Pesquisa da Abrasel/RS mostra que 50% de bares e restaurantes associados podem fechar em 60 dias

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrase/RS), com seus associados em Porto Alegre, mostra que 77,9% reabriu o salão – se considerarmos quem trabalha com delivery e take away são 89,7% de estabelecimentos funcionando. Operação suspensa 8,8% e 1,5% já fecharam, mas 50% ainda pode fechar definitivamente nos próximos 60 dias.

O setor possui em torno de 50 mil trabalhadores em Porto Alegre. Destes, em torno de 13 mil já foram demitidos e nos próximos meses, não havendo mudança na situação atual e encerrando a estabilidade oferecida pela MP936 – cria um benefício pago pelo governo e dá estabilidade no emprego -, mais 12 mil devem perder o emprego.

Das empresas pesquisadas, 75% já demitiram mesmo que 57,4% tenha utilizado a MP936 para suspender ou reduzir a carga horária. Dos entrevistados, 35,3% precisará prorrogar as suspensões ou reduções. Sobre as linhas de crédito, 85,1% buscaram algum tipo, sendo que destes 48,4% não conseguiram. As negociações nos contratos de aluguel foram buscadas por 98,5% dos entrevistados, sendo que 75% chegou num acordo.

Comparando com a média de faturamento anterior aos decretos de calamidade pública (em março), 20,3% teve mais de 90% de queda no faturamento e 53,1% teve queda entre 70 a 89%. Apenas 1,6% aumentou o faturamento e o mesmo percentual se manteve estável. Nos dois casos é possível inferir que foram amparados pelo delivery e take away.

Nos próximos 60 dias, 31,8% acredita que conseguirá aumentar a demanda em mais e 30%, já 25,8% acredita que poderá crescer em 20% e apenas 16,7% que se manterá o movimento atual. Os demais acreditam em um crescimento ainda mais lento.

A grande maioria dos entrevistados, 41,8%, acredita em uma retomada do movimento, como antes da pandemia, em seis meses. Apenas 16,4% são mais otimistas acreditando que poderá ocorrer em menos de 4 meses. Ainda, 41,8% são mais cautelosos acreditando em um, ou mais, anos para restabelecer o movimento “normal”.

Já os lojistas de shopping centers registram vendas até 70% menores na retomada das atividades do comércio. Cerca de 230 empreendimentos estão com as portas abertas no país, equivalente a 40% dos 577, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).

Em Porto Alegre, o presidente do Sindilojas, Paulo Kruse, revelou à imprensa que dezenas de estabelecimentos já fecharam as suas portas em definitivo devido à queda de faturamento e o peso dos custos fixos. Informalmente, os lojistas calculam a queda nas vendas de aproximadamente 50%, comparado com o mesmo período do ano passado.

O Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS), indicador de atividade calculado e divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), caiu 13,2% em abril, na comparação com março, quando já havia recuado 10,3% ante o mês anterior. As duas taxas são recordes negativos, levando a atividade industrial em abril, pelo segundo mês seguido, ao menor patamar da série dessazonalizada (desde 2003).

Sem uma ação efetiva do governo federal no curto prazo para recuperar a economia tão fragilizada, a situação pode gerar uma crise social sem precedentes, com empresas endividadas, fechamento de pequenos e médios negócios e extermínio de empregos. No Brasil, pelo menos nove milhões de vagas formais devem ser perdidas este ano, conforme estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A previsão é que a taxa de desemprego chegue a 18,7%.

O liberalismo anacrônico de Chicago dos anos 1960 do ministro da Economia Paulo Guedes é criticado até mesmo por economistas conservadores. Uma saída é a adoção do plano “Pró-Brasil”, lançado pelo ministro da Casa Civil Braga Neto, mas uma semana depois engavetado a pedido de Guedes.

Os principais pontos da proposta seguem a escola Keynesiana, do economista britânico John Keynes, que defende o Estado como um agente ativo contra a recessão e alta no desemprego. As estimativas eram de um gasto em infraestrutura de R$ 250 bilhões em concessões e parcerias público privadas, e R$ 30 bilhões de investimento público. Até agora, nada.

 

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