Desistência de João Dória abre caminho para terceira via com MDB na cabeça

O governador João Dória anunciou nesta segunda-feira, 23, a retirada de sua candidatura à Presidência da República, para a qual fora indicado nas prévias do partido.

O que inviabilizou Dória foi sua insistência e manter a cabeça de chapa, o que estava travando um acordo já semi-costurado com o MDB, para viabilizar uma chapa de terceira via.

A saída de Dória, abre caminho para que essa aliança se concretize, com Simone Tebet na cabeça e um nome do PSDB,  que pode ser o ex-governador Eduardo Leite. como vice.

As declarações de Michel Temer, a raposa-mór do MDB, elogiando o despreendimento de Dória e lembrando que Simone Tebet tem viabilidade eleitoral, são reveladoras.

 

Programa de Recuperação Fiscal: um beco sem saída

O acordo do governo do Rio Grande do Sul com a União, intitulado  Programa de Recuperação Fiscal, vai jogar para a frente, por 30 anos, uma dívida que o Estado não tem como pagar hoje e nada indica que terá, lá adiante.

O Estado devia 9 bilhões de reais quando renegociou sua dívida com a União, pela última vez há 25 anos. Pagou mais de 30 bilhões e ainda deve mais de 60 bilhões.

Nas condições em que está renegociando, estima-se que essa bola de neve vai chegar aos 90 bilhões, apesar do imenso sacrifício exigido, além do que já vem exigindo há mais de duas décadas.

Para  obter mais prazo do credor – o Governo Federal – o Estado terá que se submeter a um arrocho. sem precedentes no orçamento público.

O teto de gastos, uma das exigência do acordo, estrangula os serviços públicos por dez anos. O comprometimento da receita, para abater a dívida, jugula os investimentos.

O dinheiro das privatizações cai no sorvedouro do custeio. Ao vender empresas lucrativas como a Corsan e a Sulgás, o governo abre mão de receitas a longo pazo.

Nesse futuro de penúria, a única coisa que pode alterar a situação é um crescimento forte e continuado da receita, que depende de crescimento sustentado da economia regional.

Os ideólogos do neoliberalismo acreditam que os investimentos privados virão e vão fazer girar a roda, estagnada há quase uma década.

Não há antecedente que dê crédito a essa hipótese.

O histórico mostra que há crescimento quando há um projeto e há investimento público.  E isso não há no horizonte. O que cresce no Estado é o agronegócio, que não paga impostos e dá pouco emprego.

Ter desenvolvimento com “Estado Mínimo” é uma hipótese, ou uma utopia, por enquanto, confinada aos manuais neoliberais.

O governo e seus aliados dizem que não há outro caminho.

Sim, esse foi o caminho construído ao longo de mais de duas décadas,  Eduardo Leite apenas está dando o arremate.

Desde a primeira renegociação da dívida com a União, há 25 anos, apenas dois governadores, Olívio Dutra e Tarso Genro, contrariaram a lógica de tratar o problema com ênfase quase exclusiva no corte dos gastos públicos.

Entenderam que o déficit , fonte da calamidade financeira, decorre também da perda estrutural de receitas, com as desonerações, as mudanças na matriz econômica do Estado e na perda de poder político frente à União.

Olívio Dutra  enfrentou a questão da Lei Kandir, de interesse da União, que isentou a soja e outros produtos de exportação. Obteve ressarcimento de pelo menos R$ 400 milhões, em valores da época.

Tarso questionou o indice que  corrigia a dívida, o mais alto do mercado, e os  juros bancários, num contrato entre dois entes federados.  Provocou mudança no indexador e redução do juro. Conseguiu redução considerável do saldo.

Os demais governadores, desde Antonio Britto,  atacaram o desequilíbrio estrutural das finanças públicas do Estado basicamente cortando custos e investimentos e vendendo empresas públicas.

Esse caminho se aprofundou quando o governador  dvo Sartori, em 2017, não conseguiu mais pagar as parcelas mensais da dívida com a União.

E se tornou um beco sem saída em maio de 2022, quando a dívida vencida bate nos 16 bilhões de reais.

 

 

 

 

 

 

Eleições 2022: Eduardo Leite e o desafio da reeleição

O governador Eduardo Leite soltou um “balão de ensaio”: fez chegar ao repórter Gerson Camarotti, do G1, a informação de que pretende se candidatar à reeleição, quebrando promessa de campanha muitas vezes reiteradas.

Aos jornalistas locais ele diz que “ainda não se decidiu”, mas confirma que a hipótese está sendo considerada.

Na verdade, depois de idas e vindas na tentativa de ser candidato à presidência  da República,  o governador parece ter ficado num beco sem saída: ou concorre à reeleição para defender seu “legado”  ou corre o risco de ficar sem mandato e ver seu projeto esvaziado.

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Leite anuncia reajuste de 6% ao funcionalismo; defasagem supera 50%, segundo os sindicatos

Em jantar com deputados da base aliada na noite de terça-feira (29), o governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou reajuste de 6% aos servidores(as) estaduais.

O governador deixa o cargo nesta quinta-feira, 31, para tentar viabilizar sua candidatura à Presidência da República e apresentou aos aliados os projetos que encaminhará para aprovação  da Assembléia Legislativa.

“A proposta é uma vergonha”, segundo nota publicada no site do CPERS .  “Em sua maioria, os servidores(as) públicos estaduais estão sem reajuste salarial há sete anos. Para recuperar o poder de compra precisam de um reajuste de 56,29%”.

Segundo dados do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz),  o Rio Grande do Sul foi, o quarto estado com maior volume de arrecadação em 2021, com total de R$ 51,3 bilhões arrecadados.

Ficou atrás apenas de São Paulo (R$ 219 bi), Minas Gerais (R$ 79 bi) e Rio de Janeiro (R$ 58 bi) (Tabela 1).

Segundo o Cpers, os 6% que o governador promete representam menos de 1% ao ano desde o último reajuste, há sete anos.

“Vale destacar, que neste mesmo período, o preço da Cesta Básica – calculada pelo Dieese, com base nos custos médios da capital – aumentou de R$ 342,62 para R$ 695,91; o equivalente a 103,1%”, diz a entidade..

Eduardo Leite deixa o governo apostando numa frente para sustentar sua candidatura à presidência

Numa entrevista coletiva com 60 veículos inscritos, o governador Eduardo Leite anunciou na tarde desta segunda-feira,(28) que vai deixar o cargo de governador do Rio Grande do Sul, mas não vai sair do PSDB.

Ele disse que renuncia para explorar “todas as possibilidades” que se abrem para sua carreira política: candidato à presidência por uma coligação de centro direita, candidato ao senado pelo Rio Grande do Sul ou, em último caso, ser candidato à reeleição, para defender seu governo.

Leite deixou clara sua prioridade ao anunciar que vai percorrer o país para propor “um novo olhar sobre o Brasil”.

João Dória, já escolhido como candidato do PSDB, é um obstáculo a essa ambição. Mas Eduardo Leite acredita que “as prévias não tem exclusividade” (na indicação do candidato) e que “acima das prévias está o Brasil e seu futuro”.

Ele deu sinais que confia numa grande frente do “centro democrático”, reunindo PSDB, PMDB, União Brasil, PSD, Cidadania e “outros”, que está se formando e pode atropelar a pré-candidatura de João Dória, que até agora aparece sem expressão nas pesquisas. Não é só uma questão de projeto, antes há uma questão eleitoral, sugeriu.

À frente dessa ampla aliança, ele se tornaria não a terceira, mas  a “primeira via”, acima da polarização estabelecida entre Lula e Bolsonaro.

Aparentemente, o que tem fortalecido o nome de Eduardo Leite entre às alternativas à polarização, é o elevado índice de intenção de voto em Lula por parte da juventude, registrado nas últimas pesquisas.

Ele citou reiteradamente sua condição de líder jovem (é governador aos 36 anos) e disse que pretende percorrer o Brasil “pelos jovens”.

 

 

Eduardo Leite diz que fica no PSDB; Dória fala em golpe para derrubar sua candidatura

O governador Eduardo Leite, do RS, telefonou domingo (27) à noite para o presidente do PSD, Gilberto Kassag e avisou que vai ficar no PSDB. A informação foi publicada na manhã desta segunda-feira,28, pela repórter  Andréa Sadi, do G1, tendo Kassab como fonte

O anúncio de que deve ficar no PSDB  está previsto para esta segunda-feira (28), na entrevista coletiva que o governador convocou para às 14 horas.

Leite, que perdeu as prévias no PSDB para João Doria, quer ser candidato à Presidência da República.

Para isso, no entanto, precisa esperar Doria abrir mão da candidatura – o que o governador de São Paulo já disse que não fará.

Nas tratativas para ficar no PSDB, Leite ouviu de adversários de Doria, do grupo do deputado Aécio Neves, que Doria vai abrir mão da candidatura. Mas, na verdade, trata-se de um projeto de “golpe” em curso para tentar tirar Doria do páreo. Dória tem repetido que para desistir da candidatura só se for um “golpe” da ala aecista do PSDB.

No domingo (27), Dória afirmou que a articulação de parte minoritária de integrantes do PSDB que querem tirá-lo da disputa presidencial na eleição de 2022 é uma “tentativa torpe, vil, de corroer a democracia e fragilizar” o partido.

Aliados de Doria preveem uma briga judicial caso haja essa tentativa para anular as prévias. Sobre Leite ficar no PSDB, no entanto, Doria considera uma decisão acertada.

(Com informações do G1)

Leite convoca coletiva de imprensa nesta segunda e pode entregar o cargo

A assessoria de Imprensa do Governo do Estado do Rio Grande do Sul convocou os jornalistas para uma coletiva do Governador Eduardo Leite na próxima segunda-feira no Palácio Piratini.

O conteúdo ou tema da entrevista não foi divulgado mas internamente se fala que Leite poderá anunciar a sua saída do Piratini para se  candidatar à presidência do país.

Não é novidade o interesse do Governador do Rio Grande do Sul de concorrer ao Palácio do Planalto, mas a derrota nas prévias do PSDB, para o governador de São Paulo, João Dória, haviam esfriado as pretensões de Leite.

Com uma possível saída do partido tucano e o ingresso do PSD, Leite viu um alternativa para se lançar presidente ainda em 2022, o que poderá ser selado de vez depois da coletiva da próxima segunda.

Sindicato denuncia o desmonte do IPE Saúde e defende independência administrativa

O IPE Saúde divulgou na quinta-feira, 17, nota de esclarecimento em resposta à ameaça de suspensão de credenciamento pela Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Rio Grande do Sul e a Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (FEHOSUL). Os hospitais reclamam do atraso de pagamento dos serviços.

Segundo Sindicato dos Servidores de Nível Superior do RS (Sintergs), a medida faz parte do “desmonte do IPE Saúde,  que faz parte da política de desmonte de Eduardo Leite e de outros governadores”.

“Deixa evidente o total descaso com o servidor público, com a saúde dos trabalhadores e com a saúde pública”.

Desmantelar o maior prestador de serviço de saúde do Rio Grande do Sul, que atende a quase um milhão de pessoas, é gerar sobrecarga ao sistema público.

O Sindicato dos Servidores de Nível Superior do RS (Sintergs) vem se articulando com outros sindicatos e entidades pelo fortalecimento do IPE Saúde.

Defende a cobrança dos devedores do Instituto, cujo passivo ultrapassa R$ 3,4 bilhões (levantamento de 2013) e a ampliação da receita, com a reposição da inflação do salário dos servidores.

O sindicato também cobra a devolução ou o pagamento dos 214 imóveis que serviam de fundo de reserva, apropriados pelo governo Eduardo Leite.

“É preciso garantir a independência administrativa e financeira, com aplicação de todos os recursos de usuários e por parte do Estado no IPE Saúde. Chega de desmonte, chega de retrocesso, chega de ataque à saúde pública”.

 

(Com informações de Assessoria de Comunicação SINTERGS)

 

Eleições 2022: voltar atrás é o menor desafio de Eduardo Leite

O movimento dos empresários para convencer o governador Eduardo Leite a concorrer à reeleição tende a tornar-se irresistível.

O jantar desta quarta-feira que reuniu dirigentes das principais entidades de representação empresarial vai, certamente, desdobrar-se em outras manifestações e se expandir num efeito de pedra n’água.

Ficará fácil para o recuo da posição que Leite assumiu como irreversível, de não tentar um segundo mandato. Pesará nisso a delicada situação que o jovem governador se meteu por sua obstinada ambição de ser candidato à presidência da República já em 2022.

A obstinação não é recomendável em política, ainda mais se implica em se envolver numa aventura com Aécio Neves,  Aloysio Nunes e outros tucanos de pouca pluma.

O PSDB está caindo aos pedaços exatamente por falta de uma liderança capaz de colocar o partido acima dos interesses particulares e eleitoreiros. Eduardo Leite pode tornar-se esta liderança. Mas o caminho é arriscado

A avaliação otimista que os empresários fazem de seu governo é questionável. Ele seguiu a risca o receituário neoliberal que o empresariado de um modo geral  elevou à condição de panacéia, o remédio para todos os males. Por essa ótica,  Leite avançou como nenhum outro.

No entanto, os efeitos colaterais são graves e o paciente, embora já consiga respirar sem aparelhos, ainda está na UTI. O equilíbrio das contas estaduais que ele conseguiu é instável, o sacrifício exigido do funcionalismo é enorme, grau de deterioração dos serviços públicos é gigantesco e a questão da dívida que garroteia o Estado, está longe de resolvida.

Entre outros agravantes, ainda depende do poder central, que está em mãos adversas. Neste cenário, há que levar em conta, também, a alternidade que o eleitor gaúcho estabeleceu como tradição e que já derrubou nove governadores, que tentaram a reeleição, alguns tão ou mais bem avaliados do que ele.

É um salto triplo, sem rede. Se conseguir,  sua candidatura à presidência estará consagrada em 2026.  Se for derrotado, terá que recomeçar do zero. O que, para quem tem 36 anos, não chega a ser uma tragédia.

Crédito foto: Gustavo Mansur/PP

 

 

 

 

 

 

 

 

Eleições 2022: Eduardo Leite e o tabu da reeleição no Rio Grande do Sul

Os dez governadores que ocuparam o Palácio Piratini desde a volta das eleições diretas, há exatos 40 anos, tem algo em comum: nenhum deles fez o sucessor ou conseguiu se reeleger ao final dos quatro anos de mandato.

Mesmo aqueles que tiveram apoio incondicional dos meios de comunicação não passaram no teste da urnas.

Um caso exemplar é o de Antonio Britto.  Com a notoriedade que ganhou  como porta-voz de Tancredo Neves, elegeu-se duas vezes deputado federal com votação consagradora e, em 1994, chegou ao Piratini cercado por uma aura de modernidade.

Sua prioridade era “governar o governo”, paralisado por uma pesada máquina pública e um déficit crônico em suas contas.

Fez cortes no funcionalismo, fechou estatais deficitárias, deu início às privatizações, renegociou a dívida pública, retomou investimentos e trouxe a primeira fábrica de automóveis para o Estado, antigo anseio dos gaúchos.

Sua reeleição era “líquida e certa” pela unanimidade dos cronistas políticos. Onze partidos apoiavam sua reeleição e seu favoritismo se confirmou no primeiro turno, em 3 de outubro de 1998.

No segundo turno, porém, os eleitores preferiram o petista Olívio Dutra, que venceu por 87 mil votos (1,52% de diferença).

Foi tal o choque que Antonio Britto não compareceu à posse de seu sucessor, alegando que continuava sendo agredido pelo adversário mesmo depois do pleito.

Esse retrospecto de quatro décadas deve estar nas ponderações do governador Eduardo Leite no momento em que ele cogita um segundo mandato. Jovem e desconhecido prefeito de Pelotas, ele se elegeu em 2018 ao arrepio da maré bolsonarista, derrotando o favorito Ivo Sartori, do MDB.

Desde o início, Leite garantiu que não será candidato à reeleição. Mas agora, no último ano de seu mandato, o governador está premido por circunstâncias que abalam sua decisão.

O plano que ele havia concebido, de apoiar o presidente da Assembleia, Gabriel de Souza, do MDB,  para levar adiante  seu programa de reformas    está ameaçado e não há em suas hostes um nome capaz de garantir a continuidade.

Seus correligionários já fizeram chegar à imprensa a avaliação de que a única saída  de Leite, para defender seu projeto é a candidatura à reeleição.

Nas mãos de um governador hostil, as tão elogiadas conquistas do seu primeiro mandato, basicamente medidas de ajuste fiscal, podem virar pó, abalando a imagem de habilidade e eficiência que ele construiu.

Por outro lado, se concorrer e perder, o que pode virar pó é o seu acalentado projeto de chegar à Presidência da República.

Governadores do RS: 40 anos sem reeleição

1982: Jair Soares /PDS

1986: Pedro Simon/MDB

1990: Alceu Collares/ PDT

1994: Antonio Britto/ MDB

1998: Olívio Dutra/ PT

2002: Germano Rigotto/ MDB

2006: Yeda Crusius /PSDB

2010: Tarso Genro/PT

2014: José Ivo Sartori / MDB

2018:  Eduardo Leite/ PSDB