, mas que “infelizmente algumas pessoas se envolveram em atividades ilegais e perigosas” e que guardas e manifestantes “já foram feridos”.

    “Não quero que os protestos sejam apenas por espetáculo”, disse Tara Brown, prima de Floyd, no programa This Morning, da rede CBS. “Isso foi claramente um assassinato. Queremos ver [os policiais] presos, acusados, condenados”, acrescentou.

    Derek Chauvin, o policial branco que pressionou com o joelho o pescoço de Floyd durante vários minutos até deixá-lo inconsciente, e três outros policiais foram demitidos.

    Os protestos organizados por movimentos que defendem os direitos dos afro-americanos, como o Black Lives Matter, se espalhou para outras cidades como Nova York, Columbos, Ohio, Memphis e Los Angeles.

    Nesta última os manifestantes bloquearam uma estrada e quebraram janelas de algumas patrulhas policiais. Mas o maior grau de violência aconteceu nas ruas de Minneapolis, ao contrário da primeira noite, quando as pessoas saíram para protestar pacificamente.

    O governador de Minnesota, Tim Walz, classificou a situação de “extremamente perigosa”.

    O relatório policial explica que Floyd estava dentro de um carro quando foi preso e parecia drogado. Quando lhe ordenaram que saísse, “resistiu fisicamente”.

    Um vídeo de vigilância divulgado na quinta-feira mostra o primeiro contato entre os policiais e o falecido. Um agente o escolta algemado para fora do carro e Floyd se senta na calçada sem revelar indícios de resistir à prisão.

    “Não sou promotor, mas deixe-me ser claro: o policial que fez a prisão matou alguém”, disse o prefeito, que implorou à comunidade que mantivesse a paz e que a tragédia não gere mais tragédia. Também acrescentou que Floyd “estaria vivo hoje se fosse branco”.

    Nota da Redação: Foi corrigido o número da população de Minneapolis, que integra uma região metropolitana com 3,5 milhões de habitantes 

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • Caso Marielle: investigações continuam com a polícia do Rio

    Caso Marielle: investigações continuam com a polícia do Rio

    O Superior Tribunal de Justiça rejeitou o pedido de federalização das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

    O crime ocorreu em 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro.

    A decisão, por unanimidade, foi tomada nesta quarta-feira, 27.

    O pedido foi feito no ano passado pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

    Na ocasião, Raquel Dodge alegou que havia tentativas de obstrução das investigações que estão a cargo da Polícia Civil do Rio. Ela queria que o caso passasse à Justiça Federal.

    Desde o início, as familias de Marielle e de Anderson Gomes foram contra o transferência do caso para a Justiça Federal.

    A vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes foram mortos a tiros no Estácio, região central do Rio de Janeiro, quando o carro em que estavam foi atingido por diversos disparos. Quatro tiros acertaram a vereadora e três, o motorista.

    Dois suspeitos de serem os executores do crime estão presos.

     

  • Pais perdeu mais de 860 mil  empregos em abril

    Pais perdeu mais de 860 mil empregos em abril

    Foram divulgados na quarta-feira, 27, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, referentes a abril.

    O saldo é de 860.503  empregos a menos no país.

    Nos 30 dias de abril foram demitidos  1.459.099  trabalhadores, enquanto as admissões ficaram em 598.596.

    Houve um aumento de 17,2% nas demissões e uma queda de 56,7% nas admissões, na comparação com abril do ano passado.

    Em abril de 2019, foram 1.374.628  contratações e  1.245.071  demissões, com um saldo positivo de 129.601 mil postos de trabalho a mais.

    Os dados do Caged referem-se aos trabalhadores com carteira assinada.

    São Paulo teve o pior desempenho, com o fechamento de 260.902 vagas. Em seguida aparece Minas Gerais (-88.298), Rio de Janeiro (-83.626) e Rio Grande do Sul (-74.686).

    De janeiro a abril de 2020, houve 4.999.981 admissões e 5.763.213 demissões no país, resultando num acumulado de 763.232 fechadas nos quatro primeiros meses do ano.

    Um ano atrás, o mesmo período contou com 5.529.457 admissões e 5.215.622 demissões, com um saldo positivo de 313.835. Ou seja, as admissões caíram 9,6% e as demissões subiram 10,5% no intervalo de um ano.

    Na comparação mês a mês, o salário médio real de admissão no Brasil cresceu. Passou de R$ 1.496,92 em abril de 2019 para R$ 1.814,62 no mês passado.

    O Ministério da Economia estima que se não fosse o Programa Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda,  criado em fim de março,  mais de 8  milhões de trabalhadores já teriam perdido o emprego em consequência da pandemia.

    Na polêmica reunião de 22 de abril, na única menção que fez à crise  decorrente da pandemia, o presidente Bolsonaro estimou que ao final da crise “10 milhões de carteiras assinadas vão para o saco”.

     

  • França revoga decreto que autorizava o uso da cloroquina no tratamento da Covid

    França revoga decreto que autorizava o uso da cloroquina no tratamento da Covid

    O decreto que permitiu o uso da hidroxicloroquina no combate ao Covid-19 na França foi revogado, por um novo decreto publicado nesta quarta-feira, 27 de maio.

    A medida se baseia num parecer emitido no dia anterior pelo Conselho Superior de Saúde Pública (HCSP) e foi tomada pelo Ministro da Saúde, Olivier Véran.

    A suspensão é “para analisar as regras depreciativas para a prescrição de hidroxicloroquina na luta contra o Covid-19”.

    Essa opinião desfavorável foi acompanhada de uma recomendação com o mesmo efeito publicada terça-feira pela Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde (ANSM).

    O parecer do HCSP ocorreu após a publicação na revista científica The Lancet  de um estudo retrospectivo que demonstrou maior mortalidade em pacientes hospitalizados pelo Covid-19 e que receberam cloroquina e hidroxicloroquina, bem como arritmias cardíacas.

    O HCSP considerou que esses elementos, além de outros estudos disponíveis, dados de farmacovigilância e opiniões negativas de outras autoridades de saúde no exterior, justificaram “não usar hidroxicloroquina isoladamente ou em combinação com um macrólido,  para o tratamento de Covid-19 em pacientes, ambulatoriais ou hospitalizados, qualquer que seja o nível de gravidade ” .

    Em relação aos ensaios clínicos destinados a avaliar sua eficácia e segurança no uso contra o novo coronavírus, ele é da opinião “para reavaliar a relação benefício / risco desse medicamento em estudos atuais e futuros” .

    (Com informações do Le Monde)

  • Prorrogação do abono emergencial é certa; valor e prazo estão em discussão

    A proposta de ampliar o prazo do auxílio emergencial já entrou em discussão na Câmara Federal.

    Pelo menos dez projetos de lei sobre o tema já foram protocolados na Câmara, segundo o G1. Alguns ampliam o prazo de pagamento por mais três meses e outros propõem estender as parcelas até o fim deste ano.

    A previsão é de que seja votada em junho.

    A questão a ser decidida é o valor.  A intenção já manifestada pelo governo é de estender o benefício, mas em um valor inferior aos atuais R$ 600.

    O ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizou que o Executivo trabalha com valores entre R$ 200 e  R$ 300, o que indica um embate parlamentar, pois há uma tendência em todas as bancadas para manter o valor atual, de R$ 600.

    Entre os líderes partidários, discute-se a possibilidade de criar um grupo de trabalho, envolvendo Câmara, Senado e até o governo, para chegar a um consenso.

     

  • Dois terços dos brasileiros entre 9 e 17 anos ainda não têm acesso à internet

    Dois terços dos brasileiros entre 9 e 17 anos ainda não têm acesso à internet

    A expansão do ensino à distância, que tem sido a alternativa durante o periodo de confinamento por conta da pandemia, esbarra no aumento da desigualdade social no Brasil.

    Na faixa entre de 9 e 17 anos de idade, dois terços dos brasileiros ainda não tem acesso à internet, segundo uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic).

    Nas famílias cuja renda é de até um salário mínimo, 73% dos alunos dessa faixa etária não navegam na rede quando estão em casa. A partir de 3 salários mínimos, o índice é de 53%.

    O número é ainda maior na zona rural, onde 82% dos alunos não acessam a internet em ambientes privados.

    As pesquisas evidenciam também outras dificuldades:
    -casas sem espaço para estudar e sem saneamento básico;
    – falta de equipamentos como computadores e notebooks;
    – problemas na conexão à internet;
    – falta de formação dos professores para usar tecnologia na educação;
    – baixos índices de leitura.

    Além da falta de internet e de equipamentos, outros fatores dificultam o ensino remoto no país.

    Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, 17,3% das crianças de 0 a 14 anos moram em residências que não têm acesso à rede geral de abastecimento de água e 40,8%, em locais sem conexão com o sistema de esgoto.

    Nas casas em que não há internet, as condições de saneamento são ainda piores: 29,3% sem rede de água e 60%, sem a de esgoto.

    Outro problema é a condição das moradias. A pesquisa mostra que 15,1% das residências em que há adultos e crianças abrigam seis ou mais pessoas. Em 40%, há mais de três moradores por dormitório.

    O equipamento que está mais presente nas residências brasileiras é o televisor (96%). Mesmo entre os mais pobres, das classes D e E, 92% têm o aparelho – mas apenas 9% com canais pagos da TV fechada.

    Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2018, que avalia o uso de tecnologias de informação nos domicílios brasileiros, os computadores portáteis continuam concentrados nas famílias mais ricas: na classe A, 90% têm notebook e 49%, tablet.

    Nas camadas D e E, os índices não chegam a 5%.

    Considerando o recorte regional, no Norte, apenas 19% dos lares têm ao menos um notebook. No Sudeste, que aparece em primeiro lugar, o índice é de 33%.

    Ao mensurar o acesso apenas das crianças e jovens de 9 a 17 anos, a pesquisa mostra que 71% dos mais pobres que tem internet só acessam a rede pelo celular. Na classe AB, apenas 26% têm essa restrição, contando também com notebooks e computadores.

  • Ministério da Saúde contraria OMS e mantém orientação para uso da cloroquina

    Ministério da Saúde contraria OMS e mantém orientação para uso da cloroquina

    O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira que o governo federal vai manter as orientações para o uso da cloroquina no tratamento da Covid 19, apesar a decisão da Organização Mundial da Saúde, a OMS, que interrompeu testagens com a droga.

    Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, afirma que a pasta tem segurança com a orientação, e vem acompanhando estudos que estão sendo feitos no país.

    A OMS suspendeu temporariamente testes com o medicamento hidroxicloroquina em pacientes com o novo coronavírus.

    Quem comunicou a interrupção foi o diretor-geral do órgão, Tedros Adhanom, nessa segunda-feira. A medida se deu por questões de segurança dos pacientes, até que os dados sejam revisados.

    A organização já havia afirmado que as evidências clínicas não indicavam o uso do medicamento para a Covid-19 até que as pesquisas fossem concluídas. Mas que a decisão sobre a indicação do uso de qualquer medicamento, é de cada país.

    Na semana passada, o Ministério da Saúde publicou uma nova orientação para o uso da cloroquina, indicando inclusive para a fase inicial de sintomas da doença.

    A norma, entretanto, garante ao médico a sua indicação, além da necessidade de autorização de uso dos pacientes. Segundo a pasta, a orientação garante o acesso ao tratamento em todo país.

    Associações médicas brasileiras e o Conselho Nacional de Saúde também se posicionaram contra o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, alegando ausência de comprovação científica sobre a eficácia do medicamento.

    A posição do Ministério da Saúde segue orientação do presidente Jair Bolsonaro. Uma divergência sobre o uso do medicamento foi, segundo a imprensa, a causa da demissão do ministro Nelson Teich, que deixou o cargo depois de 28 dias.

    No dia 26 de março, em transmissão ao vivo pela internet, o presidente da República, Jair Bolsonaro, defendeu o uso da hidroxicloroquina e cloroquina no combate ao novo coronavírus (Covid-19).

    No pronunciamento, mesmo contrariando o que diz a bula do próprio medicamento, o governante afirmou que a cloroquina não tem efeitos colaterais.

    “Aplica logo, pô”, disse Bolsonaro. “Sabe quando esse remédio começou a ser produzido no Brasil? Ele começou a ser usado no Brasil quando eu nasci, em 1955. Medicado corretamente, não tem efeito colateral”, disse o presidente.

    Bolsonaro chegou a posar para a  CNN, mostrando embalagens do remédio.

    A bula do medicamento explica que o uso da substância apresenta efeitos colaterais comuns em muitos pacientes, como alteração dos batimentos cardíacos, cefaleia, irritação do trato gastrointestinal, distúrbios visuais e urticária, entre outras reações adversas. As orientações ainda explicam que doses diárias altas podem resultar em retinopatia e ototoxicidade irreversíveis.