Chegou a Balneário Camboriú a terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro relacionados ao banco Master.
Segundo a PF, ao chegarem para cumprir mandado de busca e apreensão em um imóvel em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, um dos ocupantes do apartamento, no 30° andar do prédio, arremessou pela janela uma mala cheia de dinheiro em espécie.
O homem foi identificado como Igor Paganini, empresário catarinense que atua no setor imobiliário, sócio da Igor Paganini Empreendimentos, empresa sediada em Balneário Camboriú.
Paganini não era o alvo da terceira fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal. No entanto, ao jogar o dinheiro pela janela durante a chegada dos agentes, ele passou a ser investigado por suspeita de ligação com o esquema.
A mala de dinheiro arremessada do 30º andar acabou se abrindo com o impacto, mas o montante de R$ 429 mil foi totalmente recuperado pela polícia. Além do dinheiro, foram apreendidos dois veículos de luxo e dois smartphones.
A investigação apura crimes contra o sistema financeiro e fraudes relacionadas à gestão de recursos de 100 fundos de previdência, que fizeram aplicações suspeitas no Banco Master.
A busca em Camboriú está relacionada à prisão do presidente da Rio Previdência, Deivis Marcon Antunes, no dia 3 de fevereiro de 2026.
Ele é o primeiro gestor envolvido em aplicações fraudulentas a ser preso. Ele havia renunciado ao cargo duas semanas antes após uma operação da PF que apura desvio de dinheiro e corrupção no fundo dos servidores do estado do Rio de Janeiro.
As investigações apuraram que, na gestão de Deivis, o fundo de previdência do Rio investiu quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master, papéis de alto risco que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.
O fundo da RioPrevidência é formado pelas contribuições de 235 mil servidores públicos do Estado do Rio.
Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas já havia proibido a Rioprevidência de investir em títulos administrados pelo Master, alertando para “possível gestão irresponsável de recursos”.
Deivis foi preso durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF, que cumpriu 3 mandados de prisão temporária e 9 de busca e apreensão no RJ e em SC.
“A investigação, iniciada em novembro, visa apurar um conjunto de 9 operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado”, segundo a PF.
A iniciativa Caminhos da Ditadura em Porto Alegre completa 10 anos. O projeto começou a ser construído em 2016 por estudantes do curso de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em janeiro de 2026, o Caminhos cruzou a fronteira e foi até Buenos Aires, capital da Argentina, dando mais contexto aos relatos de extermínio que uniu ditaduras do Cone Sul sob as asas da Operação Condor, coordenada pelos Estados Unidos, com o objetivo de eliminar adversários políticos transfronteiriços.
A professora de História Anita Natividade Carneiro, 30 anos, que criou o Caminhos em 2016, está à frente do projeto que levou um grupo de 28 pessoas à Argentina, em parceria com a arquiteta Cecília Giovenardi Esteve, 38 anos, que também é guia de turismo e integra o grupo de mediadoras do Caminhos. Juntas elas construíram um intenso roteiro de visitas a centros de memória e encontros com sobreviventes de campos de extermínio, ativistas, pessoas que foram sequestradas quando crianças e outras que nasceram no cárcere.
O grupo conheceu testemunhos potentes que expõem os bárbaros métodos de tortura e extermínio praticados na Argentina durante a ditadura mais cruel vivida pelo país, de 24 de março de 1976 a 10 de dezembro de 1983. Foram 2.818 dias de crimes hediondos cometidos pelo Estado, que implantou mais de 800 centros de tortura e extermínio, sequestrou e desapareceu com 30.000 pessoas e se apropriou de 500 bebês nascidos na prisão ou que foram sequestrados. Até o momento, apenas 140 pessoas, nascidas no cárcere, recuperam sua verdadeira identidade.
Clube Atlético e Universidade das Madres
O minucioso roteiro da viagem iniciou com uma visita ao local onde funcionou o Clube Atlético, que serviu como Centro Clandestino de Detenção, Tortura e Extermínio, de 1976 a 1983. Cerca de 1.500 pessoas foram presas no local, “que era um verdadeiro campo de concentração”, afirmou o sobrevivente Daniel Mercogliano, 75 anos, sequestrado em casa no dia 19 de abril de 1977. Ao dar seu testemunho, Daniel estava acompanhado de Sílvia Fontana, irmã de Liliana Fontana, sequestrada e desaparecida desde o dia 01 de julho de 1977.
De acordo com o testemunho de Daniel, “os centros de tortura faziam parte de um plano de extermínio do governo militar, era terrorismo de Estado”. Daniel disse também que “a classe dominadora seguiu acumulando dinheiro e poder enquanto a classe operária era presa, torturada e assassinada. No centro de extermínio, a comida era suficiente apenas para que continuássemos vivos e a tortura prosseguisse”. Pessoas de vários países também foram sequestradas e presas nesse centro. Cerca de 500 foram identificadas.
O prédio do Clube Atlético foi demolido em 1988 para a construção de um viaduto. Graças a intervenção popular e ao trabalho de arqueólogos, estão sendo realizadas escavações no local e parte da história pode ser recuperada. Em 2022, a equipe de arqueólogos localizou vários documentos e objetos durante as escavações. Uma meia vermelha e uma camiseta foram identificadas por Sílvia Fontana, como peças de roupas que sua irmã vestia quando foi sequestrada. Liliana não foi localizada até o momento, seu nome permanece na lista de pessoas desaparecidas. Hoje teria 69 anos.
Liliana Fontana, a Lili, era militante sindical, estudante de cabeleireira e estava grávida de dois meses. Foi sequestrada da casa dos pais junto com o companheiro, Pedro Sandoval. Testemunhas disseram que os viram na prisão do Clube Atlético. Seu filho, Alejandro Pedro Sandoval, é o neto número 84, resgatado pelas Avós da Praça de Maio em 2006, ano em que recuperou sua identidade. Alejandro havia sido apropriado pelo policial Víctor Enrique Rei, atualmente preso. O primeiro neto a ser identificado foi em 1978. Até o momento, 140 recuperaram a identidade. Estima-se que 300 crianças nasceram no cárcere.
Caminhos da Ditadura em Porto Alegre também conheceu a Universidade Popular de Las Madres, um projeto consolidado em abril de 2000. A universidade, que agora não recebe auxílio financeiro do governo Milei, fica ao lado da Casa das Madres, fundada por Hebe de Bonafini, já falecida, que teve dois dos seus três filhos sequestrados e desaparecidos. Com apoio de professores universitários e de intelectuais argentinos e estrangeiros, a universidade popular promove cursos de direitos humanos, festivais e cursos de profissionalização.
O pessoal da universidade, a associação das mães e a das avós, além de populares, participam às quintas-feiras, sempre às 15h30, da marcha da Praça de Maio, em que reivindicam o paradeiro das pessoas sequestradas e agregam demandas sociais à agenda. O grupo de Porto Alegre se juntou à marcha de nº 2.494, realizada dia 29 de janeiro.
Para que o grupo do Caminhos pudesse ter encontros com ativistas de direitos humanos, Cecília, organizadora do roteiro, fez contatos com várias organizações utilizando os canais dos sites das entidades. “Nos contatos por e-mail eu escrevi sobre a história do Caminhos da Ditadura em Porto Alegre e solicitei agenda. As respostas foram muito positivas, as organizações chamaram sobreviventes da ditadura e netos resgatados para conversar conosco, porque a intenção, além da visita, é compor uma rede de ativistas, essa é uma forma muito interessante de fazer capacitação e ampliar nossa consciência política”, explica Cecília.
Memória e testemunho
O prédio de três andares onde funcionou o centro clandestino de detenção da rua Virrey Cevallos, 630, foi declarado de utilidade pública em 2004. O local foi transformado em Centro de Memória e Promoção dos Direitos Humanos e aberto para visitação em 2009. Neste centro, o grupo do Caminhos encontrou Daniel Santucho Navajas, 49 anos, conhecido como “Neto 133”. Daniel deu um testemunho potente sobre a recuperação de sua identidade, que aconteceu somente em 2023.
Daniel Santucho Navajas, é o neto 133. Recuperou sua identidade em 2023. Crédito: Márcia Turcato
Ele nasceu na prisão clandestina conhecida como Pozo de Banfield no dia 10 de janeiro de 1977, um setor do Exército argentino. Mais de 300 pessoas ficaram presas nesse local, incluindo quatro mulheres grávidas. Daniel é filho de Cristina Navajas, professora, e Júlio Santucho, também professor e ex-seminarista. Quando foi sequestrado, o casal tinha três filhos e Cristina estava grávida de dois meses. Os pais de Daniel eram militantes do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). Cristina permanece desaparecida. Júlio sobreviveu. Daniel Santucho Navajas é ativista de direitos humanos e protagonista do documentário Identidade Roubada, de 2024, e autor do livro Nieto 133- Mi Camino Hacia la Verdad, da editora Planeta.
A suposta irmã mais velha de Daniel foi quem o alertou de que não era filho biológico dos pais que acreditava ter, dúvidas que ele tinha desde os cinco anos de idade, sem nem saber explicar a razão. Em duas oportunidades, Daniel enfrentou o apropriador para saber a verdade, mas o homem, um ex-policial, sempre sustentou ser seu pai biológico. Ao procurar as Avós da Praça de Maio, o neto nº 133 pôde fazer um exame de DNA que confirmou a sua verdadeira identidade.
O gene das avós
A avó de Daniel, o neto nº 133, Nélida Navajas, morreu em 2012 sem o conhecer. Nélida é uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio e contou com a ajuda do neto Miguel, irmão mais velho de Daniel, para liderar as buscas que duraram 46 anos. Em 1983, Nélida e Estela Carlotto, agora com 95 anos, viajaram aos Estados Unidos para conhecer a geneticista Mary Claire King e pedir um novo tipo de exame de DNA, que permitisse a identificação de uma pessoa não só pelos genes de mãe ou pai, mas também pelos genes das avós.
Em 1984, a premiada geneticista Mary-Claire embarcou para a Argentina com a questão resolvida. Ela conseguiu realizar o sequenciamento genético mitocondrial das avós para comparar com os genes de crianças que haviam sido apropriadas e determinar a ligação biológica entre elas. O procedimento recebeu o nome de “índice de abuelidad”, o índice das avós. É importante destacar que em 1998, o ditador general Videla foi condenado, entre outros crimes graves, por ter colocado em prática o Plano Sistemático de Apropriação de Bebês. As primeiras condenações de Videla ocorreram em 1985, apenas dois anos após o fim da ditadura e a volta da democracia com Raúl Alfonsín.
ESMA, uma escola de tortura
O Sítio de Memória ESMA, inaugurado em 2015, foi declarado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – em 2023. No local funcionou um centro clandestino de detenção, tortura e extermínio da Escola de Mecânica da Armada (ESMA). No edifício principal, que agora é museu, existiu o Cassino dos Oficiais. O museu é um dos 35 prédios erguidos em um terreno de 17 hectares onde há diversas instituições de memória e verdade distribuídas em 17 ruas internas.
Nesse local, o grupo de Porto Alegre foi recebido pelo mediador Guilhermo Amarilla Molfino, 48 anos. Ele é filho de um casal sequestrado pela ditadura e nasceu na prisão. Guilhermo recuperou sua identidade em 2009 e tem três irmãos.
Cinco mil sequestrados passaram pela ESMA e a história cruel do centro de tortura e extermínio pode ser contada graças ao testemunho de poucos sobreviventes e de pessoas como Andrea Fricmar. Quando tinha onze anos, Andrea viu pela janela uma pessoa encapuzada e algemada sendo levada pelo pátio da ESMA, enquanto brincava com a filha de um comandante da escola militar. Outro testemunho importante é o do gráfico Victor Basterra, que foi forçado a trabalhar como fotógrafo na ESMA e conseguiu esconder centenas de negativos de filmes que depois serviram de provas contra os torturadores. O mediador Guillermo explica que 85% dos presos tinham idade entre 16 e 35 anos. “Pessoas pobres e jovens eram presas pelo terrorismo de Estado, era um Estado de Terror”, salienta. Graças aos testemunhos, sabe-se que nasceram 37 crianças na ESMA, 14 delas recuperaram a identidade.
Casa da Identidade
A Casa da Identidade é um espaço de memória gerido pela Associação das Avós da Praça de Maio e fica no mesmo prédio da Mostra da Linha Fundadora das Madres da Praça de Maio, onde há uma exposição permanente. A Casa da Identidade tem o propósito de dar visibilidade à história de apropriação sistemática de crianças e recém-nascidos durante a ditadura argentina. Na Casa são guardados arquivos documentais, fotográficos e bibliográficos da organização, e são realizadas atividades educativas e culturais.
O grupo do Caminhos foi recebido por Juan Pablo Moyano, 51 anos. Ele foi sequestrado em 1978, aos 18 meses de idade, e entregue a uma mulher que já estava com uma menina apropriada. Sua avó conseguiu localizá-lo por meio de uma foto, tirada quando ele era bebê, que foi distribuída pela Justiça por toda a Argentina, Juan Pablo já estava com sete anos, seus pais permanecem desaparecidos. “As mães que perderam seus filhos se transformaram em avós que procuram seus netos e netas e a luta prossegue”. Havia um plano estratégico para o roubo e o comércio de bebês”, diz Juan Pablo.
Em 2012, militares foram condenados, entre eles o general Jorge Rafael Videla. Antes disso, porém, deputados da extrema direita tentaram impedir a prisão de subalternos criando a “lei da obediência devida e ponto final”, que acabou revogada. A Lei 23.492 foi promulgada em 1986, durante a presidência de Raúl Alfonsín, estabelecendo a paralisação dos processos judiciais contra os autores das detenções ilegais, torturas e assassinatos que ocorreram na ditadura militar.
A lei, junto com a sua complementar, a de Obediência Devida, foi considerada nula pelo Congresso Nacional só em 2003, e finalmente declarada nula pela Corte Suprema de Justiça, por ser inconstitucional, em 14 de Junho de 2005, possibilitando que fossem reabertos os casos relacionados aos crimes contra a humanidade.
O primeiro dos casos, responsabilizando Miguel Etchecolatz, ex-vice-comandante da Polícia Provincial de Buenos Aires, encerrou em setembro de 2006, estabelecendo jurisprudência ao reconhecer que o terrorismo de Estado durante a ditadura foi uma forma de genocídio.
Monitoras do Caminhos da Ditadura PoA. De saia, a criadora da ação, Anita; de preto a direita, Cecília, responsável pelo roteiro. Foto no Parque da Memória. Crédito: Caminhos da Ditadura PoA Em Porto Alegre
O roteiro do grupo de Porto Alegre encerrou com uma visita ao Parque de La Memoria, criado em 1998, na orla do rio da Prata. No local há longas paredes com os nomes das 30 mil pessoas desaparecidas na Argentina durante a ditadura, além de instalações que simbolizam os horrores que aconteceram no país.
Após a imersão no contexto da ditadura na Argentina, a professora Anita revela que “é nossa intenção levar o Caminhos para outros estados do Brasil e outros países da América do Sul, expandir um pouco, porque vimos que as pessoas têm interesse em fazer uma viagem com esse foco. Muitas delas trabalham com este tema no Rio Grande do Sul, a maioria que fez a viagem para Buenos Aires é da área da História”.
Caminhos da memória Em Porto Alegre
No mapa virtual do Caminhos da Ditadura em Porto Alegre constam os 39 locais de violação dos direitos humanos identificados pela Comissão Nacional da Verdade em 2014 e vários locais de referência da militância política e do movimento estudantil. Atualmente, são mais de 200 pontos mapeados.
Há ainda dois trajetos presenciais que percorrem referências históricas, um no bairro Bom Fim e outro na Praça da Matriz, numa caminhada de aproximadamente duas horas, parando em diversos locais para ouvir as informações das e dos mediadores e também conversar com os participantes, reunidos em grupos de 50 pessoas, no máximo.
De acordo com Anita, que é doutoranda da UFRGS em Ensino da História, “após essa imersão nos locais de memória na Argentina, percebemos que o Brasil tem movimentos muito importantes no caminho da preservação dos lugares de memória, mas são insuficientes. Aliás, nunca será suficiente o número de memoriais e monumentos que vierem a ser erguidos. Mas avançamos muito no processo da memorialização, principalmente em relação aos locais onde ocorreram violações dos direitos humanos durante a ditadura no Brasil”.
A doutoranda está ciente que “ainda falta uma política de memória mais contundente, mais forte, pelo Estado, no Rio Grande do Sul e no Brasil, para que os espaços de memória se efetivem”. Anita destaca também a existência de muitos monumentos em homenagem a ditadores e colaboradores do terrorismo de Estado no Brasil, inclusive um condomínio em Porto Alegre com o nome ‘31 de março’. É importante realizar campanhas de conscientização sobre esses lugares. A sociedade civil, junto com o Estado, deve pensar em alternativas para esses espaços. A ditadura é um tema de disputa de memória”.
O projeto Caminhos da Ditadura mantém visitas programadas em trajetos de memória que ocorrem nas regiões centrais de Porto Alegre. Os passeios são abertos ao público e suas agendas e inscrições para participar são todas divulgadas na página do Instagram @caminhosdaditadura_poa e adquiridos na página do Sympla.
Não mereceu manchete nos jornais tradicionais de Porto Alegre a audiência pública sobre a nova fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro, que ocorre neste 29 de janeiro de 2026, às 16h, no Parque Municipal Nenê Naibert.
A reunião aborda o Projeto Natureza, com investimentos de R$ 24 bilhões, e previsão de 12 mil vagas temporárias na construção e 1,5 mil empregos diretos/indiretos na operação da fábrica.
As manchetes tem saudado este chamado “Projeto Natureza” como o maior investimento privado na história do Rio Grande do Sul, mas tem silenciado sobre o impactos ambientais dessa mega-fábrica, que vai exigir a ampliação dos plantios de eucalipto de 1 milhão de hectares plantados atualmente para 4 milhões de hectare.
Quando esta área for alcançada nos próximos dez anos no máximo, o Estado terá mais da metade de sua área produtiva (área apta para a agropecuária) ocupada por duas monoculturas, duas commodities, matérias primas de exportação, que pagam pouco ou nenhum impacto.
Quanto à fábrica, as entidades ambientalistas alertam para o despejo de mais de 240 milhões de litros de efluentes por dia no Guaíba.
“Entre os diversos aspectos que preocupam as entidades socioambientais, está a localização do emissário de efluentes líquidos da fábrica — a 3,5 km de Belém Novo, na Capital, próximo de duas novas estações de captação e tratamento de água do Dmae —, além da vazão de efluentes, com substâncias tóxicas, em volumes de 240 mil m3/dia, acima do volume de efluentes de toda a cidade de Porto Alegre”, registrou o Sul21, na quarta-feira..
A audiência pública desta quinta-feira é a primeira e única prevista no processo de licenciamento ambiental deste mega-projeto. Por que ela não é notícia? Por que os protestos dos ambientalistas são praticamente ignorados?
(Cartas para a Redação)
Obras da nova fábrica estão confirmadas para iniciar em 2026, com operação prevista para 2029.
À véspera de uma paralisação programada para atualização do sistema, o INSS foi surpreendido com uma avalanche de acessos em busca de empréstimos consignados.
O presidente do INSS, Gilberto Waller, disse em entrevista à Gaúcha que o aplicativo Meu INSS colapsou diante de uma demanda seis vezes maior nos últimos dias.
Nesta segunda-feira, 26, em Porto Alegre, na agência central do INSS, onde há atendimento presencial, uma grande fila se formou desde cedo e houve tumulto quando as pessoas que estavam há horas sob sol quente foram informadas que o sistema havia caído, sem previsão de retomar. A Brigada Militar foi chamada para conter os ânimos.
Segundo o INSS, a situação foi causada por um erro na divulgação de um mutirão de atendimento, que não ocorreu na unidade central.
O tumulto ficou restrito a Porto Alegre, mas a instabilidade digital é nacional. A suspensão temporária de serviços como bloqueio e desbloqueio de consignado afeta beneficiários em todo o país.
O aplicativo Meu INSS e a Central 135 já apresentam falhas intermitentes nos últimos dias.
A causa da corrida é o aumento da margem consignável para aposentados e pensionistas do INSS com o reajuste salarial e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
O salário mínimo foi reajustado para R$ 1.621,00, representando um aumento de 6,79% em relação ao ano anterior. Benefícios acima do mínimo tiveram um reajuste de 3,90%, elevando o teto do INSS para R$ 8.475,55.
A isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000, a partir de 1º de janeiro, aumenta o valor líquido do benefício e amplia diretamente a capacidade de crédito para milhões de segurados que antes tinham imposto retido na fonte.
Com o novo piso, a margem de 35% destinada a empréstimos subiu para R$ 567,35.
A nova margem começou a ser liberada após o processamento da folha de pagamento de janeiro de 2026 na semana passada.
Além da pane momentânea, o INSS confirmou que o sistema passará por uma paralisação programada para modernização a partir desta terça-feira (27/01), às 19h, com retorno previsto apenas para 2 de fevereiro.
O atendimento presencial será suspenso em todo o Brasil de 28 a 30 de janeiro para a atualização dos sistemas.
O preço da cesta básica de alimentos caiu em todas as 27 capitais brasileiras no acumulado do último semestre de 2025. As quedas oscilaram entre -9,08%, em Boa Vista (RR,) e -1,56%, em Belo Horizonte (MG).
Os dados, divulgados nesta terça-feira (20), são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Desde julho de 2025, a pesquisa engloba todas as 27 capitais do país. Anteriormente, o levantamento era feito apenas em 17.
Campeã em queda de preço entre as capitais, Boa Vista (RR) teve a redução de -9,08% no valor da cesta básica no último semestre do ano passado, com o preço passando de R$ 712,83 em julho de 2025, para R$ 652,1,4 em dezembro – R$ 60,69 menor.
A segunda capital com maior queda no período foi Manaus (AM), com diminuição de -8,12% no preço da cesta, de R$ 674,78 para R$ 620,42, ou seja, custo R$ 54,36 a menos.
Fortaleza (CE) ocupa o terceiro lugar em diminuição do preço do conjunto de alimentos essenciais: queda de -7,90%, passando de R$ 738,09, em julho, para R$ 677, em dezembro, R$ 61,09 mais barata.
As capitais que tiveram menores baixas foram Belo Horizonte (MG), Macapá (AP) e Campo Grande (MS) com quedas de -1,56%, -2,10% e -2,16%, respectivamente, no acumulado do período.
Por regiões, Boa Vista (RR) lidera o cenário de baixa de preços não só nacionalmente, mas também no Norte, assim como Fortaleza (CE), ocupa não somente o terceiro lugar geral, mas também é campeã no Nordeste do país.
No Centro-Oeste, Brasília (DF), é a recordista em declínio de preço da cesta no período, com variação de -7,65% nos últimos seis meses de 2025.
No Sul, a capital mais bem colocada é Florianópolis (SC), que teve redução de -7,67% no valor do conjunto de produtos. Vitória (ES) é a capital vencedora no Sudeste do país, com redução de -7,05% no preço da cesta básica de alimentos de julho a dezembro do ano passado..
Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, o resultado dos últimos seis meses de 2025 demonstram que a política agrícola do Brasil está no caminho certo.
“Estamos comemorando porque essa queda generalizada é fruto dos investimentos que o governo federal vem fazendo no setor agropecuário brasileiro, aumentando a produção de alimentos para o consumo interno nacional”.
Ele destacou os planos Safra dos últimos três anos, tanto o empresarial quanto o da Agricultura Familiar.
“Já são três anos que ambos têm valores recordes, não faltando recursos para o financiamento agrícola, e com juros subsidiados”. (Com Agência Brasil)
A privatização dos serviços de abastecimento de água foi manchete neste fim de semana.
Não em Porto Alegre, onde um polêmico projeto de concessão está em exame na Câmara de Vereadores.
Foi em Londres, onde o princípio de delegar serviços públicos à iniciativa privada se instaurou, com Margaret Thatcher, há quase meio século.
“Como as empresas de água se tornaram uma vergonha nacional” foi a manchete de The Independent, no sábado.
O jornal diz que a Thames Water (empresa que atende Londres) “perdeu toda a credibilidade” depois das últimas falhas que deixaram Kent e Sussex, na região metropolitana de Londres, toda a semana sem água. Foram 75 acidentes num período em que as tarifas subiram 35%. “O dinheiro que deveria ter sido gasto na manutenção e reparação foi desviado para dividendos e bônus aos acionistas”.
Apesar das altas tarifas, a empresa deve bilhões de libras, mas “os dividendos dos acionistas e os bônus dos executivos não foram afetados”, diz o jornal.
Sob investigação da agência reguladora, não é descartada uma “nacionalização de emergência”. O problema seria o custo disso, por que lá houve a venda do patrimônio público, que agora o poder público não tem como reaver.
Os jornais destacam o plano de reforma (“white paper”) a ser apresentado pelo governo que prevê punições severas, incluindo multas pagas do próprio bolso por executivos de empresas de água em caso de falhas graves.
Destacam ainda os jornais londrinos que “a polêmica sobre a privatização da água é um tema central em diversos países europeus, onde cresce um movimento por reestatização (ou “remunicipalização”).
A França “tornou-se o símbolo da reversão desse modelo”. Em 2010, a capital não renovou contratos com gigantes como Veolia e Suez, criando a operadora pública Eau de Paris, que anunciou redução de tarifas e melhoria na eficiência.
Outros pontos destacados nas edições dos jornais (londrinos):
Alemanha: “Após forte pressão popular e um referendo, Berlim recomprou as ações de sua empresa de saneamento entre 2012 e 2013”.
Espanha: “Cidades como Barcelona e Arenys de Munt têm sido palcos de batalhas jurídicas entre prefeituras que tentam retomar o controle da água e concessionárias privadas que alegam quebra de contrato”.
Portugal: “Há uma tendência de remunicipalização em várias autarquias devido ao aumento excessivo das tarifas e à falta de investimento em infraestrutura rural”.
Wellington César Lima e Silva, nomeado pelo presidente Lula para o Ministério da Justiça, já exerceu o cargo no governo de Dilma Rousseff . Foi nomeado em março de 2016 e ficou apenas 14 dias no cargo.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que integrantes do Ministério Público ( Wellington era Procurador-geral da Justiça na Bahia) não poderiam exercer cargos no Poder Executivo, a menos que pedissem exoneração definitiva de suas funções de origem.
Entre ser Ministro da Justiça, cargo temporário, e sua carreira no Ministério Público, Wellington optou por deixar o governo em 14 de março de 2016. Ele foi sucedido por Eugênio Aragão.
Sua nomeação ocorreu em um momento de alta instabilidade, visando substituir José Eduardo Cardozo, que sofria pressão interna por não “controlar” a Polícia Federal durante a Operação Lava Jato.
Neste 13 de janeiro de 2026, Wellington César Lima e Silva foi nomeado novamente para o cargo pelo presidente Lula, desta vez após ter deixado a carreira no MP para atuar como advogado e gestor (ocupava a Advocacia-Geral da Petrobras).
O jornal Washington Post divulgou neste sábado imagens de um vídeo gravado no celular do policiai Jonathan Ross, que matou a tiros a escritora e ativista Renee Good na cidade de Minneapolis, no centro-oeste americano.
As imagens mostram momentos antes e depois de o agente ter atirado e desmontam a versão do governo Trump, de que ele agiu em legítima defesa.
Os protestos pela morte de Renee Nicole Good, na quarta-feira, 7/1, estão em fase de “expansão significativa” por todos os Estados Unidos.
O incidente, no qual uma cidadã americana e mãe de três filhos foi morta por um agente do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), tornou-se um novo catalisador de tensão nacional.
As manifestações, que começaram em Minneapolis logo após o ocorrido, já se espalharam por cidades como Filadélfia, Kansas City, Cleveland, Appleton e várias localidades em Michigan.
Há registros de que mais de mil eventos e comícios estão programados para este fim de semana (10 e 11 de janeiro de 2026), organizados por coalizões de direitos civis e grupos de imigrantes, em todo país.
A indignação aumentou após a divulgação de vídeos do incidente e devido a um segundo tiroteio envolvendo agentes federais em Portland, ocorrido apenas um dia depois da morte de Good.
Em Minneapolis a situação é “tensa e militarizada”. Cerca de 2 mil agentes federais do Departamento de Segurança Interna (DHS) que patrulham a cidade, na “maior operação de todos os tempos”, segundo o próprio DHS.
Autoridades locais e federais travam um embate público: enquanto o governo Trump diz que o agente agiu em legítima defesa, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador de Minnesota, Tim Walz, criticam duramente a ação, chamando-a de “imprudente” e “governança por reality show”.
Moradores e grupos religiosos locais realizam vigílias e protestos diários, denunciando o que chamam de táticas de guerra e “brutalidade sem sentido” contra cidadãos e imigrantes.
A morte de Good ocorreu a poucas quadras de onde George Floyd foi assassinado em 2020, o que aprofunda a carga simbólica e emocional das manifestações na cidade.