Em 2018, surgiu a primeira mostra da Galeria Escadaria, no Viaduto Otávio Rocha, no Centro Histórico de Porto Alegre. Ao ar livre, funcionando 24 horas por dia, com acesso gratuito e com predominância de mostras fotográficas. De lá para cá, foram exibidas 43 exposições. Algumas delas foram levadas para outras cidades gaúchas. Com enorme sucesso de público e grande repercussão no meio cultural do Estado.
O fotógrafo, produtor cultural e curador, Marcos Monteiro, 70 anos, gaúcho de Bagé, conversou sobre a galeria com o JÁ Porto Alegre.
JÁ – Como surgiu a ideia da Galeria Escadaria?
Marcos Monteiro – Em 2018, realizei na Escadaria do Viaduto Otávio Rocha a primeira edição da exposição fotográfica anual Street Expo Photo. E a Galeria Escadaria surgiu oficialmente em 2020. A principal inspiração foi a necessidade de criar espaço para o meu trabalho fotográfico, já que galerias e museus raramente ofereciam oportunidades para fotógrafos iniciantes.

JÁ – O que caracteriza a galeria?
Monteiro – A galeria sempre esteve localizada em espaço aberto, acessível a um público que, muitas vezes, não frequenta ambientes culturais tradicionais. Aberta 24 horas por dia e com acesso gratuito, a Galeria Escadaria consolidou-se como a maior galeria de arte a céu aberto do Brasil e uma plataforma democrática de difusão cultural, aproximando o público da fotografia e estimulando novos olhares sobre o espaço urbano.

JÁ – Quantas mostras foram exibidas e quem expôs no local?
Monteiro – Até hoje, foram realizadas 43 exposições, entre coletivas e individuais. Além de consagrados fotógrafos gaúchos, o espaço já recebeu importantes nomes da fotografia brasileira, como Walter Firmo, Araquém Alcântara, Gabriela Biló, Márcio Vasconcelos, Maria Eugênia Nabuco, Marina Klink, Gal Oppido, Márcio Scavone, Ana Carolina Fernandes, Fernanda Chemale, Penna Prearo, Claudio Edinger e Luiz Garrido, entre muitos outros, reafirmando seu papel como vitrine da produção fotográfica nacional.
O espaço também já apresentou o trabalho de artistas internacionais de grande relevância, como Boushra Y. Almutawakel, considerada uma das fotógrafas mais influentes do mundo. Participaram, ao todo, cerca de 400 fotógrafos, com aproximadamente 1.000 obras expostas. Com média de 20 mil visitantes mensais, tornou-se uma das galerias mais visitadas do país.

JÁ – Outras mostras causaram repercussão?
Monteiro – Entre as mostras de maior repercussão estão – a primeira edição da Street Expo Photo, que reuniu cerca de 300 visitantes na abertura e, ao longo de suas sete edições, trouxe grandes nomes da fotografia brasileira. A exposição da portuguesa Fernanda Carvalho, em 2022. A mostra Autorias, com curadoria de Graça Craidy, que apresentou 22 retratos em óleo/acrílica sobre tela, exibidos em espaço público por um mês. A exposição Ir. Real, de minha autoria, com grande frequência de público. E a recente exposição de Araquém Alcântara, um dos maiores fotógrafos do Brasil.

JÁ – Além da escadaria, em quais locais as exposições ocorreram?
Monteiro – Em Porto Alegre, as mostras já foram realizadas em bairros como a Restinga, no Parque da Redenção, na Praça da Alfândega, e na Orla do Guaíba. E já houve nas cidades de Pelotas e São Paulo. Em breve, pretendemos inaugurar uma unidade da Galeria em Gramado.

JÁ – Como é o formato expositivo da galeria?
Monteiro – As fotografias são apresentadas em painéis fixos, instalados no chão. A ideia surgiu em 2016, em parceria com Gilberto Perin e com apoio da Aliança Francesa, no projeto Mosaicografia. Foram instalados 20 painéis de 10 metros de extensão no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público de Porto Alegre, reunindo 400 fotógrafos do Brasil, América Latina e Europa. O projeto foi um grande sucesso, alcançando cerca de 300 mil visitantes.

JÁ – E qual será a próxima exposição?
Monteiro – No dia 18 de abril, a partir das 15h, com o título Sete Cabeças. Ela reúne sete fotógrafos que, embora distintos em linguagem e abordagem, convergem em potência estética e relevância contemporânea. Os fotógrafos participantes: Cynthia Feyh Jappur (POA), Douglas Fischer (POA), Fernando Kokubun(POA), Hilton Lebarbenchon (POA), Iara Toonidandel (POA), Míriam Ramalho (RJ) e Roberta Tavares (PE).

JÁ – E a questão de apoio cultural e patrocínio?
Monteiro – O apoio e patrocínio cultural variam conforme o projeto. Muitos são viabilizados por meio de editais públicos, como a Lei Rouanet, a LIC, além de recursos próprios.

JÁ – O que mais tem a nos dizer?
Monteiro – A Galeria Escadaria tem como propósito aproximar a arte do cotidiano das pessoas por meio de exposições realizadas em espaços públicos. A iniciativa entende a cidade como território de aprendizagem, convivência e experiência estética, transformando áreas de circulação em ambientes de acesso livre à cultura.
As exposições em espaço público rompem barreiras tradicionalmente associadas aos ambientes culturais formais, permitindo que o encontro com a arte aconteça de forma espontânea, acessível e democrática. Assim, o transeunte torna-se espectador, e o espaço urbano transforma-se em lugar de sensibilização, pertencimento e formação cultural contínua. A Galeria Escadaria reafirma a arte como experiência coletiva, estimulando a imaginação.


