O procurador Wellington Divino Marques de Oliveira, que denunciou o jornalista Glenn Greenwald (e mais seis pessoas por crimes relacionados à invasão de celulares de autoridades) é o mesmo que denunciou o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, por calúnia contra o Ministro Sergio Moro.
Em dezembro, Felipe Santa Cruz foi denunciado por Wellington Divino por uma entrevista concedida em junho ao jornal Folha de S.Paulo. Ele disse que o ministro “aniquila a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe da quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”.
A OAB chegou a recomendar o afastamento de Moro logo após o início das divulgações pelo The Intercept Brasil de mensagens dele com procuradores da Operação Lava Jato.
A Justiça rejeitou a denúncia do MPF contra Santa Cruz.
“É descabido falar em afastamento do Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, tendo em vista a ausência de cometimento de delito no caso apresentado”, foi a sentença.
Em nota, os advogados do jornalista do The Intercept Brasil, Rafael Borges e Rafael Fagundes, contam ter recebido a notícia da denúncia de Glenn com “perplexidade”.
“Trata-se de um expediente tosco que visa desrespeitar a autoridade da medida cautelar concedida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 601, do Supremo Tribunal Federal”, afirmaram.
Por meio de seu perfil no Twitter, o governador do Maranhão e ex-juiz federal Flávio Dino (PCdoB) também se manifestou sobre a denúncia contra Glenn Greenwald. “Muito difícil sustentar juridicamente uma ação penal contra direitos constitucionais atinentes ao sigilo de fonte no jornalismo e contra uma liminar do Supremo. Parece mais um terraplanismo jurídico, que está em moda nesses tempos de trevas”, postou.


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