A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul (Abrasel-RS), realizou uma pesquisa junto aos associados para identificar os reflexos econômicos e sociais das medidas restritivas estabelecidas ao setor de alimentação no Estado.
Dos entrevistados, 33,1% apontam que podem fechar em definitivo em 60 dias e 31% avaliam como real a possibilidade de voltar ao mercado de trabalho como empregado e deixar de empreender.
Ainda, conforme a pesquisa, a estimativa é que mais de 19 mil pessoas percam o emprego. Até o momento 72,3% dos associados já demitiram, mesmo que 83,4% tenha utilizado a MP 936 para suspender ou reduzir a carga horária. E 54,8% precisará prorrogar as suspensões ou reduções.
A Abrasel-RS já tinha divulgado no começo do mês uma pesquisa sobre a situação em Porto Alegre, onde até 50% dos entrevistados apontaram que poderiam não abrir mais seus estabelecimentos.
“O resultado desta pesquisa confirma o que já prevíamos para o futuro do setor, uma segunda onda de fechamentos em definitivo e mais demissões. Um reflexo da instabilidade na tomada de decisões do Executivo Municipal e Estadual. Estamos em meio a uma grande crise, uma situação que piora a cada dia e os números que levantamos demonstram o quanto nós precisamos que os governantes tenham um maior diálogo conosco para que possamos encontrar uma solução para manter o setor vivo”, conta Maria Fernanda Tartoni, Presidente da Abrasel no RS.
Além dos números sobre o funcionamento das operações e o cenário de empregos, a pesquisa levantou dados sobre linhas de crédito, investimento em insumos, tributos, negociações de contratos de aluguéis, faturamento e as expectativas futuras para o setor.
Confira o resultado completo da pesquisa:
Levantamento feito no dia 08.07.20, sendo 53,5% dos respondentes de Porto Alegre.
FUNCIONAMENTO:
Dos estabelecimentos pesquisados, 69,4% está funcionando com delivery, sendo que 54,8% também opera com pague e leve. Com o salão em funcionamento apenas 19,7% do setor está operando no Rio Grande do Sul.
Com a operação suspensa estão 14% e 3,8% estão se preparando para suspender.
Na atual pesquisa, no Estado todo, 33,1% apontam que ainda podem fechar em definitivo nos próximos 60 dias.
Alguns empresários já pensam em deixar de empreender, sendo que 31% avaliam como real a possibilidade de voltar ao mercado de trabalho como empregado.
EMPREGOS:
Estimamos, com base nas pesquisas e nos dados do Atlas Econômico de 2017, que o setor possua em torno de 100 mil trabalhadores no Rio Grande do Sul. Destes, em torno de 30 mil já foram demitidos e nos próximos meses, não havendo mudança na situação atual e não prorrogando a MP936, mais 19,5 mil devem perder o emprego.
Das empresas pesquisadas, 72,3% já demitiram mesmo que 83,4% tenha utilizado a MP936 para suspender ou reduzir a carga horária. Dos entrevistados, 54,8% precisará prorrogar as suspensões ou reduções.
Dado importante é que 26,1% possui receio de utilizar a MP936, pois caso precisem fechar não poderão demitir, em virtude da estabilidade exigida na, agora, lei.
O que está pesquisa demonstrou, comparada a pesquisa de junho feita exclusivamente na capital, é que a situação está mais crítica em Porto Alegre, onde se concentra o maior número de trabalhadores da área e 21,7% dos estabelecimentos do setor.
CRÉDITO:
Sobre as linhas de crédito 79,4% buscaram algum tipo, sendo que destes 81,3% não conseguiram o crédito ou tudo o que necessitavam.
Dentre os que buscaram, 73,5% tiveram dificuldade de acesso, sendo os motivos mais comuns: linhas do governo que não chegaram ou demoraram a chegar nas agências bancárias; banco solicitou garantias reais, banco pediu contrapartidas adicionais (reciprocidade, venda casada, etc), os juros altos, dificuldade de informação com os bancos e bancos que não retornavam as solicitações.
ECONOMIA
Dos entrevistados, 39,6% passaram a comprar entre 51 a 75% menos insumos comparado a período anterior aos decretos de calamidade.
Uma fatia um pouco menor, 29,9%, passou a comprar entre 76 a 100% menos insumos. Estável apenas 6,5%, sendo o restante também em queda no nível de compra.
Com relação aos tributos, não houve aumento para nenhum dos entrevistados. Sendo que 38,3% estão recolhendo entre 76 a 100% menos tributos do que recolhia normalmente e 7,1% mantém o patamar.
As negociações nos contratos de aluguel foram buscadas por 83,4% dos entrevistados, sendo que 69,4% chegou num acordo.
Comparando com a média de faturamento anterior aos decretos de calamidade pública (em março), 21,2% teve mais de 90% de queda no faturamento e 39,7% teve queda entre 70 a 89%. Apenas 3,8% aumentou o faturamento e o 5,8% se manteve estável. Nos dois casos é possível inferir que foram amparados pelo Delivery e o pague leve.

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