Todas as federações empresariais do Rio Grande do Sul fecharam com o pacote do governador Eduardo Leite, que tramita na Assembleia em regime de urgência.
A reação do empresariado foi motivada pela forte mobilização do funcionalismo contra as medidas, que num horizonte de dez anos cortam R$ 25,4 bilhões da massa salarial dos servidores estaduais, segundo estimativa do próprio governo na cartilha que publicou.
Vanguarda nos projetos de ajuste do setor público, os empresários estavam até agora de observadores. As impressionantes manifestações de rua promovidas pelos servidores nas últimas semanas acenderam o sinal vermelho.
Um vídeo da direção da Fecomércio, difundido pelas redes sociais, fazendo um chamamento em defesa do pacote, parece ter sido o detonador da reação. que culminou com a manifestação da Farsul nesta terça-feira, 10.
Um dia antes, a Federação das Indústrias entregou, a cada um dos deputados estaduais, uma carta assinada pelo presidente Gilberto Porcello Petry, de “apoio às medidas encaminhadas visando à modernização do setor público”.
“Seu voto será decisivo no encaminhamento da modernização do Estado ou de ficarmos sempre lamentando a falta de segurança, de acesso à educação de qualidade, e de mais serviços de saúde para toda a sociedade”, diz o texto.
Os argumentos são os mesmos do governo, que circulam na imprensa desde que o projeto se tornou conhecido: os salários já representam 82% das despesas, numa trajetória insustentável que vai obrigar a cortes ainda maiores em áreas essenciais.
Repete o número que aponta crescimento das despesas com pessoal acima da inflação e da receita de impostos. (Embora os salários estejam congelados há cinco anos, o governo diz que os encargos com pessoal continuam crescendo).
A entidade diz que o projeto “ataca o principal problema das finanças públicas estaduais, o gasto com pessoal e que, se nada for feito, chegará o momento em que todos os recursos arrecadados serão destinados à folha de pagamento”.
Nesta terça-feira, em audiência com representantes do professores em greve contra as propostas do governo, o presidente da Assembleia Luís Augusto Lara voltou a dizer que sem mais tempo para discutir e aperfeiçoar as medidas dificilmente elas serão aprovadas. Aliado do governo, Lara já se manifestou pela retirada do regime de urgência.
São oito projetos no conjunto. Seis Projetos de Lei Complementar, um Projeto de Lei e um Projeto de Emenda Constitucional, com apenas 30 dias para ser examinados. .

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