A Xinhua, agência oficial do governo chinês, divulgou a seguinte nota:
A Embaixada da China no Brasil expressou quinta-feira sua “profunda indignação” e “forte protesto” às palavras do deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro, que na quarta-feira acusou o país asiático de silenciar a COVID-19.
Em uma nota, a Embaixada chinesa afirmou estar extremamente chocada “por tal provocação flagrante contra o governo e o povo chinês” e alertou que, como deputado federal e “figura pública especial”, as palavras de Eduardo Bolsonaro “causaram influências nocivas, vistas como um insulto grave à dignidade nacional chinesa”.
As palavras “ferem não só o sentimento de 1,4 bilhão de chineses, como prejudicam a boa imagem do Brasil no coração do povo chinês” e “geram também interferências desnecessárias na nossa cooperação substancial”, disse o texto.
A Embaixada da China chamou as palavras de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, em seu Twitter, de “comportamento totalmente errôneo e inaceitável, veementemente repudiado pelo lado chinês” e afirmou que o embaixador Yang Wanming já expressou sua insatisfação com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, que defendeu Eduardo Bolsonaro.
“Temos pleno conhecimento da política externa brasileira com a China e acreditamos que nas suas linhas não houve qualquer mudança. Ao mesmo tempo, opomo-nos às difamações e insultos contra a China impostos por qualquer um e sob qualquer forma”.
A nota afirmou que a parte chinesa não aceitou “a gestão feita pelo chanceler Ernesto Araújo” para resolver o problema e ressaltou que “Eduardo Bolsonaro tem que pedir desculpa ao povo chinês pela sua provocação flagrante”.
“O lado chinês defende sempre e de forma resoluta os seus princípios e jamais será ambíguo e tolerante com qualquer prática que afronte os seus interesses fundamentais. Esperamos que alguns indivíduos do lado brasileiro, na sua minoria, abandonem suas ilusões e muito menos subestimem a nossa resolução e capacidade de salvaguardar os nossos próprios interesses”, disse o texto.
A nota lembrou que “ao longo do ano passado, com o esforço conjunto dos dois países, o relacionamento sino-brasileiro tem se desenvolvido de forma saudável e estável”, o que se refletiu nas visitas mútuas feitas pelos presidentes Xi Jinping e Jair Bolsonaro.
A Embaixada chinesa lembrou que, desde o surto da COVID-19, “os nossos dois países têm mantido contatos estreitos e amistosos” e que o próprio Jair Bolsonaro “manifestou a solidariedade para com o governo e povo chinês, razão pela qual o lado chinês agradece muito” e que” atualmente, de acordo com o pedido do Ministério de Saúde do Brasil, estamos ajudando o país a adquirir os materiais médicos mais urgentes da China”.
Segundo o texto, “os que atrapalham o desenvolvimento das relações bilaterais se limitam a uma minoria na população brasileira, enquanto a maioria esmagadora está em defesa da nossa fraternidade.
“Esperamos que o Itamaraty possa tomar ciência do grau de gravidade desse episódio e alertar o deputado Eduardo Bolsonaro a tomar mais cautela nos seus comportamentos e palavras, não fazer coisas que não condizem com o seu estatuto, não falar coisas que prejudiquem o relacionamento bilateral e não praticar atividades que danifiquem a nossa cooperação”, segundo a Embaixada.
As palavras infelizes de Eduardo Bolsonaro tiveram uma resposta rápida dentro do próprio governo brasileiro.
Na quinta-feira, o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, disse que as palavras do filho do presidente brasileiro criaram um constrangimento diplomático na relação entre os dois países e não representam a opinião do governo federal.
“O Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo. Não é a opinião do governo. Ele tem algum cargo no governo?”, disse Mourão à imprensa brasileira.
Por sua vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, pediu desculpas ao povo chinês pelas palavras de Eduardo Bolsonaro, que foram repudiadas por uma nota da Frente Parlamentar Brasil-China, enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária afirmou em uma nota nesta quinta-feira que deseja manter no mais alto nível as relações bilaterais entre Brasil e China.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e o maior mercado de exportação do país sul-americano há uma década.

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