Bancários em estado de alerta não descartam greve se bancos não cederem

Representantes da Federação Nacional dos Bancos reúnem-se nesta terça-feira com o Comando Nacional dos Bancários, para a décima rodada de negociações do acordo salarial de 2020.

Nas nove tentativas anteriores, não houve acordo.

Em estado de alerta em todo país, os bancários organizaram um tuitaço às 13 horas, uma hora antes da reunião, para pressionar.

O comando nacional não descarta o recurso de uma greve geral se os bancos continuarem rechaçando as propostas dos trabalhadores. Uma das categorias mais numerosas dos assalariados brasileiros, os bancários são mais de 400 mil, cerca de 90% empregados nos cinco maiores bancos do país.

A categoria reivindica aumento real do salário e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), além de questões importantes como a regulamentação do teletrabalho.

Os bancos contrapropõem reajuste salarial zero, repondo apenas a inflação e uma nova forma de calculo da participação nos lucros e resultados (PLR), que poderia, segundo o Comando Nacional,  reduzir em até 48% o valor recebido pelos bancários.

A pauta de reivindicações dos trabalhadores foi apresentada no dia 23 de julho: reposição da inflação mais aumento real de 5%; PLR de três salários mais parcela fixa de R$ 10.742,91; Vale Alimentação e Vale Refeição no valor mensal de R$ 1.045 cada um; auxílio-creche/babá mensal de R$ 1.045 para cada filho até 12 anos; Plano de Cargos e Salários mais justo e transparente; dentre outras reivindicações sociais, de saúde e segurança, de igualdade de oportunidades, e de garantia de empregos.

“Temos que cobrar o aumento real e a PLR pois os bancos economizaram R$ 267 milhões com algumas contas como água, luz, vigilantes etc, com o teletrabalho. Só a despesa com pessoal nos quatro maiores bancos caiu R$ 1 bilhão. Com a pandemia, os bancos foram os primeiros a serem protegidos pelo governo”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

O atual Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) da categoria termina dia 31.

Com a reforma trabalhista no governo Temer, perdeu a validade a chamada ultratividade, que impedia que os direitos trabalhistas e conquistas acabassem quando o contrato coletivo terminasse.

“Embora a mídia e as agências de classificação de risco não admitam,  a economia continua ruim. A renda está diminuindo e a informalidade aumentando. Por sua vez, os bancos estão lucrando cada vez mais e investindo cada vez menos na geração de emprego”, critica Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Os cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) lucraram cerca de R$ 100 bilhões, aumento de mais de 20% em relação ao mesmo período de 2018. Essas cinco instituições financeiras representam 90% do total de empregos no setor bancário.

Comentários

Uma resposta para “Bancários em estado de alerta não descartam greve se bancos não cederem”

  1. Avatar de Mauro
    Mauro

    …reposição da inflação mais aumento real de 5%; PLR de três salários mais parcela fixa de R$ 10.742,91; Vale Alimentação e Vale Refeição no valor mensal de R$ 1.045 cada um; auxílio-creche/babá mensal de R$ 1.045 para cada filho até 12 anos; Plano de Cargos e Salários mais justo e transparente; dentre outras reivindicações sociais, de saúde e segurança, de igualdade de oportunidades, e de garantia de empregos….
    E na bundinha não vai nada né !
    Esse zé povinho babaca está esquecendo que estamos na quarta revolução. Eles que tratem de se segurar nos empregos que já está de bom tamanho. Bancos digitais como Next, Nubank, etc chegaram para ficar. Não precisamos mais ficar nas filas para sermos atendidos por esse bando de bundas chatas como se estivessem nos fazendo algum favor.
    Num país onde o salário mínimo é R$ 1.045,00 eles querem “vale refeição” nesse valor? “vale creche” e outras benesses? onde eles vivem? na Utopia?
    Vão trabalhar vagabundos, vão trabalhar criaturas, deus permite à todo mundo, uma loucura.

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