Autor: da Redação

  • Polícia gaúcha investiga duas ameaças inspiradas no atentado de Suzano

    Por Tiago Lobo
    Dois casos aparentemente inspirados na tragédia de Suzano, em São Paulo, estão sendo investigados pelas autoridades policiais do RS.
    O ataque ocorrido na escola paulista Raul Brasil na quarta-feira, 13, deixou 10 mortos e 11 feridos, por dois jovens encapuzados que abriram fogo nas dependências da instituição.
    O primeiro caso foi mencionado no dia 19 de março, pela delegada Nadine Farias, chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em palestra na Associação Comercial de Porto Alegre. Ela revelou que um suspeito com características semelhantes aos jovens que praticaram o atentado em SP foi preso no interior do RS. Mas evitou dar mais detalhes: “Não informamos à imprensa para evitar pânico”, explicou.

    Delegada Nadine falou na ACPA nesta terça-feira

    O caso a que a delegada se referia ocorreu menos de um dia após o ataque em SP.
    Um jovem de 21 anos, residente de Santa Rosa, no noroeste do RS, publicou ameaças no seu Facebook, na noite do dia 14, onde dizia:
    “Pêsames aos mortos, mas parabéns aos heróis, sabem quem são? (…) São os dois garotos que praticaram tal ato (…) corram mais rápido que as minhas balas”.
    A postagem do jovem de Santa Rosa

    As ameaças em alusão à tragédia de Suzano geraram pavor entre os alunos do Centro Tecnológico Jorge Logemann, em Horizontina, cidade vizinha de Santa Rosa, com 20 mil habitantes, onde o rapaz estudou até o ano passado.
    Na manhã seguinte muitos alunos não foram à escola, o que levou a diretoria a registrar um Boletim de Ocorrência. No mesmo dia foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na casa do suspeito que resultaram na sua detenção, apreensão de anotações, touca ninja, bandana de caveira (como a utilizada em Suzano), um livro, HD e celulares.
    Detido e levado para prestar depoimento na delegacia de pronto atendimento de Santa Rosa, o jovem foi liberado e responderá por “apologia ao crime”.
    O vice diretor da escola, Wilson Hélio Hirt, disse ao JÁ que o jovem detido nunca apresentou sinais de violência enquanto era aluno. “Acho que não fez por maldade, foi ingenuidade”, afirmou.
    Ameaça assombra universidade
    Ameaça veio da Deep Web

    Às 21h20min do dia 13/03/2019, poucas horas após a tragédia paulista, outro jovem publicava mensagens de ódio e ameaças no Dogolachan, um fórum anônimo localizado na primeira camada da chamada Deep Web, uma região da internet que não está visível aos operadores de busca e necessita de um navegador específico para ser acessada.
    No post original o usuário sentencia:
    “(…) já ocorreu em creche, escola infantil, ensino médio. Quero ser o primeiro a fazer uma chacina numa universidade. Quem viver, verá, e quem morrer é escória.”
    No dia 18/03 mais uma mensagem anuncia o seu alvo:
    “Fiquem ligados nas notícias do Rio Grande do Sul até o final do mês irei gerar o maior lulz que esse país já presenciou (…)”
    Lulz, na linguagem dos frequentadores desse fórum é uma corruptela da gíria norte-americana lol (laughing out loud, ou “rindo alto”) que geralmente é utilizada para expressar alegria pelo sofrimento alheio.
    Outros usuários incentivaram autor das ameaças

    As mensagens que seguem são de usuários comemorando e incentivando o ataque para planejar o que este grupo chama de atcvm sanctvm. Uma ação terrorista para “rir do sofrimento da sociedade”.
    Um membro sugere o ato no Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), como seu “presente de aniversário“, e teoriza que a segurança  é “meramente patrimonial” e que o seguranças seriam assaltados por “negros”, visto que Brigada Militar não poderia entrar no local, o que não é verdade.
    Outro pede “mate as vadias das exatas no campus do vale”.
    Suspeita-se que Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, os atiradores da tragédia de Suzano, tenham sido frequentadores do mesmo fórum em que estas ameaças foram publicadas.
    As mensagens se disseminaram rapidamente pelo whatsapp e grupos de alunos no Facebook. No dia 20 a insegurança já havia tomado conta de estudantes e funcionários.
    Às 9h54min daquela quarta-feira um professor do Instituto de Matemática e Estatística da universidade, que pediu para não ser identificado na reportagem, disparou um comunicado interno para colegas explicando que apesar da inverossimilhança das “ameaças”, é necessária “atenção especial ao ambiente de trabalho (…) em relação à segurança”.
    Às 16h a reitoria estava em uma reunião a portas fechadas para tratar exclusivamente do caso e já havia acionado a ABIN, Polícia Federal, Polícia Civil e o setor de Inteligência da Brigada Militar.
    A Brigada Militar reforçou a segurança no Campus do Vale e segundo a assessoria de comunicação social da Polícia Federal “foi determinada a instauração de inquérito pela Delegacia de Defesa Institucional, unidade especializada na investigação desse tipo de delito. A área de inteligência da Polícia Federal está trabalhando integrada com a Secretaria de Segurança Pública do estado e com a Polícia Civil e Brigada Militar”.
    O JÁ segue acompanhando os desdobramentos do caso.
     
     

  • Em alerta pelo atentado de Suzano polícia prende suspeito no RS

    A polícia gaúcha prendeu um suspeito com características semelhantes aos jovens que praticaram o atentado em Suzano, onde dois jovens mataram oito pessoas a tiros dentro de uma escola estadual.
    O suspeito foi localizado pelo serviço de inteligência da Polícia Civil e em sua casa foram encontrados catálogos de armas e uma máscara semelhante à usada por um dos jovens que praticaram o atentado em Suzano.
    A informação foi passada pela delegada Nadine Farias, chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em palestra sobre segurança na Associação Comercial de Porto Alegre.
    A delegada evitou dar detalhes, nem mesmo revelar a cidade do interior onde o suspeito foi encontrado. “Não informamos à imprensa para evitar pânico”, disse ela. Ela não informou também se o suspeito continua preso.
    Nadine Farias é a primeira mulher a comandar a Polícia Civil gaúcha, em 177 anos da instituição.
    “Quebra de Paradigmas” foi o tema do bate-papo da reunião-almoço MenuPOA, nesta terça-feira, 19, promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre.
    Segundo ela, nos seus quase sete anos de atuação na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher percebeu uma violência silenciosa contra as mulheres. “Em 2005, quando não havia a Lei Maria da Penha – sancionada em 2006 para proteger a mulher da violência doméstica e familiar -, o agressor só assinava um termo circunstanciado de ocorrência e ia embora.”
    Para Nadine, a Lei Maria da Penha foi uma quebra de paradigma. “Fui atuar na Delegacia da Mulher para implantar essa lei.” Hoje são 22 postos em operação, que atendem cerca de 40 mulheres por dia e mais de mil ocorrências por mês. “A sociedade precisa fazer uma reflexão sobre isso”, acrescenta.
    Nadine tem uma posição polêmica em relação a construção de presídios.  Ela é contra a construção de um Presídio Federal em solo gaúcho. “Junto com o preso vem a família e a facção. Minha sugestão é que cada município tenha seu pequeno presídio e cuide de seu preso, mas temos que enfrentar esse preconceito.”
    A delegada entende que a polícia precisa investir em prevenção e não só repressão. Na Polícia Civil temos o “Papo de responsa”, programa com atuação junto às escolas de ensino fundamental, médio, sejam elas públicas ou privadas, na promoção de um diálogo descontraído sobre prevenção à violência e o papel do policial na sociedade, tendo como público alvo a interlocução com crianças, adolescentes e jovens. “A ideia é mostrar para o jovem que a polícia existe para proteger e não só punir.”
    Outro projeto da Polícia Civil é Galera do Bem. O aluno, líder de turma (escolhido pelos colegas) é habilitado para mediar conflitos na escola. Ele recebe uma camiseta que o identifica com o mediador e o tornará referência entre seus colegas na mediação dos conflitos escolares.
    Nadine lembrou a “teoria das janelas quebradas”, defendida pela primeira vez em 1982 pelos norte-americanos James Wilson e George Kelling.  A deterioração da paisagem urbana é lida como ausência dos poderes públicos, portanto enfraquece os controles impostos pela comunidade, aumenta a insegurança coletiva e convida à prática de crimes. “Temos que unir a sociedade, pois sozinha a Polícia Civil não vai resolver o problema da violência”.

  • Z Café apoia campanha por menino com doença rara

    A rede Z Café se engaja em uma campanha para arrecadação de fundos em prol do menino Antonio Canuso da Conceição, portador de AME (Atrofia Muscular Espinhal), uma síndrome rara que causa a perda dos movimentos e problemas no sistema respiratório.
    Durante uma semana, a partir da quarta-feira (20), os clientes que comprarem a caneca produzida especialmente para ação , no valor de R$ 35, não precisarão pagar pelo café expresso. A promoção é válida para todas as unidades da cafeteria.
    De acordo com Sandro Zanette, sócio da rede Z Café, a iniciativa busca fazer com que Antonio consiga arrecadar o quanto antes o valor necessário para a aquisição de um remédio capaz de paralisar o avanço da doença. “Este é um papel social que iremos realizar. Queremos fazer a nossa parte neste desafio, assim como buscamos conscientizar que mais pessoas ajudem”, ressalta.
    Antônio nasceu em 20 de maio de 2018 sem sinais da doença. Com o passar dos dias, começou a não responder a determinados estímulos o que levou os pais a procurarem um especialista. Os exames apontaram que ele é portador de AME (Atrofia Muscular Espinhal), uma doença fatal, mas que pode ser controlada por meio de uma medicação importada chamada Spinraza.
    O custo da dose da medicação é de R$ 364.565,98, sendo que para o tratamento anual, o menino necessita arrecadar R$ 2.187.395,88. Além de um campanha nas redes socias e abertura de contas para depósito, a campanha chegou a empresas como o Z Café.
    (Com informações da Assessoria)

  • Imperadores, campeã: "Tiramos do lixo o luxo que se viu na avenida"

    Mesmo abandonado pelo poder público, o carnaval de Porto Alegre resiste.
    Com recursos próprios, 15 escolas desfilaram no Porto Seco no fim de semana.
    A Imperadores do Samba foi a grande campeã entre as agremiações da Série Ouro, conquistando 139,8 pontos.
    A Estado Maior da Restinga ficou com segundo lugar, com 139,4 pontos, e o Império da Zona Norte, com 132,2 pontos, com a terceira posição.
    Sem arquibancadas, com cortes de luz e sem troféus, o prêmio dos vencedores foi a vibração e o choro dos milhares de participantes sob os aplausos do povão.
    O presidente da Imperadores, Érico Leoni, desabafou:
    ” Isso é a força da Imperadores. Não tínhamos recursos e fizemos do lixo o luxo que se viu na avenida”.
    O enredo comemorou os 60 anos da escola, fundada em 1959.  Cristiano Oliveira, diretor de Harmonia explicou:
    “Fizemos um passeio pela historiografia falando de nossas origens cravadas na África, já que nossa escola é oriunda do Areal da Baronesa, bairro com forte presença da população negra, e chegamos até os dias de hoje com a influência também da cultura gaudéria”.
    No desfile vitorioso, foram impressionantes os dois momentos em que a bateria parou e o público cantou o samba enredo à capela. 
    ” Agora só ficou no Carnaval só quem é apaixonado por essa festa. Eu tenho a Imperadores na veia”, disse Oliveira..
    Para o diretor-financeiro da União das Entidades Carnavalescas do Grupo de Acesso de Porto Alegre (Uecgapa), Rodrigo Costa, a lição que se tira deste Carnaval é de que o povo consegue fazer sua própria festa quando quer:
    – Quando se arregaça as mangas, dá certo. E mesmo em março, fora de época, as pessoas compareceram. Foi um Carnaval da comunidade. Vamos para 2020 com fôlego imenso.
  • Marielle traz uma novidade muito grande, diz sociólogo

    Entrevista a Eduardo Maretti, da RBA
    Para Laymert Garcia dos Santos, a morte de Marielle provocou um despertar, revelado pela grande repercussão no 14 de março: “as pessoas começaram a se tocar de que não podiam mais tolerar o intolerável”
    A enorme propagação de manifestações e atos políticos no Brasil e no mundo, na data em que se completou um ano do assassinato da Marielle Franco (na quinta-feira,14), se deu por características muito especiais da luta da vereadora do Psol no Rio de Janeiro. Na opinião do sociólogo Laymert Garcia dos Santos, há “uma novidade muito grande no que Marielle encarna”.
    A novidade é algo que as pessoas e militâncias, no Brasil e no exterior, começam só agora a entender, como que intuitivamente: o significado de Marielle é que ela representa todas as lutas.
    “Ela representa a luta de gênero, a luta de classe, a luta de raça e por direitos humanos. E ela faz isso de uma maneira muito própria, que vai além de militância, porque, ao mesmo tempo em que são opções políticas que ela fez, ela encarna isso, cada uma dessas facetas, no próprio modo de existência dela”, diz Laymert.
    É paradoxal que o Brasil tenha precisado da morte de Marielle para que houvesse uma reação como a vista no dia 14. “É paradoxal porque indica, de certa maneira, a letargia e o atraso da consciência no Brasil.”
    Quando o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que “ninguém conhecia quem era Marielle antes de ela ser assassinada”, ele tentou reduzi-la a uma dimensão mínima. “Para ele, Marielle era uma líder comunitária de merda, e ‘matável‘ por milicianos. Matável no sentido que Giorgio Agamben fala: uma vida nua que pode ser ‘matada‘ sem consequência”.
    Mas, como mostra a realidade, o filho do presidente da República se enganou, as consequências são reais e a reação, impressionante. “E a tendência é só crescer. A luta dela, em vez de acabar com a morte, se multiplicou.”
    Qual o significado da repercussão do aniversário da morte de Marielle Franco no Brasil e no mundo?
    Marielle traz uma novidade muito grande no que ela encarna: ela representa a luta de gênero, a luta de classe, a luta de raça e por direitos humanos. E ela faz isso de uma maneira muito própria, que vai muito além de militância, porque, ao mesmo tempo em que são opções políticas que ela fez, ela encarna isso, cada uma dessas facetas, no próprio modo de existência dela. Acho que foi por isso que comoveu de maneira tão forte, com a sua morte, não só no Brasil. Mesmo quem não a conhecia, quando conheceu quem ela era, de uma maneira ou de outra, foi tocado por alguma faceta dessas lutas. E essa faceta contamina as outras facetas de luta. Ela é uma espécie de emblema da sinergia dessas lutas. Por isso teve um alcance internacional tão forte, que só tende a crescer.
    Mesmo assim, essa reverberação mundial não é surpreendente?
    É completamente surpreendente, tanto mais porque não se conhecia a luta dela internacionalmente. Quando as pessoas ficam conhecendo o que ela encarna, o que encarnava, o que era ela com a luta dela, entendem que extrapola o Brasil, que a luta é muito maior do que uma luta só no Brasil. Ela (e sua luta) é totalmente brasileira, mas é internacional ao mesmo tempo. A repercussão foi enorme por causa desse amálgama. Ela é um emblema, e um emblema de que isso é possível. É um emblema de que é possível essa sinergia de lutas, num modo de vida, num modo de existência.
    O contraponto disso é quando Eduardo Bolsonaro, recentemente, falou que “ninguém conhecia quem era Marielle antes de ela ser assassinada”, tentando reduzi-la a uma dimensão mínima, como se dissesse que “ela ficou conhecida porque deram mídia para ela”. Ele mostra a incompreensão da dimensão do que é isso que estou falando. Porque, para ele, Marielle era uma líder comunitária de merda, e “matável”. Matável por milicianos, no sentido que Giorgio Agamben fala: uma vida nua que pode ser “matada” sem consequência.
    E acontece que, justamente pelo modo como ela encarnava todas essas lutas, essa vida que era “matável” se tornou um emblema da sinergia de lutas e ganhou essa dimensão. E a tendência é só crescer. A luta dela, em vez de acabar com a morte, se multiplicou.
    Não é paradoxal que o Brasil, depois de todo o processo pelo qual passou de 2015 e 16 para cá, tenha precisado de uma morte como a dela para que houvesse uma reação desse nível?
    É paradoxal porque indica, de certa maneira, a letargia e o atraso da consciência no Brasil. O atraso e a maneira como se concebe tudo isso fragmentado, como opções políticas apenas, e não como modos de existência. E, como opções fragmentadas, ou você briga por classe, ou por raça, ou você briga no feminismo, ou por gênero LGBT etc. E não se entende que tem uma ligação profunda entre todas essas lutas. Foi preciso que alguém encarnasse isso para as pessoas começarem a se tocar.
    Segundo o jornal The New York Times, o assassinato de Marielle acabou por provocar uma “urgência de vida ou morte nos movimentos de direitos que ela adotou”. Isso tem a ver com sua análise?
    Acho que tem, sim, no sentido de ter um despertar. Porque o limite foi ultrapassado, mas o limite que foi ultrapassado foi o limite do intolerável. Enquanto essas lutas estavam todas divididas em caixas, o limite do intolerável não tinha sido ultrapassado. Com a morte dela, as pessoas começaram a se tocar de que não podiam mais tolerar o intolerável.
    A morte mostrou como a extrema-direita reagiu, comemorando uma execução, e por outro lado despertou esse sentimento de se ter ultrapassado o limite. Mas é porque era essa figura que era emblemática, e as pessoas nem sabiam que existia isso, esse feixe de lutas que podia ser exercido dessa maneira. Você vê que passou um ano e só cresceu, de lá para cá, a coisa toda de Marielle.
    A repercussão internacional ajudou a chegar aos suspeitos?
    Acho que a pressão internacional foi forte e vai aumentar. Uma representante da ONU (Birgit Gerstenberg, representante para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos) já indicou isso, que é preciso encontrar os mandantes. Essa historinha de que só apontar os executores satisfaz… Não satisfez e não vai satisfazer. A pressão só vai aumentar. E essa versão que tentaram apresentar, de que foi um crime de ódio e ponto, não colou. É importante a pressão internacional, não só porque mostra o efeito no mundo desse processo, mas porque reforça também internamente essa repercussão.
    Acha que vai se chegar aos mandantes?
    Eu acho que precisa chegar aos mandantes. Porque enquanto não se chegar a eles essa história não terminou. A pressão precisa ser muito forte para se chegar aos mandantes, sejam eles quem forem.
  • Olavo diz que generais querem restaurar 64 e usam Bolsonaro como "camisinha"

    Em entrevista ao Valor, no sábado à noite, em Washington, o guru da familia Bolsonaro , o filósofo Olavo de Carvalho repetiu sua avaliação, de que o presidente está de mãos amarradas por militares próximos com “mentalidade golpista”.
    Advertiu sobre a necessidade de uma mudança de rumo para o governo não acabar daqui a seis meses. Ele chamou esses militares, que vê associados à mídia oposicionista, como um “bando de cagões”.

    – Se tudo continuar como está, já está mal. Não precisa mudar nada para ficar mal. É só continuar assim. Mais seis meses, acabou – disse.
    Para ele, Bolsonaro é um grande homem, mas está sozinho e cercado por traidores fardados. “Ele não escolheu 200 generais. Foram 200 generais que o escolheram. Esse pessoal quer restaurar o regime de 1964, sob um aspecto democrático.,Eles estão govern\ando usando o Bolsonaro como camisinha”
    Olavo fez menção especificamente ao vice-presidente Hamilton Mourão.
    – Não digo que seja realidade, mas o que eles querem. O Mourão disse isso. Que voltaram ao poder pela via democrática – disse.
    Então, reforçou o ataque:
    – “Se não é um golpe, é uma mentalidade golpista.
    Olavo fez esses comentários à saída de uma sessão do filme “Jardim das Aflições”, sobre suas ideias, em evento organizado pelo estrategista americano Steve Bannon e pelo executivo do mercado financeiro Gerald Brant. Foi uma tentativa, segundo Bannon, de apresentar o pensamento de Olavo para fora da comunidade brasileira.
    Questionado se falará sobre isso com Bolsonaro no jantar deste domingo à noite com expoentes da direita americana, na residência do embaixador brasileiro em Washington, Olavo disse que esse não é o ambiente adequado.

    O filósofo comentou ainda a crise no Ministério da Educação e fez questão de mostrar distanciamento dos episódios envolvendo o ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Ele afirmou ter tido apenas duas conversas até agora com Vélez.
    – Uma para cumprimentá-lo e outra para mandá-lo enfiar o ministério no cu.
    Olavo reiterou que não se vê como guru do governo Bolsonaro e atacou a mídia.
    – O sonho dos jornalistas é exercer influência no governo. Acham que eu sou igual a eles? Isso é muito vil, é muito miserável para um homem como eu.
    De acordo com ele, suas pretensões são maiores.
    – Eu quero mudar o destino da cultura brasileira por décadas ou séculos à frente. Estou tentando formar uma geração de intelectuais sérios, que vão formar outras gerações de intelectuais sérios. Eu sou Olavo de Carvalho, sou escritor, não preciso de governo, de cargos no governo.
    * Do Valor Econômico

  • Fiergs orienta sindicatos patronais sobre negociações coletivas

    Dia 25 de março, com uma “ampla programação voltada a orientar representantes de sindicatos industriais” ocorre o Seminário de Negociações Coletivas 2019.
    Começa às 13h, na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS).
    A realização é da FIERGS, por meio dos Conselhos de Relações do Trabalho (Contrab) e de Articulação Sindical e Empresarial (Conase) da entidade.
    As principais cláusulas normativas para as negociações coletivas, contribuição negocial e projeções econômicas são alguns dos temas a serem debatidos durante o evento, que tratará também da atuação do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região na mediação e julgamentos de dissídios coletivos após a vigência da Lei nº 13.467/2017, da Modernização Trabalhista.
    A inscrição é gratuita e as vagas são limitadas.
    (Com informações da assessoria)

  • "Marielle Franco se tornou um grito de guerra num Brasil polarizado"

    Reportagem do The New York Times sobre as manifestações do 14 de março.

     A questão paira sobre a cidade: “Quem matou Marielle Franco?”

    É criada em grafite em praticamente todos os bairros, estampada em camisetas e escrita em faixas exibidas desafiadoramente em manifestações de massa.

    Esta semana, poucos dias antes do aniversário de sua execução, os promotores deram uma resposta parcial, acusando dois ex-policiais de realizar a matança. As principais questões do caso – incluindo quem ordenou o assassinato e por quê – permanecem sem resposta.

    Um ano depois de sua execução, o pedido por justiça para Franco – uma vereadora negra, homossexual e feminista do Rio de Janeiro que foi criada pobre – se transformou em um grito de guerra em uma nação profundamente polarizada para aqueles que se sentiam representados por ela.

    Seu nome e sua imagem se tornaram uma antítese das forças políticas dominantes no Brasil, enquanto o presidente de direita, Jair Bolsonaro, assume o cargo.

    Bolsonaro, ex-pára-quedista conhecido por fazer comentários ofensivos sobre mulheres, negros e gays, fez campanha prometendo melhorar a segurança com medidas que incluem a facilitação para obter porte de armas e facilitar a morte de suspeitos pela polícia.
    Um dos suspeitos do assassinato de Franco, Élcio Vieira de Queiroz, postou uma foto em sua página no Facebook, na qual ele aparece em um abraço amigável com o presidente Jair Bolsonaro.
    Mas os críticos temem que suas políticas possam piorar os aspectos da violência no Brasil, que inclui um número impressionante de pessoas mortas pela polícia, uma taxa de assassinatos de mulheres que os especialistas classificam como alarmante e uma segmentação sistemática de gays e transexuais.

    O assassinato de Marielle Franco – que representou muitos desses grupos que agora se sentem ameaçados – chocou e dividiu o Brasil. Mas também injetou uma sensação de urgência de vida ou morte nos movimentos de direitos que ela adotou.

    Também ajudou a impulsionar as carreiras políticas das mulheres negras, incluindo três que agora se sentam na Câmara onde Marielle, até sua morte, ficou sozinha.

    “Marielle ainda representa, mesmo que apenas na memória, uma ameaça ao status quo”, disse Renata da Silva Souza, ex-chefe de gabinete, que foi uma das mulheres negras eleitas para a Câmara Municipal no ano passado.

    “Ela encarna as pessoas que podem ser mortas” no Brasil com impunidade, disse Souza.

    Marielle Franco morreu no ano passado na noite de 14 de março no Rio de Janeiro, quando um atirador disparou várias balas no carro em que ela estava após sair de um evento de trabalho.

    Ela foi morta instantaneamente. Assim como o motorista, Anderson Gomes.

    Em poucos dias, Franco, 38 anos, uma estrela política ascendente de um partido socialista que tinha pouco reconhecimento de nome fora dos círculos políticos em sua cidade natal, tornou-se um símbolo global de resistência à crescente maré conservadora. O que tornou a matança particularmente chocante para muitos brasileiros foi o quão raro fenômeno ela era.

    Nascida e criada na favela da Maré, um distrito de baixa renda no norte do Rio de Janeiro, Franco se tornou uma crítica à brutalidade policial e à negligência do governo em áreas pobres de sua cidade enquanto cursava mestrado em políticas públicas.

    Ela então trabalhou por uma década na equipe de um vereador, ajudando-o a investigar milícias, grupos paramilitares altamente armados formados por ex-militares e policiais ativos, antes de montar uma candidatura bem-sucedida para seu próprio assento em 2016.

    O auditório estava repleto de bandeiras do orgulho gay e gritos de alegria quando Franco fez seu discurso de posse em fevereiro de 2017, parecendo ao mesmo tempo radiante e um pouco surpresa com a atenção.

    Ser negra, manter fortes laços com a favela onde foi criada e ser aberta em relação ao mesmo sexo fez com que Franco fosse única na política brasileira – e um modelo para as pessoas que não se vêem representadas em um sistema dominado por homens brancos.

    “Ela foi uma inspiração”, disse Dani Monteiro, outra vereadora negra eleita após a morte de Franco. “De repente você não está mais invisível em um espaço onde sempre fomos invisíveis.”

    Ao longo de sua vida, Dani Monteiro disse que se sentia cercada por pessoas brancas e de pele mais clara que instintivamente relegavam pessoas como ela ao segundo plano.

    “As pessoas negras são úteis para servir café ou limpar o chão”, disse ela, descrevendo a sensação de exclusão que era uma constante em sua vida. “Se eles não fizerem isso, eles são criminosos.”

    Durante seu mandato na Câmara, Franco condenou a decisão do governo federal de fazer a intervenção militar na Segurança no Estado e continuou a lutar contra a brutalidade policial e a presença de milícias no Rio.

    Mas colegas e colegas ativistas dizem que não viram sinais de que seu trabalho político a colocasse em risco iminente.

    Enquanto o choque sobre a morte diminuía, investigadores e aliados de Franco começaram a suspeitar que o crime havia sido realizado por milicianos.

    “Milícias no Rio de Janeiro constituem hoje uma importante estrutura de poder com tentáculos em diferentes esferas de poder”, disse Pedro Strozenberg, ouvidor do Conselho Superior da Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

    Bolsonaro e seus filhos, que também são políticos, mantiveram-se em silêncio sobre o crime, o mais chocante assassinato político no Brasil em anos. Mônica Benício, companheira sobrevivente de Franco, disse que isso era preocupante, mas não surpreendente.

    Seu silêncio, ela disse, é uma parte fundamental de um acerto de contas para o Brasil que é necessário, embora doloroso.

    “Durante anos, vendemos uma imagem de cartão-postal do paraíso, o país do carnaval, de pessoas felizes e cordiais”, disse Benício. “A execução de Marielle e a eleição do atual presidente revelaram ao mundo que somos racistas, que somos sexistas, misóginos, homofóbicos”.

    “Precisamos começar a lidar com isso”, disse ela. “Precisamos começar a desconstruir um sistema político que sempre foi dominado por homens brancos”.

    Bolsonaro e seus filhos estão sob investigação sobre suas perspectivas e laços com as milíciasNo passado, o presidente defendeu as milícias como uma forma de impor uma ordem paralela mas de punho de ferro. Recentemente, no ano passado, ele disse em entrevista a uma rádio brasileira que as áreas controladas por esses grupos paramilitares “não têm violência”.

  • O grito ecoa nas ruas: "Quem mandou matar Marielle?"

    A avenida Borges de Medeiros, no centro histórico de Porto Alegre, tornou-se rua Marielle Franco no anoitecer desta quinta-feira, 14 de março.
    As palavras de ordem ecoaram pelos arcos do viaduto: “Quem mandou matar Marielle?”.
    No ato que marcou um ano do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes,  milhares de militantes de  todas as idades e tendências diversas juntaram-se cidadãos sem bandeiras partidárias. Não foram ouvidas buzinas em protesto ao interrompimento do trânsito, e uma viatura da polícia militar seguiu o cortejo em silêncio.
    A imagem do rosto de Marielle passou pela avenida como um estandarte.
    Manifestações exigindo esclarecimentos e justiça ocorreram em todo o país e em diversas cidades do mundo.
    “Os que mataram não imaginavam que as sementes de Marielle ocupariam as ruas quantas vezes fossem necessárias até conseguirmos justiça”, discursou em Porto Alegre a deputada federal Fernanda Melchionna, do Psol, mesmo partido de Marielle.

    Atos e eventos clamando pela vida, pela democracia e pela justiça, se alastraram por várias cidades do Brasil e do mundo. Os eventos acontecem não apenas na data do crime, mas se estendem até a semana que vem, em várias cidades do planeta.
    Confira agenda de atos por Marielle no Brasil e no mundo.
    Praça Luís de Camões, em Lisboa

    Em cidades como Lisboa, Buenos Aires, Berlim, Amsterdã, Genebra, Bolonha, Madri, Melbourne, Londres, Nova York, Boston, Los Angeles, Montreal, Ottawa e Montevidéu houve manifestações com o mesmo mote: “Quem mandou matar Marielle?”
    O ex-candidato à presidência da República pelo Psol, Guilherme Boulos, também lembrou que o assassinato da vereadora completou um ano sem que se soubesse quem foram os mandantes do crime. “Há poucos dias identificaram os suspeitos do assassinato. Mas não basta saber quem apertou o gatilho. É preciso saber quem mandou matar Marielle” registrou. “É isso que este ato aqui em São Paulo e manifestações em todo o Brasil estão querendo saber.” Porque “a morte de Marielle foi um crime político”. 
    O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, saudou a “coragem dos que enfrentam os poderosos e nunca ficam do lado dos que pisam nos pobres”. O religioso clamou para que a população defenda os oprimidos, como fazia a vereadora. “Defendam aqueles que são exterminados pelo preconceito e pela violência. Marielle está viva, Anderson (o motorista da vereadora, também morto em 14 de março de 2018) está vivo, junto com todos os que lutam.”
  • Monica Leal diz que prefeitura atrasa discussão do Plano Diretor na Câmara

    Em palestra na Associação Comercial de Porto Alegre, na terça-feira,12, a presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Mônica Leal (PP) reconheceu atraso nas discussões para atualizar o Plano Diretor de Porto Alegre até 2020, como prevê a lei.

    Lei maior da cidade, que regula a ocupação do espaço urbano em todo o município, o Plano Diretor é revisado a cada dez anos. O atual consumiu seis anos de discussão até ser aprovado em 2010. O novo, que tem que ser votado no ano que vem, ainda não entrou em pauta. E pelo que disse a presidente do Legislativo aos empresários dificilmente isso vai acontecer este ano.
    A Prefeitura, segundo informou, ainda vai contratar uma consultoria para auxiliar no processo.