Exposição de livros abre calendário sobre 400 anos das Missões

Mais de 50 obras sobre história, cultura e imaginário dos Sete Povos das Missões estão expostas ao público até o final de março na sede do Instituto Estadual do Livro (Rua André Puente, 318 – Bairro Independência, Porto Alegre).

É o primeiro de uma série de eventos programados para marcar os 400 anos das reduções organizadas pelos padres jesuítas e que chegaram a reunir 30 mil guaranis, numa experiência única de catequeses dos povos originários da América.

Também estão expostos excertos de frases selecionadas das obras e fotografias da série “O Renascer das Missões – 400 anos”, do fotógrafo Clio Luconi.

O publico encontrará obras que transitam entre história, romance, poesia, literatura infantil, HQs, ensaios e artigos, compondo um panorama amplo da produção literária sobre as Missões Jesuíticas Guaranis. Entre as publicações estão títulos considerados fundamentais para a compreensão da temática missioneira, como o clássico “Lendas do Sul”, de Simões Lopes Neto e “Sepé Tiaraju, história das ruínas de São Miguel”, de Alcy Cheuiche.

“Essa mostra é resultado de um trabalho minucioso de pesquisa, montagem e composição dos excertos das obras em exposição. As imagens complementam o nosso olhar sobre as Missões”, explicou o Diretor do IEL, Sílvio Bento.

Para marcar o quadricentenário, o governo do Rio Grande do Sul promove uma ampla programação, que inclui festivais de música, mostras de cinema, concursos fotográficos, debates e atividades educativas, muitas delas realizadas nas próprias ruínas missioneiras.

O site oficial reúne informações, memórias e iniciativas que integram as comemorações, reforçando o papel das Missões como patrimônio histórico e cultural de relevância mundial.

 

Serviço

“Missões Jesuíticas Guaranis – Acervo Literário IEL”

-De 11 de fevereiro a 31 de março

-Rua André Puente, 318 – Bairro Independência, Porto Alegre.

-Horário: 8h30 às 17h30

-Entrada gratuita

Cazarré transplanta personagem em brincadeira (séria) com os mestres

Num feito sem precedentes na história da literatura mundial, a novela brasileira “Breve Memória de Simeão Boa Morte”, do escritor gaúcho-brasiliense Lourenço Cazarré, foi publicada no Brasil em fins de 2025 somente depois de aparecer em Lisboa, onde ganhou 5 mil euros em concurso literário patrocinado pelo governo português.

O mais surpreendente é que se trata de uma corrosiva paródia do festejado conto “O Alienista” (Rio, 1881), que explora com ironia a reviravolta na carreira do médico Simão Bacamarte, um dos mais famosos personagens de Joaquim Maria Machado de Assis, o jornalista-escritor que viveu no Rio de 1839 a 1908.

Mais de um século depois da consagração de Machado como o maior escritor brasileiro, eis que um escritor contemporâneo tem a ousadia de inventar que o “médico psiquiátrico” Simão Bacamarte foi plágio de um personagem cuja criação atribui a João Simões Lopes Neto, jornalista-escritor pelotense que viveu a maior parte da vida em Pelotas entre 1865 e 1916.

Pode? Pode. Na ficção vale tudo, desde que a coisa seja bem feita.

Como fazem muitos escritores que não desistem de suas intuições, Cazarré começou devagar, como numa brincadeira; com o tempo, muito tempo, a história foi tomando corpo até que se abriu a brecha para fazer o que se pode tomar como um desagravo histórico ao pelotense João Simões Lopes Neto, cuja qualidade literária só foi reconhecida pelo filólogo Aurélio Buarque de Hollanda, que avisou o paulista Mário de Andrade, que conversou com o gaúcho Augusto Meyer, amigo do ditador Getúlio Vargas – mais de trinta anos após sua morte, ao contrário de Machado, que se tornou celebridade em vida.

Para alcançar o desfecho de sua história, Cazarré explorou coincidências e contradições entre os dois autores e seus personagens, de modo que pode criar um Simeão Boa Morte espelhado em Simão Bacamarte, com direito a pegadinhas que hão de ser gratas aos fãs do autor de “Contos e Lendas do Sul”, brochura parcamente lançada (200 exemplares) em 1912 em Pelotas.

Sem dúvida, aqui se pode falar de um protesto do Interior contra a Capital, onde mediocridades e/ou nulidades alcançam uma suposta imortalidade acadêmica enquanto gênios da província são descartados, quando não proscritos do cenário artístico. O fato é que o criador de Simeão Boa Morte caprichou na brincadeira, aprofundando a inversão dos papéis entre o Simão original e o Simeão nele inspirado, tendo o desplante de inventar para seu personagem (Simeão) uma morte parecida com a de Brás Cubas, outro célebre personagem de Machado de Assis.

Nascido em Pelotas em 1953, Lourenço Cazarré passou a vida labutando como jornalista e usando as horas vagas para, igual a Machado, escrever ficções de reconhecida qualidade literária, tanto que ganhou vários prêmios, a começar pela I Bienal Nestlé de Literatura, em 1982. Seu romance “O Calidoscópio e a Ampulheta” ganhou de 445 candidatos. Já nesse livro premiado pela banca de cinco jurados da Nestlé – Adonias Filho, Dirce Riedel, Flavio Loureiro Chaves, Letícia Malard e Marisa Lajolo –, ele usa como referência textos de João Simões Lopes Neto, que lhe forneceu as epígrafes para cada uma das cinco partes do livro.

Tem mais: como o Bacamarte machadiano, o Boa Morte cazarresco é apresentado como um médico que largou o ofício para abraçar outras atividades. No caso de Simeão Boa Morte, a escolha teria sido o jornalismo, o teatro e pequenos negócios, o que corresponde efetivamente à trajetória pessoal de João Simões Lopes Neto, que na juventude passada no Rio teria estudado medicina, mas sem chegar sequer à metade do curso – história nunca comprovada, como esclarece Carlos Francisco Sica Diniz, autor da mais completa biografia do maior escritor pelotense, publicada em 2023 pela Editora Coragem, de Porto Alegre.

Em anos recentes, Cazarré esmerou-se em escrever ficções inspiradas em grandes autores nacionais, como Euclides da Cunha (“Os Sertões”) e Graciliano Ramos (“Vidas Secas”). No caso de Machado, a bronca começou durante um curso de mestrado em literatura brasileira na UnB no final dos anos 80, quando lhe tocou analisar a obra de Machado de Assis.

Para fundamentar sua crítica, Cazarré dissecou, por anos, os 30 melhores contos de Machado (título de um livro do século XX), além de passar os olhos por seus romances, poemas, crônicas e sueltos de imprensa. Tanto fez que se cansou do estilo do escritor carioca. No trabalho universitário escrito em 1987, se destacam alguns trechos de gritante sinceridade:

“O que me afastou de Machado foi a falta de ação nos seus romances. É tudo arrastado como a vida no Império. Burocratas sem sal satisfeitos com suas vidinhas medíocres. Trambiqueiros ociosos, parasitas empenhados em dar o golpe do baú”.

Ele prossegue, impiedoso: “No romance ‘Dom Casmurro’ (que plantou no imaginário brasileiro a dúvida sobre a fidelidade da jovem esposa Capitu ao marido Bentinho), “os ricos são apresentados em linguagem sóbria”, enquanto “a galhofa sobra para os trabalhadores como João Pádua ou parasitas pobres que almejam ficar ricos para viver como os ricos”.

Aprofundando sua crítica, o pós-graduando da UnB observou ainda que os personagens machadianos “carecem de transcendência para o bem ou para o mal”, ficando longe, por exemplo, de escritores da mesma época, como os russos Dostoievski ou Tchekov ou franceses que se dividiam entre a imprensa e a literatura, caso de Balzac. Já as mulheres machadianas sonham com casamento, conforto, jantares, posição social e casa própria bem decorada. Nesse aspecto, ao refletir o clima e o conteúdo de romances ambientados em Paris, Machado teria sido um fiel retratista da futilidade da vida na corte de D. Pedro II, cuja influência alcança hoje os dramalhões apresentados toda noite desde 1950 nas telenovelas brasileiras. Em sua monografia engavetada, Cazarré lembra que o elogiado escritor carioca, além de escrever para jornais, era colaborador assíduo de revistas femininas que lhe pagavam “por linhas publicadas”. Além de ter um emprego público, o sujeito era frila…

Naturalmente, Cazarré reconhece os méritos jornalísticos e literários do Bruxo de Cosme Velho, autor de 200 contos, uma dezena de romances, 800 crônicas, além de poemas e artigos na imprensa carioca. Mas, depois de muitos anos, não resistiu à tentação de criar um personagem inspirado em Simão Bacamarte.

Manipulando um vocabulário rebuscado que lembra escritores como José Candido de Carvalho, Dias Gomes e Ariano Suassuna, Cazarré elabora em sua “Breve Memória de Simeão Boa Morte” um folhetim galhofeiro de 82 capítulos curtos em que — em nome de Simeão, claro — vergasta Machado de Assis como criador de personagens repetitivos: rapazes à caça de sinecuras estatais e dotes de jovens casadoiras ou viúvas abonadas. Assim, em cada página de seu memorando, Simeão trata o autor de “Dom Casmurro” como “mercenário”, “casamenteiro literário”, “pérfido, matreiro e pernicioso”, “amanuense do Império”, “pintor de fuxicos”, “alfaiate de lengas lengas matrimoniais” e assim por diante, num rol depreciativo nunca visto no jornalismo ou na literatura nacionais.

Ao apontar Machado como “malévolo e caçoísta”, Cazarré se revela um baita iconoclasta. Sua ousadia foi abonada por um crítico que, à boca pequena, o considerou “muito corajoso” por criticar o maior ícone da literatura nacional, fundador da Academia Brasileira de Letras. É uma irreverência que confirma a habilidade do jornalista-escritor contemporâneo no manejo das palavras: desde seus primeiros escritos, ele carregou na ironia ao construir tramas compactas com personagens autênticos movendo-se em ambientes quase sem enfeites.

Embora tenha escrito alguns romances para os públicos adulto e juvenil, sua especialidade são contos inspirados em acontecimentos de sua terra natal, que chegou a ter codinome (Tapera) e, no caso da sua última novela, é São Francisco do Laranjal, um belo nome que evoca o padroeiro da cidade e seu balneário na Lagoa dos Patos.

Várias de suas histórias são inspiradas em episódios da infância num arrabalde denominado Vila do Sapo, assim chamado por ocupar uma várzea úmida cortada pelo Arroio Pepino, que passa(va) atrás do campo de futebol do GE Brasil, o bravo Xavante. Por aí fica claro que o escritor pelotense acolheu com gosto o conselho do russo Leon Tolstói: “Se queres ser universal, pinta tua aldeia”. A aldeia natal do jovem pelotense era tipo uma favela de banhado.

Transbordando ironia, a história de Simeão Boa Morte combina avaliação literária e crítica social, a qual se estende sem perdão da corte imperial carioca à atual ciranda de Brasília, onde o novelista vive há quase 50 anos.

No Brasil, o livro passou até agora em branco, ressalvada a apreciação positiva de Adelton Gonçalves, ensaísta renomado, com vários livros publicados. Para ele, a novela é tão boa que pode ser considerada uma grande homenagem ao autor de “O Alienista”.

Na orelha da edição brasileira, o crítico André Seffrin afirma que Simeão é uma obra-prima e, como tal, poderia ser, “gaiatamente”, assinada pelo próprio Machado de Assis.

È claro que as tiradas carrazeanas não desfazem a aura que envolve o autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, mas na literatura ninguém está imune à crítica, embora seja muito mais fácil tecer elogios às novidades bem escritas. Outros escritores brasileiros laureados como José de Alencar, Lima Barreto, Jorge Amado, Erico Verissimo, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Oswald de Andrade e Dalton Trevisan foram criticados por seus estilos narrativos, suas posições políticas e até por suas manias pessoais.

No auge da forma técnica, Cazarré não se cansa de trabalhar em projetos novos ou na revisão de livros que relança com inovações formais, distribui aos amigos e põe à venda onde acredita que possam conquistar leitores. Em 2025, inaugurou uma parceria com Fernando Duval, consagrado artista plástico pelotense que mora há décadas no Rio e lhe forneceu ilustrações para a capa de seus dois últimos livros, “Contos Pelotenses” e “Breve Memória de Simeão Boa Morte”.

Com mais de meio século de militância no jornalismo e na literatura, Cazarré tem cacife para ser convidado a tomar chá na ABL. É duvidoso que se interesse por envergar o ridículo fardão dos acadêmicos. De louros literários, a esta altura do campeonato, talvez aprecie ser indicado ao Nobel de Literatura.

Sim, teria café no bule, mas para chegar à Academia Sueca precisaria enfrentar outros bons usuários da língua portuguesa no Brasil, na África e em Portugal. De Milton Hatoun a Mia Couto, é cada vez maior a lista de candidatos potenciais a prêmios literários internacionais, com o agravante de que o idioma português somente é falado, lido e escrito por não mais do que 4% da população do planeta. Cazarré leva alguma vantagem por ser dos mais jovens. Em julho completará 73 anos.

SERVIÇO FINAL

Lançada no Brasil pela Faria e Silva, editora do Rio ligada ao grupo Alta Books, a novela sobre Simeão Boa Morte ocupa pouco mais da metade de um livro de 180 de páginas enriquecido com cinco outros contos típicos da verve cazarreana, difundida em dezenas de livros próprios, coletâneas e textos avulsos publicados em sites brasileiros e de Portugal. Está à venda na Amazon por R$ 44.

Os 70 anos de “Grande sertão: veredas”, na exposição da artista visual Graça Craidy, em Niterói

 

Mostra de Graça Craidy, com abertura no sábado (7/2), reúne 50 obras, com destaque para retratos dos personagens da obra-prima de Guimarães Rosa e do próprio autor

*Texto e fotos de Carlos Souza

A obra-prima do escritor João Guimarães Rosa (1908/1967), “Grande sertão: veredas”, que revolucionou a literatura brasileira, completa 70 anos de seu lançamento, ocorrido em 1956, e recebe como homenagem uma exposição no Espaço Cultural Correios, em Niterói (RJ), de autoria da artista visual gaúcha Graça Craidy.

Guimarães Rosa entra no Cerrado a cavalo/Divulgação

De sábado (7/2), quando será inaugurada às 15h30, até 28 de março, a mostra “Grande Sertão”, de Graça, perfila 50 obras, entre as quais destacam-se retratos de alguns dos principais personagens do romance, como Riobaldo, Diadorim, Joca Ramiro, Hermógenes, Zé Bebelo, Otacília, Nhorinhá, Manuelzão, Sô Candelário e Quelemém, por exemplo.

O próprio escritor, que foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963, aparece em dois retratos – num deles se embrenhando no Cerrado mineiro a cavalo junto com vaqueiros – excursão que de fato aconteceu na fase em que coletava dados para escrever a obra. A flora e a fauna da região onde se desenvolve a narrativa ambientam a exposição, com coqueiros buritis, pássaros e aves criados pela artista.

Artista Graça Craidy quer receber visitantes de braços abertos no Espaço Cultural Correios Niterói/ Divulgação

Para ter domínio da temática e aguçar sua inspiração, Graça, de 74 anos, que vive e tem ateliê em Porto Alegre, não só leu o romance como fez um curso – Travessia – sobre o livro, durante o qual leu, releu e debateu a narrativa por meses com a professora da USP Maria Cecilia Marks.

A artista também pesquisou teses, monografias e ensaios sobre o livro e assistiu algumas vezes ao monólogo “Riobaldo”, protagonizado pelo ator carioca Gilson de Barros, com direção de Amir Haddad. O ator fará um pocket show na abertura da exposição no Espaço Cultural Correios.

Ema, ave presente no Cerrado/ Divulgação

Trabalho “expressionista e apaixonado”

“Espero que os visitantes se encantem com a história em quadros do meu ‘Grande Sertão’ particular, expressionista, apaixonado, de cores turvas, ternas e terrosas. Em cada personagem, cena, gesto, o meu gentil convite para despertar nas pessoas o desejo de ler esse grande romance”, diz Graça.

Jagunço Hermógenes/ Divulgação

“Grande sertão: veredas”, na leitura da artista, “retrata o Brasil profundo, em plena mudança do Império para República, a contragosto dos senhores de terra e coronéis que viam no poder central republicano a anulação do seu poder histórico exercido nas pequenas comarcas desde o tempo das sesmarias”.

Para ela, “naquele momento histórico de surdas batalhas entre fazendeiros e seus jagunços contra a polícia e os novos políticos representando a República, um sertão recortado por rios, veredas, coqueiros-buritis, pássaros e animais selvagens acoita homens comuns incomuns à cata de poder e de Deus, em fuga da morte e do Diabo, divididos entre o bem e o mal, regurgitando questões caras à humanidade, como o amor, e mais que amor, o amor entre dois guerreiros: Riobaldo e Diadorim”.

Riobaldo (E) segue os passos de Diadorim, à sua frente/ Divulgação

Com “Grande sertão”, já montada antes em Porto Alegre e no Rio, é a quinta vez que Graça une sua arte à literatura. A primeira foi na coleção “Clarices”, de 33 retratos de Clarice Lispector; a segunda e a terceira foram nas coletivas  “Autorias I” e “Autorias II”, que organizou e participou ao lado de 42 artistas gaúchos que retrataram 51 escritores do Rio Grande do Sul; e “Erico”, em novembro e dezembro de 2025, em homenagem aos 120 anos de nascimento de Erico Verissimo, da qual foi curadora e artista junto com 46 colegas.

Personagem Maria Mutema/ Divulgação

Inovação linguística

Mineiro de Cordisburgo, Guimarães Rosa morava no Rio, na Rua Francisco Otaviano, 33, em Copacabana, quando escreveu as quase 600 páginas de “Grande sertão: veredas”.

Ao entregar os originais à editora José Olympio, em fevereiro de 1956, ele escreveu ao colega diplomata e amigo Azeredo da Silveira: “Passei três dias e duas noites trabalhando sem interrupção, sem dormir, sem tirar a roupa, sem ver cama: foi uma verdadeira experiência transpsíquica, estranha, sei lá, eu me sentia um espírito sem corpo, pairante, levitando, desencarnado – só lucidez e angústia. […] Passei dois anos num túnel, um subterrâneo, só escrevendo, só escrevendo, escrevendo eternamente”.

Manuelzão, personagem da mostra Grande Sertão/ Divulgação

Recebido com aplausos pela crítica, principalmente por suas inovações linguísticas, o livro foi um dos mais vendidos durante meses e venceu prêmios literários como o Machado de Assis. Em 2002, “Grande Sertão: Veredas” integrou a lista dos 100 melhores livros de todos os tempos do Clube do Livro da Noruega. O romance foi a única obra brasileira na relação selecionada por 100 escritores de 54 países.

Bananeira, em aquarela/ Divulgação

SERVIÇO

Exposição: “Grande sertão”

Artista: Graça Craidy

Abertura: sábado (7/2), às 15h30, incluindo pocket show do ator Gilson de Barros

Visitação: de 2ª a 6ª, das 11h às 18h; sábado, das 13h às 18h, até 28 de março

Local: Espaço Cultural Correios, Av. Visconde do Rio Branco, 481, Centro, Niterói, RJ

Entrada franca

*Texto e fotos de Carlos Souza

Tributo a Van Halen por Frank Solari: virtuosismo e amor ao Rock

Texto feito em parceria com Karina Lacerda

O exímio guitarrista Frank Solari fez na última quinta-feira, dia 29 de janeiro de 2026, um show Tributo a Van Halen. Acompanhando Frank, estavam os experientes  músicos Jonathas Pozo no vocal (Rage In My Eyes, Icona Rock), André Gomes no baixo (Cheiro de Vida) e Elias Frenzel na bateria (Reação em Cadeia).

Foto: Karina Lacerda

O público lotou o Sargent Peppers, tradicional Pub do bairro Moinhos de Vento, para assistir ao espetáculo, sendo que os ingressos já haviam se esgotado duas semanas antes. Inclusive, na fila da entrada do show, havia alguns desavisados que esperavam conseguir entradas na hora e acabaram saindo frustrados. Para esses, um consolo: Frank avisou que em breve haverá novas apresentações do projeto. Visivelmente o público era composto quase que majoritariamente por pessoas acima dos 40 anos – aqueles que presenciaram tanto o auge do Van Halen quanto o início da prodigiosa carreira de Frank nas décadas de 80/90 – embora se visse alguns jovens na plateia.

Foto: Karina Lacerda

A poderosa introdução do álbum 1984, que tocou ao fundo enquanto os músicos se posicionavam no palco, preparou a atmosfera do espetáculo. O show começou com a enérgica “Jump”, com Frank nas guitarras e também no teclado, usando nessa um timbre bastante fiel à sonoridade original. Aliás, Frank confessou que já estudava piano há seis anos antes de se dedicar à guitarra, e que justamente foi Eddie Van Halen quem o inspirou a trocar de instrumento principal. No set list ainda constaram hits consagrados das eras mais marcantes da banda: da fase Dave Lee Roth (“Panama”, “Hot For Teacher”, “Running With The Devil”, “Eruption”), à fase Sammy Hagar (“Love Walks In”, “When It’s Love”, “Why Can’t This Be Love”, a emocionante “Dreams” e a clássica “Right Now”). O bis ficou aos encargos de “Pretty Woman” (cover do consagrado sucesso de Roy Orbison) e “You Really Got Me”, uma grata surpresa em um espetáculo que não privilegiou apenas hits, mas também músicas não tão conhecidas do grande público, tais como “Main Street” e “House of Pain”.

Foto: Karina Lacerda

Vale lembrar que Frank, além da brilhante carreira solo com os álbuns
Frank Solari” (que por sinal foi apresentado na íntegra no mesmo Sargent Peppers em 17/10/2024, quando completou 30 anos), “Um Círculo Mágico”, “Acqua” e “Multiversal”, também já se dedicou a outros tributos, tais como Iron Maiden, Santanna e até mesmo ao compositor barroco Antonio Vivaldi, no espetáculo “Vivaldi Elétrico”, apresentado com a Orquestra da Universidade Luterana do Brasil.

Foto: Karina Lacerda

Frank se mostra um músico completo e versátil. Não é apenas um “guitar hero” desfilando sua técnica impecável, mas também um grande intérprete, que emociona seu público com sua incontestável sensibilidade e amor ao que faz, confirmando seu lugar definitivo entre os grandes personagens da história da música gaúcha.

Instituto Ágora lança, em sarau iluminado, o projeto “Vamos ler Cachoerinha?”

O Instituto Cultural e Social Ágora, de Cachoeirinha, credenciado como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, em setembro, prepara-se, agora, para lançar um programa bastante ambicioso denominado Vamos Ler, Cachoeirinha?.
A iniciativa foi contemplada com recursos de uma emenda parlamentar de R$300 mil, destinada à entidade pela deputada Fernanda Melchionna, que lidera a Frente em Defesa do Livro, da  Leitura e da Escrita, do Congresso Nacional.
O Vamos Ler, Cachoeirinha? tem por objeto qualificar, ampliar e diversificar projetos e ações que vêm sendo realizados, no munícipio, pelo Instituto Cultural e Social Ágora e parceiros, visando contribuir para a construção de uma cidade mais leitora.
“Sintam-se todos convidados para o Sarau Iluminado, que realizaremos,  no dia 23 de fevereiro, às 19h, em nossa sede, para apresentar o programa, que envolverá a participação de dezenas de agentes culturais da cidade”, diz a organização do programa cultural e social.

Rádio: governo comemora o crescimento da audiência nas emissoras públicas

Empresa Brasil de Comunicação (EBC) está comemorando o desempenho das emissoras públicas de rádio que tiveram “crescimento histórico” de audiência em 2025.

Uma pesquisa da Kantar IBOPE Media registrou o fortalecimento da Rádio MEC e Rádio Nacional. Os índices ainda são relativamente baixos, mas representam a “maior participação de mercado em toda a série histórica, desde 2010”.

A Rádio Nacional FM de Brasília alcançou 1,49% de share, porcentagem do total de ouvintes da praça, mantendo uma curva contínua de crescimento: os anos de 2023, 2024 e 2025, com participações de 1,36%, 1,42% e 1,49%, respectivamente.

A Nacional FM do Rio de Janeiro também apresentou crescimento, consolidando o desempenho da faixa estendida: o número de ouvintes por minuto cresceu 49% entre 2024 e 2025.

Em Recife, onde a Nacional atua em parceria com a Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC), a rádio também teve aumento na audiência: 17% na comparação entre o último quadrimestre de 2024 e o mesmo período de 2025.

Já em São Paulo, o último quadrimestre de 2025 registrou um crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2024, confirmando a tendência de ampliação de público contínuo da emissora na maior praça do país.

Na MEC FM de Brasília, a audiência cresceu 59% na comparação entre o quarto trimestre de 2024 e o de 2025, refletindo o fortalecimento da emissora na capital federal.

A MEC FM do Rio de Janeiro também manteve trajetória positiva em 2025, com aumento no número de ouvintes por minuto em relação ao ano anterior. Além disso, os anos de 2024 e 2025 representam os melhores resultados da emissora desde 2012 em participação de mercado.

Um dos principais destaques da pesquisa foi a identificação de rejuvenescimento do perfil do público. Nas quatro praças pesquisadas, a Nacional foi a rádio com maior afinidade junto ao público de 15 a 24 anos entre todas as emissoras mensuradas pela Kantar, evidenciando o processo de rejuvenescimento da marca e sua crescente conexão com as novas gerações.

Em Belo Horizonte, a MEC se destacou como a rádio com maior afinidade junto ao público de 15 a 24 anos, indicando elevado potencial de consolidação da emissora em uma nova e estratégica praça.

“Os resultados confirmam o fortalecimento do projeto de radiodifusão pública da EBC, fundamentado na diversidade de conteúdos, na inovação editorial, na valorização da cultura brasileira e na ampliação do acesso à informação de qualidade”, avalia o gerente-executivo de Rádios, Thiago Regotto.

Nesta semana, a TV Brasil e a Rádio Nacional, emissoras públicas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lançaram um novo programa esportivo com três nomes consagrados do jornalismo esportivo brasileiro: Juca Kfouri, José Trajano e Lúcio de Castro. A atração estreia na segunda-feira (26), às 18h, na TV Brasil e no YouTube da emissora, e às 20h em toda a rede da Rádio Nacional.

“Este novo programa reforça o compromisso da EBC com um jornalismo esportivo que não se limita ao resultado e ao entretenimento. No Trio de Ataque, o futebol funciona como instrumento para reflexões mais profundas sobre questões sociais, culturais e do cotidiano, impulsionando debates que estimulam o pensamento crítico do público”, disse o presidente da EBC, Andre Basbaum.

(Com informações da Agência Brasil)

Porto Alegre ganha novo local de arte, o Espaço Físico, no Bom Fim

 

Porto Alegre acaba de ganhar, no Bom Fim, bairro cult da cidade, um novo endereço de arte para exposições, com ateliê e cursos de pintura, desenho, História da Arte e mentorias. Trata-se do Espaço Físico, comandado por Ana Zavadil, mestre em História, Teoria e Crítica de Arte e ex-curadora-chefe do MARGS e do MACRS.

A primeira exposição, uma coletiva, foi aberta sábado (24/01) no endereço, à Rua Felipe Camarão, 700, sala 101, a poucos metros da Avenida Osvaldo Aranha, na região central da cidade. A mostra, em cartaz até 11 de abril, reúne 22 artistas, sob a curadoria de Zavadil.

Ela, que também acumula a experiência de curadora assistente da 10ª Bienal Mercosul (2015), vem organizando um curso de características inéditas a ser lançado em breve.

Com vários ambientes no andar térreo do imóvel, Espaço Físico tem como logomarca, ao lado do nome, um sinal de parênteses preenchido com a letra X. A curadora deu à primeira exposição o título “E tudo inicia com o Espaço Físico”.

Obra de Otto Sulzbach . Foto Carlos Souza/ Divulgação

O novo espaço significa a realização de um sonho para a curadora, formada pelo IA/UFRGS (Instituto de Artes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) há mais de 20 anos. “A exposição inaugural do Espaço Físico assume o mesmo título que define o tema e o conceito do espaço. E Tudo inicia com o Espaço Físico reúne artistas de diversas gerações, apresentando obras em múltiplas modalidades artísticas, organizadas a partir da investigação do espaço físico como condição material, conceitual, sensível e experiencial da prática artística”, explica ela.

A curadoria, acrescenta Zavadil, propõe o espaço como ponto de partida da produção de sentido, examinando relações entre corpo, matéria, forma, percepção e sensibilidade artística. “Como projeto inaugural, a exposição articula diferentes temporalidades da produção artística e inaugura o programa expositivo como campo estruturado de reflexão, experimentação e produção de conhecimento”.

Público na abertura da exposição no Espaço Físico – Foto Carlos Souza/ Divulgação

Dezenas de pessoas ligadas às artes compareceram à abertura da mostra, entre elas Gilberto Perin, Graça Craidy, Rosane Morais, Kika Hermann, Tereza Albano e Vera Carlotto. Os visitantes apreciaram as obras e conheceram os ambientes do imóvel em meio ao coquetel de inauguração.

O Espaço Físico funcionará de segunda a sexta, das 13h às 17h e aos sábados das 9h às 13h. Whats: 51 9 9914 5819.

Curadora Ana Zavadil com a artista Helena d’Avila e sua obra/ Divulgação

Participantes da primeira exposição

A mostra inaugural é integrada por: Alexandra Eckert, Augusto Lima, Beatriz Dagnese, Clara Koppe, Edson Possamai, Fátima Pinto, Fernando da Luz, Flávio Morsch, Griseldes Vieira, Helena d’Avila, Isabel Marroni,  Kika Costa, Lisi Wendel, Mara Castilhos, Marinelsa Geyer, Mary Marodin, Mylène d’Huyer, Otto Sulzbach, Rita da Rosa, Simone Barros, Umbelina Barreto e Yas Almeida.

SERVIÇO

Exposição: “E tudo inicia com o Espaço Físico”

Coletiva: 22 artistas

Curadoria: Ana Zavadil

Onde: Espaço Físico

Endereço: Rua Felipe Camarão, 700, sala 01, Bom Fim, Porto Alegre

Visitação: de segunda a sexta, das 13h às 17h; sábado, das 9h às 13h

Entrada gratuita

 

Erasure em Porto Alegre

Impossível pensar em ir num show como Erasure e não deduzir que será apenas de hits ultradançantes para cantar junto. Apesar disso, Andy Bell trouxe, nesta quarta 21, muito de sua carreira solo para o público que lotou o Araújo Viana em Porto Alegre.

Com figurino explendoroso e uma banda jovem, inclusive com a presença de Chelsea Blankinship, com quem divide o vocal de “Hart’s a Liar” (no álbum, parceria com Debbie Harry, do Blondie),  com certeza a grande surpresa foi o cover de “Xanadu“, da Electric Light Orchestra (mais conhecida na voz de Olivia Newton John em filme homônimo), especialmente quando Erasure já bebeu muito da fonte do ABBA, que nem deu os ares pelo setlist. Ainda assim, Andy Bell, no auge de seus 61 anos, mostrou carisma impecável, elogiou a plateia (falando da beleza do público aqui do sul), perguntou como se diz “I Love You” em português e fez clássicas danças de pista anos 80/90, num revival de emoções.

O trabalho solo de Andy, “Ten Crows“, não chegou aqui com a força que o Erasure tem, sendo desconhecido ainda por grande parte do público, mesmo sendo contemporâneo e não abandonando suas origens. Ainda assim, o que levantou o público foram os clássicos “Blue Savannah Song“, “Chains of Love“, “Sometimes“, “Love 2 Hate U“, “Stop“, “Oh L’amour” e “A Little Respect“.

Sem dúvida, a capital gaúcha vem numa crescente de shows muito interessantes, claramente voltando ao circuito das turnês nacionais, e o synthpop ainda atrai multidões, perceptível até quando, antes do telão subir, começou “Blue Monday“, do New Order, e já colocou as pessoas a dançar e se emocionar.

Confira algumas imagens do show, de Karina Lacerda.

 

Passeios com o Memorial do MP-RS: “A Praça da Matriz e o Positivismo”

O Memorial do Ministério Público do RS realiza nesse sábado, 24 de janeiro, a continuação das caminhadas orientadas pelo professor José Francisco Alves, pesquisador e autor do livro “A Escultura Pública de Porto Alegre” (2022).
O novo roteiro de Passeios com o Memorial vai tratar de duas importantes obras do nosso patrimônio Cultural, o *Monumento a Júlio de Castilhos* (1913) e a *Biblioteca Pública do Estado* (1912-1922).
• *24 de janeiro*, Sábado,
• Encontro às *10h*, no Memorial do MP-RS, Praça da Matriz, 110
• Inscrições gratuitas realizadas pelo WhatsApp *(51) 99731-7119*
• Vagas limitadas
O Monumento a Júlio de Castilhos, em seu tempo considerado um dos pais fundadores da República, foi encomendado logo após a sua morte, em 1903. Para executá-lo, o governo do estado contratou o escultor e pintor Décio Villares, do Rio de Janeiro, sendo os bronzes modelados e fundidos na França. Constitui-se em um dos principais monumentos a políticos brasileiros.
Divulgação
A Biblioteca Publica do Estado é um dos mais interessantes palácios das belas artes (arquitetura, escultura e pintura) do Rio Grande do Sul. Foi construído em dois momentos, sendo a primeira parte concluída em 1912; a segunda, em 1922. A sua fachada é a única do mundo, destacando uma visão de mundo muito particular, o calendário positivista, fazendo de um prédio laico (Biblioteca) e público um veículo de propaganda do poder, então empolgado pelo Partido Republicano Rio-grandense, identificado com teses e com o jargão Positivista, corrente sociológica concebida por Augusto Comte.

Samba pra Namorar e Edu Moreira celebram bailes de clube em noite de música, brilho e nostalgia

Depois de uma estreia marcada por público animado e muitos elogios, o Baile de Carnaval do Grezz retorna em 2026 para sua segunda edição, reafirmando-se como um dos eventos mais charmosos e afetivos do calendário carnavalesco de Porto Alegre. No dia 1º de fevereiro, a partir das 21h, o Grezz (Rua Almirante Barroso, 328 – bairro Floresta) volta a ser palco de uma noite que resgata a elegância, o brilho e a atmosfera dos grandes bailes de clube que marcaram época.

Idealizado pelo grupo Samba pra Namorar, comandado por Andréa Cavalheiro e André Nascimento, em parceria com o cantor Edu Moreira, o evento nasceu do desejo de reviver os antigos altos bailes de Carnaval — aqueles que uniam música de qualidade, figurinos caprichados, pista cheia e um clima de celebração coletiva. O sucesso da primeira edição confirmou que havia público e saudade desse formato, impulsionando a realização do segundo ano.

No palco, o público encontrará uma super banda, com arranjos sofisticados e energia contagiante. “Vamos ter o glamour das antigas marchinhas, unindo-as com as músicas dançantes como axé baiano, sambas enredo históricos do carnaval e músicas populares consagradas da nossa MPB, ao som de uma banda com sopro, cordas, Percussão, Rainhas de bateria e três cantores”, afirma André Nascimento. Tudo isso em um ambiente moderno e acolhedor, que oferece farto cardápio e uma carta de bebidas que agrada os gostos mais variados.

Edu Moreira, Andréa Cavalheiro e André Nascimento. Crédito Ana Maidana / Divulgação

Mais do que um baile, o evento se consolida como um encontro entre passado e presente, tradição e contemporaneidade, reunindo diferentes gerações em torno da música, da dança e da alegria que só o Carnaval sabe proporcionar. Os ingressos estarão à venda em breve, e a expectativa é repetir — e ampliar — o êxito do ano anterior, com mais uma noite de brilho, fantasia e celebração.

SERVIÇO

O QUE: Baile de Carnaval do Grezz

DATA: 01 de fevereiro

HORÁRIO: 18h (abertura da casa) – 21h início do show

LOCAL:  Grezz (R. Alm. Barroso, 328, Floresta, Porto Alegre).

INGRESSOS: já disponíveis e variam de acordo com a antecipação:

Lote Promocional: R$ 40,00 + taxas

Primeiro lote: R$ 50,00 + taxas

Segundo lote: R$ 60,00 + taxas

Terceiro lote: R$ 70,00 + taxas

 

COMPRA PELO SITE:

https://www.sympla.com.br/evento/aquece-de-carnaval-no-grezz-samba-pra-namorar-andrea-cavalheiro-andre-nascimento-e-edu-moreira/3269366?algoliaID=b06cb9cec2988f80b5e20462674a8c81&share_id=copiarlink