O crescimento da direita bolsonarista nas eleições de domingo revela como um instrumento intrinsecamente democrático, como o voto, pode ser manipulado para fins antidemocráticos.
Defensor do golpe militar de 1964 (“que não matou quem tinha que matar”), Jair Bolsonaro tem como herói um símbolo do regime dos porões. Nunca escondeu suas preferências.
Está preso porque tentou se manter no poder com um golpe em que planejava executar o presidente eleito e ministros do STF.
Fracassado na conspiração, ameaça voltar ao poder através do filho e, ironicamente, pelas urnas.
A vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, por mais de dois milhões de votos, demonstra que a maioria do eleitorado não percebe (ou não se importa) com o risco embutido com a volta do bolsonarismo ao poder, e agora com as bençãos de Trump..
O resultado do primeiro turno foi surpreendente até para os vencedores e é possível ver nele os sinais de um golpe midiático, muito bem calibrado. Denúncias em plena campanha eleitoral envolvem ministros do STF com “o maior escândalo da história financeira do país”. Suspeitas generalizadas respingam no governo, o noticiário ceva a crise institucional e a sensação de descrença se espalha..
Desiludido, o censo comum vota “no menos pior” ou “pra mudar isso que está aí”. E acaba dando seu precioso voto aos inimigos da democracia.

