O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, defendeu hoje (11), a participação do setor privado no sistema prisional brasileiro, afirmando que os investimentos oferecem uma oportunidade de lucro aos empresários.
Segundo o ministro, há a expectativa de atrair o setor privado para algumas das áreas ligadas à segurança pública, para contornar a falta de recursos do governo.
“Nós precisamos do investimento privado para várias iniciativas e passamos a identificar aqueles setores em que o investimento privado possa agregar. Para que isso seja possível é preciso conciliar o interesse do governo com o interesse do empresariado. O empresário não vai realizar o investimento se ele não tiver o retorno, se não tiver o lucro. Nós analisamos que isso é bastante possível”, disse no Fórum de Investimentos Brasil.
Como exemplo, Moro citou o Complexo Prisional de Chapecó, onde, segundo ele, empresas instalaram infraestrutura industrial para aproveitar a mão de obra dos detentos.
“Eu tive em visita há algum tempo atrás no Complexo Penitenciário de Chapecó, onde boa parte dos presos trabalham. Falei com vários desses empresários e eles foram muito francos e sinceros: ‘olha, nos sentimos orgulhosos de poder ajudar aqui os presos porque isso favorece a reabilitação, mas nós estamos também lucrando’”, disse o ministro.
Modelo
Para o ministro, também é interessante a forma como é dividida a remuneração recebida pelo preso por seu trabalho, que não é entregue integralmente a ele e à sua família. “Parte vai para ressarcimento da vítima, dos danos do crime, e parte vai para o próprio estado [de Santa Catarina], que criou um fundo que recebe esses valores que só podem ser usados para investimentos no próprio sistema carcerário”, explicou.
Na avaliação de Moro, a construção de presídios é um terreno “promissor” para parcerias público-privadas. Segundo o ministro, ainda está sendo construído um modelo, que definirá até que ponto as empresas poderão atuar na administração das unidades prisionais. “Apesar do controle das unidades pelo setor privado ser possível, alguma presença do Estado ainda é reclamável. Então, ter agentes penitenciários treinados para que possam lá exercer o papel de polícia, ainda que em um papel menor nesses presídios, mas para evitar maiores problemas”, ponderou.
Tortura
Ao comentar as denúncias de que integrantes da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária no Pará (Ftip) torturaram presos no Complexo Penitenciário de Americano, no município de Santa Izabel (PA) ministro disse que não existem indícios de tortura ou maus tratos feitos pelos membros da força tarefa. “No que foi até o momento verificado, não se constatou consistência desses relatos”, disse.
A intervenção foi realizada no complexo prisional, segundo Moro, para tirar a cadeia do controle de uma facção criminosa. “O que havia ali, era que aquele complexo penitenciário, de Santa Isabel, era controlado pelo Comando Vermelho”.
De acordo com Moro, o envio da Força Tarefa foi à pedido do governo estadual, para evitar novos episódios de violência como o massacre ocorrido em julho, em Altamira, no Pará, quando 57 pessoas foram mortas, sendo 16 com as cabeças cortadas. “Após haver aquele massacre de presos em Altamira, que agora algumas pessoas esqueceram – mais de 50 presos foram [mortos], inclusive parte decapitados – nós enviamos a Força de Intervenção Penitenciária do Depen – composta por agentes penitenciários federais e estaduais – para retomar o controle daqueles presídios. Impor lei e disciplina dentro das regras legais. Isso foi efetuado”.
(Com a Agencia Brasil)
Autor: da Redação
Especialista avalia que Brasil fora da OCDE foi maior derrota de Bolsonaro
O governo Jair Bolsonaro “colheu a sua maior derrota no terreno internacional” com a carta, divulgada na quinta-feira (10), em que o governo estadunidense recusa uma vaga para o Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A avaliação é do professor em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC Gilberto Maringoni.
“Foi muito maior do que qualquer constrangimento que o discurso na ONU tenha causado ou as negativas do Brasil em seguir a rota dos direitos humanos na Organização das Nações Unidas”, diz Maringoni.
Maringoni destaca que, desde o início do mandato, o Brasil vem tomando posições “que contrariam a tradição diplomática” para atender aos americanos.
Por exemplo ao criar atritos na América do Sul, especialmente com a Venezuela, um tipo de conflito que não ocorria pelo menos desde 1870 com a Guerra do Paraguai.
Ainda assim, a estratégia não foi correspondida, como aponta o documento encaminhado à OCDE pelo governo de Donald Trump que não faz nenhuma menção ou destaca qualquer apoio à candidatura do Brasil.
Segundo a Agência Bloomberg, a carta confirma a oposição do governo Trump à ampliação de vagas no órgão, que quer garantir o menor número possível de novos membros, e por isso teria reiterado no documento apenas o apoio à Argentina e Romênia. Assim, deixa de lado inclusive promessas feitas pelo próprio chefe de Estado ao presidente Bolsonaro.
O conteúdo repercutiu por toda a imprensa do mundo, o que levou o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, a declarar, pelo Twitter, que a “carta não representa de forma precisa a posição dos EUA em relação à ampliação da OCDE. Nós apoiamos de forma entusiasmada a entrada do Brasil nessa instituição”.
Pouco depois, o presidente Trump também veio a público endossar as promessas de apoio de seu secretário.
Mas, para Gilberto Maringoni, especialista em análise diplomática, as declarações vieram tarde e, ao soar como “desculpa”, confirmam apenas uma tratativa no âmbito das relações pessoais, não das relações internacionais. “Ontem a gente levou um tapa na cara, ruiu a lógica da política externa”, destaca Maringoni. “Por mais que Mike Pompeo venha tentar emendar a situação, dizendo que ‘nós vamos ver isso para frente, não é bem assim’, o fato aconteceu, o Brasil foi preterido no seu principal pleito, objetivo desde o início do governo.”
Para garantir a vaga do país na OCDE, o governo Bolsonaro ainda abriu mão de algumas das prerrogativas que o Brasil dispunha na Organização Mundial do Comércio (OMC), como o status de preferências tarifárias e tratamento especial nas negociações, sem ser correspondido pelo compromisso dos Estados Unidos.
O professor lembra ainda da concessão, unilateral de visto para a entrada de estadunidenses no território brasileiro. Ou ainda, da concessão da Base de Alcântara, no Maranhão, sem qualquer contrapartida financeira ou tecnológica.
Narcomilícias já controlam 180 comunidades na Baixada Fluminense
Um relatório do Ministério Público Estadual divulgado esta semana mapeia o fenômeno das narcomilícias no Rio de Janeiro e mostra como esse tipo de atividade criminosa muda seu perfil para seguir se expandindo.
As milícias surgiram há 20 anos, em comunidades controladas por facções do tráfico de drogas, na Zona Oeste do Rio.
Formadas por ex-policiais, com a bandeira do combate aos traficantes, as milícias cresceram com a aceitação das comunidades e a tolerância do Estado, implantando cobrança ilegal de serviços essenciais, taxas de segurança e outras formas de extorsão.
Rendosos negócios que se expandiram por toda a Baixada Fluminense e muitas delas, agora, estão se tornando “narcomilícias”, fazendo do tráfico de drogas mais uma fonte de renda.
O relatório dos promotores mostra que as narcomilícias já operam em 180 localidades na região metropolitana do Rio. Estão assumindo o tráfico de drogas, depois de expulsar os traficantes, ou se associando a eles para explorar o negócio.
As investigações revelaram que há locais arrendados a facções de traficantes e até franquia de “bocas de fumo”. Mais grave: as milícias estão elegendo representantes e obtendo poder político.
Além de presença nos 13 municípios da Baixada Fluminense, esses grupos controlam comunidades das zonas Norte e Oeste do Rio e de São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Rio Bonito.
A marca comum a todos é a violência desmedida. O relatório aponta execuções de moradores ou comerciantes que se recusaram a pagar as taxas cobradas. Alguns desses crimes foram praticados à luz do dia. Há também casos de estupros.
Somente este ano, o Ministério Público denunciou 285 pessoas por suposta participação em milícias ou narcomilícias. Já o Departamento de Homicídios prendeu 111 suspeitos desde janeiro.
Investigações do Departamento de Homicídio apontam o caso de uma milícia que tomou diversas áreas comandadas pelo tráfico de drogas da maior facção criminosa do estado.
Ao ver que a região era rentável para a venda de drogas, a milícia arrendou a localidade para uma outra facção criminosa. Essa prática teria acontecido na Favela da Coreia, em Senador Camará, e em Água Santa.
Na Baixada Fluminense foram identificados ao menos 20 grupos paramilitares — que não têm ligações entre si — que dominam todo o território. Quase 4 milhões de pessoas vivem sob o poder de narcomilicianos. Segundo investigadores, dezenas de PMs e outros agentes públicos fazem parte desses grupos.
Na Delegacia de Homicídios existem mais de 200 inquéritos, só de 2019, que apuram homicídios praticados por narcomilicianos. Só neste ano, a especializada prendeu 40 criminosos. Entre eles o vereador e ex-secretário de Defesa Civil de Queimados Davi Brasil Caetano (Avante).
De acordo com informações do delegado Moisés Santana, titular da DHBF, a milícia da Baixada tem explorado tudo que dê lucro e é “viciada em matar”:
“Toda a milícia que atua agora na Baixada explora o tráfico de drogas. Exceto a de Cabuçu, que é uma franquia do Wellington da Silva Braga, o Ecko. Fora isso, todos se juntaram a traficantes. Além disso, há uma disputa entre os próprios criminosos para conquistar mais territórios”.
O fenômeno das narcomilícias é dimensionado no Rio, mas não se limita à Baixada Fluminense, embora não haja um estudo abrangente sobre sua presença em outros estados. No centro de Porto Alegre, há um mês, a polícia prendeu integrantes de uma facção do tráfico usando métodos milicianos para extorquir comerciantes.
(Com informações do Extra, Globo e PC)
Abelhas sem ferrão em exposição no 5º Festimel
Uma oportunidade de conhecer os insetos que formam uma das sociedades mais organizadas e que produz um dos alimentos mais nutritivos e saudáveis. Assim é a exposição de Meliponicultura- as abelhas sem ferrão, que podem ser vistas nos pavilhões do 5º Festimel, a Feira do Mel e do Doce que acontece até o próximo domingo em Balneário Pinhal.
No local estão expostas as 24 espécies das abelhas nativas sem ferrão do Estado, a menor abelha do mundo, a plebeia wittmanni, as abelhas em extinção como Mandaçaia quatrifasciata e muitas outras.
E é possível ver de perto a colmeia, o trabalho das operárias, a extração do mel e degustá-lo.
Tudo isso sob o comando do apicultor Evald Gossler, um apaixonado pelo mundo encantado das abelhas, que explica cada etapa da produção de mel.
“Faço tudo isso pra mostrar para as pessoas a importância das abelhas e da polinização, pois se as abelhas forem totalmente extintas, em quatro anos não existirá mais vida na terra”, alerta o apicultor, informando que 80% de todos os alimentos que consumimos vem da polinização, desde frutas, verduras até cereais.
Aos 66 anos de idade, seu Evald conta que sua paixão pelo mundo das abelhas começou aos 4 anos, por influência de seu avô: “Eu me considero nascido dentro de uma colmeia”, diz.
É com esse clima de conhecimento que a exposição espera os visitantes, principalmente as crianças, que podem ver de perto e com segurança as rainhas da festa.
A apicultura será tema do seminário estadual que acontece de 10 a 12 de outubro na SAPP, av. General Osório, 1030. O evento, paralelo ao Festimel, também contará com o Concurso Estadual da Qualidade do Mel, oficinas e exposição de equipamentos apícolas.
"Muito provavelmente é da Venezuela", diz ministro sobre o óleo que atinge praias
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse hoje (9) que o óleo que vazou e que atinge diversas praias no litoral do Nordeste vem “muito provavelmente” da Venezuela. Ele citou estudo da Petrobras, ao participar de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.
“Esse petróleo que está vindo, muito provavelmente da Venezuela, como disse o estudo da Petrobras, é um petróleo que veio por um navio estrangeiro, ao que tudo indica, navegando próximo à costa brasileira, com derramamento acidental ou não, e que nós estamos tendo enorme dificuldade de conter”, disse.
Segundo o balanço mais recente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a mancha de óleo atingiu 138 localidades em 62 cidades de nove estados da Região Nordeste.
O ministro salientou a dificuldade em solucionar o problema, uma vez que a origem do vazamento é indeterminada e desconhecida.
Até esta segunda-feira (7), a Petrobras já havia recolhido 133 toneladas de resíduos. Segundo o Ibama, o material oleoso é petróleo cru e, desde o dia 2 de setembro, se espalhou pelo litoral de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Lula e Democracia, os temas que dominam o 13° Congresso Nacional da CUT
Um grupo local tocou chorinhos clássicos de Pixinguinha, Ernesto Nazareh, Chiquinha Gonzaga. O rapper Emicida exibiu seu clipe AmarElo, com a participação das cantoras Majur e Pablo Vitar.
Foram as atrações que prepararam a abertura formal do 13º Congresso Nacional da CUT, na noite de segunda-feira (7) na Praia Grande, em São Paulo.
O telão exibiu cartazes de todos os congressos cutistas, desde 1984, com A Internacional tocada em ritmo de rock.
Na hora do discurso, os temas centrais foram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as ameaças à democracia, não apenas no Brasil.
“Vamos brigar juntos contra o fascismo no Brasil e em cada país”, afirmou o secretário-geral adjunto da Confederação Sindical Internacional (CSI), Victor Baez. Antes dele, o secretário-geral da Confederação Sindical das Américas (CSA), Rafael Freire, disse que toda a região vê com “muita esperança” o congresso da CUT no enfrentamento da “onda ultraconservadora e fundamentalista”. “Somos nós que temos a responsabilidade de combater essa onda. Queremos juntar os partidos de esquerda para construir uma grande resistência nas Américas”, acrescentou.
A vice-presidenta da CUT, Carmen Foro, destacou que esta será um das principais preocupações da próxima gestão da central, que terá nova direção eleita na próxima quinta-feira (10). “Este congresso marca um novo processo, deve apontar a luta prioritária por democracia”, afirmou, quase ao encerramento do primeiro dia de debates, já depois das 23h. “A nossa missão política no próximo período é de carregar um projeto de desenvolvimento para o Brasil”, acrescentou, ao lado do atual presidente, Vagner Freitas, que ao final puxou um coro dos 2.100 delegados contra Jair Bolsonaro. Além deles, participam do congresso aproximadamente uma centena de convidados de 38 representações internacionais. Todos os países (ou regiões, caso da Galícia e do País Basco, na Espanha) foram apresentados individualmente.
Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, a unidade das centrais precisa continuar, como ocorreu no 1º de Maio deste ano. “A subtração do mandato constitucional da presidenta Dilma Rousseff abriu caminho para a implementação de uma agenda ultraliberal”, afirmou, falando em golpe contra a democracia. Mas ele vê também alguns sinais positivos. “A sinalização de vitória nas próximas eleições da Argentina, da Bolívia e do Uruguai serve como um aprendizado para nós, brasileiros”, disse Adilson.
Ao seu lado, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, defendeu Dilma (“Enfrentou a pior justiça que se pode enfrentar”) e afirmou que o movimento sindical tem a “obrigação” de se manter unido. “Em defesa da democracia, das instituições e do futuro das nossas famílias e dos nossos filhos.” Depois de pedir para que todos os delegados ficassem em pé e se dessem as mãos, reforçou o coro de “Lula livre”, entoado durante todo o dia.
Lula dá nome ao congresso da CUT. Barracas vendem vários objetos com a figura do ex-presidente. Logo na entrada do ginásio, uma grande faixa traz os dizeres “Lula livre, Moro mente”, citando o ex-juiz e atual ministro Sergio Moro. O petista escreveu carta aos delegados, lida por Fernando Haddad.
A discussão em torno de Lula provocou um único momento de vaias na plenária, ao ser anunciada a presença de um dirigente da CSP-Conlutas, Atenágoras Lopes. Em congresso recém realizado, a central refutou a campanha pela liberdade do ex-presidente. Também estavam na mesa o secretário-geral da UGT, Francisco Canindé Pegado, e o presidente da Nova Central em São Paulo, Luiz Gonçalves, o Luizinho, um participante da 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em 1981, além do secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio.
No próximo dia 17, as centrais se reúnem em São Paulo para discutir os próximos passos na campanha contra a “reforma” da Previdência, entre outros temas.
O diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Martin Hahn, fez uma breve saudação, assim como a vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Elida Elena, e o coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim.
Um dos coordenadores do Concut, o secretário-geral da central, Sérgio Nobre, disse que o evento “se dá em uma conjuntura extremamente difícil e desafiadora, mas é em momentos assim que a classe trabalhadora dá seus grandes saltos”.
(Com informações da RBA)
Equador: na capital sem governo, comunidades indígenas invadem Assembleia
Manifestantes derrubaram as cercas de segurança e invadiram a Assembleia Nacional no centro de Quito, capital do Equador, nesta terça-feira.
A atividade parlamentar havia sido suspensa na segunda-feira, depois das brigas que aconteceram nos arredores.
A ocupação durou poucas horas, os manifestantes foram expulsos pela polícia que usou bombas de gás lacrimogêneo, mas a agitação é incontrolável na capital
Na véspera, o presidente do Equador, Lenín Moreno, anunciou a transferência da sede do governo Quito para a cidade de Guayaquil – a 420 quilômetros da capital.
Na tarde de segunda, Lenín Moreno era aguardado para uma entrevista coletiva no Palácio de Carondelet, sede da presidência, quando o grupo de jornalistas foi orientado a abandonar o prédio.
Pouco depois, a televisão transmitiu uma declaração do Presidente rodeado pela cúpula militar a partir de Guayaquil, no sul do país, em que era anunciada a transferência da sede governamental.
“Me mudei para Guayaquil e mudei a sede do governo para esta cidade amada de acordo com os poderes constitucionais que me competem”, disse Moreno em cadeia de rádio e TV.
Moreno – que decretou o Estado de Exceção como medida de força para conseguir pôr em prática um pacote de medidas econômicas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) – diz que as mobilizações pelo país desde quinta-feira (3) “não são manifestações de descontentamento”, mas “atentados” à ordem democrática.
“Saques, vandalismo e violência mostram que há uma tentativa de quebrar a ordem democrática”, afirmou.
O pacote anunciado em 2 de outubro a pretexto de reaquecer a economia eliminou subsídios ao combustível (causando aumentos de mais de 120%) e reduziu os benefícios salariais a funcionários públicos contratados temporariamente.
“A eliminação dos subsídios aos combustíveis é histórica e retira bilhões de dólares das mãos dos contrabandistas. A decisão garante uma economia sólida”, afirmou o presidente.
Comunidades indígenas realizam protestos com enfrentamento pelo interior do país e milhares chegaram a Quito para engrossar os protestos..
Na chegada dos primeiros grupos de comunidades indígenas, a polícia utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os ativistas que se aproximavam da sede do governo. Vídeos postados em redes sociais mostram as ações das forças policiais e, em alguns casos, as tentativas dos manifestantes de enfrentar a repressão.
Nos últimos dias, protestos gigantesco têm ocupado estradas, lojas e fábricas. Há imagens de confrontos com a polícia distribuídas em redes sociais.
Em Quito, o presidente da Câmara decretou estado de emergência. Em Guayaquil foram bloqueadas pontes e acessos rodoviários.
Em seu pronunciamento, Moreno reafirmou que não irá recuar do corte ao subsídio aos combustíveis. “É essencial para que a nossa economia seja saudável”, justificou.
Moreno foi eleito em 2017, com apoio do ex-presidente Rafael Correa, do qual era vice, com a promessa de dar continuidade à Revolução Cidadã – como era chamado o processo de transformações de cunho progressista.
Logo depois da eleição, porém, adotou um discurso de ruptura e de adesão a políticas neoliberais. Aproximou-se dos Estados Unidos e passou a perseguir ex-integrantes do governo anterior, inclusive o ex-presidente Correa, que vive uma espécie de exílio na Bélgica.
Lenín Moreno atribui a Correa articulações para desestabilizar seu governo.
(Com RBA, Globo, El Pais, El Heraldo)
MInha Casa em Gravataí: prefeitura diz que Estado não cumpriu sua parte
A assessoria de imprensa do Palácio Piratini divulgou em manchete a entrega das primeiras 848 casas do conjunto residencia Breno Garcia, em Gravatai, na semana passada..
Trata-se do maior projeto do programa Minha Casa Minha Vida no sul do país, que está sendo entregue com cinco anos de atraso.
Diz a nota do Piratini:
“Com a presença do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e do secretário de Obras e Habitação, José Stédile, foram entregues as chaves para 848 famílias de um total de 1.012 unidades previstas na segunda fase do residencial Breno Garcia, em Gravataí. O governo do Estado, por meio da Secretaria de Obras e Habitação (SOP), investiu R$ 5 milhões no empreendimento, que também conta com aporte dos governos federal e municipal”. Foi omitido o prefeito de Gravataí, Marco Alba.

Segundo a assessoria, o secretário José Stédile destacou “a união entre Municipio, Estado e governo federal”.
Já a assessoria de imprensa da Prefeitura, na nota que divulgou, não só omitiu a presença do secretário Stédile, como acusou o governo do Estado de “não ter cumprido sua parte no empreendimento”.
Diz a nota da prefeitura:
“Com a presença do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, o governo federal, a Prefeitura e a Caixa Econômica Federal (CEF) entregam às 14h30 desta sexta-feira, 4, a segunda fase do Residencial Breno Garcia, na Estrada Arthur José Soares, o maior Minha Casa Minha Vida do sul do país, com um total de 2.025 unidades habitacionais”.
Em outro trecho:
” Além do prefeito Marco Alba, a solenidade contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, o vice-presidente de Habitação da Caixa, Jair Luiz Mahl, e do diretor da EmCasa Construtora, Carlos Tannus”.
Na nota do Palácio Piratini diz que o secretário Stédile ressaltou a importância da união entre Estado, Município, como fundamental para a conclusão do projeto. A nota da prefeitura não registra sequer a presença do secretário.
O conjunto vai abrigar familias que eram residentes em áreas de preservação permanente, alagadiças ou de leito viário situadas nos bairros Ambrozina, Caça e Pesca, Vila Imperial, Itatiaia, Jardim das Palmeiras, Padre Réus, Parque da Lagoa, Travessa Savana, Cegonheiros, Heineken, Xará, Vila Rica, Parque dos Anjos (ponte), além daquelas que estavam com aluguel social municipal ou estadual.
As casas têm 40,73 metros quadrados, divididos em dois dormitórios, banheiro, cozinha sala de estar e área de serviço externa.
“Governo do Estado foi o único a não cumprir com a sua parte”
“No que deveria ter sido uma parceria dos três entes no projeto de construção do Residencial Breno Garcia, envolvendo governo federal, governo estadual e Município, o Estado foi o único que não cumpriu com a sua parte. Deixou de construir ainda uma escola de ensino fundamental e médio, além de não ter feito o acesso asfáltico da ERS-030 até a entrada do loteamento nem a rótula de acesso na rodovia”, diz a nota da prefeitura de Gravatai..
(Com informações das Assessorias de Imprensa)
Africa que fala português será mais populosa que o Brasil até o final do século
Com cerca de 210 milhões de habitantes e a maior população entre os países-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Brasil é hoje, de longe, a nação com o maior número de falantes do idioma.
Mais de oito em cada 10 pessoas que falam português no mundo atualmente são brasileiros.
“No entanto, a partir de 2050, essa realidade começará a mudar e o crescimento demográfico de Angola e Moçambique, somado a uma redução da população no Brasil, puxará o pêndulo da língua portuguesa para o continente africano”.
A afirmação é do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, para quem, até o final deste século, a maioria dos falantes do português estará na África.
“Quando olho para os números e para os mapas, o que eu vejo é isso: há, neste momento, no mundo, mais de 250 milhões de falantes do português como língua materna ou segunda língua – quatro quintos dos quais são brasileiros. E, quando olho para o futuro, ao longo deste século, o que vai acontecer? O número de falantes vai chegar a 500 milhões e a maioria vai passar a ser de africanos”, afirma Santos Silva.
Ele chama a atenção para a grande plasticidade da língua, que “começou por ser europeia, a língua de Camões. Depois, passou a ser brasileira. A língua portuguesa hoje é, sobretudo, uma língua brasileira. É a língua do Chico Buarque ou da Clarice Lispector. E, ao longo deste século, vai passar a ser uma língua africana. Uma língua de angolanos, moçambicanos, a língua de Mia Couto, a língua do Luandino Vieira ou do Pepetela. É uma língua extremamente dinâmica.”
Em crescimento
Em entrevista recente na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o ministro português dos Negócios Estrangeiros disse que está otimista com a expansão do idioma lusitano. “A Unesco diz que é uma das três línguas do mundo que mais vai crescer e que mais está a crescer. Isso nos dá uma enorme responsabilidade,” afirmou.
Merece especial destaque na preservação e difusão da língua a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), integrada por Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Seis dos nove membros da CPLP são países africanos.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, “a partir dos três pilares da CPLP – a concertação político-diplomática, a cooperação em todos os domínios e a promoção e difusão da língua portuguesa –, surgem iniciativas concretas de cooperação e apoio em casos de crise e estreita coordenação dos nove países nos foros multilaterais”.
Instituto Guimarães Rosa
Dentro do espírito de difusão da língua, Araújo anunciou recentemente o lançamento de um instituto brasileiro para ensino do idioma, nos moldes do Instituto Camões, de Portugal. Trata-se do Instituto Guimarães Rosa, que homenageia o grande escritor e diplomata brasileiro.
“Estamos criando um novo instituto para promoção da cultura brasileira no exterior, que permitirá uma presença mais estruturada do Brasil na área da cooperação cultural e onde um destaque muito especial caberá à nossa cooperação com a África”, frisou Araújo, durante discurso em Brasília, em maio, por ocasião da celebração do Dia da África.
A iniciativa brasileira é celebrada pelo chanceler português Santos Silva, para quem o novo instituto “vai dar mais, digamos assim, artilharia, no sentido bom do termo, à promoção internacional da língua portuguesa”.
Além disso, o ministro português deu três exemplos recentes da expansão da língua portuguesa no mundo. “Primeiro, o sucesso que foi, este ano, o início de aulas de português na Escola de Línguas das Nações Unidas com patrocínio luso-brasileiro. Segundo, o fato de, neste mês de outubro, ser anunciada a primeira escola bilíngue em português e inglês em Londres. Terceiro, um protocolo que firmamos com a Universidade de Sevilha, na Espanha, para ensino da língua portuguesa e que já conta com 130 inscrições.”
Diásporas Lusófonas
Falado no Brasil, em Portugal, no Timor-Leste e em seis países africanos, o português tem ainda milhões de falantes em países como Estados Unidos, França e África do Sul, que concentram grandes diásporas lusófonas.
Segundo o Instituto Camões e o Instituto Português no Oriente, o interesse pelo aprendizado do idioma na China, principalmente na Região Administrativa Especial de Macau, tem aumentado.
O interesse do país asiático pela língua portuguesa está ligado ainda às relações comerciais da China com o Fórum Macau, uma plataforma de cooperação econômica com os países de língua portuguesa, que foi fundada em 2003.
Origens e expansão do idioma
O português foi desenvolvido a partir do latim e está intimamente relacionado ao espanhol moderno. O nome vem de Portugal que, por sua vez, vem do Porto, a segunda maior cidade do país.
A difusão internacional da língua lusa se deu a partir do século XV, com a expansão marítima do império português, que já se estendeu da América do Sul ao Sudeste Asiático, passando pela África e pela Índia. Atualmente, o português é língua oficial em nove países, assim como no território chinês de Macau.
Embora os rankings internacionais difiram, o português está hoje entre as 10 línguas mais faladas do mundo, variando entre a 6ª e a 9ª posição, a depender do enfoque adotado.
(Da Agência Brasil Com informações da ONU News)
Bolsonaro responde onde está Queiroz: "Tá com sua mãe"
Enquanto cumprimentava apoiadores no portão do Palácio da Alvorada na manhã deste sábado, o presidente Jair Bolsonaro rebateu com irritação a pergunta de um homem que estava no local sobre Fabrício Queiroz , ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro, que está sumido..
— Tá com a sua mãe — disse o presidente, que usava um capacete e se preparava para voltar a pilotar uma moto dentro das dependências do palácio.