Autor: da Redação

  • Governo prepara novo projeto de revitalização do Cais Mauá

    Governo prepara novo projeto de revitalização do Cais Mauá

    Cleber Dioni Tentardini
    texto e fotos

    O Governo do Estado do Rio Grande do Sul montou uma força-tarefa com representantes da Superintendência do Porto de Rio Grande (SUPRG), Procuradoria-Geral do Estado (PGE), e das secretarias do Planejamento e de Logística e Transportes para formatar o novo projeto de revitalização do Cais Mauá.

    Estão sendo realizadas reuniões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a fim de firmar um contrato, em até 90 dias, para definir o modelo da futura licitação.

    “Enquanto isso, o governo busca retirar a área do Mauá da poligonal portuária”, informa o diretor de Portos Interiores, Bruno Almeida.  A poligonal é a área de controle federal definida por lei em cada porto do país.

    Com a mudança, as decisões a respeito do Cais caberiam apenas ao governo gaúcho, sem necessidade de consultar a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

    Um destino para o Cais

    Com anos de descaso, inço tomou conta da pavimentação

    Revisitei no final de semana o Cais Mauá, um dos três cais de Porto Alegre – os outros são o Marcílio Dias e o Navegantes.

    Percorri quase toda sua extensão. O único espaço que ainda não tive acesso foi o armazém A7, onde reiniciaram as obras do projeto Embarcadero. Tapumes impedem a entrada. Mas o diretor da empresa prometeu me acompanhar em uma visita, em breve.

    Armazém A7, do Cais Mauá, com com conteiners e parte das instalações do Embarcadero

    A última vez que lá estive fui clandestino, movido pela curiosidade e saudoso daquela vista fabulosa do Guaíba. No entanto, avistei quase tudo de longe.

    Desta feita, minha visita foi devidamente autorizada e acompanhada por um funcionário da empresa de segurança patrimonial, contratada pelo governo do Estado.

     

     

     

     

     

     

     

    A situação é triste nesse espaço nobre da Capital. Os armazéns sujos, com vidraças quebradas e parcialmente destelhados. O inço tomou conta da pavimentação, que é tombada pelo Município, e encobre umas aberturas no chão, que estão sem tampa ou fechadas parcialmente, e representam um risco para quem circula distraído por ali.

    Aparentemente, só os guindastes gigantes resistem ao tempo. Diz-se que aquela laje do Cais Mauá é a única que suporta 40 toneladas. Navios que atracam em outras partes da Capital precisam ter guindastes embarcados para poder operar.

    Esse, aliás, foi um dos motivos para os técnicos terem embargado um projeto de revitalização do porto proposto pelo prefeito Alceu Collares, no anos 80.

    São 30 anos em que sucessivos projetos de revitalização do Porto de Porto Alegre não conseguem sair do papel.

    O último foi o do Cais Mauá do Brasil Sociedade Anônima, cujos sócios eram quatro empresas espanholas e uma brasileira. A única medida de efeito foi a assinatura do contrato de concessão com o governo estadual no dia 23 de dezembro de 2010.

    Uma edição especial do jornal JÁ, publicada em maio de 2019, traz um panorama geral da situação.

    O primeiro plano pra área foi do governo Collares (PDT), que pretendia ocupar os 1.400 metros de extensão do porto com um centro de comércio, lazer e turismo à beira d’água. Foi reprovado por engenheiros do Gabinete de Planejamento por ser destituído de valor social.

    Antônio Britto (PMDB) lançou um concurso em 1996 para escolher projeto arquitetônico e plano de negócios para o Cais, 137 equipes concorreram, mas nada saiu do papel.

    Olívio Dutra (PT), ainda prefeito, pensou num restaurante popular, uma escola e área de eventos culturais. Como governador, quis desenvolver no cais um complexo cinematográfico, que não foi adiante.

    Germano Rigotto (PMDB) tentou dar sequência ao projeto Porto dos Casais, do governo Britto. Mas também não houve sucesso.

    Em 2007, Yeda Crusius (PSDB) pediu propostas da iniciativa privada e uma semana antes de deixar o governo, em 2010, assinou contrato com o único concorrente que se apresentou na licitação.

    O governador Tarso Genro (PT) se envolveu o mínimo com o projeto, mas não colocou entraves nem acatou a recomendação da PGE de romper  o contrato.

    José Ivo Sartori (PMDB) nomeou grupo técnico que anistiou a empresa Cais Mauá do Brasil de todas as pendências em relação ao contrato, inclusive dívidas de aluguel.

    O governador Eduardo Leite, com base em parecer da Procuradoria Geral do Estado, rompeu há um ano o contrato com a concessionária, a Cais Mauá do Brasil.

    Desde então, o que aconteceu foi a continuidade das obras do projeto Embarcadero, numa área que corresponde a 10% de todo o cais.

    O Embarcadero foi contratato ainda com o ex-concessionário, numa tentativa de entregar algum resultado, e mantido pelo governo, sendo referendado publicamente pelo governador.

    As obras para montar um espaço de lazer e gastronomia à beira do Guaiba, junto à Usina do Gasômetro, estão em andamento, embora haja um expediente no Tribunal de Contas do Estado para exame do contrato.

  • 20% da soja do Brasil importada pela UE pode ter ligação com desmatamento, aponta estudo

    20% da soja do Brasil importada pela UE pode ter ligação com desmatamento, aponta estudo

    Um grupo de pesquisadores da UFMG, liderado pelos professores Raoni Rajão e Britaldo Soares Filho, produziu, com instituições parceiras no Brasil e no exterior, estudo em que identifica as propriedades que desmataram ilegalmente, entre 2008 e 2018, para ampliar plantações e pastagens. Os resultados do trabalho serão publicados nesta sexta-feira, 17 de julho, pela revista Science.

    No artigo The rotten apples of Brazil’s agribusiness (Maçãs podres do agronegócio brasileiro), os cientistas demonstram que pelo menos 20% das exportações do país estão potencialmente vinculadas ao desmatamento à margem da lei – e, pela primeira vez, são identificados os produtores responsáveis.

    Os pesquisadores ainda desenvolveram um software de alta performance para analisar 815 mil propriedades rurais individuais.

    “O debate tem sido intenso entre pesquisadores e sociedade civil, de um lado, e produtores, de outro. Mas não havia dados suficientes para embasá-lo”, afirma Raoni Rajão, que coordena o Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais, vinculado ao Departamento de Engenharia de Produção, da Escola de Engenharia.

    Rajão ressalta que a produção agrícola brasileira livre de desmatamento está ao alcance de líderes políticos e do agronegócio. “Passa a ser viável monitorar a cadeia de suprimentos e distinguir o desflorestamento legal do ilegal”, ele afirma, lembrando que a UE e o Mercosul encaminham as negociações para ratificação de acordo de comércio. O bloco europeu segue políticas que proíbem a importação de commodities provenientes de áreas desmatadas ilegalmente.

    2 milhões de toneladas

    De acordo com o estudo, um quinto das 53 mil propriedades que produzem soja na Amazônia e no Cerrado cultivaram em terras desmatadas após 2008, desrespeitando as normas, ou seja, ilegalmente – ações anteriores foram perdoadas –, e a estimativa é de que metade dessa soja tenha sido produzida em terras recentemente desmatadas de forma irregular.

    Os pesquisadores concluíram que cerca de 2 milhões de toneladas de soja contaminada podem ter tido como destino os mercados da União Europeia no período contemplado pelo estudo. O bloco compra do Brasil 41% (13,6 milhões de toneladas) de toda a soja que importa, e quase 70% desse volume são provenientes das regiões amazônica e do Cerrado.

    A UE também importa do Brasil quase 190 mil toneladas de carne bovina por ano. Os pesquisadores da UFMG e parceiros constataram que pelo menos uma em cada oito das 4,1 milhões de cabeças negociadas em matadouros, a cada ano, têm origem direta em propriedades que podem ter desmatado ao arrepio da lei. Isso representa 2% da carne produzida na Amazônia e 13% da produção do Cerrado. Eles alertam, no entanto, que é necessário monitorar também os fornecedores indiretos de gado, e isso não é feito pelos grandes matadouros e tampouco pelo governo.

    De acordo com Raoni Rajão, o trabalho não teria sido possível se não fosse a qualidade dos dados disponíveis no Brasil. “Dispomos de sistemas muito confiáveis, de excelência. Mesmo países mais ricos não contam com estruturas tão avançadas. E nosso estudo passa a integrar esse conjunto”, afirma.

    Os autores ressaltam que a União Europeia ocupa posição de liderança global no que se refere a esforços para garantir importações de produtos que não se beneficiem do desmatamento, agente de destruição das florestas tropicais. Iniciativas com esse propósito integram o Acordo Verde Europeu, ao lado, entre outras, de uma política alimentar que visa reduzir as distâncias para o transporte de animais e produtos agrícolas. Essa preocupação dá base a gestões para que o bloco diminua as importações de soja do Brasil.

    O professor Britaldo Soares-Filho diz que as florestas do Brasil estão “em ponto de ruptura”, ameaçadas por uma política que incentiva sua derrubada, principalmente para a apropriação de terras. Para ele, é fundamental que a Europa use seu poder comercial e de compra para ajudar a “reverter o desmantelamento da proteção ambiental no Brasil”. “Bruxelas [cidade-sede da União Europeia] finalmente tem as informações necessárias sobre a extensão do problema relacionado à soja e à carne bovina”, enfatiza o professor, que há 20 anos desenvolve agenda de pesquisa sobre agropecuária sustentável, políticas de proteção de florestas, desmatamento e mudanças climáticas. O grupo da UFMG – que lança mão de conhecimentos da geografia, geologia, engenharia, ciência da computação, ciências sociais e economia – é referência global e ajuda a assegurar soberania do Brasil nesse campo.

    O grupo da Universidade é formado, além de Raoni Rajão e Britaldo Soares-Filho, pelos pesquisadores Felipe Nunes, Danilo Figueira, Lilian Machado, Débora Assis e Amanda Oliveira, as três últimas doutorandas em Geografia no IGC.

    O desmatamento aumentou no Brasil desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, em 2019, acompanhada do enfraquecimento da fiscalização ambiental e de apelos por mais atividades agrícolas e de mineração em áreas florestais.

    O desmatamento na Amazônia atingiu uma máxima de 11 anos em 2019, com a destruição de uma área do tamanho do Líbano, segundo dados do governo. Nos seis primeiros meses de 2020, houve um avanço de mais 25% em relação ao ano anterior, segundo informações preliminares.

    Artigo: The rotten apples of Brazil’s agribusiness
    Autores: Raoni Rajão, Britaldo Soares-Filho, Felipe Nunes, Jan Börner, Lilian Machado, Débora Assis, Amanda Oliveira, Luís Pinto, Vivian Ribeiro, Lisa Rausch, Holly Gibbs, Danilo Figueira
    Publicação: Science Magazine, em 17 de julho de 2020

    Com informações da UFMG

  • Empresa mineira pede licença para construir primeira usina solar do Estado, em Uruguaiana

    Empresa mineira pede licença para construir primeira usina solar do Estado, em Uruguaiana

    Entrou em análise na Fundação Estadual de Proteção Ambiental, pela primeira vez, um pedido de licença para a instalação de um empreendimento que gerará energia a partir da luz solar.

    Até agora todos os projetos de energia solar eram de pequeno porte, sem necessidade de licença.

    A empresa mineira Solargrid Autogeração pretende construir a usina na cidade de Uruguaiana, na fronteira oeste, ocupando 12 hectares com painéis solares.

    Para o diretor do Departamento de Energia da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Eberson Silveira, esse projeto é um marco para o Estado por se tratar da primeira usina solar fotovoltaica.

    Segundo ele, o Atlas Solar gaúcho aponta que cada kilowatt (kW) instalado de fotovoltaica pode produzir cerca de 4,2 kWh de eletricidade.

    “As microrregiões da Campanha, como é o caso de Uruguaiana, apresentam mais potencial fotovoltaico no Estado, pois têm as maiores incidências de radiação solar e amplas áreas aptas para a instalação de painéis solares”, explica.

    Silveira destaca que o Rio Grande do Sul é o segundo Estado brasileiro em capacidade instalada de energia fotovoltaica, o que representa cerca de 2% da energia elétrica produzida.

    “No período de janeiro de 2017 até dezembro de 2019, a fotovoltaica registrou um crescimento médio mensal de 10,6% e conta, atualmente, com 416 megawatts (MW) de potência instalada no Estado e investimentos de cerca de R$ 1,5 bilhão”, afirma.

    Essa é a primeira vez na história da Fepam que uma empresa solicita o licenciamento de energia solar. O motivo está relacionado ao tamanho da obra, já que o empreendimento deve ocupar uma área de 12 hectares.

    Até então, os empreendimentos tinham característica de pequeno porte, sem necessidade de autorização pela fundação, conforme a Portaria 89/2018.

    O pedido de licença prévia ingressou na sexta-feira (10/7) e, a partir de agora, toda a documentação passará por um processo de verificação, em que a divisão deve conferir os pré-requisitos solicitados pela Fepam.

    “Após essa primeira análise, emitiremos um parecer técnico identificando se há a necessidade de documentos complementares ou se a licença prévia já pode ser emitida”, explica a chefe do Digen, Rosaura Heurich.

    Além da geração de energia limpa, esse tipo de empreendimento movimenta a economia do Estado, já que o setor movimenta a venda de um expressivo número de equipamentos, abrindo a possibilidade de implantação de fábricas para alimentar a cadeia produtiva, como módulos fotovoltaicos e inversores. O setor também abre um importante mercado para prestadores de serviços especializados em projetos, montagem e manutenção.

    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Duas aves ameaçadas de extinção são vistas no Paraná

    Duas aves ameaçadas de extinção são vistas no Paraná

    A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) comunicou novos registros de duas espécies de aves: o gavião-pombo-pequeno (Amadonastur Iacernulatus), ameaçado de extinção, e o pica-pau-rei (Campephilus robustus). Ambas estão na área de reservas naturais mantidas pela SPVS em Antonina (PR).

    Quem fotografou as aves foi o técnico do Programa Desmatamento Evitado, desenvolvido pela SPVS, Romulo Cícero Silva.

    Na foto, a fêmea de pica-pau-rei está tamborilando. “Tamborilar” é uma forma de comunicação que consiste em dar batidas curtas com o bico no tronco da árvore. Pode ser usado como comunicação com outros indivíduos da mesma espécie e também para a marcação de território.

    O habitat natural do pica-pau-rei vai da Bahia e Goiás  ao Rio Grande do Sul, nas áreas do bioma Mata Atlântica. Chega a medir 36 centímetros de comprimento, considerado como o maior pica-pau brasileiro.

    Gavião-pompo-pequeno

    O gavião-pombo-pequeno é uma ave mundialmente ameaçada de extinção, de porte médio e habita regiões da Mata Atlântica, do sul da Bahia a Santa Catarina.

    Para o técnico Romulo Silva foi uma surpresa. ‘‘É uma ave difícil de ser avistada em pouso’’, diz. “Áreas naturais conservadas propiciam a sobrevivência de espécies raras e ameaçadas de extinção. Mas também é necessário eliminar outros fatores de pressão que atingem as áreas conservadas, como a caça’’, afirma Silva .

  • Mais de 90% da polinização do açaí é realizada por abelhas da Amazônia

    As abelhas nativas são os principais polinizadores do açaí. É o que afirma um estudo que acaba de ser publicado na revista científica Neotropical Entomology pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal do Pará e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

    O trabalho mostra que elas representam mais de 90% da polinização nas flores da palmeira e são mais eficientes no transporte do pólen que os outros insetos, o que impacta diretamente na cadeia produtiva do açaí.

    O estudo foi realizado em oito áreas nos municípios paraenses de Barcarena e Abaetetuba. Foram analisadas quatro áreas manejadas de açaí de várzea e outras quatro de plantios em terra firme. Nos locais, foram coletados insetos de 74 espécies diferentes que visitaram as flores da palmeira.

    Oito vezes mais pólen

    Autora principal do artigo, a agrônoma da UFRA Leilane Bezerra conta que ao estudar o número de grãos de pólen de açaí transportados pelos insetos, a equipe descobriu que as abelhas nativas são o grupo de polinizadores mais eficaz.

    “Descobrimos que mais de 70 espécies de insetos, incluindo abelhas, moscas, vespas, formigas e besouros, transportam pólen de açaí. Mas as abelhas nativas, incluindo espécies sem ferrão (Meliponinae) e solitárias (como as da família Halictidae), carregam pelo menos oito vezes mais pólen do que os outros insetos e representam seis em cada dez visitas de insetos às flores de açaí”, revela.

    O primeiro resultado encontrado pelos cientistas foi que mais da metade (51%) dos 596 insetos visitantes coletados na palmeira são abelhas nativas. As abelhas sem ferrão representam 38%; as moscas são 16%; outras abelhas (solitárias e em sua maioria nativas) somam 13%; vespas, 12%; formigas, 8%; e 6% são besouros.

    A etapa seguinte foi quantificar os grãos de pólen presentes no corpo de cada inseto, o que a pesquisa chama de carga polínica. Essa atividade revelou a média de dois grãos por animal, pois em 25% deles não foi detectado pólen. “Porém, encontramos abelhas solitárias que carregavam até cinco mil grãos de pólen em seu corpo. Era como se tivesse mergulhada em farinha”, compara o biólogo Alistair Campbell, pesquisador visitante em atuação na Embrapa Amazônia Oriental.

    Inserir colmeias em áreas de açaí plantado em terra firme e em áreas manejadas de várzea é uma estratégia para aumentar a produção de frutos, especialmente quando há desmatamento no entorno, segundo Campbell. Porém, nada substitui a preservação da floresta na manutenção da biodiversidade. “A gente nunca vai conseguir reproduzir o esforço da floresta”, afirma o cientista.

  • Mês de julho tem curso de férias online “Cada Macaco no Seu Galho”

    Mês de julho tem curso de férias online “Cada Macaco no Seu Galho”

    Zoológicos, entidades ambientais e órgãos públicos de vários estados se uniram para promover a partir desta quarta-feira, 1º de julho, o curso de férias “Cada Macaco no Seu Galho”, que pode ser conferido na página bit.ly/curso-de-ferias-ea.

    As atividades educativas on-line gratuitas sobre a preservação dos animais contam com a participação de 19 instituições e integram a Campanha “Somos Todos Primatas“, organizado pelo Comitê de Educação Ambiental da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil – AZAB.

    A Prefeitura de Sapucaia do Sul, através do Setor de Educação Ambiental, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, participará do curso no dia 16 de julho.  Com o título “Cacá Lê pra você! Quer ouvir uma história?” A atividade de Sapucaia busca sensibilizar crianças com idade a partir dos quatro anos, quanto à importância do Mico-leão-dourado. Para isso, os pequenos serão convidados a ouvir uma história contada pela Cacá Melo, e cantar e dançar com Alessandro Torres.

    O vídeo estará disponível a partir das 10h. Esta atividade integra o Projeto Preservação da Biodiversidade na Educação Infantil, idealizado e desenvolvido pela bióloga Inacira Bomfim, servidora da rede de educação de Sapucaia de Sul e membro da AZAB.

    Programação do curso “Cada Macaco no Seu Galho”:

    01/07- Quarta

    Instituição: Fundação Ecológica e Zoobotânica de Brusque (SC)

    Título: “Brinque com o bugio”

    Público – alvo: A partir de 8 anos

    Atividade: Por meio de vídeo explicativo apresentar as características do bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans) e propor a confecção de origami de primata para brincar em casa.

    03/07- Sexta

    Instituição: Complexo Ambiental Cyro Gevaerd (SC)

    Título: “A Grande Família dos Caranguejeiros”

    Público – alvo: Para todas as idades

    Atividade: Vídeo sobre as características dos macacos caranguejeiros, no final será apresentado/ensinado uma coreografia de dança.

    05/07- Domingo

    Instituição: Parque Ecológico de São Carlos/ ICAS / FUBÁ (SP)

    Título: “E agora? Como atravessar essa rodovia?” – Origami dos animais que vivem perto das rodovias

    Público – alvo: 9 a 10 anos

    Atividade: Construção de Origami.

    08/07- Quarta

    Instituição: BioParque Rio (RJ)

    Título: Primatas do Brasil

    Público – alvo: Todas as idades

    Atividade: Atividade “Quiz”

    09/07- Quinta

    Instituição: Parque da Água Vermelha e Zoológico de Sorocaba (SP)

    Título: Qual macaco sou eu?

    Público – alvo: a partir de 6 anos

    Atividade: Buzzfeed (atividade estilo “Quiz”)

    10/07- Sexta

    Instituição: Parque da Água Vermelha e Zoológico de Sorocaba (SP)

    Título: Que macaco será que fez a coisa?

    Público – alvo: a partir de 4 anos

    Atividade: Vídeo investigativo com direito a visita ao setor de nutrição para descobrir curiosidades sobre os primatas.

    12/07- Domingo

    Instituição: Parque Zoológico Municipal de Bauru (SP)

    Título: As aventuras do Macaco-Aranha

    Público – alvo: A partir de 4 anos

    Atividade: Contação de histórias com fantoches e cartilha de atividades sobre os primatas para ser impressas.

    13/07- Segunda

    Instituição: Zoo Pomerode (SC)

    Título: Conversando sobre Primatas

    Público – alvo: Todas as idades

    Atividade: Contação de história com fantoches.

    15/07- Quarta

    Instituição: Zoológico de Varginha (MG)

    Título: Cada macaco no seu galho

    Público – alvo: A partir de 6 anos

    Atividade: Vídeo aula.

    16/07- Quinta

    Instituição: Prefeitura de Sapucaia do Sul (RS)

    Título: “Cacá lê para você! Quer ouvir uma história?”

    Público – alvo: a partir de 4 anos

    Atividade: Leitura da história e atividade motora de coreografia.

    17/07- Sexta

    Instituição: Centro de Educação Ambiental e Zoológico Municipal de Garça (SP)

    Título: Desenhando com as sombras

    Público – alvo: a partir de 5 anos

    Atividade: Vídeo sobre as características do Bugio e seu habitat e oficina de desenho com sombras

    Materiais necessários para oficina: Papel (sulfite ou cartolina), lápis, borracha, lápis de cor ou giz de cera para colorir. Para as sombras são necessários animais em miniatura (caso a criança não possua os animais em miniatura, será disponibilizado um molde para ser feito em papel).

    19/07- Domingo

    Instituição: Arca do Noah- Parque de Educação Ambiental (RJ)

    Atividade 1- Aprendendo com os Saguis

    Público – alvo: A partir de 3 anos

    Atividade: Vídeos didáticos e informativos sobre as duas espécies de saguis que temos Callithrix jacchus e Callithrix penicilata.

    Atividade 2 – Brigadeiro com Pimenta Rosa

    Público – alvo: a partir de 12 anos

    Atividade: tutorial em vídeo de como fazer o brigadeiro, com a receita na descrição do vídeo.

    22/07- Quarta

    Instituição: R3 Animal (SC)

    Título: Cuxiú: O macaco que bebe água com as mãos.

    Público – alvo: A partir de 6 anos

    Atividade: Contação de história através de vídeo de animação com uso de imagens e desenhos.

    23/07- Quinta

    Instituição: Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica/Prefeitura de Belo Horizonte (MG)

    Atividade 1– Título: Jogo da Memória “Macacos Ameaçados: quem é quem?”

    Público – alvo: A partir de 6 anos.

    Atividade: Jogo da memória virtual

    24/07- Sexta

    Título: “Uma Aventura com os Primatas Brasileiros”.

    Público – alvo: A partir de 09 anos

    Atividade: Vídeo com apresentação das informações sobre as espécies e quiz.

    26/07 Domingo

    Instituição: Parque Zoológico Municipal de Canoas (MG)

    Público Alvo: Crianças e adultos

    Atividade 1- Título: Proseando sobre Bugios

    Atividade: Vídeo de curiosidades sobre o bugio , passo-a-passo de uma dança puramente gaúcha de nome “Bugio” e caça palavras e pintura para download.

    Atividade 2-Título: Dando nome ao MACACO

    Público Alvo: Crianças de todas as idades poderão participar.

    Desenvolvimento: vídeo contando a evolução do tratamento do animal.

    Atividade: As crianças votarão em uma das opções de nome para o sagüi.

    29/07- Quarta

    Instituição: Zoológico Municipal de Curitiba (PR)

    Título: Na trilha do Muriqui

    Público – alvo: A partir de 5 anos

    Atividade: Realização de um jogo tipo quiz no Centro de Educação Ambiental e tour pelo recinto dos muriquis-do-sul.

    31/07- Sexta

    Instituição: Museu do Dante (SP)

    Título: atividade 1 – Macaco na mão

    Público – alvo: A partir de 7 anos

    Atividade: vídeo do passo a passo de como desenhar uma macaco utilizando o formato da mão.

    Título: Atividade 2 – Somos todos primatas!

    Público-alvo: Crianças e adultos.

    Atividade: Conversa com biólogo educador e um fantoche.

  • Ministério autoriza inseticidas biológicos para combater praga de gafanhotos

    Ministério autoriza inseticidas biológicos para combater praga de gafanhotos

    O Ministério da Agricultura autorizou, em caráter emergencial, o uso de determinados agrotóxicos para o controle da praga de gafanhotos que ameaça as colheitas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

    Pela portaria publicada nesta terça-feira (30), o uso de inseticidas biológicos, à base de fungos e bactérias, e outros produtos podem ser usados no caso de surto comprovado da praga de gafanhotos.

    Entre os princípios ativos autorizados em caráter temporário, estão o acefato ou organofosforato, a cipermetrina, deltametrina, melationa, entre outros.

    Os responsáveis pelo registro dos produtos ficam desobrigados de modificar a bula para o uso desses inseticidas.

    A portaria do Ministério da Agricultura ainda determina que o plano para o controle da praga deve ser estabelecido pelo Órgão de Defesa Agropecuária de cada estado a partir de procedimentos gerais determinados pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério.

    Os órgãos estaduais devem apresentar ainda a instância federal do setor relatórios trimestrais com todas as ações realizadas durante o período emergencial, incluindo a quantidade de agrotóxico usado nas plantações.

  • Aquecimento no Polo Sul é três vezes maior do que o aumento global

    Aquecimento no Polo Sul é três vezes maior do que o aumento global

    As temperaturas estão subindo rapidamente no Polo Sul, considerado o ponto mais frio da Terra.

    Tão rápido que Kyle Clem e outros pesquisadores do clima começaram a se preocupar e perguntar se a mudança climática causada pelo homem está desempenhando papel maior do que o esperado na Antártida.

    Dados de temperatura mostram que o aquecimento da região foi três vezes a taxa de aquecimento global nas últimas três décadas até 2018, o ano mais quente já registrado no Polo Sul, disseram os pesquisadores em estudo publicado nessa segunda-feira (29) na revista Nature Climate Change.

    Observando dados de 20 estações meteorológicas na Antártida, a taxa de aquecimento do Polo Sul foi sete vezes maior que a média geral do continente. O aquecimento do Polo Sul está parcialmente ligado ao aumento natural das temperaturas no Pacífico tropical ocidental, sendo impulsionado para o sul por ciclones nas águas geladas do Mar de Weddell, disseram os pesquisadores.

    Esse padrão, no entanto, que se acredita ser parte de um processo natural de várias décadas, explica apenas algumas das tendências de aquecimento. O restante, segundo os pesquisadores, foi devido às mudanças climáticas provocadas pelo homem.

  • Gafanhotos: Ministério da Agricultura decreta emergência no RS e SC

    Gafanhotos: Ministério da Agricultura decreta emergência no RS e SC

    O Ministério da Agricultura declarou estado de emergência fitossanitária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina devido ao risco de surto da praga de gafanhotos (Schistocerca cancellata) nas áreas produtoras dos dois estados.

    A portaria com a medida está publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (25).

    O estado de emergência prevê um “plano de supressão da praga” e adoção de medidas emergenciais para evitar danos às lavouras.

    De acordo com o ministério, a emergência fitossanitária é por um prazo de 1 ano.

    A nuvem de gafanhotos está a cerca de 250 quilômetros da fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina. A preocupação das autoridades do setor agropecuário e de produtores rurais é o dano que os insetos possam causar às lavouras e pastagens, se houver infestação.

    A dieta do inseto varia, conforme a espécie, entre folhas, cereais, capins e outras gramíneas. Segundo informações repassadas à Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, a nuvem é originária do Paraguai, das províncias de Formosa e Chaco, onde há culturas de cana-de-açúcar, mandioca e milho.

    Em nota, o ministério informou que está acompanhando o fenômeno em tempo real e que “emitiu alerta para as superintendências federais de Agricultura e aos órgãos estaduais de Defesa Agropecuária para que sejam tomadas medidas cabíveis de monitoramento e orientação aos agricultores da região.

    De acordo com a pasta, especialistas argentinos estimam que os insetos sigam em direção ao Uruguai. A ocorrência e o deslocamento da nuvem de gafanhotos são influenciados pela temperatura e circulação dos ventos.

    O fenômeno é mais comum com temperatura elevada. Segundo o setor de Meteorologia da secretaria gaúcha, há expectativa de aproximação de uma frente fria pelo sul do estado, que deve intensificar os ventos de norte e noroeste, “potencializando o deslocamento do massivo para a Fronteira Oeste, Missões e Médio e Alto Vale do Rio Uruguai”.

    A nota diz ainda que o gafanhoto está presente no Brasil desde o século 19 e que causou grandes perdas às lavouras de arroz na Região Sul no período de 1930 a 1940. “No entanto, desde então, tem permanecido na sua fase ‘isolada’, que não causa danos às lavouras.”

    O ministério informa que especialistas estão avaliando “os fatores que levaram ao ressurgimento desta praga em sua fase mais agressiva” e que o fenômeno pode estar relacionado a uma conjunção de fatores climáticos.

    A Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul orienta os produtores rurais gaúchos a informar a Inspetoria de Defesa Agropecuária da sua localidade se identificar a presença de tais insetos em grande quantidade.

    (Com Agência Brasil)

  • Uma Itaipu movida a vento: Brasil completa 16 GW de energia eólica

    Uma Itaipu movida a vento: Brasil completa 16 GW de energia eólica

    Cleber Dioni Tentardini

    Os parques eólicos em funcionamento no Brasil garantiram a marca de 16 Gigawatts de capacidade instalada de energia eólica, potência superior à produção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que é de 14 GW.

    Desde o ano passado, a energia eólica é a segunda fonte da matriz elétrica brasileira. Há 637 usinas com um total de 7.700 aerogeradores operando em 12 estados.

    A energia produzida a partir dos ventos está chegando a atender quase 14% da demanda nacional por energia elétrica. No caso específico do Nordeste, os recordes de atendimentos a carga ultrapassam 70% da energia produzida na região.

    Em média, essa energia equivale atualmente ao consumo residencial médio de cerca de 28,8 milhões de residências por mês, ou 86 milhões de habitantes.

    Os leilões de energia estão suspensos por tempo indeterminado por conta da pandemia, impedindo a expansão do setor energético, mas a eólica tem uma trajetória virtuosa de crescimento sustentável no Brasil, passando de menos de 1.000MW em 2011 para os 15 mil MW em 2019, completamente conectados à rede de transmissão.  Em oito anos, de 2010 a 2018, o investimento no setor foi de 31,2 bilhões de dólares, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

     

    Até 2024, o Brasil terá pelo menos 24 GW de capacidade instalada de energia eólica. “Dizemos ‘pelo menos’, porque esse é o valor considerando apenas leilões já realizados e contratos firmados no mercado livre. Com novos leilões, este número será maior. E é muito importante considerar a importância que o mercado livre vem tomando para o setor. Em 2018 e 2019, por exemplo, foram os primeiros anos em que a contratação foi maior no mercado livre do que no regulado. No que se refere à novas contratações, tenho recebido muitas perguntas sobre o impacto da pandemia no setor. É claro que haverá um impacto, porque a queda de demanda foi grande e isso deve impactar os próximos leilões do mercado regulado, mas ainda acho cedo para falar em números deste impacto, porque o mercado livre se movimenta rápido e tem crescido muito. Isso pode fazer muita diferença para as eólicas. E, mesmo nos leilões regulados, sabemos que as eólicas tendem a ter um papel importante pela sua competitividade e pelo que sinaliza o PDE 2029. Sabendo que sim haverá um impacto, convém aguardar um pouco mais, estudar como virá a revisão do PDE e principalmente analisar a movimentação do mercado livre”, analisa Elbia Gannoum.

    O potencial eólico atual é mais de três vezes a necessidade de energia do país. Hoje, somando todas as fontes de energia (nuclear, hídrica, térmica, eólica e outras), a capacidade instalada do Brasil é da ordem de mais de 160 mil MW. Somente de potencial eólico, são estimados mais de 500 mi MW.

    Elbia Gannoum, presidente executiva da Abeeolica/Divulgação Abeeólica

    “Isso não significa, no entanto, e é bom que se explique isso de forma clara, que o Brasil poderia ser inteiramente abastecido por energia eólica. Nossa matriz elétrica tem a admirável qualidade de ser diversificada e assim deve continuar. Cada fonte tem seus méritos e precisamos de todas, especialmente se considerarmos que a expansão da matriz deve se dar majoritariamente por fontes renováveis, e a energia eólica tem sido a mais competitiva nos últimos leilões”, completa a executiva da Abeeólica.

    O GWEC (Global Wind Energy Council) lançou, há algumas semanas, o documento “Energia eólica: um pilar para a recuperação da economia global – Reconstruindo melhor para o futuro”. No manifesto, o Conselho apresenta argumentos sobre o poder de investimento da eólica, com criação de empregos e efeitos positivos para as comunidades e para o desenvolvimento tecnológico. Além disso, o GWEC apresenta ações que podem ser tomadas pelos governos para garantir que, no “day after” dessa pandemia, os esforços para reconstrução e retomada da economia possam acontecer de forma a contribuir para termos uma sociedade mais justa e sustentável.

    ESTADO É QUARTO MAIOR PRODUTOR

    O Rio Grande do Sul tem o maior potencial eólico do país e hoje é o quarto maior produtor de energia a partir dessa fonte.

    Atualmente, o Estado tem instalados 1.830MW de capacidade de geração de energia a partir dos ventos, mas, no momento, 1.740MW estão funcionando.

    O diretor do Departamento de Energia, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Semai), Eberson Silveira, acompanha há pelo menos duas décadas o desempenho da energia eólica no Rio Grande do Sul. Participou da produção do Atlas Eólico, trabalho técnico que tornou o Rio Grande do Sul referência para a instalação de parques eólicos no país, e garante que aqui estão os melhores ventos entre os estados brasileiros.

    “Temos o maior potencial eólico, com capacidade de gerar 102,8 mil MW de energia com torres instaladas a 100 metros de altura, em terra firme, 80 mi MW no mar e 34 mil MW em lagoas. Desses 216,8 mil MW, 89% estão nas regiões da Campanha e Litoral Sul. Agora, se as medições de vento forem com torres a 150 metros de altura, o potencial eólico vai a 245 mil MW”, afirma.

    “Levando em conta o que está disponível, sempre gerando, o que chamamos de fator de capacidade dos parques eólicos, que hoje é de 35%, em média, então temos 600MW de energia eólica abastecendo a rede. Mas, nos novos projetos, o fator de capacidade chega a 50%. A competição está muito alta. E quem oferecer equipamentos mais potentes, sai na frente”, completa.

    Silveira ressalta que o estado está preparado para receber novos projetos pela boa infraestrutura de redes de transmissão de energia elétrica. “Em 1999, nossa demanda era maior que a capacidade de transmissão e tivemos uma série de apagões porque havia limitação no escoamento de energia. Hoje, dentro do trabalho que está sendo feito no Comitê de Planejamento Energético do Estado, não temos risco de queda, acompanhamos e projetamos a demanda com previsões de curto, médio e longo prazo.”

    Dos 80 parques no estado, quatro estão fora de operação em Santana do Livramento, totalizando 27 torres paradas nas Usinas Cerro Chato IV, V e VI e dos Trindade.

    Os oito equipamentos atingidos por rajadas que alcançaram os 250km/h foram fornecidos pela IMPSA, empresa argentina que entrou em recuperação judicial no Brasil naquele mesmo ano e havia abandonado o projeto antes do temporal. Esta situação inviabilizou a solução do problema, pelo fabricante.

    Somente em abril de 2017, com autorização de órgãos reguladores como ANEEL, BNDES e CCEE, foi possível transferir o projeto para uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), que tem participação da Eletrosul e do FIP Brasil Plural (fundo de investimentos e participações). Porém ainda não foi tomada nenhuma iniciativa para implantação de outro projeto no local, aproveitando a infraestrutura (conexão, acessos, obras civil…).

    Os estados da Região Nordeste agregam a maior parte da produção. O Rio Grande do Norte aparece em primeiro lugar com 151 parques e 4.068 megawatts (MW) de potência. Em seguida vem a Bahia, com 160 parques e potência de 4.005MW. O Rio grande do Sul está em quarto lugar.

    Na Bahia, a Braskem contratou energia eólica da EDF Renewable do Brasil / Braskem/Divulgaçãol

    Capacidade instalada e número de parques por estado

    UF    Potência(MW)    Parques
    RN       4.068                       151
    BA       4.005                       160
    CE       2.045                         79
    RS        1.831                         80
    PI         1.638                         60
    PE          782                          34
    MA        328                           12
    SC         238                           14
    PB         157                            15
    SE           34                             1
    RJ           28                             1
    PR           2,5                           1
    Total 15.159,9                  608

    MAIS DE 40 PARQUES EÓLICOS VENDIDOS NO ÚLTIMO LEILÃO, MAS NENHUM NO RS

    No último leilão de energia realizado pelo governo em 18 de outubro, empreendimentos de energia eólica e solar fotovoltaica representaram um terço do que foi contratado pela Aneel, para fornecimento de energia elétrica a partir de 1º de janeiro de 2025.

    O Estado teve 73 parques eólicos habilitados para disputar o certame. Mas nenhum foi vendido.

    A maioria é parque pequeno, estruturada com foco no mercado livre, que apresenta preços mais atrativos. Assim, os projetos ficam mais competitivos para participação no leilão.

    A Eletrosul inscreveu 13 parques, que formam o Complexo Eólico Coxilha Negra, com 288MW, em Santana do Livramento.

    Em âmbito nacional, os 44 empreendimentos eólicos aprovados somam 1.040 MW de potência e 480 MW médios de garantia física. Tiveram o preço médio final de R$ 98,89 o quilowatt/hora (kW/h), o segundo menor preço, atrás apenas da solar, que vendeu a R$ 84,39 o KW/h.

    OS BONS VENTOS BRASILEIROS

    A energia gerada pelos ventos (eólica), entre as fontes alternativas, é a que mais cresce no mundo. No Brasil, pesquisas estimam que o potencial eólico chegue a 143 mil megawatts (MW) ou 143 GW *, mais de dez vezes o que é gerado pela Itaipú.

    MATRIZ ELÉTRICA BRASILEIRA (GW)

    Cerca de 84% é energia renovável e apenas 16% é energia fóssil

    Hidrelétrica         99.9 (60%)
    Eólica        15,1 (9%)
    Biomassa  14,9 (9%)
    PCH e CGH       6 (4%)
    Fotovoltaica       2,2 (1%)
    Gás Natural        13,4 (8%)
    Petróleo    8,9 (5%)
    Carvão      3,6 (2%)
    Nuclear     2 (1%)

    O cálculo que se tem é de que cada MW instalado de energia eólica, geram 15 postos de trabalho.

    De 2011 a 2018, o investimento no setor foi de 31,2 bilhões de dólares. Só no ano passado, o investimento foi de 1,3 bilhão de dólares.

    ENERGIA LIMPA E COMPLEMENTAR

    Apesar de não queimarem combustíveis fósseis e não emitirem poluentes, as fazendas eólicas alteram paisagens e podem ameaçar pássaros se forem instaladas em rotas de migração. A avifauna é quem mais sofre os impactos negativos dos parques eólicos, segundo a Fepam. Emitem um certo nível de ruído (de baixa frequência), que pode causar algum incômodo aos animais.

    Além do baixo impacto ao meio ambiente, a energia eólica gera investimentos, rendimentos para a agricultura, tecnologias de ponta, é à prova de secas e gera empregos, entre quatro e cinco vezes mais que indústrias como a nuclear e de carvão mineral. Num país cuja matriz energética é baseada fortemente em hidrelétricas, a energia dos ventos complementa a matriz em períodos de pouca chuva e na entressafra. Além disso, as usinas eólicas convivem com outras atividades como a pecuária e a agricultura.

    Outra vantagem da energia eólica é o custo-benefício na tarifa de energia, apresentando seguidamente os melhores preços. Além disso, os parques eólicos não emitem dióxido de carbono. Estima-se que deixaram de ser emitidas na atmosfera 21 milhões de toneladas de CO² até agosto de 2019, equivalente ao que emite 16 milhões de automóveis.

    Além disso, geram empregos, aumentam a arrecadação das prefeituras e geram renda aos proprietários que alugam suas terras para os empreendimentos – estima-se que mais de quatro mil famílias recebem ao todo mais de 10 milhões de reais, mensais, dos produtores de energia eólica.