Concentração de gases do efeito estufa na atmosfera é a maior já registrada

A concentração dos principais gases do efeito estufa na atmosfera alcançou em 2018, os maiores níveis já registrados, segundo boletim da Organização Meteorológica Mundial, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Os dados foram divulgados nesta segunda feira, 25.
“Não há indícios de desaceleração visíveis”, registra o boletim. Os gases em questão são os principais causadores das mudanças climáticas.
O  alerta foi divulgado poucos dias antes do início da reunião anual da ONU sobre a luta contra a mudança climática, a COP25, que ocorre de 2 a 13 de dezembro, em Madri.
“Não há indícios de que vá acontecer uma desaceleração, e muito menos uma redução, da concentração dos gases do efeito estufa na atmosfera, apesar de todos os compromissos assumidos no Acordo de Paris sobre a mudança climática”, disse o secretário-geral OMM, Petteri Taalas, por ocasião da publicação do boletim anual sobre concentrações de gases do efeito estufa.
De acordo com os cientistas, o dióxido de carbono (CO2), que está associado às atividades humanas e é o principal gás causador do efeito estufa que permanece na atmosfera, bateu um novo recorde de concentração em 2018, de 407,8 partes por milhão (ppm). Ou seja, nível 147% maior que o pré-industrial de 1750.
“Cabe recordar que a última vez que a Terra registrou uma concentração de CO2 comparável foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás. Na época, a temperatura era de 2 a 3 °C mais quente e o nível do mar era entre 10 e 20 metros superior ao atual”, afirmou Taalas em um comunicado.
Década mais quente da história
Além disso, a OMM destacou que o aumento anual da concentração de CO2, que persiste durante séculos na atmosfera e ainda mais tempo nos oceanos, foi superior à taxa média de crescimento dos últimos 10 anos.
De acordo com as observações dos cientistas, as concentrações de metano (CH4), que aparece em segundo lugar entre os gases do efeito estufa com maior persistência, e de óxido nitroso (N2O) também aumentaram mais que a média anual da última década.
O metano, cujas emissões são provocadas em 60% pela atividade humana (gado, cultivo de arroz, exploração de combustíveis fósseis, aterros, etc), e o óxido nitroso, com 40% das emissões de origem humano (fertilizantes, processos industriais…), também alcançaram níveis máximos de concentração.
O óxido nitroso, além disso, tem um forte impacto na destruição da camada de ozônio, que filtra os raios ultravioleta.
Diante da emergência climática, os países se comprometeram, em 2015 em Paris, a adotar planos de redução das emissões de gases do efeito estufa, mas as emissões mundiais não param de crescer.
Petteri Taalas pediu aos países a “cumprir os compromissos em ação e aumentar o nível de ambição em nome do bem-estar futuro da humanidade”.
No início de novembro, no entanto, o governo do presidente Donald Trump oficializou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris.
Os quatro maiores emissores de gases do efeito estufa – China, Estados Unidos, União Europeia e Índia – representam 56% das emissões globais.
Apenas a UE (9% do total) está a caminho de cumprir, ou até superar, seus objetivos, de acordo com um estudo recente da ONG americana Fundação Ecológica Universal (FEU-US).

Balanço do Ibama aponta 720 praias atingidas por mancha de óleo

As manchas de óleo que contaminam o litoral brasileiro desde o final de agosto chegaram a 720 localidades.
É o que revela o último levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), divulgado nesta quinta-feira (21).
Esse número indica que mais de 70% dos municípios do litoral nordestino foram contaminados desde o início do desastre ambiental.
Das 117 cidades afetadas, 112 estão no Nordeste e 5 no Espírito Santo, primeiro estado do Sudeste atingido pelas manchas. Segundo o IBGE, existem 156 municípios no litoral nordestino.
O óleo já afetou 141 animais na costa, de acordo com outro balanço do Ibama, publicado na quarta (20).
Desses, 100 foram localizados mortos e apenas 41 sobreviveram. As tartarugas marinhas são as mais atingidas: 96 tartarugas, de diferentes espécies, foram contaminadas.
A investigação para determinar a origem do óleo que contamina as praias brasileiras ainda não foi concluída. Até o momento, ninguém foi indiciado pela Polícia Federal, que acompanha o caso.
A busca pela origem do material que contamina a costa foi alvo de críticas de ambientalistas, que avaliam que o governo demorou a agir.
As primeiras manchas de óleo foram localizadas na Paraíba no dia 30 de agosto.
O levantamento mostra que a substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru.
O fenômeno tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas.
Uma investigação da Polícia Federal aponta que o navio grego Bouboulina é o principal suspeito pelo vazamento.
A embarcação carregou 1 milhão de barris de petróleo Merey 16 cru no Porto José, na Venezuela, no dia 15 de julho e zarpou em direção à Malásia, passando pelo litoral da Paraíba no dia 28 de julho.
A empresa Delta Tankers, responsável pelo navio, afirma ter provas de que o Bouboulina não tem relação com o incidente.
A Delta foi notificada pela Marinha brasileira junto com responsáveis por outras quatro embarcações de bandeira grega.
Dentre os cinco navios gregos notificados pela Marinha do Brasil na investigação sobre o vazamento de óleo, dois não transportaram petróleo da Venezuela no período de julho até setembro.
A Petrobras disse, no último dia 25, que o material encontrado nas praias nordestinas é petróleo bruto originário de três diferentes campos da Venezuela.
(com informações da EBC e G1)

MEC libera R$ 60 milhões para projetos de energia solar em escolas

O Ministério da Educação liberou R$ 60 milhões para a a instalação de 852 usinas de energia solar em 38 institutos federais, dois centros de educação tecnológica e no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.
A proposta deve gerar uma economia de quase R$ 18 milhões, anualmente, com contas de energia elétrica.
Com isso, o que for economizado, poderá ser destinado para ensino, pesquisa e extensão dos campi.
Somente em 2018, as instituições gastaram R$ 168 milhões com energia elétrica.
Após a instalação das usinas, mais de 5 mil toneladas de dióxido de carbono devem deixar de ser emitidas para a atmosfera. Cada placa solar tem, em média, vida útil superior a 25 anos.
(Com înformações da Agência Brasil)

Aneel prorroga prazo da consulta pública sobre geração de energia distribuída

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), reguladora do setor elétrico,  prorrogou por mais 30 dias o prazo da consulta pública da revisão das regras da micro e mini geração distribuída. Basicamente, atinge a geração de energia solar. O prazo anterior da consulta se encerraria no dia 30 de novembro, agora será 30 de dezembro.
A prorrogação do prazo por mais 30 dias foi proposta nesta terça-feira, 19, pelo diretor da Aneel Rodrigo Limp, relator do tema, e aprovada pelos demais diretores na Reunião Pública Ordinária da diretoria colegiada da agência.
A proposta da Aneel  prevê a revisão dos subsídios no atual sistema de compensação da energia injetada na rede por consumidores que produzem a própria energia. Ela estabelece um período de transição para  instalações já existentes ou com autorização de acesso à rede de distribuição até a mudança da norma.
Para novos sistemas de geração que atendam consumidores remotos, a  tarifa de uso da rede seria cobrada em sua totalidade já a partir de 2020. Para os novos sistemas de microgeração local, parte desse custo seria cobrado no ano que vem, e a totalidade quando a capacidade instalada atingir determinado patamar dentro da área da concessão de cada distribuidora.
Os interessados em participar da consulta pública devem encaminhar suas contribuições ao e-mail cp025_2019@aneel.gov.br ou por correspondência para o endereço da ANEEL: SGAN, Quadra 603, Módulo I, Térreo, Protocolo Geral, CEP: 70830-110), em Brasília-DF.
(Fonte: Aneel)

O triste fim da tartaruga gigante na praia do Cassino

Ela pesava 215 quilos e morreu após muita agonia por ter os intestinos obstruídos por ter ingerido plásticos no oceano.
Era uma tartaruga-de-couro, conhecida como tartaruga-gigante. Foi encontrada já moribunda, quase sem reflexos, na praia do Cassino, no município portuário de Rio Grande, no litoral sul gaúcho.
O animal foi resgatado na sexta-feira (15) pelas equipes do Centro de Recuperação de Animais Marinhos (CRAM-Furg), Projeto Caminho Marinho e Ibama. Encaminhado para reabilitação, não resistiu.
Na necropsia, feita pelo CRAM, foi encontrado material plástico ingerido pela tartaruga. O centro atestou como causas da morte “a obstrução do trato intestinal por conteúdo plástico e afogamento”.
A tartaruga-de-couro é a maior espécie desses animais e está “criticamente em perigo” de extinção. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou a espécie em “estado vulnerável”.

Evento em Curitiba debate inovação e energias renováveis

Para incentivar o debate e a busca por soluções e inovações em energias renováveis, a Conferência Smart Energy chega a sua sexta edição nos dias 19 e 20 de novembro, no Centro de Eventos da Fiep em Curitiba (PR).

“A conferência proporciona a discussão de projetos sobre o setor de energias renováveis e inteligentes que estão em andamento no cenário nacional e internacional.

Trata-se de uma oportunidade para conhecer os trabalhos que apresentam resultados práticos, para fomentar e motivar a inserção dessas tecnologias no setor de energias paranaense e brasileiro”, aponta Jorge Callado, diretor-presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), organizador do evento.

O objetivo do evento é unir gestores públicos, agências e entidades de governo, profissionais do setor elétrico, empreendedores, startups, consultores, pesquisadores, estudantes e consumidores para debater os temas e problemáticas atuais mais relevantes, apresentar os avanços e tendências tecnológicas, além das oportunidades que o mercado oferece para a inovação.

“É fundamental estimular toda essa interação, pois com ela aumenta-se cada vez mais o entendimento da importância da utilização de fontes renováveis para geração de energia”, ressalta Celso Kloss, diretor-superintendente da Paraná Metrologia, também organizadora da Conferência Smart Energy.

A programação foi baseada em temas que refletem todos os processos e mudanças que o setor tem atravessado e a transição energética que está ocorrendo nos últimos anos, que impactam todo o sistema elétrico, desde a produção até o consumidor final.

O evento conta com sessões sobre gestão de energia e eficiência energética, fontes alternativas, smart grids e microgrids, smart cities, armazenamento de energia e veículos elétricos.

Entre os assuntos das palestras estão o papel das energias renováveis na transição energética nas cidades, ações para disseminação dessas energias, a eficiência energética na indústria, incluindo linhas de financiamento, projetos que promovem a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias inovadoras, os avanços na implementação de smart grids, cases de sucesso de produção de energia a partir de biomassa, o uso do biogás e a política nacional do gás natural, o impacto da geração distribuída no sistema de energia, a transformação digital das indústrias e cidades inteligentes, o futuro da mobilidade elétrica, entre outras questões apresentadas por especialistas e profissionais do mercado, incluindo a presença do diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Associação Brasileira das Agências de Regulação (Abar), Sandoval Feitosa Neto na palestra de abertura.

O coordenador da programação científica da Smart Energy, prof. Dr. Alexandre Aoki, explica que alguns temas que serão debatidos são de áreas em que já há alguns avanços, como a  gestão de energia e eficiência energética, impulsionadas pela Copel Distribuição através do Programa de Eficiência Energética e a micro e minigeração distribuída, que possuem isenção do ICMS na energia injetada na rede.

As inscrições podem ser feitas no site www.smartenergy.org.br/ciexpo-2019/, onde a programação completa também está disponível.

Inovação e ciência

Segundo o diretor de Indústria e Inovação do Tecpar, Rafael Rodrigues, o setor ainda tem muito espaço para o desenvolvimento de novas tecnologias. “A inovação no setor elétrico brasileiro ainda está engatinhando”.

“Todo o processo de aceleração, incubação e criação de ecossistema de inovação nessa área começou somente de uns cinco anos para cá, principalmente, com hackatons dos principais agentes, com aplicabilidade de startups vocacionadas às necessidades do setor”, revela.

As lacunas que ainda existem no setor podem ser preenchidas justamente por startups, ajudando a acelerar o processo.

A pesquisa científica é um dos suportes da inovação e novamente terá espaço na Smart Energy 2019, com apresentações de artigos durante todo o evento.

A energia solar foi o tema mais abordado, segundo o prof. Aoki.

“Os sistemas com armazenamento de energia em baterias, incluindo microrredes, também foram bastante abordados. No aspecto prático, acredito que são áreas que estão demandando mais conhecimentos e estudos no momento, inclusive pelo interesse na aplicação real desses sistemas. Por outro lado, ainda há lacunas interessantes para pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação nessas áreas”, considera.

A Smart Energy 2019 é uma iniciativa do Tecpar, organizada em parceria com a Paraná Metrologia, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e demais instituições que compõe o comitê gestor do projeto Smart Energy Paraná.

O evento tem o patrocínio da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Fundação Araucária, ENGIE Brasil, Itaipu Binacional, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Klabin, Fomento Paraná, L8 Energy, Rumo Logística, Compagas e Sanepar e apoio da Copel, WEG, Siemens, iCities, Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Lactec, Comerc Energia e Ribeiro Solar.

(Com informações da Assessoria de Imprensa)

Triângulos ou lupas? Anvisa prorroga consulta pública sobre rótulos de alimentos

A previsão era que a consulta pública da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre rotulagem nutricional de alimentos acabasse dia 7 de novembro, mas na véspera a Anvisa  decidiu prorrogar por mais 30 dias.
A decisão do diretor-presidente da agência, Willian Dib, em caráter de urgência, ainda precisa de aprovação da sua Diretoria Colegiada, que foi quem definiu o prazo anterior. O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) estranhou a prorrogação.
Segundo nota divulgada pela agência, a decisão da prorrogação está amparada “sobre as diretrizes e os procedimentos para melhoria da qualidade regulatória da Anvisa, e à necessidade de estudos de legibilidade pelo setor”.
Para o Idec, a decisão causou estranhamento porque, no mesmo dia em que Dib assinou a decisão, os diretores da Anvisa estiveram em reunião ordinária da Diretoria Colegiada, conforme calendário da agência, e poderiam ter deliberado sobre a prorrogação.
“É preciso que a agência apresente com clareza quais as justificativas que levaram à decisão do presidente e a qual setor ela se refere em relação à necessidade de estudos de legibilidade”, questiona Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Idec.
Em 2018, questões relacionadas à apresentação de estudos já haviam sido colocadas como uma das justificativas de representantes do setor das indústrias para adiar a Tomada Pública de Subsídios, uma das fases do aprimoramento da rotulagem nutricional no Brasil.
Para o Idec, abrir brechas que possam prorrogar ainda mais o atual processo é uma sinalização ruim para o consumidor brasileiro que aguarda por uma decisão definitiva. Cabe ainda destacar que a atual consulta pública já obteve mais de 15 mil contribuições, volume bastante superior em comparação a outras consultas realizadas pela agência.
Histórico 
Em 23 de setembro, a Anvisa abriu a consulta pública sobre rotulagem nutricional de alimentos. Na ocasião, a agência propôs a inclusão de uma lupa na parte da frente dos rótulos dos alimentos com excesso de nutrientes críticos (sódio, gorduras saturadas e/ou açúcar).
Contudo, uma pesquisa realizada pelo Idec com o instituto Datafolha, em outubro deste ano, comprova que os triângulos são mais eficazes para apoiar os consumidores a saber o que estão comendo em comparação ao modelo de lupa.
Outro estudo também divulgado em outubro, desta vez em parceria com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que também defende o modelo dos triângulos, demonstra como os rótulos influenciam a alimentação das crianças.
“É importante enfatizar que todas as evidências comprovam a percepção dos consumidores de que os triângulos são mais eficazes do que outros modelos, incluindo a lupa. Esperamos que Anvisa se mantenha firme em relação às evidências e considere a percepção dos consumidores”, destaca Bortoletto.
A proposta dos triângulos de advertência conta ainda com o apoio de mais de 75 mil cidadãos que assinaram a petição favorável ao modelo. A proposta também tem o apoio de organizações como o Inca (Instituto Nacional de Câncer) e o OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), além de outras que fazem parte da coalizão Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.

Decreto de Bolsonaro abre Amazônia e Pantanal para a cana de açúcar

A liberação do plantio de cana na Amazônia, Pantanal e a Bacia do Alto Paraguai, é mais uma medida do governo Bolsonaro na contramão da preservação ambiental.”No meu entender, esse decreto abre as portas do inferno”, disse o promotor Marcelo Novaes.
O decreto 10.084, de 5 de novembro, revoga o Decreto 6.961, de setembro de 2009, do governo Lula, que instituiu o zoneamento para o plantio da cana e as operações de financiamento ao setor do açúcar e do álcool.
Além de Bolsonaro, assinam o decreto a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e o ministro da Economia, Paulo Guedes.
“Com seu ato, os dois ministros, tidos como a ‘ala razoável’ do governo, expõem dois biomas frágeis à expansão predatória e economicamente injustificável da cana e jogam na lama a imagem internacional de sustentabilidade que o etanol brasileiro construiu a duras penas”, afirmou o Observatório do Clima por meio de nota.
A medida foi repudiada pelo ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que chamou Bolsonaro de “ecocida”.

Carlos Minc@minc_rj

Horror! Bolsonero revogou hj decreto do Zoneamento Ecológico Econômico da cana de açúcar, que editamos em 2009 para impedir sua expansão no Pantanal, na Amazônia e em áreas de produção de alimentos. Mancha o etanol brasileiro no mercado mundial. Ecocida! http://www.in.gov.br/web/dou/-/decreto-n-10.084-de-5-de-novembro-de-2019-226227716 

Para essas entidades, permitir o cultivo de cana na região, mesmo que em terras degradadas, é um erro.
“Significa acrescentar mais um motor ao crescente desmatamento. Para dar lugar à lavoura, a pecuária será empurrada para novas áreas, estimulando a devastação da floresta, a violência contra as populações locais e a injustiça social. Além disso, a área já liberada para a cana-de-açúcar no resto do país é do tamanho do território de Minas Gerais.”
A produção de cana também está associada à degradação do solo e dos ecossistemas. E o uso intensivo de agrotóxicos, principalmente por meio da pulverização aérea.
“O decreto que permite a expansão do plantio de cana de açúcar na Amazônia, Pantanal e a bacia do Alto Paraguai, na mesma região, colocará em risco esses biomas, prejudicará a soberania nacional e degradará o meio ambiente, além de dar ensejo a um desastre ambiental”, diz o promotor Marcelo Novaes, ex-coordenador do Fórum Paulista de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos.
“No meu entender, esse decreto ‘abre as portas do inferno’. Além das queimadas ilegais na Amazônia agora nós teremos as queimadas legais por conta das futuras colheitas de cana de açúcar”, avalia Novaes. “Uma ferida aberta no meio das nossas florestas e das nossas matas nativas”.
O decreto presidencial revoga o Decreto 6.961, de setembro de 2009, quando foi instituído o zoneamento para o plantio da cana e as operações de financiamento ao setor sucroalcooleiro.
Na época em que a decisão foi formulada, diversas entidades, junto a ambientalistas, técnicos, pesquisadores e representantes da indústria do açúcar e do álcool participaram do debate que resultou na proibição da plantação nos biomas, como também na entrada da cana em áreas com cobertura vegetal nativa, de proteção ambiental, terras indígenas e de remanescentes florestais.
“Numa twittada, que virou um texto de decreto, revoga-se um ordenamento jurídico que protegia mais da metade do território brasileiro da expansão da monocultura do açúcar em biomas importantíssimos como a Amazônia e o Pantanal”, diz Novaes .
De acordo com Novaes, a produção de cana no país “agride de maneira muito intensa” o meio ambiente porque demanda uma grande quantidade de agrotóxicos, agroquímicos, correção química do solo e irrigação e vai inclusive incentivar queimadas para criação de zonas de plantio.
“Ao meu ver, esse decreto foi redigido por ‘terraplanistas’ e negacionistas do aquecimento global. Ele não interessa ao setor, não interessa à sociedade, ele só interessa àqueles que vivem da grilagem de terra nessas regiões (…) Esse decreto dá ensejo a um desastre ambiental de proporções imagináveis. Brumadinho, Mariana, o petróleo nas costas brasileiras, são pequenos perto do que está prestes a acontecer”.
(com informações da RBA)

Desmatamento é a principal causa do aumento de emissões de gases

Foi um aumento mínimo, de 0,2%. Mas, para quem é o sétimo na lista dos maiores poluidores do planeta, o aumento das emissões de gases do efeito estufa no Brasil, em 2018, é preocupante.
Principalmente porque a causa principal – os desmatamentos e queimadas – parece fora de controle.
O balanço das emissões brasileiras em 2018 foi divulgado na semana passada pelo Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (www.seeg.eco.br). Não mereceu muita atenção.
O total das emissões registradas no Brasil alcançou 1,939 bilhão de toneladas de CO2 equivalente, 0,2% a mais do que em 2017.
As emissões causadas por mudança no uso da terra – queimadas, derrubadas, mineração – representam 44% do total das emissões brasileiras. No conjunto, elas cresceram 3,6% em 2018.
Esse crescimento teve como causa principal as emissões causadas pelo desmatamento na Amazônia,que aumentaram 8,5%.
Foram 29 milhões de toneladas a mais de C02 lançadas na atmosfera pelas queimadas. Segundo o Prodes, dado oficial do desmatamento no Brasil, foram 7.500 km2 em 2018.
O setor agropecuário, em segundo lugar, com 25% do total das emissões, registrou pequena redução de 0,7%.
A  diminuição do rebanho nacional foi a principal causa e por razões que nada têm a ver com preocupações ambientais: a alta cotação da carne no mercado internacional levou a um aumento e antecipação de abates. Desta forma a emissão do metano do gado (muito mais nocivo do que o CO2) foi reduzida.
A maior redução, de 5%, foi registrada no terceiro grupo mais poluente, o setor de energia responsável, por 21% do total das emissões no Brasil.
Duas são as causas principais:
1) o forte aumento do uso do etanol no transporte de passageiros, devido à obrigação de adicionar biodiesel ao diesel.
2) o crescimento das energias renováveis na geração elétrica.
Felipe Barcellos e Silva, analista de projetos do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente: “Choveu muito, as hidrelétricas foram muito acionadas em detrimento das térmicas fósseis”.
Também foi a primeira vez que as fontes não hídricas ultrapassaram as fósseis na matriz elétrica, diz ele, citando a energia eólica, biomassa e solar. Este grupo foi a segunda maior fonte de energia no Brasil em 2018.
O setor industrial, que responde por 5% do total das emissões, registrou aumento de 1%, em relação ao ano anterior, apesar da queda na produção.
Outros 5% são emissões decorrentes da decomposição de resíduos, que registraram crescimento de 1,3%.
Desafio do Brasil é  reduzir desmatamento
Ricardo Abramovay, professor da USP, ouvido pelo Valor, chamou atenção para “a grande diferença entre a natureza das emissões do Brasil e a dos grandes países poluidores”.
Nos países desenvolvidos, assim como na Índia e na China, a redução das emissões depende de grandes investimentos em ciência e tecnologia, porque a maior fonte de emissões é o setor de energia.
No Brasil, esforço  tem que ser no combate ao desmatamento.
“Para interromper o desmatamento não precisamos fazer grandes esforços em ciência e tecnologia”, diz o professor. “Infelizmente estamos avançando em direção ao aumento das emissões pelos piores métodos. É vergonhoso”, lamenta.
A meta de reduzir 80% a taxa de desmatamento da Amazônia até 2020 parece inalcançável: “Já tínhamos uma situação delicada antes do desmonte da governança ambiental promovida pelo atual governo”, diz Carlos Rittl, do Observatório do Clima.
“Em 2019, os planos de combate ao desmatamento na Amazônia e Cerrado foram engavetados e não temos nem mesmo um esboço de plano para a implementação da NDC, que deveria ocorrer a partir do ano que vem. Na verdade, até os órgãos que deveriam implantar a NDC foram extintos pela atual administração”, afirmou Rittl.
A NDC (Contribuição Nacional Determinada, em inglês) é o mecanismo de metas de redução estabelecido pelo Acordo de Paris para cada país signatário.
Emissões no Brasil
Fontes                                         % do total      2018
Mudanças nos usos da terra              44%          +3,6
Agropecuária                                       25%          -0,7
Energia                                                21%          -5,0
Industria                                               05%         +1,0
TOTAL                                                100%         +0,2
 

Pesquisadores debatem impactos ambientais do carvão

“Impactos da exploração e uso do carvão e seu monitoramento”, foi o tema abordado por três cientistas gaúchos no centro cultural Erico Verissimo, nesta quarta, 6. O evento faz parte da programação da Feira do Livro de Porto Alegre.
O professor Heinrich Hasenack, do Instituto de Biocências da UFRGS, fez a mediação entre as exposições da médica e geneticista Lavínia Schuler Faccini e o ecólogo Gerhard Ernst Overbeck.   
“Por que isso aqui não está lotado?”, perguntou  o músico Renato Borba, empolgado com “o nível da conversa”. Havia umas 40 pessoas no auditório com capacidade para 150 lugares.
O livro “Carvão e Meio Ambiente”, uma coletânea de pesquisas de 1006 páginas, que envolveu mais de 60 pesquisadores de diferentes especialidades,foi a referência para  as apresentações.
Editada há 20 anos pelo Centro de Ecologia da UFRGS, a obra é o mais atualizado compêndio sobre os impactos ambientais do carvão na região do baixo Jacuí, onde se projeta uma nova mina.
“Não temos estudos como esse, com essa visão integradora. Falta uma base de dados atualizados para uma avaliação científica, para que se tenha condições de monitorar os impactos e alertar com base nos fatos, que é a obrigação do cientista”, disse Gerhard.
Segundo ele, em muitos aspectos a obra permanece atual, mas está defasada em outros. A restauração do solo em áreas mineradas a céu aberto, por exemplo:
“A visão que se tinha na época era superficial, acreditava-se que plantando árvores ou uma lavoura era suficiente. Hoje sabe-se que para haver recuperação ecológica tem que haver a reconstrução de um ecossistema. No momento a gente não sabe, é muito complexo. A mineração do carvão a céu aberto deixa o solo muito alterado”.
Médica, com especialização em genética, Lavínia disse que nessas questões o papel do cientista é fornecer as informações para que a sociedade tome as decisões.
Ela trabalha com crianças portadoras de doenças raras, de fundo genético, nas quais os fatores ambientais não estão ausentes. “Mesmo na barriga da mãe, a criança pode ser afetada por fatores ambientais. Nada é 100% genético ou 100% ambiental. Antes pensava-se que era só genético, agora sabe-se que o ambiente é muito mais importante do que se pensava”.
Atualmente, segundo a pesquisadora, os estudos ambientais exigidos para o licenciamento de projetos não incluem os impactos na saúde, mas já há um consenso de que a legislação precisa ser aperfeiçoada neste sentido, incluindo-se no Termo de Referência para a elaboração do EIA Rima a exigência desses estudos.
“Nessa área é importante o monitoramento a longo prazo, porque muitas vezes as consequências só aparecem bem mais tarde, quando o empreendimento já foi embora, e a conta fica para o SUS.”
Na parte final, para a manifestação do público, o engenheiro ambiental Eduardo Raguse, integrante do “Comitê de Combate à Mega-mineração”, informou  que uma “frente técnica”, formada por 50 especialistas, está analisando os estudos de impacto ambiental apresentados para o licenciamento da nova mina em Eldorado do Sul.
“Nossa conclusão é de que esse projeto não tem viabilidade ambiental”, disse. Os palestrantes evitaram qualquer posicionamento a priori, ressaltando que o fundamental  é a disponibilização do máximo possível de informações para que a sociedade tome suas decisões.
 
 
 
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