Câmara convoca Paulo Guedes para explicar empresa em paraíso fiscal (ele pode cair antes)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, participa do seminário A Nova Economia Liberal, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

Tornou-se indefensável a posição de Paulo Guedes no Ministério da Economia depois da revelação (até agora não desmentida) de que ele é sócio de uma offshore nas ilhas Virgens Britânicas.

Nesta quarta-feira,  o plenário da Câmara aprovou, por 310 votos a favor e 142 contra, a convocação do ministro para dar explicações.

“É imperativo que Guedes dê explicações ao Parlamento sobre a manutenção destas contas no exterior, mesmo após ter assumido uma função pública de enorme relevância, o que é vedado pelo artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal. É inaceitável que, enquanto a economia do país afunda, ele mantenha seus recursos em moeda estrangeira, sendo beneficiado com a desvalorização de nossa moeda, graças à sua desastrosa gestão. Com esta convocação ele terá que se explicar ao povo brasileiro”, declarou o líder da oposição, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ).

Ministro da Economia, nomeado antes mesmo da posse do presidente Jair Bolsonaro, Paulo Guedes tem uma empresa ativa em paraíso fiscal, onde não incide imposto sobre os capitais.

O negócio foi mantido mesmo depois de assumir cargo no governo federal.

As informações fazem parte da investigação Pandora Papers, divulgadas neste domingo (3/10).

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também  possui empresa em paraíso fiscal, de acordo com os dados revelados.

A data da sua explicação aos deputados será marcada pela Mesa Diretora da Câmara. Não é certo que ele resista no cargo até lá.

A deputada federal Joice Hasselmann, do POSL, ex- partido de Bolsonaro, copmentou em seu twitter:

“Guedes vai virar papinha do centrão. Será engolido de colherzinha. A tigrada não vai nem precisar mostrar os dentes para mastigar”.  …

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Comentários

Uma resposta para “Câmara convoca Paulo Guedes para explicar empresa em paraíso fiscal (ele pode cair antes)”

  1. Avatar de Mauro
    Mauro

    Eu estava viajando, em trânsito para o Brasil, quando o tema da vez era a descoberta de empresas offshore do ministro Paulo Guedes e do presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, vazadas pelo Pandora Papers. Bastou atualizar o que se passava nas redes sociais e na imprensa para ficar enojado com a tentativa de assassinato de reputação do meu ex-chefe e atual ministro da Economia. Ao menos o caso serviu para uma breve aula aos brasileiros sobre offshore. Vamos lá:
    1) Ainda bem que vivemos em um país aberto, como os países mais desenvolvidos, que nos permite investir em empresas em outras jurisdições. Gostaríamos de viver em um país em que a única possibilidade de investimento seja dentro do próprio país? Abrir offshore é a coisa mais natural do mundo;
    2) Podemos investir em empresas nos EUA, na Europa, no Caribe. A escolha é nossa e depende exclusivamente das vantagens oferecidas. Imagina um modelo em que o estado nos obriga a permanecer com nossos recursos aplicados nele: seria coisa meio cubana, não?
    3) O importante é que a origem do dinheiro seja fruto do nosso trabalho e que o investimento esteja declarado às autoridades fiscais. Para a a Receita Federal pelo valor de aquisição e lembrando que para o Banco Central pelo valor de mercado;
    4) Não há nada de ilegal nisso, nada a se envergonhar. A única vergonha é uma mídia oportunista e tendenciosa que transforma o sucesso e a riqueza em pecado, sem separar o que é fruto de trabalho e investimento do que é fruto de roubo e corrupção.

    Aqui vem o cerne da questão: ladrão é quem, como o Lula, desvia recursos do governo, pilha o estado com seus comparsas, enriquece na política. Quem ganhou dinheiro com seu trabalho no livre mercado tem todo direito de fazer um planejamento para proteger melhor seu patrimônio, ainda mais num país hostil como o Brasil, que teve desde a redemocratização inúmeros planos econômicos heterodoxos e até confisco. Sem segurança jurídica, o óbvio é quem tem dinheiro manter uma parte mais segura no exterior.
    Alguns chegaram ao menos ao ponto de reconhecer essa obviedade, mas tentaram apontar o “conflito de interesses” do ministro da Economia ou do presidente do Banco Central, como se a gestão deles pudesse sofrer influência desses recursos em dólares. Que piada! Leandro Ruschel comentou: “Tem que ser muito burro para acusar Guedes de lucrar com alta do dólar. Segundo consta, o ministro tem um patrimônio aproximado de R$ 500 milhões. O investimento na offshore foi de US$ 10 milhões. Ou seja, ele ganha sobre 10% da carteira e perde nos outros 90%”. Offshore não é crime, mas pilhar o estado sim!

    Paulo Guedes é um herói por ter tanto dinheiro legal, no Brasil e no exterior, e mesmo assim se dedicar à coisa pública, aturando esse tipo de coisa. No fundo todos sabem que o alvo é Bolsonaro. A oposição, desesperada, mira no ministro para desestabilizar a economia, torcendo pelo pior. É um jogo sujo, que tenta desestimular gente séria a trabalhar em prol do país.

    Já que o assunto da moda é offshore, porém, que tal a imprensa averiguar uma aberta pela esposa de certo ministro supremo, em seu nome de solteira, para comprar um baita apartamento milionário em Key Biscayne, Miami? Talvez aí o ministro venha a público explicar que abrir offshore para comprar imóvel é algo bastante comum, até para reduzir riscos de eventuais passivos.

    O crime não é ter offshore, tampouco é sério falar em conflito de interesses no caso de Guedes. Tudo não passa de narrativa fajuta, patética. Crime é roubar dinheiro público. Disso a oposição entende…

    Rodrigo Constantino

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