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  • Defensores Públicos repudiam "estímulo ao ódio e à tortura"

    A Associação dos Defensores Públicos Federais (Anadef) manifesta repúdio à medida anunciada pelo porta-voz do Palácio do Planalto, que confirmou a recomendação do presidente Jair Bolsonaro para atos em comemoração ao Golpe Militar, no próximo dia 31 de março.
    Para os defensores públicos federais, que atuam na garantia dos direitos humanos, a decisão do Governo é um estimulo grave ao ódio e à tortura. Celebrar a data é ignorar a dor de dezenas de brasileiros, é retroceder aos direitos conquistados sob a morte daqueles que lutaram por um País livre, entre eles índios, sindicalistas e líderes rurais e religiosos, desaparecidos e assassinados durante o triste período da ditadura militar.
    Temos apreço e respeito às Forças Armadas que têm como seu papel institucional garantir e preservar os poderes constitucionais. No entanto, sob a pretensão de exaltar o Exército Brasileiro, a comemoração do golpe de 64 celebra um momento em que o papel das Forças Armadas foi deturpado e corrompido. O golpe de 64 representou uma violação profunda do Estado Democrático de Direito, inaugurando um período em que a tortura, a violência e a perseguição política foram institucionalizados no Brasil.
    Em nome daqueles que sofreram e ainda sofrem a dor dos dias marcados pela ditadura militar, rechaçamos qualquer manifestação no sentido de reconhecer a data além do que ela estritamente representa: um dos períodos de maior sofrimento na história do País.
    (Com informações da assessoria)
  • Exposição busca estimular produção de mel e derivados

    Evidenciar as propriedades do mel, do pólen, da geleia real e do própolis é um
    dos objetivos da parcela da Apicultura no Espaço Casa da Emater, na
    Expoagro em Rio Pardo.
    No local, extensionistas da Emater/RS-Ascar  presentam todos os produtos como alternativas não apenas para o autoconsumo, mas para a comercialização e, consequentemente, geração de renda.
    “Nossa intenção é a de estimular os agricultores, especialmente em um momento em que há queda de preço pago ao produtor para o quilo do mel”, explica o extensionista da Emater/RS-Ascar, Sanderlei Pereira.
    Ele comenta o fato de ainda faltar informação sobre o consumo dos produtos
    das abelhas, como o mel, muitas vezes visto como vilão por conta do suposto
    “excesso de açúcar”.
    “O brasileiro consome uma média de apenas 70 gramas
    do produto por ano, contra 900 dos americanos, ou 1.200 dos alemães”
    explica, reforçando o fato de o mel possuir uma série de propriedades
    benéficas, contribuindo para mitigar transtornos intestinais, males da garganta
    e até enfermidades cardíacas.
    Não é diferente com outros produtos, como o pólen, que é fonte de
    aminoácidos essenciais, vitaminas, carboidratos, minerais e lipídios. “Ainda que
    seja um pouco mais difícil de produzir, pode chegar a custar até R$ 100,00 o
    quilo”, destaca Pereira.
    Já o própolis é obtido a partir de raspagens de tampas,
    caixilhos, ninhos e melgueiras.
    “O brasileiro consome uma média de apenas 70 gramas
    do produto por ano, contra 900 dos americanos, ou 1.200 dos alemães”
    explica, reforçando o fato de o mel possuir uma série de propriedades
    benéficas, contribuindo para mitigar transtornos intestinais, males da garganta
    e até enfermidades cardíacas.
    Não é diferente com outros produtos, como o pólen, que é fonte de
    aminoácidos essenciais, vitaminas, carboidratos, minerais e lipídios. “Ainda que
    seja um pouco mais difícil de produzir, pode chegar a custar até R$ 100,00 o
    quilo”, destaca Pereira.
    Já o própolis é obtido a partir de raspagens de tampas,
    caixilhos, ninhos e melgueiras. E foi com a intenção de saber mais sobre a
    produção de própolis que o agricultor Luis Paulo Souza Lopes, de Tabaí,
    passou pelo espaço para tirar dúvidas.
    Com 80 caixas de abelhas que, juntas, rendem 1,6 toneladas de mel por ano, o
    produtor já iniciou um trabalho de teste em sua propriedade para a obtenção de
    própolis. “Na verdade não adianta apenas cultivar, é preciso ter para quem
    vender”, avalia. Acostumado a utilizar o mel no café como substituto do açúcar,
    Lopes pretende investir em alternativas que, inicialmente, servirão para o
    consumo da família para, mais tarde, poderem ser utilizadas para
    comercialização.
    Na parcela, atividades relacionadas ao manejo da colmeia e implantação de
    enxames também são demonstradas por extensionistas.
    Uma exposição com 24 meliponídeos autorizados por portaria da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) para serem criados no RS, dispostos em caixas
    recomendadas para cada espécie, sendo oito delas com pinturas utilizadas na
    Eslovênia. Dúvidas sobre apicultura e meliponicultura podem ser esclarecidas
    nos escritórios da Emater/RS-Ascar no Estado.
    Com 80 caixas de abelhas que, juntas, rendem 1,6 toneladas de mel por ano, o
    produtor já iniciou um trabalho de teste em sua propriedade para a obtenção de
    própolis. “Na verdade não adianta apenas cultivar, é preciso ter para quem
    vender”, avalia.
    Acostumado a utilizar o mel no café como substituto do açúcar,
    Lopes pretende investir em alternativas que, inicialmente, servirão para oconsumo da família para, mais tarde, poderem ser utilizadas para
    comercialização.
    Na parcela, atividades relacionadas ao manejo da colmeia e implantação de
    enxames também são demonstradas por extensionistas. Uma exposição com
    24 meliponídeos autorizados por portaria da Secretaria Estadual de Meio
    Ambiente (Sema) para serem criados no RS, dispostos em caixas
    recomendadas para cada espécie, sendo oito delas com pinturas utilizadas na
    Eslovênia. Dúvidas sobre apicultura e meliponicultura podem ser esclarecidas
    nos escritórios da Emater/RS-Ascar no Estado.
    (Com informação da Assessoria de Imprensa)

  • Se crescer apenas 2% Brasil não sai da recessão em 2019

    Sérgio Lagranha
    A previsão do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é de crescimento de 2% em 2019, segundo o boletim Focus desta semana.
    Há um mês previa-se crescimento de 2,48% e, na semana passada, de 2,01%.
    No ano passado, o PIB brasileiro praticamente ficou em 1,1%, conforme o IBGE, desempenho decepcionante.
    A indústria cresceu míseros 0,6%, primeira alta após quatro anos de quedas. A forte agropecuária brasileira ganhou 0,1%.
    Considerando-se que em 2017 o crescimento foi de 1 %, depois de duas quedas seguidas de 3,5%, em 2015 e 2016, o saldo ao final deste ano ainda estará na casa dos 3% negativos no período de cinco anos. Recessão prolongada.
    Enquanto isso, a Dívida Bruta do Governo Geral fechou 2018 na casa dos R$ 5,271 trilhões, o que representa 76,7% do PIB.
    No Orçamento de 2019, R$ 1,42 trilhão se destinam ao pagamento de juros, encargos e amortizações da dívida somente nesse ano.
    Isso corresponde a aproximadamente 40% do total do Orçamento da União, que é de R$ 3,3 trilhões. E é mais do que o governo Bolsonaro estima economizar com a reforma da Previdência em dez anos (entre 700 bilhões e 1 trilhão)
    Mas na dívida quase não se fala. É como se ela não tivesse nada a ver com a situação.
     
     

  • Outro vereador que denunciava a violência foi assassinado no Rio

    Foi assassinado com um tiro na madrugada deste domingo o vereador Wendel Coelho, de Japeri, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ele era um crítico da situação de “caos” na segurança pública da cidade. Tinha 24 anos, estava no primeiro mandato
    No dia 8 de janeiro, ele comentou no Facebook o assassinato de um amigo também em Japeri: “Hoje foi meu amigo que amo tanto. Amanhã será quem?”.
    Wendel foi baleado no peito dentro do carro em que estava no bairro conhecido como Engenheiro Pedreira, em Japeri, às 4h50 deste domingo (24). O irmão da vítima, que estava no banco do carona, nada sofreu.

    'Amanhã será quem?', publicou Wendel em janeiro após a morte de um amigo Foto: Reprodução

     

  • Cais Mauá: novo controlador negocia mudança no contrato de concessão

    O consórcio Cais Mauá do Brasil divulgou duas maquetes mostrando como será o primeiro espaço a ser entregue ao público na área concedida, nove anos depois do contrato assinado para a revitalização do cais central do porto de Porto Alegre.
    Os empreendedores já chamaram essa primeira intervenção de “Plano Piloto” e agora chamam “Marco Zero”. Os críticos do projeto estão chamando de “puxadinho”.
    A intervenção vai alcançar 2 dos mais de 80 hectares que compreendem a área concedida por 25 anos. Vai custar R$ 5 milhões que, na expectativa do Consórcio, deflagrarão um projeto estimado em R$ 550 milhões.
    Será uma área de lazer e gastronomia, com instalações em containers, além de estacionamento pago com 600 vagas”.
    “O ‘marco zero’ não estava na proposta original de revitalização do cais, mas é importante iniciativa para ganhar credibilidade”, disse o  presidente do consórcio Cais Mauá do Brasil, Eduardo Luzardo.
    “O marco zero, na verdade, é o primeiro movimento para tentar trazer investidores”, disse ao JC o sócio-diretor de riscos e compliance da LAD Capital, Luiz Felipe Terra Favieri.
    A LAD é a atual gestora do FIP, o fundo de investimento que tem 88%  do consórcio Cais Mauá do Brasil. A espanhola GSS (que antes era majoritária) detém hoje 8% e a Contern que tinha 10%, agora tem 4%.
    Segundo declarou Favieri “algumas cláusulas do contrato original da revitalização possuem vícios de origem e precisam ser renegociadas com o governo do Estado”.
    “O tema já está sendo tratado com representantes do poder Executivo”, disse ele.
    Uma das mudanças que o consórcio quer introduzir no contrato de concessão diz respeito ao prazo.
    No contrato assinado assinado em 2010, a concessão por 25 anos passaria a contar daí a dois anos, prazo estimado para a reforma.
    Os empreendedores querem descontar os sete anos que decorreram entre a assinatura e a licença para o início das obras. Mas há mais de ano com a licença eles não conseguiram iniciar a obra..
    Outra mudança que já foi tentada sem sucesso é na cláusula que obriga apresentar garantias de R$ 400 milhões antes de mexer nos armazéns tombados pelo patrimônio público.
    Essa alteração enfrenta uma oposição decidida do Ministério Público de Contas, ante os indícios de que a condição financeira do Consórcio para arcar com as responsabilidades do projeto é incerta.
    “O Cais vem de um estresse muito grande. Assumimos, implementamos um diagnóstico e verificamos falhas como falta de liquidez, de credibilidade e necessidade de ajustes contratuais”, reconheceu Favieri em entrevista ao Correio do Povo.

    No “marco zero” todo o investimento será por conta das empresas que se instalarão no local. O consórcio receberá um percentual do faturamento.
    Entre os parceiros estão: Safe Park, DC Set, Estapar e Tornak.
    O “marco zero” foi anunciado para o aniversário de Porto Alegre, neste dia 26. Agora ficou para setembro.
    O novo diretor adianta que a área do Cais Mauá não ficará fechada até lá. “Começarão a acontecer coisas pontuais, por exemplo, em um final de semana um evento de jazz ou de gastronomia”.
    (Com informações do Jornal do Comércio, Correio do Povo e O Sul)
     

  • Polícia gaúcha investiga duas ameaças inspiradas no atentado de Suzano

    Por Tiago Lobo
    Dois casos aparentemente inspirados na tragédia de Suzano, em São Paulo, estão sendo investigados pelas autoridades policiais do RS.
    O ataque ocorrido na escola paulista Raul Brasil na quarta-feira, 13, deixou 10 mortos e 11 feridos, por dois jovens encapuzados que abriram fogo nas dependências da instituição.
    O primeiro caso foi mencionado no dia 19 de março, pela delegada Nadine Farias, chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em palestra na Associação Comercial de Porto Alegre. Ela revelou que um suspeito com características semelhantes aos jovens que praticaram o atentado em SP foi preso no interior do RS. Mas evitou dar mais detalhes: “Não informamos à imprensa para evitar pânico”, explicou.

    Delegada Nadine falou na ACPA nesta terça-feira

    O caso a que a delegada se referia ocorreu menos de um dia após o ataque em SP.
    Um jovem de 21 anos, residente de Santa Rosa, no noroeste do RS, publicou ameaças no seu Facebook, na noite do dia 14, onde dizia:
    “Pêsames aos mortos, mas parabéns aos heróis, sabem quem são? (…) São os dois garotos que praticaram tal ato (…) corram mais rápido que as minhas balas”.
    A postagem do jovem de Santa Rosa

    As ameaças em alusão à tragédia de Suzano geraram pavor entre os alunos do Centro Tecnológico Jorge Logemann, em Horizontina, cidade vizinha de Santa Rosa, com 20 mil habitantes, onde o rapaz estudou até o ano passado.
    Na manhã seguinte muitos alunos não foram à escola, o que levou a diretoria a registrar um Boletim de Ocorrência. No mesmo dia foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na casa do suspeito que resultaram na sua detenção, apreensão de anotações, touca ninja, bandana de caveira (como a utilizada em Suzano), um livro, HD e celulares.
    Detido e levado para prestar depoimento na delegacia de pronto atendimento de Santa Rosa, o jovem foi liberado e responderá por “apologia ao crime”.
    O vice diretor da escola, Wilson Hélio Hirt, disse ao JÁ que o jovem detido nunca apresentou sinais de violência enquanto era aluno. “Acho que não fez por maldade, foi ingenuidade”, afirmou.
    Ameaça assombra universidade
    Ameaça veio da Deep Web

    Às 21h20min do dia 13/03/2019, poucas horas após a tragédia paulista, outro jovem publicava mensagens de ódio e ameaças no Dogolachan, um fórum anônimo localizado na primeira camada da chamada Deep Web, uma região da internet que não está visível aos operadores de busca e necessita de um navegador específico para ser acessada.
    No post original o usuário sentencia:
    “(…) já ocorreu em creche, escola infantil, ensino médio. Quero ser o primeiro a fazer uma chacina numa universidade. Quem viver, verá, e quem morrer é escória.”
    No dia 18/03 mais uma mensagem anuncia o seu alvo:
    “Fiquem ligados nas notícias do Rio Grande do Sul até o final do mês irei gerar o maior lulz que esse país já presenciou (…)”
    Lulz, na linguagem dos frequentadores desse fórum é uma corruptela da gíria norte-americana lol (laughing out loud, ou “rindo alto”) que geralmente é utilizada para expressar alegria pelo sofrimento alheio.
    Outros usuários incentivaram autor das ameaças

    As mensagens que seguem são de usuários comemorando e incentivando o ataque para planejar o que este grupo chama de atcvm sanctvm. Uma ação terrorista para “rir do sofrimento da sociedade”.
    Um membro sugere o ato no Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), como seu “presente de aniversário“, e teoriza que a segurança  é “meramente patrimonial” e que o seguranças seriam assaltados por “negros”, visto que Brigada Militar não poderia entrar no local, o que não é verdade.
    Outro pede “mate as vadias das exatas no campus do vale”.
    Suspeita-se que Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, os atiradores da tragédia de Suzano, tenham sido frequentadores do mesmo fórum em que estas ameaças foram publicadas.
    As mensagens se disseminaram rapidamente pelo whatsapp e grupos de alunos no Facebook. No dia 20 a insegurança já havia tomado conta de estudantes e funcionários.
    Às 9h54min daquela quarta-feira um professor do Instituto de Matemática e Estatística da universidade, que pediu para não ser identificado na reportagem, disparou um comunicado interno para colegas explicando que apesar da inverossimilhança das “ameaças”, é necessária “atenção especial ao ambiente de trabalho (…) em relação à segurança”.
    Às 16h a reitoria estava em uma reunião a portas fechadas para tratar exclusivamente do caso e já havia acionado a ABIN, Polícia Federal, Polícia Civil e o setor de Inteligência da Brigada Militar.
    A Brigada Militar reforçou a segurança no Campus do Vale e segundo a assessoria de comunicação social da Polícia Federal “foi determinada a instauração de inquérito pela Delegacia de Defesa Institucional, unidade especializada na investigação desse tipo de delito. A área de inteligência da Polícia Federal está trabalhando integrada com a Secretaria de Segurança Pública do estado e com a Polícia Civil e Brigada Militar”.
    O JÁ segue acompanhando os desdobramentos do caso.
     
     

  • Em alerta pelo atentado de Suzano polícia prende suspeito no RS

    A polícia gaúcha prendeu um suspeito com características semelhantes aos jovens que praticaram o atentado em Suzano, onde dois jovens mataram oito pessoas a tiros dentro de uma escola estadual.
    O suspeito foi localizado pelo serviço de inteligência da Polícia Civil e em sua casa foram encontrados catálogos de armas e uma máscara semelhante à usada por um dos jovens que praticaram o atentado em Suzano.
    A informação foi passada pela delegada Nadine Farias, chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em palestra sobre segurança na Associação Comercial de Porto Alegre.
    A delegada evitou dar detalhes, nem mesmo revelar a cidade do interior onde o suspeito foi encontrado. “Não informamos à imprensa para evitar pânico”, disse ela. Ela não informou também se o suspeito continua preso.
    Nadine Farias é a primeira mulher a comandar a Polícia Civil gaúcha, em 177 anos da instituição.
    “Quebra de Paradigmas” foi o tema do bate-papo da reunião-almoço MenuPOA, nesta terça-feira, 19, promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre.
    Segundo ela, nos seus quase sete anos de atuação na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher percebeu uma violência silenciosa contra as mulheres. “Em 2005, quando não havia a Lei Maria da Penha – sancionada em 2006 para proteger a mulher da violência doméstica e familiar -, o agressor só assinava um termo circunstanciado de ocorrência e ia embora.”
    Para Nadine, a Lei Maria da Penha foi uma quebra de paradigma. “Fui atuar na Delegacia da Mulher para implantar essa lei.” Hoje são 22 postos em operação, que atendem cerca de 40 mulheres por dia e mais de mil ocorrências por mês. “A sociedade precisa fazer uma reflexão sobre isso”, acrescenta.
    Nadine tem uma posição polêmica em relação a construção de presídios.  Ela é contra a construção de um Presídio Federal em solo gaúcho. “Junto com o preso vem a família e a facção. Minha sugestão é que cada município tenha seu pequeno presídio e cuide de seu preso, mas temos que enfrentar esse preconceito.”
    A delegada entende que a polícia precisa investir em prevenção e não só repressão. Na Polícia Civil temos o “Papo de responsa”, programa com atuação junto às escolas de ensino fundamental, médio, sejam elas públicas ou privadas, na promoção de um diálogo descontraído sobre prevenção à violência e o papel do policial na sociedade, tendo como público alvo a interlocução com crianças, adolescentes e jovens. “A ideia é mostrar para o jovem que a polícia existe para proteger e não só punir.”
    Outro projeto da Polícia Civil é Galera do Bem. O aluno, líder de turma (escolhido pelos colegas) é habilitado para mediar conflitos na escola. Ele recebe uma camiseta que o identifica com o mediador e o tornará referência entre seus colegas na mediação dos conflitos escolares.
    Nadine lembrou a “teoria das janelas quebradas”, defendida pela primeira vez em 1982 pelos norte-americanos James Wilson e George Kelling.  A deterioração da paisagem urbana é lida como ausência dos poderes públicos, portanto enfraquece os controles impostos pela comunidade, aumenta a insegurança coletiva e convida à prática de crimes. “Temos que unir a sociedade, pois sozinha a Polícia Civil não vai resolver o problema da violência”.

  • Z Café apoia campanha por menino com doença rara

    A rede Z Café se engaja em uma campanha para arrecadação de fundos em prol do menino Antonio Canuso da Conceição, portador de AME (Atrofia Muscular Espinhal), uma síndrome rara que causa a perda dos movimentos e problemas no sistema respiratório.
    Durante uma semana, a partir da quarta-feira (20), os clientes que comprarem a caneca produzida especialmente para ação , no valor de R$ 35, não precisarão pagar pelo café expresso. A promoção é válida para todas as unidades da cafeteria.
    De acordo com Sandro Zanette, sócio da rede Z Café, a iniciativa busca fazer com que Antonio consiga arrecadar o quanto antes o valor necessário para a aquisição de um remédio capaz de paralisar o avanço da doença. “Este é um papel social que iremos realizar. Queremos fazer a nossa parte neste desafio, assim como buscamos conscientizar que mais pessoas ajudem”, ressalta.
    Antônio nasceu em 20 de maio de 2018 sem sinais da doença. Com o passar dos dias, começou a não responder a determinados estímulos o que levou os pais a procurarem um especialista. Os exames apontaram que ele é portador de AME (Atrofia Muscular Espinhal), uma doença fatal, mas que pode ser controlada por meio de uma medicação importada chamada Spinraza.
    O custo da dose da medicação é de R$ 364.565,98, sendo que para o tratamento anual, o menino necessita arrecadar R$ 2.187.395,88. Além de um campanha nas redes socias e abertura de contas para depósito, a campanha chegou a empresas como o Z Café.
    (Com informações da Assessoria)

  • Imperadores, campeã: "Tiramos do lixo o luxo que se viu na avenida"

    Mesmo abandonado pelo poder público, o carnaval de Porto Alegre resiste.
    Com recursos próprios, 15 escolas desfilaram no Porto Seco no fim de semana.
    A Imperadores do Samba foi a grande campeã entre as agremiações da Série Ouro, conquistando 139,8 pontos.
    A Estado Maior da Restinga ficou com segundo lugar, com 139,4 pontos, e o Império da Zona Norte, com 132,2 pontos, com a terceira posição.
    Sem arquibancadas, com cortes de luz e sem troféus, o prêmio dos vencedores foi a vibração e o choro dos milhares de participantes sob os aplausos do povão.
    O presidente da Imperadores, Érico Leoni, desabafou:
    ” Isso é a força da Imperadores. Não tínhamos recursos e fizemos do lixo o luxo que se viu na avenida”.
    O enredo comemorou os 60 anos da escola, fundada em 1959.  Cristiano Oliveira, diretor de Harmonia explicou:
    “Fizemos um passeio pela historiografia falando de nossas origens cravadas na África, já que nossa escola é oriunda do Areal da Baronesa, bairro com forte presença da população negra, e chegamos até os dias de hoje com a influência também da cultura gaudéria”.
    No desfile vitorioso, foram impressionantes os dois momentos em que a bateria parou e o público cantou o samba enredo à capela. 
    ” Agora só ficou no Carnaval só quem é apaixonado por essa festa. Eu tenho a Imperadores na veia”, disse Oliveira..
    Para o diretor-financeiro da União das Entidades Carnavalescas do Grupo de Acesso de Porto Alegre (Uecgapa), Rodrigo Costa, a lição que se tira deste Carnaval é de que o povo consegue fazer sua própria festa quando quer:
    – Quando se arregaça as mangas, dá certo. E mesmo em março, fora de época, as pessoas compareceram. Foi um Carnaval da comunidade. Vamos para 2020 com fôlego imenso.
  • Marielle traz uma novidade muito grande, diz sociólogo

    Entrevista a Eduardo Maretti, da RBA
    Para Laymert Garcia dos Santos, a morte de Marielle provocou um despertar, revelado pela grande repercussão no 14 de março: “as pessoas começaram a se tocar de que não podiam mais tolerar o intolerável”
    A enorme propagação de manifestações e atos políticos no Brasil e no mundo, na data em que se completou um ano do assassinato da Marielle Franco (na quinta-feira,14), se deu por características muito especiais da luta da vereadora do Psol no Rio de Janeiro. Na opinião do sociólogo Laymert Garcia dos Santos, há “uma novidade muito grande no que Marielle encarna”.
    A novidade é algo que as pessoas e militâncias, no Brasil e no exterior, começam só agora a entender, como que intuitivamente: o significado de Marielle é que ela representa todas as lutas.
    “Ela representa a luta de gênero, a luta de classe, a luta de raça e por direitos humanos. E ela faz isso de uma maneira muito própria, que vai além de militância, porque, ao mesmo tempo em que são opções políticas que ela fez, ela encarna isso, cada uma dessas facetas, no próprio modo de existência dela”, diz Laymert.
    É paradoxal que o Brasil tenha precisado da morte de Marielle para que houvesse uma reação como a vista no dia 14. “É paradoxal porque indica, de certa maneira, a letargia e o atraso da consciência no Brasil.”
    Quando o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que “ninguém conhecia quem era Marielle antes de ela ser assassinada”, ele tentou reduzi-la a uma dimensão mínima. “Para ele, Marielle era uma líder comunitária de merda, e ‘matável‘ por milicianos. Matável no sentido que Giorgio Agamben fala: uma vida nua que pode ser ‘matada‘ sem consequência”.
    Mas, como mostra a realidade, o filho do presidente da República se enganou, as consequências são reais e a reação, impressionante. “E a tendência é só crescer. A luta dela, em vez de acabar com a morte, se multiplicou.”
    Qual o significado da repercussão do aniversário da morte de Marielle Franco no Brasil e no mundo?
    Marielle traz uma novidade muito grande no que ela encarna: ela representa a luta de gênero, a luta de classe, a luta de raça e por direitos humanos. E ela faz isso de uma maneira muito própria, que vai muito além de militância, porque, ao mesmo tempo em que são opções políticas que ela fez, ela encarna isso, cada uma dessas facetas, no próprio modo de existência dela. Acho que foi por isso que comoveu de maneira tão forte, com a sua morte, não só no Brasil. Mesmo quem não a conhecia, quando conheceu quem ela era, de uma maneira ou de outra, foi tocado por alguma faceta dessas lutas. E essa faceta contamina as outras facetas de luta. Ela é uma espécie de emblema da sinergia dessas lutas. Por isso teve um alcance internacional tão forte, que só tende a crescer.
    Mesmo assim, essa reverberação mundial não é surpreendente?
    É completamente surpreendente, tanto mais porque não se conhecia a luta dela internacionalmente. Quando as pessoas ficam conhecendo o que ela encarna, o que encarnava, o que era ela com a luta dela, entendem que extrapola o Brasil, que a luta é muito maior do que uma luta só no Brasil. Ela (e sua luta) é totalmente brasileira, mas é internacional ao mesmo tempo. A repercussão foi enorme por causa desse amálgama. Ela é um emblema, e um emblema de que isso é possível. É um emblema de que é possível essa sinergia de lutas, num modo de vida, num modo de existência.
    O contraponto disso é quando Eduardo Bolsonaro, recentemente, falou que “ninguém conhecia quem era Marielle antes de ela ser assassinada”, tentando reduzi-la a uma dimensão mínima, como se dissesse que “ela ficou conhecida porque deram mídia para ela”. Ele mostra a incompreensão da dimensão do que é isso que estou falando. Porque, para ele, Marielle era uma líder comunitária de merda, e “matável”. Matável por milicianos, no sentido que Giorgio Agamben fala: uma vida nua que pode ser “matada” sem consequência.
    E acontece que, justamente pelo modo como ela encarnava todas essas lutas, essa vida que era “matável” se tornou um emblema da sinergia de lutas e ganhou essa dimensão. E a tendência é só crescer. A luta dela, em vez de acabar com a morte, se multiplicou.
    Não é paradoxal que o Brasil, depois de todo o processo pelo qual passou de 2015 e 16 para cá, tenha precisado de uma morte como a dela para que houvesse uma reação desse nível?
    É paradoxal porque indica, de certa maneira, a letargia e o atraso da consciência no Brasil. O atraso e a maneira como se concebe tudo isso fragmentado, como opções políticas apenas, e não como modos de existência. E, como opções fragmentadas, ou você briga por classe, ou por raça, ou você briga no feminismo, ou por gênero LGBT etc. E não se entende que tem uma ligação profunda entre todas essas lutas. Foi preciso que alguém encarnasse isso para as pessoas começarem a se tocar.
    Segundo o jornal The New York Times, o assassinato de Marielle acabou por provocar uma “urgência de vida ou morte nos movimentos de direitos que ela adotou”. Isso tem a ver com sua análise?
    Acho que tem, sim, no sentido de ter um despertar. Porque o limite foi ultrapassado, mas o limite que foi ultrapassado foi o limite do intolerável. Enquanto essas lutas estavam todas divididas em caixas, o limite do intolerável não tinha sido ultrapassado. Com a morte dela, as pessoas começaram a se tocar de que não podiam mais tolerar o intolerável.
    A morte mostrou como a extrema-direita reagiu, comemorando uma execução, e por outro lado despertou esse sentimento de se ter ultrapassado o limite. Mas é porque era essa figura que era emblemática, e as pessoas nem sabiam que existia isso, esse feixe de lutas que podia ser exercido dessa maneira. Você vê que passou um ano e só cresceu, de lá para cá, a coisa toda de Marielle.
    A repercussão internacional ajudou a chegar aos suspeitos?
    Acho que a pressão internacional foi forte e vai aumentar. Uma representante da ONU (Birgit Gerstenberg, representante para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos) já indicou isso, que é preciso encontrar os mandantes. Essa historinha de que só apontar os executores satisfaz… Não satisfez e não vai satisfazer. A pressão só vai aumentar. E essa versão que tentaram apresentar, de que foi um crime de ódio e ponto, não colou. É importante a pressão internacional, não só porque mostra o efeito no mundo desse processo, mas porque reforça também internamente essa repercussão.
    Acha que vai se chegar aos mandantes?
    Eu acho que precisa chegar aos mandantes. Porque enquanto não se chegar a eles essa história não terminou. A pressão precisa ser muito forte para se chegar aos mandantes, sejam eles quem forem.