Os bancários elevaram o tom de seus protestos, depois de sete rodadas de negociação infrutífera com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Uma nova rodada de negociação e uma assembleia nacional estão previstas para esta terça-feira, 25/8
Como parte das mobilizações “diante de uma escalada de ataques contra direitos históricos da categoria pelos banqueiros na Campanha Salarial 2020”, os bancários saíram às ruas em carreata pelas ruas de Porto Alegre, na tarde do domingo, 23/8.
A Carreata dos Bancários surpreendeu pela participação. Depois de partir do local de concentração, o Largo Zumbi dos Palmares, às 15h30, os bancários protestaram por vários barros, incluindo Bom Fim, Moinhos de Vento, Centro Histórico e de volta ao ponto de partida.
Houve um momento em que o caminhão de som, na vanguarda da coluna de carros, estava no final da Avenida Mauá, Centro Histórico de Porto Alegre, enquanto carros ainda saíam pela rua Caldas Junior.
“Os donos de bancos podem esperar escalada de indignação caso não mostrem alguma vontade de manter direitos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)”, diz uma nota do Sindicato.
Nas mesas de negociação por videoconferência, até agora, os bancos não ainda falaram em percentual de aumento, propuseram reduzir a Participação nos Lucros e Resultado (PLR) e gratificações e chegaram a acabar com a 13ª cesta alimentação.
Depois de uma semana de protestos nas redes sociais e pressão sobre os banqueiros, no sábado, 25/8, os representantes dos bancos recuaram.
Mantiveram a 13ª cesta alimentação, mas apresentaram proposta reduzida na PLR e nas gratificações. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta na mesa e chamou assembleias para a próxima terça-feira, 25/8.
“Os bancos não têm do que se queixar na crise de pandemia. Juntos, os cinco maiores bancos do país lucraram cerca de R$ 30 bilhões no primeiro semestre do ano e receberam isenções fiscais do governo federal que ultrapassam o R$ 1 bilhão”.
O dia D da Campanha Nacional 2020 até agora poderá ser a próxima terça-feira, 25/8. Neste dia, também ocorre a oitava rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban.
No mesmo dia, o SindBancários realiza uma assembleia por videoconferência, a partir das 18h, em que os(as) trabalhadores(as) organizarão mobilizações virtuais e fortalecerão a luta pela manutenção de direitos. A greve não está descartada.
O presidente em exercício do SindBancários, Luciano Feztner, exaltou a importância da carreata, que reuniu dezenas(as) de bancários(as), na tarde do domingo, e a necessidade de mudar as estratégias históricas em tempo de pandemia de Covid-19.
“Os bancos são grandes empresas que mais lucraram durante a pandemia. Exigimos respeito dos bancos”, afirmou Luciano, lembrando que, durante a Carreata dos Bancários, todas as providências sanitárias de combate à dispersão do novo coronavírus foram tomadas.
Para o diretor da Fetarfi-RS, Sergio Hoff, os bancos estão no caminho errado do que e se espera de instituições financeiras que lucram muito. Afinal, aumento de salário ajuda os mais variados setores da economia a superar crises.
“Sabemos que redução de lucro dos bancos não é prejuízo. É lucro ainda. Não podemos permitir que retirem nossos direitos num momento como este. Tudo que o banqueiro quer é retirar o fruto da luta que fizemos por vários anos”, salientou Sergio.
Para o diretor de saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mauro Salles, nem na pandemia os bancos agem no interesse de ajudar o país. “Quando é que banco se dá mal? Banco nunca se dá mal. Quem se dá mal é o pequeno comerciante, o pequeno empresário e o trabalhador. Até mesmo com a atividade econômica em baixa, quem se dá bem são os bancos”, acrescentou Mauro.


Deixe uma resposta