Exportação de carne suspensa: Europa quer garantias sobre uso de antibióticos

A entrada de carne brasileira estará suspensa nos países da União Européia a partir de setembro. A decisão, anunciada há um, mês foi oficializada nesta sexta-feira, 5.

A justificativa é que o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem as exigências sanitárias europeias, especialmente quanto ao uso de antibióticos ( também chamados antimicrobianos).

Esses medicamentos são indicados para tratar infecções em animais, mas são usados indevidamente para estimular o crescimento e aumentar o peso. Eles já estão proibidos no país desde abril, mas a União Européia quer garantias e provas.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor. 

As restrições ao uso de antibióticos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo.

Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos.

O principal objetivo da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Na pecuária tradicional, alguns tipos de antibióticos são misturados à ração em doses baixas para funcionar como “promotores de crescimento”. Eles mudam a flora intestinal do animal, fazendo com que ele absorva melhor os nutrientes, gaste menos energia combatendo microinfecções e, consequentemente, ganhe mais peso em menos tempo.

O uso contínuo de antibióticos em animais cria bactérias ultra-resistentes. Essas “superbactérias” podem passar para os humanos através do consumo ou manejo da carne.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados.

Isso exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec)disse em nota que o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

A decisão não significa que a carne brasileira esteja contaminada. O bloco removeu o Brasil da lista porque o governo e os produtores ainda não conseguiram fornecer documentos e sistemas de fiscalização oficiais que comprovem, animal por animal, que essas substâncias banidas não foram utilizadas.

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