Bolsonaro deixa hospital para reassumir um governo em chamas

O presidente Jair Bolsonaro “volta ao trabalho” nesta quinta-feira, segundo informou seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).
Sua foto, sorridente, deixando o hospital Albert Einstein, em São Paulo, foi distribuída no início da tarde de quarta.
Aos 63 anos, Bolsonaro esteve 17 dias hospitalizado, depois de uma terceira cirurgia, para reparar os danos da facada que levou em Juiz de Fora durante a campanha presidencial.
A bolsa de colostomia, que o acompanhou na reta final da campanha, na vitória, na posse  e nos primeiros vinte dias de governo, foi dispensada e suas funções intestinais restabelecidas numa cirurgia de sete horas.
Ele reassumiu o cargo 48 horas depois, mas foi só formalidade, para não deixar o vice, general Hamilton Mourão aquecer a cadeira presidencial. Mesmo agora, fora do hospital, ele tem condições restritas.

Mourão recebe Bolsonaro em Brasilia: muy amigos
Segundo o filho, Bolsonaro vai manter um ritmo reduzido de trabalho e ter contato com poucas pessoas, “por conta da atual fragilidade do sistema imunológico”.
As manchetes da noite de quarta-feira dão idéia do ambiente que o presidente vai encontrar na sua volta ao Palácio do Planalto:
“Bolsonaro endossa postagens do filho Carlos: ministro Bebianno mentiu”.
O caso é exemplar: Gustavo Bebianno, Secretário Geral da Presidência, sob denúncias de fraude eleitoral, disse à imprensa que falou por telefone com o presidente.
Carlos, o filho que esteve com Bolsonaro durante todo o dia desmentiu e o pai confirmou o filho. O ministro entrou em fritura, mas declarou que não se demite.
Outra bomba: “Onyx Lorenzoni diz que Bebianno é serio, responsável e correto”.
É provável que Lorenzoni, ministro chefe da Casa Civil, tenha feito essa declaração antes do presidente ter se manifestado pelo twitter endossando a afirmação do filho Carlos (que Bebiano mentiu).
Lorenzoni saiu em defesa de Bebianno, do PSL, pela influência que ele tem na Câmara, onde o governo vai precisar de votos para aprovar a reforma da Previdência. Trombou sem querer com o presidente.
Mas como é que fica um chefe da Casa Civil defendendo um ministro que o presidente confirma que é mentiroso?
“Alguém tinha dúvida de que Jair Bolsonaro teria muita dor de cabeça com os seus filhos? Era evidente que aqueles egos enormes causariam problema. O que não se imaginava é que seria tão cedo”, escreveu Ascânio Seleme, no Globo.
Ele lembra que ainda não é tudo. Há o “Caso Queiroz”, que envolve o senador Flávio Bolsonaro e é uma bomba que ainda não foi desativada. E a reforma da Previdência, sobre a qual não há consenso e está prometida para antes do carnaval.
Com a saúde frágil, um ministério batendo cabeças, um vice no qual não confia, filhos mordidos pela mosca azul, e uma pressão enorme por mudanças, Jair Messias Bolsonaro volta a Brasilia numa situação nada invejável.
 

Projeto Cais Mauá segue buscando investidores para revitalização

Há nove anos o Cais Mauá – uma faixa de 60 metros e 3,2 quilômetros de extensão, com prédios e equipamentos portuários entre o Guaiba e o centro histórico de Porto Alegre – é uma área privada, concedida por 25 anos para um empreendimento comercial.
Mas, fora os cercamentos e os esquemas de segurança que impedem a entrada, quase nada aconteceu.
Há um ano foi autorizado e anunciado o inicio das obras. Algumas máquinas foram fotografadas no terreno.
O novo gestor, recém assumido, disse na época que com as obras iniciadas para recuperação dos armazéns, já estava conversando com possíveis parceiros para ocupar os espaços comerciais.
“As negociações podem incluir desde um pequeno comércio de cem metros quadrados até um supermercado”, disse Vicente Criscio, o gestor de então.
Na semana passada, em palestra na Associação Comercial de Porto Alegre,  o prefeito Nelson Marchezan surpreendeu os presentes ao anunciar que parte da área do Cais Mauá, ao lado da Usina do Gasômetro, será aberta ao público no dia do aniversário da cidade,  26 de março.
O espaço contará com estacionamento para 600 veículos, “áreas de gastronomia, quadras de beach tênis e bancos para apreciar o pôr do sol”, informou o prefeito   .
O novo diretor do Consórcio Cais Mauá, Eduardo Luzardo, estava presente e explicou que é uma espécie de “plano piloto” para atender “uma expectativa da população de Porto Alegre pela abertura dos portões do Cais Mauá”.
Dois dias depois da notícia o Ministério Público de Contas advertiu que nenhuma intervenção pode ser feita na área do Cais Mauá antes que se apontem as fontes de financiamento para o projeto.
Não foi possível saber se essa medida vai interferir nas obras anunciadas. A assessoria de imprensa do Consórcio informou que todos os pontos serão esclarecidos nos próximos dias.
O projeto de revitalização, com a recuperação dos armazéns e todos os bens tombados pelo patrimônio público, está orçado em mais de R$ 140 milhões de reais.
Captar esses recursos junto a investidores é o principal objetivo do Consócio Cais Mauá no momento. “Depois de tantos anos o projeto sofreu desgaste, mas a força da prefeitura e do governo Estado acelerou o processo”, afirmou Luzardo na ACPA..
Sua expectativa é captar em quatro anos recursos junto a investidores privados para a restauração dos armazéns do cais, que é a primeira fase.
Depois dessa etapa será feita a captação de recursos para a viabilização de um shopping center na área a lado da Usina do Gasômetro, que poderá ser a céu aberto.
Além disso serão captados recursos também para a construção de duas torres comerciais do outro lado do Cais, próximas da Rodoviária.
No total, o projeto vai exigir mais de R$ 500 milhões em investimentos.
 

Senador quer CPI para "abrir a caixa preta do Poder Judiciário"

O Senado pode ter uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Poder Judiciário. O requerimento para averiguar a atuação dos tribunais superiores foi protocolado nesta quinta-feira (8) pelo senador Alessandro Vieira (PPS-SE).
O pedido destaca que “não se trata de perquirir as atribuições do Poder Judiciário, mas, sim, de investigar condutas que extrapolem o exercício regular dessas competências”.
O parlamentar propõe averiguar o abuso de pedidos de vista ou expedientes processuais para retardar ou inviabilizar decisões de plenário, a diferença do tempo de tramitação de pedidos a depender do interessado e o excesso de decisões contraditórias para casos idênticos.
Ele também sugere que seja investigado o desrespeito ao princípio do colegiado, a diferença do tempo de tramitação de pedidos, a depender do interessado e a participação de ministros em atividades econômicas incompatíveis com a Lei Orgânica da Magistratura.
“Nosso objetivo é abrir a caixa-preta deste Poder que segue intocado, o único que segue intocado na esfera da democracia brasileira. E só existe democracia quando a transparência chega a todos os lugares. A democracia não pode ser seletiva”, afirmou o senador, no plenário. Nos bastidores, a investigação vem sendo chamada de “Lava Toga”.
“Nossos tribunais superiores se transformaram em um aglomerado de decisões monocráticas, o que gera uma loteria. Se o cidadão que vai apresentar uma ação é sorteado para o ministro “X”, ele tem a decisão para um lado; se é para o ministro “Y”, é para o outro. O colegiado já decidiu o assunto e eles desrespeitam. Isso precisa ser resolvido. E, para resolver isso, a gente precisa estudar, compreender e propor eventualmente uma lei”, defendeu.
Se o requerimento for lido em plenário, o grupo deverá ser composto por 10 titulares e seis suplentes que vão trabalhar por 120 dias, com limite orçamentário de R$ 30 mil.
Procuradas pela reportagem, a Associação Nacional dos Juízes Federais (Ajufe) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) não quiseram comentar o assunto. O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, não retornou as ligações e a assessoria do Conselho Nacional de Justiça também não se pronunciou.

Brumadinho

Ontem (7) também foi protocolado no Senado um requerimento para a criação de uma CPI sobre as causas do rompimento da barragem em Brumadinho (MG). No caso desta CPI, que tem o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), como um dos signatários, há um compromisso da parte dele de que o requerimento seja lido em plenário na próxima terça-feira (12). A partir daí é dado sinal verde para a instalação do colegiado.
(Com informações da EBC)

Três dias decisivos para a recuperação de Bolsonaro

Por acreditar numa informação oficial, o Jornal Nacional da Rede Globo, estreou com uma fake news, em 1º de setembro de 1969.
Há cinco dias o presidente da República, general Artur da Costa e Silva, havia sofrido um “acidente cárdio vascular”. Naquela noite estava sem fala e só movia os olhos.
Hilton Gomes, o primeiro William Bonner,  informou aos milhões de telespectadores que assistiam ao primeiro jornal em rede nacional da televisão brasileira que  o presidente da República dera sinais de melhora e que, segundo os médicos, retomaria suas funções nos próximos dias.
O estado de Costa e Silva se agravou até a morte em 17 de dezembro daquele ano.
Neste domingo, 3 fevereiro de 2019,  quase 50 anos depois, o noticiário baseado em informações oficiais tem um cheiro inequívoco de 1969.
No sexto dia do pós-operatório do presidente Jair Bolsonaro, o boletim médico informou  que ele continua “usando uma sonda nasogástrica aberta, mas apresenta evolução clínica estável”.

Bolsonaro continua com sonda, fez tomografia e não tem complicações neste domingo (3) — Foto: Reprodução
“O presidente está sem dor e sem sinais de infecção”, informa laconicamente o boletim.

“Uma tomografia de abdome que descartou complicações cirúrgicas”.

Ele está em jejum ora  e nutrição parenteral exclusiva. “Realiza fisioterapia respiratória e motora no quarto e segue com as medidas de prevenção de trombose venosa”. É evidente a cautela dos médicos.

Na verdade, houve uma piora depois de uma evolução satisfatória nos cinco primeiros dias.

Na quinta- feira o porta-voz Otávio do Rêgo Barros, chegou a dizer que o problema era fazer Bolsonaro atender à recomendação dos médicos. “O presidente é difícil, ele está falando já. A despeito do médico dizer para ele ficar calado, ele já está falando.”

“Hoje ele despachou tête-à-tête com o doutor João. Eu diria que ele vem tentando se adaptar-se à essa recomendação, mas o espírito dele é liderar pelo exemplo, pela conversa, pela convicção daquilo que vem pondo aos seus ministros. Eu tenho de reconhecer que é difícil e ainda ele se domina nessa questão de falar, mas tem procurado atender aos ditames que os médicos lhe impõem”, completou otimista.

A assessoria de imprensa distribuiu uma foto do presidente com a caneta na mão, aparentemente despachando em seu expediente presidencial.

Na sexta-feira (1) Bolsonaro divulgou um vídeo em que aparece chorando ao ouvir uma dupla cantando “Evidências”, de Chitãozinho e Chororó.
Também na sexta, o presidente fez sua primeira vídeoconferência no gabinete provisório montado no hospital, com o ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno.
Bolsonaro em reunião por vídeoconferência direto do hospital com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno — Foto: Divulgação/Presidência da República

No sábado, porém, surgiram as complicações. O presidente teve vômicos e náuseas. O intestino delgado havia paralisado, havia excesso de suco gástrico no estômago. Os médicos colocaram uma sonda pelo nariz para retirar o excesso de líquido. 

Na manhã de domingo, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, postou que Bolsonaro tinha acordado “bem e animado” e foi replicado pelo pai na rede social.

“Hoje meu pai acordou bem e animado! Agradeço aos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e todos os envolvidos em sua melhora! Pela manhã só notícias boas! Muito obrigado a todos pelas orações e carinho! Um forte abraço a todos e até mais tarde!”, escreveu Carlos.

Numa matéria atualizada às 12h15, a Folha de São Paulo informou que as náuseas e vômitos eram consequência da paralisação do intestino delgado. “Não é uma reação normal do organismo decorrente da retomada da função intestinal, como disseram os assessores”.

O cirurgião  Antônio Macedo, chefe da equipe que operou Bolsonaro, falou à Folha e disse que a complicação era “uma resposta do organismo a uma cirurgia longa e com muita manipulação”. Se for isso, é possível a recuperação exige em três dias.

Mas há outras hipóteses, entre elas a temível fístura que exigiria refazer tudo inclusive retomar a bolsa de colostomia. Aí já ficaria cheirando a Tancredo.

Tribunal suspende licitação para o transporte coletivo em Cachoeira

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) emitiu cautelar, na última sexta-feira (25), impedindo que a Prefeitura de Cachoeira do Sul prossiga com o processo licitatório para concessão de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
O relator da matéria, conselheiro Pedro Figueiredo, acatou denúncia que aponta violações legais no edital, elencando diversas falhas, com especial ênfase na inobservância do prazo mínimo de 30 dias para a entrega das propostas.
O relator entendeu, ainda, que as demais possíveis irregularidades da licitação indicadas pela empresa denunciante serão examinadas em momento oportuno, após a instrução do processo, que contará com eventuais esclarecimentos do Gestor.
O prefeito de Cachoeira do Sul, Sérgio Ghignatti, tem 15 dias para prestar esclarecimentos.
(Com informações da Assessoria)
Cachoeira concorrência

Prisão de milicianos complica ainda mais a situação de Flávio Bolsonaro

O enredo é perfeito para quem gosta de teorias da conspiração.
No exato dia em que o presidente Jair Bolsonaro cumpre seu primeiro compromisso internacional discursando para os ricos do mundo em Davos, o nome de seu filho deputado e agora senador, ganha as  manchetes, associado a milicianos presos como integrantes do “Escritório do Crime” do Rio de Janeiro.
A polícia chegou a eles no curso das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, crime político de grande repercussão internacional.
No prontuário de dois dos milicianos presos, consta que foram homenageados em 2003 e 2004 pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro e a mãe e a esposa de um deles não apenas trabalharam no gabinete de Flávio,  como são citadas no relatório do Coaf.
Em nota, Flávio Bolsonaro  disse que é alvo de uma “campanha difamatória que tem por objetivo atingir o presidente”.
Reconheceu, porém,  a contratação da mãe e da esposa do Capitão PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como o chefe do Escritório do Crime. Mas atribuiu a responsabilidade pelas nomeações a seu ex-assessor Fabricio Queiroz, o que complicou  mais a situação.
Queiroz, um ex-policial militar íntimo da familia Bolsonaro, ex- funcionário do gabinete de Flávio na Assembléia do Rio,  é alvo de investigação pelo Ministério Público.
Um relatório do Conselho de Controle Financeiro que aponta movimentações suspeitas na sua conta bancária. Com salário de pouco mais de R$ 5 mil, ele movimentou R$ 1,2 milhão em um ano.
Chamado a explicar desde dezembro, quando o caso veio à tona, Queiroz tem alegado problemas de saúde, inclusive um câncer que operou, para adiar o depoimento.
O repórter Lauro Jardim, no entanto, sustenta que pelo menos em alguns dias nesse período de quase dois meses ele se refugiou em casa de amigos no bairro Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.
Coincidência: segundo a polícia, é no Rio das Pedras que funciona o Escritório do Crime, dos milicianos agora presos.
No centro de uma região populosa, o bairro é dominado pela maior milícia do Rio de Janeiro, da qual o Escritório do Crime seria o braço armado.
Essas revelações culminam uma escalada de suspeitas que envolvem o deputado agora senador eleito, Flávio Bolsonaro, iniciada na sexta-feira, quando foi revelado que ele também, e não só o assessor Queiroz, como sustentava, é investigado pelo MP por movimentações financeiras suspeitas.
No fim de semana novos detalhes da movimentação financeira “atípica” do filho do presidente foram reveladas e mesmo com as duas entrevistas que deu no domingo para esclarecer os fatos, muitas contradições permanecem alimentando suspeitas
Esses fatos ofuscaram a atuação de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, e deixam uma interrogação pairando acima de seu governo.
Nos próximos dias, ele terá que se submeter a uma cirurgia para livrar-se da bolsa de colostomia e já adiantou que vai despachar do hospital, para evitar que o vice assuma novamente o poder.
 

Regime de Recuperação Fiscal "empurra com a barriga" a crise financeira dos Estados

Já são seis os Estados que decretaram “calamidade financeira”, assumindo oficialmente que não tem condições de pagar suas contas. Podem chegar a 16 ainda este ano.
O pior é que o remédio à vista, o Regime de Recuperação Fiscal, pelo qual a União renegocia a dívida dos Estados, representa apenas um alívio de três anos no sufoco financeiro.
Nesse período, o Estado deixa de pagar as parcelas da dívida, que equivalem entre 13 e 17%, da receita líquida. Um bom alívio no caixa. O problema é que esse valor se incorpora ao saldo em condições onerosas para os Estados.
A menos que haja um considerável crescimento econômico, que eleve significativamente a arrecadação, quando tiverem que retomar os pagamentos, os governadores poderão estar num sufoco pior que o atual.
O Rio de Janeiro, único estado que conseguiu até agora aderir ao RRF, vai entrar no terceiro ano sem pagar as parcelas da dívida e já sinalizou que vai precisar de prorrogação. A situação financeira do Estado piorou.
A renegociação atual, concebida pelo governo Temer, com pequenas diferenças repete a que foi feita pelo governo Fernando Henrique Cardoso, em 1996. E que está na origem da crise atual.
O Rio Grande do Sul, por exemplo, devia R$ 9 bilhões, que renegociou a juros de 6% ao ano e correção pelo IGP.
Já pagou mais de R$ 20 bilhões e ainda deve mais de R$ 50. Com essa renegociação o saldo vai para R$ 65 bilhões. A parcela mensal hoje em torno dos R$ 300 milhões sobe para mais de R$ 400 milhões.
 

O que muda no jornalismo com a entrada da CNN no Brasil

A entrada do grupo americano CNN  no Brasil, anunciada esta semana, vai redesenhar o mercado da informação no país, estabilizado há mais de meio século sob o domínio de seis grupos familiares, com a hegemonia absoluta da Rede Globo e suas afiliadas.
Se, além disso, o governo Jair Bolsonaro cumprir suas promessas de rever a distribuição das verbas federais, a mudança será grande. Se, além disso, acabar com a Bonificação por Volume, como prometeu o presidente, será uma revolução.
A Bonificaçao por Volume, o famoso BV, que regula a relação das agências de propaganda com os veículos, é o instrumento que promoveu a concentração nos meios de comunicação que hoje existe no Brasil. Uma mudança nessas regras atingiria em cheio a  Globo, escandalosamente beneficiada nesse esquema.
A CNN chega ao Brasil como marca licenciada para uma empresa brasileira, formada pelo empreiteiro Rubens Menin, fundador da Construtora MRV, que se uniu ao jornalista Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo Rede  da Record.
Segundo nota divulgada, o novo “canal de notícias multiplataforma” será produzido “por brasileiros para brasileiros”. A CNN Brasil será lançada nacionalmente com redações em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília e correspondentes no exterior.
“A CNN é um ícone global e a parceria com essa marca é o sonho de um jornalista se tornando realidade”, disse Tavolaro, que estava há 17 anos no grupo Record e é autor de uma biografia autorizada do bispo Edir Macedo.
Ele vai tocar a operação da CNN Brasil. “Nosso objetivo é contribuir para a democratização da informação no Brasil”, afirmou.
Com uma equipe de 400 jornalistas, a CNN Brasil estará disponível para assinantes da TV paga como um canal 24 horas e também com plataformas digitais.
Rubens Menin é dono da empreiteira mineira MRV, que se tornou a maior construtora de imóveis residenciais da América Latina, realizando projetos do  programa Minha Casa Minha Vida. No ano passado, foi considerado o ‘empresário do ano’.
A postura da CNN nos Estados Unidos, bastante crítica ao governo Trump, e o fato de  o dono da MRV ter feito muitas obras do Programa “Minha Casa, Minha Vida” em governos do PT, renderam especulações à direita: a emissora americana viria fazer oposição ao governo Bolsonaro.
O empresário Luciano Hang, das lojas Havan, bolsonarista de carteirinha, postou: “Mais uma tevê comunista no Brasil?”
O próprio filho do presidente, Flávio Bolsonaro,  questionou a vinda da nova concorrente para o Brasil, no momento em que se inicia um novo governo.
À esquerda, porém, muitos viram o oposto, baseados nas relações de Tavolaro com o bispo Macedo, apoiador de Bolsonaro, e nas manifestações recentes do empresário Rubens Menin.
No dia 5 de dezembro, por exemplo, em entrevista ao Correio Braziliense, ele declarou que a equipe econômica do atual governo é  “o sonho de consumo de qualquer brasileiro que entende minimamente do assunto”.
Elogiou a presença de os militares no primeiro escalão do poder e os filhos de Bolsonaro; “Eles apresentam comportamento 100% ético. Vamos parar de criticar”.
Em entrevista ao 247, Rubens Menin negou que a operação brasileira da CNN terá vínculo com Edir Macedo.
“Eu vinha conversando com diversos grupos de empresários e muita gente estava preocupada com a situação dos grupos de comunicação aqui no Brasil, com problemas financeiros. Isso é muito ruim”, disse o empresário.
“Através de amigos em comuns fui apresentado a esse projeto da CNN Brasil e achei que era hora de investir. Nosso objetivo é contribuir com a democratização da informação no Brasil. Um país com uma sociedade livre e desenvolvida só é construído com uma imprensa plural”, afirmou Menin.
Segundo o vice presidente de Vendas e Parcerias da CNN, Greg Breitchman, o acordo faz parte de uma estratégia global de expansão da CNN:
“Este anúncio é parte de uma estratégia global para trabalhar com parceiros que pensam da mesma maneira e que enxergam uma clara oportunidade para produtos e serviços de notícias locais da marca CNN”, disse ele.
A situação da Globo parece ser a mais vulnerável. É a que mais tem a perder com a redistribuição de verbas. Bolsonaro, desde a campanha eleitoral, vem dando demonstrações de que a Globo em seu governo o prestígio de outros tempos. E se forem mudadas as regras, com o fim do BV ela será atingida em cheio.
A Globo, apesar de apoiar as medidas econômicas do governo, como a reforma da Previdência, tem sido bastante crítica a Bolsonaro.
O capítulo mais recente foi o editorial do jornal O Globo contra o decreto que libera a posse de quatro armas de fogo para cada brasileiro. Para o jornal, a medida é “temerária” e uma “aposta enganosa”. “Difícil desmentir a relação entre mais armas e mais mortes”, defende o texto.
“Feliz em saber que 400 vagas para jornalistas serão abertas no mercado brasileiro com a chegada da CNN. Se o telejornalismo seguir os padrões de qualidade da informação, independência e imparcialidade, que são características da emissora norte-americana, teremos motivos para comemorar”, disse o jornalista Florestan Fernandes Júnior, um dos maiores críticos da Globo.
O projeto de ter um canal próprio no Brasil era antigo na CNN.

Violência que aterroriza o Ceará é o desafio do Brasil em 2019

A situação que o governador Camilo Santana (PT) está enfrentando desde o dia 3 de janeiro e que já acumula quase 200 atentados na capital, Fortaleza, e em pelo menos  40 cidades do Ceará, é a mesma que vão enfrentar os demais governadores e o governo federal se realmente cumprirem suas promessas de campanha, de desmantelar o crime organizado em facções, hoje presente em quase todos os estados.
A onda de ataques em Fortaleza começou quando o novo secretário da Administração Penitenciária decidiu acabar com a distribuição das facções nas cadeias, ficando cada grupo num local, isolado dos demais. É uma prática que se verifica na maioria dos estados.
O secretário fez também uma varredura e recolheu centenas de celulares nos presídios, e anunciou a instalação de bloqueadores de sinal em todos os presídios do Estado.
É o que terá que fazer qualquer autoridade que pretenda realmente desmontar as quadrilhas que comandam o crime organizado.
No Ceará, as facções inimigas estabeleceram uma trégua na guerra pelos pontos de droga para enfrentar o Estado e há dez dias mantém o Ceará aterrorizado.
O governador diz que não recua e pede leis mais duras. Mas o governo federal,   embora tenha mandado um contingente Força Nacional, e mesmo os governadores, que mandaram reforço para apoiar as forças cearenses de segurança, estão, até agora, tratando o Ceará como um caso isolado.